Okaeri
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Essa fanfic foi um presente de amigo secreto, onde eu tirei uma amiga muito querida. Escrevi isso com todo amor e carinho então espero que vocês gostem!
É a primeira vez que eu ecrevo alguma coisa de Banana Fish, então pode estar bem diferente do original.
A ideia era ser uma espécie de final alternativo, então não se preocupem com todo o drama, eu juro que tem final feliz.
Boa leitura!!
Já fazia um mês desde que retornara ao Japão. Perdera as contas de quantas vezes havia chorado naqueles 30 longos e tortuosos dias. Sabia que alguma coisa estava errada no momento em que saíram do aeroporto. Ibe recebera uma ligação de Max e antes que pudesse ouvir qualquer coisa, o mais velho se afastou, falando baixo e rapidamente. Entendeu que alguma coisa havia acontecido em Nova York e se culpou pela milésima vez nas últimas duas horas, por ter embarcado no maldito avião.
“− Ibe-san, aconteceu alguma coisa? – perguntou aflito no momento em que entraram no carro que os levaria para sua casa.
− Nada com que deva se preocupar, Eiji. – era mentira, sabia disso. Havia ficado muito tempo convivendo com todo tipo de pessoa, no meio da guerra entre as gangues. Tinha finalmente aprendido a reconhecer uma mentira, principalmente de alguém que conhecia a tanto tempo e que definitivamente não era um bom mentiroso.”
Passou a primeira semana dividido entre matar a saudade que estava da sua terra natal e da sua família e se preocupar com o que possivelmente estaria acontecendo do outro lado do mundo. As noites sempre eram as piores horas do seu dia. No silêncio do seu quarto, enquanto olhava o céu através dos vidros da sua janela, sentia em todas as partes do seu corpo a ausência do dono dos mais belos olhos verdes que já vira na vida. “Será que ele já me esqueceu? Por que não me manda notícias? Será que ele está bem?”. As lágrimas de saudade eram constantes, mas uma parte sua tentava se convencer de que a saudade era uma prova de que tudo o que sentia era real.
Na segunda semana a preocupação se transformou em um misto de ansiedade e pânico. Algo definitivamente estava errado. Tentou tirar alguma informação de Ibe ou até mesmo de Max, mas os dois sempre eram vagos durante as ligações, e sempre encerravam a conversa tentando convencê-lo de que tudo estava bem e que ele deveria ficar onde estava. As lágrimas se tornaram mais amargas, acompanhando-o por várias horas antes que finalmente conseguisse dormir devido ao cansaço.
A terceira semana foi regida pelo desespero. Foi quando teve a certeza de que algo estava muito errado. Entrou em um estado de desespero tão grande que não conseguia comer, dormir ou fazer qualquer coisa. Nem mesmo estar em casa com a sua família era o suficiente para fazê-lo esquecer o gosto amargo que havia se instalado em sua boca, como se nunca mais fosse deixa-lo. Ibe e Max pararam de atender suas ligações praticamente diárias. Não havia o que falar, não havia notícias. Apenas o mesmo monólogo de sempre “Fique em casa Eiji, você está seguro agora. O Japão é o seu lugar, procure uma ocupação, volte para a faculdade e reconstrua a sua vida aqui.” e quando era muito insistente ainda podia ter o acréscimo “É isso o que Ash queria para você”. Nunca havia sido considerado o estudante mais inteligente, mas apesar de não ser Ash Lynx, nunca precisou se preocupar com sua capacidade cognitiva. Não até que demorou praticamente 20 dias para finalmente entender o que estava errado. Não até repassar todas as conversas que tivera desde que retornara para o Japão e finalmente ter o click do que elas podiam significar.
E finalmente na quarta semana, após dias atormentando o único amigo americano cujo número de telefone tinha, que obteve a confirmação das suas suspeitas. Estava agonizando há dias, sentindo aquela dor oca no peito, quando finalmente conseguiu arrancar de Sing as palavras que fizeram seu mundo todo desabar “Ash Lynx está morto”. Ainda conseguia se lembrar daquela noite, quatro dias antes, com tanta perfeição que era assustador. Ainda podia sentir seus membros dormentes quando suas pernas cederam e ele foi ao chão. Podia escutar claramente a voz de Sing do outro lado da linha, chamando seu nome de maneira desesperada. Ainda sentia a mesma pressão em seu peito, expulsando o ar dos seus pulmões dolorosamente, enquanto seu coração se partia e um milhão de pedaços.
Os próximos dias passaram como um borrão, enquanto lutava contra a dor ao mesmo tempo em que tentava convencer Ibe e Sing de que tinha que precisava voltar para Nova York.
“− Ele está morto Eiji, não tem mais nada para você lá! – Ibe disse em uma das várias discussões daqueles dias – Ash queria que você ficasse seguro e você finalmente está!
− Seguro para quê? – gritou em resposta, sentindo as lágrimas turvarem sua visão – Seguro para viver longe de tudo o que era importante para ele? Seguro para viver o resto da minha vida com essa dor no meu peito? Seguro para sofrer todos os dias me remoendo por ter embarcado naquele avião quando meu lugar era ao lado dele?”. Era a culpa que mais o remoía. A culpa por ter deixado Ash, por ter ido embora com apenas a promessa de que ele o procuraria quando fosse seguro. Mas esse dia nunca chegaria. Estava seguro, mas apenas graças ao sacrifício daquele que amava.
Depois de muitas brigas, algumas ameaças e várias ligações chorosas com Sing, finalmente havia conseguido convencê-los. Queria sentir remorso por provavelmente ter se aproveitado em algum momento da culpa que Sing sentia pela morte de Ash para tê-lo convencido a lhe arranjar uma passagem para Nova York, mas não conseguiu. Não havia espaço para mais nada em seu coração, para qualquer tipo de sentimento, apenas para a dor que o sufocava dia e noite.
No momento em que deixou o aeroporto e encheu os pulmões com o ar novaiorquino quase conseguiu sorrir. Era irônico como aquele cheiro de fumaça, os sons caóticos do trânsito e aquela multidão de pessoas que andavam sempre tão rápido, falando naquele idioma que por algumas vezes ainda tinha dificuldade de entender, o faziam sentir em casa. “Quando foi que Nova York passou a ser o meu lar?”. A pergunta passou pela sua mente, mas nem precisava pensar para responder. Deixou-se imergir no mar de lembranças que tinha daquela cidade, das coisas boas e ruins, dos momentos calmos, no apartamento com Ash enquanto comiam alguma coisa ou apenas sentavam-se um ao lado do outro em um silêncio confortável, e das perseguições, dos tiros, do desespero. Tudo era inundado pela imagem de Ash. Não era a cidade que era o seu lar, era aquele que comandava seu subúrbio. Era o belo lince que tinha aquela metrópole na palma da sua mão.
− Eiji! – a voz de Sing o tirou de seus devaneios – Fez boa viagem? – o mais jovem perguntou enquanto pegava sua mochila para poder carrega-la, puxando-o por uma das mãos, conduzindo-o por entre a multidão.
Não conseguiu responder, mas sabia que não era necessário. Durante o período em que conviveram haviam se tornado próximos o bastante para que Sing conseguisse entende-lo sem que precisasse usar palavras. Foi guiado até um carro que estava estacionado há algumas quadras do aeroporto. Sing colocou sua escassa bagagem no banco de trás e abriu a porta do passageiro para que se acomodasse. Uma parte sua acabou sorrindo com a gentileza. Ainda era impressionante demais para acreditar que aquele jovem que o estava tratando com tanta delicadeza era o líder da máfia de Chinatown.
− Eu separei um quarto para você no meu apartamento. – Sing começou a falar, enquanto dirigia de forma veloz pelo trânsito – Não é muito grande, mas está limpo e tentei deixa-lo confortável.
− Muito obrigado Sing. – finalmente conseguiu colocar algumas palavras para fora. Sua voz ainda estava um pouco rouca pelo choro constante, mas estava um pouco mais controlado agora – Não precisa se preocupar, tenho certeza de que o quarto é ótimo.
O restante do caminho foi silencioso. Agradeceu internamente pelo jovem líder não ser do tipo que sentia necessidade de preencher os silêncios com falação sem sentido. Não estava se sentindo muito disposto conversar no momento.
Àquela altura já conhecia Chinatown da mesma forma que a sua cidade natal, então reconheceu facilmente o caminho que estavam percorrendo até o apartamento de Sing. Percebeu vários pares de olhos os encarando, mas não deu muita atenção. Não é como se fosse um desconhecido ali, e além disso estava no carro do chefe, era mais do que normal chamar atenção nas ruas.
− As coisas parecem mais calmas por aqui. – comentou enquanto descia do carro e seguia o amigo pelas escadas do prédio simples em que ele morava.
− Os primeiros dias foram um caos total. – Sing disse enquanto destrancava a porta – As gangues estavam desunidas e aconteceram várias disputas por território. Mas depois de muita briga, sangue e alguns idiotas mandados para o lugar onde pertencem, conseguimos um pouco de tranquilidade.
O apartamento era simples. Dois quartos, banheiro, sala e cozinha divididos apenas por um balcão e uma pequena sacada. Era bastante óbvio que Sing só ia ali para dormir, já que não havia nenhum objeto pessoal que deixasse claro que aquilo era um lar. Seguiu o menor até o pequeno corredor que levava até os quartos. Quando Sing abriu a primeira porta e o convidou para entrar, ficou realmente surpreso. Não que o resto do apartamento estivesse sujo, muito pelo contrário, parecia impecavelmente limpo, mas aquele cômodo em particular parecia reluzir de tão limpo. Era quase estéril.
O quarto de fato não era grande, mas era visível o esforço que seu amigo havia empregado para deixa-lo confortável. Sobre a cama de solteiro, que estava encostada na parede próxima a janela, havia um edredom que parecia quente e macio. Na parede ao lado da porta havia um pequeno armário e uma cômoda, e logo abaixo da janela tinha uma escrivaninha, onde poderia trabalhar apreciando a visão do céu.
− Você realmente se esforçou aqui, Sing. – o sorriso que se formou em seus lábios foi o primeiro em muitos dias – Não precisava se preocupar tanto, mas muito obrigado por isso. – Fez uma pequena reverência e não pode deixar de notar que o mais jovem ficou envergonhado.
− Não foi grande coisa. – viu Sing desviar o olhar de forma acanhada. A única palavra que vinha a sua mente para descrevê-lo era “fofo”. Quase riu ao pensar isso – Não tem nada decorativo ou muito específico porque eu não sabia quanto tempo você pretende ficar.
− Apenas até eu conseguir um lugar para mim. – percebeu que o outro o estava sondando. Era raro ele não ser mais direto, mas depois de lhe contar sobre a morte de Ash, era como se todos ao seu lado estivessem tensos o tempo todo. Como se estivessem lidando com um animal ferido. De fato, ele estava ferido, e tinha surtado algumas vezes, mas apenas quando disseram que ele não poderia deixar o Japão. Era uma pessoa calma por natureza, e embora se sentisse morto por dentro, não ia tentar ferir as pessoas ao seu redor propositalmente.
− O que você quer dizer com isso, Eiji? – foi a primeira vez que Sing usou seu tom de voz normalmente firme desde que havia chego.
− Eu não vou voltar para o Japão, Sing. – respondeu de forma calma. Não era uma discussão – Eu não estou de visita, estou me mudando.
Depois de alguns segundos em que apenas se encararam em silêncio, observou o que parecia ser uma guerra interna sendo travada nos olhos do menor, até que ele suspirou e deixou sua mochila, que continha apenas seu material de fotografia, documentos e algumas trocas de roupa, sobre a cama e o passou por si indo em direção a cozinha.
− Vamos ter que arranjar mais algumas roupas para você, e claro, qualquer outra coisa que você precise para se sentir em casa. – ouviu Sing mais resmungar do que propriamente falar, enquanto mexia no celular, andando pelo apartamento.
− Sing..? – tentou perguntar o que estava acontecendo, mas não conseguiu terminar.
− Você não está indo à lugar algum, Eiji. – Sing parecia determinado. Seu tom autoritário lhe lembrou o que Ash costumava usar – Não tem a menor chance de eu deixar você sair de Chinatown. Se você quer viver na américa, tudo bem, mas vai ficar onde eu acho que é mais seguro. E nesse momento o lugar mais seguro é comigo.
Já fazia vários dias que havia se mudado para Nova York. Max apareceu no dia seguinte à sua chegada, e tentou convencê-lo de que a mudança não o faria bem. Tentou até mesmo apelar para Sing para manda-lo embora.
“− Eiji é um homem adulto, Max, ele pode tomar suas próprias decisões. – o líder foi firme, encarando o homem mais velho – Ele pode ficar aqui pelo tempo que quiser, não vou manda-lo embora e você sabe disso.
− Seja razoável Sing! – Max apelou, ignorando completamente a presença de Eiji na sala.
“Ótimo, decidam a minha vida como se eu não estivesse aqui” o pensamento sarcástico passou pela cabeça do japonês, mas preferiu não verbalizar. Apesar de ser constrangedor como eles o tratavam como uma criança, ficava agradecido por eles se importarem consigo.
− Eu estou sendo razoável! – Sing retrucou – Ele está perfeitamente seguro aqui. Ou você acha que alguém vai ousar tocá-lo dentro do meu território?
Eiji quase riu da expressão chocada que tomou o mais velho. É claro que convivendo com Sing e sabendo o quão jovem ele é, é difícil associar sua imagem com a de um líder mafioso. Mas ele é exatamente isso. E estavam em seu território, onde sua vontade era absoluta. Chinatown sempre foi uma potência a se considerar, mas agora sob a liderança de Sing e com o apoio de Yut-Lung, que havia se tornado o chefe da família Lee, eles se tornaram imbatíveis. Eiji duvidada que até mesmo os ratos pudessem se movimentar nas ruas sem o conhecimento ou a permissão do jovem sentado ao seu lado.
− Que merda, eu não estou duvidando de você! – Max exasperou-se, levantando do sofá e andando pela pequena sala com as mãos agarradas aos cabelos – Mas você sabe que não é isso o que ele quer!
− Já chega! – Agora foi Sing que se levantou, com os olhos em brasas – Essa conversa acabou, Max.
O mais velho suspirou derrotado, erguendo as mãos em rendição. Murmurou alguma coisa sobre entrar em contato no dia seguinte para ajudar a organizar as coisas e foi embora. Mais tarde, naquela mesma noite, quando foi levar um chá para Sing em seu quarto, Eiji o agradeceu.
− Obrigado pelo apoio, Sing. – disse suavemente enquanto lhe estendia a xícara com o conteúdo quente e aromático, observando os contornos do mais jovem, vendo como seus ombros pareciam tensos e como o vinco entre suas sobrancelhas parecia que nunca ia desaparecer.
− Não me agradeça. – Sing respondeu depois de um suspiro, enquanto levava a xícara aos lábios – Eu só espero estar fazendo a coisa certa.”
Após essa breve discussão e de um ou dois telefonemas de Ibe, eles pareciam finalmente ter desistido de manda-lo embora. Na verdade, nos dias que se seguiram, Max voltou a aparecer, mas ao contrario do que imaginava, foi para ajuda-lo a se organizar. Havia desistido da ideia de arranjar um lugar só para si, já que sabia que a boa vontade de Sing em ajuda-lo a ficar estava diretamente ligada à exigência de que ele ficaria sob sua proteção. E sinceramente, isso não o incomodava. Sing era seu amigo e era um ótimo colega de apartamento (embora Eiji fosse o colega, uma vez que o apartamento era do mais jovem), sendo, ao contrário do que imaginava, extremamente organizado e bom com a limpeza. Claro que alguns membros da gangue sempre estavam por perto, e algumas reuniões eram feitas na sala de estar, mas Sing mantinha todos os documentos e armas em seu quarto, para que ele não precisasse vê-los. Claro que ele entendia que isso não era falta de confiança, e sim apenas um cuidado consigo. Esse e outros gestos de gentileza sempre o surpreendiam quando vindos do amigo.
Depois de algumas semanas correndo de um lado para o outro, organizando seus documentos para poder continuar estudando fotografia em Nova York, procurando um emprego e tentando se adaptar. A dor ainda estava muito presente, e embora as lágrimas noturnas tenham dado lugar aos pesadelos constantes, estar ali, cercado de tudo o que era importante para Ash, deixava tudo menos cinza.
Quase dois meses após sua mudança, finalmente havia conseguido criar uma rotina. Dividia seu dia em ir para a faculdade de manhã, almoçar em frente à Biblioteca Pública de Nova York, mesmo nunca entrando na mesma, e ajudando no restaurante da irmã de Shorter até na hora do jantar. E aos finais de semana ia religiosamente até o cemitério, para levar flores à lápide do Ash.
E era exatamente onde estava nesse momento. Sentia as lágrimas mornas escorrerem por sua face. Ultimamente era o único momento em que se permitia chorar, durante suas visitas. Estava tentando ser forte e seguir em frente, mesmo que estivesse claramente preso ao seu passado. Mas sabia que Ash não ia querer que ele ficasse deprimido para sempre. Observava os lírios que havia depositado no vaso ao lado da lápide, enquanto falava distraidamente sobre a sua semana. Isso era quase terapêutico, como se o loiro realmente estivesse ali o ouvindo.
− E ontem à noite Sing quase colocou fogo no apartamento enquanto tentava fazer pipoca. – se permitiu rir um pouco, se lembrando da cena – Ele tem se esforçado para melhorar suas habilidades culinárias, mas sinceramente tenho medo todas as noites quando chego em casa, porque nunca sei o que ele vai aprontar.
− Eiji, está na hora de ir. – a voz de Bones o tirou de sua pequena bolha. Os antigos homens de Ash também eram uma constante em sua vida, já que agora tinham uma parceria com Sing. Era algo bom, poder reencontrar com todos eles e era reconfortante a forma como eles o haviam acolhido, como se fossem uma grande família. Sabia que ter sempre um deles o acompanhando quando estava fora de Chinatown era uma ordem de Sing, mas também sabia que eles fariam isso mesmo sem que o líder mandasse. Eles cuidavam uns dos outros.
− Já? – perguntou desorientado, notando pela primeira vez como o céu estava escurecendo. Há quanto tempo estava ali?
− Eu prometi que te levaria de volta antes da hora do jantar. – Bones respondeu com um tom pesaroso, estendendo uma mão para lhe ajudar a levantar e segurando um lenço de tecido com a outra.
− Oh sim. – Disse ainda meio vago. Aceitando a ajuda para se levantar, sentindo seus membros rígidos, devido ao tempo em que passou sentado na mesma posição. Aceitou também o lenço que lhe foi oferecido, secando as lágrimas que ainda escorriam livremente.
− Está tudo bem, nós voltaremos na semana que vem. – Bones o confortou, passando os braços pelos seus ombros, o guiando de volta ao carro – O túmulo não vai para lugar algum, afinal Ash Lynx está morto.
Sentiu seus membros ficarem mais rígidos com essa frase, a dor oca em seu peito o sufocando, mas se forçou a engolir tudo isso em silêncio. Ouvia essa frase com tanta frequência que já deveria ter se acostumado com ela.
Várias semanas depois, se viu parado em frente a porta da grande biblioteca. Almoçava do outro lado da rua todos os dias em que tinha aula, mas nunca teve coragem de cruzar aquela porta. A visão de Ash sangrando, após ser esfaqueado, segurando a sua carta, ainda o atormentava em sonhos. Sing havia lhe contato, como encontrou o loiro sentado no seu lugar de costume, sentado e com os braços apoiado sobre a mesa, como se tivesse caído no sono enquanto lia. Seria uma imagem tranquila, se não fosse por todo o sangue. Sing chamou a ambulância, que mesmo tendo chego rapidamente, não foi o suficiente. A noticia que recebeu foi que o coração de Ash não havia aguentado e ele morreu antes mesmo de chegar ao hospital.
Sentiu as mãos tremendo e respirar estava difícil. Havia decidido que enfrentaria esse fantasma que tanto o atormentava, mas agora que estava ali, sentia a coragem o abandonando. A culpa e o remorso ainda o corroíam, mas estava na hora de deixar isso de lado e encarar seus medos. Com passos lentos e hesitantes, finalmente conseguiu passar pelo enorme batente. Não era sua primeira vez na biblioteca, havia ido até ali encontrar com Ash mais vezes do que conseguia contar. Sentiu-se sufocar, o ar entrava de forma ruidosa em seus pulmões, as lágrimas embaçavam seus olhos, mas se obrigou a continuar. Só parou quando chegou naquele canto tão conhecido, onde sempre encontrava o amigo atrás de uma pilha de livros, com grandes olheiras sob os óculos, depois de passar horas lendo sobre algum assunto que ele não entendia. O nó em sua garganta não o deixava respirar. Tocou a madeira da mesa com seus dedos trêmulos e frios. Não sabia o que estava esperando encontrar ao entrar ali. Será que esperava encontrar Ash, com o sorriso malicioso, os olhos brilhantes, os cabelos levemente despenteados, o esperando para irem comer juntos? Não, isso era ridículo. Ele não iria encontra-lo ali, porque Ash Lynx está morto.
E então, da mesma maneira como havia acontecido meses antes, sentiu um pequeno click em sua mente. A adrenalina foi bombeada por todo o seu corpo, como se tivesse levado um choque e a descarga elétrica o fez ficar alerta. Deu meia volta e saiu correndo da biblioteca, ignorando completamente os olhares reprovadores de todos em que havia esbarrado no processo. Apenas parou quando já estava na calçada, ofegante, com as mãos no joelho enquanto tentava normalizar sua respiração. Era a segunda vez que se sentia estúpido por não perceber o que estava acontecendo bem na sua frente. Assim como se deu conta de que algo estava terrivelmente errado quando percebeu que todos se referiam ao Ash no passado, sua mente estava trabalhando a mil por hora, agarrado apenas a um único pensamento “Ash Lynx está morto”.
Já fazia quase uma hora que estava andando pelas ruas sem rumo. Sabia que Sing ficaria preocupado, mas não podia voltar agora, não quando sua mente estava trabalhando bem depois de tanto tempo. Sentia como se houvesse um véu entre ele e o mundo durante esses meses. Ele estava lá, vivendo, andando, comendo, conversando, mas não completamente. E agora esse véu foi removido de forma abrupta, dando um choque em todos os seus sentidos. Tudo ao seu redor parecia mais vivo, mais barulhento. E foi quando se acostumou um pouco com isso que sentiu um frio percorrer a sua espinha. Sentiu um leve terror borbulhar em seu estômago. Conhecia aquela sensação. Estava sendo seguido, e não por algum de seus amigos. Nos meses em que vivera juntos naquele apartamento luxuoso, ao lado do prédio de Golzine, Ash o ensinou um pouco sobre como apurar os seus instintos. Claro que foi algo básico, apenas o suficiente para ele aprender quando estava em uma situação de perigo e tivesse tempo o bastante para ligar para Ash ir ajuda-lo. Levou a uma das mãos lentamente até o bolso da sua calça, onde estava seu celular. Tentou não demonstrar que havia percebido que estava sendo seguido. Fazendo um caminho aleatório entre a multidão, e tentando parecer calmo, discou o número de Alex, já que era com ele que deveria ter se encontrado hoje após o almoço.
− Onde diabos você se meteu, Eiji? – Alex atendeu no primeiro toque, com um misto de raiva e alívio.
− Me desculpe, eu acabei perdendo noção da hora enquanto caminhava. – parabenizou-se por sua voz soar calma ao responder.
− Tudo bem, apenas me diga onde você está que eu vou te buscar. – ouviu o barulho do carro dando partida do outro lado da linha.
Olhou ao redor, tentando se situar, e ofegou surpreso ao notar aonde havia ido parar.
− Estou em frente ao cemitério. – respondeu tentando ocultar seu nervosismo.
− Hoje é quarta-feira. – Alex parecia tão surpreso quanto ele.
− Sim. – não havia muito o que dizer, também não estava planejando ir até ali. Deixava a dor de visitar a lápide de Ash apenas para os domingos.
− Chego aí em dois minutos. – foi tudo o que ouviu antes de a ligação ser encerrada.
O caminho de volta para Chinatown foi silencioso. Alex não questionou o fato de ele estar na frente do cemitério em um dia de semana, como também não apontou o fato de que ele pareceu aliviado ao entrar no carro. Como havia prometido, Alex demorou apenas uns poucos minutos para chagar, mas que pareceram horas, enquanto tentava respirar fundo e se preparar para qualquer tipo de ataque. Não sabia onde estava a pessoa que o seguia, nem mesmo se era apenas um ou vários. Só conseguia sentir aquele frio na espinha e o pavor. Percebeu, ao entrar no carro e suspirar aliviado, que os nós dos dedos de Alex estavam brancos devido a força com que ele segurava o volante. Notou também que ele estava com os ombros tensos, e que a forma como ele olhava ao redor, enquanto dirigia, estava mais rígida. Alex sabia que ele estava sendo seguido, teve certeza. Mas por que não disse nada, não perguntou nada e nem mesmo mudou a rota que seguiam?
Ainda tinha milhares de perguntas não respondidas em sua mente quando estacionaram em frente ao restaurante.
− Obrigado por ir me buscar, Alex! – tentou soar normal, mesmo estando uma confusão por dentro – E me desculpe por preocupa-lo.
− Está tudo bem, Eiji. – o mais velho disse visivelmente mais relaxado – Eu sei que somos um pouco superprotetores demais com você.
− Eu não posso julgar, já que tenho um histórico de me meter em problemas. – tentou fazer um pouco de graça, aliviando por completo o clima pesado que ainda envolvia o carro.
− Sim, você tem. – Alex riu um pouco – Mas não temos o direito de te sufocar. Se você precisar, você sabe... – achou graça na forma como o mais velho parecia sem graça, coçando a nuca em um gesto nervoso – De um tempo para sei lá... Simplesmente caminhar por aí com os seus pensamentos... – a risada morreu e seu tom ficou mais sério – Você tem esse direito, só peço que avise antes. Não queremos te prender, mas nos preocupamos com você, todos nós.
Sentiu as lágrimas se acumulando nos cantos dos seus olhos, e pela primeira vez em muito tempo, não era por causa da dor, era de pura felicidade. Ainda ficava comovido com a forma como aquelas gangues, tanto a de Alex, que havia se tornado o líder da antiga gangue do Ash (mesmo que agora trabalhasse em conjunto com Sing), como a do Sing, haviam se tornado sua família naquela terra estrangeira. Não se sentia sozinho, graças a eles. No começo achou que eles o tratavam bem por causa da sua amizade com Ash e Sing, mas com o tempo percebeu que havia formado laços genuínos de amizade. Mesmo que Sing não permitisse que ele participasse das reuniões, o que ele não se importava, era comum que jantassem juntos quase todos os dias, quando chegava do trabalho. E normalmente esses jantares incluíam Sing, Alex, Bones e Kong, que eram mais próximos de si. Antes que conseguisse se conter, envolveu o mais velho em um abraço apertado. Não manteve o contato por muito tempo, porque sabia que o deixaria desconfortável. Foi apenas o suficiente para tentar demonstrar o quanto era grato por tê-los consigo.
Saiu do carro sentindo-se um pouco mais leve, embora ainda estivesse em estado de alerta. Sorriu para Alex, que ainda estava em estado de choque.
− Muito obrigado por tudo, Alex. – disse enquanto se afastava para entrar no restaurante – Vejo você mais tarde.
Nos dias que seguiram, sentiu seus nervos sendo levados ao limite, enquanto finalmente tomava conhecimento de tudo o que acontecia ao seu redor. Sabia que era melhor não perguntar nada diretamente a ninguém, então precisava se limitar a observar melhor os seus arredores e as pessoas que conviviam consigo.
Passou a anotar todas as informações que conseguia em um pequeno caderno, que por segurança, sempre ficava na gaveta da escrivaninha em seu quarto. Tinha plena confiança de que Sing nunca invadiria sua privacidade, mesmo que ficasse curioso. A primeira coisa que notou foi que estava sempre sendo seguido. Foi fácil perceber isso, já que sua rotina era sempre a mesma. Não se surpreendeu ao reparar que onde quer que fosse, havia um dos homens do Sing. Diferente da gangue do Alex, eles nunca se aproximavam. Apenas ficavam há uma distância segura, nem muito perto para invadirem seu espaço pessoal, nem muito longe para não conseguirem agir caso acontecesse alguma coisa. Se isso sempre aconteceu ou se começou depois do dia da biblioteca, ele não sabia dizer. Outra coisa que notou foi que aquele frio na espinha era quase constante. Seja quem for que estivesse atrás dele, ficava sempre por perto, mas nunca tentava nada. Estava sendo vigiado. A única coisa que o tranquilizava sobre isso, é que Alex e Sing tinham consciência disso também, e se não haviam agido ainda, é porque quem quer que fosse que o estava vigiando, ainda não representa um perigo real. Mas a quanto tempo isso estava acontecendo? Os únicos momentos em que se livrava dessa sensação, era quando andava por Chinatown. Seja que for, não ousava entrar no território do Sing, e isso era um alívio.
A segunda coisa que percebeu, é que mesmo dizendo que as coisas estavam tranquilas, e de fato dentro do território chinês realmente estavam, Sing parecia sempre estar tenso. Fazia reuniões quase diárias com a gangue do Alex, e por mais que soubesse o quanto eles se preocupavam consigo, duvidada que era o único tópico das conversas. Enquanto estava em casa, Sing passava a maior parte do tempo no quarto ou com a cara enfiada no notebook e no celular. Também notou que era comum que o amigo recebesse ligações no meio da madrugada. Ligações que ele sempre saía para atender. No começo achou que era apenas uma forma de poupá-lo de saber sobre os detalhes da máfia, mas começou a achar suspeito. Não era como se ele ainda fosse um pobre cordeirinho inocente. Ele também estava enterrado até o pescoço em toda essa lama.
A terceira coisa que percebeu, foi apenas várias semanas depois, enquanto ainda tentava encaixar todas as peças de informação que havia encontrado. Sua turma da faculdade estava fazendo uma exposição como forma de obter créditos em algumas disciplinas do curso de fotografia. Estava no meio da galeria, admirado com o trabalho que fizeram em tão pouco tempo, já que tiveram apenas um par de semanas para organizar tudo. Não era muito próximo de nenhum dos seus colegas de turma, afinal ainda era o estrangeiro transferido que não conversava nada além do necessário. Sabia que a faculdade era uma forma de conseguir escapar um pouco da sua realidade, respirar ar puro e ser apenas mais um jovem adulto no meio da multidão. Sem todo o peso que carregava nas costas. Mas mesmo assim, não conseguiu criar nenhum vínculo com seus colegas. Por mais que se esforçasse, não consegui encontrar nada em comum com eles além da paixão por fotografar. Eles nunca entenderiam a dor que carregava nos olhos, ou como seus sorrisos não eram mais tão verdadeiros. Mas ficou completamente satisfeito por isso não ter sido um empecilho para realizar a tarefa, já que apesar de diferentes, todos compartilhavam do mesmo amor por capturar momentos através da lente de uma câmera. E agora, vendo o trabalho pronto, sentia-se orgulhoso. Estava passeando por um dos corredores, o que continha as suas fotografias, admirando as paisagens que havia escolhido para a exposição. Claro que de forma técnica ainda encontrava muitos erros em seu trabalho, ainda não era tão bom como Ibe, mas deixou-se inundar pela nostalgia que aquelas imagens traziam. Eram fotos de todos os lugares que havia visitado com Ash, cada uma delas carregada de lembranças e sentimentos. E foi nesse momento, enquanto se deixava levar, que sentiu. Seus olhos se arregalaram imediatamente, e se viu olhando freneticamente para as pessoas ao seu redor. Procurando em cada rosto a confirmação de que não estava louco. Buscando desesperadamente pela fonte daquele aroma tão familiar quando o seu próprio. O cheiro do sabonete que Ash usava.
Depois do dia da exposição, não conseguiu se impedir de agarrar-se à ínfima esperança de que seus anseios estivessem certos. Por mais estranho que fosse, aquela paranoia era o que lhe impedia de surtar. Lembrou-se da pequena discussão entre Max e Sing, logo que havia se mudado. A frase dita por Max aquela ocasião, “Mas você sabe que não é isso o que ele quer!” começou a ter outro significado em sua mente. Passou incontáveis dias buscando constantemente sentir aquele cheiro novamente, e mesmo que tenha sido em vão, não desanimou.
O clima já estava esfriando outra vez, quando em uma das suas visitas semanais ao túmulo de Ash, não sentiu o já não estranho arrepio na espinha. Era a primeira vez, desde que havia se dado conta de que estava sendo observado, que não sentia aquela presença ao seu redor. Como sempre, Bones estava no carro lhe esperando, dando espaço para que pudesse se sentar e conversar com a lápide simples, onde o nome Ash Lynx estava cravado.
Já havia perdido a noção de a quanto tempo estava ali, falando sobre as provas e como estava empolgado com seu trabalho de conclusão de curso quando sentiu algo diferente. Era uma sensação diferente da causada por seu stalker usual. Era uma presença calma, e talvez, se não estivesse tão relaxado, não teria notado. Será que ela sempre esteve ali e ele apenas estava com a cabeça sempre tão cheia para notar? Apenas continuou falando, como se não tivesse notado nada, mesmo quando sentiu novas lágrimas escorrerem pelo seu rosto quando o vento soprou e trouxe consigo o cheiro dele. Se forçou a permanecer calmo, mesmo quando sua vontade era se levantar e correr por todo o local, buscando aquele que deveria estar sempre ao seu lado.
Gradativamente, depois de mais de um ano da sua mudança, sentiu que as coisas finalmente estavam mais calmas. Sing parecia mais relaxado e até mesmo mais jovem, sem a carranca quase constante que havia costumado a carregar. Seja o que for que o afligia, definitivamente havia sido resolvido. Junto com isso, as visitas da gangue do Alex, que antes sempre eram para alguma reunião, agora eram apenas sociais. Eles ainda tinham o habito de comerem juntos sempre que possível, mas até mesmo Alex, Kong e Bones pareciam mais jovens e despreocupados. Quando comentou sobre isso recebeu apenas uma resposta vaga “Os negócios estão indo bem”. Sabia que era melhor não insistir no assunto, mas não pode evitar um sorriso.
Havia conseguido um estágio em uma revista logo após terminar a faculdade. Ainda estava em dúvida sobre o que realmente queria fazer da vida, então estava na fase de experimentar. Mas mesmo com o estágio, ainda gostava de ajudar no restaurante sempre que podia. Tinha se tornado muito próximo de Nadia e gostava de ajuda-la sempre que tinha um tempo.
Com o passar dos meses, sentiu que seu stalker estava se afastando. Embora ainda fosse comum a sensação de ser observado, ela foi diminuindo até que um dia desapareceu. Teve a confirmação disso quando finalmente pôde sair de casa sem algum tipo de escolta. Sing e Alex lhe deram um carro como presente de formatura, mas raramente conseguia dirigir seu próprio carro e quando fazia, sempre tinha algum membro da gangue o seguindo com outro carro logo atrás. Então a primeira vez que saiu de manhã para ir ao trabalho e ninguém o seguiu, foi como um divisor de águas. Finalmente parecia que tudo estava bem, exceto pelo fato de que ainda faltava alguma coisa.
Quando completou dois anos desde que se mudou de vez para Nova York, decidiu que era hora de arrumar um lugar para morar. Amava dividir o apartamento com Sing, mas sentia que era o momento de viver sua própria vida, de sair de baixo das asas de proteção do amigo. Pensou que essa seria uma grande briga, mas para sua surpresa, foi bem simples.
“− Sing eu estava pensando em talvez alugar um apartamento, o que você acha? – perguntou de forma cautelosa, enquanto entregava uma caneca de chocolate quente para o mais jovem que tinha acabado de se jogar no sofá ao seu lado.
− Por que está pisando em ovos comigo, Eiji? – a pergunta o pegou de surpresa.
− Bem, você é meu amigo e temos vivido juntos por todo esse tempo desde que cheguei aqui. E bem... – não conseguia formular uma boa resposta.
− E isso nunca te impediu de dizer exatamente o que você pensa. – Sing apontou com um sorriso, provavelmente se lembrando das mesmas coisas que ele, em todas as vezes que ignorou que o mais jovem era o chefe, embora não o seu, e o tratou como um adolescente qualquer, dando bronca por ir dormir muito tarde ou criticando seus hábitos alimentares.
− Você tem razão, me desculpe. – riu um pouco também, mais relaxado.
− Então... – Sing chamou sua atenção depois de alguns minutos apenas apreciando chocolate quente delicioso que havia preparado – Você já viu o apartamento?
− Um colega de trabalho me mostrou um que parecia bom, mas achei muito longe. – respondeu sinceramente. Havia gostado do lugar, mas era muito longe de Chinatown e mesmo que quisesse se mudar, não queria se afastar tanto.
− Se você me disser exatamente o que está procurando, posso pedir para os rapazes darem uma olhada nas redondezas. – sorriu mais uma vez impressionado em como Sing o entendia tão bem. Era mesmo um bom amigo.”
Algumas semanas depois e finalmente terminou de organizar suas coisas no novo apartamento. Era simples e compacto, da mesma forma que era o que dividia com Sing, mas era o suficiente para ele. Nunca seria capaz de agradecer seus amigos o suficiente por toda a ajuda. Mesmo não tendo tantos móveis, tinha acumulado uma quantia absurda de coisas em seu antigo lar. E claro, não podia deixar de agradecer a Max por ajuda-lo a montar todos os móveis novos. Sinceramente nunca conseguia entender todas aquelas instruções estranhas dos manuais.
Depois de guardar a última peça de roupa, permitiu-se sorrir e desfrutar da tranquilidade do seu novo lar. O bairro era calmo, então não havia o constante barulho de carros passando pela rua e sua sacada lhe dava uma bela vista do céu. Estava próximo o suficiente para que qualquer um dos seus amigos viesse lhe ajudar em caso de emergência, mas também estava distante o bastante para não ter que lidar com tudo aquilo todos os dias. Enquanto se dirigia para a sacada, debruçando-se sobre a grade para admirar o céu noturno, sentiu-se em paz.
Sorriu ao perceber a forma de uma pessoa ao seu lado, sua silhueta ainda oculta pela sombra formada pela escada de incêndio. Não precisou se virar para saber quem era, reconhecia aquela presença, agora tão constante em sua rotina, em qualquer lugar. O vento apenas trouxe a confirmação daquilo que ele já tinha certeza.
− Eiji... – aquela voz, que a muito tempo escutava apenas dentro da sua própria cabeça, mas que lhe era tão familiar como a sua própria.
− Okaeri, Aslan. – disse finalmente se virando, abrindo os braços para acolher aquele que era sua alma gêmea.
− Finalmente estou em casa, Eiji! – a voz rouca pelo choro soou próximo ao seu ouvido – Me perdoe pela demora.
− Eu disse que ia te esperar para sempre. – disse enquanto se agarrava ao moletom que o outro usava como se a sua vida dependesse disso, e de fato dependia.
Ambos sempre cumpriam suas promessas, principalmente as trocadas entre eles. Finalmente se sentiam completos.
Notas finais
Mas de qualquer maneira, espero que tenham gostado.
Eu queria acrescentar mais coisas, principalmente sobre o reencontro deles e com o Ash explicando o motivo de ter se escondido, mas sinceramente achei que ia acabar muito grande e eu teriaque dividir, e com a falta de tempo, ia acabar encerrando de forma meia boca. Então optei por deixar assim mesmo.
Atualmente estou trabalhando em uma parte 2 no ponto de vista do Ash, mas enquanto não entrar de férias não tenho como terminar, então sem prazos para a postagem por enquanto.
Essa história também foi postada no Spirt e AO3
Até mais ;-)
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