Olhos Verdes

2 O céu e o mar conspiram a nosso favor.


Notas iniciais
Melody, comilona, ingenua, sonha com uma amor seguro e uma primeira vez dos sonhos cama com pétalas, velas aromatizantes e tudo que ela tem direito. Mas as coisas nem sempre são como esperamos. Mel vivera um amor cheio de imprevistos.

A cantoria e a animação das pessoas em minha volta furavam a barreira de proteção que meus fones de ouvido proporcionavam. As árvores pareciam se mover do lado de fora do ônibus. Sim, eu adorava aquela sensação de sair da cidade e finalmente poder sentir o silencio da natureza. Bem, silencio em termos.

“I want break free” ressoava em meus ouvidos, mas a musica estava sendo estragada pela gritaria. Pela mãe natureza! O que deu nessas pessoas! Eu viajo com esse grupo há dois anos e eles nunca agiram assim!

Eu bufo e me levanto um pouco do banco para ver se consigo identificar a causa de tanto barulho. E é aí que eu vejo. Uau, um belo rapaz. Ele estava no centro de todo mundo, rindo e conduzindo a cantoria. Seus cabelos avermelhados, como folhas no outono, seus olhos tinham um tom verde mar profundo.

–"A Maria roubou pão na casa do João. A Maria roubou pão na casa do João!" –Ele cantava e batia as mãos animado.

–Quem eu? –Maria Antonieta, a garota mais asquerosa e nojenta de todo meu grupo naturalista. Ela olhava para o garoto que estava no meio como se guise se tirar a roupa ali mesmo e dizer á ele: “Me coma”. E por uma estranha ração que até eu desconheço, eu senti ciúmes de alguém que nem sequer sabia quem era.

Sentei de volta na cadeira, suspirando, e aumentei o volume da musica, para não ter que escutar tudo aquilo. Aquele garoto com certeza era novato. Um lindo novato... Argh! Melhor eu tirá-lo da cabeça! Minhas experiências amorosas nunca deram muito certo no final e eu estou a fim de ficar sozinha.

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O acampamento continuava do mesmo jeito que eu lembrava. Esse é meu quinto verão aqui. Nos meu primeiro três anos meus pais me traziam, mas há dois anos consegui convencê-los a me deixar vir com o grupo.

O cheiro familiar de maresia e madeira invadia minhas narinas, me fazendo dar um pequeno sorriso.

–Hey! Garoto. – O garoto do ônibus me chamou. –Me disseram que isso era seu.

Ele jogou minha mala e no ímpeto de agarrá-la acabei caído para trás.

–O que estava passando pela sua cabeça? – Me levantando e grito com ele com toda a raiva que pude reunir.

–Calma, já vi que você é irritadinha, hein? –Ele ergueu um sorriso enquanto se aproximava. Aquele sorriso me fez cambalear, tirou o chão sob meus pés e fez minha cabeça girar. –Meu nome é Enzo, e o seu?

–Não é da sua conta!- Disse isso na esperança de ele não identificar os sinais que meu corpo estava dando.

–Ok, Srta. Não é da sua conta. –disse rindo e indo embora logo em seguida.

Eu peguei minha mala e logo fui para o meu cantinho montar minha barraca. É, barraca. Aqui é assim, ou você paga uma fortuna para dormir num dos chalés, ou você trás sua barraca, ou dorme ao relendo mesmo. A maioria das pessoas trás barraca. Não por ser mais legal –o que é- mais por que as pessoas tinham segundas intenções. Os monitores não estão nem ai para o pessoal mais velho. As crianças (menos de 15 anos) dormem perto do chalé, já nós, “pessoas mais velhos”, podemos dormir em qualquer lugar dentro dos limites do acampamento.

Meu canto é uma árvore baixa entre outras maiores. Suas folhas estão num verde intenso, típico verde de verão. Começo a montar minha barraca rosa. Não fui eu que escolhi isso. Minha minha mãe comprou pois a do ano passado estava com um rombo no teto.

Minha barraca rosa é gigante. Eu poderia convidar cinco pessoas para dormir comigo que ainda sobraria espaço.

Uma hora depois, eu estava deitada dentro da minha barraca, totalmente cansada, suada e com muita fome. Nesse primeiro dia, não temos nenhuma atividade, é o dia de “socializar”.

O jantar só seria servido dali a duas longas e intermináveis horas, por tanto fui vasculhar minha mochila de mantimentos. Sim, eu trago uma mala enorme (do tipo gigante) e uma mochila de mantimentos. Pois é, todos sabem que eu sou bem esfomeada.

Depois de um lanche co posto de barrinhas de chocolate (com pouco açúcar), algumas frutas e um suco de caixinha. Me vi sem nada para fazer. Socializar não era uma opção, não estava com paciência para isso.

A praia, isso! Uma ótima escolha. O sol daqui a pouco vai se por, um pôr-do-sol na praia. Perfeito!

************

Quando vejo a água. Mal consigo me segurar. A vontade de pular de cabeça e submergir nas águas salgadas toma conta de mim.

Mas não faço isso, apenas me sento na areia o céu alaranjado colore o mar fazendo-o ficar ainda mais lindo. Fecho os olhos e escuto o som, como diz minha mãe, a melodia do mar.

Meu nome foi inspirado nisso, no barulho das águas quebrando na areia, o som que me inebria.

Minha mente estava em outro universo, quando ouço alguém resmungando. Então olho a minha volta e vejo Enzo montando sua barraca no comecinho da praia.

Aqui é um lugar bem isolado para alguém tão popular.

Ele não havia reparado em mim. A noite já havia chegado e apesar da minha pele clara com leite contratar na escuridão, meus cabelos negros como a noite sem luar me camuflavam. Nesse momento, o sino que indica as refeições toca, me obrigando a levantar e fazendo Enzo reparar em mim.

–Hey, não é da sua conta! –Diz mandando tchauzinho.

–Oi. –Digo para ser educada, fingindo não reparar no ridículo apelido.

Enzo está claramente com dificuldades para montar sua barraca. Percebo isso quando os gravetos de apoio da barraca se esticam fazendo tudo que ele havia montado desabar.

–Idiota. –sussurro em meio a uma risada.

–Bem, acho melhor irmos jantar. –Ele corre em minha direção deixando sua barraca destruída para trás.

–Ahrãm. –digo e sigo caminhando em silêncio.

Ele também não diz nada e logo chegamos ao refeitório, que exalava um cheiro delicioso.

Ando um pouco mais rápido, a fome despertando em mim. Logo entro e vou para a fila, pegando meu prato e me deparando com diversas opções vegetarianas – não que eu fosse, mas aqui é assim.

–Sem carne? Como assim? –Diz Enzo. Eu até havia esquecido que ele estava atrás de mim.

–Acampamento naturalista. –Digo dando ênfase ao naturalista.

–Animas fazem parte da natureza. –Ele diz incrédulo.

–Sinceramente eu também não gosto muito de não ter carne. Mas para as pessoas daqui animais são amigos não comida. — Digo com os olhos fixos no bufê. Quando um som atormentador atinge meus ouvidos.

–NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOO! Carne de soja é pior do que não ter carne. –Enzo berra e leva as mãos ao rosto.

–Para de ser dramático! Não é tão ruim. –Digo. Realmente a carne de soja daqui é suportável, ainda não é carne, mas dá pra encarar.

Deixo Enzo decidindo o que comer e sigo em frete, enchendo meu prato. O famoso “preto de pedreiro”.

–Caraca não é da sua conta! Que prato esse seu. –Diz Enzo com os olhos arregalados fixos no meu prato. –Daria pra alimentar uma família inteira.

–A quantidade de comida que como é problema meu não seu. — Eu fazia tentativas falhas de afastá-lo de mim, Seu cheiro amadeirado, seus cabelos ruivos desgrenhados, e seus olhos, verde mar. Aquela cor que perfurava minha mente e fazia todo os pelos do meu corpo se arrepiarem. Cada detalhe daquele homem me chamava, me encantava, fazia-me querer novamente um amo. “Melody! Pare com isso, lembre seu coração não está preparado para mais uma decepção.” Repreendi a mim mesma, pois sou uma menina boba com um coração mole que se encanta pelo primeiro sorriso maroto que me é lançado.

–Nossa! Tudo bem, se você quisesse que eu fosse embora era só dizer.

Dizendo isso ele se afasta, me deixando dividida entre o alívio dele ir embora ou a angústia dele ir, Poe querê-lo perto.

Acabo de fazer meu prato e me dirijo a mesa de alguns colegas meus.

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O sino da manhã toca, fazendo-me despertar aos poucos. Até que minha barraca rosa fica bonita com o sol da manhã batendo nela.

Troco de roupa rapidamente, colocando uma roupa de caminhada e logo saio da minha barraca, sendo atingida pela brisa marinha. Amo as manhãs daqui. Trazem- me tanta paz.

Pego meu iPod, apesar de ser pequeno guarda uma parte muito importante da minha vida.

Não, eles não permitem o uso de aparelhos eletrônicos, dizem que eles atrapalham a conexão com a natureza.

Sim, eu não estou nem ai para essa regra. Pois para mim existem duas coisas impossíveis de viver sem, primeiro: comida e segundo: musica.

Coloco uma música de Jack Johnson e vou caminhando pela praia. Carrego meu caderno de rascunho, onde escrevo meus poemas, meus textos, minhas músicas... É uma espécie de diário, e como um. Nunca mostro esse caderno para ninguém. Chego até ser chata em relação a isso.

O café só será servido dali à uma hora e meia. Portanto ainda tenho algum tempo para matar. Como de costume vou caminhar pela praia para pensar, refletir sobre o que está acontecendo e escrever.

Depois de algum tempo avisto a barraca de Enzo e não é que ele conseguiu montá-la? Dou um sorriso de canto achando graça de meu pensamento.

–Oi não é da sua conta! –Diz Enzo, tirando meus fones de ouvido e em dando um susto.

–AAAAAAAAHHHHH!- Grito. –Dá onde é que você veio? –Digo com uma expressão confusa.

–Relaxa, não é da sua conta. –Diz, dando aquele sorriso maroto. –Hey, o que é isso aí? –Pergunta ele apontando para meu caderno.

–Nada. –Respondo rapidamente, desfiando o olhar, e escondendo o caderno atrás de mim.

–Se não fosse nada, você não teria ficado tão nervosa, não é da sua conta. –Ele estava tentado alcançar o caderno. Enzo envolvia seus braços ao redor de mim, fazendo meu coração bater tão rápido que eu podia sentir–lo em meus ouvidos. –Me deixa ver vai. –Quando ele pega meu caderno meu peito gela.

–ENZO! Me devolve isso já! – Grito com ele.

–Sinto-lhe dizer não é da sua conta, que infelizmente não poderei fazer isso. –Ele sai correndo pela areia levando meu caderno junto.

–Enzo! Volte aqui! –Grito, correndo atrás dele.

Ele corre por todo o acampamento, rindo, até que chegamos ao refeitório. O sino havia acabado de tocar, portanto o refeitório estaria cheio de campistas esfomeados.

Enzo sobe em uma mesa, chamando a atenção de todos. Uma multidão se forma a minha frente, dificultando meu caminho até Enzo, quando o vejo abrir o caderno em uma pagina qualquer.

–Borboleta. –Ele lê o título de minha música com um sorriso travesso no rosto. –Quando as flores irão desta desabrochar? Quando as borboletas irão voltar? –Ele parece segurar o riso e eu estou cada vez mais desesperada.

–Enzo! –Grito, tentado desviar sua atenção.

Olho a minha volta e vejo um pedaço de bolo de chocolate esquecido em uma mesa. Pego rapidamente e, sem pensar, lanço o pedaço na cabeça de Enzo, que para de ler imediatamente.

Em algum canto do refeitório alguém grita:

–Guerra de comida! –Pronto o caos foi formado. Enquanto tento com afinco chegar até Enzo para poder recuperar meu caderno, vejo pedaços de pão sendo lançados de um lado para o outro do refeitório, leite voa caído sem rumo, e sem menos ter chance para me defender sou tingida por uma torrada emplastada de requeijão.

Quando finalmente encontro, Enzo no meio daquela bagunça puxo meu caderno de suas mãos, ele solta o caderno e me olha com espanto.

–Como fez isso? –Ele estava com um cupcake cor de rosa bem no meio da cabeça. Se não estivesse com tanto ódio dele poderia até ter achado fofo.

–Eu... eu odeio você! –Saio correndo do refeitório desviando de pessoas e comida voadoras. As lágrimas escorriam pelo meu rosto, não lágrimas de tristeza, mas sim de raiva, pois é tão ruim gostar de alguém que não gosta de você.

Corro em direção a minha barraca e me tranco lá dentro, deixando toda minha ira extravasar em forma de palavras. Após algum tempo, as lágrimas já não saem e eu estou mais controlada. Pego uma roupa limpa e saio da barraca em direção ao vestiário para poder me limpar antes das atividades do dia. Mas antes tranco a barraca, levando as chaves comigo. Tenho a leve impressão de que estou sendo observada, mas deixo pra lá e sigo em frente.

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Já estava anoitecendo quando volto para minha barraca, depois de um dia inteiro de atividades, caminhadas entre outras coisas. Havia acabado de tomar um banho e tudo o que eu queria era descansar um pouco antes do jantar.

Só havia visto Enzo de relance no almoço e dava graças a Mãe Natureza por aquilo.

“Pronta!” pensei. “Agora vão me dar um susto.”

Abri a barraca rapidamente, mas não havia nada de anormal.

Um trovão soou esse era o primeiro sinal da tempestade que se aproximava.

Vasculhei minhas coisas para ver se tudo estava ali. Não! Tudo menos isso! Meu caderno não estava ali. Um vazio invadiu meu estomago e meu coração desacelerou.

Quando fui pensar em que poderia ser o culpado o primeiro nome que veio em minha mente foi: Enzo. Claro, só pode ter sido ele!

Saio furiosa da barraca, sem nem legar para a tempestade que se aproxima. Corro em direção praia e vejo o mar revolto, e antes do que eu poderia imaginar chego a barraca de Enzo e me dirijo a ele, com os punhos cerrados. Chego até a barraca e abro o zíper rapidamente.

–Enzo! CADÊ MEU CADERNO? –grito

Ele estava deitado, com o caderno nas mãos e se sobressaltou ao me ouvi. Sua barraca até que era grande, não tanto quando a minha, mas pelo menos ele não era rosa.

Entro na barraca, deixando sua entrada aberta. O vento uivava lá fora e estava começando a bagunçar algumas coisas no interior da barraca.

–Enzo, me dá o caderno. –Digo ME APROXIMANDO.

–Calma não é da sua conta, — Diz ele, ficando se joelhos. – Eu li algumas coisas...

–Você leu algumas coisas? –o interrompo.

Eu me lanço para cima dele, fazendo-o largar o caderno. Eu soco seu peito fortemente, mas sei que está doendo mais em mim do que nele. De repente ele inverte as posições, ficando em cima de mim. Ele segura meus pulsos acima da minha cabeça, me fazendo parar de me debater. Eu encaro seus olhos verde-mar. O lampião que havia na barraca ilumina parcialmente seu rosto, o tornado misteriosamente lindo. Ele me encara intensamente. Verde em preto.

–Me solta! –Grito saindo de nosso devaneio. E com um movimento que nem eu sei bem como foi, me livro das mãos dele. E saio correndo da barraca com meu caderno em mãos. Logo que saio da barraca a chuva me atinge, gotas grandes e geladas machucam minha pele. Minha barraca está muito longe para que eu meu precioso caderno cheguemos até intactos. Mas para perto daquele garoto eu não volto mais!

–Hey! Não é da sua conta! –Enzo está vindo em minha direção. Apesar de ter andado só alguns metros na chuva ele já estava completamente encharcado. –Volta aqui garota! –Ele agarra a manga da minha blusa.

–Me solta! –Me debato, mas não por muito tempo, as mãos de Enzo são firmes, enquanto eu não sou lá grande coisa quando se trata de força física. –Por que você faz isso comigo? –Desabo na areia, que agora não é nada além de lama de praia, já aceitando o fato do meu caderno ser um caso perdido.

–O que eu estou fazendo com você? –Ele se agacha e olha nos meus olhos. Lágrimas quentes se misturam as frias gotas de chuva.

–Você me desestabiliza desde a primeira vez que o vi no ônibus. Naquele dia em que olhei pra você algo especial despertou dentro de mim. –Não conseguia encará-lo nos olhos, eu nem sei como nem porque eu disse o que disse.

–Bem, não é da sua conta acho que agora nós temos um problema. –Ele ergue meu rosto fazendo com que nos fiquemos a milímetros de distancia um do outro. –Por que também sinto algo especial por você. –Pelo sorriso que ele esboça deve ser coisa boa.

Antes que alguma coisa pudesse acontecer um raio corta o céu noturno, clareando tudo á nossa volta.

–Venha. Vamos nos secar antes que até nossos órgãos internos ficam encharcados. –Ele me abraça, erguendo meu corpo. E então caminhamos de volta para a barraca. Levo meu caderno comigo apesar de acreditar que ele não tem salvação.

O interior da barraca é agradável, aquecido pela pequena chama do lampião, isso ajuda a me fazer molhar menos o interior da barraca. Quando ele tira a camisas minhas bochechas ganham um tom avermelhado (apesar de não poder vê-las sei quando isso acontece.).

–Tome. –Ele me lança uma de suas blusas secas.

–O que você espera que eu faça com isso? –Pergunto, mas já imagino o que ele espera que eu faça.

–Vista, ué? – E Le dá de ombros. –Ou prefere pegar uma pneumonia e definhar até a morte? –Ele veste uma camisa seca, o que para mim é um alívio não ter que olhá-lo daquele jeito. Pois ele desperta em mim sentimentos que não devem ser despertados quando se está só em uma barraca com um homem daquele tipo.

–Pode se virar, por favor? –Peço sentindo minhas bochechas esquentarem.

–O que tem ai que eu não posso ver? Ou que já não tenha visto em uma mulher? – Diz ele com um sorriso maroto no rosto, me fazendo corar mais.

–Enzo!- Digo repreendendo-o.

–Tá bom, tá bom. –diz rindo e em seguida se virando.

–Troco a blusa rapidamente, e já que ela ficou comprida, tiro meus shorts também.

–Pronto, pode virar. –Digo.

–Uau! Lindas pernas não são da sua conta. –Diz.

Eu coro fortemente, mas não digo nada. A tempestade continua forte lá fora, e um silêncio havia se instalado entre nos dois. De repente ele dá uma pequena risada me tirando do devaneio que seus olhos me proporcionaram.

–O que foi? –pergunto.

–Sabe, não é da sua conta, eu não sei seu nome até agora. –Diz, me fazendo rir também.

–Melody. –Respondo.

–Melody... Adorei seu nome. Apelido Mel, certo? –Faço que sim com a cabeça. –Péssimo apelido, porque de doce você não tem nada. –Diz ele debochando.

Eu rio do péssimo trocadilho junto com ele. Nossa risada morre lentamente e ele fica sério.

–Mel... Desculpe pelo seu caderno. –Diz meio cabisbaixo.

Algo me faz me aproximar dele, ficando a menos de um metro do seu corpo.

–Tudo bem. — Digo. –A maioria das coisas que eu escrevi, estão no computador e eu tenho outros cadernos. –Dou um pequeno sorriso.

Ele me encara, seus olhos verde-mar brilhavam com um sentimento que eu não conseguia identificar.

Ele se aproxima mais de mim e eu não o repreendo por isso. Um instante depois posso sentir sua respiração ofegante. Quando me dou conta do que está acontecendo Enzo já esta a pouquíssimos centímetros de meu rosto e depois, sou agraciada por seus lábios.

O beijo de Enzo é intenso, porém suave. Ele me beija como se precisasse daquilo como uma flor necessita do sol.

Finalmente posso sentir o corpo de Enzo junto ao meu sem me preocupar. E é nesse momento que sei que o céu e o mar conspiraram a nosso favor.

A falta de ar nos separa e sua mão vai até o meu rosto acariciando de leve. Eu fecho os olhos a fim de sentir melhor seu carinho.

Abro meus olhos e o vejo me encarando novamente. Sua expressão e ele me puxa para seus braços e em seguida deita calmamente em cima do saco de dormir.

–Eu queria fazer isso desde a primeira vez que te vi. –Diz ele.

–Por que implicava tanto comigo então? –Pergunto.

Sinto seu coração acelerar e ele respira fundo, já que estou deitado no peito dele.

–Sei lá, eu queria chamar a sua atenção. –Diz ele com as bochechas rosadas.

Dou uma pequena risada e saio de cima de seu peito, me apoiando no cotovelo para poder velo melhor.

–Não precisava ter feito isso, você me chamou a atenção desde o ônibus. –Digo sorrindo.

=Serio? Você também. –Diz sorrindo. –Essas suas sardinhas me encantaram, me perdi nesses seus olhos negros e imaginei como seria tocar nessa sua pele tão branca.

Eu apenas olho para ele, sem conseguir dizer nada. Naquele momento as palavras fugiram. Eu só podia fazer uma coisa. Beijá-lo. E assim o fiz.

Eu sinto a blusa subindo aos poucos.

–Mel. Eu quero você. Você deixa? –Ele sussurra.

Eu não aguento mais, eu preciso senti-lo mais próximo de mim, que quero tocar seu corpo e senti-lo tocar o meu. Eu quero pertencer a Enzo.

–Sim. –Respondo

Depois disso, é um infinito de sensações.

************

–AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH!- Nathália grita. –Você, você...AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH!

–Sim, Nath, eu. –Melody acaricia as costas da amiga confortando-a.

–E ai, Mel como foi?- Liz pergunta para a amiga com um olhar malicioso.

–Bom. –Disse Mel com o rosto vermelho.

–Logo você que é tão, assim com essas coisas. Foi ter sua primeira vez numa barraca na praia no meio de uma tempestade. Nossa as pessoas mudam mesmo. –Julia diz.

–É Mel o que, que houve com a cama com pétalas de rosas, o ambiente climatizado e todo o resto. –Diz Lúcia.

–Qual é o problema. Se pudesse eu faria tudo de novo. –Disse Mel. –E eu fiz.

As garotas gritaram a gritaram animadas.

–Vocês querem que eu termine ou não? –Gritou Melody.

As garotas balançaram a cabeça em concordância.

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A luz do sol passava pela lona da barraca, a claridade ofuscava meus olhos mesmo estando fechados. Minhas pálpebras tremem antes que meus olhos se abram por completo. Quando olho para o lado Enzo esta lá, com um sorriso largo no rosto e um brilho diferente no olhar.

–Oi. –Diz ele.

–Oi. –Digo me espreguiçando. E é então que percebo uma coisa. Eu estou nua, sem nada, peladinha. –AAAAAAAAAH! –Grito e me cubro com o lençol até o pescoço.

–Para com isso Mel, não a nada ai que eu não tenha visto ou tocado ontem. –Ele diz sorrindo. E eu me escondo por completo debaixo das cobertas.

–Tá bom, então não de dou bolo de chocolate. –A voz de Enzo estava abafada.

Eu estava morrendo de fome, havia gastado muita energia na noite passada. Meu corpo reagiu antes de minha mente. Sai de baixo das cobertas com um salto e me lanço para cima de Enzo sem me importar se estou vestida ou não.

–Me dá! Meeeeeu! Eu queroooo... –Ele fica desviando o chocolate de mim e isso me deixa verdadeiramente furiosa.

–Mel, vista alguma coisa. –Ele diz em uma risada.

–Tá. –Me empenho em achar a blusa que usava ontem. Depois de alguns segundos revirando as coisas dentro da barraca finalmente á encontro.

–HÁ-RA! -Visto a camisa rapidamente, ajeito meus cabelos e estendo as mãos para Enzo. –Agora, bolo.

Depois que devoro alguns pedaços daquela maravilha de chocolate, Enzo diz:

–Mel, eu quero te perguntar uma coisa. –Ele parecia um tanto envergonhado.

–Vá em frente, fale. –O encaro nos olhos.

–Sabe aquilo que aconteceu ontem. Você quer que fingir que nada aconteceu e cada um segue sua vida ou... Mel você quer namorar comigo?- Ele diz um tanto envergonhado. Por alguns segundos fico encarando seu rosto, em choque com a notícia. Perplexa por um misto de felicidade, surpresa e estase.

–Fala alguma coisa. –Enzo estava com os olhos arregalados e não parava de balançar a perna.

–Sim, sim, sim, sim... –Me jogo em seus braços e cubro seu rosto de beijos. Até que ele me para e me beija na boca, um beijo sedento, aflito, carinhoso e necessário.

************

–Que lindo. –Diz Júlia.

–A minha menininha cresceu. –Nathália finge um choro meloso.

–Tá! Minha vez de girar a garrafa to loca pra ver quem será a próxima vitima. –Diz Liz soltando uma gargalhada maléfica.

Liz gira a garrafa, que roda algumas vezes deixando algo tenso no ar. Finalmente ela para em... Liz.

–Droga. –Ela olha com espantada para a garrafa.

Continua[...]

Notas finais
Próximo capitulo:

Liz. "Mãe, não é nada disso que você está pensando."

Liz terá um amor quente, com os olhos verdes esmeralda de Hugo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.