Oh, Calamity!
12 Capítulo Onze
Pov. Clarke Griffin
Não sei como agir uma parte minha quer cantar e dançar por toda Jaha de alegria. Minha noite com Bellamy foi incrível, só me magoa o fato dele não se lembrar, dele não gostar de mim a ponto de deixar seu orgulho de lado.
Não sei se o que estou sentindo é amor, a única coisa que consigo identificar é um estase alucinante, um estado de espírito que só é destruído pela frieza de Bellamy e a culpa. Olhar para Raven é a coisa mais difícil que tenho feito, mirá-la é como voltar anos no tempo, na vez em que nós duas fomos traídas e enganadas por Finn.
Durante toda a reunião, eu os evito, focada no que vim fazer, em convencê-los que nos ajudar é uma necessidade não uma opção. Me alegrando a maioria aceita minha proposta, apenas Bellamy e Raven foram contrários por motivos óbvios. Bellamy não quer me acompanhar até a Nação do Gelo, não sei se por minha causa ou se pelo povo que pouco conhece. Raven, por outro lado, parece realmente preocupada não sei se com a proximidade que eu e Bellamy vamos ser obrigados a ter ou com sua real segurança.
A reunião termina e eu me retiro da sala, nervosa demais para continuar dividindo o mesmo cômodo com os dois. O ar frio do outono me pega de surpresa, talvez os Grounders estejam realmente certos. A temperatura vem caindo de forma vertiginosa.
…
Já se passaram algumas horas e estou dialogando com dois dos soldados que me acompanharam na viagem a respeito do nosso retorno quando Raven entra.
— Podemos conversar?- A morena dia com um falso semblante de calma no rosto. Já tenho alguma ideia do que pode vir a ser essa discussão.
— Claro. — Os dois homens se retiram e eu a encaro por alguns segundos.
— Por que vai levá-lo? Sabe que não precisa arriscá-lo dessa maneira, ele já é seu, já era seu muito antes de eu me apaixonar por ele. Por que então arrancá-lo de mim ?
— Desculpe.
— Você o está levando para esse lugar distante onde ele pode muito bem morrer. Sei que quer ele pra você, consigo compreender isso, apesar de não gostar, mas porquê não o deixa seguro aqui.
— Ele não está seguro aqui, Raven. Nenhum de vocês está.
— Não tenho um bom pressentimento com essa viagem. Leva outra pessoa, algo me diz que ele não vai voltar.
— Não foi uma escolha minha sequer sabia que o Bellamy era o chefe de guarda. Não posso levar outra pessoa.
— Pois mude de planos então. Leva o Kane, a Abby, qualquer um. Bellamy não pode fazer essa viagem. Não se trata de ciúmes, é uma coisa que apenas sei, não posso suportar outro homem meu morto.
— Eu prometo a você protegê-lo com a minha vida. Nada de ruim vai acontecer a ele.
— Espero que cumpra essa promessa. Mas não morra tentando protegê-la. Isso o destruiria.
— Ele me odeia.
— Engraçado você ainda acreditar nisso depois do que aconteceu.
— Eu não… Me perdoe… Foi um erro.
— Não, não foi, por mais que vocês insistam em dizer isso. Ele gosta de você, melhor ele te ama loucamente por mais que não admita.
— Não tenho tanta certeza disso.
— Nos conversamos muito durante todo esse tempo, sabe? Sobre você, Finn, e no dia que Monty nos deu a notícia que você estava viva. Eu soube que meu tempo com ele estava contado. Gostaria de ter mais tempo, Bellamy é um homem incrível me fez muito feliz, ainda me faz. Eu queria que ainda houvesse uma chance de eu e ele darmos certos, mas como vou substituir uma peça que já está no seu lugar? E por mais que doa, a verdade é que se houvesse um jeito de Finn ainda estar vivo e ele estivesse aqui. Eu também abandonaria Bellamy.
— Bellamy te ama. Não vai te deixar para ficar comigo.
— Cuida dele tá? Traz ele de volta. Não me importo com quem ele vai ficar no final desde que esteja seguro.
…
É difícil ouvir tudo isso. Raven parece conformada demais, como se Bellamy já tivesse escolhido há muito tempo. O que não é verdade, sei que ele a ama. Não consigo acreditar que o moreno realmente sente isso por mim depois de tudo que já fiz. Talvez um dia tenha, mas minha partida com certeza foi o suficiente para desfazer esse sentimento. E Raven por sua vez tomou meu lugar.
Seu medo é completamente infundado, seu envolvimento comigo é simplesmente explicado como atração. Nunca pudemos estar juntos quando ele me amava e agora por curiosidade acabou dormindo comigo. E é só isso, em semanas ele estará de volta nos braços de Raven e eu vou ter um coração partido.
Mesmo sabendo que não devo vou até a casa de Octavia. Preciso avisar a Bellamy quando será nossa partida e o que ele precisa levar. Tenho certeza que a irmã dele não ficará feliz com a minha presença, mas o que posso fazer? Não é como se tivéssemos um outro meio de comunicar sem ser esse.
Quem abre a porta para meu azar é a própria, a morena sequer se importa em disfarçar seu desgosto.
— O que faz aqui? Veio seduzir meu irmão mais uma vez ? Ou buscá-lo para o abate?
— Bellamy está?- Pergunto ignorando todas as suas provocações, é perda de tempo tentar convencer Octavia do contrário.
— Para você: não…
— Você pode ,por favor, parar? Vim tratar das questões da partida. Nada como aquilo que você viu vai se repetir. Não é justo com Raven como você disse.
— Engraçado que ouvi alguns sussurros dizendo que já se repetiu…
— Não vai mais se repetir.
— Me perdoe se é difícil de acreditar. Se aqui na cara de Raven vocês não conseguem se controlar. Imagina sozinhos.
— Não é o que parece.
— Aham…
— Clarke? O que faz aqui?- Sou tomada por um alívio enorme quando escuto a voz de Bellamy.
— Vim lhe avisar que partimos amanhã cedo, mas fui interceptada pela sua irmã.
— Octavia sabe ser irritante quando quer. Mas o que você queria me dizer?
— Leve tudo que julgar necessário, mas não muito peso. Será uma longa viagem.
— Só isso?
— Só.
— Nos vemos amanhã então.- Confesso que fico um pouco decepcionada. Contar sobre isso é mais uma desculpa que qualquer outra coisa para ter a chance de falar com ele. De talvez perceber algo que a Raven enxerga entre nós dois, mas que eu apesar de me esforçar não percebo.
O resto do dia é de despedidas. Minha mãe passa horas comigo, pedindo que eu tome cuidado e volte o mais rápido possível pra ela e eu aceno mesmo sabendo que a grandes chances das coisas serem diferentes. Tudo é imprevisível durante uma guerra, promessas não são nada mais que palavras vazias.
A manhã do dia seguinte chega antes que eu perceba, assim que saio da Cabana dou de cara com Bellamy e os dois soldados me aguardando.
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