Oikawa, 40 graus
2 Capítulo II
Notas iniciais
Mais um sábado de Sol se inicia. Trabalhadores saindo de casa para garantir o pão de cada dia, estudantes ficando de bobeira e os crossfiteiros gritando na academia abaixo do apartamento de Oikawa. Ele estava sentado na cozinha, tomando calmamente seu desjejum. Podia ouvir Yuu no banheiro e Suga se arrumando no quarto. Iriam trabalhar alegres – ou pelo menos tentavam – com a certeza de uma folga no dia seguinte.
A cozinha era simples, um fogão de cinco bocas próximo a pia e a geladeira ao seu lado direito. O piso em cor cinza, a mesa redonda no meio do cômodo com a toalha branca com flores nas pontas; dava ao ambiente um toque simples, porém agradável. Tinha também alguns quadros na parede, ideia de Yuu. A cortina foi escolhida por Suga. Tudo no apartamento deles tinha um toque de cada um.
— Bom dia! — Yuu cumprimentou pegando um copo no armário.
— Bom dia, Yuu-chan — apelido de infância que Oikawa lhe dera. — Você está muito perfumado para essa hora do dia, não acha?
— Você já está soltando veneno a essa hora? — Suga debochou enquanto beijava a cabeça de Noya que já estava sentado se servindo de pão e requeijão.
— Ele toma banho de perfume antes das 10 horas da manhã, você quer que eu diga o quê? — argumentou.
— Eu gosto de estar cheiroso, ainda mais com o calor infernal dessa cidade. Quem sabe que tipo de oportunidade eu posso ter? — Noya deu de ombros.
— Oportunidade com um bahiano tímido que vende chocolate? — Suga riu.
— Se ele deixar eu pousar meu avião naquela pista, olha, eu caso! — Yuu falou em tom sonhador enquanto mordiscava seu pão. — E o cara que você falou ontem no grupo? — Direcionou seu olhar para Tooru.
— Yuu-chan, se eu pego um cara daquele... nem a maior mágica de Hogwarts me tira de cima! — comentou, sorrindo. — Eu vou passar lá hoje, na hora de almoço.
— Você só vai aparecer lá? — Suga questionou — E vai dizer o quê?
— Eu vou lá fazer o cartão da loja, no resto eu dou um jeito...
— Você não estava com o nome sujo? — Yuu indagou com um sorriso faceiro.
— Eles me ofereceram uma boa proposta, eu paguei com o décimo terceiro — disse de forma simples.
Continuaram a comer e conversar. Eles se conheciam desde sempre então não tinham segredos nem pudores. Resolveram morar juntos desde que os pais Yuu faleceram e os de Suga se recusaram a aceitar sua orientação sexual. Dividiam o apartamento que era da irmã de Oikawa, ela os deixou viverem lá desde que cuidassem de tudo e pagassem IPTU e condomínio. Ela havia ido morar em outro estado, já que seu marido era militar.
— É melhor eu ir terminar de me arrumar — Oikawa reclamou — eu não aguento mais ser pobre e ter que trabalhar!
— Nem me fale — Yuu resmungou — eu não vejo a hora de terminar aquele estágio e a faculdade e ir trabalhar na minha área. Sério, tem cliente que é tão babaca! — suspirou, irritado. — Trabalhar em local que basicamente só homem vai é foda!
Yuu e Suga também trabalhavam no shopping com Oikawa. Noya estava terminando a faculdade de Educação Física, que Tooru dizia ser um milagre ele conseguir chegar até o fim.
— Pois é, amadas — Suga murmurou enquanto levava as louças para a pia — mais um dia que não descobrimos ser princesas de Genovia. Força, ícones!
— Eu nem precisava ser princesa! — Yuu resmungou saindo da cozinha. — Eu podia ganhar na mega-sena ou algo assim!
— É mais fácil ganhar dinheiro através de processo. Qualquer dia desse eu me jogo da escada do estoque da loja, preciso de um atestado para relaxar. — Tooru foi em direção ao seu quarto.
— Ryuu me disse que se jogar shampoo no olho dá para pegar uns cinco dias — Yuu comentou enquanto voltava para o banheiro com intenção de escovar os dentes. — ele me disse que é tipo conjuntivite.
— Parem com isso! Emprego tá difícil, sabiam? — Suga era sempre a voz da razão na residência. — Por falar nisso, vou sair hoje à noite. Não me esperem... — comentou com voz maliciosa enquanto terminava de guardar a louça.
— Aposto que é motel. Acertei? — Oikawa voltava para a cozinha, mas parou em frente a porta do banheiro encarando Yuu de forma horrorizada.
O banheiro ficava de frente para a sala, que por sua vez era conjugada com a cozinha. Tinha uma sacada que era tomada de plantas – cortesia de Sugawara –, segundo ele, davam uma boa energia ao ambiente. Tinham um videogame também, mas Yuu o comprara, os demais quase não usavam.
— O que foi? — Noya o olhou confuso.
— O que é isso no seu pé?
Koushi os olhava da cozinha já rindo da situação.
— Tênis?
— Meu deus, Yuu-chan! Isso é um atentado terrorista! Você coloca um mizuno e camisa polo do Flamengo para trabalhar?! Koushi, olha isso! — Oikawa era exaltado em alguns momentos.
— Você sabe que essa camisa é meu uniforme, não é? E o que tem esse tênis? É confortável! Pretinho básico que combina com tudo!
— Eu devo ter tacado pedra na cruz para escutar um absurdo desses! — Lamentou o mais alto.
— Deixa de ser histérico, Tooru — riu Yuu. — Meu look combina totalmente com meu estilo — vangloriou-se.
— Se você tivesse ficado mais tempo na barriga da sua mãe, você tinha nascido hetero. — Suga debochou, enquanto Tooru gargalhava. — Daqui a pouco vai dizer que usa malbec-
— Qual o problema com o malbec? — Yuu interrompeu na defensiva, com os braços cruzados na altura do peito. — Asahi gosta do meu perfume!
— Asahi gosta de tudo em você, besta. — Koushi apontou o óbvio. — Você que ainda tá enrolando para laçar ele de vez...
— Ele é tímido! Eu preciso ir com calma. — Até o tom dele mudava quando falava de sua paixonite do trabalho. — E pra você é fácil falar! Você já namora com o Daichi há anos!
A discussão durou até os três saírem para trabalhar. A vida não é fácil, mas tendo bons amigos, tudo fica melhor. Indo para seu martírio diário – conhecido também como emprego –, planejava como conseguir o telefone de Hajime, seu muso da Renner. Oikawa costumava ter o que queria.
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