Hermione tamborilou os dedos nervosamente sobre a mesa do professor, pensando em tudo que aconteceu nas ultimas horas. Dumbledore encarava a jovem bruxa com um sorriso singelo tentando passar algum conforto para ela, tentativa falha vendo a postura rígida da garota. Granger mordeu a língua ao sentir que, pela quarta vez, iria perguntar ao diretor quem estavam esperando, e mais uma vez ele iria sorrir e pedir paciência de sua parte. Revirou os olhos impaciente.

Hermione se sobressaltou ao ouvir um pio alto dentro da sala e virou a cabeça bruscamente encarando Gina, arqueou as sobrancelhas.

— Desculpem.

A ruiva timidamente encolheu os ombros e sentou ao lado da amiga.

— Ela... Fawkes ajudou a salvar minha vida quando eu estava no meu primeiro ano...

— Diretor –

Hermione parou de falar ao ouvir a porta sendo aberta e viu de relance uma silhueta, logo a mulher entrou em seu campo de visão.

— Professora McGonagall. – as duas murmuraram encarando a mulher com certa admiração.

— Ah, Minerva! Agora sim, senhoritas, podemos começar. – o professor exclamou. – Eu a chamei aqui por que a Srta. Granger e a Srta. Weasley têm uma história no mínimo...interessante para nos contar, dependendo do final dela, precisarei de sua ajuda.

— E então? – Minerva as encarou arqueando as sobrancelhas.

Hermione encarou o professor em um pedido de permissão, recebendo um leve aceno de cabeça como resposta.

— Viemos de 1996, senhor. Não sabemos como, Gina e eu estávamos na Floresta Proibida, fomos para lá depois da Guerra-

— Guerra? – Minerva questionou a interrompendo.

— Sim, professora. A Segunda Guerra Bruxa. – Gina respondeu.

— Deixe-a terminar, Minerva. – pediu Dumbledore. – Primeiro os diga sobre a guerra, mas sem tantos detalhes ou informações que possam interferir.

— Afinal, coisas-

— Horríveis aconteceram com bruxos que mexeram com o tempo – Hermione completou a frase da professora sorrindo, fazendo a mesma repetir o gesto. – O Lorde das Treva, senhor. Ele vai ficar cada vez mais forte e –

Hermione hesitou por um momento, lembrando da primeira Guerra Bruxa, onde Dumbledore disse que após Voldemort retornar para Inglaterra ele formou a primeira Ordem da Fênix e os pais de Harry se juntaram a causa logo após se formarem em Hogwarts e se casarem. Sabia que essa informação iria interferir muito no futuro. Olhou para Gina em um pedido de ajuda.

— Não tem como contar isso sem que o futuro seja comprometido, diretor. – Gina interveio.

— Ela está certa. – Minerva disse em prontidão – Mexer com o tempo é perigoso.

— Sim, sim, vocês têm razão. Eu entendo. – ele concordou – Sendo assim, como conseguiram um vira-tempo?

— Não conseguimos. Não sabemos como aconteceu, mas não tínhamos um vira-tempo. – Hermione se defendeu. – a Segunda Guerra aconteceu em Hogwarts, ou vai acontecer, enfim, eu estava andando pela Floresta Proibida logo após o fim da guerra.

“Eu caminhei até certo ponto e parei, foi quando eu vi...era uma luz branca, estava perto de mim. Eu me aproximei, não consegui identificar de onde vinha a luz, parecia que ela emanava poder de um objeto, me inclinei para tocá-lo, eu senti...era uma sensação boa, eu nunca tinha sentido tanto poder. Até que começou a doer muito, então eu escutei Gina gritando por mim, ela corria em minha direção. Me senti ser puxada, parecia que eu estava aparatando. Gina tocou em minha mão. E acordamos aqui.”

Os bruxos encaravam as garotas em silêncio. Elas sabiam que eles estavam se perguntando se aquilo era mesmo verdade.

— Peço que não me interpretem mal, mas precisarei de alguma prova de que falam a verdade.

A voz de Dumbledore quebrou o silêncio. Hermione encarou Dumbledore hesitante, sabia o que poderia dizer para ele acreditar nelas, também sabia que o professor, no futuro, já havia mencionado que em 1975 ele suspeitava disso, mas apenas alguns anos depois ele teve a confirmação.

— Tom Riddle é o Lorde das Trevas.

Minerva estava boquiaberta, diferente de Dumbledore. Esse mantinha a mesma expressão calma de antes, como se estivessem conversando sobre os sabores de Feijõezinhos de Todos os Sabores.

— Fascinante. – Dumbledore sorriu – Preciso perguntar, qual lado levou a melhor na guerra?

— Hogwarts levou a melhor. – Gina respondeu orgulhosa – todos ajudaram a proteger nosso lar.

Hermione encarava Gina, se perguntando se teria feito o certo ao responder aquilo.

— Vocês são da Grifinória? – Minerva perguntou, deu um sorriso orgulhoso e discreto quando as duas confirmaram.

— Nós precisamos voltar, diretor. – disse Hermione – se ficarmos muito tempo no passado, podemos interferir no futuro.

— Eu conheço os riscos, srta. Granger.- o diretor disse calmamente – mas receio que isso não seja possível, não agora.

— Como? – Gina perguntou apreensiva.

— Se tivessem viajado com um vira-tempo, ele certamente estaria danificado depois da viagem, mas eu poderia consertá-lo. No entanto, vocês não estavam com um, então não sabemos como conseguiram viajar. – Dumbledore explicou.

— O senhor não pode conseguir um e nos mandar pra casa?

— Não, srta. Weasley. Seria arriscado, quando um bruxo viaja no tempo com um vira-tempo, ele só pode voltar com o mesmo que usou ou terá consequências graves. No caso de vocês, não usaram um vira-tempo, então acredito que o perigo ao usarem um e tentarem ir para o futuro seria muito maior.

— Então não podemos fazer nada? — Hermione perguntou mesmo imaginando a resposta.

— No momento, não. – Dumbledore respondeu com pesar. – Peço que sejam sinceras e não se ofendam com o que irei perguntar: vocês usaram alguma Magia das Trevas para viajarem no tempo?

— Não! – as duas responderam de prontidão, não escondendo que ficaram ofendidas com a pergunta.

— Entendam que, com exceção do vira-tempo, viajar no tempo muitas vezes só é possível usando magia negra. Por isso a pergunta.

— Como vamos ficar aqui, diretor?

Dumbledore pareceu pensar por um momento, antes de responder

— Qual a idade de vocês?

— Eu tenho dezesseis, Gina quinze.

— Estavam no sexto e no quinto ano, suponho.

Hermione se perguntava se dizia ou não á Dumbledore que ela não terminou o sexto ano pois tivera que ir caçar Horcrux com Harry, após a morte do diretor.

— Sim, senhor.

— Podem estudar aqui, até eu conseguir descobrir como vieram e como posso manda-las para casa.

— Com licença, Alvo. – Minerva se manifestou – se a informação de que elas são do futuro cai em mãos erradas, isso inclui o Ministério, as coisas podem ficar difíceis.

— Tem alguma sugestão para que possamos inclui-las no ano letivo, professora? – questionou ele.

— Como apenas você sabe, meu irmão morreu há alguns meses...

Gina e Hermione ficaram surpresas ao saberem que Minerva tinha um irmão

— Oh sim. Também passou pela minha cabeça, mas não posso concordar.

— Por que não?

— Como você mesma disse, apenas eu sei disso, você optou pela discrição, Minerva. Não posso pedir que faça isso.

— Bem... é por um bom motivo. – encarou as meninas – Podemos dizer que são minhas sobrinhas e após a morte de Malcolm, como foram educadas em casa, vieram viver comigo e estudar em Hogwarts.

Dumbledore ponderou por um instante, antes de responder:

— É convincente. Se você está de acordo, eu também estou. – encarou as meninas – a não ser que tenham alguma objeção, é claro.

— Não, senhor. – responderam em uníssono

— Hermione e eu seriamos irmãs? – Gina questionou – Não temos muitas semelhanças.

— Garanto que isso seja o menor dos problemas, srta. Weasley.

— Vamos ter que passar de novo pela seleção? – Hermione sentiu um leve desespero em sua voz.

— Sim, srta. Granger. Mas não tem com oque se preocupar, um coração grifinório sempre reconhece sua casa.

A menina sorriu com a resposta de sua professora.

— Oh, já ia esquecendo. – Dumbledore abriu a gaveta de sua mesa – Creio que isso sejam seus pertences.

As duas, quase que desesperadamente, pegaram suas varinhas da mão do diretor, que sorriu com o entusiasmo delas. Hermione também pegou sua bolsinha de contas, da qual ela nem lembrava ter trazido consigo.

— Agora, peço que sigam a professora McGonagall, ela lhes dará os uniformes e os materiais de todas as aulas. Estarão sob a tutela dela até o banquete de jantar, que não deve demorar muito, onde passarão pela seleção. – explicou.

As três assentiram, saindo da sala.

.

— É...professora McGonagall? – Gina a chamou hesitante, trocando olhares com Hermione.

— Sim, srta?

— Nós sentimos muito pelo seu irmão. – Hermione completou.

— Oh...bem, obrigada. – Minerva pareceu um pouco surpresa com oque ouvira.

.

Era noite e, como sempre, o Salão Principal estava com suas mesas ocupadas por cada casa, os alunos conversavam entre si, aguardando o banquete. Professora Minerva foi à frente do Salão, posicionando o Chapéu Seletor no centro, causando burburinhos nas mesas com os alunos tentando adivinhar o motivo do chapéu estar ali, afinal o banquete de seleção aconteceu há quase três meses.

Dumbledore levantou-se parando ao lado do chapéu, ergueu os dois braços e, num pedido mudo, todos do Salão se calaram.

— O banquete logo será servido. – avisou – Mas antes tenho um anúncio: Neste ano, abriremos as portas para duas pessoas que, por motivos pessoais, estarão ingressando em Hogwarts no quinto e no sexto ano. Quero que sejam receptivos e façam de Hogwarts o lar delas.

O diretor fez um gesto com a mão e as portas do Salão Principal se abriram, fazendo todos os alunos se virarem curiosos para verem quem estava entrando.

Gina e Hermione andavam lado a lado em passos sincronizados, evitando troca de olhares enquanto passavam pelas mesas. Horas antes tentaram convencer Minerva a fazer a seleção na sala do diretor e falharam. Queriam evitar todos esses olhares curiosos. Gina, que estava quase da cor de seus cabelos, combinou com Hermione de que olharia apenas para frente, talvez isso diminuísse a vergonha. Já Hermione sentia seu rosto formigar e seu estômago embrulhar se sentindo incomodada em receber atenção, fincou as unhas na mão, se forçando a acreditar que aquilo não era tão ruim. Ela só estava prestes a passar pelo Chapéu Seletor. De novo. Estava em Hogwarts, seu lar. Encarou o teto do Salão, sorrindo ao lembrar da primeira vez que o vira, um sentimento nostálgico lhe atingiu. Estava em casa, no passado, mas estava. Isso de certa forma a confortou. Respirou fundo quando pararam em frente a professora McGonagall.

— Quando eu chamar, sente-se aqui e o Chapéu Seletor irá dizer sua casa. – pegou um pergaminho – Ginevra McGonagall

Os burburinhos voltaram quando o sobrenome foi dito.

Gina bufou ao ouvir seu nome de batismo. “Se eu for para Sonserina, Rony, de alguma forma, vai surgir aqui e me azarar”, murmurou para Hermione antes de se afastar.

— GRIFINÓRIA! – o Chapéu bradou de imediato, mal encostando na cabeça da ruiva que sorriu aliviada, indo em direção a mesa de alunos que comemoravam.

— Hermione McGonagall.

Hermione caminhou até o banco, sentindo que seu coração poderia sair pela boca.

Se acalme, criança. Tentarei ser breve.

A voz do chapéu entoou em sua cabeça.

Uma mente muito interessante. É astuta? Ah se é. Também tem uma forte capacidade de liderança. Uma grande inteligência, Corvinal se orgulharia em tê-la. Mas isso é perda de tempo, sabemos que sua casa é GRIFINÓRIA!

O Chapéu bradou, fazendo com que a mesa comemorasse. Hermione deu uma golfada de ar, aliviada por estar na Grifinória, sorriu para professora Minerva antes de caminhar para sua nova casa. Viu Gina acenando para ela e indicando um lugar ao seu lado.

— Certas coisas não mudam, irmã. — a ruiva murmurou abraçando Hermione.

Dumbledore anunciou que o banquete seria servido e, mais uma vez, deu boas-vindas as meninas.

— Bem-vindas. Eu sou Marlene McKinnon. – se apresentou estendendo a mão para as meninas, que responderam o gesto. – Me desculpem, mas eu preciso perguntar: são parentes da professora Minerva?

— Sim, ela é nossa tia. – Hermione respondeu sorrindo.

— E vocês são irmãs?

Gina confirmou com um aceno.

— Qual de vocês vai ficar no sexto ano? – Hermione levantou minimamente a mão. – Legal, você fica comigo. Apesar de que vamos ter algumas aulas com o quinto, esse ano eles terão NOMs...

Hermione riu com a reação de Gina, que tossiu várias vezes.

— Não é tão ruim. – Marlene a tranquilizou – Posso apresentar meus amigos para vocês no Salão Comunal da Grifinória, nem todos estão aqui. Na verdade, só reúnem todos no inicio do ano letivo, por isso a surpresa quando Dumbledore avisou. Vai ser engraçado quando conhecerem vocês, principalmente Sirius...

Hermione e Gina pararam de comer e encararam a garota que não parava de falar.

— Ah, tem uma vindo. – disse animada – Ela se tornou Monitora esse ano, então vive se atrasando.

Hermione não se preocupou em encarar a pessoa a quem Marlene se referia, voltando sua atenção para seu jantar.

— Veja, são as alunas novas. São sobrinhas da professora McGonagall.

— Sério?

— Essa é Ginevra Mcgonagall – Gina a corrigiu, mandando-a chama-la por seu apelido – E essa é Hermione McGonagall. Meninas, essa é...

Hermione se limitou apenas um aceno de cabeça. Não conseguia dizer nada, a não ser encarar a mulher sentada a sua frente. Ela tinha cabelo vermelho escuro e olhos verdes brilhantes. Os olhos de Harry.

— Lílian Evans, prazer. – se apresentou sorrindo. – Espero que gostem de Hogwarts.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.