Oito Anos
13 Conversinha
Notas iniciais
— Eu sou muito estúpida! – Eu digo e me reviro pela décima vez no banco do carona do carro de Edward
— Pára com isso, gatinha...
— É sério, eu não podia ter feito uma merda dessa Edward! – Eu sufoco um grito
— Para, Bella! – Ele exclama e aquilo me sobressalta. Ele aperta o volante com certa força e eu o encaro – Só para, gatinha! Nós vamos encontrar um meio de resolver isso, ok?
— Mas já estamos chegando, Edward... – Eu digo olhando o prédio imponente do Seattle Grace surgindo logo a frente. Foi menos de 15 minutos a viagem até ali.
— Vamos focar no seu pai, primeiro, Bella. – Ele fala me passando calma – Uma coisa de cada vez.
Eu assinto engolindo a minha angustia pelo meu pai que eu estava tentando abafar pensando em outras coisas. Mais dois minutos e ele estaciona numa vaga vazia e ambos saímos do carro juntos. Ele vem para o meu lado e ajeita uma mecha que se soltou no meu coque feito em meio à correria para me vestir.
— Vamos? – Ele pergunta e eu me permito mergulhar em seu olhar. Eu sinto uma necessidade absurda de senti-lo e por isso eu dou fim à nossa pequena distância.
O beijo é gentil e doce. Edward molda nossos lábios e afaga minha cintura levemente, como se me embalasse. Por instante breve, tudo some ao meu redor. Rápido demais, a realidade volta.
— Eu estou aqui, gatinha. Pra sempre, ok? – Ele fala quando nossas bocas se separam. Eu assinto e ele sorri.
Nós nos encaminhamos para a recepção da emergência e quando o rapaz me pede para ir para o primeiro andar, onde é a sala de espera cirúrgica, a minha mão encontra a de Edward. Ao sairmos do elevador meu coração se aperta ao dar de cara com minha mãe. Ali eu vejo que minha preocupação agora deve ser só com a minha família.
— Mãe! – Eu corro para os braços dela que soluça ao meu ouvido
— Bella, graças a Deus! – Ela diz entre soluços. Ouço vozes ao nosso redor e percebo que Edward está cumprimentando alguém. Me afasto um pouco, apenas para olhar a face de minha mãe.
— Como ele está? – Eu pergunto tentando ser calma.
— Ainda na cirurgia, ninguém me diz nada aqui! – Minha mãe diz e enxuga seu rosto tomado de lágrimas.
— O que aconteceu, onde ele estava a essa hora? – Eu pergunto engolindo meu choro mais uma vez
— Teve um coquetel da firma, aniversário do dono, o Sr Newton. – Minha mãe respira um pouco e retoma – Ele tava vindo pra casa quando o acidente aconteceu. – ela me olha suplicante – Parece que bateram no carro dele com muita força e ... – Um soluço corta a fala de minha mãe e eu a abraço novamente.
— Ok, mãe, ok. – Eu digo conduzindo-a para uma cadeira ali perto. Alguém se aproxima de nós.
— Tome, sra Swan, beba um pouco. – Eu me viro para olhar Rose ao meu lado. Ela passa o braço ao meu redor. – Vai dar tudo certo, Bells!
Eu assinto, sentindo meus próprios olhos marejarem, e então me afasto um pouco. Minha criança interior quer começar a chorar e gritar para ver o meu pai, mas sei que preciso ser forte pela minha mãe. Meu pai é o amor da vida dela e só de pensar em algo assim acontecendo com Edward eu me arrepio inteira. Ao pensar nele, eu o busco com o olhar. Ele está ali perto, recostado em uma coluna. Nosso olha se cruza e ele abre os braços para mim.
— Ah Edward! – Eu digo aspirando o seu cheiro no meio do nosso abraço. Eu tento disfarçar a voz chorosa. Não quero que ele ache que sou dessas que se desespera e chora copiosamente.
— Ei, tudo bem... é o seu pai. Tá tudo bem ficar angustiada, gatinha – Ele fala fazendo um carinho gostoso em minhas costas. Me permito ficar ali, deixando as lágrimas caírem silenciosamente.
Algum tempo se passa, tempo suficiente para que eu esteja meio entorpecida, quando ouço a voz de minha mãe.
— Vocês em algum momento vão me dizer desde quando isso está acontecendo? – Seu tom não é furioso, mas também não é totalmente amigável. Engulo em seco quando me viro para encará-la. As mãos de Edward permanecem ao meu redor.
— Mãe...
— Sra Swan, sei que devemos algumas explicações à senhora e ao sr Swan também, mas acho que no momento, esta conversa pode não ser saudável para Bella. – Edward fala com uma calma invejável. Que bela cartada! Que mãe vai querer o mal de seu filho?
— Está bem. Você está certo – Ela diz e vejo seu ombros cederem – Mas essa conversa vai acontecer. – Ela pausa propositalmente e olha nos meus olhos – Em breve, de preferência. – Eu assinto com um menear de cabeça.
Ela volta a se sentar e ficamos em silêncio novamente por mais um tempo até que um médico se encaminha para perto de nós.
— Familiares de Charlie Swan?! – Ele chama e minha mãe levanta num pulo. Eu corro para o seu lado.
— Aqui! – Ela grita – Esposa e filha.
— Certo, sra Swan, eu sou o Dr Sam Uley – Ele diz e olha para o prontuário em suas mãos antes de olhar para nós e se aproximar. – O seu marido deu entrada nesta emergência com uma fratura grave na perna esquerda, um deslocamento no ombro esquerdo e uma hemorragia interna leve. – Ele fala rapidamente e sinto minha mãe apertar a minha mão com força, mas não reclamo. – Ele foi levado para a cirurgia onde corrigimos a fratura e o deslocamento. Controlamos a hemorragia e agora ele está estabilizado. A cirurgia foi difícil, apesar de ter sido uma hemorragia leve, houve intercorrências. – Ele pausa e encara a minha mãe – Ele teve uma parada cardíaca, mas conseguimos estabilizá-lo com sucesso. Ele está bem agora. – Lágrimas escorrem dos meus olhos ao ver o médico dar um pequeno sorriso ao final.
— Ele vai ficar bem mesmo? — A voz de minha mãe sai incrédula.
— Sim, senhora. Ele perdeu muito sangue, mas já está recebendo uma transfusão. Assim que terminar vamos movê-lo para um quarto onde vocês poderão vê-lo.
— Oh meu Deus! – Minha mãe exclama e me abraça forte. Depois se vira para o médico. – Obrigada doutor! – Ele sorri em agradecimento.
— Uma enfermeira virá avisá-la quando ele for transferido ao quarto. Ela também vai lhe direcionar ao setor de internamento para assinar alguns documento necessários, tudo bem? – Ela fala e minha mãe assente. – Certo, com licença! – E então ele se vai.
— Graças a Deus! – Rose fala e vem me abraçar, depois abraça minha mãe.
Edward vem até mim e me abraça forte. Sinto minhas lágrimas, agora de alívio, desceram pelo meu rosto. Eu preciso de mais e por isso o beijo sem me importar com nada. Ali, no meio de um monte de gente e diante da minha mãe. É um beijo casto, sem muita ousadia, somente para acalentar meu coração. Edward retribui com uma doçura impecável. Ah, como eu o amo!
Quando nos afastamos ele me presenteia com o meu sorriso torto favorito. Porém, quando eu me viro, dou de cara com o olhar incisivo de minha mãe.
— Acho que agora podemos conversar, não é mesmo? – Eu olho de minha mãe para Edward, ambos estão me olhando. Ela, com severidade, ele com carinho e confiança.
— Sim, acho que sim. – Eu respondo voltando a olha para minha mãe – Que tal um café lá na lanchonete? – Eu digo indo até ela. – Rose e Edward vão nos avisar quando papai for transferido.
— Bella... – Edward começa, mas não olho para ele.
— Não Edward, eu vou conversar com a minha mãe. Depois, ela vai falar com você, né Renée? – Eu digo e minha mãe sorri.
— Nos avisem qualquer coisa, está bem? – Minha mãe fala para os primos Cullens e começa a andar À minha frente. Edward pega em minha mão e eu o olho.
— Gatinha, tem certeza?
— Tenho, Edward, vai por mim, ela tá brava comigo, não com você. – Eu digo – Vai ser melhor assim. – Eu lhe dou um sorriso e um selinho – Já volto.
— Eu te amo. – Ele me responde e eu sorrio ainda mais.
Nós não conversamos nada até estarmos sentadas , cada uma com um cappuccino em sua frente.
— Mãe, me desculpe! – Eu começo
— Pelo que exatamente? – Ela pergunta dando um gole na bebida
— Por mentir – Ela ergue a sobrancelha e eu sorrio – E por omitir também.
— Por que não confiou em mim?
— Medo.
— De?
— Ter que escolher um lado. – Eu digo com um suspiro. – Eu o amo, mãe. – Eu digo e ela me olha sabendo que é sério.
— Mentira. – Ela diz – Você não tem medo de precisar escolher um lado. Você tem medo de se arrepender do lado que escolheu.
— Mãe, eu...
— Eu sei que você o escolherá se ficarmos contra vocês. – Ela diz com calma – E tem medo de em algum momento se arrepender disso. Porquê? Acha que ele não te ama da mesma forma?
— Não. – Eu digo rápido. – Eu sei que ao mor dele é real. Eu só não acho que eu seja a mulher que ele precisa do lado dele.
— Bella! – Ela exclama – Eu não sabia que você tinha tanta insegurança assim, eu te criei com tanta autoconfiança...
— Eu sei mãe.... mas ele tem 26 anos. – Eu digo e sinto meu rosto corar levemente – Eu só tenho 17.
— Ele te faz se sentir insuficiente? – Ela pergunta
— Não, ele faz eu me sentir muito foda, na verdade. – Eu digo e ela sorri. – Sou eu que... sei lá, é estranho me sentir assim.
— Converse com ele sobre isso. Se não isso vai minar o amor de vocês. – Minha mãe fala e me olha.
— Ele deve tá surtando agora, achando que eu tô levando a maior bronca do mundo. – Eu digo rindo
— Ele te ama.
— Eu sei. – Eu digo e ambas sorriem.
— Se cuidem, tá? – Ela fala – Vocês podem viver o amor de você com você ainda vivendo seus projetos e sonhos.
— Eu sei mãe. Está tudo em dia, eu juro. – Eu digo e ela sorri ainda mais.
— Eu te amo, filha. Só não esconda mais nada de mim. – Ela diz suave, mas sinto a força de suas palavras.
— Nunca mais, prometo. – Eu digo
— Bom, então vamos voltar que eu preciso dar a maior bronca do mundo no meu genro. – Ela diz e então caímos na gargalhada.
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