O que posso dizer sobre aquela noite? Dizer que ela foi a mais aterrorizante da minha vida é muito pouco. Sam, Dean e eu passamos horas trancados naquela sala, que sabe Deus onde ficava. Na sala havia uma porta que estava fortemente trancada. Dean e Sam tentaram arromba-la mas não conseguiram. Havia também uma janela com grades enferrujadas. A unica luz que entrava na sala era a luz que vinha da janela. Além de tudo a sala era muito fria, só consegui me aquecer quando Dean tirou sua jaqueta e a colocou em mim. Nossa, até naquele momento, até estando trancada e a beira da morte eu só conseguia ficar com meus olhos vidrados em Dean. Ele era mais do que eu poderia querer. Ele era o tipo de homem que mexia com qualquer mulher, e eu estava completamente apaixonada por ele. Acho que morrer ao lado dele não seria assim tão ruim. O mais estranho (parecia estranho na época mas depois que eu entendi que eles eram caçadores tudo ficou mais claro) era que apenas eu parecia estar apavorada com aquela situação. Dean e Sam estavam mais tranquilos, procurando uma forma de sairmos de lá. Depois de muitas horas trancados lá dentro, Anna apareceu. Aquela… Vadia. Só essa palavra poderia descreve-la. Ela entrou na sala e logo começou a falar:

-Olha só que lindo. O casal e o cunhadinho tentando escapar. Triste, não é mesmo Louise, finalmente conseguiu desencalhar, e devo admitir que você milagrosamente consegui um cara que preste, e agora vai morrer. Vai ter esses olhinhos arrancados, esse rostinho arranhado e por fim, vai morrer com um corte na garganta. Mas não se preocupe, aqueles dois vão morrer antes!

-Claro, você vai chamar a Mary para nos matar porque não tem capacidade para fazer isso sozinha. Mas por quê? Por que você quer nos matar? Eu perguntei.

-Quer mesmo saber? Por que eu enjoei de você! Sério, você com essa sua carinha de santa, uma das melhores alunas da turma, adorada por todos. Eu era mesmo sua amiga, mas eu estava cansada de não receber a devida atenção. Aí, quando esses dois chegaram na cidade eu pensei que as coisas mudariam. Principalmente com relação ao agente Thompson.

Ela se aproximou de Dean e continuou:

-Sabe Louise, ele me paquerou antes de viver esse romancezinho com você. Ele me disse que eu era uma das meninas mais bonitas que ele já havia visto. Ele me disse que já estava valendo a pena ter vindo até aqui só por ter me conhecido, e que até aquele momento eu era a melhor coisa que havia acontecido para ele em muito tempo. Cantada barata sabe, mas eu estava disposta a não dar bola para a a cantada e dar bola apenas para os lábios e o resto do corpo dele. Mas aí ele te viu, me deixou falando sozinha e foi conversar com você…

-Tudo isso é por carência? Disse Dean

-Cala a boca, ou melhor, deixa eu calar pra você.

Anna deu um beijo em Dean, e voltou a falar:

-Nossa, seu beijo é bom!

-Pena que não posso falar o mesmo do seu, vadia! Deixa te dar um conselho? Brincar com fantasmas pode ser perigoso.

-Nada vai acontecer, eu controlo a Mary. Ela faz o que eu quero.

-Por que você só matou pessoas próximas ao xerife e ao reitor? Perguntou Sam.

-Por que eles eram os mais insuportáveis dessa universidade. Na verdade as primeiras mortes não foram de propósito. Eu conhecia a lenda da Mary mais do que qualquer outro. Sabe, ela foi morta por dois ex-alunos, depois ela me contou que os seus assassinos eram o xerife e o reitor. Eu até mandei ela matar outras pessoas, porém ela não me obedeceu. Ela só matava pessoas próximas aos seus assassinos. O que para mim foi ainda mais divertido. Essa vingança da Mary foi muito boa para mim, a pessoas que eu mais queria ver morta é sobrinha do reitor, então a NOSSA vingança está prestes a acontecer.

-Espera aí, então a Mary não pode nos matar, não somos parentes nem do reitor, nem do xerife! Exclamou Sam.

-Isso é verdade, mas dessa vez ela vai abrir uma exceção, tudo para matar a ultima pessoa que falta. Respondeu Anna em meio a risos.

Após um breve momento de silencio, Anna voltou a falar:

-Bom, vou deixar vocês aproveitarem suas ultimas horas de vida. Quando eu voltar é para a Mary se divertir. Adeus!

Nossa, eu iria mesmo morrer, agora era sério. Nós não tínhamos como sair dali. Eu me sentei no chão, Dean sentou ao meu lado e Sam ficou perto da janela, tentado encontrar uma forma para sairmos de lá. Então Dean falou:

-Hey, olha para mim, eu não vou deixar você morrer aqui, eu vou dar um jeito de te tirar daqui, mesmo que para isso eu precise ficar nesta sala pelo resto da minha vida!

-Não, eu não quero sair daqui sem você. Você acha mesmo que eu conseguiria viver sabendo que você Morreu por minha causa? É sério, desculpa, estou sendo melosa demais, eu sei, mas é a verdade, se eu tivesse ficado em casa…

-Verdade, se você tivesse ficado em casa nós não estaríamos aqui, mas esquece isso. Quem mandou eu me interessar por garotas de atitude não é mesmo? -Ele sorriu- Mas, Louise, posso te fazer uma pergunta? Por que você disse que não era minha namorada?

-Eu apenas disse a verdade, Deus sabe o quanto eu queria ser sua namorada, mas é impossível, certo?

-Queria ser minha namorada? Não vai dizer que… Louise, eu te disse que não poderia ter nada sério com você.

-Okay, eu entendi, mas quando você disse isso já era tarde demais. Você acha que é fácil né? Pra você deve ser, mas para mim não é. Não é nada fácil ir para a cama com um homem e depois não sentir mais nada. Você dever estar acostumado a ter todas as mulheres do mundo te querendo… Você até disse para a Anna que ela era a melhor coisa que tinha te acontecido em muito tempo. A mesma coisa que disse para mim.

-Verdade, mas tem uma diferença sabe?

-Ah, claro! Qual?

-Quando eu disse isso para você eu fui sincero. Não foi apenas uma cantada para te levar para a cama. Você é especial para mim Louise, acredite.

Ele olho no fundo dos meus olhos e me beijou. E assim ficamos por alguns minutos, nos beijando e acariciando, nos esquecemos completamente de Sam. Derrepente Sam se aproximou de nós e disse:

-Desculpa atrapalhar o casal mas nos vamos conseguir sair!

-Como maninho?

-Olha Dean, consegui arrancar as grades da janela. Estavam muito enferrujadas, foi até fácil.

-Então vamos sair daqui. Louise você vai primeiro. Disse Dean

Conseguimos sair de lá. Nossa nem consegui acreditar naquilo. Dean falou para Sam ir até o carro e pegar armas e sal. Sal? Que loucura. Voltamos para a universidade. Agora sim mataríamos a Mary e talvez a Anna.