Oh My My My
1 She said...
Notas iniciais
Espero que gostem.
P.S: eu coloquei somente a tradução, se alguém quiser olhar a letra original, pode procurar. Achei que seria mais prático colocar somente a tradução. Também cortei algumas partes da música que não fariam muito sentido na fic.
Tony estava sozinho em seu quarto. Era onde ele gostava de ficar depois que ela se fora.
Seus amigos haviam retornado a Bristol e lhe ofereciam companhia, mas ele preferia estar sozinho. Às vezes falava com Sid, seu melhor amigo, mas era difícil manter o foco da conversa desde que sua irmãzinha se fora.
Tony deixou o rádio ligado baixinho e deitou na cama. Ficou apenas observando o teto, com o pensamento viajando longe.
Quase adormeceu, mas algo chamou sua atenção. Era uma música. Começou suave e então a voz da moça apareceu. E era muito bonita.
A letra também era bonita, o fazia pensar em Effy, mesmo que não devesse:
"Ela disse: eu tinha sete e você tinha nove
Eu olhei pra você como as estrelas que brilhavam
No céu, as lindas luzes"
Lembranças invadiram a cabeça de Tony. Seus pensamentos o levaram para o dia em que ele e Effy estavam brincando na calçada. Ainda eram pequenos.
Effy o empurrou para o chão e riu. Depois deitou-se ao seu lado. Ela olhou em seus olhos e simplesmente sorriu. Ela não costumava conversar muito naquela época.
"E nossos pais costumavam brincar sobre nós dois
Crescendo e se apaixonando e nossas mães sorriam
E giravam seus olhos e diziam 'oh meu, meu, meu' "
Tony tentava não pensar nisso, não pensar nela desta forma. Tentava não pensar dela, de qualquer jeito. Mas ele não podia mais evitar. Precisava vê-la mais uma vez, mesmo que em sonhos e lembranças.
Ele fechou os olhos e se deixou levar.
"Traga-me de volta para a casa-da-árvore no quintal de trás
Dizia que você ia me bater, você era maior que eu
Você nunca bateu, você nunca bateu
Traga-me de volta para quando nosso mundo inteiro era apenas uma quadra
Eu te desafiei a me beijar e corri quando você tentou
Apenas duas crianças, eu e você...
Oh meu meu meu meu"
"Você é um medroso, Ton", ela debochou. Agora já eram um pouco maiores.
"O que disse? Eu não sou medroso coisa nenhuma, Pirralha", ele retrucou de mal humor.
"Ora, então prove", ela o encarou com cara de quem desafia.
"Eu não tenho de provar nada", ele resmungou.
Effy deu-lhe um peteleco no pulso. Ele se levantou.
"Você vai ver, Effy. Eu vou te bater... vou, sim. E se você contar para o papai...", Tony disse, deixando a última parte no ar.
Algumas semanas se passaram. Ele não a machucou.
"Viu? Você não me bateu", disse ela certo dia enquanto tomavam limonada na cozinha.
"E daí? Eu aprendi que é covardia machucar meninas. Principalmente se elas forem choronas", ele respondeu e lhe deu um sorriso.
"Então eu te desafio a outra coisa", disse ela. E aproximou o rosto do dele. "Me beije".
Era só um beijo. Mas ela era sua irmã. Mesmo que fossem crianças, ele podia entender que era errado. Mesmo assim, odiava ser chamado de medroso.
Aproximou o rosto do de Effy e quase selou os lábios, mas acabou beijando o ar. Effy já estava correndo no quintal.
"Eu tinha 16 quando de repente
Eu não era mais aquela garotinha que você costumava ver
Mas seu olhos ainda brilhavam como lindas luzes
E nossos pais costumavam brincar sobre nós dois
Eles nunca acreditaram que nós realmente poderiamos nos apaixonar
E nossas mães sorriam e giravam seus olhos
E diziam oh meu meu meu..."
Uma lágrima escorreu de seu olho. Era difícil lembrar de tudo isso sem demonstrar fraqueza.
As lembranças o carregaram para o dia em que ele observou Effy a se vestir. Ela estava crescida, estava diferente. Estava indo para uma festa. Lembrou de outros dias em que a vira totalmente diferente da criança que fora um dia. Ela estava maravilhosa, tão adulta... E ele estava apaixonado pela própria irmã, mesmo que não admitisse.
Ele lembrou da menina que ele deixou em Bristol. De quase chorar quando se despediu com um abraço e partiu para a faculdade.
"Traga-me de volta ao leito do riacho, onde estávamos
Duas da manhã dirigindo na sua caminhonete tudo que eu preciso é você perto de mim.
Traga-me de volta para a hora que nós tivemos nossa primeira briga.
O bater de portas ao invés de um beijo de boa noite.
Você ficou do lado de fora até amanhecer.
Oh meu meu meu meu."
Seus pensamentos se voltaram para dois anos atrás, nas férias da faculdade. Ele e Effy haviam brigado porque ele tinha ciúmes dos garotos que andavam com ela. Effy não entendia.
Ele se sentiu mal, ele pediu desculpas. Ele dormiu na varanda e foi acordado ao amanhecer com um abraço. Ele disse que a amava, ela disse que era errado. Mas ao fim, assumiu que também sentia algo por ele. Foi um dia feliz.
Tony fechou os olhos. A música falava sobre um casamento. Como ele queria ter fugido com Effy, vivido com ela por algum tempo, esquecido do resto do mundo... eles poderiam viver com Sid e Cassie, em Nova York... ou talvez pudessem ir para Londres. Ninguém os incomodaria.
"E estarei com 87; você estará com 89
Eu ainda olharei pra você como as estrelas que brilham
No céu, Oh meu meu meu..."
Eles poderiam viver assim, se tudo não fosse tão difícil. A cantora terminara a música, e ele continuava chorando, com os olhos fechados.
-Adeus, Effy Stonem — foi o que ele disse antes de cair no sono.
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