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2 Capítulo II - All The Right Moves
Capítulo II — Catarina
Eu era louca.
Era a única explicação.
Girei o cartão entre meus dedos. “James Tanner Bowen” era o nome do meu futuro marido, seu escritório era no centro da cidade não muito longe de onde eu morava. Nunca fui muito de decisões impulsivas e irracionais. Sempre fiz o que quis na hora que quis e com quem desejasse fazer, mas não sem antes pensar sobre a situação. Entretanto lá eu estava. Noiva de um estranho.
Desespero é foda.
Eu havia saído do Brasil 10 anos atrás. Entrei em um programa de intercâmbio pago pela minha tia que cuidou de mim após a morte dos meus pais e morrera há um ano. Construí uma vida boa nos EUA. Frequentei uma boa universidade, consegui um bom emprego na revista Uprise* e ascendia para sócia rapidamente. Minha vida era praticamente o enredo de “O Diabo Veste Prada”. Sem a chefa vadia. E sexo com o cara de “The Mentalist” (infelizmente). Minha vida era em Nova Iorque e não no interior do Rio de Janeiro.
– Você é a minha única esperança James – Disse para o nada. Olhei o cartão atentamente e desviei meus olhos para o meu notebook. Se ele era esse advogado renomado como disse deveria ter algo sobre ele no Google, certo?
Enfiei o cartão no bolso da calça e peguei o notebook no colo.
– James Tanner Bowen – Digitei – Advogado – Pressionei o enter e uma multiplicidade de resultados apareceu. Até uma janelinha biográfica dele apareceu na lateral da página – Cara! Sou a única que não te conhece? – Pelo que eu absorvi e li, James era um advogado que ganhara renome bastante cedo e carregava um legado de Direito em sua família, e com poucos anos já havia feito jus ao seu sobrenome e superado seu pai – James Bowen e Lauren – Pressionei enter mordendo o lábio. Como resultado encontrei fotos de uma loira linda , de olhos azuis e corpo impecável ao lado de James. Extremamente linda e elegante. Eu sabia que era bonita, nunca duvidei e sempre usei isso ao meu favor, mas como a Susi pode competir com a Barbie?
O telefone tocou tirando-me dos meus pensamentos, olhei no visor e não era um número que eu conhecesse.
–Alô?
–Catarina eu preciso que venha aqui agora!
–James? – Perguntei – Aqui onde?
– Meu apartamento.
– Por quê? – Desconfiei.
– Temos um jantar com os meus pais.
– O quê? Como isso aconteceu?
– Eu comentei sobre o noivado com meu irmão Garrett, e ele quer me colocar a prova na frente dos meus pais.
– Seu irmão é um babaca! – Assim que saiu da minha boca me arrependi do que disse, mas James riu. Considerei isso uma resposta positiva.
– Vou mandar meu motorista te buscar – Assenti. O que foi estúpido. Porque ele não podia ver – Envie uma mensagem com seu endereço e em poucos minutos ele estará aí.
– Tudo bem – Falei – Mas James é muito cedo! Eles vão perceber!
– Calma Catarina – Disse tranquilo – Quando chegar aqui resolveremos, ok?
– Ok – Respondi – Tchau.
Suspirei. Eu estava com medo, muito medo disso dar errado. Escrevi o meu endereço e enviei a James com os dedos trêmulos.
– Calma – Respirei fundo tentando me acalmar. Fiz uma lista mental do que fazer para que me concentrasse em algo que não fosse enlouquecer. Primeiro: Tinha que achar algo para jantar com os pais de James. Precisava de uma roupa que dissesse “Eu amo seu filho e ele será muito feliz comigo” (só que não). Procurei entre os meus vestidos e decidi por um simples sem decote, colado no corpo que ia até a metade da coxa com um padrão leve de flores. Elegante e sexy. Olhei no espelho para o que eu estava usando, um macacão jeans com um cropped por baixo e tênis. Iria servir pra passar à tarde. Segundo: Peguei uma bolsa e coloquei o que eu precisava para me arrumar no apartamento de James e algumas roupas a mais para manter uma fachada.
O telefone fixo tocou.
– Alô?
– Srta. Santos o carro do Sr. Bowen chegou.
– Estou descendo – Respondi apressadamente, e corri para o elevador. Uma limusine preta esperava na frente do prédio. Entrei presumindo que era o carro certo – Boa Tarde!
– Boa Tarde Srta. Santos – Respondeu o motorista. O cara usava um chapeuzinho e tudo, mas contive o riso – Qual é o seu nome? – Perguntei.
– Pode me chamar de Smith, Srta.
– E você pode me chamar de Catarina, Smith – Sorri. Ele permaneceu sério – Ok então – Olhei a cidade de Nova Iorque através da janela. O sol de verão brilhava deixando tudo mais lindo e nítido, além de um clima gostoso – Sr. Smith o que o senhor pode me falar sobre o seu patrão?
– O s.r. Bowen é muito bom – Assenti, morrendo de curiosidade.
– O quanto bom?
– Bom o suficiente para alugar um apartamento para mim e minha família por fora do meu salário – Os olhos castanhos do s.r. Smith brilhavam no retrovisor, ele sorriu levemente.
– E Lauren? Como ela era? – O sorriso desapareceu e Sr. Smith apertou os lábios em linha.
– Não devo falar sobre isso Srta. – Alertou. Não consegui compreender o porquê de tanto mistério. Será que Lauren devastou tanto assim James?
Esfreguei as palmas das mãos, elas suavam devido ao nervosismo.
– Estamos chegando? – Smith pareceu se divertir com o meu desespero, enquanto eu estava a um passo de vomitar no luxuoso banco de couro. Comecei a mentalmente contar quantos livros eu tinha no meu escritório para me distrair, eu estava no 208º quando o s.r. Smith finalmente disse:
– Chegamos! — O prédio em que James morava era lindo, tinha pelo menos uns 20 andares e as janelas eram cromadas. Sr. Smith abriu minha porta antes que eu pudesse reagir e sair do transe – Por aqui srta. – Indicou a porta do prédio e me acompanhou no elevador apertando o botão do último andar. Minha garganta estava seca Quando as portas do elevador se abriram e James me recebeu de braços abertos.
– Catarina! – Puxou-me pela cintura e me abraçou com força. E eu não entedi nada – Olhe para o lado – Sussurrou no meu ouvido, causando um leve arrepio pelo meu corpo. Fiz o que James pediu e vi um rapaz loiro, alto, de olhos azuis que deveria ser irmão de James. Sorri.
– Olá! Você é Garrett, certo? – James desfez o abraço ainda deixando uma mão na minha cintura nua. Uma mão forte. Máscula. Que estava me desconcentrando pra caralho.
– Sim, eu sou – Ele pareceu desconfiado – E você é a nova namorada do meu irmão.
– Catarina Santos – Estendi a mão – Primeira e única – Cumprimentamo-nos.
– Santos?
– Sim, eu... – Olhei para James sem saber se mencionava minha nacionalidade. A família dele tinha poder, seria bastante fácil descobrir sobre meu visto vencido.
– Ela é brasileira – Disse.
– É? – Garrett perguntou. Assenti sentindo James tenso ao meu lado – Interessante – Refletiu – Onde vocês se conheceram mesmo?
– Por que não nos sentamos? – Disse nervosa – Ou vamos ficar aqui o dia inteiro? – Sorri. Garrett virou as costas e foi sentar no lindo sofá de couro em formato de “U” da sala.
– Sr. Smith, você está dispensado pelo resto do dia.
– Obrigada, Sr. Bowen – Sorriu em minha direção – Srta Catarina.
– Até breve s.r. Smith!
– Deixe-me te ajudar com isso – James pegou minha bolsa e depositou um beijo na minha bochecha sussurrando “ O mais próximo da verdade”. Assenti discretamente. Contar uma história próxima da realidade seria melhor se houvesse mais realidade para distorcer do que apenas sete horas!
Sentamos a frete de Garrett, a mão de James firme ao meu redor.
– Então, onde o casalzinho se conheceu?
– Nos conhecemos em um bar – Falei.
– Só isso?
– O que você quer dizer?
– Vamos lá, vocês não estão apaixonados? – zombou – Quero os detalhes desse amor Shakespeariano — Sorriu com um desdém absurdo. Eu queria apagar aquela feição arrogante dele com um soco digno de lutador de MMA.
– Quando eu vi Catarina quis chama-la para sair instantaneamente – James entrelaçou os dedos nos meus e encarou o irmão de maneira segura – Tive dúvidas no início, ela me pareceu tão intimidante quanto linda naquele conjunto branco e Louboutins – Sua voz era serena e ele sorria para mim – Mas quando ela se aproximou e pediu o mesmo que eu tomava criei coragem para me apresentar – Olhei para James, admirada. Ele era tão convincente que até eu quase acreditei naquela história.
– E você Catarina?
– Hã?
– O que você achou do meu irmão? – Garrett me olhava da maneira mais opressiva possível.
– Bem, não me sinto confortável falando sobre isso – Sorri nervosa.
– Por mim Catty – Cerrei os dentes, irritada.
– Achei seu irmão atraente, inteligente, maduro e com cara de bom de cama – James engasgou ao meu lado e Garrett me lançou um sorriso sacana – Vocês dois não poderiam se parecer menos Garrett – James disfarçou (muito mal diga-se de passagem) a risada com uma tosse.
– Não precisa usar suas garras em mim Catty Gatinha, guarde-as para o jantar – Sorriu e levantou-se – Às 7:00PM no Giorgio’s** certo irmãozinho?
– Sim.
– Até a noite casalzinho – Sorriu irônico – Tenho a sensação que esse jantar será cheio de surpresas!
* Resvista fictícia que eu inventei
** Restaurante fctício de minha criação.
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