Eu me aconcheguei na cama, despertando e pude sentir quando Kouyou me apertou em seus braços, protetoramente, me fazendo sorrir.

— Ohayou – eu murmurei baixinho, sentindo minhas faces corarem ao constatarem onde eu estava acordando.

— Ohayou – ele sussurrou em meu ouvido. – Por que eu tenho a impressão de que isso não vai fazer Sirius gostar de mim? – ele brincou e eu me virei para encará-lo, rindo e unindo nossos lábios num selinho.

— Porque você é bobo!

Senti seus lábios nos meus antes de realmente acordar, agora sozinha em minha cama, atordoada por causa do sonho que tinha acabado de ter com Kouyou. Parecia tão real...

Os grandes olhos amarelos de Sirius me encaravam fixa e sarcasticamente quando eu o encontrei, sentado sobre suas patas, na cadeira próxima a minha cama.

— Sonho interessante? – ele sibilou como se soubesse exatamente o que estava em minha cabeça e em meu sonho.

— O que é que você quer, Sirius? – eu resmunguei, mal humorada, como se fosse culpa dele que o sonho não fosse real ou que eu tivesse acordado no meio dele...

— Avisar que seu namorado já acordou também... – ele respondeu com simplicidade e lambendo sua patinha lentamente, com suas provocações costumeiras.

— Não sei do que você está falando... – me virei de costas para ele, escondendo com o edredom que me cobria o rubor de minhas faces que se afogueavam cada vez mais, mas foi inútil.

— Ah, você sabe sim... – ele coçou a orelha com a pata que lambia. – O humano que pensou que fosse eu! – tornei a me virar para encará-lo, exasperada.

— Sabe que está proibido de se fingir de humano outra vez! Se você não se preocupa...

— É, mas eu não me fingi, não é mesmo, Sereny? E se não tivesse pulado logo em você, teria ficado tão encrencada quanto eu estaria se dissesse alguma coisa que ao deveria para o humano! Mas, sabe? Fico verdadeiramente lisonjeado por você ter se apaixonado pelo cara que se parece comigo! – ele soltou sua gargalhada felina.

— Não enche – me levantei e fui para o banheiro para fugir da presença arrogante de Sirius, ignorando o gato que agora se contorcia, gargalhando.

Terminei de me vestir, desci as escadas, com ele miando ao meu encalço e fui para a cozinha. Rei já estava de pé arrumando as coisas para o café e parecia realmente feliz àquela manhã.

— Ohayou, Rei-chan! – saudei-a e ela me abriu um enorme sorriso.

— Ohayou, Ny-chan!

Sirius pulou na mesa, na direção da outra e ela lhe coçou as orelhas carinhosamente.

— Ohayou, Sirius!

— Ohayou, Aninha! – ele lhe sorriu amável e ela encheu sua tigelinha de leite com um aceno de varinha.

Fiz com que as coisas para o café se ajeitasse para serem levadas para as mesas, tentando não corar com as lembranças do sonho que rodeavam em minha mente o tempo todo.

— Quer parar de lutar desse jeito contra seus impulsos? – Sirius resmungou, se virando para mim. – Seus pensamentos não me deixam me concentrar na minha tigelinha de leite!

— Então, pare de se meter nos pensamentos dos outros – resmunguei.

— Hey, que isso, vocês dois? – Rei interferiu. – Fazia tempo que vocês não se estranhavam desse jeito... O que foi que houve?

— Ela está apaixonada por um dos novos hóspedes, mas fica resistindo a ir até ele não sei por que...

— Sirius linguarudo! – ele me mostrou a língua antes de voltar a beber seu leite e Ana deu risada.

— E por que está resistindo? – ela me perguntou, quando saímos juntas da cozinha pra arrumar as mesas do café. Alguns hóspedes já tinham se levantado e esperavam na sala de televisão, assistindo a algum programa matinal.

— Por que eu... O beijei – contei envergonhada. – E sabe que eu não costumo ser assim tão direta... Então, eu não sei o que fazer agora... – ela tornou a rir.

— Tem razão... É surpreendente que tenha dado o primeiro passo... Mas se ele a fez reagir dessa maneira, talvez isso tenha um resultado bom, Ny... Você pelo menos já quebrou a muralha do primeiro beijo...

— Acha mesmo? – perguntei insegura e ela assentiu. – Acha então que eu devo...

— Vai lá! – ela piscou um olho pra mim, rindo. – Pode deixar que eu cuido das coisas por aqui, enquanto as outras não descem! – eu sorri e deixei o guardanapo que dobrava sobre a mesa, indo pra escada. – E, Ny – ela tornou a me chamar e eu a encarei, esperando que ela me dissesse o que queria. – Leva mais bolo pra ele depois – Ana fez uma careta sapeca e eu ri, revirando os olhos.

Parei diante da porta de Kouyou e inspirei profundamente, tentando me acalmar, meu coração estava aos pulos em meu peito, como se tentasse sair pela minha boca e bater ele mesmo na porta pra que eu parasse de enrolar. Agitei minha varinha e fiz aparecer uma bandeja com leite, suco, pão, ovos bacon, panquecas e um pedaço de bolo de chocolate antes de bater com os nós dos dedos na madeira e ouvi-lo permitir minha entrada.

— Ohayou, Takashima-san!

— Ohayou, Sereny-chan! – ele se empertigou, saindo desajeitado da cama e eu dei uma risadinha.

— Eu trouxe seu café da manhã – eu disse, sorridente, deixando a bandeja sobre sua cama.

— Vai me deixar desacostumado desse jeito – ele brincou, aproximando seu rosto do meu, hesitante e uniu nossos lábios num selinho carinhoso que afogueou minhas faces.

— Posso mimar você? – perguntei manhosa, passando os braços por seu pescoço e acariciando seus cabelos e sua nuca.

Seus olhos se ficaram em mim intensamente e ele tornou a unir nossos lábios, me beijando de forma mais séria e profunda. Suas mãos seguraram minha cintura e me puxaram para que meu corpo se colasse ao dele.

Sentir aqueles lábios era a coisa mais deliciosa que eu já tinha experimentado e tinha plena consciência de que jamais me cansaria de beijá-los.

Nós nos separamos ofegantes e ele deixou ainda dois selinhos em meus lábios, antes de me apertar contra seu peito e beijar também o topo de minha cabeça.

Puxei-o pela mão e o fiz sentar em sua cama e oferecendo o pão para que ele mordesse.

— Você me trouxe mais bolo! – ele sorriu como uma criança, mordendo o pão que eu segurava.

— De chocolate dessa vez – eu sorri também. Ele levou sua xícara à boca.

— Já tomou café? – ele me perguntou de repente e eu me surpreendi.

— Hã... Ah, não... Acabei de me levantar...

— Bom, então – ele colocou o copo de suco em minha mão. – Tem o suficiente pra nós dois mesmo, sua exagerada!

— Arigato – eu sorri, levando o copo à boca e ele afagou a minha face.

— Sabe... Tem alguma coisa em você que realmente me fascina! – ele disse novamente sem eu estar esperando, como se dissesse alguma coisa simples sobre o tempo lá fora. Senti minhas faces queimarem violentamente. – Acho que é essa doçura corando suas bochechas o tempo todo!

— É, você me faz corar muitas vezes...

— Sente vergonha de mim? – ele perguntou risonho. Neguei, emudecida e, ainda rindo, ele afagou minha face. Beijei a palma de sua mão. – Que bom! Você parece à vontade comigo e eu não gostaria se não fosse realmente assim...

— É a primeira vez que me sinto assim... – confessei e ele sorriu um dos sorrisos mais lindos que eu á tinha visto em toda a minha vida.

— E eu espero que seja a última também!

Notas finais
mereço reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!