Odisséia Grega

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Olá! Essa é a minha primeira fic em 6 anos mais ou menos, por isso posso ter perdido a pratica ou melhorado um pouquinho, vocês irão me dizer. Boa leitura, gente!

Meus resmungos eram mais baixos do que o barulho dos saltos altos clicando no concreto das calçadas por onde eu passava, estava em um bairro residencial muito silencioso há dois quarteirões do meu destino e já podia sentir meus pés um pouco doloridos, tudo graças ao meu carro de estimação que pela terceira vez em 30 dias havia me deixado na mão, resolvendo parar sem mais nem menos no meio da rua. Foi assim hoje à tarde enquanto eu ia para a minha segunda entrevista de trabalho nesse mês. Eu nunca pensei que fosse tão difícil arranjar um emprego em Atlanta sem ter recomendações! Me formei em Relações Públicas porque desde a adolescência percebi que era o que eu estava inclinada a fazer de melhor e eu pude ter certeza ao trabalhar nas mais diversas áreas que esse curso me permitia. 6 meses após receber o meu diploma fui contratada por uma empresa que estava também em seu início e foi perfeito.

Aprendi e ensinei muito naquele lugar, dediquei anos da minha vida estando na administração, planejamento estratégico e também tive que lidar com os eventos, que era de longe a minha parte favorita. Fiz muitos contatos e só estou desempregada no momento porque não suportei os abusos do meu antigo chefe que chegou no último ano, substituindo seu pai. O homem era um estúpido! Achava-se meu dono porque era ele quem assinava a folha de pagamento com meu nome nela. Me enviava presentes e fazia convites que não tinham o menor cabimento, fazendo certos rumores se espalharem entre os novatos da empresa me deixando extremamente inconfortável. Ele me demitiu no minuto seguinte em que deixei claro que nunca misturava vida pessoal com o meu trabalho e no dia em que fizesse uma exceção, com certeza não seria com ele. Richard Dempsey era um grande bastardo.

Rosalie fez questão de me explicar os meus direitos por ter sido demitida por injusta causa, me obrigando a contratar um advogado e entrar em contato com aquele pedaço de merda naquela mesma semana, fazendo é claro, questão de me acompanhar. Rose é o mais próximo que tenho de uma melhor amiga, dividimos um apartamento desde os tempos de faculdade. Apesar de possuir uma beleza que a faria no mínimo uma modelo de sucesso, decidiu seguir os passos do pai e cursou medicina. Hoje é a Cirurgiã Pediátrica mais queridinha no Children's Healthcare. Tem um temperamento que poucos aguentam, mas é apaixonada por suas crianças e com isso acaba passando mais tempo do que o necessário no hospital, do que em casa.

Fui trazida de volta ao presente por um farol de um carro vindo em minha direção quase me cegando. Atravessei a rua com a rapidez que aqueles sapatos permitiram e suspirei ao avistar a fachada do restaurante do Charlie, meu pai. Occhi Marroni Restaurant era seu bebê, seu motivo de orgulho, depois da nossa família. O plano inicial de Charlie era ser um grande advogado, apenas para agradar a família da minha mãe já gravida na época e foi ela mesma que o fez desistir daquilo e fazer o que lhe traria felicidade. Eles passaram por sérias dificuldades enquanto meu pai estudava, principalmente depois que nasci, mas quando completei 3 anos, recebeu uma proposta duvidosa de um ex patrão para trabalhar aqui em Atlanta, ele aceitou e aqui estamos desde então. Charlie trabalhou noite e dia por anos até conseguir juntar dinheiro o suficiente para começar seu próprio negócio e agora ele tem um dos restaurantes mais bem frequentados e lucrativos da cidade. Como eu disse, seu orgulho.

— Graças a Deus você chegou! Por que demorou tanto? — Leah, uma morena linda de traços indígenas, me abortou quando meus pés tocaram o tapete na entrada — O seu pai sai há cada 10 minutos da cozinha pra procurar por você. Está tão nervoso... não sei pra que isso. —

— O meu carro decidiu que eu precisava tomar um ar fresco enquanto caminhava até aqui — Expliquei transbordando sarcasmo — Ele precisa relaxar, foram só alguns minutos. — Falei começando a retirar o meu sobretudo, entregando-a em seguida. Andei pelo restaurante contando as 11 mesas ocupadas, a maioria por casais. Suspirei como sempre, lembrando de quanto tempo eu não vivia algo assim. Não tenho um longo histórico de relacionamentos, na verdade tudo se resume a 6 encontros e esses que tive, bom, eles e eu nunca passamos da terceira base. Simplesmente nunca parecia a coisa certa, o que era estranho.

Empurrei a porta dupla da cozinha sentindo de imediato a mudança de temperatura e logo em seguida os mais diversos aromas que fariam a boca de qualquer um salivar. Segurei um gemido e levantei o rosto, olhando em volta à procura do papai. Estava tudo como sempre, grande agitação, cozinheiros em sincronia, exceto pelos gritos de Charlie que desestabilizavam um ou outro garçom – não acostumados com aquela atitude – que empilhavam pratos e mais pratos em suas bandejas. Quando nossos olhares se cruzaram, vi sua carranca se desfazer e ele dar um suspiro cansado. Passou por entre seus funcionários e chegou até mim me olhando da cabeça aos pés. Arqueei a sobrancelha e dei uma voltinha.

— Está linda, meu anjo! Estava preocupado com você. Justo hoje as coisas desandaram aqui na no restaurante, Ethan resolve adoecer, estamos com um garçom a menos... — Ele começou a listar todos os imprevistos durante o dia. Peguei em suas mãos e apertei-as com força.

— Está tudo bem, papai. Não aja como se fosse sua primeira vez. O senhor faz isso por anos! Eu sei que são clientes importantes, mas eu estou aqui e vou ajuda-lo no que puder, ok? — Expliquei olhando em seus olhos castanhos apenas um pouco mais claros que os meus. Charlie tem estado uma pilha de nervos das últimas 48 horas porque um certo magnata da construção civil reservou quatro mesas, exigiu além de total privacidade – que também tivesse barman e garçons exclusivamente para seus convidados – que o chef estivesse apenas a sua disposição naquela noite. Era muita prepotência mesmo! As ordens arrogantes do tal Cullen não causaram a mesma impressão em Charlie, ele estava mesmo eufórico em ter o homem por aqui e mal podia calcular quanto faturaria no final daquela noite.

Renée quando descobriu a nacionalidade de alguns dos clientes, me convenceu que seria interessante estar lá esta noite e servir como Host na sala de degustação de vinhos, seria responsável pela degustação e iria tentar convence-los a comprarem os nossos melhores. Não era onde eu esperava passar a minha sexta-feira à noite, mas apenas papai e eu sabíamos dos detalhes mais delicados sobre essas bebidas, então aqui estou eu.

No banheiro feminino, outra senhora e eu estávamos retocando nossas maquiagens. Borrifava uma quantidade sutil de perfume e puxava o meu vestido para baixo, ajustando-o melhor às curvas do meu corpo. Percebi que a mulher ao lado tentava disfarçar seus olhos avermelhados de um choro recente, mas antes que eu pudesse questiona-la ou oferecer ajuda, ouvi a porta ser aberta abruptamente e pulei de susto, batendo as costas no balcão da pia.

— Jesus, garota! Está indo tirar o pai da forca? Que isso. — Reclamei com a mão sobre o peito.

— Bella, eles estão aqui. Eles chegaram! São tantos... e tão bonitos. Cheios de classe, sabe? E o Cullen, meu Deus, aquele homem não é humano. Uma pena que parece estar acompanhado. — Mal entendia o que Leah falava, porque ela tentava respirar e atropelava as palavras o tempo todo. Parecia ter corrido até aqui. Revirei os olhos e encarei meu reflexo mais uma vez antes de sair do banheiro com uma Leah tagarela bem atrás de mim.

Cumprimentei alguns clientes enquanto passava entre as mesas, sorri educadamente e acenei para eles algumas vezes. Parei para tirar dúvidas e cessei os passos quando um frio estranho me incomodou o estômago. A cada movimento, aproximava-me mais do salão privado e ouvia de longe o burburinho, as vozes masculinas altas e até consegui visualiza-los já sentados, impecavelmente vestidos em seus ternos igualmente caros.

É isso. Agora não tem mais volta.

(Roupa da Isabella)

Notas finais
Pessoal, me deixem saber qual foi a primeira impressão de vocês. É importante pra mim! haha Obrigada.