Ela andava normalmente, repetindo aquele mesmo repertório: olhar lojas, entrar nelas e comprar nada. Já estava ficando chato novamente. Mas eu não podia deixar-me tomar pelo tédio, há alguns poucos minutos eu quase jogara todo meu esforço na vala.

Seguiu assim, até que percebi que ela tinha pegado uma rota objetiva. Talvez fosse embora, sair daquela multidão?

Antes fosse.

Ela começou a andar mais rapidamente, estava ficando difícil persegui-la. Algumas das vezes ela me deixava para trás, e outras eu a ultrapassava — por causa do medo que fiquei de ela perceber que eu era a única pessoa andando no mesmo ritmo que o seu.

Então eu entendi: os 7% estavam certos, ela realmente tivera me descoberto.

Meu coração começou a apertar. Fiquei ofegante, estava cada vez mais difícil de persegui-la em meio àquela multidão. As pessoas começaram esbarrar em mim com maior frequência e eu quase caí, alguma das vezes – se eu caísse seria o fim.

Uma das pessoas que esbarrou em mim, por acaso, era uma mulher que frequentou a universidade, no início, comigo. Era o segundo período, já sabia da vida de um terço da sala, devido ao stalkeamento. Notei esta moça que tinha muitas olheiras, ela estranha, contudo não chamava muita atenção. Um tempo depois percebi que ela parara de frequentar as aulas. Não cheguei a stalkeá-la por algum motivo que não me vem à memória agora.

Voltando à descrição da minha apreensão:

Eu já estava cansado, desestimulado, destruído. Meu corpo estava com dores distribuídas por todo ele. E a moça? Não parava de aumentar a velocidade. Foi quando juntei o pouco da minha honra de stalker que me sobrara, repus meus 93% de certeza à frente, deixei meu corpo ereto, respirei fundo e pus-me, com toda a raça, a segui-la até a morte!

Durou por um tempo assim. Eu já estava me cansando novamente quando ela diminuiu a velocidade e começou a se dirigir até o outro lado da lateral da praça. A quantidade de pessoas a transitar diminuía, mas ainda sim era formigueiro humano. Mas já era seguro segui-la pela retaguarda.

Segui-a até avistar o seu objetivo: era um pequeno mercado. Ela andou até ele, parou em frente à porta, que se abriu automaticamente, e logo entrou. Eu, sem hesitar, fui rapidamente atrás e PUM!