Odisséia Grega
40 Epílogo
Notas iniciais
O meu sangue esquenta quando sou atingido de novo no braço direito, desta vez, por um babaca relativamente mais novo e apressado que eu. Ele circula há no mínimo trinta minutos em busca de um balcão de sua companhia, mas que tenha uma fila menor. Totalmente impossível. A aglomeração de pessoas carregando bolsas, crianças e malas é gigantesca. Eu não gostaria de estar preso em um aeroporto como esse no dia de ação de graças. Deve ser um verdadeiro pesadelo.
Eu tinha saído da sala VIP por pura impaciência, mas comecei a me arrepender quando a terceira pessoa esbarrou em mim. Todos apressados demais para pedir desculpas ou se importar e de certa forma, eu não os culpava. Também era um dos imbecis que decidira viajar justo em um feriado onde tudo está um caos.
O meu celular apita no bolso interior do meu blazer para avisar que a carga acabou e se eu não recarrega-lo, ele morrerá. Está assim desde que cheguei aqui há cerca de 40 minutos pronto para embarcar, mas fui avisado que deveria esperar que o avião passasse por uma rápida manutenção – o que contribuiu para que a minha dor de cabeça aumentasse. Como se não bastasse a discussão de ontem à noite com Bella, mal consegui pregar os olhos e precisei levantar cedo para pegar a estrada.
Viajei para Oakland há três dias, quando soube dos problemas que estávamos tendo com a implantação de duas praças de pedágio e fui pessoalmente verificar a situação, tomar as medidas de reparação e punir o idiota que estava me fazendo perder dinheiro e tempo. Eu estava achando que estaria de volta a Chicago no dia seguinte, mas a obra exigiu mais de mim do que o esperado e Isabella ficou absolutamente furiosa por eu precisar ficar fora, especialmente no dia de hoje.
Ela odiava quando era necessário que eu me ausentasse e fosse para tão longe de casa. Tentei convence-la durante as duas horas que passamos no telefone que eu chegaria a tempo, mas a mulher andava mais raivosa do que nunca e não havia conversa.
Tinha que ser do jeito dela ou não seria de jeito algum.
— Senhor? — Ouvi Raul chamar, atrás de mim, à minha direita. Virei minimamente a minha cabeça em sua direção, sem realmente olha-lo, apenas para que soubesse que eu estava ouvindo e ele continuou — Tudo pronto. Devemos seguir agora para a sala de embarque.
Assenti sentindo a minha expressão suavizar com a notícia. Isso era um tremendo avanço e um alivio para o meu mal humor.
— Ligue para Nicolas e o informe que partirmos em meia hora. Eu quero a Ferrari cinza me esperando no ORD — Avisei — Diga para levar alguns homens e quando chegarmos, faremos a troca e vocês estão liberados por hoje.
Eu estava cansado, faminto e com calor. Faltava pouco para meio-dia e desde que chegamos em Sacramento, fiquei preso em uma sala de reuniões no hotel em que o meu diretor industrial estava hospedado, em seguida, vim direto para cá achando que ao fazer o check-in pela internet ganharia algum tempo, mas não. O meu avião estava trazendo Esme e papai para os Estados Unidos, bem como Alice e Jasper, por isso pega-lo hoje não era uma opção.
Com os meus documentos e cartão em mãos, passei pelo detector de metais e fiquei atento ao portão até que finalmente fomos avisados que o embarque tinha começado. Em um serviço rápido e discreto, nós – passageiros da primeira classe – embarcamos no voo antes dos demais. Ao chegar na aeronave, me acomodei em meu assento, grande e confortável o suficiente para servir de cama. Fomos servidos com aperitivos de salmão, queijo e salada. Qualquer bebida que quiséssemos, também estava a nossa disposição.
Uma boa dose de Bushmills me acalmou. O seu aroma de uvas e mel, com um toque de baunilha realmente fez efeito e após colocar o meu aparelho para carregar, peguei no sono minutos antes de o avião decolar.
Acordei quando ouvi sons metálicos ao meu lado. As aeromoças caminhavam pelo corredor carregando o almoço dos passageiros em seus carrinhos e rapidamente formos servidos. Após a sobremesa, abri o notebook e acessei o meu e-mail para ter certeza que nada havia ficado pendente para mais tarde e abri um sorriso discreto ao encontrar um de Elizabeth ali. Não contendo a curiosidade, abri e fui bombardeado por dezenas de fotos dela e Sawyer, seu novo namorado, nas praias do México. Era desconfortável ver a sua mãe em biquínis indecentes para alguém da sua idade, mas a sua risada registrada uma e outra vez, era algo realmente digno de se olhar.
Eu não lembro de tê-la visto feliz assim antes e mais uma vez, me senti grato a Isabella por apresentar os dois. Sawyer é Cirurgião Vascular e sócio do pai de Rosalie na clínica deles. O homem estava beirando os 60 anos, mas era muito bem cuidado. Ele estava prestes a entrar com o pedido de divórcio quando se conheceram e depois disso, não teve mais dúvidas. Os dois pareciam um casal de adolescentes desde então, acredito que tudo que minha mãe não foi capaz de experimentar e viver com Carlisle, estava conseguindo agora e eu fico feliz por eles. Sawyer é um bom sujeito e foi fundamental para mantê-la de pé quando Tanya faleceu.
O ano passado foi repleto de mudanças sutis e algumas bem significativas. Porém, a que mais teve impacto sobre nós, foi a morte de Tanya. Ela estava internada há muito tempo em uma clínica especializada em tratamento de transtornos psiquiátricos, uma vez que Eleazar conseguiu provar, após 7 meses de reclusão, que a filha era mentalmente instável e corria risco ao ter que conviver com as outras detentas. Lembro da raiva que senti ao saber que aquela mulher seria capaz de conseguir conforto e tratamento depois de tudo que nos causou, mas Isabella me convenceu que era suficiente que sua liberdade tivesse sido tirada e já era um grande castigo viver trancafiada em uma mente doente como a que ela tinha.
Em outubro, Elizabeth foi notificava pelo irmão sobre o falecimento da sobrinha. O tratamento que ela recebia não foi capaz de trazer a paz que precisava e ela ficou desestabilizada ao ver na TV – em um programa de notícias e fofocas – uma matéria sobre um suposto divórcio entre Jasper e Alice, juntamente com alguns boatos sobre Isabella e eu, mas a apresentadora desmentiu a coisa toda, afirmando que estávamos felizes e tínhamos planos de aumentar a família. Tanya suicidou-se dois dias depois. Eleazar ficou arrasado, afinal, apesar de toda a crueldade e loucura, ela era a sua garotinha e eu não era capaz de julga-lo por isso.
Fazemos uma parada em Salt Lake às 13h37m para o desembarque e embarque de outras pessoas e eu aproveito a pausa para ligar para casa, mas ninguém atende. Eu aperto o celular nas minhas mãos, tentando não me irritar com a birra desnecessária da minha mulher e disco o número de Heitor, ao invés de tentar de novo.
Ele atende no quarto toque.
— Oi, pai! Onde você está? — O garoto pergunta esbaforido, mas eu consigo ouvir o sorriso em sua voz. Ouço outras pessoas ao fundo, rindo e falando alto. Franzo o cenho e pigarro antes de responder.
— Ainda estou no avião, campeão. Vou demorar mais algumas horas. Quem está aí com você?
— Quase todo mundo — Ele diz com entusiasmo — Tia Alice, tio Jasper e Ella chegaram cedo e nos convidaram para almoçar na casa deles. Rose e Emmett também estão aqui com a insuportável da Lisa — Explica e um ruído na ligação me faz afastar o celular do ouvido. Heitor tem essa mania de se mexer e andar por toda a casa quando está no telefone. É inquieto demais para o seu próprio bem — Mas a vovó quis descansar e disse que nos veria mais tarde. Pai, você precisa voltar. A mamãe... Oh, meu Deus.
— O que tem sua mãe, Heitor? — Pergunto endireitando as costas.
— Ela tirou o meu vídeo game e me proibiu de dormir na casa do Henry amanhã, mesmo eu já tendo prometido que ia — Eu soltei um “oh”, aliviado por não ser nada grave e ele emendou — Isso é tão injusto. Todos os meninos vão estar lá.
— Certo. Tudo bem, mas a sua mãe não te colaria de castigo sem nenhum motivo. O que foi que você fez enquanto eu estava fora? — Usei uma voz mais séria para que ele não cogitasse a ideia de mentir para mim. Isabella estava irritada e atarefada demais ontem à noite para lembrar-se de me contar sobre isso.
— Eu posso ter... me envolvido em uma... hum, discussão física... com alguém. — Ele respondeu, baixinho e com muitas pausas. Fiz de tudo para prender o riso.
— Discussão física? Heitor, você pode ser mais claro com o seu pai? Eu não tenho muito tempo e se quiser que eu discuta sua punição com a mamãe mais tarde, precisa me contar exatamente o que aconteceu.
— Estavam batendo no Colin! — Ele gritou, mas desculpou-se antes que eu pudesse corrigi-lo. Colin Williams era o melhor amigo de Heitor, os dois se conheceram em setembro do ano passado na escola, mas o pequeno rapaz morava no nosso prédio há tempos, apenas seis andares a baixo do nosso apartamento — Eu não podia ficar sentado assistindo aquilo. Ele ainda não sabe se defender e mesmo quando pede para pararem, aqueles valentões de merda...
— Não xingue. — O interrompi, aborrecido com o seu jeito e principalmente com Emmett, que constantemente falava palavrão na frente das crianças. Era simplesmente impossível controlar aquela boca e o garoto era uma verdadeira esponja. Aprendia tudo que via, lia ou ouvia.
— Desculpa, papai, desculpa. Estou nervoso. Não gosto de ver o meu amigo passando por isso, ele não merece — Murmurou baixinho e eu fechei os olhos, encostando a cabeça no travesseiro atrás de mim. Colin era muito magro para a sua idade e tímido demais, os garotos do bairro tiram proveito disso e aquela não era a primeira confusão em que Heitor se envolvia para defende-lo. Ele diz que tem que fazê-lo porque ninguém mais se importa, os pais do menino estão sempre ocupados demais para prestar atenção no que acontece com o filho — Mamãe pegou a gente rolando no parque e o Kaiden perdeu um dente. A mãe dele discutiu com a gente, disse um monte de coisas que eu não entendi, mas que irritaram a tia Rose e ela ameaçou socar a mulher no nariz — Nós dois não aguentamos e rimos daquela parte. Aquilo era realmente algo que Rosalie faria se visse alguém levantando a voz para Isabella — E foi isso.
— Você sabe que não deve se envolver em briga, a não ser que seja para se defender, Heitor — Expliquei pela décima vez e ele respirou fundo do outro lado — Eu amo que você esteja sempre lá para os seus amigos, mas agressão é demais. Isso não tem o menor cabimento e você não terá o meu apoio quando agir dessa forma. Sua mãe fez o certo em puni-lo — Ele gemeu do outro lado e eu revirei os olhos — Mas falarei com Bella a respeito do Henry.
— Você é o máximo! — Heitor gritou do outro lado e eu ri — Poxa, obrigada, pai.
— De nada. Agora, onde está sua irmã?
O meu sorriso alargou-se ao perguntar pela minha princesa. Apesar de brincar e provocar Isabella com uma possível gravidez, jamais imaginei que o nosso bebê viria tão rápido. Em minha cabeça, ela queria esperar Heitor crescer um pouco mais e curtir o início do nosso casamento, mas meses após voltarmos da nossa incrível lua de mel na Itália, ela se descobriu gravida e me confessou que vinha tentando desde os nossos primeiros dias em Veneza.
O dia em que ela me mostrou o exame confirmando a gravidez, foi um dos mais incríveis da minha vida – tão importante quanto o em que a fiz minha esposa e quando o nosso menino veio ao mundo. Eu fiquei chocado e emocionado por ela fazer algo tão grande assim por mim e depois, completamente extasiado com a ideia de que uma parte minha estava habitando o seu interior.
Não era segredo para ninguém que eu era louco por crianças e que desejava uma família grande desde que Alice nasceu, mas Esme se recusou a ter outros bebês depois da canseira que nós dois demos nela, então saber que Isabella estava disposta a me dar isso, mesmo depois de tudo que a fiz passar desde que nos conhecemos, só fez com que eu me apaixonasse ainda mais por aquela mulher.
A família toda celebrou quando contamos a notícia e eu ainda me lembro da cara que Charlie fez. Não que ele estivesse infeliz por ter um outro neto, de jeito nenhum, seu desgosto era porque isso implicava que a sua filha tinha feito sexo comigo e ele não gostava de ter essa imagem em sua cabeça. Foi preciso muito pouco para que ele esquecesse aquele detalhe em particular e derretesse com a ideia de ter outro rapazinho para ensinar sobre esportes. Admito que eu também estava animado em ter outro garotão para me ajudar a cuidar de Bella, mas não era para ser naquele momento. Fomos surpreendidos quando uma linda garotinha chupadora de dedo abriu suas perninhas para nós quando fizemos a ultrassom 3D.
As mulheres da família enlouqueceram e me ajudaram a manter a minha esposa feliz enquanto ela enfrentava os terríveis enjoos matinais, a falta de apetite e então o excesso dele. Alice esteve ao redor tempo todo para nos auxiliar no que fosse preciso, pois tinha sido a última a ter uma menina, mas a mantivemos distante de certas decisões e processos, simplesmente porque eu estava excitado demais para participar de tudo aquilo. De cada coisa desnecessária – segundo Bella –, inclusive fazer todos os seus gostos absurdos quando aquele impressionante – diga-se de passagem – mal humor a atacava.
Esse foi o principal causador das mais intensas discussões que já tivemos. Enquanto eu só queria mima-la e adora-la, Bella encontrava qualquer razão para discordar ou simplesmente brigar comigo. Via coisas onde não tinha, me acusava de absurdos e chegou a passar uma noite no apartamento que Rosalie divide com Emmett, vizinho ao seu antigo, porque eu precisei trabalhar até tarde e quando ela ligou no escritório, eu não estava lá. E isso, apenas porque levei o meu assistente e sua filha de 16 anos para jantar. Quando voltei para casa, a minha mulher estava nada menos que surtada e tentando me deixar maluco.
Mas tudo isso ficou para trás quando Norah veio ao mundo.
Alguns dias antes do meu aniversário, a pequena decidiu chegar um pouco adiantada, dando-me o melhor presente que eu poderia sonhar em ganhar. Pesando 3,250kg, era a coisa mais bonita do mundo mesmo com aquela substancia esbranquiçada cobrindo o seu corpo rosado. Tinha pulmões fortes como o irmão e só se acalmou quando experimentou pela primeira vez o calor dos meus braços.
— É mesmo a garotinha do papai. — Bella disse, suada e com os olhos repletos de lágrimas enquanto assistia o pequeno pacote abrir a boquinha em meus braços.
Eu não achava que era possível apaixonar-se diariamente pela mesma pessoa, mas não tinha outra palavra nas línguas que eu conhecia, para descrever o que se passava comigo a cada vez que eu a via. Minha princesa era manhosa, carente e saudável. Tudo que eu pedi a Deus e movi céus e terras para ser capaz de ficar um longo tempo em casa, cuidando dela e do irmão enquanto Bella se recuperava.
Tive medo de Heitor sentir-se enciumado com a chegada da irmã, por isso foi um alivio quando ele se mostrou tão empolgado quanto eu, de tê-la fora da barriga de sua mãe e tendo seus dois homens bajulando a recém-chegada, Bella brincou várias vezes sobre como estava se sentindo enciumada e deixada de lado, mas quando o seu resguardo passou... bem, eu mostrei exatamente o quanto ela era incrível, o quanto a amava e como eu era grato pelo simples fato de ela respirar.
— Está dormindo — Heitor respondeu depois de um momento em silencio. Ouvi que alguém falava e ele concordava com algo — Hum, papai, o Emmett vai para a piscina agora. Preciso desligar.
— Tudo bem, divirta-se e tome cuidado. Eu volto em algumas horas.
— Certo. Pode deixar.
— E Heitor? — O chamei antes que ele desligasse e ouvi o seu “hum” — Não quero mais saber de você estar batendo nas pessoas, ok? Eu sei que você tem as melhores intenções, mas precisa deixar que o Colin aprenda a se virar sozinho.
— Tudo bem, não me envolverei — Afirmou e então não continuou — Mas só quando ele não estiver no chão tendo sua bunda chutada.
— Heitor...
— Tchau, papai. Te amo!
— Também amo você, campeão. — Respondi com um suspiro, mas ele já tinha desligado. Eu não sabia se o garoto me mataria de orgulho ou me daria belos cabelos brancos em breve.
Com seus 7 anos, Heitor estava ainda mais parecido comigo fisicamente. Era muito simpático e tornava impossível para as pessoas não gostarem dele, mas a sua personalidade era toda da mãe e isso o deixava extremamente intolerante quando o assunto era injustiça de qualquer tipo. Ele não hesitava em partir para cima de alguém que estivesse ofendendo quem ele ama ou prejudicando quem não merece, então minha esposa e eu estamos no meio do processo de tentar fazê-lo se conscientizar que aquela não era a maneira correta de agir, quando no fundo, estávamos emocionados por ele ser tão incrivelmente bom, mesmo que tão jovem.
Saímos de Salt Lake às 14h40m. Após verificar o meu e-mail mais uma vez e responder os últimos com mensagens rápidas, uso um tablet meio confuso de operar para selecionar um filme de ação para ver na TV. Pelas próximas duas horas, eu assisto Mad Max – um dos favoritos do meu filho – e me mantenho entretido com a atuação da Charlize Theron. Eu não tinha prestado atenção antes, mas porra, ela é muito boa. E mesmo com aquele visual nada interessante, ainda era uma mulher muito atraente. Durante os créditos, faço uma nota mental de procurar outros para ver em casa e uso o resto do tempo de voo para tirar outro cochilo.
Desperto pela segunda vez quando somos avisados que vamos pousar. O relógio mostra que já passou das 18. Eu respiro aliviado por ter conseguido chegar cedo e ser capaz de evitar uma nova discussão, bem como o olhar atravessado de Carlisle. Guardo as minhas coisas de volta, verifico se não estou esquecendo nada e estalo os meus dedos enquanto sinto o avião inclinar, para então deslizar pela pista.
Está escuro lá fora e o vento frio de Chicago me atinge em cheio quando deixo a aeronave. Apesar de perfeitamente acostumado, aquilo me incomodava toda vez mesmo que estivesse agasalhado e pronto. Em questão de minutos, recupero a minha mala e assim como mandei, os meus homens estão me esperando ao lado do meu carro. Era impossível andar com as crianças nele, mas eu estava certo de que Heitor tinha um mundo de coisas para conversar com Antonella e eles insistiriam em dormir com os meus pais hoje, tendo em vista que eles ficaram fora da cidade por duas semanas.
Deixo o aeroporto para trás com Nicolas e os outros me seguindo para a casa de Esme. Os meus pais ainda viviam no mesmo lugar, mas ele tinha ficado diferente de muitas maneiras após ter passado por tantas reformas. Quartos extras, áreas de recreação, de estudo e tudo que as crianças possam vir a precisar em qualquer fase de suas vidas, foram implantadas. Aquela mulher não podia ser uma avó mais coruja mesmo se tentasse.
Minha entrada é liberada assim que sou reconhecido no extenso portão e após estacionar na garagem, percebo duas chamadas não-atendidas de Isabella quando vou enfiar o celular de volta no bolso. A greve de silencio acabou, então? Sorrio ao imagina-la preocupada comigo. Distraído como Heitor fica quando está perto dos amigos, ele nem deve ter comentado que entrei em contato mais cedo.
O cheiro de algo delicioso se infiltra no meu nariz assim que fecho a porta atrás de mim. Ouço vozes masculinas na sala e caminho até lá para encontrar Carlisle e Emmett discutindo enquanto apontam para TV, onde um jogo de basquete está sendo transmitido e Jasper parece repreender a filha, que está sentada na poltrona, por alguma coisa importante, mas ela se recusa a prestar atenção e revira os olhos.
Antonella tem os cabelos cor de mel na altura do ombro e uma franja das mais modernas, que é desfiada e na diagonal. É uma verdadeira princesa, um doce de menina quando está satisfeita, mas extremamente mimada, capaz de torna-se um verdadeiro demônio quando as coisas não saem como ela deseja. Alice se culpa até hoje e ignora o marido quando ele volta a tocar no assunto “bebês”, porque morre de medo de cometer os mesmos erros com o próximo e não é capaz de aguentar uma réplica da filha tão cedo.
Livrei-me do casaco e pus a mala contra uma parede onde ninguém correria o risco de tropeçar nela e se machucar, então me aproximo do pessoal.
— Ei, mano! — Emm me cumprimenta assim que percebe a minha presença e eu vou até ele para abraça-lo — Fez boa viagem? Tivemos um tempo interessante tentando fazer a sua esposa sair do modo Godzilla mais cedo.
— Ela está tão mal assim? — Pergunto fazendo uma careta e eu um arrepio atravessa a minha coluna. Jesus, tudo o que eu menos preciso é de uma nova briga tola... — Era trabalho. Eu não podia deixar de ir só porque a Bella não quer.
— Sim, bem, o problema não era esse. Ela só estava preocupada que você fosse perder o dia dos pais, Edward — Carlisle defende me dando um sorriso tranquilo e conhecedor — Sempre passamos os feriados juntos e ela saiu para comprar o seu presente com as crianças. Se você não tivesse conseguido chegar a tempo, seria estranho para todos nós, meu rapaz.
Eu entendia. Foi um pouco arriscado da minha parte viajar tão próximo da data e voltar no feriado. Eu com certeza lamentaria profundamente se não fosse capaz de passar esse dia com os meus filhos – mesmo já tendo perdido metade por causa da minha teimosia. Jamais colocava o meu trabalho na frente da minha família, mas sabia que nesse período, tinha que ser mais cuidadoso que o normal com a minha esposa e é o que eu tentaria fazer de hoje em diante.
— Oi, titio. — Ella murmurou sorrindo lindamente para mim e acenando com a mão. Eu fui rapidamente até ela e beijei sua testa, para então cumprimentar Jasper.
— Senta aí. Quer uma Budweiser? — Emmett me ofereceu passando pelo meu pai para alcançar um cooler ao lado do sofá. Aceitei a bebida, mas recusei sentar com eles.
Na TV, Cleveland Cavaliers estavam perdendo para o Chicago Bulls e era por isso que eles estavam conversando quando cheguei. Em todos os jogos, os dois sujeitos sempre discutiam passes, técnicas e as regras como se entendessem do assunto melhor do que ninguém. Era idiota pra caralho. Se soubessem de alguma merda real daquela, estavam na NBA, não no meio da sala enchendo a barriga de cerveja.
Assisti 5 minutos com os rapazes e rumei em direção à sala de jantar, onde as risadas femininas e gritinhos iam ficando mais altos, além do cheiro bom que atiçou o meu estômago quando cheguei, mais intenso. Na cozinha, Esme retirava o seu avental e jogava sobre o balcão, onde Rose estava sentada bebendo uma taça de vinho. Alice estava do outro lado, derramando azeite sobre a travessa de salada verde e a minha Isabella estava lavando suas mãos na pia enquanto balançava a cabeça negando algo e rindo.
As senhoras me olharam e sorriram, aparentemente felizes com a minha volta, mas continuaram a sua conversa como se eu não estivesse ali, dando-me tempo para dar uma boa olhada na minha mulher. Ela parecia incrível de costas e quando se virou de lado, tive uma boa visão do vestido azul marinho com um decote delicado, mas tentador e sua cintura bem marcada, acentuava a barriga.
— ...estava branca depois da conversa com o gerente. Foi realmente constrangedor. Quem imaginaria algo assim? Eu vou prestar... ai meu Deus! — Bella gritou quando a agarrei por trás e enfiei o nariz em seu pescoço.
— Você cheira tão bem — Murmurei acariciando os seus braços, tentando acalma-la do pequeno susto desnecessário. Eu não queria deixa-la ainda mais brava comigo, apenas não resisti. Estava sobre ela no segundo em que ouvi a sua bonita voz — Baby, eu senti tanto a sua falta.
— Querido, você voltou — Bella respondeu com uma voz emocionada e eu franzi o cenho enquanto a deixava se virar e ficar de frente. Ela jogou-se em mim, com os braços em volta do meu pescoço e encheu meu rosto de beijos — Eu também senti a sua falta. Todos as horas de todos os dias.
Inferno, ela era tão boa. Tão bonita.
Olha-la de perto era como receber um soco na cara. Eu ficava totalmente sem ação.
Não importava quantos anos se passassem, ela ainda pareceria a mulher mais estonteante que já pisou nesse planeta. O rosto de coração estava um pouco mais arredondado, amadurecido, mas os traços delicados e sensuais ainda estava ali.
— Por favor, não viaje mais para longe. Eu não consegui ter uma noite decente de sono desde quinta-feira.
Fiz uma careta ao imagina-la tendo dificuldades de se virar na minha ausência e beijei a sua testa demoradamente enquanto ela me abraçava. Bella ergueu o rosto na minha direção e antes que oferecesse os seus lábios, eu já estava tomando sua boca para mim. Mordi o lábio carnudo e ela choramingou, eu aproveitei o momento para colocar a minha língua através dali e foi a minha vez de gemer. Ela estava com gosto de damasco e tive que aprofundar o beijo para devora-la. Enquanto isso a minha mão direita estava na sua nuca, infiltrando-se nos fios macios que estavam mais brilhantes e sedosos do que nunca. Maravilhosa e toda minha.
Precisei me lembrar de onde estávamos e que não éramos os únicos aqui, pois Bella parecia totalmente alheia a quem nos observava e passava suas mãos possessivas pelos meus braços e costas. Sua perna direita estava constantemente esfregando-se em mim, alimentando o meu desejo de coloca-la sobre aquele balcão, abrir as suas coxas, descer com a boca ali e só solta-la quando a sentisse tremer em volta de mim. Apertei-a com cuidado para não exagerar na força contra a sua barriga e deixei que sentisse o desconforto que ela estava me causando. O meu pau quase saltou quando ela enfiou a língua enlouquecida na minha boca e agarrou o tecido da minha camisa, me impedindo de sair de perto.
— Sim, tudo bem. Já vimos o suficiente, agora obtenham um quarto.
Rosalie, maldita seja.
Bella afastou-se devagar e eu precisei prender o riso quando a vi vermelha como um tomate, totalmente atordoada sem saber o que fazer a seguir. Tirei suas mãos de mim, juntei as duas e as levei aos meus lábios para lhe dar um beijo, tentando acalma-la e sorrimos um para o outro. Dei uma olhada para trás e vi a loira se servindo de outra taça, enquanto mamãe retirava algo do forno e Alice tinha desaparecido. Bom, menos uma para fazer piada sobre isso.
— Vocês sabem que há telefone para resolver isso, certo? — Rosalie continuou, olhou para Bella e abriu um sorriso malicioso — Emmett e eu sempre brincamos quando o Edward manda ele para fora da cidade. É muito bom, cara! Bastou fechar os olhos e imaginar o seu grande e doce p...
— Rose, pare! — Bella gritou fazendo a minha mãe explodir em uma risada e graças a Deus, interrompendo a amiga. Eu não quero ouvir sobre o negócio do Emmett agora ou nunca — Já entendemos, mas não queremos detalhes. Eu apenas senti falta do meu marido, você pode me culpar? Sabe como tenho estado carente.
— Você tem estado uma cadela — A loira corrigiu e eu quase a esganei — É nessas horas que eu me sinto quase satisfeita por não ser capaz de engravidar — Bella bufou me abraçando de lado — Sério, eu adoro aquelas coisinhas pequenas e lindas, mas que merda é ter que ficar mal-humorada o tempo todo, vomitando pra todo lado e ainda engordar. Santa merda, não!
— Porra, você acabou de me chamar de gorda?
Bom, adeus Bella doce e necessitada.
Até Deus sabe quando.
Eu abracei com mais força quando a vi dar um passo para frente para pegar a loira, que pulou do balcão e correu para a saída. Espertinha do caralho. A minha esposa tinha o cenho franzido quando a virei pra mim e parecia arrependida. Ela nunca xingava na frente dos meus pais, mas com os seus hormônios fora de controle, as coisas mais desagradáveis saiam – quando provocada – sem que ela tivesse controle sobre isso.
— Você está maravilhosa, baby — Disse ao segurar os lados do seu rosto e fazê-la olhar para mim. Ela fez um beicinho que eu não resisti morder e isso arrancou uma risadinha dela — A sua médica te parabenizou na semana passada por seguir a dieta tão bem. Seu corpo está ótimo. A Rose é meio retardada com as palavras às vezes, você sabe, é por isso que ela completa o Emmett — Expliquei e ela riu outra vez, sua expressão ganhando um ar descontraído outra vez — Como vocês estão?
— Tudo bem, papai. Bem melhor agora que você voltou. — Ela respondeu puxando a minha mão para tocar o topo da sua barriga pequena e um pouco mais arredondada do que eu me lembrava.
Isabella está gravida de 4 meses e há alguns dias, descobrimos que estamos esperando por outro garotinho. Ela estava decida a parar depois que Norah nasceu e nos deu tanto trabalho, por isso a notícia nos pegou totalmente de surpresa. Ela me disse que tudo bem, que quatro anos era tempo o suficiente para que ela se recuperasse do que passamos e que eu fui essencial para ajudá-la com duas crianças, mas nós tomaríamos medidas mais seguras para que isso não acontecesse novamente depois que o bebê nascesse. Eu não a queria esgotada ou ressentida comigo por eu não ter tomado cuidado o suficiente.
Depois do susto inicial, ficamos radiantes com a ideia de termos mais um pequeno correndo pela casa. Elizabeth disse que eu mais parecia mais alegre do que pinto no lixo e papai, Emm, Jasper e Eric me levaram para comemorar naquela noite. O Northman amarrou-se legalmente a Maggie sete meses após o meu casamento e mudou-se para Chicago um ano depois. Até hoje fazíamos piadas sobre o quão poderoso era o buquê de Bella que foi parar nas mãos da moça. Ele não se importava, porque estavam muito felizes juntos. Maggie estava focada demais no trabalho dela e satisfeita em viver apenas com ele, para pensar em fazer bebês por enquanto, mas Eric parecia bem em esperar pelo tempo que fosse. Ele já tinha muitos sobrinhos e crianças do nosso lado da família para mimar e presentear.
— Opa, calma aí! — Falei quando algo colidiu com as minhas costas e por pouco não acertou a minha mulher. Segurei o corpo pequeno e o mantive imóvel para dar uma olhada — Ei, Lisa. Você não pode correr dessa forma pela casa, principalmente aqui na cozinha. Tem sempre algo quente e pessoas trabalhando por aqui — Repreendi a garota que me olhava com os olhos arregalados e depois sorri — Para onde você estava indo?
— Eu, hum, esqueci uma coisa no quintal.
— Mas está tudo escuro lá fora, querida. Não pode pegar outra hora? — Bella perguntou e esticou a mão para tocar o cabelo dourado da menina.
— Mas é que...
— Lisa! — Ouvimos Rosalie gritar e a garota rapidamente encontrou uma maneira de ficar entre Bella e eu — Onde aquela garota... ah! Aí está você. Vamos logo com isso. Onde você escondeu?
— Eu não...
— Escondeu o que? — Perguntei sem entender a expressão irritada no rosto da loira e eu queria tirar a garota tão rápido quanto possível de trás de mim, sem parecer rude. Ela podia se exaltar e machucar a barriga da Bella — O que foi?
— Ela pegou alguma coisa do Heitor e ele está surtando lá em cima.
E como se ouvisse o seu nome sendo chamado, ele entrou na cozinha feito um foguete, tendo que frear quase em cima da madrinha. Até segurou em seus quadris para que os pés não deslizassem no piso de cerâmica.
— Me devolve agora! — Ele exigiu olhando furioso para Lisa e eu aproveitei para segurar nos ombros da garota e puxa-la para minha frente — Eu já falei para você ficar longe das minhas coisas. Aquilo é um Xbox 390 Elite, não uma casinha da Barbie. Então, vá brincar com Antonella e mantenha as suas mãozinhas longe do meu vídeo game! Oh... oi, pai.
— Olhe o tom, rapazinho — Isabella lhe deu aquele olhar que toda mãe tem e nos faz engolir em seco na hora. Os meus lábios contraíram para sorrir quando vi exatamente aquilo acontecer — Eu disse que você estava proibido de jogar. Eu não quero sonhar que você me desobedeceu, Heitor.
— Não fiz isso, mãe — Ele gemeu fazendo uma carinha adorável de menino bonzinho que sempre funcionava com a Bella. Normalmente ela o agarrava e beijava até que ele corresse para fora dos seus braços — Eu apenas fui pegar algo para o Emm e notei que estava faltando alguma coisa. Ela pegou o meu console, escondeu e estava se gabando para a Norah sobre isso — O meu garoto estreitou os olhos em direção da menina, que se mexia inquieta sobre os pés — Vamos, Lisa, me diga onde está!
— É, Lisa. Acabe com isso logo de uma vez. Não tenho tempo para as briguinhas de vocês dois, eu estou morrendo de fome. — Rose falou. Santo Deus, tinha que ser mulher do McCarty mesmo. Eu não fazia ideia de como os dois não tinham se transformado em rinocerontes ainda.
— Ela disse algo sobre o quintal. — Bella respondeu e os olhos de Heitor se arregalaram enquanto ele olhava para as mãos da menina. Todos nós o imitamos e notamos terra escura entre as unhas curtas dela.
— Você... v-você... Eu não acredito nisso — Gaguejou ficando vermelho de raiva — Ela enterrou o meu console! Oh, cara, o meu avô vai me matar.
Heitor correu para os fundos em direção à porta que dava acesso ao quintal com Lisa correndo atrás dele e pedindo desculpas. Isabella respirou fundo e passou os braços em torno da minha cintura. Eu a entendia perfeitamente. Ninguém tinha mais paciência para àqueles dois que brigavam feito cão e gato desde que se conheceram. Mas eu sabia melhor. Já tinha visto o garoto olhando para Lisa quando todos estavam ocupados demais para perceber. Ele a achava bonita e gostava de estar perto dela mesmo que fosse resultar em discussão e coisas quebradas depois.
Lisa tinha a idade do meu filho e era a prima mais nova de Rosalie, que tinha ficado sob os cuidados de sua mãe desde que o pai da garota – sobrinho único de Olivia – atingiu a fase terminal de sua doença. Mas como a mãe de Rosalie não levava qualquer jeito ou tinha vontade de cuidar de uma criança tão nova, Lisa passa mais tempo com a prima e Emmett. Eles cuidam da menina como se fossem seus pais. São seus responsáveis na escola, lhe compram roupas e ela vive com eles no apartamento, com exceção de dois dias no mês. Emm caiu nos encantos dela rapidamente e acho que é por isso que nunca insistiu para adotarem, como era o grande desejo de Rose. A pestinha ali já ocupa muito espaço na vida de ambos.
— Amor, eu também estou com fome — Bella puxou a manga da minha camisa e eu sorri olhando para a sua barriga. Deus, eu não via a hora de tirar aquele vestido e beija-la inteira — Esme estava preparando atum, mas o cheiro fez com que todo o enjoo voltasse — Ela estremeceu de desgosto e eu abracei, beijando sua têmpora. Era tão bom toca-la. Beija-la. Sentir seu cheiro. Ela tinha razão, eu não deveria passar mais tanto tempo longe — Então eu a ajudei a preparar camarões ao mango.
— Sim, com suflê de chocolate para a sobremesa! — Rose gritou, agitando-se e batendo palmas, ficando de repente, muito parecida com a minha irmã, exceto pelos peitos grandes que saltavam. Bella me pegou olhando e beliscou a minha bunda. Nós rimos e a loira deu às costas para nós — Vão para a mesa, que eu vou chamar a sogra.
— Então, amor, como é isso?
— Oh, são apenas camarões salteados em óleo de manjericão e caramelados em molho à base de manga e gengibre — Explicou, dando-me água na boca — Você gosta de arroz de limão, certo? Eu fiz um cremoso que...
Nós fomos conversando sobre a sua comida enquanto nos dirigíamos para a sala de jantar. Esme havia reformado aquela parte também e comprado uma mesa nova, onde coubesse todos os novos integrantes, bem como os amigos da família que constantemente nos faziam visitas. Ela recrutou Alice e Rosalie para trazer o jantar, uma vez que os empregados tinham sido dispensados – exceto os seguranças. Bella se ofereceu para ajudar, mas minha mãe lhe disse para descansar um pouco, pois tinha passado muito tempo de pé e isso foi motivo para uma pequena briga entre nós dois. Eu havia vetado os saltos do guarda-roupa dela, mas parecia que a minha opinião não era muito importante já que a porcaria que ela usava nos pés hoje tinha, no mínimo, oito centímetros. Provavelmente mais, mas eu não entendia sobre aquilo e ela se aproveitava disso para me convencer de que eram confortáveis e não a deixariam dolorida ou inchada. Sim, certo.
— Pai! — Ouvi um grito inconfundível e a minha cabeça girou tão rápido em direção ao som, que o meu pescoço quase doeu — Oh, oi, papai!
Norah.
A minha menina se sacudiu nos braços da babá, chutando as pernas para todo lado, a forçando a solta-la no chão e ela veio correndo diretamente para os meus braços, quando me abaixei para ficar em sua altura. A velocidade foi tanta, que se Bella não estivesse atrás de mim, teríamos caído os dois no chão. Seus bracinhos magros estavam em volta do meu pescoço e eu senti lábios delicados pressionando a minha bochecha com um beijo. Norah riu quando a minha barba começando a apontar, pinicou sua boca e começou a pular entre as minhas pernas de tão animada.
— Que saudade, princesinha — Segurei-a no lugar e foi a minha vez de enche-la todinha de beijos. Ela gargalhava gostoso nos meus braços, mas eu não a soltava por nada, fazendo os outros riem ao nosso redor — Como você está bonita.
Norah vestia uma blusa branca de manga comprida, uma saia azul escura, como a de uma bailarina, mas plissada e cheia de bolinhas. Usava sapatilhas nos pés e o cabelo longo, todo preso em um coque elegante no alto da cabeça. A franja arredondada continuava cobrindo as suas sobrancelhas e chamando a atenção para os olhos que eram copias idênticas dos meus, exceto pelo formato. Os dela eram grandes e redondos como os de Bella. Na verdade, Norah era uma miniatura pequena e perfeita da mãe. Desde a cor do cabelo, o formato do rosto até a pele branca e cremosa. De mim, só herdou os olhos e algumas qualidades.
— Obrigada. Feliz dia dos pais, paizinho. — Ela sorriu para mim mostrando todos os dentes quadradinhos e eu me derreti em uma poça no chão. Aquela garota era minha perdição, sem sombra de dúvidas. Ela me fazia de gato e sapato e eu obedecia a tudo com muito prazer — Eu pensei que não fosse voltar para brincar. Nós combinamos, não foi?
A peguei no colo e a beijei novamente para agradecer.
— Obrigado, princesa. Eu te amo — Cheirei a sua testa e o aroma de cereja dos seus cabelos veio pra mim — É claro que sim. Eu sempre cumpro as minhas promessas
— Oh, eu adoro vê-los assim reunidos. A casa fica tão mais bonita cheia desse jeito — Esme choramingou parecendo emocionada enquanto apertava um guardanapo em suas mãos. Nós rimos — Então, meus queridos, espero que apreciem a refeição. Foi feita com muito amor. Agora vamos, vamos, ataquem tudo! — Mamãe incentivou e não precisou de mais uma palavra, todos começaram a se servir rapidamente.
Bella me perguntou se eu gostaria de passar Norah para ela, mas estava bem com a menina no meu colo. Ela sempre ficava mais calma comigo e eu já tinha ficado longe demais dos meus tesouros. Eu também queria que ela tivesse um tempo para comer em paz, agora que seu apetite normal havia retornado e sua barriga não deixaria as duas confortáveis ali.
Heitor estava sentado ao lado de Lisa e conversando com Antonella que estava do outro lado da mesa, ignorando totalmente a menina loira, enquanto a avó colocava a comida deles junto com a babá. Emmett engatou uma conversa com Carlisle sobre o final do jogo, Rose apesar de estar focada em seu próprio prato, discutia um dos seus casos que chamou a atenção de Jasper e Alice mantinha Bella entretida a respeito da nossa mudança.
Estaremos saindo, no início de julho, do nosso apartamento onde temos vivido desde o casamento, porque apesar de ser grande e confortável, não é onde ela se vê vivendo com três crianças. Então no segundo mês da gravidez, Alice e nós dois começamos a procurar por uma casa decente e de preferência, perto da dos meus pais para obtermos alguma ajuda. Esse era o lado bom de ambos não trabalharem. O tempo livre era quase interminável e eles foram extremamente necessários para que a minha relação com a Bella seguisse firme.
Às vezes era muito difícil permanecer o mesmo, ser romântico e atencioso como no começo, quando há pessoas exigindo coisas de você e te cansando por todo lado, inclusive no seu lar. Os negócios tomavam muito de mim, então vinham os filhos e mal me sobrava animo para me dedicar a Bella, por mais que a amasse. Não éramos perfeitos e chegamos a deixar o temperamento junto com o stress falar mais alto, dormimos em quartos separados por alguns dias, mas a santa Esme sempre estava por perto nesses momentos para tirar nossos bebês do quadro e nos dar tempo para respirarmos fundo. Assim, éramos capazes de acertar o que estava errado e voltarmos a ser exatamente como antes.
Levou algum tempo para encontramos uma casa parecida com o que queríamos e que estivesse desocupada nessa área, mas há três semanas, achamos uma perto o suficiente do que tínhamos em mente e demos início às negociações quando percebi que era perfeita para o que Bella queria. E mesmo tendo odiado o estilo vintage da sala de estar e a garagem menor que me faria ter que guardar os carros que não uso, aqui nessa casa, eu daria a ela qualquer coisa que me pedisse. Tudo para vê-la com aquele ar sonhador enquanto pensa sobre a decoração, imagina os moveis e faz planos para o futuro com todos nós em volta.
— Eu recebi algumas informações importantes para você, amor — Tomei um gole do meu vinho e virei para Bella no momento em que ela colocava uma mexa de cabelo atrás da orelha, expondo um dos brincos que lhe dei de presente no ultimo aniversario. Sua orelha pequena e charmosa parecia pedir por uma mordida — Marcus e Sean ligaram antes de eu sair. James também. Havia algo que ele gostaria de reportar diretamente a você e ligou para casa achando que você estaria fora do trabalho por hoje. — Me avisou com um tom todo debochado e eu estreitei os meus olhos em sua direção. Sim, bem, eu já entendi que trabalhar no feriado não está ok.
— Tudo bem, baby, isso pode esperar até amanhã — Segurei sua mão esquerda, fazendo questão de tocar na sua aliança de casamento. Ela era grossa e já tinha feito uma marca em seu dedo para que todos soubessem que ela era minha, mesmo que por alguma razão estupida, o anel não estivesse em ali — Ele parecia bem quando vocês se falaram?
— Sim, muito bem. Tadinho, estava tão nervoso por ter que conhecer os pais de Victoria. Acho que ele nunca fez isso antes, certo? — Ela me perguntou fazendo uma careta engraçada e eu assenti, porque era verdade.
James não era esse tipo de cara que namorava alguém no sofá da sala dos sogros, ia a jantares familiares e se convertia a qualquer religião, mas foi por uma mulher exatamente assim que ele se apaixonou. Victoria era uma grega legitima, simpática, extremamente bonita e humilde. Muito humilde. Foi mais isso do que qualquer coisa que chamou a atenção dele, pois quando o idiota passou por cima de sua bicicleta com o carro, a moça não fez escândalo, chamou a polícia ou deu em cima dele – ao perceber que o cara, no mínimo, ganhava bem para poder dirigir um Mercedes conversível –, muito pelo contrário. Victoria pediu desculpas por não ter colocado a bike no lugar correto e disse que esperava que a sua falta de atenção não tenha prejudicado o automóvel de alguma forma.
Isso o deixou completamente maluco da cabeça.
Desde então, não há outra no mundo para ele.
Eu tenho que a admitir que estava satisfeito com a situação. Depois do que ele fez por minha esposa, eu me sentia em dívida. Ofereci o seu emprego de volta, desde que ele estivesse de acordo em ver um profissional da empresa por algumas vezes na semana e tratar o que quer que tenha de errado com ele em relação às mulheres. Convence-lo não foi a coisa mais difícil, apesar do seu gênio complicado de lidar. James reconheceu que tinha alguns... problemas e queria resolve-los. Ele já havia recebido duas promoções e estava em um cargo muito melhor atualmente, porque fez por merecer. Sempre se mostrou um ótimo funcionário, apesar da galinhagem e babaquice. Mesmo tratando-as com mais respeito, eu perdi as contas de quantos pares de bunda o homem arranjava durante a semana.
Brancas, mulatas, loiras e morenas. Todas passaram por ele.
Isso até Victoria aparecer e fazê-lo pisar sobre ovos para consegui-la.
— Será que posso ter um pouco de sobremesa agora? — Norah me perguntou, levantando e girando a cabeça para me olhar — Comi todos os vegetais que a mamãe mandou. Posso? — Eu precisei apertar os talheres em minhas mãos para não fazer o mesmo com ela. Por alguma razão, bastava a garota falar e eu queria beija-la, morde-la, aperta-la e sufoca-la com amor em meus braços.
— Ela é tão meiga! — Alice gemeu em sua cadeira, fazendo um beicinho. A minha irmã morria de inveja por Norah ser tão calma, educada e gentil. Não que a minha sobrinha não tivesse esses momentos também, mas era isso... apenas momentos.
— Claro, meu amor. Eu ouvi falar que há sundae de morango para todos.
Minha menina bateu palmas e um sorriso largo praticamente rasgou seu rosto de coração. Era totalmente viciada em sorvete e sempre se esgueirava para o sofá quando a mãe estava lá, se empanturrando com eles e alguma mistura estranha que satisfazia os seus desejos momentâneos de gravida.
Bella conseguia me tirar do sério com eles também.
— Eu vou colocar nas taças. Jasper, eu vou servir e você traz para a mesa o suflê dos adultos, está bem? — Alice levantou da cadeira arrastando o marido para a cozinha. Rose se levantou e começou a tirar os pratos sujos, dessa vez, ninguém foi capaz de impedir a minha esposa de ajuda-la e a mesa voltou a ficar barulhenta.
Eu iniciei uma conversa com Heitor sobre como tinham sido os seus últimos treinos e parecia tudo muito excelente. Ele tinha um jogo marcado na segunda semana do próximo mês e eu não perderia por nada. Adorava ver o meu filho em campo e o treinador Bruce é um dos seus maiores fãs. Ele é um excelente homem de meia em idade com um fôlego que muitos não têm, bastante divertido e com disposição o suficiente para brincar com os cones e de “acerte o treinador” com os garotos, o que na minha opinião, deixava tudo mais leve e divertido para todo mundo.
Heitor levava muito jeito para o futebol e era o seu hobbie favorito durante as férias. Ele estava as aproveitando a todo vigor, pois logo estaria ingressando na segunda série e suas responsabilidades aumentando. Norah começará a pré-escola em breve isso me apavora em tantos níveis, que não sou capaz nem de raciocinar direito ao imagina-la sozinha com outras crianças e adultos que não conhecemos. Quando foi a vez de Heitor, eu não estava tão nervoso assim, porque ele sempre se mostrou um rapazinho muito independente e determinado, mas Norah era... uma princesa.
E se as crianças fossem cruéis? E se alguém gritasse com ela?
E se ela caísse e se machucasse?
E se alguém fodidamente a machucar de propósito?
Quem no inferno me impediria de colocar aquele lugar abaixo e ir preso?
Eu pegava Bella se divertindo constantemente com as minhas inseguranças e estava cada vez mais difícil tentar convence-la de deixar a pequena estudar em casa. Ela conhecia duas, das três funcionárias da escola e foi pessoalmente com Esme, avaliar as condições do lugar, se era seguro e conversar com as outras mães para obter mais informações e me tranquilizar. Ela conseguiu, mas só naquele dia. Toda vez que Norah se mostrava excitada para aprender mais coisas e estar com outras pessoinhas da sua idade, o meu coração afundava e eu me sentia um pouco magoado de ela não mais achar que a minha presença e a da mãe eram suficientes.
Bella me chamava de idiota ciumento e eu ficava calado sobre isso.
— Estava tudo excelente, senhoras. Muito obrigado — O meu pai agradeceu, limpando o contorno da boca com o guardanapo, logo após acabar a sobremesa que estava realmente incrível — Que tal um filme?
— Ah, mas não tão rápido! — Esme riu, levantando-se — Há uma pilha de louça esperando por vocês na cozinha. Não achem que porque é dia dos pais, que o tratamento de rei durará até à meia-noite. Eu estou acabada.
— Por que você está fazendo essa cara? — Rose perguntou ao namorado que olhava indignado para a minha mãe — Você ainda nem é pai e tirou proveito de tudo que fizemos.
— Eu me sinto um danado de um pai toda vez que essa pestinha se infiltra nos meus lençóis e empata a minha foda no meio da madrugada. — Ele retrucou.
— Emmett! — Todos o repreendemos. Ele se encolheu na cadeira e Lisa gargalhou do aborrecimento dele.
— Ohhh, padrinho disse uma palavra feia! — Norah sussurrou baixinho para mim, colocando os dedinhos gordos na frente da boca. Parecia escandalizada e foi a minha vez de querer rir.
— Sim, princesa. Ele disse — Beijei as costas de sua cabeça e segurei com cuidado o seu corpo para tira-la do colo e coloca-la de pé ao meu lado — Sua avó com certeza estará lavando a boca dele com sabão muito em breve.
Apesar de ser uma mocinha do bem, ela pareceu animada com a ideia disso. Sem se despedir, ela correu pela sala e foi chamar Ella para brincar, fazendo Heitor finalmente sair do seu estado de paralisia enquanto assistia a Lisa rir da briguinha dos “pais”. Tenho certeza que eles se gostavam mais do que se davam conta. Rose me percebeu olhando e piscou para mim.
A babá foi dispensada, as garotas seguiram para fazer suas coisas e todos nós fomos para a cozinha cuidar da louça suja. Mas como eram muitos homens para pouca função, não demoramos nada a terminar de lavar, secar e guardar todas as coisas. Enquanto isso, Emmett tentava me convencer a transferir para outro setor, uma funcionária que aparentemente, estava dando tudo de si para conseguir abaixar as calças dele. Rosalie faria da sua vida um inferno se ao menos sonhasse com isso e por um minuto, me questionei se deveria ajuda-lo ou não.
Ele não perdia a chance de me foder com a Bella, mesmo que essas coisas só me rendessem uns beliscões e caras feias ao longo do dia, mas seria muito divertido poder revidar. Eu pensaria a respeito e o torturaria por um tempo.
Fui até a sala que mamãe criou para que as crianças tivessem um lugar espaçoso e próprio para brincar e encontrei Antonella e o meu rapaz guardando alguns brinquedos em grandes depósitos de plástico para devolve-los à estante, enquanto isso, Norah estava em uma mesa com uma mala cor de rosa aberta, repleta de produtos de beleza para as suas bonecas.
— Tem um espacinho para mim aí, querida?
Ela sorriu e me deu um abraço quando sentei na cadeirinha minúscula ao lado dela e tornei-me sua vítima por livre e espontânea vontade, porque tinha prometido brincar quando voltasse da viagem. Eu fiquei calado diante dos risos de Heitor e sua prima enquanto tinha os meus cabelos presos com presilhas em formato de borboleta cheias de glitter. Evitei fazer caretas enquanto ela usava uns elásticos coloridos para prender os cabelos das minhas pernas e fazia vários montinhos ao longo da minha panturrilha. Aquilo doía como o diabo. Era quase como ser depilado.
Alice deu uma gargalhada quando entrou e logo puxou o celular para registrar tudo enquanto a sobrinha me maquiava todo, segundo ela, para deixar a mamãe ainda mais apaixonada por mim.
Sim, claro. O que a Isabella mais desejava na vida, era ir para cama com uma tentativa de drag queen de 1,86m que deu errado.
Depois de tirarmos uma foto juntos, Norah disse que adorava quando eu servia de modelo para ela e que o resultado era sempre muito bom. Era comum para mim, ficar fora do ar por alguns minutos quando ela dizia que eu era muito bonito e deveria estar na TV. Minha menininha era doce demais e eu a amava com todas as minhas forças.
Ela me liberou, assim que se sentiu satisfeita, para que eu pudesse me lavar e depois de acenar na porta, corri para o banheiro para tirar aquele pó do rosto ridículo e colorido da cara.
As coisas que você se permite fazer quando se apaixona...
Quando fui para a sala, onde Carlisle reunia todos para o filme, Bella estava inclinada para frente, prestes a se abaixar para ajeitar algo de errado com sua sandália. Eu aproveitei a oportunidade para apoiar uma mão em suas costas e passar o braço por baixo de suas coxas, levantando-a no estilo noiva.
— Edward, seu maluco! Me largue agora — Ela gritou irritada e eu dei um pulinho com ela, para ajusta-la melhor e caminhei em direção ao sofá mais espaçoso — Por favor, me desça. Isso é estranho. Você sabe que...
— Baby, você está ótima. Não seja ridícula — Coloquei-a sentada entre algumas almofadas e beijei a sua testa demoradamente. Ela sempre ficava paranoica com o peso e não gostava que eu a pegasse no colo — Ponha as suas pernas para cima, para que possam descansar.
Ela obedeceu, mas deixou as pernas dobradas por pura teimosia. Eu revirei os olhos e sentei ao seu lado, mas dando-lhe espaço para caso mudasse de ideia. Ela voltou a sua atenção para Heitor que tinha Norah em seu colo. Uma sensação estranhamente gostosa sempre tomava contada minha barriga quando via os três conversando e brincando. Eu tinha uma família fodidamente incrível, isso era certo. Isabella, por alguma razão, começou a fazer cócegas no nosso filho e ele caiu no sofá, levando a pequena junto e nós tomos nos deliciamos com sua gargalhada infantil. Lindos demais.
Jasper tirou o disco da capa e colocou no aparelho de DVD. Ele ofereceu pipoca, mas todos estávamos cheios demais para aceitar. Notei que ele usava um relógio diferente do que tinha visto quando cheguei e imaginei que aquele era o seu presente. Sorri para as mulheres que começaram a fofocar sobre as férias de Elizabeth em Tulum enquanto a abertura do filme começava a rolar e deixei-as saber das novidades que ela me disse no último e-mail que enviou.
Uma hora e meia mais tarde, mudei de posição no sofá e notei que Bella não estava mais perto de mim. Na verdade, não estava em lugar algum. Tirei os meus pés lentamente de trás das costas do meu filho que piscava lentamente para a TV e me levantei sem chamar a atenção. Encontrei-a fechando a porta do escritório do meu pai com o celular na mão.
— Ei, você, bonitona. — Chamei a agarrando por trás e ela riu. Adorava sentir como o seu corpo se encaixava bem ao meu daquela maneira. Ter sua bunda macia roçando em mim também não era nada desagradável. Me fazia ter umas ideias... — O que você estava fazendo?
— Liguei para Charlie. Ele e a mamãe estão em algum tipo de retiro desde ontem e o sinal de lá é péssimo — Explicou — Está pronto para ir, amor?
— Sim. Norah está cochilando nos braços de Heitor e ele parece estar acabado por ter passado a tarde nadando com Emmett — Assenti aproveitando para brincar com a sua orelha, mordisca-la como havia sentido vontade de fazer no jantar. Acariciei a sua bonita barriga e ouvi sua risada outra vez. Eu nunca pensei que gravidas podiam ser atraentes antes de ter Bella. Ela ficava mais incrível a cada mês — Vamos pegar as nossas coisas. Vou avisar aos rapazes que já estamos de saída.
Despedir-me de todo mundo gerou mais uma vez aquele velho falatório. Esme ficou feliz por deixarmos as crianças passarem a noite, mas não queria que fôssemos embora. Quase nos obrigou a subir para o andar de cima, mas eu queria a minha própria cama essa noite e ainda tinha um compromisso amanhã às 8. Papai ficou chateado por eu não esperar pelo fim do filme, mas pelo amor de Deus, era Boyhood! Tem três horas de duração. Então, não, muito obrigado.
Levamos os nossos filhos para o quarto. Norah estava totalmente apagada no minuto seguinte em que entregou o meu presente. Um pote transparente com a tampa personalizada, com o meu nome, a data e o que estávamos comemorando. Dentro, havia cerca de 10 cookies de chocolate com nozes, feita por ela mesma e a mãe. Eu levantei Heitor que estava com as pernas em volta da minha cintura, dando-me um abraço apertado enquanto segurava uma caixa com uma das mãos. Agradeci pelas bonitas gravatas de seda, porque eram as minhas favoritas e com beijos, o coloquei na cama, prometendo vir busca-lo para almoçar comigo.
A viagem para o apartamento foi calma. Isabella estava de bom humor e eu tenho certeza que os beijos quentes que roubei antes de ligar o carro, eram a verdadeira razão. Ela estava curtindo a canção tocada no rádio, dançando com as mãos e então, perto de casa, fizemos uma parada rápida em um mercado 24 horas porque ela quis pegar um Ben & Jerry's de banana com flocos, pasta de amendoim e um pouco de pão.
Eu nem sequer perguntei.
Bella foi direto para cozinha assim que abri a porta. Eu arrastei a mala até o nosso quarto e tentei desfaze-la, mas o máximo que fiz, foi tirar algumas peças e produtos de higiene para deixá-los espalhados ao redor. Estava com muito sono para fazer isso agora. Amanhã eu pegaria o necessário. Sentei na ponta da cama e me livrei do relógio, do celular preso no meu bolso de trás, da camisa e cai de costas.
Acho que tirei um breve cochilo, pois despertei ouvindo barulhos vindos do closet. Virei de bruços no colchão e empurrei os sapatos para fora dos meus pés. As meias se recusaram a sair e eu não me esforcei para insistir. Deus do céu, quando esse edredom ficou tão macio desse jeito?
— Edward? — Gemi qualquer coisa. Provavelmente pedi para que ela fizesse silencio, mas Bella bufou e chamou de novo — Eu estou falando. Olhe aqui.
— Estou exausto. — Murmuro e inspiro o cheiro dos nossos lençóis.
— Certo, mas onde está o terno cinza de linho que eu pedi para que você pegasse com o seu pai antes de sairmos? — A ouço perguntar e franzo antes de virar o rosto de lado para responde-la.
Ela está parada de pé segurando a porcaria do terno. Que diabos?
— Está bem aí na sua mão. — Afirmei bem devagar, como se estivesse explicando algo a Norah. Porra, será que a Bella estava ficando daltônica ou algo assim?
— Isso é cinza ônix e de algodão. Muito pesado para um evento pela manhã e em pleno verão — Ela briga e revira os olhos, me dando as costas — Jesus Cristo, custa me ouvir uma vez na vida?
Mas onde estava a porra da diferença?
Ela marchou de volta para o closet e eu preferi ficar em silencio para evitar uma nova briga por besteira. Levantei tão devagar quanto possível e desfiz a minha calça até ficar apenas de boxer. Assisti enquanto ela passeava pelo quarto, livrando-se dos saltos, das joias que usava e o vestido azul. Sorri feito um babaca quando a calcinha baixa deixou toda a sua barriguinha exposta para mim. Ela estava sempre muito cheirosa por causa dos cosméticos que Isabella passava para evitar as estrias que começaram a aparecer no seu bumbum depois que nossa filha nasceu.
As pequenas listras brancas eram quase imperceptíveis em sua pele, ao menos aos olhos masculinos – os meus, já que ninguém via aquela parte da minha esposa, exceto eu –, mas ela continuou paranoica por um tempo, achando que ficaria menos atraente para mim se aquilo continuasse aparecendo. Uma longa atenção em especial naquela área, resolveu parcialmente o problema. Bella era a mulher mais sexy em quem já pus os meus olhos e isso era dentro e fora da cama. O jeito que ela sorria, o modo como cruzava as pernas, até a jogada de cabelo quando sua nuca estava suando. Tudo em seu corpo e mente me atraia e eu seria capaz de mover céus e terras por essa mulher.
Vê-la linda, leve e bem-humorada naquela noite no restaurante do seu pai, me fez inveja-la. Vê-la tão descomplicada e bem resolvida sobre si mesma, sua vida e o que queria, me fez enxergar como eu estava desperdiçando os meus dias ao lado das pessoas erradas. Gastando energia com idiotices quando poderia estar investindo em alguém com aquele brilho e alegria. Então quando ela deixou claro que não era apenas um pedaço bonito de bunda, mostrando a todos àqueles homens e mulheres o quanto era engraçada, esperta e inteligente, me fez querer tê-la para mim com uma urgência realmente desconcertante.
Eu não posso negar que seus lábios, o movimento dos seus peitos, sua cintura pequena e o quadril mais largo naquele vestido justo, acendeu o meu corpo por completo. Achei que ao conseguir o meu caminho com ela, aquela atração desesperada desapareceria, mas bastei prova-la um pouco e foi como tentar apagar uma fogueira com gasolina. A próxima coisa que sabia, era que estava levantando todo o passado da moça, a família, seus ex-namorados, as brigas de escola, os grupos na faculdade, seus antigos empregos e colegas.
Eu queria saber de onde ela veio e quem eram os responsáveis por aquela criatura magnifica. Não demorei a tomar as suas dores para mim. Bella era incrível demais para passar por certas merdas. Ela nem sonha, mas eu fiz o bastardo que a assediou e a fez pedir demissão, pagar. Também não tem ideia de que eu mexi uns pauzinhos para que ela fosse vista com antecedência no seu antigo trabalho em Atlanta. Ela tinha sido contratada porque era boa no que fazia, mas Irina não estava preocupada com quem precisava pagar as contas por aí e precisou de um empurrãozinho para lhe dar alguma atenção. Eu podia simplesmente oferecer-lhe um emprego com um salário mais que adequado, mas isso não funcionaria. Odiaria que ela pensasse que eu estava lhe pagando por sexo.
Quando Elizabeth envolveu-se em nossa história e me fez parecer o pior dos canalhas, eu pensei que morreria. Nenhum termino havia me afetado antes e eu não tinha ideia do que esperar, mas não imaginava que pudesse me rasgar em pedaços daquela maneira. Assim como não tinha ideia de que a mulher que me destroçou, fosse capaz de curar todas as feridas, como se aqueles anos terríveis não tivessem existido, ao surgir novamente na minha vida. Ela trouxe o Heitor para mim e eu não entendia pelo que estava sendo recompensado quando só falhei nas minhas obrigações com ela, com os meus pais, com Tanya e todos.
Mas era grato demais.
Estava tendo a segunda chance que sempre achei ser impossível de conseguir. Fazê-la se apaixonar novamente por mim não foi tão difícil quanto eu imaginava e não falo isso por prepotência, mas porque o elo que nos unia era mais forte do que demos credito. Se eu acreditasse nessa besteira de alma gêmea, não teria dúvidas de que Isabella Swan era a minha. Sua paixão me fez decente. Sua dor me fez um homem melhor. Sua confiança me fez um bom pai e o seu amor...
Me fez encontrar um pedaço do céu na terra.
Todos os dias em que eu estive em Atenas, doeu. O gosto dela estava na minha língua e cada toque parecia ter sido tatuado na minha pele, mas eu disse a mim mesmo que ficaria bem desde que ela estivesse feliz e reconstruindo sua vida com alguém menos complicado. Alguém que pudesse leva-la para sair sem ter um imbecil apontando uma câmera bem na sua cara e pessoas dizendo as coisas cruéis na internet sem que ela merecesse. Alguém que não tivesse um passado que estava sempre voltando para atormenta-los.
Eu, como um tolo que nunca se apaixonou antes, achei que aquela era a pior sensação que poderia existir. Mas a experiência de “quase-morte” pela qual passei durante as 24 horas em que ela esteve desaparecida, me roubou o chão. O meu escritório ficou como se um tornado o tivesse atravessado quando ouvi a mensagem de voz de Jenks avisando sobre o sequestro. Mamãe teve um péssimo momento tentando me acalmar e me fazer ouvir o que a polícia estava dizendo. Nunca senti tanto medo na vida quando soube que Caius estava vivo esse tempo todo e agora a tinha em suas mãos. O que um homem capaz de atentar contra a vida de um bebê, seria capaz de fazer com uma mulher como a Bella?
Me senti um merda. Um incompetente inútil do caralho que não conseguiu manter a noiva a salvo das merdas da minha própria família. Ela estava pagando por algo que não tinha culpa e isso só tornava a minha angustia ainda maior. Não conseguia olhar para Heitor e vê-la naqueles olhos castanhos. Ouvi-lo chamar pela mãe me fazia querer quebrar alguma coisa, alguém. Do que adiantou toda a segurança? A experiência? Os contatos? O que o meu dinheiro podia fazer por ela agora? A vida estava esfregando na minha cara que eu era apenas um sujeito de carne e osso, não um Deus como os meus milhões me fazia parecer. Que eu não podia controlar o rumo que as coisas tomariam, por mais que quisesse. Que eu precisava ter fé.
Quando a polícia recebeu a ligação de James, eu pensei que fosse uma brincadeira de mal gosto. Talvez um truque. Ele era amante daquela filha da puta. Podia estar envolvido na coisa toda e apenas nos atraindo para uma cilada, mas quando todos os dados bateram e ele deu a localização de onde estiveram os mantendo, eu desabei um choro indescritível. Senti como se tivesse envelhecido dez anos naquele dia interminável. Estava cansado e profundamente decepcionado comigo mesmo. Eu bati e briguei com aquele homem mais vezes do que eu conseguia lembrar e era ele a pessoa a tirar a minha mulher do poder daquela gente? Era a alguém como ele que eu teria que agradecer por sua vida? Parecia uma maldita piada.
Eu me recusei a vê-lo também.
Encontrar Bella sozinha, assustada e molhada naquela mata, é uma cena da qual não vou esquecer enquanto vida eu tiver, por mais que eu queira com todas as minhas forças. Eu lembro do grito horrorizado quando Emmett a segurou. Lembro da sua pele quase arroxeada, fria e machucada. Dos seus olhos sem qualquer brilho. Os pesadelos que faziam o seu corpo saltar da cama e dos gemidos que gelavam o meu estômago. Pensei em fazer uma oferenda ou qualquer merda assim, para cada entidade de todas as religiões conhecidas pelo homem quando ela acordou e disse que me queria. Eu estava certo que ela surtaria e exigiria distancia de mim e dos meus problemas a partir daquele instante, mas as minhas orações, por alguma razão... foram ouvidas.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Isabella estava bem. Saudável. A salvo. E ainda queria ser minha.
Eu devo ter feito algo de muito bom em minha vida passada.
Ela estava uma deusa no nosso casamento. Deslizava pelo salão em seu vestido branco como se estivesse flutuando sobre nuvens. Seu sorriso me deixava atordoado a cada vez que era dirigido a mim e eu acho que a apresentei, literalmente, a no mínimo 60 pessoas na festa, porque apenas entrar com ela no lugar não era o suficiente. Eu queria mostra-la, exibir nossa felicidade, nossa vitória. A mulher mais incrível, corajosa e maravilhosa que eu tive a honra de colocar os olhos em cima era toda minha.
Doce Jesus, eu apenas a amava tanto. Tanto!
Carlisle gostava de brincar sobre eu lamber o chão que Bella pisava quando ela ficou gravida pela segunda vez, mas o que eu deveria fazer, então? Ela deixou todos os seus planos de lado para atender ao meu desejo. Me deu a chance de viver tudo que perdi com Heitor e eu fui finalmente capaz de acompanhar cada momento do desenvolvimento da nossa criança. Do bebê que fizemos durante a consumação do nosso casamento. Existia algo mais especial do que isso?
Heitor me deixa tão orgulhoso e hoje eu percebo que apesar do nosso início ter começado um pouco tarde, estive por perto nos momentos em que ele mais precisou. Ele não tem lembrança alguma dos dias em que estive fora e isso significava demais para mim. Nós nos unimos na tarefa de fazer a Bella feliz e ele é um incrível irmão mais velho para Norah, nenhum pouco ciumento e sempre ficou empolgado sobre crescer a família. Agora diminuiríamos o ritmo ou nós nunca pararíamos de fazer bebês, porque todo o processo era tão bom que...
— Acho que vou encher a banheira. Você vem?
Abri os olhos quando ouvi a voz dela outra vez e saí do meu estado de quase inconsciência. Meus lábios foram puxados para o lado, em um sorriso preguiçoso e voltei a me agarrar com os lençóis quando lhe respondi.
— Cansado demais, baby. Talvez na próxima.
— Edward! Eu preciso... de ajuda — Ela sussurrou parecendo envergonhada, mas eu apenas gemi voltando a fechar os olhos. Que horas eram? Eu tinha que acordar às 6 da manhã. Tão injusto — Vamos, vai ser bom. Eu prometo fazer você relaxar. Há quanto tempo você não me tem disposta, nua e molhada?
Oh, cara. Um longo tempo de merda.
Cacete, essa conversa. Para onde ela estava indo com isso? O meu pau começou a endurecer com a imagem que a minha cabeça criou e eu senti dor de tê-lo pressionado contra o colchão, mas não me movi. Eu não tinha certeza se era capaz de satisfazê-la hoje, cansado como estava ou se ela mesma estava bem para aquilo. Os hormônios de Bella sempre falavam mais alto do que seu bem-estar e eu tinha que ser o sábio da relação, regulando o que podíamos fazer e quando.
— Bom, tudo bem. Aposto que o chuveirinho e o Matthew Bomer vão me ajudar a obter algum alivio — Ela disse com desdém e se levantou da cama — Será que você já viu o novo comercial dele? Ele estava tão gostoso de toalha. Aquele abdômen de fora apenas... wow.
Mas o que? Matthew Bomer, minha bunda!
— Isabella, abre essa porta agora! — Gritei enquanto expulsava a minha boxer tão rápido que quase desequilibrei. Que merda é essa de chuveiro? Ela estava falando sério em se masturbar pensando no cara? Ele nem era tão bonito assim.
A maçaneta bateu com força na parede quando invadi o banheiro. Ela estava debaixo da ducha e tentou fechar o box para que eu não entrasse. Nós lutamos por um momento, mas fui mais rápido e invadi o seu espaço, assim como sua boca. Ela não teve uma única chance. A minha língua estava trabalhando na sua enquanto as minhas mãos desciam e tocavam o seu corpo escorregadio pela água.
Hmmm. Gostosa pra caralho.
Apertei os seus peitos da forma que pude, buscando lembrar que estavam sensíveis e doloridos. Os mamilos pareciam pequenas pedras contra os meus dedos e aquilo me deixava ainda mais duro. Desci com os lábios até o seu pescoço e lambi a pele, exatamente como faria com a sua buceta. Tive que prende-la contra parede, pois seus suspiros e gemidos me alertavam da sua necessidade. Usei o joelho para abrir as suas pernas e minha mão direita encontrou o seu sexo quente, úmido e latejante. Foi a minha vez de gemer e não resisti a morde-la no ombro.
Abriguei os meus dedos dentro dela e bombeei sem descanso, deixando-a completamente louca e se debatendo contra mim. Se havia algo mais sexy do que a minha mulher fora de controle apenas por causa da minha mão, eu desconhecia. Bella arranhou os meus braços quando veio e encheu o banheiro com o seu grito. Ela, apesar de aparentar querer desabar a qualquer instante, tentou cuidar de mim, mas fui claro sobre não termos acabado ainda.
Tomamos um banho rápido que serviu para me deixar no clima e mais que disposto. Levei a minha esposa molhada em mais de um sentido de volta para o quarto, sequei o seu corpo com uma toalha, fiz um serviço mal feito comigo mesmo e sem perder tempo, a deitei em nossa cama e lhe beijei no interior de suas coxas. Ela era sensível ali, ficava excitada com a sensação e a visão que era me ter entre suas pernas. A fiz implorar por minha boca e na primeira lambida em seu clitóris, o quadril dela pulou do colchão. Eu ri e lambi mais forte para castiga-la, dessa vez, prendendo-a na cama com as mãos em suas pernas.
Minha língua abriu espaço entre suas dobras e encontrou o caminho onde outra parte minha estaria envolta muito em breve. Eu lhe disse as sacanagens que a deixavam louca e tudo coladinho na sua buceta, para que a vibração da minha voz provocasse o seu nervo necessitado e inchadinho. Tão deliciosa. A minha Bella gritou para mim de novo e se contorceu nos lençóis, passando sensualmente as mãos por sua barriga pontudinha que me deixava tão maluco. Quando nos encaixamos, estávamos olhando um para o outro. O seu peito subia e descia, o rosto estava avermelhado e os cabelos eram uma grande confusão no lençol branco, mas continuava sendo a mulher mais linda que já vi.
Ou eu era apenas um tolo apaixonado.
Provavelmente os dois.
Quando caímos exaustos, estávamos rindo por baixo da respiração entrecortada. Bella pediu por misericórdia e eu a mordi de brincadeira no braço, afirmando que ela tinha conseguido o máximo de mim essa noite. Eu a amava, mas não era um maratonista ou algo assim. Não pretendia fazer sexo com ela essa noite, mas precisava tirar a imagem do Bomer da nossa cabeça. Amanhã teríamos uma conversinha sobre sua provocação de mais cedo. Nesse momento, tê-la nos meus braços estava apenas perfeito.
Quando apaguei a luz, Bella já estava sobre o edredom, ainda nua. Eu vesti uma boxer nova, deitei atrás dela e a fiz ficar de lado, para que pudéssemos dormir de conchinha como ela dizia ser melhor para o bebê. Eu sussurrei palavras de carinho em seu ouvido enquanto ela fazia carinho na minha mão que descansava em seu quadril. Sua respiração ritmada me ninou e quando eu estava pronto para apagar, deslizei a mão sobre a sua barriga e senti um sutil movimento.
Meus olhos se arregalam no mesmo instante e eu tive que resistir ao impulso de acorda-la. Ela provavelmente sequer sentiu. Mudei a posição da minha mão, fiz uma leve pressão, mas nada aconteceu. Esperei por alguns instantes e tudo continuou normal. Xinguei por baixo da respiração e voltei a me deitar, enfiando o nariz no cabelo cheiroso da minha mulher. Os meus dedos sentiram o pequeno movimento novamente e os meus lábios se estenderam em um sorriso emocionado, enquanto eu ignorava a maneira como os meus olhos pinicaram com lágrimas. Nosso garotinho estava se preparando para dormir também?
Papai está aqui. Eu te amo, querido.
Eu te amo muito.
Respirei fundo e soltei o ar. A abracei bem apertado para lembrar-me de que era real e com o peito doendo de felicidade e me entreguei ao sono. Segurando firme junto a mim, as minhas duas preciosidades.
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