Oh, Calamity!

19 Capítulo Dezoito


Notas iniciais
Demorou, mas o capítulo está pronto. Espero que gostem.

Pov. Clarke Griffin

Os últimos dias tem sido extremamente dolorosos. Nosso plano falhou, apesar de já sabermos o que eles procuram, temos quatro dos nossos presos. Tudo por minha culpa. Fui tola e arrogante em acreditar que tinha tudo sobre controle. Bem, não tinha. Mandei aquela estúpida mensagem e agora meus amigos estão presos.

Do lado de fora havia uma escolta: seis soldados raivosos que particularmente nunca gostaram de mim. Integrantes da parte mais conservadora da Nação do Gelo que seriam capazes de prendê-los mesmo sem haver dúvida razoável.

Passo dia e noite tentando libertá-los, mas nada parece agradar Audrey. Nada do que ofereci até agora é o suficiente. Os conservadores nos querem fora de seu território, ataques isolados ao nosso povo acontecem e nós dois precisamos lidar com eles. Audrey ignora as exigências do próprio povo, nos mantêm ali alegando que somos mais necessários do que eles pensam. Por isso a sala é tão bem protegida, nem mesmo a Nação do Gelo sabe sobre a arma sendo desenvolvida em seu território.

Os métodos de Audrey são no mínimo malvados, mas inteligentes. A Comandante nos obriga ouvir os gritos dos nossos amigos: Raven, Octavia, Lincoln e Monty. Som difícil de esquecer ou ignorar. Isso destrói Bellamy que passa a madrugada seguinte chorando e repetindo o velho mantra: minha irmã minha responsabilidade; minha esposa minha responsabilidade.

Não poder soltá-los me excrucia por dentro numa dor tão profunda e latejante que me recorda Mount Weather. É como vivenciar tudo aquilo de novo e imagino que a sensação seja ainda pior para Bellamy, por isso não me surpreendo quando ele me conta o que pretende. Não que eu reaja bem a notícia. Na verdade meu desejo é matá-lo com as minhas próprias mãos. Minha mente não consegue entender como ele pode ser capaz de me fazer sofrer tanto de novo. Não posso perdê-lo é a única certeza que eu tenho.

Os pesadelos vêm com ainda mais frequência essa noite e sou obrigada a desistir de dormir. Saio do meu quarto mesmo sabendo que teria problemas se alguém descobrisse. Preciso ficar sozinha por um tempo.Passo o resto da madrugada tentando elaborar um plano bom o suficiente para convencer Bellamy a mudar de ideia.

Quando Nathan entra estou tão exausta e faminta que poderia enlouquecer e ele sabe disso. Me conhece muito bem.

— Hora de descansar, Clarke. Não há nada que você possa fazer por eles e você sabe disso- Nathan está perto demais, sei bem o que ele quer. Nunca foi do meu feitio negar uma distração como Nathan, mas não posso me dar esse luxo agora. A vida do Bellamy e dos meus amigos estão nas minhas mão, preciso encontrar uma maneira onde todos saíam vivos.

— Não posso parar.

— Tem certeza?- Nathan põe uma das suas mãos na minha nuca e a outra no meu rosto acariciando devagar.

— Vamos Clarke, não é tão difícil assim...- Seus lábios tocam os meus com sutileza e eu correspondo cansada demais para refletir sobre o que estou fazendo. Toco em seu braço com firmeza e sinto algo que não estava ali na última vez. Algo que se eu estiver certa pode ser exatamente o que eu preciso: uma escarificação.

Abro meus olhos procurando pelo o que senti:

— Você...? – Digo olhando para tatuagem sabendo que não posso completar meus pensamentos seria arriscado demais para nós dois.

— Sim. Pensei que você nunca fosse notar- Ele e Lexa , agora tudo faz sentido, o tempo fora em missão, as escapadas sem sentido, as desculpas esfarrapadas. Ele é um agente duplo, um espião pra Lexa. Sempre soube que ele não concordava com a visão da Audrey, porém nunca pensei que ele pudesse chegar tão longe.

Assim meu plano surge. Preciso da ajuda de Lexa. É a única maneira de salvá-los. Por mais que odeie ter que confiar nela de novo é nossa única opção e dessa vez temos algo muito mais precioso pra dar em troca: a vida do seu povo. Podemos garantir que a máquina não seja utilizada, Heda precisa de nós.

Através de Nathan entramos em contato e arquitetamos um plano que se bem-sucedido salvará a todos nós. Já tenho quase certeza de qual é a chave para acionar a máquina de terremotos, se estiver certa vou ter em minhas mãos o controle sobre as duas nações. Se ao menos pudesse perguntar a Raven ou a Octavia. O broche de Chanceler é a única coisa guardada com cuidado e zelo o suficiente de geração em geração. Tem que ser essa resposta.

Não conto nem a Bellamy sobre a minha suspeita ou sobre os detalhes do plano é perigoso demais. Não é em Bellamy que não confio, mas nas artimanhas de tortura que Audrey pode vir a utilizar.

Acaba sendo mais difícil do que eu imaginava, porém eu consigo libertar meu povo com a ajuda dos Grounders. Os Skaikru seguem com parte dos homens de Lexa a frente e eu fico pra tráz para resgatar Bellamy. Não que eu confie neles, se Nathan não estivesse junto, eu muito provavelmente não teria deixados- os ir, mas esse era o único modo.

Não seria seguro fazer com que eles esperassem. Resgatar Bellamy é a parte mais díficil do plano. Parte que por pouco Audrey quase nos impede de conseguir.Se um dos Grounders não a tivesse golpeado por trás eu provavelmente estaria presa e condenada ao mesmo destino que Bellamy.

Quando desamarro as cordas de Bellamy é como ouvir música. Quando atravesso a fronteira de mãos dadas com o Bellamy é como ouvir uma orquestra inteira e é fácil acreditar que somos capazes de derrotar qualquer coisa que surja adiante.

Caminhamos por cerca de um dia e como já esperava não somos recebidos cordialmente. Os soldados de Lexa que nos ajudaram na Nação do Gelo nos prendem em uma sala com todos os outros Skaikru. Não vejo ninguém com novas feridas. Muito pelo contrário tanto Raven quanto Octavia tem ataduras em seus ferimentos o que me tranquiliza. Nosso confinamento é apenas uma questão de prevenção.

Observo Bellamy correr até Raven e sinto inveja. Sei que disse que não me importava, mas sinceramente não sei se sou tão evoluída a esse ponto. Quero que ele seja feliz mais do que tudo, porém não sei se consigo assistir. Vendo o quanto eu poderia ser feliz se não tivesse sido tão tola em fugir...

— Wanheda, a Heda quer vê-la- Diz um soldado que acaba de entrar. Por algum motivo nenhum deles ousa abandonar o nome que eu recebi há anos atrás.

Notas finais
Reviews não se esqueçam e o próximo não vai demorar tanto!! Beijoo