Oito Anos
16 Aprovada
Notas iniciais
— Mãe, pai, cheguei! – Eu digo alto ainda do hall de entrada enquanto tiro ali mesmo os meus sapatos sujos de barro. Dona Renée só falta infartar quando eu esqueço e entro com eles de vez em casa. Deixo minha mochila no balcão e meu olhar alcança os dois envelopes em cima do balcão.
Respiro fundo ao me aproximar deles.
— Bells! Que bom que você chegou filha! As suas cartas...
— Chegaram. É eu tô vendo – Eu digo e arrisco olhar para minha mãe. Ela desce os últimos degraus da escada com expectativa descrita no olhar. Ela sorri para me incentivar.
Eu pego os dois envelopes com cuidado. Sinto que preciso me sentar e por isso os levo para a sala e os coloco na mesa de centro. Me sento no chão com as pernas cruzadas e minha mãe senta ao meu lado, surpreendentemente em silêncio. Eu lhe dou um sorriso nervoso.
— Quer que eu te ajude? – Ela oferece com uma voz carinhosa. Eu assinto.
Ela pega o envelope com o brasão da UCLA e eu pego o da Universidade de Washington. Abrimos juntas, mas ela me entrega o conteúdo da carta ainda dobrada sem olhar.
— Eu passei! — Eu digo sentindo as lágrimas tomarem meus olhos. – Nas duas, mãe! – Eu digo me virando para ela que tem um sorriso enorme.
— Não é como se eu não soubesse que você era capaz dessa proeza, né! – Ela diz e joga seus braços ao redor do meu corpo. Eu retribuo seu abraço ainda abalada com o resultado de tantas semanas de espera. – Parabéns minha filha!
— Obrigada mãe! Obrigada mesmo, por tudo! – Eu digo enquanto voltamos a nos encarar. – Você sempre me incentivou tanto!
— O mérito é só seu, Bells! – Ela diz afagando o meu rosto e limpando uma lágrima minha que rolava por ali. – Acho que vou preparar algo especial para o jantar, isso merece uma comemoração.
Eu assinto e ela se levanta. Quando ela está quase saindo da sala, ela para no lugar.
— Hum, acho que você poderia chamar o Edward para comemorar conosco. – Ela diz e eu a encaro. – Seu pai já pode descer, então poderíamos ter um momento muito bom para que eles possam se conhecer e entender que querem o bem da mesma pessoa.
— Eu acho uma ideia incrível mãe! Tá explicado porque você leciona Estudos Sociais. – Eu digo e ela sorri.
Eu mando uma mensagem para Edward, apenas convidando-o para jantar em casa. Em menos de um minuto ele responde com um sim e uma carinha sorrindo. Eu sorrio e resolvo ir ajudar a minha mãe na cozinha.
Às 20h, a campainha soa. Eu estou no meu quarto, terminando de calçar um par de sapatilhas pretas, que melhor combina com o meu vestido de alças. Dou uma conferira no espelho e vejo que estou bonita, levemente maquiada com um batom claro, rímel e pó. Quando estou descendo as escadas, minha mãe está abrindo a porta para um Edward num estilo casual e com olhar ansioso. Nosso olhar se cruza enquanto ele cumprimenta minha mãe de forma gentil.
— Seja bem vindo, Edward! – Minha mãe expressa sincera e ele sorri.
— Obrigado Sra Swan. – Ele diz entrando, ao mesmo tempo que eu desço o último degrau. – Oi gatinha, você está linda! – Ele diz estendendo sua mão para mim.
Eu simplesmente vou até ele e lhe dou um selinho gentil.
— Obrigada. – Eu digo entrelaçando nossos dedos – Vem, vamos para a sala, tenho algo a contar.
Eu o conduzo para a sala de estar, onde meu pai está acomodado em sua poltrona. Seu olhar nos alcança e Edward vai até ele para cumprimenta-lo. Meu pai faz menção de se levantar.
— Por favor, Sr Swan, não é necessário se levantar. – Edward diz gentil, se inclinando até o meu pai para lhe estender a mão. Meu pai o encara por um segundo antes de aceitar seu cumprimento.
— Sente- se, Sr Cullen. – Meu pai indica o sofá, onde eu e Edward nos sentamos, novamente de mãos dadas.
A cena me traz um dèja vu do dia em que contamos ao meu pai sobre nosso relacionamento. Na ocasião, estávamos no quarto de meus pais, havia se passado uma semana que meu pai havia recebido alta. Minha mãe nos convenceu a não escondermos de Charlie, uma vez que a história pode trazer complicações jurídicas e tudo mais. Meu pai ficou surpreso, tentou nos convencer a desistir do namoro, mas no fim aceitou. ou melhor, se deu por vencido de que não nos separaríamos assim tão fácil.
O que não significa que concordasse. Então, esta é a segunda vez em que tenho meu pai e Edward no mesmo ambiente, o que é meio desconfortável ainda.
— Então, qual o motivo tão especial deste jantar? – Meu pai insiste olhando de mim para Edward. Desde que minha mãe revelou a ele que Edward viria para o jantar ele está inquieto para saber o motivo. Ele parece tão temeroso que eu não duvido nada que ele esteja pensando numa notícia do tipo “Pai, tô grávida”.
— Bom, hoje temos um motivo maravilhoso para comemorar! – Minha mãe é quem diz, trazendo consigo uma garrafa de champanhe e quatro taças. Os olhos de meu pai se arregalam e eu vejo a mesma surpresa nos olhos de Edward. – Bella, por favor...
Eu me levanto e vou até o balcão, onde pego as cartas das faculdades e retorno para sala.
— As cartas chegaram hoje! E – Eu digo e vejo meu pai e Edward me encararem com expectativa. – Fui aceita nas duas! – Eu digo erguendo as duas cartas para que eles vejam.
— Ah meu Deus, Bells! – Meu pai exclama, já se levantando com esforço. – Venha cá! – Ele pede e me abraça com carinho – Que orgulho, minha filha! Eu sabia que você conseguiria!
— Obrigada pai! – Eu digo, desfazendo o abraço e me virando para Edward. Seu olhar brilha de emoção e sei que é de felicidade por minha conquista.
— Parabéns gatinha! – Ele diz me erguendo num abraço profundo. Ele respira fundo em meu pescoço, me arrepiando inteira – Eu te disse que você é incrível! – Ele sussurra em meu ouvido – Eu te amo!
Eu não aguento a sua declaração e o beijo carinhosamente quando o abraço cessa. Edward sorri nervoso, por estarmos diante de meus pais, mas não nega nada em seu beijo. Eu apenas sorrio feliz.
— Então vamos fazer um brinde! – Minha mãe exclama e nos serve o champagne.
Após brindarmos, o jantar é servido. Minha mãe capricha numa lasanha de frango maravilhosa e todos ficamos satisfeitos após um pudim de chocolate igualmente perfeito. Quando retornamos para a sala, meu pai faz a pergunta que eu sabia que ele queria fazer desde o nosso brinde.
— Bells, minha filha, sei que ter sido aceita nas duas faculdades é incrível e tudo mais. Mas sabemos que não há como você frequentar as duas. – Ele começa. Eu estou novamente sentada com Edward no sofá, de mãos dadas.
— Claro, pai. – Eu digo.
— E então? – Ele pergunta sucinto. Eu o encaro e sei o que ele quer. Eu havia usado a Universidade de Washington como desculpa para o caso da UCLA não dar certo. Desistir da UCLA para ele seria abandonar tudo o que planejei a vida toda e sei que ele culparia Edward por isso. Sei que Edward ficará do meu lado seja pra onde eu vá, mesmo que isso implique num namoro a distância por no mínimo 4 anos.
— Eu vou para UCLA, pai. Como foi o plano desde sempre. – Eu digo e o sorriso brota no rosto dos meus pais. Até minha mãe estava ansiosa pela minha resposta, apesar de não ter dito nada – Washington era só uma questão de segurança, nada mais. – Eu olho para Edward, que sorri para mim lindamente.
— Graças a Deus! É a melhor decisão, minha filha! – Meu pai não esconde seu contentamento, mas seu tom não passa despercebido para mim.
— Então agradeça ao Edward, pai. Ele foi quem abriu os meus olhos e me fez decidir. – Eu digo voltando a olhar para o meu pai. – Se ele não tivesse conversado comigo semana passada, eu, com certeza, teria decidido ficar em Seattle.
— Bells...
— Pai, preciso que entenda: Eu e Edward nos amamos e vamos ficar juntos. Me separar dele não é uma coisa que quero fazer. Só de pensar nisso, me machuca muito. Mas ele me apoiou em qualquer decisão que eu tomasse e garantiu que permaneceria do meu lado em qualquer decisão. – Eu digo e recebo um carinho do meu amado. – Coisa que vocês dois não estavam muito dispostos a fazer se eu decidisse não ir para Califórnia. Era para ficar perto de vocês também que eu queria ficar aqui. Para não me afastar de vocês num momento tão delicado.
— Bella, a única coisa que queremos é que você faça as escolhas certas para você. – Meu pai rebate e eu solto uma risada sem humor.
— E no caso, Edward é uma escolha errada para mim, né? – Eu digo e sinto um leve aperto de Edward em minha mão. Sei que ele está me pedindo para não ir por este caminho, mas preciso resolver essa situação com meu pai de uma vez por todas.
— Bella... – Edward diz suave
— Hein, pai? – Eu insisto, mantendo o olhar em meu pai.
— Todos nós sabemos que não é a melhor escolha no momento. – Charlie diz por fim e eu solto o ar que prendia, tão incrédula com sua admissão que recuo um pouco.
— Não temos nada contra você, Edward. — Minha mãe intervém, pacificadora. – Mas somos os pais de Bella, não podemos simplesmente não nos preocuparmos com toda essa situação de vocês.
— Eu sei, Sra Swan. – Edward diz calmo, o que me faz olhar para ele automaticamente – Eu não sou pai ainda, mas consigo imaginar e respeito toda a preocupação que deve passar na cabeça de vocês. – Ele me olha com carinho. – Eu e Bella nos amamos muito, é algo fora do nosso controle, mas somos muito conscientes também de que não é algo simples. Eu sou adulto, ela ainda é adolescente, pelo menos perante a lei. Eu jamais me permitiria prejudicar a vida de Bella de alguma forma, seja pessoal ou profissional. Eu disse a ela e repito aos senhores: a escolha é somente dela, eu nunca interferiria em algo tão importante. Apenas garanti a ela que para onde ela fosse, eu estarei com ela o tempo todo que ela me quiser.
— Ficamos felizes em saber disso – Minha mãe diz.
— O engraçado é que ninguém leva em conta o fato de que a decisão é minha. E se eu decidir mudar algo em minha vida é porque eu quero! – Eu digo exasperada. – Vocês me criaram para ser assim, e agora que eu sou quem eu sou, querem que eu seja diferente?
Um silêncio rápido recai na sala enquanto meus pais se entreolham.
— Bom, o que importa é que você vai para Califórnia, o que significa que você entendeu que nada pode ser mais importante para você do que a sua formação. – Charlie diz por fim. Nessa hora uma ideia me ocorre.
— O senhor acha que eu e Edward vamos terminar por que eu vou embora? – Eu pergunto devagar.
— Vocês são inteligentes o suficiente para saber que isso não vai funcionar a distância. – Ele fala simplesmente apontando para nossas mãos entrelaçadas.
— Charlie... – Minha mãe começa a falar em tom de repreensão
— Sinto muito frustrá-lo, mas isso não vai acontecer, Sr Swan. – Edward se pronuncia. Eu o encaro admirada pelo seu tom, apesar de ainda ser gentil, agora ser mais intenso. – Como eu disse, garanti a Bella que ficaria do lado dela para onde ela fosse e é isso que pretendo fazer.
— Nada disso! Minha filha deverá ficar focada em aprender e passar nas disciplinas e não ficar se consumindo se o namorado está ou não a traindo neste tempo. – Charlie se pronuncia e sua fala me assusta.
— Charlie!
— Pai!
— Não vou me ofender porque entendo a sua preocupação, Sr Swan, mas te garanto que isso não vai acontecer. – Edward diz sério. – Até porque pretendo fazer companhia a Bella na Califórnia em breve.
Sei que minha boca se abre em um ‘o’ perfeito quando o encaro.
— Como assim, Edward? – Minha mãe verbaliza a pergunta primeiro.
— Estou finalizando o projeto ao qual estou comprometido aqui em Seattle. Recebi algumas propostas de trabalho na Califórnia, inclusive de sociedade empresarial. – Edward diz e me olha – Ainda não havia dividido nada com você, gatinha, porque não queria tirar o seu foco em sua decisão. Além do mais, estou esperando a nova bateria de exames que minha mãe está para fazer para poder me decidir de fato. – Edward se explica para mim e volta a encarar meus pais. – Bella fará 18 anos em setembro e então poderemos viver nosso relacionamento tranquilamente em qualquer lugar.
— Hum, então você vai mudar toda a sua vida por causa dela? – Meu pai pergunta cético. – Pelo que eu tinha entendido você viria assumir responsabilidades na empresa da família, vai jogar tudo para o ar?
— Não senhor! – Edward responde – Em nenhum momento assumir cargos na empresa estava em meus planos. Esse é o desejo de meu pai, mas ele sabe o que penso a respeito. Tenho seguido minhas próprias escolhas profissionais desde que me formei e pretendo continuar dessa forma. – Edward me olha com carinho – Mas, é claro que, agora, vou valorizar mais as oportunidades que me deixarem o mais próximo possível de Bella.
Eu sorrio para ele, feliz em saber o quanto Edward está disposto a fazer para continuarmos juntos. Ah céus! Como eu o amo!
— Bom, parece que vocês têm tudo sob controle então. – Charlie diz – Eu realmente espero que nada disso prejudique o mínimo que seja a formação de Bella. Mas, como você disse, você é adulto, Bella será adulta em menos de 2 meses. Eu realmente espero que dê tudo certo.
— Obrigado Sr Swan! – Edward diz.
— Obrigada pai. – Eu digo por fim.
— Bom, eu acho que já está na hora de descansarmos. Principalmente você, Charlie – Minha mãe diz – Já abusou demais por hoje.
Meu pai se ergue então, e com a ajuda de minha mãe eles começam a sair da sala após nos desejar boa noite. A sós, eu me volto para Edward.
— Eu estou tão feliz que as coisas estão se encaixando – Eu digo para ele, me aconchegando em seu peito.
— Eu também, gatinha. — Ele diz beijando meus cabelos — Eu também.
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