Odisséia Grega

24 Capítulo 24


Notas iniciais
Ei, gente. Voltei! Não aguento ficar muito tempo sem postar... Vou deixar para me estender nas notas finais, sei que estão curiosas. Então, boa leitura.

Proximidades da Universidade Roosevelt – 18h42m

O sol havia se posto há bastante tempo e uma lua minguante já enfeitava o céu da cidade, que tinha um clima agradável apesar do frio noturno. Deixei o vidro do carro semiaberto enquanto dirigia pelo centro de Chicago seguindo finalmente o caminho de casa. Suspirei cansada. O dia tinha sido complicado no trabalho, perdemos um contrato importante e o meu chefe não ficou nada satisfeito com isso. Não que tenha sido minha culpa, mas eu me sentia responsável de toda forma por não ter podido evitar.

Há quase 9 meses fui contratada pela Kara Gobban Architects, um escritório de arquitetura incrível e uma das mais influentes firmas do ramo. Pus meu curriculum em diversas empresas assim que cheguei na cidade, minha antiga empregadora até me ofereceu uma vaga melhor na sede daqui, mas eu recusei na intenção de cortar vínculos. Dado os últimos acontecimentos na minha vida, achei que começar do zero seria a coisa mais sensata a fazer. Incluindo no trabalho ao mudar totalmente de ramo.

Sorri ao lembrar que Eric foi de extrema importância para que eu conseguisse me virar na loucura que era esse lugar. O meu histórico não era ruim, muito pelo contrário, mas emprego não se achava mais com tanta facilidade como antigamente, então precisei engolir o meu orgulho e aceitar a sua ajuda, uma vez que ele tinha contato e amizade com diversos empresários da cidade. O homem era simpático e experiente, abriu um leque de oportunidades fantásticas para mim e se eu não tivesse tantas responsabilidades na época... suspirei pensando na vida que poderia estar levando hoje.

Quem diria que Isabella Swan se tornaria uma coisinha gananciosa?

Sorri balançando a cabeça negativamente. Mesmo assim, eu não tomaria uma decisão diferente. Estava mais do que feliz com o que tinha e não me arrependeria de um passo sequer que dei, se isso mudasse o rumo que as coisas tomaram.

O trânsito nesse horário não era o que eu chamaria de agradável. Todo mundo saindo do trabalho ao mesmo tempo, pessoas deixando ou indo para a faculdade. Famílias saindo para jantar. Um exemplo disso era o casal de mãos datas passando embaixo do semáforo à minha frente. A moça carregava uma criança de colo nos braços e usava uma manta rosa para cobrir o rosto da bebê, protegendo-a do vento frio, enquanto o homem a abraçava pelos ombros e beijava sua têmpora. Ele parecia tão satisfeito em segura-las e protege-las no meio da rua que suspirei e abri um sorriso sem sequer poder evitar.

Aquela imagem aumentou a minha saudade de casa, então na primeira chance que tive, acelerei o carro e fiz as curvas que me levariam para o North Side. Eu morava em um bairro bem residencial com muitas lojas e locais para compras e também era perto dos principais pontos turísticos da cidade, o que me entusiasmou muito logo quando me mudei.

Ouvi um alerta de mensagem abafado. Parei em frente à uma faixa de pedestre onde um grupo de pessoas pareciam esperar para atravessar há algum tempo e saquei o celular da bolsa. Dei uma boa risada quando vi a barriga de nove meses completos de Leah. Ela usava uma saia longa de cor amarela clara, um top branco que só lhe cobria os seios e seu namorado de longa data, Sam, estava bem atrás abraçando-a carinhosamente com as mãos sobre a barriga gigante.

Para: Leah Clearwater +(630-821-3909)

Hora: 18:59 p.m.

“Emily está se saindo uma tremenda preguiçosa, não? Que tal fazer umas atividades físicas leves? Ela não pode ficar aí por mais tempo. Mas mande-me mais fotos! Adoro recebe-las. Ah... manter a vida sexual ativa também é muito eficaz para apressar o parto ;)

Beijo grande, amiga.”

E era verdade. Eu havia aprendido de uma maneira muito engraçada e constrangedora que os esforços na relação sexual combinado com a ação do sêmen no colo, funcionam como um estímulo fortíssimo que pode levar à contração do útero. Também o fato da mulher se sentir atraída e desejada, ao atingir o orgasmo aumenta a segregação de uma hormona que vai igualmente estimula-lo.

Como eu disse, constrangedor.

Entrando no meu bairro, pude admirar pela milésima vez as residências de aparência convidativa. As casas aqui eram magnificas. Todas com aquela estrutura antiga, mas muito bem conservadas e de extremo bom gosto. Me encantei de cara e até visitei algumas na época, mas o preço era alto demais para o meu bolso, então outro apartamento foi a única opção viável, o que não me incomodou nenhum pouco. Além de estar acostumada desde a época de estudante quando saí de casa, eu prezava pela minha segurança bem mais nos dias de hoje.

Uma vez liberada a minha entrada no estacionamento, fui fechando a janela, desligando o som e guardando o CD que tocava no carro enquanto estacionava sem nenhum problema. Antes de sair, verifiquei se estava tudo dentro da bolsa: meu celular, carteira, o crachá de identificação da empresa e chaves. Certo. Da mala da mala do carro, retirei 4 sacolas de compras. Havia passado no supermercado logo após sair do trabalho e comprado alguns mantimentos que vinha sentindo falta nos últimos três dias.

Oh, cacete.

Fiz careta e continuei a praguejar mentalmente ao perceber que havia esquecido da farmácia outra vez. Era inacreditável. Eu só tinha 26 anos, não deveria estar com a memória tão falha!

Chamei o elevador. Ele veio e depois que entrei, precisou parar no quarto andar e eu tive que dividi-lo com uma adolescente pentelha que morava um andar abaixo do meu.

Seu cabelo vermelho sangue precisava ser retocado na raiz e ela mascava o chiclete fazendo aquele barulho irritante de propósito enquanto mexia em um app no iPhone recém lançado que em alguns lugares do mundo, teria o mesmo valor do meu aluguel. Era daquelas meninas que tem de tudo na vida graças aos pais trabalhadores, mas por alguma razão entra na fase de rebeldia após os 15. Revirei os olhos quando ela saiu e poucos segundos depois, eu estava em casa.

Finalmente.

Quando enfiei a chave na fechadura da porta e girei, me senti repentinamente ansiosa para ver se aquele sorriso lindo que enchia o meu peito de alegria todos os dias, estava me esperando como de costume. As sacolas estavam machucando meus braços de tão pesadas, então eu corri para a ilha da cozinha, despejando as coisas lá, inclusive a minha bolsa e por fim, suspirei cansada. Estava tudo impecável, claro, a Bree realmente era uma criaturinha teimosa. Já havia lhe pedido diversas vezes para que não lavasse louças ou fizesse qualquer limpeza aqui em casa porque isso não era função dela, mas essa era a única ordem que a garota não se importava nenhum pouco de ignorar.

Na sala, percebi que a secretaria eletrônica piscava. Tirei os sapatos, pressionei o botão azul e a primeira mensagem de voz veio à tona enquanto eu sentava toda esparramada no sofá.

Isabella Marie Swan, tem sido impossível falar com você desde o que? O ano novo! Não seja ingrata. Seus pais ainda estão vivos, certo? Precisamos de carinho — comecei a rir da voz dramática da minha mãe. Renée não muda sua carência nem com o passar dos anos — Você está bem, filhinha? Tem notícias de Rosalie? Aquela é outra que... ah, enfim! Eu liguei pra falar sobre o nosso aniversário de casamento. Eu sei que é só daqui há algum tempo, mas eu queria saber se vocês virão. Charlie está ansioso para tê-la em casa outra vez. Vocês são todos bem-vindos, principalmente você e o lindo do...”

— Srta. Swan? — Pulei de susto com a voz macia atrás de mim e ri da minha própria besteira antes de virar. Bree estava com as mãos molhadas e enxugava-as na própria roupa enquanto me olhava com um pequeno e tímido sorriso nos lábios — Não a ouvi chegar. A senhorita quer que eu dê início ao jantar?

— Não, imagina! Não precisa. Eu comprei o que faltava, daqui há pouco preparo alguma coisa. Você fica pra jantar com a gente? — Vi ela aproximar-se tímida do sofá e parecia indecisa se aceitava ou não — Ah, vai jantar sim. Hoje é dia do plantão da sua mãe, não tem que ficar sozinha naquela casa mais tempo que o necessário. — Disse e ela riu porque era verdade. Bree era uma jovem de 18 anos adorável, morava aqui perto com sua mãe, uma enfermeira há mais de duas décadas que tinha dois plantões semanais pesadíssimos e hoje era o segundo deles.

— Bom... sendo assim, eu fico. A senhorita irá vê-lo agora? Acho que acabou de adormecer, esteve tomando banho antes. Quase não saia do banheiro como sempre! — Ela riu amarrando seu cabelo preto e ondulado com uma liga deixando-os rapidamente em um rabo de cavalo.

Entendi o porquê de ela estar molhada ao chegar. Deveria estar dando uma geral no banheiro que se tornara uma das áreas mais bagunçadas desse apartamento desde que o comprei.

— Vou sim, mas não quero acorda-lo ainda. Ele tem estado com o sono bem leve nas últimas semanas, ainda não sei se são pesadelos ou alguma dorzinha chata — Fiz uma careta ao me lembrar da noite de quinta passada. Foi de assustar — E eu estava vendo os recados na secretaria. Mas está tudo bem?

— Claro! Tudo bem como sempre. Então como ainda é cedo, eu vou preparar um chá para você, certo? Vou só colocar a água no fogo. Com licença, Srta. Swan. — Outro detalhe sobre Bree era que apesar de me conhecer há quase um ano, não me chamava pelo nome quando estava aqui em casa, dizia não se sentir à vontade. Assim que essa fase acabasse, eu estava decidida a lhe ajudaria a arranjar um emprego melhor, porque ela era simplesmente maravilhosa e merecia.

Liguei a TV e deixei em algum noticiário qualquer enquanto ouvia as demais mensagens, que felizmente eram poucas e que eu poderia responder em qualquer outra hora. A menina estava na cozinha guardando as minhas compras. Eu ri e revirei os olhos outra vez, partindo rumo aos quartos. Fui até a segunda porta que estava entreaberta, as luzes apagadas deixavam tudo escuro, mas a luz da lua clarinha que ultrapassava a janela, iluminava o suficiente para que eu pudesse vê-lo dormindo tranquilamente de bruços. Tão lindo. O quarto estava com seu cheirinho fascinante e o seu ressoar era o único som ouvido. Meu coração aqueceu-se ao vê-lo e eu dei meia volta, indo para a cozinha esperar pelo o meu chá.

— Bree, por favor, pegue para mim: 2 porções de massa talharim, cebola, farinha de trigo, leite... ah, noz moscada! A ralada. Hum... queijo parmesão também ralado... — Fui listando o que precisava para fazer o nosso macarrão com molho branco à parisiense enquanto buscava as panelas no armário. Coloquei o avental preto personalizado com uma vaquinha fofa estampada e comecei.

Ela cuidou de colocar o macarrão para cozinhar enquanto eu derreti a margarina em fogo baixo e refoguei a cebola picadinha até que ficou transparente. Acrescentei a farinha e fui mexendo para que cozinhasse, até quando começou a formar uma espuma, o roux. Coloquei o leite na panela e continuei mexendo bem para dissolver o roux sem empelotar. Quando o molho foi engrossando, misturei também a noz moscada e estava feito molho bechamel.

Adicionei o queijo ralado e continuei cozinhando, mexendo até virar um creme. A campainha tocou e Bree levantou-se do banquinho correndo para atender sem que eu precisasse pedir. Coloquei as ervilhas, o peito de peru e os champignons fatiados. Desliguei o fogo e incorporei um pouco de creme de leite.

— Olha só! Mas eu sempre chego na hora certa — Joguei a cabeça para trás dando uma gargalhada quando ouvi a voz de Rosalie. O pior era que é verdade. Eu sempre brinquei que ela sentia o cheiro da minha comida lá do apartamento dela, porque a mulher tinha o timing perfeito. Bastava eu preparar algo e lá estava ela mendigando um pouco de comida — E nem me olhe com essa cara, você fez muito só para vocês e eu estou faminta. Cheguei agorinha.

— Certo, menos conversa e mais ação. Coloque a mesa porque aqui você não tem empregados, anda. — Mandei enquanto envolvia a massa no molho quentinho. O cheiro estava dos deuses.

E o fato de eu não ter tido tempo para almoçar ajudava muito em deixar qualquer coisa saborosa o suficiente para que eu devorasse sem pensar duas vezes.

Bree sumiu pelo apartamento enquanto nós sentávamos à mesa, mas logo voltou sorrindo e fazendo sinal positivo com os dedos e sentou junto conosco. Comemos em meio a gemidos e risadas, estava muito bom! Abençoada seja a vovó Swan e suas receitas.

Rosalie nos contava sobre como o Isaac, seu pai, estava exigindo muito dela no trabalho, pois a alertava de que em um dia muito próximo, ela viria a ser a diretora daquele lugar, mas estava claro como água que a loira queria continuar clinicando e cuidando das suas crianças por anos, não se envolver com burocracia trancafiada em uma sala o dia inteiro.

O problema todo é que o sujeito é muito difícil de lidar. Rosalie é filha única e ele sempre quis um rapaz para seguir seus passos, o fato dela ter escolhido medicina para agrada-lo, pra ele era apenas o mínimo que ela poderia fazer, como uma espécie de obrigação. Por isso não aceitava “não” como resposta quando tentava induzi-la a fazer exatamente o que ele planejava desde o início.

— Eu posso apostar que Olivia não se manifesta sobre nada disso, não é?

— Ah, Bella! Até parece. Mamãe não saberia nem o que nós dois fazemos para viver se ela não fizesse questão de nos exibir para as amigas. A mulher é fútil demais. Às vezes penso em me ajoelhar no milho e agradecer a Deus por não ter ficado tão vazia e insuportável. — Queixou-se e eu ri, apesar se ficar mexida sempre que tocávamos no assunto.

Não era à toa que Rose era tão apegada aos meus pais desde que nos conhecemos e eu não fazia impedimento algum quando a via demonstrar sua carência em cima deles. Na verdade, estava mais do que satisfeita em dividi-los. Ela sempre seria a minha irmãzinha.

— Srta. Swan? Está tudo bem se eu for para casa agora? — Bree questionou depois de me ajudar a levar os pratos para pia. Limpei as mãos e virei para ela sorrindo.

— Claro, querida! E muito obrigada por ter ficado até mais tarde, eu realmente precisava passar no mercado enquanto lembrava do que comprar. Mas vá com cuidado. — Me despedi dela com um beijo na bochecha. A menina corou e riu pra mim antes de sair das minhas vistas.

Rosalie estava deitada no meu sofá, trocando de canais o tempo todo parecendo pouco interessada. Ela morava praticamente ao meu lado, mas por alguma razão, o meu lugar era mais aconchegante que o dela, porque tira-la daqui era um maldito sacrifício diário.

— Renée me deixou uma mensagem. Ela queria saber se viajaríamos para comemorar o aniversário dos dois junto com eles. Odeio ter que deixá-los em datas assim, acho que nunca acostumarei.

— Ah, eu gostaria tanto! — Ela fez um bico com os lábios, mas depois suspirou — Mas está tudo bem, Bella. Sua mãe deve ter nos convidado por pura educação, ela sabe que nós duas trabalhamos feito jumentas de carga e que sair daqui para Atlanta só pra voltar no dia seguinte, não é uma ideia atraente.

Está bem, fazia sentido. Mas de qualquer forma, eu os conhecia. Sabia que esse tempo em que estávamos separados era tão ruim para eles quanto era para mim. Lembro de como ficaram nervosos quando anunciei que iríamos embora. Papai parecia tão perdido, não esperava por essa. Renée ficou surpresa e revoltada, ela culpou ele por eu estar querendo sair de onde fui criada, mas eu fiz questão de tirar essa bobagem de sua cabeça.

Muito tempo já havia se passado quando decidi vir para Chicago e outras coisas contribuíram para que eu tomasse aquela decisão, mas ele não foi uma delas. Aquele homem foi vetado da minha vida como alguém que em uma dieta rigorosa corta carboidratos de seu cardápio.

Na verdade, uma das razões mais fortes foi Rosalie ter recebido essa proposta do pai, ela sendo natural daqui, achou difícil resistir ao apelo dele. A boba acreditou que Olivia precisava de algum apoio após o longo caminho que eles percorreram para não precisarem recorrer ao divórcio. Ela acabou me convidando para vir junto e foi tudo muito tentador.

A ideia de uma cidade desconhecida e pessoas novas parecia deliciosa, então durante três dias pensei com cuidado, avaliei os prós e os contras e cheguei à conclusão de que sim, estava na hora de dar início a um novo capítulo da minha vida. Por que não? Construir memórias novas em um lugar onde nunca estive era excitante demais para que eu pudesse negar.

Nós duas decidimos que estávamos um pouco velhas demais para essa coisa de dividir um lugar, mas eu não me sentiria segura em ficar longe dela e ela não aguentaria e acabaria morrendo de fome sem me ter para alimenta-la, então conversamos com Isaac e ele mexeu seus pauzinhos para me ajudar a conseguir esse apartamento por um preço um pouco abaixo do que era pedido.

E aqui estamos.

— Você tem notícias do Northman? Aquele vagabundo não trabalha mais — Rosalie revirou os olhos dando um sorriso curvado para o lado — Ele deveria largar a bunda bronzeada da Maggie e nos fazer uma visita, não? O cara é praticamente da família.

— Talvez ele apareça no mês que vem rapidinho antes de ir para o Alasca ficar com a família. Você sabe que mesmo ele estando com ela, não esquece de nós e nos liga com frequência — Defendi o loiro que recentemente descobriu-se apaixonado por uma irlandesa de fazer qualquer um babar.

Foi uma surpresa para nós dois darmo-nos conta da sua situação. O solteiro convicto que se recusava a dar netos à sua mãe... com os quatro pneus arriados por uma jornalista em início de carreira. Por um período confuso onde ambos estávamos extremamente apegados, pensamos que algo estivesse surgindo entre nós. Algo romântico. Mas da minha parte era apenas carência e os hormônios em confusão... e da dele, foi burrice mesmo. Não demorou a cair a ficha e por muito pouco não estragamos a amizade que tínhamos construído.

Nossa sorte foi alguém especial que com sua inocência e graça, soube direitinho como nos juntar outra vez e como ela mesmo disse, hoje somos praticamente parentes. Mesmo residindo em Atlanta, Eric passa a maior parte do tempo viajando por pelo menos dois continentes diferentes, mas sempre que retorna ao país passa em Chicago e fica por pelo menos um final de semana conosco, nos enchendo de mimos.

— Eu acho que ele está cada vez melhor, Bella — Rosalie mudou de assunto depois de um longo período em silencio onde estávamos as duas descansando com as pernas entrelaçadas no sofá espaçoso. A moça na TV contava algo sobre um tremor de terra em San Andreas do qual eu já tinha ouvido sobre diversas vezes só esta semana — Eu realmente fiquei assustada, sabe. Achei que ele fosse entrar em depressão ou coisa do tipo. Ainda bem que ele tem você...

Sorri pequeno ao vê-la estremecer só de pensar.

Charlie ficou mais tranquilo em me deixar vir para Chicago, quando soube que Jacob e sua namorada estavam morando aqui há oito meses. Eu revirei os olhos diversas vezes tentando explicar que aquilo não alteraria nada, que a Cidade dos Ventos não era nada como Forks para que o Black pudesse me vigiar, porém, acabei me calando e usei aquilo ao meu favor.

Acontece que apesar de ser uma grande cidade, nós realmente nos encontramos e criamos uma amizade muito bonita e sólida. Vê-lo contar piadas de loira só para deixar Rose fora do sério era quase que a melhor parte do meu dia. Parecíamos os três mosqueteiros, até que Vanessa começou a ficar com ciúme do nosso “grupinho” e passou a agir feito uma cadela com nós duas, colocando o Jake em situações embaraçosas até que ele foi se afastando aos poucos de nós.

Rosalie ficou chateada pois ela realmente gostava da companhia do Jake, nós tínhamos poucas amizades aqui e quase nenhuma era masculina, então ela passou a considerar o cara como um irmão e vê-lo se distanciar foi complicado. Mas então, certo dia o sujeito ressurge das cinzas em meu apartamento com pizzas e cervejas, dizendo “ter se livrado de uma pedra em seu caminho.”

— Eu sei. Fiquei tão assustada quanto você. Foi muito importante para ele ter o seu apoio também, Rose, eu te agradeço demais por isso — Respondi apertando a sua mão com força e ela sorriu pra mim parecendo lembrar-se de algo bonito — Até porque se você não tivesse me dado apoio e aconselhado, Jake e eu nunca teríamos esse tipo de relação que temos hoje. Eu teria chutado sua bunda por tempo indeterminado.

E era verdade. Por um período, nós dois brigamos feito cão e gato, principalmente quando ele tinha suas recaídas, voltava para Vanessa e três dias depois chegava mal na minha casa, me pedindo ajuda e desculpas. Teve dias que eu bati a porta na sua cara sem dó nem piedade. Rosalie dizia que era ciúmes, mas não, não era! Eu apenas não daria espaço para ninguém me fazer de segunda opção outra vez em qualquer situação que fosse.

Meses depois, foi quando o acidente aconteceu.

A polícia me ligou de madrugada me tirando de um sonho ruim e colocando-me em uma realidade muito pior. Eu realmente temi perdê-lo para a morte naquela noite.

Jacob havia acabado de chegar às 2:15 da manhã de Jacksonville, Florida. Uma viagem de trabalho que o deixou preso na cidade por três dias. Quando saiu do aeroporto, Vanessa já o esperava em seu carro, porém antes mesmo de entrar, uma nova discussão se iniciou. Ela não estava nada satisfeita com a pouca atenção que estava recebendo e aborrecido, Jake pegou as chaves do carro e dirigiu ele mesmo.

O que foi um erro. Todo o cansaço, o sono e aborrecimento acabou tirando sua atenção da direção por um instante e eles colidiram com uma SUV e então um Sedan os atingiu por trás, tirando-os da estrada. O veículo ficou em um estado deplorável. Vanessa quebrou três costelas, o nariz e teve uma concussão, enquanto Jake...

Ficou paralítico.

Eu não consigo explicar o que senti quando presenciei o médico lhe dar a notícia. Ele não reagiu bem e com maturidade, atirou coisas para todo lado, gritou e xingou Deus e o mundo. Não deixou os médicos lhe examinarem ou que fizessem qualquer tipo de procedimento, inclusive trocar os curativos ensopados de sangue pelo o esforço que ele fazia para se debater e tentar mover-se sobre a cama. Foi uma cena horrorosa de se presenciar. Ele acabou precisando ser sedado por algumas longas horas.

Quando acordou, não foi diferente.

Irritou-se com Rose pois notou de longe o “olhar de pena” e então eu era a única a ter permissão de vê-lo nos horários de visita. Vanessa só esteve em seu quarto uma única vez e de acordo com ela, por não aguentar a culpa do estrago que tinha causado na vida dele, não podia seguir com aquele relacionamento.

Quero dizer, sério? O cara fica paralítico e ela decide ir embora porque não consegue lidar com a culpa? Eu ignorei totalmente qualquer dano que ela tinha sofrido na cabeça e lhe dei uns bons tapas no meio do corredor por não aguentar de tanta raiva. A culpa era toda dela.

Ela quis sair de Washington. Ela quis vir para Illinois. Ela o infernizou até que ele perdesse o bom senso na estrada, ficasse sem o maldito movimento das pernas e então a desgraçada vai embora de sua vida deixando-o para trás justo quando ele mais precisava?

Mas estava tudo bem. Jacob tinha a mim e todo o meu apoio agora.

Ele ficaria bem.

— Eu posso ir vê-lo agora? — Rosalie perguntou fazendo beicinho e me tirando daquelas lembranças desagradáveis.

— Ele está dormindo, Rose. Você já esteve aqui antes de ir trabalhar, não seja dramática. Como você é grudenta! — Reclamei rindo, mas com um pouco de ciúmes. Eu já deveria ter me acostumado.

— Mas é só um pouquinho! Por favor. Eu já estou indo para casa, deixa... queria só conversar com ele. — Continuou pedindo fazendo carinha de cachorrinho sem dono. Revirei os olhos percebendo o novo habito dela e levantei do sofá, batendo em sua perna com a mão, confirmando a autorização para o pedido.

Ela pulou dali no mesmo segundo e me seguiu andando bem devagar para que o som dos seus saltos não fizesse muito barulho ao tocar o piso. Será que não dava dor de coluna usar aquelas armas mortais o tempo todo? Como se ela já não fosse alta o suficiente. Francamente!

Empurrei a porta branquinha do quarto que já estava meio aberta como deixei, o ambiente continuava ainda bem escuro, mas nós do lado de fora já conseguíamos ouvir alguns ruídos engraçados e resmungos irritadiços. Nós duas começamos a rir antes mesmo de entrar, achando aquilo muito fofo como absolutamente tudo que ele fazia. Rosalie tateou a parede até encontrar o interruptor bem ao meu lado, acendeu a luz central e eu fui direto para onde o meu garoto estava me esperando há algum tempo, lutando com os pés contra o pequeno cobertor.

— Oi, meu amor! Sentiu saudade da mamãe?

(Roupa da Isabella)

Notas finais
Senti uma certa sintonia quando li as ultimas reviews. Vocês estão começando a pegar o jeito da fic - apesar de ainda quererem assar o grego no espeto -, tô me acostumando às reações diversas também. Mas então, Isabella mudou-se para Chicago. Nada de extraordinário aconteceu no capitulo, eu quis mais situar vocês de como e com quem ela vive atualmente. Rose continua lá como sua fiel escudeira. Eric, está se saindo melhor do que encomenda e tivemos o Jake... Se vocês achavam a situação dela fodida antes, qual palavra pra definir a dele agora? E sim! Vai ter bebê-Cullen, sim. Bella estava gravida quando eu finalizei aquela "fase", porém eu não quis entregar a informação de bandeja mesmo sabendo que muitas de vocês já sacaram que essa lindeza estava a caminho. Mas agora quero é ouvir de vocês. Beijos :)