Odisseia do Zodíaco
13 Possuídos
— Como assim tudo vai desmoronar? O que diabos você está falando? – perguntou Vanessa, olhando em volta para certificar-se de que ninguém a via falando “sozinha”, com a certeza de que somente ela vê o espírito em sua frente.
— Vem comigo – diz ele, tentando pegá-la pela mão. Vanessa, compreensiva, o segue.
Eles caminharam pelos corredores de volta para uma sala que ela já esteve antes. A mini-biblioteca cheirava a mofo, como sempre. A estante voltara para o lugar de antes impedindo a passagem dos dois. Mas o fantasma simplesmente atravessou a porta, deixando Vanessa sozinha por uns instantes. Logo em seguida, a porta se abre revelando novamente a parede com os quadros de cada signo. Ao reparar que a porta, que somente se abriria com a ativação das doze mãos nos quadros, estava aberta, ela questionou:
— Como você conseguiu ativar os quadros para abrir a porta?
— Vou explicar, me acompanhe – ele diz, adentrando a Sala dos Quadros e admirando novamente o pedestal com os símbolos que levariam à profecia.
— Arrasta esse pedestal para frente – pediu ele.
Ela empurrou o tronco de pedra com facilidade e notou, abaixo de seus pés, um alçapão. Olhou para o fantasma e ele indicou a tranca. Ela puxou e a pequena porta no chão se abriu revelando uma escada gutural por onde desceram.
Havia iluminação no fim da escada. Eles seguiram o feixe de luz e encontraram uma espécie de caixa coberta por um pano velho e empoeirado. Ele estende a mão para a caixa, convidando-a a descobri-la. Um tubo de vidro retangular apareceu. O conteúdo do vidro deixou Vanessa de queixo caído.
— Meu Deus! – exclamou ela.
O corpo intacto do jovem dentro do vidro vestia as mesmas roupas que o fantasma. Daí, ela compreendeu:
— Como isso é possível? – perguntou Vanessa rodeando a caixa de vidro com o corpo adormecido do jovem fantasma.
— Meu nome é Ângelo, sou eu nessa caixa. Fui um eremita, muitos anos atrás...
Ele contava para ela sua história, tirando dela, expressões de espanto.
Não muito longe dali, duas duplas de eremitas terminavam de cumprir a tarefa na qual lhes foi dada.
— Todos os dormitórios estão vazios, sem exceção – diz Vitor, apoiando-se na parede, cansado. – Netto, o que faz aqui?
O geminiano, que acompanhava Vivaldo desde que se encontraram no dormitório do Ar, tirava o suor da testa.
— Eu ouvi falarem da sombra – responde ele. – Já sentia a presença dela antes, consigo sentir agora. Jhordan, Augusto e eu vivíamos fugindo dela. Posso ajudar a encontrá-la. Enfim, o que fazemos agora?
— É bom conferirmos os corredores – comentou Felipe. – Netto, use aquele seu truque lá para encontrar os outros.
— Ok, só preciso de um reflexo.
— Serve câmera frontal?
— Óbvio que não! E precisa ser algo nítido.
— O espelho mais próximo fica na entrada do Cafofo – diz Vivaldo. – Vamos!
Os quatro eremitas agora seguem por mais dois corredores, onde encontram um portal de pedra pouco iluminado. Sua entrada havia sido decorada com um arco de flores, cuja parede era preenchida por um espelho bem empoeirado.
— Ótimo, agora preciso que façam silêncio pra que eu me concentre – diz Netto, tocando as palmas das mãos no espelho e fechando os olhos.
Transportando sua consciência para algum outro lugar da montanha, Netto parou em um lugar bem iluminado e cheio de macas. Já havia entrado ali algumas vezes e, por isso, reconheceu facilmente o laboratório dos virginianos. Na noite passada, visitara Daniela, que ainda se recuperava da crise que teve com os corvos. Para ele, foi um susto ver a cama da amiga vazia, com sangue manchando os lençóis, somente Amara ainda jazia na cama ao lado.
— Já avisou? – pergunta Vitor, interrompendo sua transmissão.
— Não! – responde ele, irritado. – Porém eu vi a maca de Daniela vazia e com sangue. Estou preocupado.
— Temos assuntos mais importantes a tratar – comenta Felipe. – Depois procuramos Daniela. Foco!
Netto retorna ao espelho, concentrando-se. Antes que pudesse se locomover dentro do vidro, ele notou o reflexo de um rapaz que conhecia de longas datas.
— Impossível – exclama ele virando-se. Vitor, Felipe e Vivaldo seguem-no e encontram a silhueta magra de...
— THOMAS? – grita o pisciano. – Mas como? Você deveria estar morto.
O leonino exibia uma aparência meio sombria, de olhos pouco avermelhados e um sorriso maléfico. Já tinham visto aquela aparência antes, alguns dias atrás, na noite de Natal.
— Que foi? Não acreditam em fantasmas? – diz o garoto, através de uma voz bem diferente da sua. – É uma pena terem me encontrado na hora errada.
— É ele – diz Felipe para os outros, ao sacar que aquele corpo já não pertencia mais a Thomas. – É o Serpentário.
— Muito esperto da sua parte – recomeça Vitor compreendendo seu plano. – Entrar no corpo de um eremita para passar ileso pelos rastreadores. Porém, nem mesmo a máquina mais potente pode detectar tão bem a presença de um mau espírito como um pisciano.
Serpentário, habitando o corpo de Thomas, começa a rir. Netto e Felipe automaticamente entendem o que Vitor planejava quando veem Vivaldo fechar os olhos.
— E do que adianta detectar-me agora? Do que adianta, se vai ser a última coisa que vão fazer? Nem aos seus líderes conseguem avisar sobre mim.
— Como sabia sobre as estacas? – pergunta Felipe. – Elas só foram instaladas ontem. Você poderia ter entrado muito antes.
Mais uma vez, Serpentário retorna a rir.
— Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu, meu caro. Sei da fraqueza de cada um. Só precisei de um corpo para entrar aqui, assim seus brinquedinhos não poderiam me afetar de maneira alguma. E, agora que estou aqui, vou terminar o que comecei.
Enquanto Serpentário dava as costas ao grupo, de sua sombra surgem duas serpentes negras, que rastejam rapidamente na direção dos eremitas. Vivaldo abre os olhos novamente e aponta para a esquina do corredor, por onde um enorme jaguar corria a toda velocidade.
O felino ataca uma das serpentes e começa a abocanhá-la, porém a outra salta sobre o grupo e começa a enroscar-se em Netto. Vivaldo tenta controlar o animal, mas é propriedade de Serpentário e não tinha capacidade para fazê-lo.
— AI! – O grito do geminiano ecoa pelos corredores, quando a serpente afunda os dentes em seu braço. Netto joga o animal contra a parede e o esmaga, fazendo as escamas negras se dissolverem em líquido negro.
Netto senta-se no chão, com a roupa manchada de preto. A ferida que a cobra causou latejava, e com isso sentia sua pele perder o calor. Olha no espelho e vê seus olhos assumirem o tom avermelhado. Sabia que estava se transformando e tinha que se distanciar de seus amigos.
— AFASTEM-SE! – grita ele, mais uma vez.
— Precisamos levá-lo até o laboratório – diz Vitor.
— NÃO. CORRAM! AGORA!
— Qual foi? Você consegue – Vivaldo estende sua mão para ajudá-lo a levantar. – Vamos!
O geminiano respira fundo e levanta-se calmamente. Felipe oferece ajuda, mas Netto o soca no nariz e o garoto cai para trás, revelando a expressão de fúria que Serpentário plantara em seu organismo.
— Tarde demais! – diz uma voz similar à de Serpentário.
Em um movimento brusco, o jaguar salta sobre Netto, tentando atacá-lo. Porém, com uma força descomunal, o geminiano bloqueia o ataque do felino, chutando-o contra a parede, nocauteando-o. Vira-se contra Vivaldo e o derruba com um soco na nuca.
Por fim, segura Vitor pelo pescoço e o pressiona contra a parede, tirando o garoto do chão.
— Precisa... Se... Controlar... – Vitor tenta dizer, enquanto a mão de Netto o enforcava com mais força. – Você... Consegue...
— Eu até consigo – Netto sorri. Seus olhos estavam tão vermelhos que pareciam sangue. – MAS EU NÃO QUERO!
Vitor perdia de vez suas forças e sentia que a qualquer hora poderia desmaiar. Porém, Felipe levantou-se, com o nariz ensanguentado, e colocou uma pulseira de metal no pulso de Netto.
— Um dia construirei uma melhor para você – diz Felipe, afastando-se. – Detonar!
A pulseira apita três vezes com uma luz vermelha, antes de explodir. Sangue envolvia o rosto de Vitor, que se recompunha no chão. Netto afastara-se, mas não mostrava sinal de dor – embora sua mão direita tenha sido decepada na explosão.
Vivaldo e o jaguar já se adiantavam, seguidos por Felipe e Vitor. Qualquer coisa que tenha dominado Netto não conhecia os corredores tão bem. Tiveram que correr mais do que seriam capazes, mas finalmente conseguiram despistá-lo.
***
— Americo, espera, eu escutei algo. – Lucas para bruscamente segurando o braço do eremita.
— O que você ouviu? – perguntou Americo.
— Uma explosão – respondeu. – Por aqui. – Lucas o guiou por um corredor à esquerda.
— Olha, nós temos que continuar procurando, não temos muito tempo.
— Como você sabe quanto tempo temos?
— Não sabemos, mas suspeitamos. Mais alguma pergunta? – Americo estava mais tenso do que no dia do desmaio de Amara. Não estava mais com aquele ar divertido que sempre tinha, podia-se ver de longe porque Amara confiava a autoridade sobre o Pico a ele em suas ausências. Ele, agora, parecia estar rodeado por uma áurea de poder e seriedade.
Os dois voltaram a andar pelos corredores, Americo usando o máximo de seu atributo para poder enxergar em todos os lugares, mas nem sinal da sombra que os assustava. Lucas ainda não tinha entendido direito o que estava acontecendo, mesmo depois de Americo ter lhe contado a historia sobre a profecia rapidamente. Ainda havia muitos furos e dúvidas que o eremita precisava esclarecer, mas ele receava em perguntar algo. O Conselheiro de Sagitário estava concentrado e uma ruga surgira em sua testa. Os dois andavam rapidamente quando Americo para com a feição intrigada.
— O que foi? – Lucas pergunta com cuidado.
— Isso não pode ser real. – Americo passou a correr e Lucas foi ao seu encalço.
— O que aconteceu? – Lucas não obteve uma resposta para sua pergunta. Americo andava rapidamente com uma expressão de assombro.
Os dois viraram o corredor e desceram as escadas que davam para uma estranha caverna.
— Já ouvi falar desse lugar – exclama Lucas, admirando os nomes, dos muitos eremitas que passaram pela montanha, escritos num muro.
— Com certeza que já – exclamou uma voz logo à frente.
Americo sacou seu arco e o armou com uma flecha guardada em sua aljava.
— Tá de brincadeira – diz Lucas, com os olhos arregalados.
— Por que não estaria, companheiro? – responde Thomas, com desdém.
— Você deveria estar morto! – Americo exclama.
— Já perdi as contas de quantas vezes me falaram isso – Thomas faz um gesto abrangente que mostra todo o seu corpo. – Pareço estar morto?
— Thomas, é você mesmo? – Lucas pergunta, agora se aproximando do antigo eremita, mas é interrompido por Americo que se coloca em sua frente.
— Ele não é o Thomas. – O eremita de sagitário o encara com fúria em seus olhos – Ele é o Serpentário!
— E não é que você é inteligente, meu querido amigo – Thomas ri aguda e friamente. – Mas receio que vocês estão perdendo toda a diversão que eu preparei. – Ele balança a cabeça, negativamente, ainda rindo. – Vejo vocês daqui a pouco junto com os outros amiguinhos de você, vivos ou mortos.
Thomas solta outra gargalhada aguda e fria e desaparece nas sombras. Americo e Lucas ficam imóveis, sem saber o que fazer. A frase “vivos ou mortos” ainda estava ressoando na cabeça de ambos.
— Isso está saindo do nosso controle, Americo.
— Precisamos voltar – Americo diz com a voz rouca. – Os outros... Estão correndo perigo. – Sem esperar respostas do Conselheiro de Aquário, Americo o acompanha de volta ao local que pediu para todos os eremitas se reunirem.
***
— Você precisa me ajudar! – exclamou Ângelo.
— Como? – Vanessa gritava.
— Eu preciso voltar para o meu corpo.
— O que eu preciso fazer? – pergunta ela.
— Eu preciso sentir outro corpo tocando no meu – responde ele.
Ela compreende e abre a caixa de vidro. Sua mão toca a dele.
— Estou sentindo – diz ele, movendo suas mãos –, mas não é o suficiente.
— Tive uma ideia – ela se aproxima do rosto do jovem e percebe que apesar de parecer morto, seu corpo estava quente.
— Espere – interrompe ele. – Quando eu voltar sofrerei as consequências de ter ficado todo esse tempo fora do meu corpo. Posso ter uma parada cardíaca e morrer. Meu destino está em suas mãos.
Ela se aproxima do corpo de Ângelo e, confiante, segura em suas mãos. Avança o rosto para perto do dele e o beija. Os lábios quentes do rapaz parecem querer estar com ela. Ela sente a projeção astral de Ângelo atravessar sua pele e adentrar em seu corpo. Ele se agita e respira buscando ar sem encontrar, se contorce em cima da mesa de pedra e seus olhos se reviram por completo. Vanessa se desespera e o segura com toda força que pode. Ele começa a ter convulsões. Todo seu corpo treme. Ela o prende sobre a mesa, com toda força que possui, fazendo seus dentes rangerem e um grito começar a se formar em sua garganta. “Meu Deus, ele vai morrer, ele vai morrer” pensava. Quando seus dedos entrelaçam-se com os dele, ele para de tremer. Vanessa, sem entender o que houve, põe a mão sobre o peito do rapaz, aperta o pescoço com os dedos e não sente a pulsação. Ela começa a massagear seu peito, como vira muitas vezes em filmes dramáticos. Prende o nariz dele com uma mão e assopra em sua boca.
“Será que estou fazendo certo?”
Repetiu esse movimento três e nada adiantou.
— Meu Deus, não! – exclamou. – Ângelo, por favor, volta! VOLTA!
Ela gritava segurando em seu rosto e em sua mão. Decidida a uma última tentativa, ela o beijou novamente. Dessa vez, com toda a entrega de si que ela pode dar, como se passasse um pouco de sua vitalidade para ele. Fracamente, entre seus dedos, sentiu-o apertando sua mão. Afastando-se, ela o olhava com expectativas. Os olhos dele aos poucos foram abrindo, revelando um azul gutural que ela jamais poderia imaginar que pudessem estar tão vivos. Com a luz que saltava de seus olhos, ela sorriu para ele.
— Você me salvou – disse ele com uma voz fraca. – Obrigado, Vanessa.
— Não me agradeça ainda – disse ela, ajudando-o a se levantar com dificuldade. – Precisamos sair daqui.
***
A maioria dos eremitas não compreendia os motivos de acordarem no meio da madrugada, mas a julgar pelos problemas recentes que enfrentavam, conseguiam sentir uma energia muito negativa rondando a montanha, dando um clima tenso àquela madrugada.
Barbara, com seus cabelos ruivos cacheados, balançando a cada passo que suas longas pernas davam, destacou-se em meio ao pequeno grupo de eremitas assustados que se encaminhavam para a copa.
Subitamente começou a se distanciar do grupo, indo até um amontoado de árvores. Sua expressão era, apesar de um tom infeliz, alegremente falsa. Percebendo o desvio da garota, Evelin e Toni resolveram ir atrás dela.
— Barbara? — A voz de Evelin a fez parar, e os dois olhares se cruzaram misteriosamente, como se tentassem descobrir o que estava se passando na mente de cada uma, visando o seu próprio jeito de agir. — O que tem em seus olhos?
De repente, os olhos de Barbara, que antes mudavam do castanho ao negro, exibiram uma mancha vermelha, num formato oval, como se um olho de cobra tivesse sido adaptado e encaixado ao óculo humano.
— Evelin, não queria te dizer isso, mas... — Barbara dizia, olho a olho, com mais persuasão que nunca, sua concentração em tudo o que falava era, de repente, impecável. — Toni me disse que você jamais será a merecedora da parte de cima do beliche.
A leonina pareceu ceder aos atributos de câncer. Imediatamente, todas as suas emoções ficaram opacas, deixando apenas a raiva e a vingança se destacar.
— Vou provar quem não merece! – Evelin acerta Toni com um chute frontal, fazendo o garoto cair metros pra trás, batendo em uma árvore.
— Tá maluca, garota? – gritou Toni, levantando-se e tirando as folhas secas de seu cabelo. – Você podia ter quebrado algum osso meu.
Barbara se aproxima de Toni e o ajuda a tirar as folhas do cabelo, mostrando a mesma expressão de falsa alegria.
— Achei que fosse ficar entre nós – diz Toni, revoltado.
— Não se preocupe, ela disse coisa pior de você – Barbara solta uma risada aguda. – Tipo aquela vez que você acordou mijando na cama.
O garoto afasta-se de Barbara.
— EU FALEI QUE AQUILO ERA SÓ ÁGUA!
O fogo da ira se acendeu dentro de Toni. Seu ódio nivelara-se ao de Evelin e, antes que Barbara pudesse ver, já estavam trocando socos e chutes.
Deixando-os para trás, Barbara seguiu de volta ao corredor, onde encontrou Triza e Paulo, andando apressadamente.
— Queridos, parem de falsidade. – Seus poderes haviam ficado mais fortes. – Todos sabem que um fala mal do outro pelas costas. Ninguém precisa fingir.
Instantaneamente, ambos se olharam. Sem ao menos contestar, Triza pressionou Paulo contra a parede e começou a socá-lo. De imediato, Paulo transformara-se em Anderson Silva e conseguiu se livrar da leonina.
E mais dois eremitas brigavam, enquanto a canceriana partia para sua próxima vítima. Aproximando-se da copa, onde uma multidão de eremitas estava, sabia que não podia agir diretamente lá, ou seria descoberta. Por isso, teve que usar João Pedro. Nada melhor para gerar caos do que um ariano.
— João, seu lindo, tenho que te dizer uma coisa – Barbara faz uma voz de falsa tristeza e sussurra algo para o veterano de Áries.
Assim como Triza – ou talvez até mais rápido – João Pedro correu para dentro da copa, onde possivelmente Iago, seu namorado, estava. Perceberam que a coisa ficou séria quando as primeiras chamas começaram a ser lançadas.
E em menos de dois minutos, o caos havia se instalado no local e os eremitas já não sabiam o que fazer. Apenas se protegiam do monte de labaredas que voavam para todas as direções, incontroláveis pela ira de Áries.
Afastando-se dali, Barbara resolveu parar seus ataques e sumiu nas sombras do corredor mais próximo, sem deixar rastros, além da enorme confusão que armara em nome de seu novo mestre.
Por outro lado, literalmente, três eremitas e um jaguar acabaram de chegar ao caos que havia se formado na copa. Dois conselheiros se juntaram a eles, e logo após Brenda e Bruna traziam um novo grupo de eremitas.
— O que diabos está acontecendo aqui? – pergunta Bruna, abaixando-se, quando uma das chamas de João Pedro quase a atinge. – SERÁ QUE VOCÊ PERDEU O JUÍZO?
— Ele está hipnotizado – explica Brenda, aproximando do centro da roda que fora formada.
Elli usava a telecinese para impedir que as chamas atingissem Iago.
— Como isso é possível? – pergunta Americo. – Serpentário não pode ter orquestrado tudo isso em tão pouco tempo.
— Não foi ele quem fez isso. Foi alguém de Câncer. Deixa comigo.
Calmamente e tomando todo o cuidado do mundo, Brenda começou a falar coisas no ouvido de João Pedro, dizendo o quanto Iago se preocupava com ele. Teve de se esquivar de algumas chamas antes e explorar os sentimentos mais profundos do garoto, mas dentro de poucos minutos conseguiu reverter a situação.
— O... O que... – João se desequilibrara, caindo no chão. – O que eu fiz?
— Você tentou me atacar – diz Iago. – Estava hipnotizado, alguém mexeu na sua mente...
— BARBARA! – exclama o ariano. – Ela me disse que você me traía toda quinta no Cafofo.
— Parece que descobrimos a fonte do problema – diz Brenda.
Um tumulto em uma das entradas da copa chamou a atenção de todos. Barulho de corpos se chocando deixava-os agonizados. E, por fim, das sombras de um corredor, Toni saiu cambaleando, ensanguentada, seguido por Evelin, autora do golpe.
— Admita sua derrota – fala a leonina. – É seu último aviso.
— Posso fazer isso o dia todo! – responde Toni, erguendo as mãos em guarda.
Porém, nenhum soco precisou mais ser trocado. Brenda interveio e, com toda a energia e coragem do mundo, se colocou no meio dos dois. Calmamente, disse:
— Vocês são grandes amigos há tempos. Nenhum é melhor do que o outro. Agora, esqueçam isso, temos assuntos sérios a tratar.
O encanto foi desfeito tão rápido quanto foi feito. Rodrigo se aproxima para curá-los, mas os mesmos negam.
— Agora voltando à realidade, temos um problema sério – diz Felipe. – Uma coisa muito maligna se aproxima...
— Sério? Nem percebemos – interrompe Lucas, ironicamente.
— É pior do que isso, vai por mim.
— Já está aqui – interrompe Vitor. – Sinto isso.
De repente, ao chão começou a tremer. Na superfície das paredes, aberturas de vários tamanhos eram feitas. Por elas, cobras tão escuras quanto a sombra saiam, caminhando na direção dos eremitas, que se amontoaram no centro de tudo.
— Parece que essa é a hora – diz Americo, armando uma flecha. Sua voz ampliava-se para todo o local. – Fiquem todos juntos. Agora, mataremos ou seremos mortos. Pelo Zodíaco!
Sua primeira flecha foi solta, atingindo o olho de uma cobra. Ao mesmo tempo, Lucas e Eduardo usufruíam de seus atributos para esmagar outra cobra com uma pedra. Thiago e Bruno rasgaram o dorso de uma serpente do tamanho de um carro, enquanto Ingrid e João Pedro lançavam chamas de parecer o sol.
— Para o arsenal! – ordena Natali aos leoninos, que se encaminham para a escadaria, tendo que chutar algumas cobras pelo caminho.
Mais pessoas se juntavam à batalha. Fernanda usou os atributos de Touro para invocar um exército de najas, Dandhara conseguiu transformar-se em uma serpente para se nivelar ao inimigo, enquanto Ricardo ganhou músculos e se tornou um lutador mexicano. Iago e Jean distraiam-nas falando língua de cobra, só para Aminie e Babi afundarem suas garras.
— Vamos morrer se ficarmos aqui – diz Jake, que utiliza sua prancheta para se defender de um golpe. – Espalhem-se.
O grupo composto por virginianos teve de se dispersar para evitar os ataques das serpentes. Porém, como nem tudo sai como querem, um deles acabou sendo pego. Perceberam que Serpentário já não estava mais interessado em possuir eremitas quando a serpente engoliu Hanna por inteiro.
Aquilo fez uma ira profunda tomar conta dos eremitas. Agora, atacavam não só para sobreviver, mas por vingança. Um pequeno grupo de leoninos já retornava do arsenal com espadas em punhos. Gabriela, Letícia e Ana foram encurraladas, tendo que fugir para o corredor onde o elevador se localizava. Ana nada podia fazer exceto transformar-se em uma pantera para atacar, porém as capricornianas tinham sua carta na manga.
Ao se aproximarem do elevador, Gabriela e Letícia ativam uma alavanca secreta no lado de fora. Engrenagens externas começaram a girar enquanto a enorme cabine de metal se moldava em formato de robô, com direito à cabeça e um sorriso.
— Da próxima vez faremos listrado – comenta Gabriela, enquanto o robô corria na direção das serpentes.
— Credo, isso não é nada fashion – responde Letícia, controlando o robô através de um tablet.
Uma explosão na copa interrompeu a conversa delas. Os virginianos misturavam produtos químicos de seu laboratório para causar explosões e matar as cobras.
— Esse líquido preto é nojento – reclama Luisa. – Quero ver pra limpar esse chão depois.
— Isso se tiver chão – responde Ingrid, jogando um jato de chama em três cobras.
À medida que os eremitas matavam as cobras, mais delas apareciam. Não poderiam fazer aquilo o dia todo, por isso, tinham de achar uma solução rápida.
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