Olha, uma carta.

1 Capítulo Único -- Meu belo, bem, querido


Vê essas flores, meu belo

Vê essas flores

Todas elas sem dores

Todas elas sem nos conhecer

Vê essas belezas,

Essas belezas quase eternas

Que não vamos esquecer

Me ajude a lembrar

Não do passado, mas do futuro

Me lembre das promessas

Dos suspiros que dizíamos no escuro

Quem somos nós?

Quem é você, e quem deveria ser eu?

Ora, e isso importa?

A vida é viver,

A vida é ser

Se for pra fazer algo,

Se for pra saber algo,

Quero saber do que é certo,

Saber do que é belo,

Da tranquilidade da vida agitada

Dessa cidade que nunca acaba

Quero viver é como gente,

Viver como bicho não é pra mim

E viver como rei já não me compete

Meu belo, meu belo,

Me faz um favor, favorzin

Continue nesses campos,

Fazendo companhia a mim

Não quero viver sozinha,

Vendo flores e andorinhas

Quero ter alguém pra olhar,

Pra acariciar, pra amar

Veja bem, meu bem,

Que eu não quero te adorar,

Quero ter-te perto de mim,

Como se tem perto uma canção agradável

Que não se cansa de ouvir

Contemple, meu querido,

Essa imensidão azul

Essas manchas brancas,

E as mil cores mescladas ao verde

Quem foi que disse que isso era feio?

Quem foi que quis destruir isso?

Somos todos malucos,

Malucos de pedra.

E pra aliviar minha doidisse,

Continue do meu lado, por favor,

Pra que eu não me afogue na minha própria dor

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!