Old Nightmare
2 A Morte Soa Bem
Notas iniciais
P.O.V Leonardo
— Tá bom...O QUE FOI ISSO?-Lucas olhava paralisado a cena a nossa frente,enquanto mais e mais sangue jorrava em nós,todos pareciam sem reação e observavam atônitos o corpo de Larry sendo devorado por sei-lá-o-que,olhei em volta,mais um bando dessas coisas caminhavam em nossa direção,saindo do que um dia fora o gínasio onde praticavamos aulas de futebol,e acho que não seria uma boa chamar essa gente pra bater uma bolinha.
— Galera...acho que agora não é hora de perguntas!-Disse tirando meus amigos do transe e apontando no enorme grupo de zumbis que seguiam andando em nossa direção no lado direito do corredor,viramos a visão a esquerda para uma possivel fuga,mas nossas esperanças foram esmigalhadas quando mais um grupo vinha daquela direção.
— Ok,ok,mantenham a calma,precisamos...manter a calma,isso,precisamos de um plano,e um plano útil,não como os do Lucas para furtar salgadinho da galera na hora do almoço.-Bianca começou a andar de um lado pro outro a espera de que alguem se manifestasse.
— Ei!Não são inúteis,funcionam muito bem!-Lucas repreendeu a amiga que agora parara de rodar e observava os grupos vindo até nós.
Olhei nos olhos de cada um de meus amigos,que me olharam da mesma forma,já sabiamos o que fazer,teriamos de agir.
— É agora,pessoal...é matar ou morrer.-E então,como que num borrão,rapidamente agarrei o extintor de incêndio do meu lado e como que em câmera lenta,virei para a esquerda e bati com o extintor na cabeça de alguns zumbis do meio,abrindo caminho,enquanto os outros agiam dos lados,joguei o extintor no chão,fazendo com que uma fumaça branca se espalhasse no ar,confundindo as criaturas vindas do lado direito,e então,viramos a esquerda e corremos,corremos como nunca haviamos corrido em nossas vidas,deixando para trás cerca de vinte zumbis confusos em meio uma neblina esbanquiçada.
Quando finalmente encontramos uma sala vazia,entramos,trancamos a porta e colocamos moveis a sua frente,sabendo que a tranca não duraria muito tempo.Olhei em volta,varias estantes instalavam-se na parede negra da biblioteca do internato,o piso cor-de-vinho dava uma aparencia mais escura ao cômodo, as estantes marrom escuro estavam suportando varios e varios livros que todos esses anos nunca tive interesse de ler,as mesas de leitura estavam como sempre,se não estivesse acontecendo o apocalipse lá fora,eu diria que estaria tudo normal.Olhei para a mesa de cadastro,estava vazia,me perguntei mentalmente onde estaria a bibliotecária.
— Tudo bem,antes de tudo,precisamos de um plano,uma meta.Temos de achar uma saida que não seja a porta,procurem por dutos de ventilação,alçapões,passagens,falhas no papel de parede,qualquer coisa,casa detalhe deve ser bem observado.-Melissa nos deu um objetivo um tanto quanto util,assentimos e cada um seguiu uma direção,depois de algum tempo sem sucesso tateando uma estante,ouvimos um alerta.
— Galera!Acho que achei alguma coisa!-Seguimos em direção da voz,deixando nossos postos e encontrando Lucas descascando o papel de parede atrás de onde estivera uma estante,dando lugar a uma vaga visão de madeira velha.Rapidamente nos juntamos e começamos a descascar o papel,que após tirar o ultimo vestigío,deu espaço a uma porta um pouco mais baixa que nós,feita de uma madeira velha e gasta,com algumas lascas descascando.A maçaneta era redonda,parecia ser de algum metal pintado com alguma tintura amarela que agora era praticamente invísivel.
— E então,entramos?-Bianca disse em voz alta a pergunta que todos tinhamos na cabeça.
— Ah,vamos,não temos nada a perder.-Respondeu Melissa com uma iniciação positiva e um tom de animação na voz.
—Céus,em todos esses anos,como eu nunca percebi isso?-Questionei me referindo a porta a minha frente.
— Talvez por que estava coberta pelo papel de parece e pela estante,ou você é que é mongo mesmo!-Disse Bianca indelicadamente olhando pra mim,meus amigos riram e eu bufei.
— Otimo,que seja.Vamos abrir logo isso.-Estendi a mão na direção da maçaneta mas fui interrompido por Lucas.
— Eu descubro,eu abro.
— Tudo bem,vá em frente,Mister Cerebro.-Disse com um sorriso sarcastico e meu amigo seguiu em frente,eu inventava apelidos como esse para ele graças a sua fama de "sabe-tudo" e de "inteligentão" do colégio.Sempre que você tem uma pergunta,ele tem a resposta,ele sempre sabe o que fazer.
Lucas estendeu a mão,agarrou a maçaneta,girou-a e...ela soltou?Ok,retiro o que disse,esse cara é um mongo total.
— Ups.-Ele disse encarando a forma arredondada na palma de sua mão,olhando nervosamente em volta,Bianca estava tão vermelha que parecia uma dinamite prestes a explodir.
— VOCÊ É IDIOTA?MEU DEUS!VOCÊ CHEGA A SER TÃO MONGOL A PONTO DE NÃO SABER GIRAR UMA MAÇANETA?!-A dinamite explodiu,Bianca parecia prestes a pular no pescoço do Lucas e estrangula-lo a qualquer momento,a sala ficou em silencio por alguns segundos,até começarem uma maratona de chingamentos ofensivos esquecendo completamente dos coleguinhas na sala,Melissa observava tudo e sua expressão lembrava-me muito aquele gatinho surpreso do filme Gato de Botas,seus olhos se alternavam de Bianca para Lucas como uma bolinha de pingue-pongue em pleno jogo,em outra ocasião,isso teria sido hilário.Resolvi finalmente intervir na briga e acabar com aquela palhaçada.
— Ei!Ei!Chega disso!Vocês parecem duas criancinhas de três anos!Agora não é hora de briguinha infantil!Agora vamos voltar ao foco e continuar procurando uma saida!— Eles me fuzilaram com os olhos por um momento e então seguiram cada um para um lado oposto,virei a esquerda e começei a tatear os livros das estantes,a procura de uma saida que com certeza nunca acharia.
Melissa
Andei até a mesa da Bibliotecaria,sentei na cadeira e bufei,olhando no relogio.Duas horas sem sucesso procurando uma saida impossivel,eu tentava incentivar o grupo com frases de apoio como "Vamos lá,vocês estão indo bem!" ou "Estamos perto,vamos achar algo,tenho certeza!",mas não fazia muito efeito,já haviamos achado algo considerado impossivel e no final caiu pelo ralo,a chance de encontrar algo util era muito improvável.
Puxei a primera gaveta da mesa,nada util,fechei-a e abri a segunda,estava cheia de papeladas sem importancia,abri a terceira,encherguei uma lata amassada de coca-cola e um lápis 2b,quando estava prestes a fechar a gaveta,a luz bateu em algo que me chamou a atenção,era ma maçaneta dourada,com alguns desenhos nas laterais,e era ligeiramente quadrada,agarrei-a e corri até a porta,a encaixando perfeitamente.
— Gente!Olhem o que eu achei! — Gritei e meus amigos vieram rapidamente até mim e observaram a maçaneta dourada.
— Onde você achou isso? — Bianca apontou para a maçaneta.
— Na mesa da bibliotecaria,Aliás,um lugar estranho para guardar uma maçaneta,não acha?
— Hm,sim,tambem acho,agora vamos abrir logo isso,antes que quebre novamente,não é,Lucas?—Provocou Bianca em um tom de reprovação,Lucas revirou os olhos e finalmente girou a maçaneta,abrindo a porta,dando lugar a um corredor de pedra escuro e com cheiro de mofo.
— Devemos entrar?-Questionou Leonardo ao restante do grupo.
— Acho que sim,é a nossa unica saída— Respondi — Alguem tem uma vela,uma lanterna ou algo assim? — Analisei o corredor,seria impossivel passar por ele sem alguma iluminação.
— Tem aquele celular que eu furtei da Bianca — Disse Leo,tirando um celular preto do bolso.
— Você tinha um celular o tempo todo e não fez nada? — Foi a vez de Lucas perguntar — Poderiamos ter pedido ajuda ou algo do tipo!
— E você não acha que eu já não tentei?— Suspirou — Não tem sinal,é como se todas as torres de comunicação do mundo nunca tivessem existido,é estranho,ainda não caiu a ficha de que tudo isso está acontecendo,em uma hora estavamos matando aula e na outra fugindo de zumbis,eu ainda estou em choque.
— Eu tambem,foi tudo muito rápido,mas lamentar não vai nos ajudar em nada agora,precisamos de um lugar calmo,e pensar no que faremos da vida daqui em diante.
— Seguir a vida...— Murmurrou Leo,na esperança falha de que ninguém ouvisse — Toda a minha carreira militar foi jogada aos ares,eu não chamaria isso de vida...— Pegou o celular e ligou-o,iluminando aos poucos o caminho escuro,normalizando a voz em seguida — Ah,que seja,vamos logo com isso.
Seguimos por alguns minutos no tunel escuro,ele era,assim como a porta,menor que nós,fazendo com que tivessemos de andar levemente curvados,o que me rendeu uma breve dor na coluna,o tunel era de pedras irregulares,com limo e mofo,e o chão que andavamos era de terra batida.Depois de andarmos bastante,achamos quatro portas exatamente iguais a da entrada,organizadas em um U ao contrario,sendo uma a frente,duas as laterais esquerdas e uma a direita.Haviam algumas velas brancas jogadas ao chão,tanto quanto inteiras,derretidas,espatifadas e meio-a-meio.Mas a coisa que mais me chamou atenção foi que as maçanetas eram identicas as que eu achei na gaveta da mesa da bibliotecária.
— Bingo...—Sussurei,alto o bastante para que meus amigos ouvissem.
— Vamos nos separar,cada um pega uma vela,acende e segue o caminho,depois de cinco minutos todos se reunam aqui novamente,idependente se acharam algo ou não,sei que não é a coisa mais inteligente a se fazer mas ainda sim é mais rapido de acharmos algo.— Bianca disse e assentimos,acendemos cada um uma vela e escolhemos nossas portas,eu ia pela direita,Leonardo pela da frente e Bianca e Lucas pelas da esquerda.
Abri a minha porta,entrei no corredor e fechei-a,a luz laranja da minha vela dava a visão do mesmo corredor de pedra de antes,esse só um pouco mais mofado.Fui andando pela unica passagem que e tinha,a frente,o barulho dos meus passos era o unico som no silêncio agonizante do tunel antigo,andava calmamente perdida em meus pensamentos,comente acompanhada pelo som de tique que meu sapato emitia,quando esbarrei em algo,uma parede,com as mesmas pedras e o mesmo cheiro,nada de diferente,o tunel continuava a esquerda,depois de alguns minutos andando na mesma direção,decidi que voltaria,o grupo já deveria estar precupado,havia demorado demais,quando ia dar meia volta,ouvi um barulho diferente,vinha do restante do tunel,olhei em volta e segui em direção do som.Quanto mais me aproximava,mais claro ficava, era uma musica,uma melodia calma e lenta,como uma canção de ninar,fui seguindo em frente e pude ouvi-la melhor,era calma e a voz era doce,como se cantasse para uma criança.
A musica era composta por poucas silábas e murmurios,era sonolenta e baixa,e na grande extensão do tunel,produzia um eco que mudava de doce som de ninar para uma musica sinistra de filme de terror.
"Isabella,la la la,brilha o teu olhar..."
Conforme eu me aproximava,mais a musica tomava forma,senti um frio na espinha,Isabella,eu já ouvira esse nome em algum lugar...
"E os seus podres poderão,tudo destronar.."
Eu caminhava silenciosamente,me concentrando para entender o que a musica significava,a voz foi ficando familiar.
"Em meio a escuridão,irá iluminar...um dia eles clarearão,ás estrelas irá confessar..."
Se fosse um desenho animado,com certeza teria um ponto de interrogação em cima da minha cabeça,tentava conectar a musica de algum modo,olhei a frente,as paredes laterais já não existiam e davam espaço para algo que percebi ser uma sala,a musica continuava,dessa vez,somente a repetição de um unico nome.Ainda na melodia calma e sonora.
"Isabella,la la la,Isabella,la la la..."
Segui em direção ao som,ele ia ficando cada vez mais nítido,quando percebi qu já estava proxima,me agachei e então a luz de minha vela revelou a ultima coisa que eu pensava encontrar aqui,Kylie,a bibliotecaria,estava sentada no chão com as costas apoiadas na parede de pedra,com a roupa em trapos,o cabelo desgrenhado,o cabelo desgrenhado,a pele tão palída que chegava a parecer azul,os olhos assustadoramente fixados em uma chave dourada e redonda pendurada por um cordão decorado por miçangas da cor marrom-escuro,que segurava ao nivel dos olhos com a mão,esquerda,com a direita,segurava uma faca,com qual fazia desenhos no ar enquanto cantarolava.Em seu pescoço,tinha algo que deduzi ser uma mordida,tive vontade de gritar,chamar por ajuda ou simplismente sair correndo,mas por algum motivo eu continuei ali,parada enfrente a bibliotecaria semi-zumbi que delirava em sua transformação.
Derrepente,ela parou de cantar e de mecher a faca,somente encarando silenciosamente a chave a sua frente,então,ela olhou para mim e com a mão esquerda,puxou minha mão vaga e nela colocou a chave que segurava alguns segundos antes,fechando minha mão contra o objeto e me olhando assustadoramente seria,me encarando com os olhos negros.
—Isabella. —Disse,ainda me encarando,com a vóz áspera e rouca,diferente da melodia que me atraiu até aqui,de um jeito sério,me fitando como se o mundo dependesse disso,então,após essa ação,levou rapidamente a faca que segurava na mão esquerda até o pescoço,sem mais nem menos,assim,depois de alguns segundos,seu braço caiu da faca,sua cabeça escorregou para o lado,fazendo com que seus olhos me encarassem,dessa vez,sem vida.
— Melissa?Você está bem?Vimos que não voltou e seguimos seu caminho,pensavamos que tinha acontecido alguma coisa.— Ouvi a voz de Leo atrás de mim,engoli em seco,tentando,ainda ligar o que tinha acabado de presenciar.
— Está tudo bem. — Guardei disfarçadamente a chave no meu bolso — Vamos em frente.
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