Oh, Romeo
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Treze. Treze dias foram suficientes para que vossa relação fosse real. Para alguns, tal número é mal quisto, agora ele é-me símbolo da sorte. Querido, você não percebe? Olhe ao teu redor, eu já pertencia-te no gracioso momento no qual tu viste a mim. Os doze dias subsequentes serviram, apenas, tal qual ratificação.
Você riu de minhas vestimentas limpas — limpas demais para estar em um beco, limpas demais para estar com você. Querido, eu já estava farta em demasia do que era limpo. Estava farta de mim. Quis sujar-me; aceitei teu jogo. O teu vocábulo composto por palavras de baixo calão parecia-me inexplicavelmente puro. Exteriorizar tais pensamentos faz-me constatar quão ilógico és.
Eu não fumava, querido, tão preocupadíssima que era para com meus pulmões... Não obstante, tampouco hesitei quando ofereceste-me uma tragada — em verdade, eu quis ser tragada por ti. As minhas mãos trêmulas denunciaram-me, não era hesitação, repito, era êxtase. É tudo tão rápido contigo, mal tive tempo para estranhar.
"Você foi a criança e adolescente perfeita, não foi? E quer cometer todos os erros agora."
Sim. Sim. O clichê sempre serviu-me tão bem, especialmente quando proclamado por tua voz rouca. Eu tinha tanto medo do erro, que vivia errada. Só conhecia minha zona de conforto, e o que lia, desesperadamente, sobre a realidade. Temerosíssima como era, encantei-me pelo teu paradoxo — você foi minha figura de linguagem predileta.
As minhas vestes já não estão como antes, o peso da tua jaqueta em meus ombros conforta-me, e a blusa que visto contém a estampa de uma banda desconhecida para mim, dias atrás, ao menos, posto que sempre escutamos-a em seu carro. Nada é como antes, e, meus deuses, sou absurdamente grata por tudo.
É maravilho quando dirigimos, sem rumo, sem propósito, sem compromisso. Sinto-me liberta, liberta de mim, a quem tanto aprisionei. Com você, é tudo mais fluído, as preocupações esvaem-se por completo — nem mesmo preocupo-me com o facto de dirigires embriagado. Talvez as drogas causaram-me danos cerebrais efectivos, eu espero que sim, apesar da improbabilidade, haja vista o tempo escasso... Na verdade, querido, eu já não lembro a data de hoje, você poderia me dizer? De qualquer forma, não me é mais necessário fazer uso da razão, não preciso agir como a incrível pessoa que fui criada para ser.
"Nenhum dos seus livros pode proporcionar isso."
Realmente, as palavras não proporcionavam-me Vida, você, entretanto, fez-me prova-lá e, de praxe, apresentou-me a dualidade da Morte. Nenhum filósofo, incluo os empiristas, preparou-me para essa realidade. E, quando disse-lhe isso, você riu. Riu e questionou-me sobre o tipo de pessoa que dedica horas de sua vida em livros, em teorias filósofas e afins, a perderem sua real vivacidade.
{Você foi o mais perto que eu cheguei de morrer}
A minha boca está pintada de vermelho sangue, diferentemente dos tons pacatos que eu costumava usar, mas você parece não se importar, pois reclama para si o que já lhe pertence — minha boca — com avidez. A borrar o contorno, antes meticuloso, e manchar tua pele alva. O gosto de álcool na tua língua é tão forte que me embriaga. Os meus dedos prendem-se nas ondas suaves de teu cabelo; não quero soltar-te.
Não tento tampar minha nudez, você já viu minha alma, afinal, qualquer barreira imposta por mim seria tolice. Ocorre que você destruiu minhas barreiras. Velocíssimo. Sinto a erecção crescente pressionar minha área pélvica. Não há delicadeza no acto. Não há delicadeza em nós. À medida que as investidas aumentam, as molas do colchão fino doem-me as costelas. Mas não há incômodo, não mais.
"Eu não te amo, bem sabes."
Eu o sei, querido, a recíproca é verdadeira. Amo o que você me proporciona. Amo Romeo, é assim que minha mente lhe chama, sabia? Uma vez que não sei seu nome, tampouco desejo sabe-lô. Mas é-me axioma indelével que morrerei por você. Morro-me por Romeo. Os seus lábios podem matar-me em qualquer lugar, é facto.
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