Odisséia Grega

39 Capítulo 39


Notas iniciais
Desculpem o pequeno atraso, pessoal. Com a “sorte” que tenho, acabei adoecendo outra vez. Boa leitura e por favor, leiam as notas finais.

— Você tem certeza que está tudo certo aí?

Edward repetiu essa mesma pergunta por pelo menos seis vezes desde que entrei no banheiro. Eu tinha certeza de que estava ali há cerca de 10 minutos, mas os passos nervosos dele atrás da porta eram impossíveis de se ignorar. Ele estava esperando por uma oportunidade para entrar, mas isso não aconteceria de jeito nenhum. O lugar já era pequeno demais para duas pessoas.

— Sim, amor — Confirmei buscando mostrar paciência no meu tom de voz e revirei os olhos — A Srta. Palmer está bem aqui para me ajudar no que for preciso. Por que você não sai e providencia algo para comermos? Eles vão querer me empurrar algum tipo de mingau asqueroso.

A ideia de me alimentar com uma papa sem gosto e com cor de vomito fazia o meu estomago vazio dar algumas voltas. E eu não estava verdadeiramente com fome, o que era estranho, porque me lembrava com clareza que a última refeição completa que fiz, foi na noite anterior ao sequestro. Eu deveria querer nada mais do que devorar um boi à essa altura do campeonato.

— Tudo bem — Edward suspirou, resignado — Como uma sopa de tomate e pães fresco soa?

A enfermeira pareceu mais à vontade para me ajudar no banho quando ele finalmente saiu e eu não podia culpa-la. Edward esteve deixando todos loucos desde que acordei esta manhã após um dia inteiro desacordada e outro, indo e voltando do meu estado de inconsciência. Ao que parece, o meu sono era perturbador quando eu não estava sob efeito dos analgésicos e estava prestes a estourar todos os pontos com os movimentos bruscos sobre a cama. Foi assim que decidiram que a coisa certa a fazer, era me manter apagada por mais algum tempo.

Eu estava um pouco atordoada quando despertei, mas tentei ao máximo não me mover antes de identificar onde exatamente eu estava. A minhas ultimas lembranças eram terríveis e todas envolviam frio e muita dor, mas aquilo tudo parecia apenas um pesadelo distante em contraste com a paz e sossego com que fui recebida quando abri os olhos naquele lugar. O quarto não estava totalmente iluminado, pelo o contrário, havia uma penumbra muito bem-vinda que me acalmava e um cheiro leve de álcool que quase me induziu novamente ao sono.

Através das persianas brancas e o vidro na parede à minha esquerda, eu conseguia enxergar enfermeiros das mais variadas idades, desfilando com os seus uniformes alvos e com detalhes em azul, quase sempre empurrando um carrinho com medicamentos ou toalhas.

Uma rápida verificada e eu soube que estava em algo como um quarto de luxo – se é que isso existe – em um hospital caro, pois toda a decoração e os equipamentos eram totalmente diferentes de onde eu já estive outras vezes. As cores eram suaves e tranquilas, o colchão da cama era bem confortável e havia uma grande TV LED desligada e presa à parede de frente para mim. Mexi o meu braço esquerdo e prendi um gemido ao sentir um beliscão inesperado.

Eu tinha agulhas enfiadas em mim e qualquer movimento causava desconforto. Imaginei que diante do silencio que fazia, qualquer barulho – por menor que fosse –, despertaria os meus rapazes e eles pareciam exaustos como nunca tinha visto na vida. Ponderei em segundos e decidi que era sensato ficar quieta por mais alguns minutos e deixá-los descansar, uma vez que se os acordasse e mandasse-os para casa, eles ignorariam e não me largariam mais.

Edward estava sentado em uma poltrona que foi arrastada até estar ao lado da minha cama. O seu corpo tombou para frente quando adormeceu e o rosto estava descansando na área desocupada do colchão, ao lado da minha perna que estava boa. Ele tinha uma das mãos segurando a minha, a esquerda, e os nossos dedos estavam entrelaçados. Apesar de desacordado, o seu aperto era firme e aquilo me comoveu.

Eric estava do outro lado do quarto dormindo em uma cadeira. Foi realmente uma surpresa encontra-lo aqui e isso me fez franzir o cenho enquanto questionava sobre quanto tempo havia se passado desde que entrei naquela ambulância. Independente disso, eu estava aliviada por tê-lo finalmente ao meu lado. Os dias que passei em Atenas foram, de modo geral, um verdadeiro paraíso cheio de momentos surpreendentes e divertidos com as pessoas que eu amo, mas as coisas desandaram de maneira quase irreversível e eles finalmente conseguiram me deixar muito amedrontada.

Dentro daquele quarto confortável e em meio ao silencio, que só não era maior por causa das respirações dos dois, entendi melhor as dúvidas de Edward sobre deixa-lo. Com as ideias em ordem, pensei no quanto tenho me arriscado desde que fiz essa viagem e apesar de quando estava presa naquele porão, estar convencida de que daria a minha vida por ele, agora eu estava muito assustada para cogitar a possibilidade outra vez. Encarar a morte fazia você rever conceitos e prioridades. Ele e Heitor estavam no topo de tudo que eu tinha de mais importante na minha vida e nenhum dos últimos acontecimentos alterou isso, mas eu não queria ser a vítima outra vez.

Me recusava a viver algo remotamente parecido com aquilo novamente e principalmente expor Heitor a um perigo dessa proporção. Os dois estariam para sempre ligados, nós três estaríamos, mas agora eu não tinha certeza se continuar com essa relação e me envolver nos problemas dos Cullen fosse a coisa mais sensata a fazer, tendo em vista tudo que experimentei em primeira mão.

A ideia de me separar de Edward fazia o meu peito arder como se estivesse em chamas, mas não se tratava apenas de mim. O nosso filho corria grande risco nas mãos desses lunáticos e se essa gente ainda estivesse lá fora, eu teria que fazer o que pudesse para nos manter longe de sua mira. A minha consciência revoltou-se contra mim, apontou o dedo no meu rosto, me chamando de traidora por cogitar deixa-lo quando as coisas ficaram realmente tensas.

Eu sabia que a culpa não tinha sido de Edward, ele fez o impossível para me manter segura, mas nada mudaria o fato de que não foi o suficiente.

Eu nunca seria capaz de esquecer o que vivi naquele porão.

A perseguição. A impotência. O fracasso.

O que eu tinha na cabeça para decidir ficar nessa cidade quando podia ir embora?

— Isabella? Você está acordada mesmo, amor?

Oh, sim. Esses olhos.

— Oi.

— Baby, você está aqui. Oh, Deus. Amor, desculpe. Eu te amo tanto.

Edward me encarava como um cego que acabara de voltar a enxergar. Seus olhos tão grandes e expressivos mostravam o seu alivio e também o arrependimento. Eu podia enxergar através deles e sentir o seu próprio medo, mas principalmente o amor. Edward me adorava enquanto passava os olhos por cada centímetro de mim, como se não nos víssemos há semanas e eu fiquei muda quando ele se levantou em um salto, fazendo a poltrona pender para trás e cair de volta, então veio para mim, desesperado, tentando me tocar onde não me causasse dor e beijar qualquer pele que a roupa do hospital não cobrisse. O meu rosto estava em seu peito e eu era capaz de ouvir as batidas fortes do seu coração. Senti a minha garganta apertando e eu não consegui engolir. Pisquei para espantar as lagrimas que vieram em abundancia e percebei que era isso. Era disso que eu precisava. Dele. Apenas ele me faria colocar os pés no chão e afugentar a insegurança que tentava nos afastar. Edward dava sentido a absolutamente tudo.

Nós daríamos um jeito. Sempre daríamos um jeito de ficar bem.

— Pronto. Como se sente agora? — Teresa perguntou ao me ajudar a voltar para a cama.

Teresa Palmer era uma das enfermeiras mais antigas desse lugar, mas excepcionalmente eficiente e gentil. Foi a única que me deixou confortável o suficiente para aceitar as suas sugestões e quere-la por perto. Quando ela deu uma batidinha no travesseiro para, percebi que os lençóis haviam sido trocados e a maioria da parafernália tinha sido desligada, já que eu não precisava mais desse tipo de monitoramento.

— Estaria melhor se você me deixasse colocar uma roupa de verdade ao invés de ficar com esse vestidinho ridículo que deixa a minha bunda aparecendo. — Reclamei fazendo cara feia ao tocar as duas costelas doloridas do lado direito por cima do tecido. Havia ali um hematoma de 7 centímetros que eu gostaria muito de evitar que o meu noivo visse.

— Ora, não seja resmungona! O Sr. Northman ficou de lhe trazer algumas peças mais tarde. Só há uns conjuntos de moletom no armário e não queremos nada pressionado a sua perna — Ela respondeu me repreendendo — Eu preciso dar uma olhada em outra jovem, mas o seu médico deve passar aqui nos próximos 30 minutos. Fique quieta e descanse, por favor. — Teresa pediu arqueando a sobrancelha para mim e eu quis bufar como uma criança, mas estava contente o suficiente para ficar calada, por Eric estar voltando e com minhas coisas, então apenas assenti.

Vestir minha própria roupa me daria alguma sensação de normalidade e ele com certeza estaria trazendo notícias de casa. Eu soube que Alice estava vivendo na mansão desde o dia em que desapareci e Heitor estava sendo cuidado por sua mãe e as babás, que tentavam a todo custo mantê-lo desatento sobre a ausência dos pais, uma vez que Edward não saiu do meu lado desde que fui resgatada daquela mata fechada. Apesar de o meu coração ficar apertado por nosso filho estar sentindo a nossa falta, achava a atitude dele doce de muitas formas diferentes.

Eu estava ferida e fragilizada, mas não corria risco de morte e mesmo assim, ele estava decidido a esperar por mim. Eric me disse que precisou trazer comida escondida para o quarto, pois ele se recusava a sair para se alimentar ou tomar banho. Fazia isso apenas por poucos minutos quando alguém importante ligava ou precisava lidar com a polícia.

Tateei os lados do colchão, buscando pelo controle remoto que me ajudaria e apertei o botão que fez a parte da cama atrás de mim, se inclinar para frente, deixando-me quase sentada. Enquanto o meu corpo era empurrado, eu sentia dores incomodas, que requeriam muita força de vontade para não me desmanchar em gemidos.

Encarei a maçaneta prateada, presa na madeira impecavelmente branca. A porta era completamente diferente daquela que fiquei encarando por 24 horas, mas também me causava uma certa agonia. Eu queria ser capaz de sair e me aventurar pelos corredores até encontrar quem eu que procurava.

Jane.

Ela tinha sido a primeira pessoa pela qual perguntei quando consegui parar de chorar nos braços do meu noivo. Me foi dito que Jane estava com hemorragia quando chegou ao posto de gasolina. A fuga apressada em meio a toda àquela chuva me impediu de perceber que ela estava perdendo sangue em abundancia e só entrei em pânico quando ela passou a cuspi-lo. Apesar de ninguém ali ter qualquer experiência ou muito conhecimento, tentaram fazer todos os primeiros socorros possíveis, mas Jane continuava desacordada e sangrando. Sua sorte, foi a ambulância não ter demorado tanto quanto de costume, para leva-la ao hospital mais próximo, do contrário, a menina teria sofrido danos muito mais severos, além da perda de 36% do sangue, uma concussão, luxação no pulso esquerdo, alguns hematomas e escoriações.

Edward me disse que fez questão que ela fosse transferida para este hospital particular assim que fosse possível e não hesitou em providenciar para que a mãe dela estivesse no primeiro avião que vinha para a Grécia. A filha precisava dela agora mais do que nunca. As duas estavam juntas desde que ela pousou em Atenas, mas tão exausta quanto eu, Jane mantinha-se acordada por muito pouco tempo. Estava tomando o seu tempo para se recuperar e eu mal via a hora de poder vê-la bem novamente, com o seu nariz empinado e agradece-la por tudo.

— ... cuspiu tudo em mim. Eu tive que trocar de camisa e aguentar a sua irmã rindo às minhas custas como se eu merecesse. — Ouvi a voz de Eric entrar no quarto enquanto a porta ia sendo empurrada para dentro. Logo ele apareceu com uma bonita calça jeans e uma blusa de tecido leve, azul e com mangas. Edward riu atrás dele. Um som lindo que causou uma sensação gostosa no meu estomago e puxou os meus lábios para que eu tivesse o meu próprio sorriso.

— Oi, meu amor — Edward me cumprimentou alegre quando me viu sentada e tamborilando os dedos no colchão, mas rapidamente a sua expressão mudou e ele apressou os passos para chegar até mim — Por que você está aqui sozinha quando eu pedi especificamente para que alguém estivesse à sua disposição? Você está bem? Sentindo alguma dor?

— Vai devagar, Cullen. Pare de tratar a mulher como se ela estivesse morrendo — Eric riu indo para o outro lado e sentando-se próximo aos meus pés — Você não está, certo?

— De tédio, talvez — Disse revirando os olhos e ergui o rosto para ver Edward — Eu detesto quando você não está aqui. Senti a sua falta. — Fiz manha – apenas um pouquinho – de proposito, porque realmente me sentia mal e tinha pensamentos desagradáveis quando ele não estava por perto. Assisti com prazer a sua raiva descabida desaparecer em um piscar de olhos. Ele abaixou-se e beijou a minha testa demoradamente e depois de sussurrar um “eu também”, colocou compras em cima da mesa e arrastou-a para perto de nós.

— Vocês vão comer comigo, certo? — Perguntei estreitando os olhos para a quantidade de recipientes que ele retirou das sacolas — Isso é muito para uma pessoa só.

— Eu posso acompanha-la em alguma coisa, mas a maioria, é para você — Edward respondeu puxando a tampa da sopa e o cheiro veio direto ao meu nariz, fazendo com que a minha boca se enchesse de água imediatamente. Ele desembrulhou uma colher e deu a entender que despejaria o conteúdo em um dos pratos de plástico que trouxe, mas o ignorei e puxei a pequena vasilha para mim — Tudo bem. Coma a sua sopa enquanto eu tempero a sua salada.

— Ela pode mesmo comer isso? — Eric questionou, olhando interessado para o molho grego de iogurte com pepino, que o meu noivo abria para derramar sobre as folhas verdes e eu quis chuta-lo. Eu realmente não imaginava que estava com tanta fome antes de sentir o aroma das coisas.

— Sim, falei com o médico antes de sair para saber o que deveria comprar.

— Está deliciosa. Obrigada, amor — Abri um sorriso para Edward e ele sorriu de volta, acariciando delicadamente a minha bochecha aquecida. A sopa estava na temperatura certa, me dando um calorzinho bom a cada nova colherada — São minhas roupas? — Perguntei para Eric e apontei com o queixo para uma pequena mala no chão, ao lado da cama e ele assentiu parecendo satisfeito em me ver comer com tanta vontade — Obrigada. Como estão as coisas em casa?

— A mesma bagunça de sempre. Tudo está mais, hum, normal e tranquilo desde que o seu quadro mostrou que você ficaria bem e agora que acordou, então...

Enquanto Edward trazia pequenos pedaços de pão fatiado à minha boca e me alimentava nos intervalos que eu fazia com a sopa, Eric me contou que havia se instalado na mansão quando chegou, mas assim como o meu noivo, passou todas as noites aqui. Isso fez com que eu me sentisse muito querida, porque sabia que ambos tinham muito com o que lidar e estavam aqui, cuidando de mim como se eu estivesse entre em uma situação muito pior. Ele me falou sobre o Heitor e até tirou algumas fotografias com o celular dele no café da manhã. Aquilo trouxe lagrimas aos meus sonhos. Eu sentia tanto a falta do meu filho! Mal podia esperar para abraça-lo e sentir o cheiro de bebê que era só dele e funcionava como um calmante natural para mim.

Ele disse que tinha acabado de deixar Rosalie em casa, depois de pega-la do trabalho para comer fora, quando Emmett ligou informando-o sobre o meu sequestro. Admitiu que foi irresponsável e egoísta ao pegar o primeiro voo para cá e só avisa-la quando já estava fora do país. Eu conseguia imagina-la ficando louca por não poder fazer nada por mim nem por eles, do outro lado do oceano sem ter a menor ideia de que eu sairia dessa ilesa ou não. Enquanto Eric me contava passo-a-passo sobre as medidas que foram tomadas, fiz uma nota mental de ligar para a minha melhor amiga assim que fosse possível. E também para os meus pais.

Fazia apenas algumas horas que eu tinha despertado e mesmo que não fosse culpa minha, sentia que tinha o peso do mundo nas minhas costas. Tantas responsabilidades e questionamentos. Apesar de toda a gentileza de Edward, eu conseguia perceber a tensão nos seus músculos e não passou despercebido nenhuma das vezes que sua boca abriu e fechou sem que ele falasse nada. Tinha certeza que todos eles tinham dezenas de perguntas a fazer, perguntas curiosas e outras necessárias, mas não sabiam se eu estava pronta para abordar o assunto.

A verdade é que eu também não sabia.

— Essas são lindas. — Elogiei um buquê de flores do campo que estava sobre o criado mudo ao lado do telefone. Havia diversas outras espalhadas pelo quarto, a maioria estava em jarros com água, me fazendo pensar que tinham chegado desde que eu me instalei aqui. Mas esse me chamou atenção porque era muito colorido e eu desejei poder chegar perto para sentir o cheiro.

— São do James. Chegaram hoje cedo. — Edward respondeu enfiando as embalagens vazias de volta nas sacolas e a minha mente deu um estalo. Como diabos eu podia ter esquecido?

— Como ele está? Ele também está internado aqui? Ficou tudo bem, certo? — De repente, estava agitada. Me inclinei para frente, para perto dele enquanto falava e gemi com a dor nas minhas costelas. Eu me lembrava exatamente de quanto tempo passei com dor quando aquele cara me atacou em Atlanta, mas era impulsiva demais e sabia que continuaria me machucando.

— Calma! Fique quieta, Isabella — Edward me repreendeu e eu parei no mesmo instante, para então voltar a deitar os pouquinhos — Pode colocar isso no lixo, por favor? — Ele perguntou para Eric que não respondeu, apenas segurou as sacolas de suas mãos e deu a volta na cama, caminhando em direção à porta.

Quando ele a abriu, percebi pela primeira vez que havia no mínimo três homens do lado de fora. Eu não fui capaz de reconhecer nenhum, mas antes da porta se fechar, eu percebi que eram seguranças. Edward podia mantê-los dentro do hospital? Isso queria dizer que ele estava ainda mais superprotetor ou que eu corria perigo? A questão ecoou na minha mente e fez com que um tremor passasse por mim sem que eu pudesse evitar.

— Sim, James está bem. Ele recebeu uma boa surra, mas imaginando o que esperar, soube se defender muito bem e de um modo geral, estava em boas condições quando chegou ao hospital com Jane — Edward respondeu tomando a minha mão para si e brincando com a aliança. Ele tentou puxa-la, provavelmente brincando, mas ela sequer se moveu no meu dedo. Era como se soubesse que o seu lugar era aquele — Ele foi ouvido por horas, já que era o único dos três que estava consciente e deu todos os detalhes possíveis sobre tudo que sabia e o que aconteceu naquele maldito lugar.

— Eu ainda não entendo como ele chegou até mim — Murmurei relembrando de como pareceu loucura ouvi-lo me chamar do outro lado das paredes — De todas as pessoas do mundo...

— Tanya ligou pedindo ajuda — O seu tom de voz endureceu drasticamente ao pronunciar o nome daquela mulher e a maneira que ele me olhou, me fez sentir o seu ódio. Não havia ressentimento ou magoa, era puro ódio — Ela queria ter acesso a uma quantia generosa de dinheiro que vinha guardando no cofre de casa, seus documentos e o passaporte. Disse que por causa do pai, tinha assuntos para resolver fora do país e ficaria ausente por algum tempo — A minha mão foi apertada novamente e tive os meus dedos beijados, um por um. Ele estava me acalmando e se controlando por precisar falar da mulher que tentou me matar — Elizabeth ligou para ele e avisou-lhe que ouviu no rádio sobre o seu desaparecimento. Ela tinha certeza de que Tanya tinha algum envolvimento com isso, porque a mulher não foi encontrada em lugar algum, então juntos, eles ligaram 1+1 e chegaram à conclusão de que ele era o único com alguma vantagem em localiza-la.

— Eu nunca pensei que fosse agradecer a esses dois por alguma coisa na vida.

— E muito menos eu — Bufou franzindo a testa e desviou o olhar — Reconhecer que um cara como ele foi capaz de salvar a sua vida enquanto eu estava de rodando feito um pião pela cidade sem poder fazer nada, foi como ser esfaqueado no peito por uma boa dúzia de vezes.

— Amor, não! — O repreendi imediatamente — Você estava de mãos atadas como todo mundo. Tivemos sorte. Podemos apenas ficarmos felizes sobre isso? — Pedi acariciando a sua bochecha. A barba por fazer estava arranhando a palma da minha mão, mas a sensação era bem-vinda — Por ironia do destino, aquela mulher trouxe James até mim. Ele surpreendeu a nós duas ao arriscar a própria pele para me tirar de perto daquela gente, mostrando que tinha alguma decência e compaixão, mas aposto que ele não faria o mesmo se a situação fosse mais complicada. Você seria capaz de matar e morrer por mim, apenas não teve a oportunidade para isso e eu agradeço a Deus por não ter que me preocupar também com a sua segurança.

— Você está certa, como sempre — Ele admitiu abrindo um sorriso triste e cansado — Você é uma mulher muito forte, Isabella. Me admira estar aqui tentando me consolar depois de tudo que passou há poucos dias. Sei que em sua memória parece que aconteceu há algumas horas e por isso me surpreende ainda mais. Te amo tanto. — Sorri de volta, satisfeita por convence-lo e me aproximei. Ele aceitou o meu selinho, mas não fechou os olhos. Ele parecia não querer piscar.

— Talvez essa seja a hora certa para me contar se houver mais ex psicóticas por aí... — Tentei mudar de assunto, mas me calei quando Edward me olhou de um jeito severo — Muito cedo para brincar com isso? — Perguntei, mas não obtive resposta, então tentando aliviar o clima, fui mais para perto e capturei os seus lábios. Edward ficou imóvel nos primeiros segundos, surpreso por eu ter tomado a iniciativa de um beijo mais longo, mas não demorou a me corresponder. Sua mão agarrou a minha nuca e a outra segurou o meu rosto com uma delicadeza impressionante. Gememos juntos quando nossas línguas se encontraram e brincaram uma com a outra até que não tivéssemos qualquer folego — Onde está Jorge?

— Aqui — Ele respondeu e antes que eu tivesse a chance de surtar, continuou — Ele não vai machuca-la outra vez, Isabella. Eu garanto para você. Jorge está do outro lado do hospital, em uma situação terrível, porém, melhor do que a que ele realmente merece. Há policias do lado de fora do quarto e no corredor o tempo inteiro — Edward bufou de novo, sua expressão era de puro desdém — Eles não estão preocupados com uma possível fuga ou resgate, mas devem ter ficado assustados com a cena que causei quando o desgraçado apareceu por aqui.

Edward me contou sobre como atacou Jorge no minuto que a maca atravessou a entrada com os enfermeiros em volta começando os procedimentos. O sujeito tinha acabado de acordar, estava gemendo, vomitando e também chorava com dor. Admito que continuava surpresa pelo dano que causei ao homem com um simples desentupidor de ralo. Todos os momentos que passei naquele lugar, ficariam na minha memória como se tivessem sido ferroados no meu cérebro, mas eu tentaria supera-lo. Jorge nunca teria a chance de esquecer, pois se voltasse a enxergar, teria que conviver para sempre com o resto defeituoso e ele saberia que eu fui aquela a lhe deformar.

A mulher de Edward Cullen, o homem que ele infantilmente odiava por ter feito as escolhas erradas em sua vida. Pela cena que ele me descreveu, sem ocultar os detalhes, a polícia precisou ameaça-lo e arrasta-lo para fora do hospital, antes que ele destruísse a recepção. O meu noivo estava prestes a cometer um assassinato e Emmett precisou intervir, ser a voz da razão e evitar que o amigo não fizesse uma besteira da qual iria se arrepender, porque Edward estava verdadeiramente descontrolado. Ele queria que os únicos cuidados que aquele homem recebesse, fosse no necrotério. Sua fúria era por eu ter sido raptada e machucada. Tenho certeza que pela forma como a minha roupa estava destroçada, quando fui encontrada, ele imaginou que eu pudesse ter sido abusada também e aquilo apenas alimentou a ira.

Ele foi medicado contra sua vontade, com autorização de Carlisle e dormiu durante toda a minha cirurgia e mais um pouco. Acordou com a mãe acariciando os seus cabelos e juntos, choraram de alivio, desde então, ele recusou-se a sair do meu lado para qualquer coisa.

Mas estávamos contentes, apesar de tudo. O pesadelo estava parcialmente acabado.

Não foi uma surpresa muito grande que Caius tenha ido embora do açougue antes de a polícia chegar e invadir o lugar. O proprietário foi preso como cumplice e estava colaborando com as investigações para conseguir um acordo que o beneficiasse e Tanya seguia desaparecida, o que me causava calafrios. Lembrava perfeitamente do quanto a mulher perversa desejava a minha morte, lembrava de como me ameaçou e dos planos que ela tinha para o meu noivo e o meu filho, mas imagina-la dessa forma e ficar verdadeiramente satisfeita com isso, era ir contra a minha natureza. Eu me sentiria melhor em tê-la presa e pagando pelo seu crime. Vivendo dia após dia com o seu fracasso e sabendo que eu estava de volta aonde pertencia. Com Edward.

— Com licença, Sr. Cullen? — Teresa chamou ao aparecer na porta. Estávamos tão focados um no outro que não percebemos a presença dela — Há uns senhores querendo falar com a Srta. Swan. Posso manda-los entrar?

Era a polícia.

Um homem de camisa social com as mangas arregaçadas até o cotovelo, óculos escuros e calça social entrou primeiro, Marcus – advogado de Edward – e os uniformizados vieram atrás. Eram dois, um homem e uma mulher. Edward suspirou demonstrando o seu desgosto e argumentou sobre o quanto eu estava cansada e que só faziam algumas horas que estava acordada, não deveria passar por um interrogatório antes de ver o meu médico, mas eles retrucaram que esperaram tempo demais para que eu estivesse em condições de ter aquela conversa.

Eu acabei concordando. Quanto antes acabássemos com isso, mais rápido todos me deixariam em paz e talvez o que eu tivesse a dizer, apesar de achar que não, fosse de alguma ajuda para localizar todos aqueles marginais que me mantiveram presa e longe da minha família.

Dar o meu depoimento ao delegado que foi me ver pessoalmente, foi mais exaustivo do que eu pensei quando aceitei fazer aquilo. Ele questionou absolutamente tudo. Desde os meus motivos para me ausentar de casa até o que me levou a mudar de caminho e parar para comer algo naquele café. Me fez contar resumidamente como tudo tinha acontecido e depois fez mais perguntas, a cada resposta, eu sentia como Edward tencionava, suspirava, abafada palavrões e engasgava. Foi recomendado que ele nos deixasse a sós, mas fomos totalmente contra. Eu não queria que ele saísse do meu lado, principalmente em um momento como aquele. Sentia muito que ao compartilhar as minhas memorias, estava o fazendo sofrer, mas precisava dele.

Eles foram embora quando se deram por satisfeitos com a quantidade de respostas adquiridas, mas não sem antes me alertar que eu deveria prestar um depoimento formal na delegacia depois de receber alta. Jane era a pessoa com quem eles mais ansiavam conversar. Por ser filha de Caius, ela podia e deveria ter muitas informações privilegiadas, das quais não tínhamos a menor ideia e muito provavelmente, conhecia o seu modo de operar, talvez não em fugas, mas qualquer coisa já era uma tremenda ajuda. O quadro de Jorge não tinha melhorado nem piorado – e eu não sabia como me sentir sobre isso –, por isso contar com a colaboração dele no processo de caça àquele homem, estava fora de questão no momento.

— Quando eu posso ir para casa? — Perguntei encarando o meu médico que estava fazendo anotações em meu prontuário enquanto uma enfermeira mais nova, que não conseguia evitar que seus olhos fugissem para o meu noivo ocupado, media a minha pressão.

— Acredito que amanhã à tarde, Isabella. — Ele respondeu sorrindo, mas não olhou para mim e continuou escrevendo.

Edward estava do outro lado do quarto, no telefone com alguém. O temperamento dele havia mudado drasticamente depois que os homens foram embora. Ouvir da minha boca o que sua ex noiva havia dito, a sujeira se Caius e como o seu antigo funcionário tentou abusar de mim e também me matar asfixiada, o tinha deixado no limite. Ele não conseguia sequer olhar para mim sem explodir em um ataque de fúria. Eric estava guardando a minha roupa em uma cômoda.

— Por que tudo isso? Eu já estou aqui há três dias. Estou perfeitamente bem.

— Você não pode ter certeza — Ele discordou, finalmente de dando atenção. O Dr. Hass parecia ter a idade de Charlie, mas tinha muito mais cabelos brancos que o deixavam charmoso e combinavam com a sua pele clara e os olhos quase acinzentados — Está acordada há menos de doze horas. Não posso libera-la só porque você se sente bem agora. Prefiro observa-la por mais algum tempo.

Depois de alguma discussão desnecessariamente acalorada, convenci Edward a usar o banheiro do quarto para tomar um banho. Ele estava com um mau humor terrível e apesar de entende-lo com todo o meu coração, aquilo estava começando a me afetar de forma negativa. Tudo o que eu menos queria era brigar e foi bom ter alguns minutos de privacidade com Eric. Nós conversamos baixinho como adolescentes trocando confidências, eu sabia que Eric estava curioso a respeito de tudo que tinha acontecido, mas ele era contido e parecia mais preocupado com a minha recuperação e os meus sentimentos do que com qualquer outra coisa, por isso contei-lhe tudo por livre e espontânea vontade. Seu corpo ficou rígido durante todo o tempo, ele falou xingou em duas línguas diferentes, andou pelo quarto procurando algo para chutar e por pouco não atravessou o hospital para colocar as mãos em Jorge.

Tudo se acalmou quando Esme passou pela porta.

Ela estava linda e serena, apesar de trazer lagrimas nos olhos enquanto corria até mim. O efeito da Sra. Cullen era garantido e imediato. Tudo melhorava com a presença dela, sua energia era algo que eu realmente não entendia, mas não podia estar mais grata por tê-la aqui. Me afastei na cama para que ela sentasse e deixei que ela cuidasse de mim, fizesse carinho e me abraçasse como faria com uma criança, porque era desse tipo de mimo que eu precisava. Nós trocamos poucas palavras, principalmente depois que escolhi permanecer em silencio depois de desculpa-la a cada vez que ela pedia perdão. Todos sabíamos que ela não tinha culpa alguma, mas se isso a faria se sentir melhor, ela estava perdoada.

— Você é tudo pra mim. Absolutamente tudo — A voz de Edward estava distante, rouca. Muito diferente e eu mexi a cabeça, esfregando o meu rosto em algo macio. Respirei fundo e senti o cheiro dele. Eu havia adormecido? Quando? — Eu pensei que enlouqueceria, Bella. Acho que nunca experimentei nada tão desesperador na minha vida e dói mais ainda porque eu sei que nada do que passei, por mais horrível que tenha sido, se compara com o que você viveu naquele lugar — Ele explicou e fungou. Os meus olhos abriam-se de repente quando percebi que ele estava chorando — Me perdoa, querida. Eu falhei com seus pais. Com Heitor. Com você... eu prometi mantê-la a salvo. Prometi a mim mesmo o que traria você para minha vida para fazê-la feliz, mas então... porra. — Gemeu.

— Edward, não faça isso — Sussurrei e ele endureceu embaixo de mim quando agarrei a sua camisa. Ele estava deitado ao meu lado na cama, bem da beirada e eu dei um jeito de me aconchegar e deitar sobre o peito dele durante o sono — Pensei que já tivéssemos esclarecido essa história. Somos todos vítimas daquela gente desequilibrada. Você precisa deixar para lá.

— Eu n-não c-consigo — Ele gaguejou e começou a chorar forte. Edward jogou sua cabeça para trás, escondendo o rosto banhado em lagrimas e eu quase senti o meu coração se rachando por assistir aquilo — O que diabos eu teria feito se tivesse te p-perdido, huh? Eu nunca superaria. Eu nunca mais conseguiria me reerguer do chão, Bella. A minha vida teria acabado no mesmo instante. Eu desejaria poder ir com você — Eu estremeci com a confissão e abracei Edward tão forte quanto o meu corpo dolorido aguentava — Você ficaria tão desapontada comigo. Que tipo de pai eu seria para o Heitor quando só sobrasse a carcaça do homem que fui um dia? Eu te amo com loucura, baby, eu sei que mereço isso, mas por favor, não me deixe.

— Por favor, não. Eu estou aqui. Pare com isso, Edward — Pedi com a voz rouca do meu próprio choro. Eu estava molhando a sua camiseta e ele sentia isso. Apesar do seu descontrole, Edward tinha a mão passeando pelas minhas costas. Ele estava sofrendo, mas me consolava mesmo assim — Pare de ficar criando situações que não aconteceram e nem irão. Eu estou aqui com você e está tudo bem, nunca pensei em partir — Menti um pouco, me sentindo uma cadela desalmada por ter pensando em tudo, menos no sofrimento dele — Se você me ama tanto assim e sente por tudo que aconteceu, faça eles pagarem, mas não puna a si mesmo. Ache-os e acabe com o nosso sofrimento de uma vez por todas.

Carlisle veio no final da tarde, me visitar e buscar a esposa, trazendo mais flores e chocolates – que foram mandados por Elizabeth. Ao que parecia, a mulher estava sabendo respeitar a linha que estabelecemos e mesmo em um momento como esse, achou que seria benéfico para nós duas nos mantermos afastadas até que tudo estivesse de volta ao seu lugar, mas me tocou que ela tenha demonstrado simpatia e enviado aqueles doces que fizeram a minha boca salivar só pela aparência.

O meu sogro, assim como todo mundo, parecia cansado enquanto conversava sobre banalidades comigo. Descobri que ele estava tomando as rédeas dos negócios enquanto Emmett estava à frente das investigações, porque Edward se recusava a fazer alguma coisa além de dividir o seu tempo comigo e Heitor. Eu fui capaz de falar com o meu bebê através do Skype algumas horas mais cedo. Acho que envergonhei a mim mesma ao derreter em lágrimas na frente de todo mundo quando vi o seu rosto gordinho do outro lado da tela, todo sujo de comida após o lanche. Helena sorriu e apontou para a câmera. Quando Heitor virou-se em direção ao computador, piscou os seus olhos para a imagem e então gritou por mim, se sacudindo todo e ao tentar me tocar, empurrou a tela do notebook para trás.

Por uns 15 segundos, eu encarei o teto da cozinha dando risada.

Esme se ofereceu para passar a noite comigo, mas eu precisei recusar. Já tinha tomado as horas de sono do seu filho e de Eric, não faria aquilo com ela, até porque me sentia mais tranquila sabendo que ela estaria em casa com o meu filho. Afinal de contas, Alice tinha a sua própria criança para cuidar. Dar conta de um bebê tão jovem não era fácil.

— O que é isso? — Perguntei ao ouvir um som esquisito e abafado.

Eric levantou-se da poltrona, antes ocupada por Edward, e veio para perto do criado mudo. A primeira gaveta foi aberta, fazendo com que o som ficasse mais obvio e ele retirou de lá um iPhone, igual ao meu, só que na cor branca. Sorriu para tela e me entregou.

— Esse é o seu novo celular, mas o número é o mesmo. Edward providenciou depois que soube que o outro foi destruído quando incendiaram o carro. — Eric me entregou o aparelho após dar de ombros e eu me encolhi com a nova informação. Lembrava da ordem de Caius para desaparecer com o carro e nossos objetos pessoais, mas não podia deixar de pensar que se tivessem demorado só um pouco mais para faze-lo, Jenks teria sido capaz de me localizar.

— Alô? — Atendi com cautela, porque só depois de aceitar a chamada, percebi que não havia lido o número que apareceu — Quem é?

Bella?! Ah, meu Deus! Como é bom ouvir você. — A voz de Rosalie chiou e eu sorri.

Eu estava mentalmente esgotada quando Teresa entrou no quarto com o meu jantar. Passei as últimas horas conversando com Rose e com os meus pais, posteriormente. Estive tentando explicar que ser esfaqueada na coxa não era o fim do mundo. Eu estava bem e voltaria para casa com as duas pernas inteiras. Convencer a minha mãe disso foi um pouco mais complicado, principalmente porque sua briga com Charlie para decidir quem segurava o telefone e fazia as perguntas, interrompia toda frase que saía da minha boca. Por fim, pedi para que me colocassem no viva-voz e deixassem que eu mesma falasse. Houve choro e repreensões, mas também muito alivio. Eles estavam irritados por não poderem estar aqui comigo e exigiram que eu voltasse para Chicago assim que eu estivesse bem o suficiente para viajar, o que não deveria demorar muito.

— Isso está tão bonito — Elogiei a comida quando ela colocou uma bandeja no meu colo com um copo de suco e um prato de salada de legumes e champignons com molho de iogurte e mostarda — Obrigada.

— Agradeça ao Sr. Cullen — Ela me corrigiu com um sorriso discreto nos lábios — A política do hospital normalmente não permite que os pacientes comam qualquer coisa que não tenha sido preparada aqui, mas o seu noivo parece conseguir qualquer coisa para deixa-la satisfeita.

— Sim... isso ele consegue mesmo — Concordei com um ar de sonhadora enquanto o meu peito esquentava com o amor abundante por aquele homem. Eric escolheu esse momento para entrar no quarto, arrancando uma mordida gigante do seu sanduiche — Estava com Maggie?

— Sim, ela te mandou um beijo e disse que ligaria quando você voltasse para casa.

Assenti pensando na namorada do meu melhor amigo e de repente, a sua profissão me veio à mente, assim como muitas outras coisas. Edward deveria estar tendo que lidar com um verdadeiro mar de gente nesse momento. Se o a notícia do nosso noivado já tinha deixado as revistas malucas para conseguir um pedaço de nós, imagine como tinham sido as 24 horas do meu sequestro, com ele tendo que se expor na mídia para obter qualquer informação sobre o meu paradeiro.

Usei o novo celular para ouvir as mensagens de voz mais recentes. A maioria me fez querer chorar. Até a minha chefe havia ligado quando soube pela internet o que havia acontecido, desejou-me as coisas mais lindas, apesar do meu breve e-mail onde eu avisava que estava deixando a Kara por razões pessoais. Havia muitas de texto também e eu respondi cada uma com Eric ao meu lado na cama, lendo comigo por cima do meu ombro. Quando os meus olhos começaram a arder, guardei o aparelho de volta na gaveta e me aconcheguei no corpo do meu amigo enquanto ele ligava a TV e procurava algo que nos distraísse.

Estava passando Moulin Rouge! em um canal inteiramente de filmes e eu desejei assistir porque me lembrava ao Jacob. Esse era um dos seus filmes favoritos, mesmo que ele tivesse vergonha de assumir isso – porque abominava musicais e pessoas que cantam de uma hora para outra –, mas eu tinha certeza que a Nicole Kidman tinha muito a ver com isso.

Quem podia culpa-lo? A mulher era maravilhosa. A história da cortesã que se apaixona pelo jovem escritor boêmio, era uma das mais comoventes que já conheci. A química entre Kidman e Mcgregor era admirável e eu estava mais do que satisfeita com o desenrolar do filme, exceto quando ouvi os primeiros acordes de El Tango Del Roxanne.

Essa música sempre me arrepiava de um jeito que eu não consegui ainda decidir se era bom ou não, mas quando ela veio acompanhada das imagens dos casais dançando a coreografia enquanto Christian cantava, a atmosfera do quarto começou a mudar. Eu sabia o que vinha a seguir. Um grito ficou entalado na minha garganta quando o Duque de Monroth segurou os pulsos da Satine e a faz ficar de joelhos, com dor. O meu corpo todo endureceu quando ele começou a persegui-la pela sala, jogando tudo que estava sobre a mesa, no chão. A música atingiu o seu ápice e as lagrimas quentes desceram pelas minhas bochechas quando ele começou a rasgar a roupa dela com raiva, a fazendo chorar. Ele queria tê-la. A força.

— Mas que diabos... — Eric começou a falar quando me sentei de repente, ignorando as dores nas costelas, para procurar pelo controle remoto — Isabella, o que foi? O que está sentindo? Merda, fala comigo! — Ele pedia, tentando segurar os meus braços, mas eu o empurrava para longe.

Ele continuou insistindo, tentando-me trazer de volta, mas eu o chutei para fora da cama, ignorando que o homem tentando me pegar era o meu melhor amigo e não o dono dos olhos castanhos que aparecia nas minhas lembranças, tentando me cheirar e tocar, chamando pelo nome de outra.

Jorge, aquele desgraçado.

A cena na TV mudou, mas não tinha parado de tremer ainda. Eu evitava piscar, porque pelo mais breve segundo em que meus olhos permaneciam fechados, eu via o seu rosto em cima de mim. Sentia sua mão agarrando o meu peito e puxando o meu vestido. Bastardo infeliz.

— O que está acontecendo aqui? — Os meus ouvidos registraram a voz de outro homem. Outro homem! Onde estava o maldito controle? Desliguem isso, eu quis gritar — Keith, aplique a mesma quantidade de Lorazepam que usamos na Sra. Foster. Agora!

Dois rapazes estavam ao meu lado, de repente segurando os meus braços, e eu gritei para que eles se afastassem, mas eles ouviam cegamente a tudo que o médico dizia. Eric estava me olhando com pena e tentando alcançar o meu pé, talvez para tentar me acalmar e fazer um carinho, mas eu não aguentava ter mãos sobre mim no momento. Todo toque me lembrava a ele. Senti uma picada forte no braço e gemi tentando me livrar do aperto. Alguém empurrou o meu ombro devagar, mas com força, fazendo com que eu deitasse contra a minha vontade.

— O que diabos vocês estão fazendo com a minha mulher? Soltem ela agora! — Edward rugiu ao entrar no quarto e eu chorei, tentando abrir os meus braços para ele. A minha mente registrou a dor no seu rosto por me ver daquela forma, mas não me importei. Eu o queria. Precisava dele. Edward correu para mim, atrás dele vinham mais dois homens. Os seguranças, talvez. Ele empurrou os enfermeiros sem qualquer educação e me abraçou meio de lado — Baby, desculpe. O que você tem? O que eu posso fazer pra ajudar?

— Tire eles... daqui. — Pedi em um sussurro. A minha visão começou a ficar turva eu me remexi, sentindo o corpo pesado. Não queria dormir.

— Saiam daqui! Todos vocês, caiam fora! — Ele gritou ainda me abraçando e os meus olhos fecharam — Tirem esses sujeitos daqui e os deixe longe da Isabella.

— Sr. Cullen, isso aqui é um hospital — Ouvi a voz do médico novamente — Você não pode acreditar que sabe o que é melhor para a minha paciente e dar ordens onde...

Eu quis pedir para ele se calar e ir embora com os outros. Tudo o que eu precisava era do meu Edward, mas os meus lábios não se mexeram e eu dormi, sabendo que lutar contra era inútil.

A medicação me manteve apagada até o final da madrugada. Despertei quando faltavam poucas horas para amanhecer. Edward estava deitado do meu lado, com o queixo sobre a minha cabeça e os dedos deslizando pela pele nua dos meus braços, fazendo os pelinhos se eriçarem. Abri um sorriso quando ouvi a sua voz rouca cantarolar uma música de ninar e dei uma olhada no quarto para confirmar que estávamos a sós.

Quando ele percebeu que eu havia acordado, se acomodou melhor na cama, até que estivesse deitado de lado, enquanto eu permanecia com as costas no colchão. O seu rosto estava encantadoramente acabado. Edward não deixava de ser bonito mesmo com essa aparência de exaustão, as marcas azuladas embaixo dos olhos denunciaram que ele não dormiu na noite passada de novo e eu me culpei por aquilo. Eu não fazia ideia de que as lembranças horrorosas de Jorge podiam ser ativadas quando visse algo remotamente parecido com o que vivi ou que estar ao redor de muitos do sexo masculino fosse me incomodar profundamente.

Nós evitamos conversar sobre ontem. Eu estava constrangida pela minha falta de controle e Edward simplesmente sabia o que se passava. Ele me conhecia melhor do que ninguém e respeitou a minha decisão de não falar sobre aquilo por enquanto, apenas lembrou-me várias vezes que me amava e que eu era o que ele tinha de mais importante. Prometeu que eu não seria tratada daquela forma novamente enquanto estivesse no aqui ou em qualquer outro lugar.

Ele ficou um pouco chateado quando mais uma vez, recusei a sua presença na hora do banho, mas deixei claro que ele seria o único a me ajudar quando estivéssemos de volta à nossa casa. Isso pareceu convence-lo por hora e ele saiu por alguns minutos para providenciar o café da manhã. Eu estava incomodada com alguns espirros persistentes que vinham me causando dor no abdômen sempre que o meu corpo se curvava na hora e Teresa me alertou que eu deveria me dar por satisfeita por não ter pegado um grande resfriado ou coisa pior, por ficar tanto tempo molhada com as roupas ensopadas e exposta ao ar.

Estava fatiando o pedaço que sobrou do cupcake de chocolate que Esme amavelmente me trouxe esta manhã, quando Edward sentou-se na poltrona ao lado e jogou aquela bomba no meu colo.

— Caius está morto.

O pequeno pedaço de bolo desceu errado e eu me engasguei. Ele bateu nas minhas costas sem se alterar muito e me deu um copo com água para beber.

— O que? Isso é sério? — Perguntei após limpar a boca e pigarrear — Como foi? — Eu poderia estar sendo meio mórbida ao querer saber dos detalhes em que o homem tinha morrido quando a ideia de sua morte ainda estava fresca e quase inacreditável na minha cabeça, mas precisava ter certeza de que tinham colocado um fim nele.

— A polícia esteve cercando os aeroportos mais próximos e as rodoviárias para intercepta-lo em qualquer tentativa de fuga do país, se ele desse um jeito de ir embora, estaríamos perdidos — Explicou enquanto eu afastava o prato e focava a minha atenção nele — Então você me pediu para puni-los e eu lembrei de Tanya. O fato de ela estar há tanto tempo desaparecida, não significa necessariamente que estava morta, então entrei em contato novamente com Jenks. Um dos caras dele fez a sua mágica e descobriu que Tanya esteve usando um aplicativo para entrar em contato com um ex namorado em busca de refúgio ou algo assim.

— Então a filha da puta está mesmo viva.

— E presa — Afirmou. Os meus olhos se arregalaram e um alivio inexplicável passou por mim. Jorge estava preso à uma cama de hospital, Tanya na cadeia e Caius morto. Isso era tudo que alguém numa situação como a minha poderia desejar — Ela pediu ajuda a um amigo de Eleazar. O mesmo homem de quem ela engravidou da última vez, lembra? — Eu confirmei com a cabeça, ainda paralisada com as novas informações — Admito que foi esperto da parte dela procura-lo, uma vez que ninguém sabe do envolvimento dos dois, exceto por Elizabeth e eu. Ele cedeu uma de suas propriedades desocupadas e Tanya levou Caius e seus homens para Salonica. São 5 horas de viagem até lá. Descobrir o endereço do lugar foi quase tão fácil quanto respirar, então eles foram atrás. Eu deixei claro que queria colocar a mão em Caius antes da polícia saber o seu paradeiro, mas Jenks descobriu que estava sendo seguido por alguns agentes depois de algumas horas na estrada.

— Mas que merda. Aconteceu alguma coisa com ele?

— Não realmente — Prendi um suspiro não querendo parecer ridícula. Jenks era experiente, eu não deveria ficar preocupada — Mas eles foram alvejados quando chegaram na propriedade. Ele precisou revidar, já que era tarde demais para sair do lugar e durante o confronto, Caius foi acertado na perna direita — Eu arqueei uma sobrancelha com a ironia e Edward se esforçou para prender o sorriso — Outro no abdômen, mas acabou sendo morto pelo que o acertou no peito. Infelizmente, ele não partiu desse mundo com o requinte de crueldade que o esperava quando eu botasse as mãos no bastardo, mas só de saber estamos livre da sua loucura, me faz querer gargalhar.

Sim. Eu entendia perfeitamente o que ele estava querendo dizer.

— Emmett disse que a situação de Tanya não era muito bonita quando a encontraram no interior da casa. Alguns homens falaram algo sobre leva-la para a América do Sul e negocia-la de alguma maneira, mas eu não quis saber os detalhes — Ele deu de ombros e eu me espantei um pouco com a sua frieza, mas não o julguei de forma alguma — A polícia deu voz de prisão para ela e aos que sobreviveram e vão alegar que as mortes foram um caso de legitima defesa, o que de certa forma, está certo. Eles vão ignorar o fato de termos escondido a localização de Caius.

A minha mão agarrou a blusa esverdeada de Edward e o puxei para mim, escondendo o meu rosto no vão do seu pescoço e deixando sair algumas lagrimas. Eu me sentia tão livre naquele momento. Era quase como nascer de novo. A sensação de ter a certeza que Heitor, Edward e eu estávamos a salvo daquela gente era inexplicável. Esme entrou no quarto gritando com o celular no ouvido, perguntando se já sabíamos e quando ela percebeu que o filho tinha acabado de me contar, correu e nos prendeu em um forte abraço, murmurando que tudo estava bem novamente.

Jane acordou pouco tempo antes de eu receber a minha alta. Eu finalmente fui capaz de me conhecer a sua mãe, Susana. Era uma mulher baixa, com cabelos cor de mel, olhos escuros e que aparentava ser mais velha do que realmente era. Sua simplicidade era tocante. Ela ignorou totalmente o fato de que a culpa da filha estar naquele quarto era minha e nos agradeceu diversas vezes por estar providenciando tudo que Jane precisava. Susana olhava para Edward como se ele fosse algum deus e ficou claro que ela não estava acostumada a ser tratada bem por um homem. A vida deve ter sido cruel com aquelas duas mulheres, principalmente por terem ficado tantos anos ligadas a um homem como Caius.

O meu reencontro com a loira foi emocionante. Eu realmente não queria dramatizar as coisas e chorar abraçada com ela, mas foi exatamente o que aconteceu quando nosso olhar se encontrou e ela tocou a minha mão. Parecia loucura que estávamos ali com as pessoas que mais amamos em volta, quando tínhamos quase certeza de que a última vez que nos vimos, era o fim para nós duas.

— Você sabe, quando eu acordei depois da transfusão, eu me senti até uma outra pessoa — Ela confessou e riu baixinho quando a minha sobrancelha arqueou — Eu sei que parece besteira, mas é algo que quero acreditar e que está me fazendo bem. Seja lá quem me doou sangue, está fazendo com que eu me sinta limpa da sujeira que veio com os genes daquele homem. Eu estou feliz que ele tenha morrido, Isabella.

— Eu também, Jane. Eu também.

Eu fui recebida por gritos, palmas e balões quando pisei no hall de entrada da mansão dos Cullen. A família toda estava reunida para comemorar a minha saída do hospital e eu precisei suportar, inquieta, que todos me abraçassem por um tempo, antes de sentar-me e tomar Heitor nos meus braços. Ninguém se atreveu a tira-lo de perto de mim naquele dia. Eu tinha dificuldade de ir atrás dele, porque tinha medo prejudicar os pontos, mas sempre que ele estava no meu colo, ficava quieto e sereno, apenas brincando com os meus anéis ou meu cabelo, como se soubesse exatamente do que a mamãe precisava.

À noite, voltei a usar o Skype para falar com os meus pais e mais tarde, com Rosalie. Quis deixá-los saber que já estava em casa e passando muito bem. Alice voltou para casa com Jasper e sua filha depois do jantar e os demais nos deixaram para que pudéssemos ter um momento de família apenas nosso. Edward, Heitor e eu, ficamos trancafiados no quarto pelo resto da noite, apenas curtindo um ao outro e na manhã seguinte fizemos a mesma coisa. Tentamos ficar com Heitor durante a tarde, mas ele parecia se saco cheio da nossa cara e chorou para ter o seu tempo com Helena.

Os dias se passaram de maneira razoável. Todos estavam em harmonia e mais à vontade para sair e fazer o que tinham vontade, sabendo que não estavam sendo observados. Todos menos eu, que passei a maior parte do tempo em casa, descansando e sendo mimada por Edward que jogou grande parte das suas responsabilidades nos ombros de Emmett, para que pudesse ficar ao meu lado e cuidado de mim – mesmo que eu não precisasse. Com exceção das noites.

Desde a primeira noite, venho tendo pesadelos realistas que me mantinham acordada até os primeiros raios de sol aparecerem e então, eu ficava tão cansada que adormecia e só acordava após o horário do almoço. Eu sentia muito por Edward. Ele passou noites em claro e agora tudo se repetia na própria casa, também por culpa minha.

O meu noivo não fazia cara feia ao me embalar de madrugada e me segurar até eu parasse de tremer e chorar. Isso fazia o meu peito inchar de amor e eu me dedicava a fazer o máximo para demonstrar isso e agradece-lo durante todo o dia. Mesmo assim, aquilo não alterava a nossa atual situação, então incapaz de comparecer a empresa na parte da manhã, ele começou a trabalhar em casa.

Os paparazzi eram a única coisa que nos causava um leve stress. Eles estavam na frente do hospital esperando por mim e persistiam em conseguir uma imagem minha depois do sequestro.

A morte de Caius estava repercutindo mais do que eu imaginava, claro que porque apesar de tudo, ele ainda era um Cullen – um que todos achavam que estava morto, o que fez muita gente entrar em choque – e porque ele havia tentado matar a futura esposa do bilionário da construção civil. Quando cansada das ligações incessantes, eu resolvi ceder a uma curta entrevista para um jornal, apenas porque eles concordaram que uma foto decente e algumas respostas através do telefone – desde que pudessem ser gravadas – eram o suficiente.

Eric foi embora depois da primeira semana. Ele queria ficar, mas eu sabia que estava sentindo falta da namorada, uma vez que ele tinha quase que acabado de chegar em Chicago quando soube da notícia e sequer tinha tido a chance de pisar em Atlanta, onde ela o esperava de uma longa viagem de negócios. Ele entrou em contato poucos dias após chegar em casa, para me indicar o trabalho de sua irmã, que era cerimonialista e apenas morreria para planejar o casamento comigo. Por coincidência, Esme conhecia o trabalho da moça e rapidamente fui convencida. Entrei em contato e começamos a organizar as coisas, tendo como base o que Alice já tinha procurado para mim.

Eu me surpreendi ao ficar contente quando Edward trouxe Elizabeth junto para um almoço em casa. Ela tinha passado no escritório para perguntar por quanto tempo ainda ficaríamos na cidade e pedir permissão para ter um tempo com Heitor. Ela se fez presente durante as primeiras semanas, por mensagens de textos e ligações breves, apenas para saber como eu estava e às vezes, conversar sobre Tanya.

Era ridículo que eu ouvisse alguém lamentando sobre a situação da pessoa que planejou a minha morte, mas eu admirei a força de Elizabeth em ficar do lado do filho e não da garota a quem ela praticamente criou por toda uma vida. Ela o acompanhou nas duas, das três vezes que ele esteve na delegacia e o confortou quando o confronto entre os dois aconteceu. Tanya abandonou o papel de boa moça, apaixonada e ressentida. Foi sincera pela primeira vez na vida e despejou em cima do meu noivo o quanto o desprezava por ter arruinado a sua vida e que se arrependia amargamente por não ter acabado comigo quando teve a chance, mas que tentaria de novo e não havia nada que ele não pudesse fazer a respeito.

O que era impossível, mas me assustou um pouco.

Nenhum deles quis comentar mais sobre as palavras que Tanya usou naquela tarde, mas eu podia perceber pelas expressões em seus rostos e os ombros caídos, que haviam sido mais cruéis do que eles estavam esperando. Infelizmente, aquilo não me surpreendia de verdade. Edward e sua mãe biológica estavam se aproximando aos poucos. Obviamente, ninguém mudava da água para o vinho e algumas das suas opiniões, deixavam os nossos nervos à flor da pele, mas agora ela sabia o caminho de pedir desculpas e reconhecia quando estava sendo louca.

— Certo. Nós acabamos de sair — Edward comunicou ao Emmett pelo celular enquanto me guiava em direção ao carro, com uma mão nas minhas costas — 15 minutos.

Eu me enfiei no banco traseiro e dei espaço para que ele sentasse ao meu lado. A conversa com o amigo durou pouco e logo quando o motorista começou a dirigir em direção ao aeroporto, senti a mão de Edward fazendo carinho no interior da minha coxa, despertando aquele calor incontrolável que me fazia desejar subir no colo dele e sufoca-lo com a minha língua. Há muito tempo não nos tocamos dessa forma e mantínhamos as mãos longe na hora do banho compartilhado.

Nossa troca de olhar confirmou o desejo que ambos sentíamos, que estava prestes a nos consumir, mas quando seus dedos acariciaram de leve a cicatriz que ficou no lugar dos pontos que acabei de retirar, senti como se jogassem um balde de água fria em mim. Edward não tinha comentado sobre a marca que Jorge deixou em mim. Eu sabia que ele não era fútil para se importar demais com ela e eu não me sentia menos feminina ou bonita por carrega-la, mas o que ela representava me assombrava até hoje.

Era exatamente por isso que nós dois não éramos mais íntimos um com o outro.

Os pesadelos diminuíram ao longo dos dias, mas ainda estavam presentes. Edward e eu dormíamos abraçados nas posições que a minha perna e as costelas permitiam, mas ele nunca tentou algo a mais. O flagrei olhando para mim um par de vezes, daquele jeito que me enchia de tesão, mas logo ele arrumava uma distração e saia de perto me deixando na vontade. Era ridículo que ele pensasse que eu rejeitaria o seu toque, eu o queria tanto que chegava a sentir dor entre as pernas, mas talvez estivesse sendo precipitada.

Eu deveria ter um tempo para me recuperar daquela agressão antes de tentar fazer algo sexual com o meu noivo novamente. Mataria a nós dois se eu surtasse, como fiz com Eric no hospital, quando estivéssemos juntos na cama.

— É muito bom estar de volta. — Sorri ao descer a pequena escada que unia o avião particular dos Cullen à pista de pouso. A viagem de volta à Chicago foi muito boa, exceto pelo desconforto inevitável de ter Esme e Elizabeth presas em um lugar tão pequeno.

Ela decidiu passar uma pequena temporada no país e ficar para o casamento. Eu não me opus. Estava animada com o progresso entre nós duas e dela com o filho. Esme estava extremamente enciumada e as duas passaram todo o voo agindo como adolescentes. Provocando e alfinetando uma a outra, mas a Sra. Cullen sempre ganhava a discussão quando beijava Carlisle na boca e deixava a irmã sem fala ao compartilhar tal intimidade. Sabia que Elizabeth não nutria aquele tipo de sentimento por Carlisle, mas ver a sua irmã com a boca colada na do seu ex e pai do seu filho, deve ser no mínimo, estranho.

— Porra, você chegou! — Ouvi o grito de Rosalie enquanto destrancava o meu apartamento. Emmett estava parado em frente à porta dela com suas malas e na velocidade de um desenho animado, ela se jogou em cima dele, passando as pernas em volta da sua cintura — Meu Deus, parece que eu não te vejo há meses. Olha só pra isso. Você emagreceu? Estou te achando tão... Ah, Emmett McCarty! Se você tiver perdido peso fodendo alguma piranha enquanto eu estive fora, eu juro por Deus que...

Edward limpou a garganta atraindo atenção para nós e ela saltou do colo do namorado tão rápido quanto subiu e veio na minha direção. Minhas costas bateram na parede ao lado quando seu corpo se chocou no meu. De repente, ela estava chamando por Deus como uma fanática religiosa, chorando e me apertando inteira. Com muito custo, Edward conseguiu tira-la de cima de mim, mas eu estava comovida com a sua recepção, então a abracei por livre espontânea vontade.

Tiramos o dia para jogar conversa fora, guardar as coisas da viagem, separar os presentes que estava guardando desde às primeiras compras e descansar. Edward encontrou um hotel para que sua mãe pudesse ficar durante o tempo que estivesse em Chicago. O seu apartamento estava praticamente desocupado, uma vez que ele ficava o tempo todo comigo, mas eles não estavam tão amigos ao ponto de dividirem o mesmo teto. Bree veio nos ver no final da tarde, apenas para matar a saudade e Heitor quase surtou quando a reencontrou. Ele não parou a boca enquanto não contou para ela sobre como o cachorro da avó era divertido. Aquele mesmo animal que Elizabeth parecia usar como acessório, se dava muito bem com crianças e apenas com o meu filho, eu o via agir como um cãozinho de verdade.

— O que acham desse? — Perguntei ao virar de frente para as senhoras muito bem acomodadas em um largo sofá cor de creme, bebendo champanhe às 9:30 da manhã.

Estávamos na Nordstrom Wedding Suite desde às 8h, procurando pelo meu vestido ideal. Alice queria que ele fosse algo feito especialmente para mim e era exatamente o que faríamos se tivéssemos tempo – o que não era o caso. Edward quis que providenciássemos um casamento com tudo que tínhamos direito em menos de três meses, o que já era pouquíssimo, mas agora estávamos muito atrasados pelo mês que fomos obrigados a perder por causa dos infelizes que tentaram nos separar. E me matar só para que o rompimento fosse permanente.

— Eu não gostei — Ouvi a voz da minha mãe que estava especialmente enjoativa esta manhã e olhei para o iPod que Laura, a minha cerimonialista e irmã de Eric, segurava com paciência — E realmente não entendo como você pode estar pessoalmente cuidando dos preparativos desse casamento quando passou por tudo aquilo, Isabella. Para que essa pressa? — Ela repreendeu e eu precisei tomar folego pela decima vez desde que cheguei.

Renée estava sendo extremamente superprotetora comigo e achava que eu deveria ter adiado o meu casamento. Que alguém que tenha passado por uma experiência tão traumática como eu, deveria estar cuidado de mim mesma e não tentando agradar o meu noivo impaciente para oficializarmos a nossa união.

Acontece que, agradar o meu noivo era exatamente o que eu precisava naquele momento. Ao deixar o meu emprego, virei mãe em tempo integral e simplesmente enlouqueceria se não fizesse mais nada. Edward havia voltado para o trabalho e nós dois queríamos que aquele casamento saísse na data que estipulamos desde o começo. Estava sendo uma verdadeira delicia cuidar dos detalhes – coisa que eu não esperava que fosse me causar qualquer coisa além de aborrecimento –, mas minha mãe não aceitava e eu sabia que parte disso, era rancor com relação à Edward.

Tivemos uma conversa séria no começo da semana sobre isso. Ela precisava para de culpa-lo pelo que aconteceu. O homem daria a vida por mim, todos sabíamos disso, ele fez tudo o que pode para impedir que eu saísse dessa história machucada, mas o homem não era Deus. Tanto quanto ele tentava, não conseguia ter controle sobre tudo e todos. O que me dava mais raiva, é que Edward concordava com a minha mãe, ao menos na parte onde ele era culpado de tudo. Eu precisei implorar para que ela evitasse fazer comentários a respeito dessa história que agora fazia parte do passado ou da sua opinião sobre ela novamente, pois tudo o que eu queria era seguir em frente com a minha vida e com o meu relacionamento com o homem que eu amo.

Ela concordou quando percebeu que estava me fazendo infeliz, mas não era sempre que segurava a língua, fazendo com que novas discussões acontecessem.

— Eu também não gostei. Parece uma tolha de mesa. — Eu quis rir da vendedora ofegando com o comentário desnecessário de Elizabeth que me olhava com tédio, mas mantive a expressão.

— Também não curti, Bella. Esse tecido está te puxando para baixo, não sei explicar. — Rose falou após acabar de mastigar o salgadinho e fazer uma careta engraçada.

— Eu nunca pensei que fosse concordar com essa mulher — Alice começou, se referindo à mãe do irmão e se levantou para ver de perto — O decote V é interessante, mas Rose está certa. Esse tecido está deixando as suas pernas ainda mais curtas. Parece pesado e estranho.

— Vocês estão de brincadeira com a minha cara? — Bati o pé no chão, exasperada — Eu pedi para que viessem me dar apoio e não para criticarem o que tem de errado no meu corpo!

— É exatamente isso que estamos fazendo, Bella. Agora fique quieta e me deixe trabalhar. Você encerrou as suas tentativas — Alice empurrou a minha testa com o dedo indicador e dirigiu-se a vendedora quando voltou a falar — A minha cunhada tem curvas lindas, principalmente no quadril e para alguém que foi mãe há quase dois anos e tem pavor de aparelhos de ginastica, ela tem uma cintura invejável. Será que você poderia providenciar algo que evidenciasse esses atributos?

O meu queixo caiu com a delicadeza acida de Alice e a vendedora correu para longe do seu olhar mais rápido que o diabo foge da cruz, afirmando que voltaria em alguns minutos. Foi na terceira prova que eu encontrei exatamente o que tínhamos em mente desde o começo. O vestido era branco, tomara-que-caia, tinha o decote em formato de coração e deixava os meus peitos bonitos, mas não ao ponto de parecer vulgar ou apelativo. Gostei da maneira como evidenciou o meu colo e o pescoço. Tinha detalhes de diamante no centro, acima do meu umbigo e era justo nos lugares certos, contornava o meu quadril e se abria na altura dos joelhos, como uma saia trompete.

Vi através da tela que Renée estava dando saltos na cadeira quando confirmei que seria esse.

Pelos próximos dias, nós escolhemos o buquê, os acessórios – joias, lingerie, véu e o que as vendedoras insistiram em me empurrar – e a equipe que faria a minha maquiagem e cabelo. Edward ficou encarregado do seu próprio traje, o casamento civil – já que optamos por ignorar o religioso que nos exigiria mais tempo e trabalho – e da lua de mel, da qual ele se recusava a falar sobre e eu não tive sequer a opinião consultada. Os convites foram enviados ao nossos amigos próximos e familiares, estávamos recebendo as confirmações aos poucos. Ele ofereceu-se para cuidar do transporte da maioria que não vivesse na cidade e não pudesse arcar com os custos da viagem, pois não queria que ninguém especial para mim faltasse.

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Eu o amava esse homem mais do que tudo.

— Caramba. Isso aqui está uma zona, amor — Comentei tentando passar por cima de uma caixa embrulhada e largada no chão da sala ao lado de muitas outras. Por estarmos em cima da data, não elaboramos qualquer lista de presentes, mas alguns foram enviados e estavam sendo guardados no apartamento dele — Você está certo sobre nos mudarmos para cá?

— Claro, baby, quando voltarmos na viagem, cuidaremos de tudo — Ele disse segurando o tecido da minha camisa – que na verdade era sua – e me puxando para contra si. Eu o abracei pela cintura e fiquei na ponta dos pés para morde-lo no queixo. Ele sempre tocava no assunto da nossa lua de mel, mas não me dava uma dica sequer, não importa o quanto eu implorasse — Aqui é mais espaçoso, central, fica perto da empresa e eu andei pesquisando sobre umas escolas que podem te interessar para matricular o Heitor quando ele estiver mais velho.

— Hmm. Soa muito bom. Você é sempre tão eficiente. Pensa em tudo — Respondi enfiando o nariz na cavidade entre o pescoço e ombro. O cheiro dele ali era muito gostoso e eu não resisti passar a língua — E meu Deus, como é gostoso...

— Isabella, não provoca! — Ele brigou tentando me empurrar, mas o abracei com mais força e abafei uma gargalhada na sua pele — Como você pode rir nessa situação? Baby, você está me matando aqui. Não é possível que apenas eu sinta saudade...

Suas mãos entraram dentro da camisa que ia até o meio das minhas coxas e alcançaram a minha bunda coberta pela calcinha de renda que usei na noite anterior, quando fomos para uma reunião de negócios dele em um restaurante recém-inaugurado. O Heitor estava com os avós e esse apartamento era mais próximo de onde estávamos, então viemos dormir aqui. Ele deu um tapa que me fez gemer, tirando-me dos meus devaneios e eu suspirei apertando-o novamente.

Eu sabia bem o quanto estava me segurando.

— Em pouco mais de uma semana, serei a nova Sra. Cullen e estarei a sua disposição pelo resto da vida — Tentei melhorar a minha situação, mas Edward não caiu nessa — Foi uma ideia estupida, eu sinto muito, ok? Juro que nunca farei algo assim de novo. Nunca teremos greve de sexo — Os lábios dele contraíram denunciando um sorriso e eu me derreti — Ah, vem cá! — Puxei-o pela nuca e encaixei as nossas bocas para devora-lo com um beijo de língua.

Ele me encostou na parede mais próxima e afastou as minhas pernas para que pudesse ficar no meio delas e roçar a sua ereção evidente pela falta de cueca embaixo da calça. Eu o agarrei através do tecido e derreti com o gemido que vibrou em seu peito. Edward estava tão necessitado de um tempo para cá, que qualquer toque ou atenção que eu lhe desse, o fazia enlouquecer.

Quando voltamos para a cidade, ficamos ocupados com as nossas próprias coisas quase que imediatamente. Os compromissos na empresa exigiam a sua presença constante depois de tanto tempo longe e enquanto isso, tive que dar um jeito no assédio da imprensa, agilizar o processo de demissão na Kara que ainda não tinha sido iniciado – exceto pelo o meu aviso –, apressar o casamento e lidar com os meus conhecidos, todos aqueles que buscavam um pouquinho do meu tempo para ter certeza de que eu estava bem ou apenas satisfazer a curiosidade. E mesmo com tudo isso em mente, o incomodo por deitarmos todas as noites na mesma cama e não nos tocarmos de forma mais intima, existia e começou a gerar uma tensão nada agradável para nós.

Duas pessoas que estavam prestes a se casar.

Apesar dele continuar cuidando de mim da maneira que podia, me mantendo segura e cobrindo todas as outras necessidades, eu notava o seu aborrecimento por eu não tomar uma iniciativa ou explicar o que estava acontecendo conosco. Era compressível que ele ficasse confuso e como o homem não era de ferro, um dia ele explodiu.

Tivemos uma briga da qual eu não lembro mais o motivo, que resultou em lagrimas e desculpas. Corpos se chocando contra quadros, paredes e moveis, beijos enlouquecedores e mãos atrevidas debaixo das roupas. Acabamos ofegantes no sofá após fazermos um ao outro gozar, literalmente, nas calças e depois tivemos uma conversa séria. Edward entendeu as minhas inseguranças e eu o tranquilizei de que aquilo não duraria para sempre, pois era um tópico no qual eu e a minha psicóloga estávamos trabalhando desde a primeira consulta.

Os pesadelos ainda vinham com frequência e por causa deles, tê-lo em cima de mim parecia delicioso e assustador ao mesmo tempo. Eu estava com medo de agir de uma maneira que o magoaria e ferraria com tudo, então decidi procurar por ajuda e acabei encontrando a Dra. Harper.

Foi a melhor coisa que fiz nos últimos tempos. O resultado veio quase imediatamente, os sonhos continuaram vindo, mas já não me roubavam o sono e eu sabia que isso era devido ao meu nível de comprometimento, por estava confiante de que as coisas entre nós dois melhorariam em breve.

E então eu tive a ‘brilhante’ ideia.

Fazê-lo esperar pelo o casamento.

— Edward, presta atenção, imagina o quanto vamos estar cheios de tesão na nossa noite de núpcias? Você vai estar me fodendo contra a porta antes mesmo de eu tirar o vestido.

Foi o que eu disse e na hora, a imagem pareceu tão sexy que ele concordou e nós estávamos constantemente nos masturbando simultaneamente para aplacar um pouco o desejo, mas paramos quando percebemos que aquilo estava surtindo o efeito contrário.

Não demorei a entender que o amor desse homem por mim era o remédio que eu precisava. Que o seu cuidado, respeito e dedicação eram mais do que o suficiente para que eu me sentisse segura para me entregar dessa forma de novo. Mas agora era tarde e estávamos esperando, ao ponto de nos descabelarmos, que o dia do casamento chegasse para que assinássemos a papelada e nos trancássemos no primeiro quarto de hotel.

Estava marcado para o final da tarde de domingo, dia 18.

Exatamente quatro dias depois do meu aniversário e quadro antes do de Heitor. Edward estava empolgadíssimo com a ideia de comemorar todos os dias desde o dia 13 ao 23 do mês de setembro e tenho que admitir, eu também.

O meu aniversário nesse ano foi comemorado entre as nossas famílias em um clima leve e descontraído. Eu podia dizer que um peso foi tirado das suas costas quando Charlie o abraçou e agradeceu por tudo o que fez por mim. Renée foi educada o bastante, estava mais animada com a cerimonia mais próxima e bem menos arisca desde que chegou na cidade.

A véspera do casamento foi uma agitação total, principalmente porque a maioria dos convidados havia chegado e estavam sendo acomodados no mesmo hotel em que realizaríamos a festa. A hospedagem estava sendo coberta pelo noivo e naquele momento, fiquei aliviada de ter optado por um casamento mais simples. Edward já estava tendo muitas despesas por minha causa.

Quando o grande dia chegou, eu estava com uma leve ressaca por não ter dormido o suficiente. Eu realmente achei que pelo casamento estar marcado para às 17, poderia passar mais tempo na cama, mas não era o que Alice tinha em mente. Laura, a cerimonialista, tinha uma espécie de headfone preso ao ouvido e ladrava ordens para quem quer que estivesse do outro lado. Ela era muito profissional e não colocou dificuldades nos nossos planos, mesmo tendo tão pouco tempo para fazer o seu trabalho. Todos os irmãos do Eric eram obstinados como ele.

A equipe contratada para me tornar na noiva mais incrível que essa cidade já viu, chegou logo após o almoço e enquanto a massagista terminava de me livrar daqueles nós de tensão dos meus ombros, eles encheram a minha sala com espelhos, malas repletas de maquiagem e todos os instrumentos de tortura que iriam usar em mim. Edward e eu trocamos mensagens o tempo todo. Não havíamos dormido juntos na noite passada, pois ele tinha saído para beber com os amigos – assim como eu – em uma improvisada despedida de solteiro. Quando o rumo da conversa começou a ficar mais sensual, precisei parar ou a maquiadora iria arrancar o meu olho com o curvex, se eu continuasse me mexendo daquela forma na cadeira.

— É o casamento do meu único filho! Você deveria ser um pouco menos egoísta. — A voz estridente de Elizabeth foi ouvida do corredor de onde eu vinha com pessoas atrás de mim, falando sobre como eu deveria andar para não tropeçar no vestido.

— Mas não combina com o que ela estará usando, irmãzinha — Esme respondeu com o sarcasmo que era reservado apenas para ocasiões onde precisava lidar com a irmã mais velha, mas quando se deu conta da minha presença, virou para mim com os olhos repletos de lagrimas — Oh, querida! Você está magnifica. O meu filho não aguentará cortar o bolo antes de leva-la embora.

Elizabeth revirou os olhos, mas estava sorrindo em aprovação para mim. Eu estava pronta, com exceção do cabelo que ainda estava todo amarrado para formar cachos elegantes que seriam usados para o tipo de coque que eu escolhi. Renée voltou do quarto de Heitor com o pequeno terno embrulhado para enviar ao meu noivo que havia esquecido que todos os homens da família estariam ficando juntos até a hora da cerimônia. Ela gritou e começou a chorar quando me viu, atraindo a atenção de Rosalie que veio correndo do meu quarto para saber o que diabos estava acontecendo, mas quando me viu, entendeu tudo e piscou para mim.

— Wow. Mas você está muito gata — Eu me virei na direção daquela voz tão rápido que quase tropecei. Jane estava encostada ao batente da porta, linda em um vestido cor de jade, curto e bem justo que atraia olhares para as suas pernas ligeiramente bronzeadas por natureza — Agora a pressa do Cullen em amarra-la diante da lei faz todo o sentido.

— Puta merda, você conseguiu vir! Eu não acredito. — Exclamei, os meus lábios se abrindo no maior sorriso desde que acordei.

— Alguém é capaz de negar algo ao seu homem? — Ela balançou a cabeça sorrindo e veio até mim. Ignoramos Alice gritando para termos cuidado para não amassar nada e nos abraçamos apertado — Eu estou ansiosa para conhecer oficialmente os outros membros da família, afinal, eu ainda sou a prima do Edward.

— Eu estou muito feliz em vê-la aqui, Jane, é sério — Admiti e limpei pequenas lagrimas que queriam escapar pelos cantos dos olhos — Você está muito bonita, sequer parece que...

— Sim, sim. Eu fiz o meu melhor — Me interrompeu balançando a mão para que eu me calasse. Ela estava certa. Nada de lembranças ruins naquele dia — Por quanto tempo vão te manter prisioneira no alto da torre, princesa? Está quase na hora e eu preciso de um drink.

— Oh, claro! E por falar nisso... há algo que eu gostaria de discutir. — Elizabeth interrompeu com os olhos brilhando, fazendo Esme grunhir de irritação um pouco atrás dela.

Depois que eu aceitei usar o pente com rosas semelhantes às do me buquê, com diamantes e alguns cristais em design europeu, a tensão se dissipou. Ele pertencia a mãe de Elizabeth e como ela nunca se casou, era importante que a mulher que se tornasse esposa do seu filho, usasse. Eu não pude recusar nem diante do olhar magoado de Esme. Eu sabia que ela estava sendo apenas ciumenta e que conseguiu tudo o que tinha direito no casamento de Alice.

Às 16h52m, estávamos na limusine no caminho para o hotel. Charlie estava nervoso ao meu lado como se ele fosse a noiva e acabou admitindo que apesar de não conseguir imaginar algo mais belo, travaria se tivesse que atravessar uma igreja lotada para me entregar ao Edward no altar. Ele estava aliviado que tenhamos optado por convidar apenas a família, os principais parceiros de negócios do Edward e nossos amigos para a festa. Eu também estava, porque quanto mais nos aproximávamos, mais a minha cabeça ficava em branco.

E se eu pisasse no vestido? E se eu tropeçasse na frente de todos?

E se eu esquecer de dizer “sim” na hora certa? E se eu não souber como assinar o meu nome?

Papai agarrou a minha mão quando paramos em frente ao Four Seasons, chamando a minha atenção e o a minha barriga se manifestou, ficando inquieta e fazendo sons baixos. Eu sorri para a quantidade de pessoas bem vestidas entrando no lugar, prontas para testemunhar o Edward finalmente me fazer uma mulher decente.

Charlie me ajudou a sair e eu pisquei pelos flashes que caíram sobre nós. Laura estava logo atrás dos fotógrafos, falando como deveríamos agir e sorrir, mas eu estava ansiosa e nervosa demais para obedecer, então fui eu mesma. Sorri envergonhada, acenei, olhei para o meu pai em busca de apoio e tentei manter o equilíbrio nos saltos altíssimos enquanto entravamos.

— Todas as pessoas na lista para assistir ao casamento já estão em seus lugares e os convidados para a festa ainda estão chegando, mas boa parte já estão acomodados esperando por vocês — A assistente de cerimonialista me avisou e eu soltei o ar que prendia. Era muito mais fácil fazer isso sabendo que apenas as pessoas que eu amava estariam assistindo — Posso anunciar vocês?

— Promete não me deixar cair? — Perguntei ao meu pai após assentir para a garota e vê-la desaparecer. Laura veio e nos guiou até a entrada de onde seria realizada a cerimônia civil. As portas estavam fechadas, mas uma música suave dava para ser ouvida mesmo assim.

— Claro, Isabella. E você está incrível, uma verdadeira visão — Ele me elogiou e o meu rosto esquentou imediatamente — Isso mesmo. Um pouco de cor era o que precisávamos. Agora respire fundo, querida. Os seus rapazes estão esperando por você.

As duas portas se abriam ao mesmo tempo, a música foi substituída pela marcha nupcial em uma versão mais limpa e apropriada para um lugar menor e eu agarrei o antebraço do meu pai. Olhei para o fundo da sala e precisei acalmar os meus pés que de repente me incitaram a correr.

Para a frente.

Como toda noiva, eu gostaria de dizer que me lembro dos menores detalhes do meu casamento. Onde as pessoas estavam sentadas, vestindo o que e acompanhadas por quem, mas todo o lugar tornou-se um borrão colorido quando os meus olhos focaram em um Edward nervoso que me esperava com um sorriso tão estonteante que as minhas pernas fraquejaram.

Eu me recusava a piscar enquanto não sentisse a sua mão na minha, pois tinha medo daquela imagem desaparecer, se eu o fizesse. Ele fazia tudo parecer certo, não importa aonde.

Charlie abraçou o meu noivo meio de lado e sussurrou algo em seu ouvido, que o fez sorrir emocionado e assentir duas vezes seguidas. As nossas mãos estavam entrelaçadas e um pouco suadas do nervosismo. Edward era a verdadeira visão daquele lugar. Nunca me acostumaria em vê-lo de smoking, principalmente aquele negro, feito sob medida para que eu desejasse devora-lo sobre a mesa mais próxima para quem quisesse ver. O pigarro do juiz de paz interrompeu os meus pensamentos pervertidos e trouxe a minha atenção para o momento incrível que estávamos compartilhando com a nossa família.

A maioria das mulheres ali soltaram gritinhos quando Heitor entrou e fez o mesmo caminho que eu há poucos minutos atrás, trazendo as alianças de casamento. Ele estava competindo seriamente com o pai sobre quem seria o mais bonito naquela ocasião e eu me recusava a tomar um lado. Os dois eram incríveis e o mais importante, eram meus.

As minhas mãos tremiam e a vontade de chorar foi incontrolável quando chegou o momento de recitarmos os nossos votos. Eu não tinha ideia de que Edward tinha preparado alguma coisa, imaginei que fosse deixa-lo sem palavras, mas a surpreendida com tanta doçura, fui eu.

— Quando eu te conheci, eu era jovem e me apaixonei sem sequer perceber o que isso significava. Eu não entendia aquela necessidade de tê-la por perto, na segurança no que eu passei a chamar de casa, apenas porque você sempre estava lá. De repente, estava tudo bagunçado e eu não sabia mais o que fazer com a minha vida, então você me deu coragem. Me deu motivação para enfrentar os fantasmas do meu passado, os meus receios. Nós ultrapassamos o tempo, cidades e países. Mesmo com a distância e a incerteza, o meu amor só aumentou, assim como você fez com a nossa família — Ele desviou o olhar do meu para encontrar Heitor nos braços de Rosalie. Ele sacudiu as pernas e acenou quando percebeu que os olhos de todos estavam nele, nos fazendo rir — Eu prometo te amar pelo resto dos meus dias, Bella. Te respeitar e cuidar de você, do nosso filho e mantê-los seguros de qualquer coisa que possa tirar esse lindo sorriso do seu rosto. Nunca deixarei faltar amor para vocês. E com esta aliança, peço a você que seja minha, desde hoje para sempre.

Ouvimos um coro de suspiros quando ele a deslizou no meu dedo e eu fechei a mão em punho, sentindo como se a peça que faltava do quebra-cabeça finalmente tivesse se encaixado. Clair de Lune de Debussy estava tocando baixinho, contribuindo para que as minhas emoções ficassem fora de controle e por um tempo, mal consegui falar.

— Estava me lembrando como tudo que começou e percebi que não alteraria uma única coisa na nossa história. Passamos por momentos imprevisíveis e desagradáveis, que poderiam ter sido evitados com decisões diferentes, mas todos eles serviram para fazer de nós, pessoas melhores. Versões maduras e mais fortes para enfrentar a vida adulta. Eu repetiria tudo aquilo outra vez se acabássemos nesse mesmo ponto, nos unindo para uma vida inteira, porque você vale a pena — Sorri quando ele fungou de maneira sutil e seus olhos ficaram marejados. As minhas mãos unidas às dele, eram puxadas de maneira quase imperceptível, para mais perto — Eu já experimentei uma vida sem você e posso garantir que apenas foi suportável porque eu tinha uma parte sua para amar, então eu estou aqui exigindo que não me faça passar por isso novamente. Eu o quero para o resto dos meus dias, Edward. Eu me comprometo a sempre abraçá-lo com carinho todas as manhãs, a ter paciência nos dias difíceis e fazer os sacrifícios que o amor exige da gente, porque ninguém conseguiria me faze feliz dessa forma novamente. Não da maneira que você é capaz — Ofereci um sorriso trêmulo e acariciei a argola dourada com o dedo — Quero viver no calor do seu coração e dos seus braços que me passam toda a paz que eu preciso no final do dia. Com essa aliança, eu peço que se torne o meu lar, para sempre.

Ele não desviou o olhar de mim quando a deslizei pelo seu dedo e beijei sua mão. Muito menos quando o juiz disse suas últimas palavras. O homem não teve tempo para terminar de dar a permissão para Edward beijar a sua noiva, pois nas primeiras silabas, eu já estava colada ao meu marido, com os braços ao redor do seu pescoço e tendo a boca assaltada em um beijo devastador que esquentou todo o meu corpo, até as mínimas partes. As pessoas explodiram em uma salva de palmas, assobios e gritinhos atrás de nós e Emmett foi o único capaz de me desgrudar do seu amigo. Ele praticamente teve que permanecer entre nós dois para que déssemos chance para que todos viessem nos cumprimentar.

— Você está magnifica, ágape mou — Ele me elogiou colocando um beijo na minha nuca ao me abraçar por trás. Eu tinha acabado de me despedir dos meus pais que foram levados por Laura, junto com os outros, para onde estava acontecendo a festa — Eu jamais coloquei os olhos em algo mais bonito em todos os meus anos de vida. Não estou certo se quero compartilha-la com toda essa gente. Esse vestido te deixa parecendo uma sereia e mal posso esperar para toca-la inteira sem ele por perto. — O seu sussurro era rouco, do jeito que sabia que me fazia estremecer. Eu me virei para ficar de frente e o encarei.

— Bem, então vamos fingir que temos alguma educação, ser rapidamente sociais e você tem autorização para me fazer sua no primeiro carro que encontrar. — Respondi com a minha voz mais sensual, a boca colada ao seu ouvido. Suas mãos se fecharam na minha bunda e apertaram quando mordi o lóbulo da orelha — É melhor irmos ou a Laura virá nos buscar.

— Baby, espere um segundo — Edward me puxou pela mão quando comecei a andar e mais uma vez, me vi presa entre seus braços fortes, todo coberto de preto. Aquele smoking estava me tirando do sério e se ele não me soltasse agora, o mostraria o quanto — Tem certeza disso? Eu posso esperar pelo o tempo que você precisar. Podemos apenas namorar e...

— Shhh — Silenciei-o no meio da frase colocando um dedo sobre os seus lábios macios — Eu tenho certeza. Está tudo bem. Por favor, não se preocupe comigo — Pedi. Estava excitada e tocada por ele, mais uma vez, estar colocando as minhas necessidades na frente das suas mesmo em um momento como aquele, da nossa lua de mel — Eu não vou ter dificuldade alguma em mostra-lo uma e outra vez o quanto estou pronta para você.

— Excelente, baby. Agora o seu pai não vai ficar bravo comigo se quisermos aumentar a família em breve. — Edward murmurou em tom de comemoração ao beijar o meu pescoço e eu ri dele.

— Uma coisa de cada vez, rapaz. Uma coisa de cada vez.

O cantor anunciou a nossa chegada e quando entramos de braços dados no salão, uma nova salva de palmas – mais alta e intensa – foi ouvida, assim como gritos entusiasmados que nos desejavam felicidades e mais algumas coisas agradáveis. As pessoas mais próximas vieram com cautela e muita classe nos felicitar pela união e deixar-nos saber do quanto tudo estava bonito, elogiando o nosso bom gosto sobre a recepção. Eu fiquei feliz em saber, porque ainda havia uma pequena insegurança em mim, a respeito de como as pessoas se sentiriam ao poder participar da festa, mas não presenciar a cerimonia.

Era um alivio saber que, aparentemente, todos estavam satisfeitos.

Eu me vi obrigada a concordar com todos os elogios. O lugar era grande o suficiente para acomodar confortavelmente uma centena de pessoas e havia no mínimo oitenta aqui esta noite. Havia dezenas de mesas pequenas espalhadas com garçons sempre por perto servindo bebidas e atentos as necessidades dos convidados. Uma banda tocava um jazz suave em um palco distante o suficiente das últimas mesas, para não causar desconforto durante as conversas. A assistente de Lauren deu um jeito de nos livrar de um casal que aproveitou a oportunidade para falar de negócios, deixando Edward tenso e seguimos o cronograma.

Tiramos algumas fotografias em uma área decorada do salão apenas para isso, circulamos ao redor para agradecer a presença das pessoas e falar com aquelas que não tiveram chance de se apresentar no início da festa. Fomos guiados para uma mesa central e maior, onde estava a nossa família e amigos. Todos sorriam para nós e Heitor me chamou com as mãos abrindo e fechando quando nos viu, mas antes que pudesse ir até ele, Edward me puxou pela cintura e me deu outro beijo daqueles de roubar o folego.

Sua mão fazia pressão na minha nuca e eu percebi que ele estava se controlando para não enfiar os dedos no meu cabelo. Eu segurei os lados do seu rosto para que ninguém me visse chupar a sua língua descaradamente e tentei abafar o seu gemido rouco. Quando nos soltamos, eu estava com tontura. Uma verdadeira delícia.

— Sra. Cullen — Ignorei a voz atrás de mim e concentrei no meu filho que tentava me contar sobre as aventuras que tinha aprontado com o avô na noite passada. Apenas quando o meu ombro foi tocado, eu me virei e entendi que eu era a Sra. Cullen a partir de agora. Sorri pensando que precisava me acostumar com isso — Vamos fazer umas fotos com o bolo e quem sabe corta-lo para servir aos convidados, se estiver tudo bem?

— É claro. — Respondi meio nervosa.

Quando penso que estou livre dos olhares das pessoas...

Para a minha surpresa, foi um momento muito divertido. A minha mão tremia enquanto posávamos para o fotografo, fingindo cortar o bolo, mas Edward me prendia firme. Uma música alegre estava sendo cantada no momento e um brinde foi feito quando as fatias começaram a ser distribuídas. A noite estava passando mais rápido do que eu estava conseguindo dar conta. Edward e eu abrimos a pista de dança ao som de Lionel Richie e ficamos abraçados, trocando caricias, elogios e flertes com segundas e até terceiras intenções por três músicas inteiras.

Teríamos ficado mais se Carlisle não tivesse me roubado. E logo após, o meu pai.

— Você está radiante. Seria besteira perguntar se era isso que queria — Ele disse, dando um passo para a direita — A sua mãe ficou assustada quando percebeu que o mundo do Cullen não se tratava apenas de luxo e viagens caras. Ela precisa de um tempo para entender que você é capaz de lidar com contratempos assim e que ele sofreu tanto quanto nós.

— Tudo bem, eu entendo.

Eu sorri para o meu pai. Não imaginava que dos dois, ele seria o compreensivo na história. Olhei para a Renée dando risada nos braços de Eric, que deslizava na pista de dança e suspirei, um pouco mais conformada. Paciência, tudo bem, eu poderia ter um pouco mais.

— Eu estou muito feliz por você, Bella. É um alivio para mim ter a chance de entregar o meu bem mais precioso a alguém digno dele, que saiba valoriza-la e cuida-la — Ele beijou a minha bochecha e o meu coração se aquietou com o seu carinho por nós dois — Espero que aproveite a sua viagem, querida. Nós vamos ficar mais alguns dias na cidade, curtir o nosso neto e então voltaremos para casa. O restaurante precisa de mim, mas você sabe, o papai te ama.

— Eu também. Te amo tanto.

— Será que eu posso ter a honra? — A meu sorriso morreu quando os meus olhos caíram na figura que sorria em um misto de diversão e malicia para mim, me checando da cabeça aos pés.

— James! Eu não tinha ideia que você estava aqui. — Respondi quando o meu pai me soltou e se retirou sem olhar para trás. Ele não tinha ideia que tinha sido esse o homem a salvar minha vida e muito menos que ele estaria aqui hoje. Eu havia enviado um convite, mas mesmo assim...

— Está brincando comigo? As festas são sempre mais divertidas comigo por perto. Eu as adoro! Basta dizer aonde, quando e me encontrará — Ele piscou e começou a dançar com um pouco de dificuldade em me levar junto, já que eu quase não me movia. Ainda estava surpresa em vê-lo depois de tudo que aconteceu — E também, por alguma razão, as melhores mulheres estão nos casamentos. Por falar nisso, você pode acreditar que aquela garota se recusou a me dar um beijo? Que mal-agradecida. — Resmungou fazendo uma careta de desgosto.

Confusa, olhei para os lados e vi que ele estava encarando Jane que conversava com um rapaz alto e então gargalhei. Se alguém seria capaz de peitar o James, era ela. Mas os dois não se misturavam de forma alguma, como água e óleo. Ela já teve experiências ruins o bastante com homens para cogitar a ideia de se relacionar com alguém como o Gigandet, mesmo que esteja em dívida com ele. E só pelo fato dele ter lhe cobrado um beijo por tê-la salvo, mostrava que o homem não mudara em nada, o que acrescentou uma pitada de diversão em como tudo acabou.

Nós conversamos por um tempo razoável sobre os planos para o futuro. Fiquei surpresa quando soube que Edward tinha lhe oferecido o antigo emprego de volta, de início ele não parecia inclinado a aceitar, porque parecia que estava sendo remunerado por ter me tirado daquele lugar, mas eu sabia que aquela era a forma de Edward agradecer e pedir uma trégua de todo o drama que acontecia quando os dois se encontravam. Foi ele que nos interrompeu e convidou James para participar da tradicional quebra de pratos dos casamentos gregos.

Eu gritei de animação e pulei no pescoço dele quando vi alguns rapazes trazendo em uma mesa de rodinhas, diversas louças brancas e empilhadas, prontinhas para serem jogadas ao chão. Eu nunca pensei que me divertiria tanto com alto tão tolo e desnecessário, mas só sosseguei quando matei a minha vontade e infelizmente, não pude fazer a dancinha complementar por causa do vestido. Me recusei a troca-lo por outra coisa, porque apenas uma louca pagaria tanto por ele e só o usaria por uma hora. De maneira alguma!

Passei algum tempo com as garotas, aproveitando os meus últimos momentos com elas e agradecendo pela ajuda em tornar esse dia tão especial para nós. Edward me monopolizou pelo resto da noite, aceitando que apenas Heitor chegasse perto. Eu sentiria tanta falta dele quando viajássemos. Nunca estive fora por tanto tempo, com exceção dos dias em que passei no hospital, mas sabia que ele ficaria em boas mãos.

Quando a hora de jogar o buquê chegou, os meus pés já estavam me matando e sendo uma vaca total, suspirei de alivio no momento em que Laura me informou que após aquilo, estávamos liberados para ir embora, se quiséssemos. A expressão de Edward não deixou quaisquer dúvidas.

Ele estava ansioso para colocar as mãos em mim. Os olhares que ele me enviava, me faziam suar. Eu enviei um bem malicioso na direção do Eric quando Maggie pegou o buquê e sorriu para ele, que estava do outro lado do salão. Eu juro por Deus que o homem perdeu a cor e foi motivo da risada de quase todos, inclusive a dela. Maggie estava ao lado da médica e acompanhante de Jacob, as duas conversavam como se fossem amigas há anos, mas a moça estava sempre procurando Jake com os olhos.

Alguma coisa estava acontecendo ali e o que quer que fosse, eu esperava que desse muito certo.

— Tem certeza que não quer ficar? — Edward me perguntou ao afrouxar a sua gravata. Estávamos na limusine, indo para algum lugar e eu tentava me livrar dos grãos de arroz que ficaram presos no meu decote — Eu não vou culpa-la se não estiver pronta para ficar algum tempo longe de casa. O aniversário de Heitor está chegando e...

— Edward, pare. Eu estou ansiosa por isso — Segurei sua mão para acalma-lo e ele beijou os meus dedos — Heitor vai ficar em boas mãos. Alice já começou a planejar a festa dele para quando voltarmos e isso vai levar algum tempo. Não passará em branco e teremos todos os outros anos. Lua de mel, geralmente é só uma e a ideia de tê-lo só para mim por duas semanas inteiras está fazendo coisas comigo que eu não saberia explicar.

Era tarde demais para voltar atrás agora.

Ele abriu um sorriso safado para mim e se aproximou, enlaçando a minha cintura e tomando a minha boca. A minha mão voou para o seu cabelo e bagunçou os fios que, pela primeira vez, estiverem em ordem durante toda a noite. Edward não conseguia me tocar direito por causa do vestido, então usou os lábios para me provocar e passear por todo o meu colo, pescoço e ombros, onde deu diversas mordidinhas só para me deixar carente e necessitada.

Nós repetimos os procedimentos de quando viajamos para Atenas assim que chegamos no ORD, mas não tivemos que esperar e logo embarcamos. As bagagens vinham atrás de nós junto com o motorista. Ele mal cumprimentou o piloto e a comissária de bordo ou me deixou fazê-lo, apenas me puxou em direção ao quarto nos fundos do avião e nos trancou lá dentro.

— Acredito que tenho uma fantasia sua para realizar.

Edward calou os meus protestos ao morder o meu lábio inferior e chupa-lo. As nossas preliminares foram interrompidas quando decolamos, mas depois Edward tomou o seu tempo para me tirar daquele vestido como se desembrulhasse um presente na manhã de Natal. E eu adorei cada segundo.

— Será que agora eu posso, por favor, saber para onde vamos? — Perguntei fazendo charme deitada completamente nua – se a minúscula calcinha branca não fosse considerada – e espalhada sobre a cama. Os lençóis de seda estavam me fazendo deslizar e a sensação na minha pele estava me excitando — Eu fui boazinha e você ainda está todo vestido! — Resmunguei, mas não era bem verdade. O paletó havia saído com os sapatos e as meias há alguns minutos.

Ele estava tão sexy daquele jeito, todo despenteado e amassado.

— Vamos brincar um pouco. Eu te dou algumas dicas e se você acertar, eu tiro uma peça de roupa. Que tal isso? — Sentei na cama, empolgada como uma criança, mas o olhar que Edward me deu ao assistir os meus peitos saltarem, era totalmente improprio para menores.

Merda, eu precisava dele com urgência.

— Está bem! Vamos, comece. — Pedi esfregando as minhas coxas.

— Basílica — Ele soltou enquanto tentava disfarçar um sorriso e eu o olhei como se ele tivesse perdido o juízo. Que diabos isso queria dizer? — Exposição artística — Continuou e tudo bem, isso claramente não estava funcionando como eu pensei — Chardonnay?

— Edward, seu idiota, eu não estou para brincadeira! — Ralhei e ele soltou a risada que estava prendendo. Passou a mão na nuca e pelos cabeços, bagunçando-os ainda mais, para me distrair.

— Michelangelo.

— Michelangelo. Eu acho que... Oh, puta merda! Itália? — As minhas pernas ficaram inquietas quando ele abriu um sorriso e desabotoou a camisa bem devagar, me fazendo perder o fio da meada na medida em que o seu peito ia ficando mais e mais exposto.

— Castelo de Saint Michel.

— Caste... o que? — Perguntei atordoada quando o vi puxar o botão da calça, descer o zíper, mas não a tirou. Apenas deixou-a pendurada ali, dando-me uma amostra da cueca azul escura que usava por baixo. Eu precisava toca-lo. Agora.

— Castelo de Saint Michel. Notre Dame. Marc...

— França?! — Perguntei com os olhos arregalados, me colocando de joelhos e gritei quando a sua calça foi ao chão — Vamos para Itália e para a França?

— Exatamente, Sra. Cullen — Ele enrouqueceu a voz ao pronunciar o meu novo título e eu senti o resultado bem no meio das minhas pernas, a minha calcinha umedeceu na hora — Eu acredito que lhe devo uma visita Côteaux Varois, em Provence — Explicou e eu pisquei quando entendi sobre o que ele estava falando — Fiquei duro por 20 minutos enquanto você derramava o seu conhecimento sobre vinhos através desses lábios sensuais e eu só era capaz de imagina-la usando um minúsculo vestido de verão, caminhando pelo meu vinhedo enquanto eu te agarrava por trás e me esbaldava nesse pescoço delicioso.

— Ah, meu Deus... — Gemi, imaginando-o com tesão na sala de degustação do restaurante do meu pai e caí para trás, jogando os braços acima da cabeça com a imagem dele tocando o pau por cima da calça social enquanto me ouvia falar.

— Oh, sim. Você vai chama-lo muito pelas próximas horas — Concordou e subiu na cama como um felino estudando a melhor forma de atacar — Eu espero que você não seja apegada a essa calcinha. Ela é linda, mas precisa ir — Sentenciou e eu senti uma fisgada na perna quando o tecido forçou antes de rasgar. Ele me mostrou o pano branco em pedaços e jogou-o por cima do ombro. Seus olhos descerem do meu rosto e pararam na mão que cobria o meu peito direito, os dedos brincavam com o mamilo rígido — Agora eu vou foder a minha mulher com ela usando apenas e pela primeira vez, a nossa aliança de casamento. Vou fazê-la tremer de tanto gozar e enquanto estivermos no ar, só iremos comer, descansar e fazer amor, Bella. Lento e gostoso.

Eu estava muito excitada para entender aquilo como uma promessa e não como uma das muitas sacanagens que ele falava para me enlouquecer. Mas o meu marido cumpriu cada palavra.

Sua respiração pesada arrepiava os pelos da minha nuca enquanto as mãos passeavam da minha cintura até o quadril, onde ele segurou as minhas pernas e as abriu para se acomodar e esfregar os nossos sexos. A sensação me fez quase pular do colchão e eu estremeci, pronta para gozar. A cabeça do seu pau estava na minha entrada quando o seu corpo cobriu o meu e então um arrepio nada agradável passou pelo o meu corpo.

Apertei os meus olhos já fechados e me forcei a deixar pra lá. Isso não ia acontecer. Não agora.

— Isabella, abra os olhos — Edward pediu, sua voz saiu da forma mais carinhosa possível, mas eu sentia a sua tensão — Sou eu, baby. Vamos — Ele pediu novamente — Quero que veja como te dou prazer. Assista enquanto nossos corpos se fundem. Olhe para mim enquanto eu a amo.

Meus olhos piscaram com as lagrimas quando tentei abri-los, mas decidi que nada no mundo me faria ficar no escuro outra vez, não com esse homem incrível, paciente e amoroso me encarando com tanto carinho. O que eu não faria por ele? O que eu seria capaz de negar?

Eu era dele.

De corpo, alma e coração.

Solucei quando ele empurrou para dentro de mim e manteve-se imóvel pelos primeiros segundos. Eu me apertei ao redor dele, que gemeu e praguejou baixinho no meu ombro. Edward se moveu devagar até que me tinha participando e querendo mais tanto quanto ele. A maneira como o seu pau me massageou por dentro, aumentou a minha por fome e fez com que eu esquecesse totalmente que estávamos voando, que tínhamos companhia e o nosso destino.

Edward foi o primeiro a se entregar ao orgasmo por estar a tanto tempo precisando de mim, mas não parou de estocar até que eu obtivesse o meu e enquanto eu recuperava o folego, o senti dentro de mim, ficando tão firme quanto antes e pronto para outra.

Quando aterrissamos no Aeroporto Internacional Marco Polo, localizado em Tessera, era começo da noite do dia seguinte. Edward já tinha reservado um táxi aquático que estava esperando para nos levar à Veneza, mais precisamente para o hotel CimaRosa, que ficava em San Polo – o menor dos seis bairros da cidade e, de longe, o mais movimentado – e ele era absolutamente primoroso. Eu estava encantada em estar na França e a experiência começou muito boa com a amabilidade das pessoas que foram muito acolhedoras. O funcionário do lugar nos colocou na suíte solicitada e eu vibrei de contentamento com a atmosfera toda romântica dela e das poucas áreas que pudemos ver. Isso aqui era tudo que tinha em mente para os próximos dias.

Seria difícil sair dali todas as manhãs para fazermos qualquer coisa na cidade.

Edward pediu o serviço de quarto assim que nos instalamos e eu tratei de encher a banheira para nós dois passarmos um tempo ali. Estávamos sujos graças a uma brincadeirinha no banheiro do avião e em quinze minutos, já tínhamos um jantar, sobremesa e um dos melhores champanhes – que foi um presente das donas do hotel – à nossa espera. Após o banho, comemos na varanda com uma vista incrível do Grande Canal e registramos a nossa primeira noite no país com o celular.

Nós enviamos mensagens de texto para o pessoal em Chicago saberem que chegamos em segurança e naquele momento, enquanto muitas pessoas estavam saindo para aproveitar a cidade, estávamos nos aconchegando um no outro, prontos para uma boa noite de sono.

— Vamos, Isabella, levanta! — Edward mandou pela terceira vez, puxando o lençol que eu tinha pegado para substituir o edredom que ele já tinha jogado para longe de mim — Está na hora de acordar. Eu tenho uma cidade inteira para te mostrar e uma esposa maravilhosa para exibir.

Aquelas palavras, apesar de estarem carregadas de humor, me fizeram sorrir por outra razão. Sentei-me esfregando os olhos para me acostumar com a claridade do quarto. Todas as janelas estavam abertas, o sol da manhã entrava com força total e havia uma garrafa de Ruinart vazia sobre o tapete, mas eu não senti pingo de mal-estar, muito pelo contrário.

Edward estava do outro lado do quarto, cantando uma canção francesa – com um sotaque engraçado – muito conhecida, para entrar no clima enquanto vestia uma cueca. Sequer se deu conta que me deu uma rápida, mas valiosa visão, da sua bunda durinha e bonita.

Quando ele virou, eu pulei para fora da cama e corri com o meu nécessaire para o banheiro.

Tirei a minha escova e puxei o creme dental para fora, deixando o meu anticoncepcional cair dentro da pia. Apanhei para toma-lo, uma vez que o horário era o mais correto para fazer exatamente isso. Conferi os espaços vazios e percebi que por dos dias, ignorei totalmente o remédio. Xinguei a mim mesma enquanto expulsava dois comprimidos de suas casas e estava prestes a joga-los na boca, quando um pensamento rápido me fez parar.

— Então, qual os planos para hoje? — Perguntei mordendo o lábio.

— Eu pensei em te levar para conhecer a Basílica de São Marcos. Em darmos uma volta ao redor do bairro, almoçar por aí — Ele ficou em silencio, parecendo pensar, mas logo continuou — Então, podíamos ir ao Palácio Ducal e na Ponte dos Suspiros mais tarde. — A sua voz soava distante porque a porta do banheiro estava quase encostada, mas então ele apareceu belíssimo com uma câmera fotográfica na mão e a apontou-a na minha direção, salvando o momento em que eu tinha acabado de cuspir a espuma branca que a pasta de criou.

— Edward! — Briguei e revirei os meus olhos, mas não tinha como ficar com raiva quando ele estava tão bem-humorado e risonho daquela forma. Depois eu apagaria a foto — Por que essa ponte tem esse nome? É meio estranho.

— Bem, ela foi batizada por um Lord no século XIX, porque na época da República de Veneza, os prisioneiros ao atravessá-la, sempre suspiravam sabendo que estavam vendo pela última vez o mundo exterior — Ele explicou com uma expressão de pesar — O fato é que uma vez que você era condenado no Palácio dos Doges, não sairia de lá com vida.

— Credo. E por que raios você quer me levar em um lugar desses, seu maluco? — Perguntei achando graça comigo mesma e enxaguei a boca duas vezes antes de fechar a torneira. Voltei a olhar as bolinhas esquecidas ao lado e tamborilei os dedos no mármore frio.

Pensa com cuidado, Bella.

— Porque há uma lenda, sua bobinha — Ele disse, todo presunçoso — Ela diz que será concedido amor eterno e felicidade aos amantes e casais que se beijarem em uma gôndola ao pôr do sol sob a Ponte dos Suspiros com os sinos do Campanile di San Marco tocando. E é exatamente o que eu pretendo fazer acontecer. — Edward piscou para mim quando terminou de explicar e eu me apoiei no balcão por um segundo, prendendo o meu próprio suspiro enquanto encarava a expressão de boba apaixonada no espelho.

— Eu aposto que você vai — Afirmei indo em direção à saída e pulando no pescoço dele. Edward me pegou, mas não antes sem dar uns passos para trás, por causa do impacto. Eu o empurrei ainda mais, até que ele estivesse andando de costas em direção à cama espaçosa e bagunçada no centro do quarto — Eu te amo demais.

— Hum. Eu também te amo — Ele gemeu com os olhos quase fechados enquanto tirava a minha blusa, deixando-me nua da cintura para cima e apertou os meus seios — Deus, Bella. O sol está iluminando as suas costas, deixando o seu cabelo vermelho e a sua pele tão aquecida. Como você só fica ainda mais bonita? — Edward tomou os meus lábios antes mesmo que eu pudesse responder ou agradecer e foi um dos beijos mais saborosos que já ganhei — Ainda não fomos a lugar nenhum e essa viagem já está sendo incrível.

Eu apenas assenti e ele não tinha ideia do tamanho do meu sentimento.

Eu empurrei o meu short para baixo e ele mal sabia o quanto eu era grata por tê-lo.

Eu nos encaixei com ternura, o fazendo suspirar e ele sequer suspeitava da minha decisão.

Eu fiz amor com Edward lenta e intensamente naquela manhã de terça-feira, dando tudo de mais bonito que havia em mim e ele não imaginava que eu estava prestes a tornar a nossa experiência ainda mais inesquecível. Criando com o nosso amor, o que não sabíamos que nos faltava. Esse homem me preencheria até os ossos com a prova física da sua paixão e eu lhe daria uma nova oportunidade.

Um recomeço.

Repleto de carinho. Cumplicidade. E sorrisos.

Principalmente os bem doces e banguelas.

F I M

(Trajes do Casamento)

Notas finais
E chegamos ao fim de uma caminhada. É sempre difícil nos despedirmos daqueles personagens que nos deixaram apaixonados e daqueles que aprendemos a gostar de odiar. Há muito tempo eu não experimentava essa sensação, mas estar vivendo isso de novo, quer dizer que consegui alcançar o meu propósito. Quero agradecer rapidamente a todos que deram uma chance a essa Odisseia e principalmente a quem se fez presente do início ao fim, questionando, incentivando ou elogiando. Sou grata por todas as recomendações lindas. Dcm, você foi a última e também muito querida. Obrigada pela gentileza. Vocês todos foram muito importantes para o desempenho da história e que venham muitas outras pela frente! Então, a Isabella passou por tantos perrengues nos últimos tempos que não era de se surpreender, que as marcas desses momentos não fossem apenas físicas. Chegou até cogitar a possibilidade de deixa-lo. Ver o Edward sofrendo pelo que ela passou e sendo “punido” por isso, é realmente de cortar o coração. Os vilões foram pegos e punidos. Deu até um alivio quando voltaram para Chicago, hein. Eu não sei vocês, mas gostei muito de ver a Elizabeth trabalhando na relação dos dois. Ou dos três. Edward conseguiu amarrar a noiva de todas as formas e o casamento aconteceu. Agora nos despedimos com a Bella planejando aumentar a família durante a lua de mel. Que nenéns! Espero que tenham gostado ♥ Agora vamos aos anúncios: este foi o último capítulo da fic, exageradamente grande porque vocês me conhecem. Ainda tem o epilogo – narrado pelo Edward – e ele provavelmente estará aqui na próxima semana, dentro do prazo dos capítulos anteriores. Muitas de vocês me questionaram sobre uma segunda temporada e eu respondo: não haverá. Porém, quando eu vier postar o epilogo, também postarei o prologo da nova fic e quem se interessar, poderá acompanha-la através do sistema do site para receber a notificação quando o primeiro capitulo estiver disponível, certo? Eu espero rever esses mesmos rostinhos nas próximas fanfics sobre o nosso casal favorito. Nos vemos nas reviews. Espero que tenham uma boa semana, gente.