Oh Sweet Birthday

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Bem, como eu disse no Disclaimer, a personalidade do garoto é minha, então resolvi postar aqui como história original. Nicholas é Kian Lawley por curiosidade ;) Logo mais eu posto outra one shot, como continuação dessa ♥

Oh Sweet Birthday

Capítulo Único

Written by Rocker

Tédio.

Isso era o que resumia meu dia até aquele momento. Participar de festas infantis nunca foi meu conceito de diversão preferido. Ainda mais quando era da minha própria irmã. Ou seja, nos únicos momentos em que o tédio poderia ir embora eram quando minha mãe me chamava para ajudá-la com alguma coisa. Entre perder meu tempo mexendo aleatoriamente em meu celular e correr atrás de pirralhos que não conseguiam ficar parados um minuto inteiro eu preferia estar na casa de praia de Sarah. Sarah era minha melhor amiga desde a infância, pois nossas mães eram amigas desde a faculdade. Clichê, mas era bom ter uma amiga pela vida toda. Uma amiga que, neste momento, não estava junto comigo na festa de quatro anos de Julie.

— Audrey! — ouvi a voz da minha mãe me chamando mais uma vez. Tentei ignorar e fingir que eu não havia escutado, mas eu sabia que ela não desistiria tão fácil. — Venha até aqui!

Bufei, irritada, e bloqueei meu celular. Levantei-me da minha poltrona na sala e fui em direção à porta dos fundos. O quintal parecia estar um inferno, com quase quinze pirralhos correndo de um lado ao outro e enlouquecendo os sete adultos que se responsabilizaram por eles. Minha mãe estava no centro, segurando um bandeja de doces para o alto para que três meninos pentelhos não pegassem.

— Filha, pode me dar uma ajuda aqui? — ela me olhou com certo desespero no olhar.

Eu ri de leve de sua situação e fui em sua direção.

— Soldados, sentido! — exclamei para os garotos, que reconheci sendo Aaron, Leo e Harry.

Eles logo se ajeitaram em fila na minha frente. Apesar de eu não gostar muito de cuidar de crianças, os amigos de Julie sempre me respeitaram e pareciam me adorar.

— Posso saber o que meus soldados estão fazendo pulando em cima de uma civil?! — exclamei, segurando-me para não rir de três garotos de cinco anos com postura militar.

— A gente só quer doce, tia Audy. — respondeu Harry, olhando-me com seus olhos verdes arregalados. Ele ainda não sabia ainda pronunciar meu nome muito bem, mas eu não me importava. — Quer dizer, senhora.

— Vamos com calma, então, meninos. — eu disse, virando-me para minha mãe atrás de mim e pegando três docinhos da bandeja. — Peçam com educação da próxima vez e vocês vão conseguir quantos vocês quiserem. — completei, deixando um doce na mão de cada um deles antes de empurrá-los de leve em direção à concentração de crianças não muito longe dali. — Agora podem ir brincar, soldados, mas cuidado para não se machucarem.

— Você é boa com crianças, filha. — disse minha mãe ainda atrás de mim.

Revirei os olhos, mas acabei abrindo um sorriso.

— Nem começa, mãe, só tenho dezoito ainda!

— Mas eu não reclamaria se você tivesse um filho com Nicholas daqui alguns anos. — ela disse antes de dar meia volta e ir servir outros convidados.

Um arrepio atravessou meu corpo ao ouvir o nome de Nick. Uma tristeza imensa me tomou também. Lembrar dele me trazia uma nostalgia imensa e eu não queria aquilo, não naquele momento — mas eu sabia que não poderia fugir dele para sempre. Mais cedo ou mais tarde nós teríamos que nos encarar e eu seria obrigada a dizer-lhe porque o estivera evitando nos últimos dias.

Ignorei minha linha de pensamento quando ouvi meu celular tocando. Os acordes de She's Kinda Hot indicavam quem ligava e eu nem precisei ver o visor para saber que era Sarah. Atendi imediatamente.

— O que foi, traíra? — perguntei.

— Eita, calma, Audrey!— Sarah apressou-se em dizer.

— Não mandei você me abandonar para ir para a casa de praia. — acusei-lhe, sem estar realmente com raiva.

— Mas como está a festa da Ju?— ela perguntou, desconversando.

— Fora eu estar confusa entre tédio e acudir minha mãe com as crianças, acho que está indo bem. — respondi, entrando novamente em casa para conseguir ouvi-la melhor.

— E o... — ela começou, parecendo hesitar. — Nicholas?

Engoli em seco. — O que tem ele?

Não queria ter perguntado aquilo, pois sabia que eu poderia não agradar da resposta.

— Sabe que ele vai, não sabe?

Arregalei os olhos com tal suposição.

— A irmã dele é amiga de Julie, se você não se lembra.— Sarah explicou. — E sua mãe fez questão de chamar o Nick também.

— ELA FEZ O QUE?!

Sarah não teve oportunidade de responder-me, pois a campainha tocou alta por toda a casa.

— Ele chegou, não é?!— ela disse, rindo do outro lado da linha. — Nem responde, você me liga depois para me falar o que resolveram.

E Sarah simplesmente desligou na minha cara.

Engoli em seco enquanto guardava o celular de volta no bolso da calça. Minha mãe apareceu no portal da cozinha com um sorriso maroto nos lábios.

— Atenda, Audrey, são mais convidados.

— Você armou isso, não é?! — resmunguei tal acusação, caminhando até a porta.

Minha mãe deu de ombros, rindo, e voltou para a cozinha. Respirei fundo, preparando-me emocionalmente para o que viria a seguir. Abri a porta da frente e dei de cara com Nicholas e sua irmã Isabelle. Meu coração acelerou sem ter pedido permissão e eu senti minha respiração irregular apenas com aqueles olhos negros me olhando intensamente. Nick observou meu rosto com o carinho ao que eu estava acostumada e eu estremeci.

— Oi, Little A. — Nicholas me cumprimentou, abrindo o sorriso torto que sempre me deixou com as pernas bambas. Ainda mais falando meu apelido que apenas ele tinha o direito de falar.

— Nick. — abri um sorriso fraco antes de me virar para a garotinha morena. — Oi, Bell. Dá um beijinho aqui. — abaixei-me e Isabelle sorriu, dando um beijo em minha bochecha. Nicholas observava toda a cena com um sorriso sincero nos lábios. — Agora pode ir, Julie está lá fora com os outros.

Isabelle, sendo a menina tímida de sempre, apenas sorriu para mim antes de correr para dentro. Levantei-me, já sentindo o corpo tenso pela presença de Nick.

— Precisamos conversar. — disse ele, com o tom de voz firme.

— Venha comigo. — disse, seguindo até o corredor vazio.

Parei de frente para ele e esperei que se pronunciasse.

Nick suspirou antes de finalmente fazer a pergunta que eu sabia que não poderia escapar.

— Por que tem me evitado?

Abaixei o rosto. — Não quero sair machucada do que quer que nós temos.

— Hey, olha para mim. — ele pediu, e quando percebeu que eu não o faria, segurou meu rosto e o levantou no intuito de que eu olhasse diretamente em seus olhos. — Por que acha que eu a magoaria?

Soltei meu rosto de sua mão, pois não aguentaria olhar em seus olhos enquanto as palavras saiam por meus lábios.

— Andrea veio conversar comigo há alguns dias. — disse em voz baixa e com um nó na garganta. Andrea era a ex namorada dele que parecia tentar voltar com ele. — Ela falou muitas coisas e no fim disse que você iria quebrar meu coração.

— E você acreditou? — seu tom de voz parecia devastado.

Dei de ombros, ainda com a cabeça baixa.

— Já fui magoada demais para arriscar mais uma vez.

Alguns segundos de silêncio resultaram em um abraço repentino. Nicholas enterrou o rosto na curva de meu pescoço coberto pelos cabelos negros e cacheados. Uma de suas mãos envolvia minha cintura, enquanto a outra segurava carinhosamente minha nuca. Eu perdia o controle sobre meu corpo apenas com a proximidade dele.

— Eu te juro, Little A, que jamais a faria chorar. — o sussurro contra meu ouvido fez-me arrepiar e senti-o sorrindo. — Me deixa te fazer feliz.

Eu não tinha muito o que pensar. Eu sabia que jamais seria feliz se não estivesse ao lado dele.

— Sim, Nick.

Nicholas afastou-se de mim sorrindo. Foi questão de segundos até que seus lábios fossem pressionados contra os meus em um beijo inesquecível. Suas mãos puxavam meu quadril contra o seu, eliminando qualquer espaço existente entre nossos corpos. Sensações indescritíveis atravessavam meu corpo enquanto a língua dele guerreava com a minha. Meus dedos se enterraram nos fios de seu cabelo e sorri quando senti-o estremer contra meu corpo. Separei-me dele quando a falta de ar se tornou extrema.

— Prometo que não irá se arrepender. — ele sussurrou, apertando seu abraço e selando meus lábios demoradamente.

— Hey, vocês dois! — ouvimos alguém nos gritando e nos afastamos um pouco. Minha mãe estava no fim do corredor, sorrindo abertamente ao nos ver juntos. — Podem nos ajudar com as crianças?

— Já vamos, mãe! — disse a ela. Voltei-me para Nick, que me observava com um brilho no olhar. — Quer me ajudar a cuidar de alguns pirralhos?

— Por que não?

Nicholas entrelaçou nossos dedos enquanto íamos em direção ao quintal.

E todo o conceito de festa de aniversário infantil foi refeito em minha mente.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!