Olhos Fechados
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Notas iniciais
Título: Olhos Fechados
Autora: Toynako
Anime: Death Note
Casal: Mello x Matt x Near
Classificação: +18
Gênero: Yaoi / Lemon
Criada em: 12/03/09
—–x.I.x––
Olhos Fechados
Sei que tenho que esperar.
Só não sei pelo o que, já que no final sei que ficarei sozinho.
Não que eu ache ruim. Certo eu acho ruim... Mas o que importa é fazer as duas pessoas que mais amo ficarem juntas.
Sei que é idiotice minha.
Eu sou um idiota... Um idiota que ama tanto ao ponto de não ligar para si mesmo.
Bem, pelo menos eu consigo aliviar a tensão do meu corpo agora. Sabendo que não sou amado pela pessoa com quem ‘meio que estou’ agora.
Mas assim é bem melhor.
Pois não me dói o coração. Não me dói a alma.
Em que espécie de monstro estou me transformando...?
—Mail Jeevas (Matt)
—X—
Mais algumas semanas depois, Matt ainda estava em seu apartamento, no qual alugara na pequena cidade do interior do Japão. Lá passava seus dias apenas de bobeira, vez ou outra passeando pela cidade junto de Raito.
Dês do que acontecera semanas passadas em seu apartamento, os dois tinham ficado mais próximos. Não se amavam, apenas queriam descontar a tensão de seus corpos um no outro. Não ligando para sentimentalismo. Não ligando para amor.
Depois daquela noite, se sucederam muitas outras. Admitia que aquilo era bom. Desistira até de se culpar pelo o que estava fazendo. Mas ainda sentia um grande amor pelo loiro e pelo albino, e às vezes, pegava-se imaginando os dois em sua cama, podendo tocar e ser tocado, vendo claramente os olhos destes em chamas de desejo.
Porem sabia que tudo era apenas uma ilusão, tal fato nunca poderia acontecer. Não importava o quanto desejasse, o quanto pedisse. Sabia muito bem que aqueles dois se amavam, exclusivamente, apesar de nunca terem concordado e aceitado tais sentimentos...
Sentia-se um inútil, pois mesmo agora que conseguira fazer algo impossível de fazer os dois cooperarem em algo, não tinha conseguido fazê-los admitirem o quanto se amavam.
Aqueles dois eram uns idiotas, se amavam e ficavam simplesmente com frescura de aceitar tal sentimento. Mas sabia que tudo não passava de ‘medo’.
Medo de ter e depois perder. Sabia que esse era o medo que assolava os dois. Por isso, decidiram não tentar nada, não arriscar nada, com medo de que pudesse perder tudo isso um dia.
“— Matt... ”
O ruivo virou o rosto em direção a quem o chamava. Deparou-se com o olhar febril de Raito em sua cama. Apesar de terem passado a noite juntos, parecia que o moreno ainda queria mais. Não negaria. Pelo menos assim pararia de ficar pensando em Mello e Near.
“— Sim...? ” – indagou malicioso, passando a mão pelo peito desnudo do outro, de maneira bem ousada.
“— Quero mais. ” – avisou, apoiando-se sem eu braço para deitar-se em cima do ruivo em seguida “— Minha vez. ”
“— Faça do jeito que quiser... ”
Naquele jogo não havia passivo ou ativo. Eles apenas faziam o que queriam como queriam, e aonde queriam, deixando-se serem guiados pelos prazeres do corpo. Afagando assim, a mágoa um do outro.
Se um queria, o outro concedia. Se um concedia, o outro queria. Era simples. Não precisavam de amor. Tal ‘coisa’ só os fizera sofrer. Por isso aboliram completamente de si.
“— Tem certeza...? ” – indaga Raito, olhando-o pervertidamente.
“— Já neguei algo que você pediu? ” – provocou, passando suas pernas em volta do moreno, prendendo-o contra si.
“— Ahnm ” – gemeu fraco, porem excitado “— Quero ir bem fundo... Bem forte... Rápido... Até ver você chorando entre dor e prazer. ” – confessou, passando a mão pelas coxas em volta de si.
“— Isso é bem tentador... ” – provocou mais, apertando deliberadamente as nádegas do moreno em cima de si “— Eu quero. ”
—X—
“— Que infernos! Aonde aquele ruivo se meteu!!!? ” – reclamou Mello.
“— ... ”
“— Já cansei de ficar procurando... Procurando... Procurando. ” – reclama mais.
“— ... ” – Near ficara mudo novamente.
“— E você, sua coisa branca, para de ficar brincando com esses bonecos esquisitos e me ajuda a em algo! ”
Near apenas olhou pelos ombros, o loiro um pouco mais distante de si. Este só reclamara, parecia que o passatempo favorito deste era reclamar de algo e implicar consigo.
Ainda era muito cedo, tinham acordado a pouco tempo e o loiro já começava com aqueles ataques histéricos, não sabia de onde este tinha tanta força para todo dia reclamar a mesma coisa...
Ignorou novamente Mello, voltando sua atenção para quatro novos bonecos a sua frente, um ruivo, um albino, um louro e o ultimo possuía um grande ‘X’ no rosto. Tentava com estes achar a lógica dos acontecimentos.
Mesmo sendo um gênio, o que realmente teria inteligência para suceder ‘L’, ainda não conseguia encontrar lógica a tudo que estava acontecendo.
Olhou o boneco ruivo, passando lentamente seus dedos por todo ele, como se sentindo saudades das brincadeiras descontraídas de Matt... Logo depois acariciou o boneco loiro, porem bem mais discretamente do que fizera com o outro.
“— Near. Você está me escutando!? ” – falou Mello.
“— Estou. ”
“— Então por que não responde!? ”
“— De que adiantaria, você não se conformaria com minha resposta. ”
“— Pelo menos eu não parecia um idiota, falando sozinho. ” – retrucou.
Não aguentava mais aquele garoto fazendo pose de inteligente, já que este apenas ficava sentado no chão. Ignorando completamente o que tentava dizer... Parecia mais que estava falando com as paredes.
“— Se não quer parecer... Então fique mudo, pensando em um jeito de acharmos o Matt. ” – avisou, friamente, sem ao menos olhar para o loiro.
Aquilo era o limite! Quem aquela coisa branca estava achando que era? Se estivesse com sua arma, com certeza teria dado um tiro no meio daquela cabeleira branca.
“— Escute aqui! ” – bufou raivoso, aproximando-se do albino, abaixando-se e pegando-o pela bola da camisa “— Se ficar zoando com a minha cara, você vai deixar de ser branco, ficando totalmente roxo! ” – avisou, raivoso.
“— ... ” – não se intimidou “— Tente. ” – já estava ficando sem paciência também “— Me bata, me soque, me xingue, você pode fazer o que quiser comigo ” – avisa, mais calmamente agora “— Isso não fará agilizar a busca pelo Matt. ”
“— Seu... ” – vozeou mais calmo dessa vez “— Poderia então no mínimo, prestar atenção no que eu digo? ”
“— Eu sempre presto. ” – revela.
“— Como? ” – o choque fora tanto que pensou que não tivesse entendido direito.
“— Você acha que eu não te escuto... Mas eu presto atenção a cada fala, cada ação, gesto. ”
“— Near... ” – sussurrou, largando a gola da camisa do albino “— Então por que parece me ignorar... ” – sua voz parecia tristonha.
“— Por que eu não quero admitir algo. ”
“— O que...? ”
“— Nada. ” – falou de relance, quando notou o rumo daquelas palavras, ajeitou-se novamente olhando para os bonecos pegando o de cabelos ruivos “— Não é nada... Apenas ignore o que eu disse. ” – falou, passando seus dedos levemente pelo boneco.
Mello se afastou, olhando aquela cena. Near meio vermelho, fazendo carinho no boneco em suas mãos. Olhou melhor, era óbvio que aquele boneco representava Matt, só que não conseguia entender por que o albino acariciava tão tristemente aquele brinquedo.
Suspirou, achando estranha aquela cena, porém não deu importância. Apenas se sentou ao lado, olhando-o continuar a mexer no boneco. Olhou os outros. Sorriu, vendo um loirinho que parecia consigo.
“— Não sabia que tinha um boneco meu... ” – comentou Mello, pegando-o.
“— Você está no plano também. ”
“— Conseguiu alguma pista...? ”
“— Talvez. ”
“— Near... Você era muito amigo de Matt? ” – indagou.
“— Digamos que sim... ”
“— Por que? ” – indagou novamente.
“— Ele era o único que não reclamava comigo, que não me ignorava ou tinha grandes expectativas sobre mim. ” – avisou, largando o boneco no chão “— E você... Sempre te via junto com ele... Gostava muito dele? ”
“— Sim. Ele era a única pessoa a quem podia confiar, que acatava sem questionar meus pedidos. ”
“— Você não confia em outras pessoas por que não quer. ” – fala o albino, pegando o boneco loiro da mão de Mello “— Não entendo o por que de você não confia em mim.”
“— Tenho medo de não resistir... ”
“— Resistir a que? ” – indagou Near, olhando-o calmamente.
Mello olhou aqueles olhos em sua direção. Chegou mais perto, tocando com uma gentileza nunca mostrada ao albino antes, sua mão sentindo a maceis da pele. Não aguentou olhar aquele rosto, abaixou seus olhos, vendo seu boneco na mão de Near.
Era algo tão simples de se fazer, bastava falar três palavras, e esperar o veredicto, que sabia qual seria. Mas não conseguia. Olhou para o chão, vendo lá um bonequinho branquinho. Sorriu, pegando este boneco.
“— Temos que achar Matt... ” – comentou, colocando o boneco do lado do boneco ruivo “— ... Precisamos dele. ”
“— Sim... ” – concordou, colocando o boneco loiro que segurava do outro lado do boneco ruivo “— Precisamos muito... ”
Olharam então os dois para os brinquedos um do lado do outro, pareciam que estavam abraçados no vermelho. Não puderam evitar em sorrir, nem mesmo Near.
—X—
“— Queria saber melhor o que estaria acontecendo... ” – comenta Matt, para si mesmo, sentado no sofá com seu notebook no colo “ Será que aqueles dois no mínimo estão parando de brigar? ” – pensou em seguida, vendo os dados na tela.
Agora seria muito mais difícil, ajudar ou prejudicar a busca. Há algumas semanas pararam de colocar qualquer coisa em seus computadores. Parecia que haviam calculado que as dicas que ‘misteriosamente’ apareciam, eram menos importantes que os dados que já tinham.
Fora uma decisão sabia, possivelmente tenha vindo de Near. Mas o ruim é que agora só podia dar ‘pistas’, algumas falsas e outras verdadeiras. E o que estava a fazer agora era brincar um pouco, afinal queria se divertir, e quem sabe o que estaria a fazer ajudasse?
Preparou um texto lindo, uma romântica poesia de amor. Riu do que via escrito em seu notebook, achando graça do que tinha lá. Mas teve o trabalho o suficiente para que no meio desta, escondida por várias frases, estivessem algumas pistas muito preciosas.
Era meloso, admitia, nem sabia como tinha escrito tal coisa. Se alguém perguntasse se fora ele quem tinha escrito aquilo, negaria com todas as suas forças. Todavia, era melhor assim, salvou o arquivo e colocou-o secretamente no computador do outro. Aquilo já era algo muito fácil para se fazer.
Suspirou fundo quando terminou tudo, deixou o aparelho ao lado, espreguiçando-se tal qual um felino, olhando tudo a volta. Já tinha se acostumado com o lugar que estava vivendo momentaneamente, achava até confortante a vizinhança.
Mexeu-se no sofá, de modo que ficasse mais confortável. Sua mente vagava muito longe dali. Sempre que ficava sozinho por muito tempo acabava acontecendo isto. Não aguentava mais!
Era vacilar que sua mente lhe pregava uma peça, fazendo-o recordar de como era estar nos braços daqueles a quem mais amava.
Era inútil. Se achava um grande inútil. Queira saber a quantas andava o relacionamento dos dois. Queria saber se no mínimo estavam parando de brigar. Olhou lentamente para uma enorme TV a sua frente, acabando por ligá-la. Talvez o distraísse.
Ainda era cedo, havia acordado há pouco tempo. Quem sabe daqui a pouco saísse pelas ruas da cidade, nada de mal aconteceria, não havia jeito nenhum de encontrar algum conhecido no fim de mundo no qual estava.
—X—
Mello havia se afastado do albino, aquela proximidade e intimidade não o estava fazendo bem... Porem não conseguiu parar de olhar discretamente para este, perdia-se na visão deste remexendo alguns bonecos no chão, enquanto enrolava uma mexa de cabelo.
Lambeu os lábios, acompanhando aqueles dedos deslizarem pelo cabelo. Odiava quando o albino fazia isso! Pois sempre acabava por ficar olhando-o mais ainda, achava lindo quando este fazia tal gesto.
Não conseguia mais aguentar esconder que amava aquela coisa branca. Pegou uma barra de chocolates do bolso, amaldiçoando a si mesmo por gostar de Near. Tentava, negava, mas sabia muito bem o que se passava consigo.
Tudo culpa de Matt, se o ruivo não tivesse desaparecido misteriosamente, não precisaria estar no mesmo cômodo novamente com o albino. Suspirou, notando que a real culpa não era do outro, e sim, sua própria.
Para tentar passar o tempo, ou ver se tinha alguma nova informação, ligou seu notebook. Não resistindo sem sentar-se perto do menor, colocando o aparelho em seu colo.
“— Estranho... Uma nova pasta... ” – comentou o loiro, tomando a atenção do outro.
“— Abre. ”
“— Credo... ” – resmungou, ao ler um pedaço da poesia que tinha aparecido “— Malditos vírus! Antes era o Matt quem cuidava dessas coisas... ” – reclama “— Vou deletar essa coisa. ”
“— Espere. ” – pediu “— Vamos ler todo. ”
“— Le você então, eu li apenas um pedaço e já me deu enjôo. ” – comentou sarcástico.
“— ... ”
“— Vai demorar muito...? ” – indagou o loiro meio sem jeito.
Talvez o albino não tenha notado, mas estava bem debruçado sobre o colo de Mello para ler o que estava escrito no monitor. No entanto o loirinho via bem de perto o outro, podia até sentir a suave fragrância doce que vinha dos cabelos deste.
“— Acho melhor você ler esse texto também. ” – fala Near, voltando a sentar-se direito.
“— Para que? Odeio essas coisas melosas. ”
“— Leia que você irá descobrir. ”
“— Desgraçado... ” – murmurou.
Então Mello, contra sua vontade, leu a poesia romântica e muito melosa que tinha misteriosamente aparecido em seu computador.
“— Notou algo? ” – perguntou Near, voltando a enrolar seus cabelos.
“— Parece que a garota que escreveu isso tinha acabado de perder o namorado... Ou dois namorados... Estranho... ”
“— Por que você acha que é uma garota? ”
“— Por que elas conseguem escrever essas coisas sem vomitar. ” – responde caindo na gargalhada logo em seguida.
“— ... ” – Near soltou um suspiro “— Não sei por que... Essa ‘garota’ que você disse me lembra um pouco o Matt... ”
“— O Matt!? ” – olhou para o monitor incrédulo, re-lendo a poesia.
“— Notou agora...? ”
“— ... ”
“— Será mesmo que foi uma ‘garota’ que fez isso? ” – indaga Near.
“— Isso é impossível... ”
“— Mas é muito parecido, não? ”
“— Mas... Então quem seria o outro namorado da ‘garota’? ” – indaga baixo.
“— Como assim ‘o outro’? ”
“— Aqui faz parecer que a garota tem dois namorados... ”
“— Isso eu entendi, muito antes de você. ” – responde “— O que eu quis saber é por que você perguntou quem era o ‘outro’ namorado dela. ”
“— ... ” – fora a vez de Mello ficar mudo.
“— Espera... ” – o albino ficou mais branco do que já era, se afastando do loiro “— Não pode ser... ”
“— Do que você está balbuciando ai, sua coisa branca? ” – reclamou, fechando o seu notebook.
“— Se bem que é possível... ” – murmura mais, ainda se afastando do loiro “— E com esse poema... A aflição da ‘garota’ com relação aos dois namorados... ”
“— De que diabos você está falando? É só um poema tosco, um vírus que apareceu. ” – tenta falar o loiro.
Near dá um suspiro fundo, se levantando do chão, ficando o mais longe o possível do loiro. Já tinha percebido tudo, só não entendia como não tinha chegado a essa conclusão antes... Era tão óbvia, no entanto tinha que ter a confirmação final.
“— Mello... Você era amante do Matt? ” – indaga Near, tentando parecer calmo, mas por dentro estava incrivelmente agitado.
“— Isso não é da sua conta! ” – exclama, levantando-se enfurecido “— O que eu faço ou deixo de fazer não te interessa. ”
Near sorriu discreto. Aquela resposta era a confirmação de tudo. Mello nunca fora bom em esconder sentimentos. E o pior, agora tudo fazia sentido. Mas com essa compreensão, pode notar o quão profundo era a dor do ruivinho.
“— Então você é ‘o outro’ namorado... ” – fala Near, criando coragem “— Agora tudo faz sentido. ”
“— Como assim? Fosse fala como se você também fosse-.... ” – fica mudo.
O loiro literalmente fica de boquiaberto, deixando até o chocolate cair no chão. Conseguira entender a linha de raciocínio no qual Near estava seguindo. Aquilo era absurdo demais!
“— Impossível... ” – murmurou Mello “— Então você também era... ”
“— Sim. ”
“— Agora eu entendo tudo! ” – exclama exaltando-se “— Aquele louco deve ter armado tudo! ”
“— Calma... ”
“— Calma o que!? ” – reclama, chegando mais perto “— Aquele ruivo desgraçado fez tudo isso por nós! Você ainda não notou isso!? ”
“— Notei... ”
“— Não acredito...” – murmurou, ajoelhando-se no chão “— Ele sacrificaria a felicidade dele por nos... ” – abaixou a cabeça, deixando seus cabelos encobrir suas feições.
Os dois estavam realmente abatidos, terem descoberto tudo aquilo de uma hora para outra era realmente muito chocante. Tanto que nenhum dos dois sabiam como lidar com isso.
Near fora que deu o primeiro passo, voltando a se aproximar do loiro, que continuava cabisbaixo. Tinha se separado bastante deste, com medo de uma reação violenta, mas agora vira que este estava tão magoado quanto si.
Chegou bem perto, tocando a cabeleira loira, delicadamente, fazendo o loiro levantar o rosto para observá-lo. Ouviu um suspiro fundo do outro.
“— Eu fui tão cabeça dura... Se eu tivesse feito isso antes, Matt não estaria sofrendo... ” – fala baixo, tomando a mão do menos entre as suas “— Eu te amo... Near ” – declarou-se beijando a palma desta.
“— Mello... Até eu fui cabeça dura dessa vez... ” – comentou se ajoelhando “— Poderíamos ter evitado tanto sofrimento de nos três... ” – sorriu alegre, pela primeira vez em sua vida “— Eu também te amo. ” – afirmou.
Ambos abaixaram a cabeça, era sentimento demais envolvido naquele momento. Tanto que parecia que o ar, por mais que tivessem, não chegava aos pulmões.
Dessa vez, Mello fora o primeiro passo. Pousou suavemente sua mão no rosto do menor a sua frente, aproximando o rosto deste do seu. Pela primeira vez, de forma lenta, suas bocas se encontraram, em um beijo repleto de carinho, devoção.
Era algo a tanto tempo reprimido que nenhum dos dois conseguiu evitar que uma lagrima de felicidade rolassem por seus rostos. Finalmente... Finalmente tinham deixado de lado tudo o que os faziam separar.
Apesar de ter parecido séculos, afastaram-se em poucos segundos. Sorrindo satisfeito, somente com aquele pequeno, mas extremamente significativo beijo.
“— Near... Tenho que te confessar algo... ” – comenta o loiro, passando seus dedos pela face branca.
“— ...Eu também.... ”
“— Pode falar então. ”
“— ... Eu cheguei a uma conclusão... ”
“— Qual. ”
“— Talvez, pelo que notei, seja a mesma que a sua... ”
“— Diz então. ”
“— Você ama o Matt também... Assim como eu também o amo. ”
Mello abaixo a cabeça. Era exatamente isto que tentaria explicar para o albino, iria tentar dizer para este não ficar triste por gostar do ruivo também, pois era um sentimento que também não conseguia abrir mão. Todavia parece que este sentia o mesmo.
“— Parece que enfim estamos nos entendendo. ” – comentou sorridente Mello.
“— Mello... ” – inclinou-se para frente, em busca de um novo beijo.
Quando quase seus lábios estavam se encostando, Near escuta seu telefone tocando. Separou-se de imediato do loiro, deixando-o do jeito que estava, e com uma cada de quem queria muito dar um tiro no telefone por ter interrompido.
“— Alô...? ” – falou, assim que atendeu o telefone “— Alguma novidade Gevanni? ” – falou após uns instantes, ficando mudo em seguida para saber o que este queria “— Achou o Matt!? ” – exclamou.
“— Como!? ” – Mello levantou-se após ouvir o nome do ruivinho, indo assim para mais perto do albino.
—X—
Algumas horas antes...
Matt já estava cansado dos programas de TV que estavam passando, talvez fosse bom sair para comprar algum jogo para si. E assim o fez. Andava calmamente pelas ruas, olhando as lojas uma por uma, lentamente.
Saboreando aquela tarde com clima bom. Estava tão concentrado olhando para uma vitrine em quanto andava que acabou esbarrando em alguém quando andava pela rua.
“— Desculpe eu não esta..... ” – Matt fica mudo, vendo com quem tinha esbarrado “— Gevanni!!!? ” – alarmou-se.
“— Matt? ”
O ruivo já estava pensando em correr, mas uma mão firme lhe segurou pelo braço, obrigando-o a ficar.
“— Não, é um engano, meu nome é... Ash... ” – falou, tentando se livrar do moreno.
“— Matt, pare de brincadeira... Precisamos conversar. ”
“— Certo. ” – concorda, abaixando a cabeça envergonhado “— Vamos para o meu apartamento... ” – avisa “— É aqui perto. ”
“— Tudo bem. ”
Andaram lentamente em direção ao lugar aonde o Matt estava vivendo. Em pouco tempo chegaram ao local, e Matt tratou de indicar uma cadeira para o moreno se sentar, em quanto servia um chá para este.
“— Bem que o Near estava certo... ” – comentou baixo Gevanni, enquanto esperava o ruivo lhe trazer o chá.
“— Está aqui... ” – fala Matt, colocando uma bandeja na mesa, sentando-se na outra cadeira.
“— É bonito este lugar. ”
“— Você vai falar onde eu estou para o Near... Não é? ” – indaga o ruivo, meio preocupado.
“— Vou sim... Ele suspeitou deste lugar, por isso me mandou secretamente aqui.”
“— Você não poderia dizer para ele que não me encontrou? ”
“— Por que? Você não sabe a apreensão que aqueles dois estão. ”
“— ... ”
“— Mello até se mudou temporariamente para o QG... ”
“— Foi? ” – perguntou animado “— E como andam as coisa por lá? ”
“— Assim que o loiro apareceu por lá, parece que Near pediu para que a Halle se ausentasse um pouco dali. ”
“— Que bom, eu odiava aquela mocreia piranhuda. ” – comentou, rindo em seguida, do apelido no qual tinha inventado para a loira.
“— O Mello passa o dia todo nos aposentos de Near... Ambos procurando que nem malucos o seu paradeiro... ”
“— Eu tenho meus motivos... ” – responde, tomando um gole do chá.
“— Não acha que já está na hora de parar com isso? ” – indagou “— Eles parecem sofrer tanto... ”
“— Não tanto quanto eu... ” – comentou, abaixando o rosto “— Mas eu faço tudo por eles... ”
“— Bem... Você parece ter seus motivos... ” – começa a falar o moreno, dando uma pausa para um suspiro “— Tem certeza que não quer que eu avise a eles de seu paradeiro? ”
“— Eu... ”
“— Só saiba de uma coisa, ambos estão sofrendo muito... Desesperados tentando te encontrar... ”
“— Certo... ” – deu um suspiro cansado “— Eu também já não agüento mais isso... Pode avisar a eles, eu aceito as punições depois... ”
“— Se importa se eu ligar agora? ” – indagou, mostrando seu celular.
“— A vontade... Só não diga que eu estou por perto... Só avise onde eu estou. ”
Após alguns instantes de silencio, Gevanni começa a discar um numero, colocando o celular no ouvido sem seguida, aguardando a chamada ser completada.
“— É o Gevanni... ” – avisa, quando o albino atendeu do outro lado “— ... Achei o Matt. ” – sorriu, tendo de afastar um pouco o telefone do ouvido, ente dois gritos desesperados, fora tão alto que até Matt escutou “— Sim eu o achei... ” – ficou mudo por um instante, apenas escutando “— Sim, ele está neste lugar mesmo... ” – novamente mudo.
Matt não aguentou aquilo, fora audível mesmo a uma distância razoável do moreno, os gritos que escutara do outro lado da linha. Saiu de perto, indo para a cozinha, não querendo escutar o resto da conversa. Aquilo lhe doía muito.
Tirou do bolso uma carteira de cigarros, acendendo um e levando-o a boca. Querendo afastar qualquer pensamento de sua mente. Mas sabia que se algum dos dois aparecessem ali, estariam com as caras fechadas, realmente mau humorados por aquele joguinho que tinha feito.
“— Terminei... ” – falou Gevanni, em auto som, assim que desligou o aparelho celular.
“— ... Não sei se te agradeço ou se te xingo... ” – comenta Matt, voltando para a sala.
“— Não preciso de nada. Eu sei que você se dará bem... Sua alegria é o suficiente para mim... ” – fala, meio envergonhado.
“— ...Gevanni...? ” – Matt parecia meio incrédulo, nunca imaginou que o moreno diria algo desse tipo.
“— Agora eu tenho que ir... ” – avisa, levantando-se “— Não se preocupe, eles te amam... ” – comenta, indo em direção a porta “— Mas se precisar de um ombro amigo... Pode me procurar. ” – fala sorridente.
“— O-obrigado... ” – agradece, vendo o moreno sair de seu apartamento.
O ruivo sentou-se realmente abalado em seu sofá. Agora era o fim. Game Over. Não poderia mais fugir, e talvez nem quisesse mais. Apenas abandonou-se a sorte, já imaginando os xingamentos que teria que escutar...
E pior... Nem sabia se o plano tinha dado certo ou não. Poderia tudo ter sido em vão, e no fim acabar sem nenhum dos que amava... Todavia sabia desse risco assim que começou este plano.
Um plano louco, não negava, mas mesmo assim era o único jeito que conseguia ver de fazer os dois cabeças-duras se acertarem... De pelo menos fazer um olhar para a cara do outro.
Não conseguiu evitar em chorar, era muito angustiante tudo aquilo. E por mais que tentasse secar as lágrimas de seu rosto com suas mãos, não conseguia fazê-las pararem de rolar livremente de seus olhos....
Era muita solidão reprimida...
Mal notou as horas passarem, de tão aflito que estava, fazia tudo roboticamente, tentou até falar com seu amigo Raito, mas não encontrou este no apartamento a frente... Parecia que misteriosamente este tinha desaparecido...
Mas não ligou para isso, pois já tinha muitas coisas no qual se preocupar, voltou para seu apartamento tomando um demorado banho tentando ao máximo relaxar, não conseguindo.
Olhou para o relógio na parede, vendo que já era muito tarde, a noite lá fora se fazia fria e escura... Quase um retrato de seu coração nesse momento. Soltou um suspiro, indo para a cama, quem sabe se dormisse um pouco passaria esse sofrimento todo.
E assim o fez, tomou até remédio para dormir, pois não queria ter o risco de ficar horas na cama, apenas olhando o teto, esperando o sono chegar. Assim que o remédio fez efeito, dormiu, longo e pesadamente.
Porém, como uma maldição, os problemas lhe seguiam até nos sonhos... Neste parecia que fira sua vida toda nesta cidade, e nenhum dos dois se deram o trabalho de vir lhe procurar, ou mandar alguém para tal fato.
Passara assim sua vida toda sozinho. Triste abandonado...
Acordou-se assustado, com barulho de campainha alto sento tocado diretamente na sua porta. Olhou para o relógio, já passava do meio dia, o remédio realmente era bom. Levantou-se, dando um suspiro aliviado ao notar que tivera apenas um pesadelo.
Escutou mais barulho vindo da porta da sala, deveria ser Raito, em busca de sexo... Só podia ser este, caminhou lento o caminho todo, arrumando seus cabelos com uma mão, durando o percurso.
Abriu a porta lentamente, de olhos fechados em quanto bocejava. E quando os abriu tomou um enorme susto.
“— Mello!? Near!? ” – falou assustado, olhando para os dois.
Estavam ambos exaustos, pareciam que tinham subido as escadas do apartamento correndo. Tentavam a todo o custo recuperar o fôlego, olhando para o ruivo a frente deles.
Havia tanta coisa a dizer. Tanto a explicar, mas os dois estavam ocupados demais tentando recuperar o ar dos pulmões... Estavam tão apreçados em encontrar o ruivo, que não aguentaram esperar o elevador descer do décimo andar...
“— O... O que vocês fazem aqui...? ” – indagou Matt, ainda assustado, recuando uns passos para dentro.
“— Eu te amo! ” – falaram Mello e Near juntos, com o fôlego que conseguiram reunir.
Matt caiu sentado no chão, ainda olhando incrédulo aquilo a sua frente. Só poderia ser um sonho...
Definitivamente...
Aquilo só podia ser um sonho...
CONTINUA
(03/06/09)
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