Oh, Calamity!
21 Capítulo Vinte
Notas iniciais
Pov. Bellamy Blake
Os dias passam mais tranquilos do que imaginamos. Um mal presságio para o futuro acredito. Não sabemos nada de Audrey ainda, perdemos a vantagem que Nathan era para nós, pois é perigoso demais mandá-lo de volta.
Temos tentado nos preparar. Clarke gasta grande parte do tempo com Lexa armando as melhores defesas e ataques, mas tudo é relativo. Depende muito de como Audrey escolherá nos atacar.
Eu, por outro lado, sou o responsável direto do exército Skaikru. Estamos treinando todos os dias. Talvez não possamos vencer essa guerra, mas precisamos tentar. Não descemos da Arca a toa, sobreviveremos porque isso é o que fazemos de melhor.
Tento não pensar muito na escolha que preciso fazer. Encontro as duas todos os dias, todos os planos incluem as bombas e armadilhas da Raven, por sua vez é Clarke me passa todas as novidades de tática. Ou seja, preciso delas para conseguir trabalhar eficientemente.
Raven está novamente aqui na sessão de treinamento Skaikru, conversando com um dos soldados animadamente provavelmente sobre uma das suas novas criações. Conheço seu sorriso e rio junto. É bom vê-la feliz para variar...
— Ai... – digo ao receber um soco no lado esquerdo do rosto. – Por quê?- pergunto enquanto encaro Octavia. No que ela estava pensando?
— Pra provar um ponto. Eu nunca teria sido capaz de acertar esse soco se você estivesse atento. Para o que você tanto olhava?-ela diz e se vira vendo Raven.
— Octavia... — falo irritado.
— Pode se irritar comigo se quiser, mas eu tenho um ponto. Não é a primeira vez que você é atingido nos treinamentos em golpes básicos. Desse jeito você não irá sobreviver e sabe disso.
— Não é pra tanto. Na hora vai ser diferente.- digo sem ter tanta certeza do que falei
— Será, Bellamy? Eu não sei e você também não. Se não consegue se concentrar aqui...
— Octavia…
— Bellamy, você precisa tomar uma decisão e arcar com as consequências dela.
— Não é hora de magoar nenhuma das duas.
— Elas já estão magoadas, Bellamy. Quanto mais você espera pior. Dê as duas um fechamento.
— Não sei se estou pronto para me decidir...
— Talvez nunca esteja.
...
As lembranças dos meus melhores e piores momentos com as duas retornam. Preciso me decidir antes que isso me mate. Octavia está certa. Já não é a primeira vez que eu erro em ações básicas da minha rotina. Se errar algo assim numa batalha estou morto.
Não tenho tempo. Posso adiar para amanhã, mas pode ser tarde demais. Me afasto do meu exército deixando-o no comando de Miller. Na beira do rio eu tento listar as coisas boas de cada uma delas e como me sinto perto das duas.
Estar com Raven é como navegar em um mar tranquilo, nos entendemos, nos aceitamos pelo o que somos sem medo. Estar com Clarke, por outro lado, é completamente diferente meus sentimentos por ela são fortes e irracionais, de uma forma estranha nos completamos.
As duas tem defeitos, consigo listar pelo menos três falhas em cada uma, mas isso não me faz as amar menos. Pelo contrário, Raven desperta o Bellamy magoado, com ela eu sei que sempre estarei seguro que meu coração será bem cuidado e remendado se precisar. Consigo nos ver daqui há alguns anos com filhos: um menino e uma menina talvez. Sei que poderíamos ser felizes, mas sempre haveria um: e se?
Com Clarke não tenho essa mesma certeza, gostaria de confiar nela da mesma maneira que confio em Raven, porém não consigo. Amar Clarke é arriscado, um risco que não me importo de correr. Não sei como seria o nosso dia de amanhã, se formaríamos uma família, se continuaríamos com os Skaikru. Com Clarke é tudo uma grande incógnita, porém eu não me importo. Não me afligi não saber, me instiga na verdade.
A amo desde o dia que desci da Terra e continuo amando. A intensidade varia de acordo com o tempo, mas é sempre muito. Com Raven é constante, estar com ela foi sempre bom e saudável, mas não sei se seria agora. Não sei se seria justo, tudo com Clarke é mais intenso e quando penso nas duas me sinto culpado por já ter feito uma escolha há muito tempo mesmo não querendo admitir.
— Raven, me perdoe... — eu pronuncio baixo antes de me afastar a sua procura.
Quando a encontro ela está concentrada em mais um dos seus trabalhos. Não quero atrapalhá-la, por isso espero em silêncio em um canto até que ela me note.
— Bellamy! Ai que susto.
— Desculpa não quis te atrapalhar.
— O que é isso no seu olho? Você está bem?- a morena corre na minha direção e examina a ferida.
— Está tudo bem. Eu só me distraí numa das sessões de treinamento. Nada com que se preocupar-ela sorri até notar que não estou retribuindo.
— O que houve?
— Precisamos conversar -a observo enquanto digo isso, ela já sabe, seus olhos me miram com tristeza e eu não sei o que posso dizer para remediar o que acabei de fazer.
— Diga, Bellamy- seus olhos enchem de lágrimas, mas nenhuma cai. Imagino que ela não queira se mostrar fraca na minha frente
— Eu... Eu... te amo, Raven. Amo tudo o que passamos juntos, amo nossa amizade e como nossa relação era descomplicada. Amo como você me conhece como mais ninguém e como se dedicou nos últimos anos e peço perdão por não poder seguir adiante. Por estar fazendo essa escolha. Você é especial, Raven. – não sei exatamente quando, mas começo a chorar muito, como uma criança que perde um dos pais me sinto perdido, porém sei que estou fazendo o que é preciso- Não sei como teria sobrevivido sem você, sem nossa amizade e casamento. Você me salvou de mim mesmo e eu sempre serei grato por isso, mas não posso fingir que Clarke não voltou, não posso seguir nossa vida sabendo que ela está em outro lugar e que posso estar com ela se quiser. Nós poderíamos ter sido felizes, mas sempre haveria o fantasma dela. Desculpa por ter desperdiçado tantos anos da sua vida, espero que algum dia possa me perdoar e que encontre alguém que realmente a mereça.
— Bellamy... – Raven diz permitindo que algumas das lágrimas caiam. A abraço carinhosamente e a morena relaxa em meus ombros e ainda com o rosto escondido no meu pescoço fala:
— Você sempre vai ser especial pra mim, Bellamy. E eu sinceramente não sei se consigo me recuperar, não sei se consigo me envolver com outra pessoa depois disso- Puxo seu rosto e beijo sua testa gentilmente.
— Eu sei que consegue. Você é mais forte que eu. Sempre foi. Você vai redescobrir sua força.
— Eu espero- diz ela e se desvencilha de mim voltando para um dos seus projetos. Essa é a minha deixa para partir. Uma parte minha quer encontrar Clarke e contar a ela de uma vez, mas a outra acha que é melhor esperar. Ainda não é o momento certo.
O dia passa e eu sigo com a minha rotina. Volto ao cômodo que divido com alguns outros soldados na parte da noite, porém para minha surpresa é Clarke quem está lá me esperando.
— Alguma má notícia?
— Não sei. Diga me você- ela parece irritada, mas ao mesmo tempo feliz. Como se não soubesse como deveria estar se sentindo.
— Do que você está falando?- falo mesmo já imaginando do que deve se tratar.
— Eu tive uma conversa muito interessante com a Octavia.
— Você deveria ter descoberto por mim.
— Disso eu não posso discordar.
— Não gostou?
— Do que não gostei? Tudo que eu sei veio da boca da sua irmã, de um jeito que só me faz sentir culpada…
— Não quer ficar comigo, é isso? Você pode me dizer. Eu posso lidar com isso.
— Não, não pode e eu também não posso — Clarke se aproxima colocando suas mãos em volta do meu pescoço-já vivemos separados o suficiente. Eu só queria que você tivesse me contado.
— Eu ia te contar. Só estava esperando…
— O que?
— O momento certo.
— E quando seria isso?
— Agora- digo e a beijo com ternura e delicadeza. Como se fosse o primeiro seguro minha mão na sua nuca e redescubro sua boca. Depois seu pescoço, seu colo, sei que alguém pode chegar a qualquer momento, mas não consigo me importar. Já esperei tempo demais...
— O exército inimigo se aproxima!- diz um soldado desesperado nos avisando sem nem prestar atenção no que está acontecendo. Clarke e eu nos afastamos aflitos a hora enfim chegou. Só resta esperar que todos nós saiamos vivos.
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