Notas iniciais
Essa fic não será necessariamente drama, mas, por enquanto, esse será o gênero dominante.
Prometo que um dia volto a escrever mais sobre ação, como fiz com 'Mutação'.

Era uma sensação ótima aquela, confesso. O fogo estava aquecendo minha alma fria, nunca havia sentido uma sensação tão maravilhosa quanto aquela. Era como se as chamas massageassem meu coração. Melhor êxtase que aquele? Duvido! Mas se eu tivesse dado sete tiros na região pélvica dele, eu estaria feliz do mesmo jeito.

As chamas estavam se espalhando, do jeito que eu planejara. Será que ele desconfiaria de mim depois de tudo o que aconteceu?

Eu jamais me arrependeria daquilo, talvez, mudasse uma coisa ou outra, poria mais crueldade. Mas não voltaria atrás.

Faltava um mês para o baile anual, mesmo restando trinta dias a mobilização para a arrecadação de verba já havia começado e a escola estava se tornando um verdadeiro inferno. Baile não era exatamente meu tipo de festa favorito. Não sou o tipo de garota descolada, tenho amigos na escola, mas festas da escola são sempre uma chatice; principalmente com as meninas populares achando que são alguém para concorrer no “Rei e Rainha do baile”. Eu me sentia em casa era com os geeks, ao menos eles eram legais, coisa que nem metade da escola era.

Levantei da cama um pouco mais cedo. Amava levantar cedo e ver os passarinhos cantando na árvore que ficava perto da minha janela.

Arrumei meus cabelos rapidamente enquanto comia um pedaço de bolo de morango que fiz na noite anterior. Tenho alguns segredos, um deles é que sou uma ótima doceira. Minha mãe sempre ama quando faço o preferido dela, o doce de amora. Todos os anos o diretor pede para que eu faça alguns doces sortidos para o baile, em troca peço para que guarde segredo sobre quem os fez.

— Fará doces de que esse ano? — perguntou minha mãe, enquanto preparava o café da manhã de meu irmão mais velho. Não vou comentar muito sobre ele. Nunca tivemos momentos juntos, na verdade. Só o básico. Mas ele é um cara legal.

— Mini tortas de maçã.

— Uau! Quero experimentar.

— Pode deixar.

Combinei com ela que quando chegasse da escola faríamos uns protótipos.

Vesti meu cardigan do Darth Vader, peguei a mochila no sofá. O tempo estava bem frio naquele dia. Montei na bicicleta do meu irmão e desci a rua. Não morava muito longe da escola, apenas sete quarteirões. De bicicleta ganhava uns trintas minutos de folga, aproveitava o tempo conversando com meus amigos.

Sabe aquele momento dos filmes em que tudo fica lento e os olhos da menina encontram os do menino gato? Então, foi isso que me aconteceu naquele momento. Meu olhar encontrou com o de Jin-tan, foi um momento bem estranho e constrangedor. Ele estava lindo, usava uma jaqueta de couro preto, os cabelos estavam bagunçados. Acenou para mim com a cabeça, depois virou o rosto para falar com uma menina que se aproximou toda sorridente. Se você tivesse chegado dois anos mais cedo veria como nossa amizade era linda. Sim, fomos amigos, quase irmãos. Porém, tudo na vida tem um limite e uma pré-disposição à mudança. Me afastei quando ele começou uma amizade com uns meninos barra pesada da escola. Ele e esses “amigos” dominaram o território acadêmico. Pegavam dinheiro dos mais novos e jogavam na lata de lixo quem se recusasse a dar. Nunca entendi essa maldade do Jin-tan, eu sabia que de dinheiro ele não precisava. Nos meus amigos eles nunca encostaram, se tivesse feito, eu mesma iria acabar com a festa, ele sabia do que eu era capaz. Uma vez enforquei um menino que mexia com meu gato, nunca mais ele tocou no meu bichano. Depois de um tempo ele se separou dos caras malvados, contudo, mesmo estando “melhor”, a escola ainda estava em seus pés. Nunca mais fomos amigos depois disso, ele tentou reatar, entretanto, eu estava decidida que não queria alguém tão volátil perto de mim.

Peguei um livro no meu armário, atravessei a multidão. Ele me olhou mais uma vez antes que eu desaparecesse ao entrar na sala em que teríamos aula. Sentei no meu lugar de costume, longe dele e no centro de meu grupo.

Na hora do jantar fiquei um pouco inquieta, aquele era o nosso primeiro contato desde aquele dia em que nos afastamos. Eu me sentia estranha por dentro. Entenda que não foi fácil ignora-lô no começo e não foi fácil hoje não responder com um sorriso, mas me contive.

Em seguida fiz algumas tortinhas de maçã para minha mãe, ela aprovou na hora a receita. Disse que massa parecia um pedaço do céu.

Não fui totalmente honesta com você sobre meu passado com Jin-tan. Houve um tempo em que ficamos, e nunca fui tão feliz como naquele período. Infelizmente a magia acabou quando eu achei que estávamos no ápice de nosso amor. Até hoje, dois anos depois, não entendo como ele pôde me fazer aquilo. Ele tinha uma coisa dentro dele que fazia com que eu me sentisse segura quando estivesse com ele. Nunca fui possessiva ou ciumenta, sempre o deixei fazer o que quisesse.

Certo dia precisei chegar um pouco mais cedo na escola, teria prova prática de educação física no ginásio. Eu estava me trocando no vestiário quando ouvi umas risadas abafadas vindas da área dos chuveiros. Fiquei assustada, pensei que algum pervertido estava querendo me ver de peças íntimas. Sabe quando você está com medo, mas mesmo assim quer investigar? Fiz exatamente isso, fui investigar. Teria sido melhor se eu tivesse saído correndo, o que eu vi ficou gravado no fundo da minha mente, para jamais esquecer. Ele, Yadomi, meu namorado, estava aos beijos com uma ruiva gostosona. O castelo que existia dentro de mim desmoronou, não ficou um único tijolo intacto, tudo virou pó. Queria ter corrido no inicio. Não pense que fiz barraco ou arranquei o lindo cabelo dela ou quebrei o nariz dele (aprendi como fazer isso na aula de defesa pessoal que frequentei durante as férias), fiz o contrário, peguei minhas coisas e saí silenciosamente, duvido que tenham percebido minha presença ali. Fiz minha prova tranquilamente, com um sorriso no rosto e ainda dei um beijo em sua boca quando apareceu para fazer o teste. Só desabei quando cheguei em casa, chorei baixinho para minha mãe não ouvir — até hoje ela não sabe o que aconteceu exatamente para termos terminados. E quando ela toca no assunto dou uma resposta vaga. No dia seguinte à traição, fui à sua casa e lhe joguei muitas verdades na cara. Verdades essas que guardei dentro de mim há muito tempo, desde a época em que ele dominava a escola. Avisei que ele poderia andar pela escola de mãos dadas com a ruiva, eles tinham minha benção. Ele tentou, depois disso, se explicar, mandou sms e ligou, mas ignorei tudo.

Quando eu finalmente tinha superado isso e estava pronta para olhar para ele na escola, outra bomba estourou uma bem maior. A raposa-em-pele-de-cordeiro (falo da ruiva, a do banheiro, a que beijava meu homem) espalhou pelo colégio o boato de que eu estava apaixonada pelo namorado dela — acho que ela fala de Jin-tan —. Segundo ela, eu havia mandado duzentas cartas, nem uma a mais nem a menos, para casa dele narrando meus sonhos eróticos com ele. Achei aquilo tão sem lógica que dei uma boa gargalhada. Porém, eu não sou mulher de ficar quieta e ver o circo pegar fogo sem nem ao menos ter jogado um balde de água para apagar.

Uns dois dias depois que a bomba estourou, encontrei com Yadomi no refeitório, estava cercado dos amigos, eu não podia deixar a chance passar. Me aproximei rapidamente do grupo, me sentei numa cadeira vazia, ao lado do líder da matilha.

— Serei breve com o que tenho para dizer — disse olhando nos olhos dele. — Espero que sua amiga pare de espalhar boatos sobre mim. Não quero ter que força-lá a fazer isso do meu jeito.

Os meninos olhavam para mim com o queixo caído. Saí dali mais rápido do que havia chegado.

Quando cheguei à escola no dia seguinte ninguém nem se lembrava das cartas nem de mim, agradeci por isso. Um amigo viu o momento exato em que Jin-tan puxou a ruiva para um canto para conversarem. Inicialmente ela não gostou da ideia de ter que parar de se “divertir” por ameaças, mas não falou mais nada quando Yadomi, com um sorriso malicioso, cochichou algo no seu ouvido.

Depois disso nunca mais conversamos, nem um palavrinha pelo corredor da escola. Eu realmente tinha superado. Houve momentos, no dia dos namorados e no meu aniversário, em que recebia buquês de flores com o cartão em anônimo. Logo, pensava que era coisa dele e deixava as flores na varanda para morrerem.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Se por acaso, ao ler, encontrarem algum erro é só me avisar que corrijo (e depois brigo com Carol, minha BETA -__-').

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.