Oh, cidade, oh, mundo
1 Oh, cidade, oh, mundo.
Oh, cara cidade, cidade da minha ascendência. Sou seu filho, porém eu escolho te presentear com minha ausência. Conheço suas ruas, cada demônio e Anjo que lutam numa luta eterna, e que percorrem suas ruas cinzentas. Seus cidadãos errantes, oh, cidade maldita. Dó tenho dos pequeninos que aí vivem e apoio a gente que longe de ti habita.
Percorro seus rios negros, observo árvores secas e pássaros rocos cantando seus pios. Grama cinzenta se revela à meia noite, e ao amanhecer, árvores caem com seu pesado e eólico açoite. Seus cidadãos são pó aos meus olhos, pois chama-se Mundo este lugar. Nasci nele, porém decidi me santificar.
Como se diz aqui: abandonai a felicidade os que aqui entram, pois suas vozes são caladas pelos males que os atormentam, nada antes disso foi feito, salvo coisas eternas, que nem o tempo pode destruir. Pois sombras dormem aqui, como gatos se aninha entre seus cantos, e salvo a autoridade dos Anjos, a luz não iluminava ali. Mundo é como se chama, e mundanos são seus habitantes. E os que não buscam a luz e a santificação andam errantes.
Houve um tempo, há muito tempo atrás, em que esta cidade fora bela, porém destruída foi pelo que seu povo faz. Não tenho pena de ti, oh cidade, tu que insistes em se acabar, porque enquanto queima por causa de seus inúmeros pecados, eu procuro me salvar.
Fale com o autor