Olho do Diabo

3 Protejam as jugulares! Eu tenho uma kukri!


Notas iniciais
Terceiro capítulo! Boa leitura!

P.O.V:Lynx

Quando acordei, não soube dizer ao certo se foi o pesadelo, ou Ronald jogando água fria na minha cara. Talvez tivessem sido os dois.

–Estava tendo um pesadelo? -Ronald perguntou

–Eu estava sendo perseguida. -contei -Por animais.

–Que animais?

–Tinha um cisne, um touro, um bode, dois leões, um maior do que o outro e também uma ursa e...Eram tantos...

–Bom, então não precisa agradecer.

–Por ter jogado água na minha cara?

–Eu te acordei de um pesadelo.

–Na verdade, eu acho que eu acordei quando o cisne...Esquece.

Levantei e peguei a mochila que Ronald me dera na noite passada. Os filhos de Hermes já haviam ido. Fui ao banheiro, tomei um banho rápido e me vesti.Quando sai, Ronald estava sentado numa das beliches, me encarando com ar de riso.

–Ele mordeu sua bunda, não foi?

O olhei confusa:

–Quem?

–O cisne.

Neguei, mas eu ainda podia sentir a dor da mordida.

Ronald riu:

–Vamos. Tenho que te mostrar o Acampamento, te levar para encontrar uma arma, ficar um pouco com você só para garantir que vai sobreviver ao treino e aí, finalmente...

–Cuidar da Miles. -conclui, rindo da cara vermelha dele. -Ronald, todo mundo já percebeu.

–TODO MUNDO? -ele gritou

–Não a Miles. -tranquilizei -Mas enfim...Quando a gente toma café?

–Você perdeu o café.

–O QUE?

–Ninguém mandou você ser inrresponsável e...

–Não me de lição de moral!Se tem coisa pior do que ficar sem café da manhã é isso!

–Então talvez você devesse...

–Ronald, quanto mais você demorar para me mostrar as coisas por aqui, mais vai demorar para ver a Miles, então vamos logo.

Aquilo pareceu surtir enfeito, por que Ronald agarrou meu pulso e saiu correndo gritando "vamos logo!".

Depois de conhecer todo o Acampamento, lá estava eu, procurando uma arma e quase matando Ronald. A lança caira para trás e teria acertado sua cabeça se ele não tivesse desviado.Ele foi para a minha frente com medo e eu quase o acertei com uma flecha.Ele se agachou atrás de mim e eu disparei uma arma, caindo em cima dele com o impacto. Tentei manusear uma adaga e ela voou da minha mão não o acertando por pouco. Segurei o cabo de uma espada, mas mal consegui empunhá-la. Foi a única vez que eu não quase o matei.

–Meus deuses! -Ronald berrou -Você não é boa com nada!É impossivel!

–Ei!O problema aqui é que eu sou boa demais para essas coisas!

–Precisamos encontrar uma arma para você.Aqui, pegue. -ele me passou sua faca de lançar -Tente.

Peguei a faca e mirei em sua cabeça.

–Ei!Em mim não!

–Foi mal.É que você já me parece um alvo...

Ele emitiu um ruido de protesto.

Mirei novamente, dessa vez em outra parede, mas desisti de atirar.

–Olha, Ronald, eu consigo ver tudo excepcionalmente bem, e até escuto as coisas de um jeito notável, mas...Eu sei que isso não é pra mim. Com Ortos foi sorte. Eu não fiz nada mais que erguer as facas.Eu não sei atirar nada que não seja eu mesma.

Ronald assentiu, e então riu.

–O que foi?-perguntei

–Lembrei da sua briga com o Piter ano passado.

Minha briga com o Piter resultara em uma expulsão, mas safara a cara de Ronald. Foi uma luta corpo-a-corpo na qual eu quebrara os dois braços do garoto e o socara bastante...

–Meus deuses!Você foi incrível naquela luta. Ficou imóvel, escondida esperando o momento certo, ninguém te viu. Se aproximou sem fazer um único ruido, e então o atacou no pescoço.Foi tão rápido...Você...-um sorriso apareceu no rosto de Ronald -É isso! Você é rápida e silenciosa. Pode ficar imóvel por horas e surpreender seu oponente. Tem uma ótima visão e uma ótima audição e principalmente: Você é excelente em lutas corpo-a-corpo. Tem uma arma perfeita para você.Aquilo com Ortos...Não foi sorte. As facas só eram um pouco grandes demais, quase espadas pequenas, para você.-ele remexia nas armas entusiasmado-Achei!-disse, erguendo uma faca.Ele colocou a arma em minhas mãos. -O que você acha?

–Parece que álguem entortou uma faca de cozinha gigante.

Pensei ter acabado com toda a empolgação de Ronald diante da cara que ele fez.

–Estou perguntando o que você acha do equilibrio. Como a faca fica na sua mão. Como vocês ficam juntas.

Manuseei a faca e, incrivelmente, ela não voou.

–O equilibrio é incrivel! -sorri, tão animada quanto ele. -Ronald, ela é perfeita!

–Eu sou um gênio! -ele fez um gesto com uma mão, como se dissesse "não precisa falar nada", e com a outra, me passou um cinto, depois uma bainha.Ficava incrívelmente fácil desembanhar a faca.

–Essa é uma faca Kukri -Ronald explicou -Ela é reservada para combates corpo-a-corpo.Pode ser manejada com mais facilidade que a baioneta das metralhadoras e provoca ferimentos mais graves. Silenciosa como você é, pode muito bem fazer como as tropas de Gurkas antigamente e se aproximar do inimigo sem fazer barulho, decepando-lhe a veia jugular.Em combate aproximado, a Kukri normalmente era empunhada com a ponta para cima,possibilitando a aplicação de golpes terriveis e na maioria das vezes mortais. O entalhe na base da lâmina faz o sangue deixar a lâmina em vez de correr para o punho e penetrar na empunhadura, comprometendo a ação.

Ronald colocou três facas menores na parte traseira da bainha da Kukri.

–Essas pequeninas normalmente são usadas para tarefas diárias, onde lâminas de maior tamanho não seriam adequadas.E...Ah, sim! -Ele me deu uma pederneira de madeira, dizendo para colocar no mesmo compartimento que as facas pequenas -A pederneira, no atrito com pedras ou a própria faca produz fagulhas, gerando fogo. Acredite, isso é bem útil em missões. Agora vamos treinar, até para ter certeza se essa é a arma certa, porque eu não vou deixar você experimentar em mim.

...

–Isso é idiota! -insisti. Eu estava a horas lutando contra um infeliz dum boneco de madeira de braços abertos, o "matando" com diversos golpes com a Kukri. -De que isso adianta se o meu "oponente" aqui mal se move para... -ouvi um barulho estranho, mas é claro que jumenta do jeito que eu sou, não pensei que fosse o que era: O boneco girou para um lado e um dos seus braços acertou minha cabeça -Se defender...Ronald!

–Eu tinha que ser vingado depois de quase morrer mil vezes te ajudando a achar uma arma! -ele apontou para mim, sorrindo abertamente. Ronald idiota! -Lynx, você precisa aprender: Desconfie de tudo estranho que ouvir. Tenho certeza que você ouviu o boneco se movendo. E você é rápida o suficiente para desviar.Pelos deuses, visão, audição e agilidade são seus únicos talentos. A maioria aqui consegue isso, se estiver disposto. Claro, você é rápida por natureza, se treinar, vai superar todos em velocidade, mas você precisa saber como e...EI!NÃO FIQUE AÍ A PONTO DE DORMIR APOIADA NO BONECO ENQUANTO EU DIGO QUE PRECISA TRABALHAR DURO!

–Ok, ok...Podemos ver a Miles agora?

–Quem disse que você vai? Você tem que treinar e...

–Eu vou decepar a sua jugular de noite. -ameaçei

–Vamos ver a Miles!

...

Depois de um tempo observando Miles mergulhada na inconsciencia, pudemos vê-la abrir os olhos pela primeira vez desde o ataque de Ortos.

–Miles! -Ronald deu um pinote para a beirada da cama

–Ron! -ela disse, animada, mas com aquela voz embriagada de quem tinha sido lançada por cima de um telhado, quebrado um braço e ficado desmaiada por um bom tempo.

Ronald ficava uma anta quando ela o chamava de "Ron".

–Hey! -pulei para o lado dele, fazendo-o me encarar mortalmente — Sabia que agora eu posso decepar jugulares?

Ela olhou para Ronald com cara de "o que você anda ensinando a essa inocente?", e ele a olhou de volta com cara de "A culpa não é minha! E ela não é inocente!"

–Vai me dizer que você é filha de Ares?

–Ares? -perguntei -O pai da Clarisse, certo?

–Ela já enfiou sua cabeça na privada?

–Eu sai correndo.-contei

–Diretamente para os arqueiros, prontos para disparar. -Ronald contou

–Não precisava contar essa parte! -reclamei

–Claro que precisava!Foi isso que te levou a correr para a arena!

–Ai, meu Zeus! -Miles soltou um gritinho -Os espadachins estavam lá?

–Estavam. -Ronald contou -E depois de tudo, ela teve de ir para o chalé de Hermes.

Miles me olhou preocupada:

–Eles aprontaram com você?

–Bom, não...Ou pelo menos acho que não -contei -Mas lá tinha uma menininha de dois lalaus...Ela passou a noite me perguntando quantas seitas satânicas eu já tinha visto na Deep Web. Uma menininha! De dois lalaus!

–O que você tem com menininhas de dois lalaus?-Ronald me perguntou

–Não tem nada mais inocente e fofo que uma menininha de dois lalaus! Ainda mais se for bochechuda!

Ele e Miles se entrolharam, concluindo que eu tinha alguns problemas.

–Sabe, Lynx -Miles começou com calma -Um dos irmãos do Ronald é um ótimo pscicólogo. Se você quiser, ele te leva no chalé 6 para uma consulta básica. Coisa de rotina, sabe?

–Chalé 6?-perguntei, ignorando o resto -Ei!Você é filho de Atena?Isso quer dizer que você não precisa estudar para as provas?Eu aqui me esforçando...

–Se esforçando?- Ronald ficou a ponto de cair e morrer -Você só faz comer e dormir!

–Não é verdade! Eu sempre corro atrás da minha tartaruga de estimação!

–Tartaruga de estimação?-Ronald disse, indgnado

–A Jaredina -falei

–Cuidado, Ron! -Miles o disse -Ela pode decepar a sua jugular!

–Ei! -sorri -Eu posso decepar sua jugular!

–Ai, deuses! -ele arregalou os olhos -Você pode decepar a minha jugular!

E ficamos alí, eu tentando convencê-los de que eu não era louca o suficiente para decepar a jugular de álguem assim, e eles alegando que eu tinha sérios problemas até a hora do almoço, quando a minha fome acumulada falou mais alto.

Notas finais
O próximo capítulo vai ser P.O.V da Miles. Seria esse, mas como ela está na enfermaria não ia ter muito o que fazer... *As informaçoes sobre a Kukri sairam da Wikipedia. E então, o que acharam? Mereço comentários?