Ohana
13 Novos Horizontes
Notas iniciais
No fundo todo mundo adora aquela sensação deliciosa de estar acima de tudo e de todos, mandando e desmandando, sendo superior.
Menos Karin.
Karin nunca teve uma ideia do que poderia ser isso.
Sendo filha da mais rígida das irmãs Uzumaki, Karin cresceu sendo bastante solícita.
Quando descobriu-se apaixonada pelo inusitado Suigetsu Hozuki, fez o máximo para estar perto dele e assim entrou para a redação do jornal da escola, da qual Suigetsu era o chefe.
Inteligente, Karin alavancou a popularidade do jornaleco — que servia apenas para informar sobre as refeições e eventos esportivos — ao inserir uma coluna sobre fofocas de corredor e a iniciativa bombou. Logo, todos os alunos corriam para saber sobre a vida uns dos outros, ávidos por uma boa fofoca sobre pessoas que mal conheciam. Karin cobriu de perto o escândalo sobre Elouisie Blanchard, Jay Murphy e Connie Saunders.
Bem, o fato de Karin ser totalmente parcial e manter uma fidelidade à Sakura, causou ira em Connie. Não que a Uzumaki se importasse, é claro. A questão é que isso colaborou para a ascensão do jornal e um novo passo: a criação de um portal na internet que pudesse abranger mais do que as matérias escolares. A sugestão sutil da ruiva cresceu e formou raízes, o fato de que o dinheiro gasto com a impressão do jornal seria poupado e utilizado em outras atividades fez com que o diretor Orochimaru apoiasse a ideia; Elouisie, líder da equipe de surfe e presidente do grêmio estudantil e do conselho de atividades extracurriculares, aderiu a ideia e induziu outros alunos a aderirem também. E assim, o jornal Instituto Konoha Hoje morreu para dar lugar ao portal The Wave, com alta participação dos alunos e com uma renda fixa oferecida com parceria de anunciantes. Mas ela nunca ficou com os créditos por tal engajamento. Suigetsu era o administrador, o cabeça, portanto o resto do mundo — e com um incentivo do próprio Hozuki — acreditava que ele era o mentor de tal maravilha estudantil e para Karin estava okay, se para Suigetsu estivesse okay.
E isso era o tipo de coisa que enlouquecia Sakura, Tenten e Hinata. As três protestavam o suficiente para Karin ficar de orelhas vermelhas. Quase cogitou parar de se exercitar com as meninas por um dos cais de Honolulu, as amava, mas odiava que elas não entendessem seus sentimentos. A única que a apoiava era Ino, sempre dizendo que uma bruxa egoísta como a Testuda jamais compreenderia uma abnegação em nome do amor. Sakura sempre retrucava que as duas podiam dar as mãos e seguir viagem até a ilha dos trouxas.
Contudo, a menina de cabelos escarlates decidiu que isso era passado, que agora ela era mais do que toda essa baboseira. Jamais deixaria que um imbecil como Suigetsu a desvalorizasse outra vez. Karin seria a maior.
Decidiu que só para começar, iria passar pelo maior clichê adolescente moderno: uma mudança de visual. Claro que diferente dos filmes, ela não tinha como pagar por roupas novas, então foi para a internet aprender a dar uma levantada no visual com o que tinha em casa mesmo. Depois, só para radicalizar de vez, cortou os cabelos. Não uma aparada nas pontas qualquer, mas um sidecut estilizado. Desnecessário dizer que passou o dia inteiro ouvindo praguejamentos de sua mãe, mas valia a pena, com certeza! Ao enviar uma foto para as meninas ouviu um grande "WHOA" seguido de um "Você é meu novo Jesus ruivo agora!" de Elouisie, um "Uau!" de Tenten, um "Você está realmente bonita, Karin, fico feliz que queira mudar, se isso te faz feliz." de Hinata e um "É a pior tragédia capilar desde o fogo no cabelo do Michael Jackson naquele comercial da Pepsi." de Ino. Sakura pontuou a conversa com um "Ignore a Suína que não sabe de nada." E Karin ficou confiante. O dia seguinte seria perfeito.
***
Chegou à redação do The Wave às oito e meia. Ficou fazendo média até a chegada do seu entrevistado, entretanto quem chegou antes do previsto, para um preguiçoso assumido, foi Suigetsu. Primeiramente, passou por ela sem notar nada, dando um bom dia rápido e mexendo na papeladada da sua mesa. Até que sentiu algo fora do normal e encarou a jovem.
— Karin?!
Pobre tolo embasbacado, o tal Suigetsu.
— Olá, Suigetsu. Suigetsu nem conseguia fixar a imagem da adorável Karin naquela jovem de ankle boots, saia de vinil preta, suéter
vermelho e batom matte combinando com os cabelos. A
armação dos óculos estava bem mais delicada, deixando as lentes livres. E o cabelo? Absolutamente inusitado para a recatada Karin Uzumaki. Ela estava... Simplesmente... Ele não sabia dizer.
Diabo! Ah, sim! Diabo! Literalmente o diabo de vermelho.
— O que deu em você?
O semblante da garota fechou-se.
— Por que haveria de me dar algo?
— Não, não é nada — se ela esperava um elogio, que esquecesse, voltou-se aos seus afazeres.
Karin sequer pareceu importar-se com isso.
Suigetsu não conseguiu suportar muito, virou-se para ela:
— O que vai fazer hoje?
Karin quase pensou que ele estivesse a chamando para sair, mas percebeu que era sobre trabalho: — Vou entrevistar um aluno novato.
— Por que um novato
seria interessante para o blog?
— Ele é uma espécie de prodígio ou qualquer coisa assim.
— Que seja. Depois da entrevista com a megera cor de rosa ter rendido bastante, você poderia entrevistar um golfinho e estaria tudo bem.
— Já falei para não insultar a Elouisie, S-u-i-g-e-t-s-u — Karin foi sombria.
— Tudo bem! Eu hein! — o garoto de cabelos liláses quase não podia acreditar na atitude da Uzumaki, mas nem teve tempo de questionar nada, ouviu uma batida na porta. Karin levantou animada até demais e atendeu a porta:
— Olá!
— Oi... Me desculpe o atraso, eu...
— Não tem problema, já é bom saber que você veio — ela retrucou com a voz uma oitava mais aguda. Suigetsu encarou o garoto alto,estoico, com traços levemente asiáticos, cabelos negros e olhos tão negros quanto, profundos e analíticos. Parecia o tipo de pessoa que formava uma opinião sobre qualquer coisa, mesmo as insignificantes.
O tal prodígio sentou-se em uma cadeira que Karin puxou próxima demais de si mesma para o seu próprio bem e ambos o ignoraram até que o Tubarão pigarreou. Karin olhou-o sem dar uma verdadeira importância e sorriu coquete.
— Ah, sim! Suigetsu, esse — apoiou uma mão no ombro do cara de forma íntima e nojenta, na concepção do Hozuki — é Sai Maeda, novo aluno do Instituto.
Com um sorrisinho fingido no rosto, Sai estendeu a mão para o Hozuki e Suigetsu decidiu que o odiava.
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