Olhos Verdes
6 Capítulo 6 - Chaves
Notas iniciais
Eu tava sem idéia na hora de inventar a históra =S
Esse cap tá meio estranho e desconexo mais espero que gostem... Desculpa pela demora a postar
“Nos conhecemos pela internet, conversávamos muito. Ele era amigo de uma amiga minha, chamava David. Uma semana depois de nos conhecermos, encontramos por coincidência no cinema, e depois disso começamos a sair, ficar... Ah, ele era diferente de qualquer pessoa que eu já tinha conhecido. As vezes passávamos horas só conversando, ele era inteligente, sempre me escutando, me fazia rir, e era bonito de morrer...”
Louise fez uma pausa sorrindo, mas sua voz era baixa e um pouco (seria isso mesmo?) magoada.
“Cabelos dourados, olhos verdes, pele clara, sorriso devastador... ai... Bom, continuando...Quando ele me pediu em namoro eu aceitei, claro. Todos os dias nos encontrávamos em um cafezinho depois da escola, conversávamos, saíamos... Aos poucos ele foi se tornando praticamente tudo na minha vida, não que eu estivesse ignorando o resto, mais foram os oitro meses mais perfeitos que eu poderia sonhar...”
Dessa vez a pausa foi maior, esperei. Parecia doer nela.
“E um dia eu fui lá como sempre e ele não veio. Liguei, ele não atendeu. Fui para a casa dele, fiquei preocupada, achei que tinha acontecido alguma coisa... Aliás por que ele morava sozinho, os pais dele moravam em outro estado, e tivesse acontecido alguma coisa com ele? Eu corri para o apartamento dele, e a porta estava aberta, eu entrei e tava vazio. Não tinha nada, móveis, TV, tudo tinha desaparecido. Aí eu entrei em pânico total. Perguntei para o porteiro e ele disse que o David tinha se mudado, sem deixar endereço. Liguei um milhão de vezes, mandei emails, mais nada. Ele tinha sumido.”
Ela falava rápida e curta com uma pontada e nervosismo e raiva na voz, os punhos fechados sobre as coxas, seus cabelos formando uma cortina sobre seu rosto virado para baixo.
“Uma semana depois eu recebi um envelope branco sem nada escrito, só duas pequenas chaves dentro. As chaves do colar com um cadeado que eu tinha comprado para ele no dia dos namorados. Aí eu realmente entrei em depressão. Não comia, não falava, ia para a escola e não escutava ninguém falando comigo... e isso bem na época em que meus pais decidiram se divorciar. Demorou 4 meses. Minha mãe acabou recebendo uma oferta de emprego aqui, e nós mudamos. Acho que ela também achou que seria bom, para mim, sabe, mudar de cidade, nova escola e tal.”
“Já fazem seis meses, e não esqueci nada. Eu melhorei, por fora. Não quero preocupar a minha mãe. Mais não passa um dia sem que eu acorde pensando nele e durma chorando por ele.”
Louise suspirou, levantando a cabeça. Ela passou a mão pela bochecha limpando uma lágrima rebelde que cintilou momentaneamente sobre o sol. Virou-se para mim, a expressão vazia, e nos encaramos, o silêncio novamente.
Foi ela quem falou primeiro.
– Você é a primeira pessoa para quem eu conto isso. Antes eu não conseguia. E nem te conheço direito. Talvez isso queira dizer que é hora de passar para cima, não é? Apesar de eu não saber como... Eu sinto que nunca vou amar ninguém nunca mais...
Mais como ela conseguia falar uma besteira daquelas ?
Várias coisas passaram ao mesmo tempo pela minha cabeça. Mas eu disse simplesmente:
– Você não vai sofrer pelo resto da vida por causa de oito meses. Sempre superamos... Você vai encontrar o amor de novo. Talvez seja até melhor dessa vez, quem sabe ? Temos que viver...
Ela parou e olhou para outro lado, e eu não pude ver sua expressão. Então ela virou.
Sorriu para mim. Aquele sorriso lindo. Aquele que eu sabia ser verdadeiro, mesmo carregando tristeza junto. Seus olhos verdes brilharam rapidamente, os cílios bateram.
Ela se levantou.
– Sim – murmurou baixinho ela, para mim ou para si mesma, não sei.
Levante também e fomos andando.
Entrei no quarto e larguei a mochila em um canto, me largando na cama. Depois de descansar por alguns minutos, encarei o teto melancolicamente. Tinha toda uma tarde livre pela frente, nada para fazer. Me levantei lentamente e troquei de roupa, um short jeans e uma regata branca, e prendi o cabelo em um coque. Sentei na escrivaninha, perto da janela e olhei para o céu azul, até minha tia me chamar para o almoço. Desci as escadas e sentei-me em frente a ela. Ela perguntou como tinha sido o primeiro dia de aula, eu respondi “legal”, e a conversa terminou aí.
Não que minha tia, Andrea, não fosse legal, mas desde que me mudara para aquela casa não conversávamos, só o básico. Ás vezes me sentia um incômodo, por isso eu estudava sempre, nunca pedia nada. Mas ela era compreensiva, sempre dizia que eu podia sair quando quisesse ou pedir algo se quisesse, ou se precisasse conversar ela estava ali. Eu nunca quis.
Levei meu prato para a cozinha e lavei, agradeci pela comida e subi para o meu quarto. Fiz o dever, liguei o computador, li textos, ouvi musica, li blogs e continuei assim por uma ou duas horas. Depois liguei a televisão, li um pouco, cheguei até a tentar desenhar.
Como em todas as outras tardes, ficava no meu quarto me distraindo. Mas dessa vez algo não saía do meu pensamento. Aquela menina de cabelos negros e longos, rosto bonito, sorridente, olhos cativantes... Aquela menina que no dia seguinte estaria conhecendo outros colegas e esquecendo-se de mim.
Normal.
O que eu estava esperando?
Amiga...
Seria bom. Talvez querer demais. Estava muito bem em meu canto, Louise devia conhecer outras pessoas, mais interessantes, mais divertidas, não como eu, calada, isolada, estanha...
Talvez eu devesse me afastar dela, por que desse jeito os outros talvez achassem que ela fosse como eu, e não quisessem falar com ela. Era visível como todos haviam olhado torto para nós duas no recreio.
Pensava tudo isso friamente. Era o mesmo tipo de pensamento que a afastara de todos na escola nova quando chegara, que me fizera ser isolada. Não que eu achasse mal algum nisso. Não seria legal esquecer tudo hipocritamente, depois do que eu fizera.
Ou, talvez disse aquela voz rebelde e sedutora no fundo de sua mente você devesse simplesmente deixar acontecer. É ela quem escolhe.
Fiz força para tirar ela da cabeça. E apesar disso, toda vez que olhava para o lado pelo resto do dia, seus olhos verdes voltavam à minha mente.
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