Oito anos, oito dicas e uma caça aos presentes
2 Capítulo 02
Notas iniciais
— Ora, ora! Olhe quem está aqui! A princesinha da BAU!
— Tio D!!! Que saudade! – O bom do tio D é que eu não precisava pular para abraçá-lo! Ele sempre me pegava! Só que dessa vez...
— Tio não me vira de ponta cabeça não! Não me pega pelo pé não! Tio! Meu café da manhã vai fazer uma reaparição! E vai ser na sua camisa! Não faz isso! – Mas ele continuava me balançando enquanto eu estava sobre seus ombros, de ponta cabeça e ele me segurava pelos pés...
— Morgan! Solta a Elena! Assim ela vai ficar tonta e... –Tio D me colocou no chão – Toda descabelada... Oi amor! Como você está? E não vale falar descabelada! E como está na escola? – Tia JJ sempre me salvando!
— Eu tô bem – disse ao mesmo tempo que tentava arrumar a minha roupa – e a escola tá indo bem, tive prova ontem... parece que só tenho prova agora. Mas tirando isso, tá sendo legal, estamos aprendendo sobre a independência americana também! – Enquanto eu respondia, a tia tentava arrumar meu cabelo.
— Nem cinco minutos e você já está nesse estado? Criança, tenho certeza que essas não foram as recomendações que seu pai te deu!
— Tio David! Não foram... ele até me disse que tenho que ficar na sala dele hoje.... sabe o motivo?
— Não, não sei. Mas também não te contaria se soubesse. – Ele disse com uma piscada.
— Não é justo! Você sempre sabe de tudo! Tem que compartilhar as informações com as outras pessoas.
— Ha! O que a Diabinha da BAU tá querendo saber, hein? – Tio D me perguntou enquanto me colocava sentada na mesa da minha mãe.
— Nada... só acho que o tio David não conta tudo o que sabe... é bom ser generoso às vezes, tio!
— Você está querendo alguma coisa sim! Acha que eu faço o que para viver?
— Chuta portas e dirige como um louco? – Eu disse com a maior carinha de anjo que consegui.
— Você por acaso quer ficar dependurada de ponta cabeça de novo, Senhorita Hotchner? – Ele estava soando ameaçador, mas eu não tenho medo dele!
— Não! Não quero! E é Senhorita Prentiss-Hotchner! Não esqueça o nome da minha mãe!
— Agora gostei do que ouvi. – Mamãe apareceu vindo de, sei lá de onde, ela estava parada ali.
— Viu como sou uma boa filha! Por isso você tem que me amar!
— Ah, claro! Só por isso, então?
— Não! Tem um monte de motivos! Vou fazer uma lista! Uma para cada um de vocês!!
— Eu não tenho motivos para te amar, não!
— Tio Spenc!!! Eu já pedi desculpas por ter falado que você tem uma namorada para todo mundo. Mas você me perdoa? Diz que sim! Por favor!!
— Vou pensar no seu caso, mas com uma condição...
Quando ele ia dizer a bendita “condição”, papai chamou toda a equipe para a sala de reuniões dizendo que tinham um caso. Era isso que eu precisava. A equipe precisaria sair, eu ai ficar com a tia Pen, e quando ela se distraísse consultando todos os seus arquivos digitais e procurando o passado do unsub eu sairia à caça!
— E quanto a você, Elena, para a minha sala. E nada de fazer essa cara...
Eu subi as escadas com toda a equipe, só que, ao invés de segui-los até a sala de reuniões, meu pai, que me esperava na porta de sua sala, me fechou lá dentro.
Menos mal, de qualquer jeito eu precisava dar uma olhadinha aqui também, e seria melhor que ele não estivesse presente...
Eu revirei tudo o que poderia significar: aqui cabe um presente. E não achei nada... nem um sinal de que ali pudesse ter sido embrulhado algo. Papai sempre foi bom esconder as coisas, só que a mamãe não pode saber, porque ela sempre conta, ou pelo menos, faz um tique estranho e olha para a direção de onde está... só que nesse ano, até agora, não consegui arrancar nada dela. Acho que depois do ano passado ele nunca mais vai contar para ninguém onde é o esconderijo dele.
Mas voltando, procurei nas gavetas, embaixo da mesa, até no meio das almofadas do sofá, na estante não tinha nada, e quando eu me equilibrei no encosto da cadeira para olhar na parte alta...
— O que você pensa que está fazendo, Elena?
— Epa...eu?! Nada... nadinha... só...
— Só resolveu que era uma boa hora para se equilibrar no encosto da cadeira? Melhor se explicar ou já sabe o que vai acontecer...
— Eu estava procurando algo!
— No alto da estante?
— Sim! Eu tava fazendo estilingue com o elástico, e ele voou... como não encontrei, resolvi procurar, achei que ele tinha voado para cima da estante...
— E essa sua procura também envolvia a minha mesa? – Esse tom e esse olhar significavam que eu estava muito encrencada.
— É, então, eu vou pegar o meu livro e vou ficar sentadinha aqui no sofá.
Ele passou por mim com uma cara que dizia: mais tarde a gente conversa. Meu plano foi para as cucuias mais rápido do que tinha imaginado, ou não.
— Temos que sair, é um caso aqui perto e não vai demorar. Você trate de se comportar e ficar quieta. Qualquer coisa é só falar com a Garcia, falar, não ficar incomodando-a com coisa boba, ouviu?
— Sim, papai.
— Se você aprontar, eu vou ficar sabendo.
— Vou ficar longe da Strauss, então.
— Vai ficar longe de encrenca, Elena. Agora volte para o seu livro.
E ele se foi rumo ao elevador onde a equipe já estava. A última coisa que vi, foi o olhar de “Se você aprontar, mocinha, conversaremos em casa” da minha mãe. Eu tenho que ser discreta dessa vez, e evitar a bruxa da Strauss.
Agora, por onde começar?
No escritório do papai não tem nada. O próximo é o tio David. Por sorte está aberto!
Comecei olhando pelas gavetas, logicamente não tirei nada do lugar, só levantei e vasculhei por baixo, nada.
Na estante também, pelo menos embaixo, nada. Quando estava colocando a cadeira perto para poder subir e olhar as prateleiras superiores, escutei um barulho de saltos altos. Tinha certeza que não era a Tia PG, porque os saltos dela são diferentes. Só tive tempo de olhar de relance e ver uma cabeleira curta passando pala janela. STRAUSS!
Na sala do tio David não tem muitos lugares para se esconder, na verdade só tem dois, debaixo da mesa e atrás da cortina. Fiquei com o primeiro e puxei a cadeira para o poder me tampar melhor.
Mas a bruxa parecia que tinha sentido o meu cheiro. Ela entrou na sala. Ficou parada um tempo na porta e depois foi de encontro à mesa. Vi seus pés bem perto da minha mão direita quando ela parou. Depois deu a volta e puxou a cadeira. Não acredito que ela vai sentar justo aqui! Ela não tem a sala dela, com a secretaria dela? Que coisa.
Mas ela se sentou. E eu me espremi no canto que ela não tinha colocado os pés. Não sei o que ela ficou fazendo ali, só sei que demorou. Eu já estava com as pernas formigando quando ela se foi.
Esperei um pouquinho e saí voando dali. Se ela me pegasse, eu estaria encrencada triplamente!
Minha próxima parada era o bullpen. Sei que não te muitos lugares ali para se esconder algo. Mas talvez, só talvez, quem escondeu os presentes esse ano foi mamãe, e ela pode ter deixado escrito em algum lugar, já que ela nunca lembra onde pôs as chaves do carro dela...
Mexi e remexi na mesa dela. Ninguém achou estranho, já que era a mesa da mamãe. Porém, não achei nada. Nem um chocolate. Mamãe já foi melhor, a mesa dela era cheia de bala e doces... hoje não tem nada....
Esperei um tempinho e parti para a mesa da tia JJ... como ela é extremamente organizada, não tive muito o que procurar, até porque não tinha nada.
A mesa do tio Spenc era outra coisa... ali não tinha como procurar ou achar nada! Naquela pilha de livros e revistas não tinha como um presente sobreviver, além do mais, se eu mexesse em algo, com toda certeza ele saberia, sua memória eidética não era uma aliada nessas horas...
Faltavam dois lugares oficias e um prédio inteiro para procurar...
Próxima parada, escritório do Tio D... ia ser complicado, porque daqui não se tem vista para o bullpen e a qualquer momento todos poderiam chegar, tinha que ser rápida e eficiente e ficar de orelha em pé para qualquer sinal que indicasse que eles haviam chegado.
Vasculhei algumas gavetas e estava indo para a estante quando escutei o elevador e ouvi a voz da minha mãe. Ferrou!
Do lugar em que estava, eu só tinha uma desculpa, ter ido ao banheiro. Então corri porta afora em direção a final do corredor e, quando fechei a porta do banheiro, ouvi os passos de Tio D no corredor. Outra vez, foi por pouco!
Esperei um pouco, depois sai como se nada tivesse acontecido, em direção à sala do meu pai.
No meio do caminho encontrei tio D, ele me olhava estranho e disse que papai estava me procurando, só que antes...
— Ei, mocinha, o que tanto vocês vasculha andar a fora, hein? Tem algo que você está procurando? – ele tinha uma das sobrancelhas levantadas...
— Tem. – Não adianta mentir mesmo — Meu presente de aniversário!
— Aniversário?! Mas seu aniversário é daqui a um mês! O do seu pai que está chegando.
— É domingo agora, Morgan...
— Então você tem um problema nas mãos... porque não tem ninguém lembrando disso.
— É, notei... não achei nada mesmo... Bom, eu vou indo, antes que o Agente Especial Supervisor Aaron Hotchner dê um ataque porque não me achou...
Droga! Se o Tio D falou que ninguém está lembrando, é porque ninguém está e ponto. Nem adianta procurar mais...
Mas se bem que ainda tenho a esperança de uma pessoa ter lembrado... Penelope Grace Garcia! É muito bom a senhorita ser a minha salvação, ou esse vai ser o pior aniversário de todos.
Fui andando em direção ao bullpen, sabia que meu pai iria estar com aquela cara, ele e mamãe, porque me mandaram ficar em um lugar e não estava lá.
Acontece que não estava prestando muita atenção no corredor, então do nada eu dei uma trombada em algo que na mesma hora em que bati, cai sentada no chão!
— Ai! Essa doeu! – disse esfregando a testa.
— Aí está você. – Com tanta gente nesse prédio, tropecei diretamente no meu pai. – onde estava?
— Banheiro... e depois vim contando passo até aqui. – Disse enquanto me levantava e ainda esfregava minha cabeça.
— Machucou?
— Acho que não... só tá doendo a cabeça.... passa daqui a pouco.
Por mais incrível que possa parecer meu pai riu da minha cara! E ele fez isso no meio do expediente.
— Que tal a mocinha começar a prestar atenção por onde anda ao invés de ficar com a cabeça na lua? Assim você evita que coisas assim – ele dei um beijo na minha testa – aconteçam.
— Tá bem.... tenho que voltar para a sua sala... – eu disse.
Mesmo sabendo que ainda tinha a Pen para poder me ajudar na minha busca, não estava lá muito animada para continuar.
— O Reid me disse que vocês tem uma partida de xadrez para terminar. Desce lá para terminar isso....
— Ou? – Meu pai não ia voltar atrás em uma decisão ao menos que tivesse um ótimo motivo.
— Ou você pode ficar na minha sala e escutar a Chefe Strauss falando por mais ou menos uma hora.
— Strauss? Cadê o tio Spenc? Tio Spenc! Vamos terminar a partida – eu nem olhei para trás, dividir um prédio com a Chefe de Sessão já é o terror, ficar em uma sala fechada com ela por mais de uma hora, deve ser o pesadelo! Prefiro perder no xadrez do que ficar perto dela!
— Desce essas escadas com cuidado! – Foi o que ouvi do meu pai, mas o alarme veio tarde, eu já estava praticamente do lado da mesa da minha mãe.
— Mamãe! Resolveram o caso?
— Sim!
— Então já vamos embora?
— Ainda não, a Strauss quer conversar com o seu pai e com o Rossi. Mas porque quer ir tão cedo? Não foi você quem quis vir?
— Só perguntando por perguntar... vocês voltaram cedo.
— Tem casos que são mais rápidos que outros.... Mas você não tem que se preocupar com isso.
— Eu sei! Só curiosidade mesmo! Vou ver se o tio Spencer já terminou o relatório.
— Vão terminar a partida? Já tem um tempo que vocês não jogam!
— E nesse tempo eu andei treinando! Dessa vez eu ganho dele!
— Boa sorte! Porque você vai precisar! – Ela disse me dando uma piscada.
— Grande apoio, mamãe! Grande apoio!
— Não é para isso que servem as mães?
— Não sei? Sou só filha! – disse dando de ombros e já chegando na mesa do Reid.
— Tio Speeeencccc! Você já...
Ele nem me deixou terminar, foi logo colocando o tabuleiro na nossa frente. Eu só o olhei espantada.
— Posso fazer as duas coisas ao mesmo tempo. E não pense que isso vai te dar uma vantagem, porque não vai! – Ele disse confiante.
Tudo bem. – Acho que mamãe estava certa, vou precisar de muita sorte!
O jogo não nos levava a lugar nenhum. Estávamos tecnicamente empatados, afinal, qualquer peça que eu movesse, Reid podia clamar o cheque. E a mesma coisa aconteceria com ele. Se ele movesse a peça errada, era minha chance de clamar o cheque. E como nenhum dos dois queria perder, ficamos ali, olhando do tabuleiro para o outro sem saber o que fazer.
Até que a salvadora da BAU chegou, também conhecida como Penelope Garcia!
— Mas você está aqui! Ainda não tinha te visto, minha gatinha! Vem, vamos largando esse tabuleiro que você vai para a minha sala comigo!
— Mas tia PG, papai mandou ficar por aqui... o por aqui era no bullpen, em uma mesa em que tanto ele quanto mamãe pudessem me monitorar.
— Não tem problema, Elena! Você não vai sair do prédio, e se está comigo, está protegida! – ela disse já me arrastando para a bat-caverna,
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— Então, tia Penelope, você tem alguma coisa importante para fazer nos próximos dias?
— Próximos dias? Seria o fim de semana?
— Sim! Só curiosa.
— Não, nada, vou passar tomanda conta do Sérgio!
— Ainda me surpreende o fato do Sérgio está vivo! Ele tá com quantos anos?
— Quase oito, sua idade, mais ou menos.
— Ah, temos a mesma idade, então? Legal.
Já não basta eu fazer aniversário quase junto com meu pai, agora tenho a mesma idade de um gato! Fica cada hora melhor.
— Então, vai fazer uma festinha de aniversário para o Sérgio?
— Não, mas estamos planejando uma para o seu pai! Será que ele vai gostar?
— Meu pai?! – Mas como? Meu pai detesta fazer aniversários! Ele detesta festa!
— Sim... o aniversário dele é agora, na próxima semana. Já comprou o presente dele, Elena?
— Ahn... é... já sim, tia.
— E você? Vai dar alguma coisa, ou a BAU vai fazer uma vaquinha?
— Não conversamos sobre isso... acho que vai ser vaquinha...
—Sei... é uma boa ideia!
— É sim...
E eu fiquei mexendo nos enfeites da tia. Principalmente o de gatinho... até que não aguentei e perguntei.
— Tia, se você tivesse que esconder um presente de alguém, onde colocaria?
— Tá falando isso por conta do presente do seu pai?
— É! E então?
— Não sei, talvez atrás da geladeira, ou debaixo da cama, ou até mesmo dentro do armário da cozinha... tem muitos lugares para se esconder...
Eu tinha procurado em vários lugares, mas nunca debaixo das camas... sempre achei um lugar meio mequetrefe para se esconder algo de alguém, lá tem aranha e poeira e ninguém gosta de olhar debaixo da cama.
— É mesmo. Mas eu tenho que esconder com criatividade, afinal, com uma única pergunta ele pode descobrir! Tia Penelope, você é uma gênia!
— Queria que o Reid estivesse aqui para te escutar dizendo isso!
— Dizendo o que? – Isso lá era hora de você aparecer, Reid.
— O fato de que a Elena acabou de me chamar de gênia! Vai dizer o que agora?
— Eu? Nada. Você é a gênia da informação computadorizada, e eu o gênio do papel. Simples assim!
— Saída de mestre, tio Spencer!! Essa foi boa!
— Eu não achei graça. – PG fez um muxoxo.
— Pois eu achei. – Reid se vangloriava.
— Não vai se achando não, garoto prodígio! Aposto que essa foi a primeira tirada da sua vida. Vá com calma, aí!
Isso vai ficar interessante! Ô se vai! Eu não vou entender nada do que eles vão começar a falar, mas sempre é divertido ver o circo pegar fogo!
Acontece que não deu para ficar e assistir ao embate do século do FBI. Mamãe apareceu e disse que estávamos indo. E com isso a minha chance de ver se os presentes estavam por aqui.
Porém, com a dica da PG eu ia poder procurar em outros lugares.
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