Olho do Diabo

1 Como vencer Ortos? Simples: Fuja!


Notas iniciais
Oi, pessoas! Essa é minha primeira fic! Espero que gostem!

P.O.V: Lynx Singer

Ferrada. Essa era a palavra para descrever minha situação. E não. Eu não me refiro aos monstros, a vac... Quero dizer, a Hera, e nem a missão suicida pelo Olho do Diabo. Eu me refiro a minha triste situação na escola. Agora, perdendo as provas finais que poderiam salvar a minha vida ( e também as novas oportunidades), com certeza eu estava reprovada. E reprovar ao contrário é ravorper, que significa vergonha eterna e perda da honra num país chamado Cabeça da Minha Mãe, onde tal ato era punido com tortura infinita e torta e bolo nunca mais.

Eu definitivamente não sabia o que era pior.

Essa desgraceira toda começou no aniversário da minha prima. Era noite, e ela estava rodeada pela multidão de amigos que pareciam cair do céu aos montes enquanto Miles e Ronald, convidados em consideração a mim, me seguravam para que eu não roubasse o bolo.

–Tá bom! -falei por fim- Só me deixem jogar alguma coisa em um dos convidados.

A ideia pareceu boa para eles. Humilhações e humilhações na escola tornavam essa uma proposta um pouco tentadora. Talvez muito.

Miles pegou uma das pequenas fatias de Cheesecake, arrumadas sobre guardanapos empetecados.

–Nunca gostei de framboesa. -e me passou o doce. -Está vendo a Ellizabeth -apontou -Posso apostar que ela da escova todo dia.

Sorri, mirei e atirei.

–Headshot! -comemorei

Ronald segurou meus ombros e virou meu corpo.

–Disfarcem.

Agora vem a pergunta do século: De que adiantou disfarçar quando os únicos perto da mesa de doces éramos nós?

A medida que os gritos desesperados se afastavam casa a dentro, minha prima me lançou um olhar de decepção que dizia " vou fingir apenas insatisfação agora, mas você tá ferrada" enquanto seguia a multidão para "socorrer" Ellizabeth.

–É isso que dá não pensar antes de agir. -Ronald reclamou -Viram só? Se tivessem parado para ver que não tinha mais ninguém perto da...

–Ronald, cala a boca! -Miles mandou -Você também queria fazer isso.

Miles era a namorada de Ronald, e mesmo que ela não soubesse disso ainda, ele calou a boca.

–Bom, -tentei- agora acho que não vai fazer diferença se eu roubar o bolo...

Sim, eu ia roubar o bolo, mas quando me virei para pega-lo, dei de cara com um cão bicéfalo amarelado com uma cauda de serpente.

–Ok, tenho que admitir. -falei agarrando as bochechas de uma das cabeças do cão -eles escolheram bem quem contratar esse ano. Olhem pra isso, parece até... -o cão rosnou, as cabeças avançando nas minhas mãos. Recuei a tempo. -De verdade...

De repente, ele não parecia do tipo que ficaria feliz com uma bolinha...Era bem real.

Tentei não parecer nervosa ou com medo enquanto recuava, mas Miles e Ronald avançaram, me puxando para trás e se postando a minha frente.

–Corre. -Ronald disse

Mas é claro que, como a maioria das pessoas nos filmes, eu não corri. Fiquei ali, imóvel, olhando o cão atacar meus amigos.

Miles desembainhou uma adaga e Ronald, duas facas, uma de lançar, a outra de caça. Eles lutaram contra o cão, e eu realmente achava que eles iam vencer quando Miles foi lançada muro a fora.

Ronald deu um grito e tentou correr para fora da casa, até ela, e eu o acompanhei, mas o cão o jogou contra uma parede com a cauda.

–Ronald! -gritei

As duas cabeças do cão se voltaram para mim.

–Ferrou...

Corri para a mesa de doces, jogando tudo no cão. Ele não parecia nem mesmo sentir. Cheguei no bolo, e mesmo lamentando, preferi joga-lo. Era aquilo ou não viver para comer outro.

O cão pulou, nos deixando frente a frente. Agarrei uma bandeja e acertei uma das cabeças, a outra avançou em meu braço. Mudei a bandeja de lado para protege-lo, mas o cão usou as garras em minha coxa, do outro lado.

Me apoiei na mesa, sentindo a dor explodir. O cão caminhou a minha volta. Ergui inutilmente a bandeja. O cão atacou quando uma ideia desesperada me ocorreu.

Rolei pela mesa e a virei, tentando mantê-lo afastado. Girei-a, tentando fazê-la acompanhar meus movimentos enquanto segurava a coxa, e a empurrei na direção dele quando eu estava perto o suficiente das facas de Ronald.

Mas o que diabos eu ia fazer com aquilo se mal sabia usar? Eu, sua...Burra!

Pensei na minha prima e nos amigos dela. Será possível que o choro de Ellizabeth estava tão alto que ninguém conseguia escutar? Ou todo mundo estava se escondendo com medo enquanto eu e meus amigos morriam? Não que fossemos fazer falta para eles...

Quando o cão pulou sobre mim, as duas bocas prontas para me matar, fiz a única coisa que pensei: Fechei os olhos e ergui as facas, pensando que de todas, aquela era a pior (e última) ideia estupida que eu tive em todo o meu histórico de estupidez.

Quando voltei a abrir os olhos, tentando entender por que ainda estava viva, vi o cão com as duas facas atravessando as cabeças a partir do céu-da-boca. Estava prestes a sorrir quando alguns milhares de toneladas caiu sobre mim.

–Ronald...Acode! -falei, sufocada.

Ele se levantou devagar, com a mão na cabeça e foi até mim, me livrando do peso do cão. Ele me ajudou a levantar e andar e fomos até Miles. Ela estava desacordada e com um braço quebrado, mas pelo menos estava viva.

Peguei o celular. Estava prestes a chamar uma ambulância quando Ronald o tascou longe.

–Não. -ele disse, pingando algo na boca da Miles -Se usar o celular vai ser pior. Vai atrair monstros.

–Monstros? Mas o que...- e então me calei. Se aquele cão não era um monstro, eu não sabia o que era.

–Escute, aquele cão era Ortros, filho de Equidna e Tifão, ele foi morto por Hércules, e se transformou na constelação de Sírius. O que ele estava fazendo atrás de você não faço a menor ideia. Espíritos estelares nunca atacam semideuses. -ele vasculhou a mochila e me estendeu um pedaço de ambrósia. –Aqui, pegue. Vai te ajudar com a coxa.

–Constelações? Semideuses? Depois disso, acreditar em monstros não é tão difícil embora pareça absurdo, mas em Espíritos Estelares e Meio-Sangues? O que está acontecendo aqui? Isso é uma prova surpresa muito real? Por que se for, isso não é legal. Eu só queria roubar o bolo e...

Alguma coisa se atirou sobre mim, era o cão. As facas ainda enfiadas em suas cabeças.

–Mas o que...?-murmurei.

–Ele não virou pó -ouvi Ronald murmurar -Eu devia ter percebido... Espíritos Estelares foram imortalizados... Não morrem.

Não tinha mais tempo. Fechei os olhos, pensando que talvez devesse gritar ou dizer alguma coisa, afinal, eu não queria que minhas últimas palavras fossem “mas o que...?”. Senti o bafo quente do cão enquanto ele rosnava a centímetros do meu rosto, ele rugiu quando a adaga de Miles atingiu o dorso dele. Mesmo assim, ele se preparou para atacar. Segurei inutilmente o local em que as cabeças do cão se dividiam. Ele começou a tremer, como se estivesse sendo eletrocutado, e então desabou novamente. Olhei para as minhas mãos incrédula, sentindo que de alguma forma, eu fizera aquilo.

–Você está bem?-Ronald perguntou, me ajudando a levantar.

–Ah, mas é claro... –ironizei –Como o vencemos?

Manquei até Miles, deixando para pensar no que acontecera com o cão ou em toda aquela história depois.

–O que fazemos?

Com Miles ferida, Ronald fez algo que eu não esperava: Sorriu.

–Vamos leva-la ao Acampamento Meio-Sangue.

Ele a pegou no colo e assobiou. Uma carruagem, conduzida por dois pégasos pousou diante de nós.

Resolvi ficar calada, com cara de "só observo".

Ronald olhou para mim com um sorriso tosco:

–Eu sempre quis dizer isso. Ah, e respondendo a sua pergunta sobre Ortros ...-Ronald soltou um sorrisinho enigmático, como se a resposta fosse incrivelmente complexa, mas no momento seguinte, ele acabou com minhas expectativas de descobrir algo que poucos sabiam sobre aquele mundo:–A resposta é bem simples. Já que não da para matar um Espírito Celestial: Fuja!

Notas finais
E então? O que acharam? Vejo vocês nos comentários?