Ok, Mostre-me
23 Tu e somente tu, terás respostas de mim....
Notas iniciais

Leo
Brilham estrelas, nuvens passam lentamente acima do navio. Um navio quieto, escuro e silencioso, onde apenas uma pessoa inquieta estava deitada, esticada sobre o chão de madeira a pensar.
O céu estava ali, bem perto, azul sonolento com pontos a brilhar. Estrelas a conversar, a rir ou se apagar. Quando as estrelas se apagavam, poderia se dizer, que elas viraram gente? E quando brilha uma nova estrela no céu, poderia se dizer que uma pessoa virou estrela? Se fosse, muitos foram apagados porém existentes, para que a inexistência de outros se transformem em brilho.
Será que as estrelas eram grudadas? Ah, claro que não. Pensamento medíocre e infantil, porém pensável. Será que as estrelas riam? Pois se riam, o brilho de seus risos iluminavam noite escuridas de luto e solidão.
Leo pensava enquanto olhava as estrelas e refletia o brilho delas em seus olhos, que estavam calmos. Seus cabelos bagunçados as vezes se moviam com o vento, passageiro e lento.
Leo refletia, pois o fato de brilhos, pequenos e importantes pontos no céu existirem, darem cor e talvez rirem era um fato intrigante e engraçado, ele fechou os olhos por um momento se lembrando da tempestade de coisas que lhe ocorreram esse tempo, não só a ele, mas todos presentes ali.
Ele suspirou e colocou os braços atrás da cabeça, abrindo os olhos e observando as estrelas novamente, se você pensar bem, não é algo cansativo, nos faz pensar, observar que o mundo todo é ilimitado e que nós humanos, deixamos nossa vida voar ao limite, ou nem voar.
—Somos seres de mentes limitadas em um Universo ilimitado e mesmo querendo explorar, acabamos esquecendo coisas ao nosso lado, como a vida.- disse Leo a si mesmo, talvez nem fizesse sentido, mas não precisava, era só um pensamento, um pensamento talvez sonolento de quem havia sido hipnotizado pelas estrelas, estrelas que riam.
Leo fechou os olhos:
—Podemos conversar?
Annabeth
Sono leve, sono cansado de quem não descansa mesmo se tiver deitado. Se revirar na cama não fazia sentido, se sentir culpada não fazia sentido, aquilo não fazia sentido, perder pessoas não fazia sentido...
Ou fazia?
Se revirar na cama para ter uma posição que lhe conforte, se sentir culpada para aliviar ou pesar mais a dor de uma perda, perder pessoas para ganhar e recomeçar um novo ciclo da vida, não importa... Não fazia sentido, Annabeth estava louca e tinha medo de ficar louca até a eternidade..
Mas o mesmo, o louco, ou o totalmente sã de sanidade humana; Lewis Carrol disse e escreveu:
''Alice:Quanto tempo dura o eterno?
Coelho:Às vezes apenas um segundo.''
Annabeth torcia para que aquela loucura fosse tão passageira quanto a brisa no outono ou como a sanidade do Chapeleiro Maluco, por apenar um mísero segundo.
Jason
Doía se culpar, por isso o garoto tentava seguir em frente, mas luto para sempre? Não ou sim, quem sabe, sabe, quem não sabe....Ah, não, parecia ser mais um dos tristonhos e depressivos desabafos de Nico. Como Jason podia pensar aquelas coisas tristes e sem sentido? Porém, ou era isso ou luto eterno, mas quem disse que o eterno acaba quando acaba o inverno?
Não fazia sentido, nada fazia, parecia incontrolável esses sentimentos hipócritas e solitários na cabeça de Jason, ele necessitava de uma válvula de escape, um companheiro, ombro amigo, alguém para desabafos e essa pessoa não estava presente.
Ele permaneceu de olhos fechados aquela noite, mas não dormia e tinha a impressão de que apesar do clima de calmaria e sono naquela noite, naquele navio, alguém ali, presente em algum lugar, alguém ou várias pessoas iriam ter uma noite ruim, afinal quem dorme bem em noite de luto?
Feche os olhos que eu te escuto, abra a boca ou fique de luto, desabafe com algum amigo, ou morra sofrendo sozinho. É, não fazia sentido, mas talvez alguém fizesse.
Jason se levantou devagar para não fazer barulhos que acordassem quem conseguia dormir, saiu de seu dormitório e antes que fosse virar o corredor para falar com quem precisasse, achou sua saída, seu ralo de emoções, esticado sobre o chão de madeira que rangia a qualquer movimento:
—Podemos conversar?- cochichou Jason, com os olhos azuis tremeluzindo.
—Jason?- perguntou Leo ainda com os olhos fechados.
—Aham, eu.
Leo abriu os olhos, se espreguiçou e sentou com as pernas cruzadas de frente pro loiro que permanecia de pé, até o filho de Hefesto bater bem de leve com a palma da mão na madeira como quem quer dizer; ''vamos lá, senta cara.''
Jason se sentou e disse:
—Não...Consigo...Mais...-Jason começou a chorar.- Aguentar....Segurar....Me ajude.
Em lágrimas Jason abraçou Leo, os amigos permaneceram amigos mesmo depois de tudo e Leo estava ali naquele momento no que preciso:
—Tenho medo.-cochichou Jason em prantos.
—Sabe, eu também tenho...-Leo respirou fundo.- Tenho medo de dizer coisas erradas para as pessoas certas e perder as pessoas certas por ações erradas, mas principalmente tenho medo de chorar, uma vez Jason, minha mãe me disse que chorar era uma forma de deixar nossas dores saírem de nós e sumirem bem aos poucos, mas que devemos tomar cuidado para ou cultivar essas dores, ou sumir com elas.
—E...o que tem haver com tudo isso?
—Bem, eu não sei te dizer exatamente, mas tenho medo...Medo de chorar e cultivar toda a dor que sinto, mas tenho mais medo ainda de chorar e perder toda a dor que está guardada.Quer saber por quê?-Jason assentiu.- A dor que sentimos é tão importante quanto nossa felicidade, quanto todos os outros sentimentos, sua felicidade te motiva a viver, mas sua dor Jason, também. Ela nos ajuda a crescer, a superar e quando perdemos nossos medos, nossas dores, paramos de crescer, de superar e precisamos disso para continuar com a única coisa que ainda somos...Vida.
Jason chorou por alguns minutos somente concordando, até que após secar as lágrimas disse:
—Não posso perder minha dor e nem cultivá-la, você está certo Leo, mas...É, faz todo sentido.
—Olhe Jason, a vida faz e não faz sentido e isso é o que dá essência a ela, que a torna assim, vida, essa é a graça, nunca temos a respostas e não precisamos ter por que a criamos.Vamos, olhe para o céu,- Jason olhou para cima, as nuvens e as estrelhas com brilhos cheios e cintilantes.- você sabe o motivo de haver estrelas no céu?Sem o papo de deuses, religião ou ciência por que isso não explica nada. Você sabe por que brilham? O que elas eram antes de se tornar estrelas? Se há um tipo de vida nelas? Não sabe,não é? isso não dá um brilho a mais pra elas?
—Sim, torna elas mais misteriosas, mais especiais e cheias de histórias e brilhos.- respondeu Jason ainda encantado com o céu acima dele.
—Sim, é isso. Não precisamos das respostas, você já as tem. Elas foram pessoas e as pessoas estrelas, elas nos deixam dúvidas cheias de graça, de brilho pois apesar de tudo elas estão lá, brilhando, rindo ou ''vivendo.'' Não há sentido e não precisa, o brilho é o sentido, dá pra me entender? Pense que as estrelas entendem sua dor ou que Piper é uma....
—Você está certo Leo! A resposta está no brilho, no sorriso, na vida ou melhor...Não há resposta.
''Quando olhares o céu à noite eu estarei habitante numa estrela, e de lá estarei rindo; então será, para ti, como se todas as estrelas rissem! Dessa forma,tu,e somente tu, terás estrelas que sabem rir.''
Antoine de Saint-Exupéry
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