Odisséia Grega
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Senti perfeitamente cada músculo do meu corpo enrijecer. Tenho certeza que a respiração ficou presa na garganta e meus olhos abriram-se assustados. Não importava o comportamento dele mais cedo. Não importava o que ele escondia. Eu estava com um medo tremendo de vê-lo sumir. Como assim ele vai embora? Depois do que fizemos aqui, ele vai simplesmente... embora? Edward olhava para sua própria mão descansando em minha barriga, não podia ver sua expressão, mas parecia derrotado pelo modo em que o corpo que eu tanto amava estava jogado no colchão.
— Como assim? Para onde, Edward?
— Para casa.
— Você precisa voltar para o apartamento, é isso? — Perguntei já sabendo a resposta. Não era para aquela casa para qual ele pretendia voltar e eu nunca me senti tão sensível antes, com vontade de receber colo e chorar. Por que deixamos pra conversar depois do sexo mesmo? Pra que eu fui ceder e transar com ele? Mas que tipo de mulher eu sou? Eu gostaria de poder ter Rosalie pra aconselhar nesse momento. Eu mesma se me visse de fora agora, sentiria pena e desgosto. Quando foi que eu virei algum tipo de capacho do Edward e sequer percebi?
Isso está tão errado.
— Bella, eu vou voltar para Atenas. Oh, não, baby, não faça assim... — Disse e me puxou mais pra perto quando um soluço escapou. Meu rosto estava no seu peitoral e as lágrimas já saíam desenfreadas sem que eu pudesse controlar. Me sentia tão triste. Isso foi uma espécie de despedida? Não vamos mais nos ver e ele quis me dar o que sabe fazer de melhor? O sexo? Deus, eram tantas perguntas... minha cabeça estava começando a doer — Não é pra sempre, eu juro, mas preciso colocar a vida que eu deixei lá em ordem. Tem tanta coisa que você ainda não sabe e é melhor que nem se envolva nisso.
— Do que você está falando? Pra que tantos mistérios, Edward? Por quanto tempo você acha que eu vou conseguir sustentar essa situação? Sei que esconde coisas de mim. Sei que é sua vida pessoal, mas eu faço parte dela agora, se acha que eu estarei mais... segura, não sabendo de nada... é porque tem algo de muito errado aí.
Eram incontáveis as vezes que chamadas foram ignoradas, mensagens respondidas às pressas, assuntos cortados e falados pela metade sempre que eu estava por perto. Não julgaria se ele tivesse que manter certas coisas em sigilo, mas era sempre tão estranho. O que esse CEO importantíssimo que empregava mais de 36 mil vidas no país temia tanto?
— A questão é você não precisa se preocupar com nada disso. Eu nunca faria nada para prejudica-la intencionalmente e é exatamente por isso que eu preciso voltar. Se tudo correr bem, em questão de semanas já estarei de volta e eu poderei esclarecer tudo. E talvez você possa me perdoar, possamos começar do zero... Nos falaremos menos, mas nada vai mudar — Suspirou e segurou meu rosto, levantando-o até que estivéssemos de frente um para o outro e acariciou meus lábios com os dele. Por que eu precisaria perdoa-lo? Eu queria muito entende-lo, mas quanto mais ele falava, mais parecia que Edward estava agindo por minhas costas e que ele não era quem eu pensava que fosse — Mil perdões por hoje à noite. Elizabeth é uma pessoa difícil demais de se lidar e se soubesse o que você representa... não sei o que ela faria naquela festa, com toda aquela gente... eu não quero que sofra, baby — Disse beijando a minha testa — Quando eu voltar, tudo vai acabar e momentos como o de hoje não voltarão a se repetir. Eu prometo. Você pode ter só mais um pouco de paciência por mim?
Edward selou a promessa e o pedido com um beijo. Sua mão chegou até a minha nuca e infiltrou-se nos cabelos ali, controlando-o, puxando-me para perto e afastando quando achava necessário. Seu carinho me impediu de agir como uma garotinha mimada que bate o pé e não aceita suas decisões. Era bem óbvio que Edward não se sentia à vontade assumindo um relacionamento comigo antes de resolver o que quer que fosse em Atenas. Por um momento eu pensei que ele pudesse ter deixado uma namorada, mas Edward Cullen não namorava.
Eu já havia pesquisado antes. A mídia nunca o viu com ninguém sério, então como poderia ter? E se existisse alguma outra, eu teria alguma chance contra ela? Haveria alguma possibilidade de Edward deixa-la para ficar comigo? Eu não sabia se podia confiar nele, mas de acordo com sua promessa, ele resolveria o que tem pra resolver e retornaria pra que pudéssemos começar as coisas do jeito certo. Talvez começando com um pedido formal de namoro...
Será que os Cullens não aceitariam bem o fato de eu não ser grega e ele tinha que sondar o terreno antes de me apresentar? Eu sei que em algumas culturas, as famílias são bem rígidas quanto a isso, mas uma vez ele me disse que... não, não, isso poderia ser descartado. Emmett e Jasper são tão americanos quanto eu e são muito queridos entre eles. Alice também parecia gostar de mim e aprovar o que nós dois temos.
Quanta confusão. Minha cabeça ainda dói e algo no meu intimo pede para que eu o mande embora e me livre daquela situação antes que eu me machuque de verdade, mas o meu coração pede pra seguir firme. Afinal, é o meu primeiro relacionamento. Eu estou feliz. Ele me faz feliz. Não posso esperar que seja tudo perfeito, certo? Vou quebrar a cara. Vou errar e aprender, assim como faria com outro, mas será que no final disso vai valer a pena?
O tempo esfriou muito no decorrer da noite. Nós dois ficamos acordados por um tempo, ele me perguntava sobre a festa, se eu tinha gostado, sobre quem conheci e eu respondia que estava muito orgulhosa. Conversamos pouco sobre a viajem, só sabia que estava marcada para depois do ano novo, pois ainda estaria um pouco ocupado até lá e que ficaria na casa dos pais, pois lá não tinha um lugar próprio pra viver.
— Você e sua mãe não parecem se dar muito bem.
— Eu e a minha mãe nos damos muito bem, Bella, porque pra mim, a minha mãe sempre foi a Esme. Elizabeth só me fez um favor ao dar à luz. Ela e meu pai nem chegaram a se casar, ele a aguentou durante 11 meses e só 9 foi devido a gravidez. — Edward falava numa mistura de diversão e amargura, mas eu acabei rindo.
— Esme é a esposa do seu pai?
— Isso. Ela me criou desde muito cedo, desde antes de ficar com o meu pai. — Hmm, interessante.
— Certo. Ainda bem, não é? Ia ficar meio estranho se você gostasse daquela mulher e eu não — Nós começamos a rir. Eu virei para o outro lado, ficando de costas pra ele que logo veio me abraçar bem gostoso, ficando de conchinha comigo — Ela foi bem estúpida essa noite. Me olhava como se eu fosse menos que... enfim, deixa pra lá — Sacudi a cabeça querendo esquecer — Daqui há pouco amanhece e tenho que trabalhar, então vamos dormir, tudo bem?
— Você precisa mesmo ir? É tão gostoso te ter nos meus braços... — Espalhou beijos na minha nuca, me arrepiando e fazendo cócegas ao mesmo tempo – Podíamos passar a manhã toda na cama, namorando, dormindo, fazendo amor... como tem que ser.
— Hmmm, tentador. Mas sim, Edward. Só há um bilionário neste quarto. Agora comporte-se e vá dormir. — Ri e lhe dei um tapinha na mão espalmada em minha barriga.
— Boa noite, ágape mou. Eu adoro você.
Fechei o armário do banheiro e bebi um copo d’água com alguns comprimidos para dor de cabeça. Eu só consegui dormir por umas duas horas depois que adormeci, então ainda era cedo pra caralho e meu cérebro parecia latejar. Fiquei uns bons minutos na cama curtindo o calor do corpo de Edward, mas quando o sol foi ficando mais forte, decidi preparar o café da manhã pra nós.
Tirei da geladeira alguns tomates, queijo, presunto e os demais ingredientes para fazer uma omelete. Cortei quase tudo em cubos e separei para ir cuidar dos ovos. Liguei o rádio velho da cozinha, sintonizei e trabalhei bem mais rápido enquanto cantava as músicas.
Em pouco tempo a mesa já estava posta com torradas francesas, omelete, café preto, leite, suco de laranja fresco e os cereais de Rose. E falando nela...
— Caiu da cama, foi? — Bocejou quando chegou na cozinha, mas depois sorriu quando sentiu o cheiro de comida pronta, não perdeu tempo e sentou-se na cadeira mais próxima, começando a se servir de tudo um pouco — Bella, sobre ontem à noite... eu ouvi mesmo sexo de reconciliação ou foi algum sonho erótico? — Ela parecia realmente em dúvida e isso me fez gargalhar, mas logo parei gemendo porque esforço para rir fez a minha cabeça doer de novo.
— Digamos que Edward e eu chegamos a um impasse quando ele veio me visitar no meio da noite, mas eu não me responsabilizo pelo o que você pensa ter ouvido.
Rose sorriu maliciosa pra mim, mas tornou-se absurdamente engraçado porque a comida estava escapando de sua boca. Começamos a rir da situação, até ela começar a engasgar e ficar vermelha. Eu comecei a ficar preocupada, porque ela olhava fixamente para um ponto atrás de mim e quando me virei, entendi tudo. Lá estava Edward com a camisa amassada, mal abotoada e passando a mão naquele cabelo de sexo todo desarrumado e lindo enquanto nos olhava meio constrangido. Ele era tão malditamente fofo.
Isso é muito injusto.
— Bom dia, senhoritas.
— Oh... bom dia, Cullen. Você... hum... dormiu aqui — Rosalie constatou depois de engolir e gaguejar. Tudo bem que o homem podia ser intimidante, mas precisava disso? — Bom, senta aqui pra tomar café da manhã. A Bella vai te servir.
Revirei os olhos e fui cumprimenta-lo. Seus olhos verdes brilharam quando me viu usando uma camiseta folgada e um minúsculo short. Lhe dei um selinho demorado e quando senti que suas mãos antes na minha cintura, já estavam descendo pra curva do quadril, decidi que era hora de freá-lo.
— Bom dia, Rosalie. Sim, eu passei a noite no quarto da Bella. Espero que esteja tudo bem. Eu sei que às vezes vocês garotas têm certas regras quando vivem juntas.
— Desde que você não seja um usuário de drogas ilícitas, mafioso, traficante de órgãos ou algo do gênero, está tudo bem, Cullen. — Edward riu e sentou à mesa, ao meu lado. Eu lhe servi com torradas, omelete e café como me pediu. Ele comia em silencio mexendo no celular, verificando e-mails e notícias, enquanto nós duas conversávamos besteiras, principalmente sobre a festa. Edward deslumbrou Rose totalmente com seu sorriso torto quando ela lhe parabenizou por ontem, tanto que um pedaço de cereal molhado de leite ficou grudado em seu queixo e ela não percebeu porque estava ocupada demais olhando para o meu grego.
Comecei a rir outra vez, claro. Ela ficou constrangida e me olhou maliciosa depois.
— Eu deveria ter imaginado que ele passou a noite com você. Nem os meus sonhos eróticos mais pesados podiam reproduzir sons como os que fizeram ontem.
Merda. Vadia vingativa! Engasguei com um suco. Edward enquanto sorria com aquela desgraçada, batia nas minhas costas, acariciando também para a crise passar. Eu nunca tinha trazido homens pra casa. Nunca precisei e mesmo assim era tímida o suficiente pra querer evitar esses comentários, mas claro que ela tinha que jogar baixo e ainda mais na presença dele!
— Sua mãe vai ficar na cidade por muito tempo? — Depois do café, ajudei-o a ficar... apresentável.
— Não sei, mas torço para que não — Respondeu com uma careta e eu me perguntei se a mulher realmente tinha sido tão ruim assim pra ele — Preciso ir. Depois conversamos mais, se tiver alguma dúvida sobre... ontem. Tudo bem? — Edward estava mais flexível e durante a sua ducha rápida no meu banheiro, eu insisti tanto que ele acabou cedendo e disse que quando uma oportunidade melhor surgisse, ele contaria dos seus problemas e o que diabos ele precisava resolver com tanta urgência que teria que viajar em breve. Nos despedimos com muitos beijinhos e risos envergonhados da minha parte, porque ele estava o tempo todo me lembrando de certos detalhes diabólicos da noite de ontem.
Constrangedor era pouco.
No trabalho, eu estava com um bom humor tão grande que nem os olhares desdenhosos de Irina me atingiam. Não se falava de outra coisa além de toda a cobertura que o evento do Edward recebeu ontem à noite. Estava nos jornais, na TV e internet. Lisa, uma das minhas colegas dava pulinhos de animação enquanto me mostrava uma foto no tablet, onde eu caminhava no tapete vermelho com Rose bem ao meu lado. Estávamos lindas. No almoço, todo mundo pediu detalhes do porquê fui convidada, porquê fui vista da mesa de Edward e se eu tinha conhecido alguém importante durante a noite.
— Eu não sabia que estava namorando. Quem é ela? — Perguntei a Rachel enquanto comíamos a nossa salada em uma mesa ao ar livre do restaurante da esquina. Há dias eu percebia que ela trocava mensagens o tempo todo com alguém, dando alguns sorrisos sutis, mas hoje era diferente. Hoje ela parecia nervosa.
— Eu não estou. E não é... ela, sabe — Eu demorei alguns segundos para assimilar que ela se referia a um homem. Rachel riu parecendo envergonhada quando arqueei as sobrancelhas em espanto — Foi um equívoco! Eu estava bêbada. Reencontrei esse cara que já foi meu vizinho... algumas cervejas e de repente eu estava em seu sofá com ele no meio das minhas pernas. Não foi ruim, entende? Mas foi um erro. Um erro estúpido e agora eu estou tentando me sair dessa.
— É compreensível. Quem nunca fez nada do tipo, certo? — Eu mesmo nunca tinha, mas sabia que era mais do que comum nos envolvermos em casos de uma noite.
— Exato, mas ele parece não entender. Até riu quando eu disse que na verdade gostava de mulheres. Ele disse que não se importava em dividir, mas que eu não ia usá-lo e jogar fora. Está agindo como uma maldita garotinha, fica me mandando mensagens e me segue nos lugares. Isso é tão irritante e patético! Nunca imaginei... — Ela parecia realmente estressada. Jogou o potinho descartável no lixo e me chamou para ir embora. Rachel me deu mais detalhes sobre esse homem e eu lembrei do Royce. O cara deu trabalho pra sair do pé da Rosalie e tinha tendências bem assustadoras, fiquei com medo por Rachel porque sabia que ela era sozinha aqui em Atlanta.
— Conte comigo para o que precisar, ok?
Mais tarde, enquanto preparava o jantar e Rosalie guardava a louça no armário, nosso interfone tocou e informaram que tinham uma entrega para fazer. Por um minuto meu coração acelerou e eu achei que era o Edward com mais uma de suas surpresa, mas não era. Porém, fui surpreendida da mesma forma porque o rapaz ruivo e espinhento que estava do lado de fora da porta segurava com esforço um enorme buquê de rosas vermelhas e uma caixa bonita.
Ficamos abobalhadas ao abrir o cartão e nos deparar com um Emmett carinhoso e gentil. Ele havia mandado flores e uma caixa de bombons de excelente marca. Quem diria que aquela montanha de músculos sabia alguma sobre clássicos e romantismo? Ela deixou a louça de lado e correu para o telefone. Voltei para as minhas panelas revirando os olhos e ignorando a sua voz melodicamente manhosa enquanto agradecia e perguntava como tinha sido o dia dele.
Eles pareciam bem em sintonia nos dias que se seguiram, Emmett inclusive nos fez uma visita inesperada durante uma noite. Ficou pra comer e depois levou Rosalie para um passeio. Quase três horas depois ela voltou com o cabelo bagunçado, roupas amassadas e a boca ligeiramente inchada, que nem o sorriso idiota conseguiu disfarçar. Corri pro meu quarto antes que ela decidisse me contar o que o “ursão” havia feito.
Edward e eu nos falamos pouco até o último dia do ano. Aparentemente, apesar da experiência de Adrien, ele precisava ser supervisionado nos primeiros dias e a mãe de Edward ainda estava na cidade, complicando a vida dele como parecia ser de costume. Eu não fazia ideia do porquê dessa mulher continuar em Atlanta, só esperava que não tentasse afastar o filho de mim.
Alice me procurou para me intimar a passar a virada de ano com eles, já que sabia que eu não ficava nesse dia com meus pais. Disse que estariam a nossa disposição para irmos aonde quiséssemos. Naquele dia, Rose e eu repetimos o processo do natal no salão de beleza, com o acréscimo de algumas horas no SPA para entrarmos o ano seguinte bem relaxadas.
Nos vestimos e fomos para o prédio deles. Depois de namorar um pouquinho, fizemos um brinde e saímos do apartamento de Edward em táxis direto para o Hard Rock Cafe. Eu morei a minha vida toda em Atlanta, mas assumo que não conhecia nem metade da cidade. Fui ao Hard quando fiz 19 e não voltei até o dia de hoje, mas como eles não conheciam nada aqui, achei que uma passadinha lá seria interessante.
Edward quando estava a sós comigo e sua família não parecia ser aquele metidinho esbanjador de dinheiro que chegou ao restaurante da minha família exigindo o chef a sua disposição e uma área apenas para ele e seus convidados, pelo contrário, era simpático, humilde e qualquer coisa o fascinava de maneira quase infantil.
Foi ótimo comer lá. Estava meio cheio, tínhamos que falar alto se quiséssemos conversar, mas foi tão divertido! O jantar estava excelente, comemos muito, bebemos e eu aproveitei pra mostrar a Edward e Emmett as fotos dos artistas e as belas guitarras que eles tinham penduradas na parede. Emm adorou e viu cada coisa que remetia ao rock, pois na faculdade ele tinha um banda.
Alice foi até a lojinha e comprou um moletom clássico preto com o logo do estabelecimento em branco e Jasper comprou umas baquetas pra levar de lembrança. Algum tempo depois estávamos indo para o Opera Atlanta Nightclub. Tinha muita gente esperando pra entrar porque todo mundo aqui adora o lugar e é bem procurado, fora que hoje era final de ano, as pessoas estavam loucas pra se acabarem na pista de dança e beijar na boca, tinha certeza.
Como era de praxe, Emm deu um jeito de nos colocar lá dentro sem maiores problemas. Alice enlouqueceu quando viu a parte de dentro. Eu imaginei que na sua adolescência ou até agora em sua fase adulta, ela não tinha muita liberdade pra frequentar lugares assim, só isso pra explicar sua empolgação fora do comum. Estavam tocando músicas incríveis dos anos 80 quando chegamos e eu comecei a me soltar no segundo Cosmo. Edward estava sentado, bebendo, me assistindo dançar perto dele e de vez em quando eu sentia suas mãos bobas na minha bunda através do vestido. Quando algumas de hip-hop começaram a sair, Emmett correu para o meio do pessoal, se jogando na maior empolgação. Ele cantava, dançava e gritava chamando a gente. Jasper pareceu começar a sentir os efeitos da bebida e arrastou Edward para a pista. Nós piramos vendo nossos homens se mexerem daquele jeito tão sexy e descontraído. Quem diria, Cullen?
Olhem as pernas desse homem! A bunda firme... Deus, eu só conseguia pensar em arrastar o Edward para o banheiro e...
— Ah, mas eu vou quebrar as minhas unhas na cara daquela piranha! — Ouvi Rose rosnar perto de mim um tempo depois e pisquei voltando pra realidade. Ela estava de pé com a Alice ao seu lado e ambas olhavam pra pista de dança com ódio.
— Olha só que cretina! Se oferecendo pro meu Jasper e ignorando totalmente a aliança que ele fez questão de mostrar!
— Está pedindo pra apanhar, Alice. — Rose confirmou.
Olhei em busca do porquê delas estarem tão putas e congelei no lugar quando me deparei com Edward dançando com uma morena de rabo de cavalo que tentava enfiar sua perna entre as coxas dele em um movimento sensual. Filha de uma puta! Desgraçado! Senti meu sangue ferver na hora e minha mão coçou para pegar aquele litro de vodca e enfia-lo na...
— É isso. Pra mim já chega. — Ouvi a voz de Rose outra vez, só que mais furiosa. Ela saiu de perto de mim e foi em direção às pessoas quando viu uma loira de cabelos curtos beijando a nuca de Emmett. Eu não pensei duas vezes e segui as meninas.
Eu ia acabar com a raça daqueles dois e seria já.
As luzes fizeram meus olhos arder por um momento. Pessoas esbarraram no meu corpo enquanto dançavam e alguém pisou na porra do meu pé. Perto de mim, eu pude ver Rosalie soltando os cachorros em cima do Emmett enquanto a loira encarava os dois completamente confusa, provavelmente bêbada demais pra entender que eles eram um casal. Já Alice parecia ter se livrado fácil da moça e agora fazia manha nos braços de Jasper, que a beijava e tentava consola-la. Eles eram muito sortudos.
Oh, achei a vadia.
Edward segurava em seus ombros, empurrando-a com delicadeza e sorrindo como quem se desculpava, também falava alguma coisa que eu não conseguia ouvir, mas a mulher ignorava totalmente e tentava toca-lo a todo custo.
— Saia de cima do meu homem agora mesmo se você não quiser sair daqui mancando em três patas, cadela. — Rosnei perto do ouvido da garota que estava de costas pra mim. Ela virou-se assustada e Edward engoliu seco atrás dela, com os olhos arregalados.
— Sai fora, garota! Eu cheguei primeiro, aqui tá cheio de homem, vai procurar o teu. — Ela falava com a voz meio arrastada e um sotaque do sul. A lindinha simplesmente virou para o Edward e segurou sua nuca, percebi sua intenção em segundos e antes que ela conseguisse beija-lo, eu enfiei a mão em seus cabelos e puxei-a para trás.
Ridículo, eu sei, mas foda-se.
— Sua louca! Solta o meu... ai... porra, me solta, maluca de merda. — A música agora estava mais alta, mas nem isso me tirou o prazer de ouvir os gritos e o choramingo dela.
— Está com problema de audição, caralho? Eu digo pra tirar as mãos do meu namorado e você tenta enfiar essa língua imunda em sua garganta? — Eu berrava quase na cara dela e sentia ao mesmo tempo os braços de Edward tocando o meu corpo, tentando de alguma forma me puxar daquela situação sem me machucar e provavelmente sem que eu machucasse a putinha ali.
— Ai... ai, meu Deus... isso dói. Eu n-não sabia. Desculpa! — Ela pedia, mas tentava arranhar minhas mãos com suas unhas postiças e exageradas para que eu soltasse seu cabelo. Eu soltei e ela partiu pra cima de mim, me empurrando. Eu me desequilibrei e bati as costas no peito de Edward, mas foi ótimo pra pegar impulso e voar na cara dela.
O barulho do soco foi alto o suficiente pra me causar prazer. Minha mão não doía nadinha e eu sabia que era por causa da bebida, então aproveitei para bater mais nela. Não pude, claro, porque braços duros feito aço fecharam-se ao redor da minha cintura, quase me tirando do chão enquanto eu me debatia pra alcançar a garota.
A multidão na pista ainda dançava, mas os mais próximos olhavam a briga e alguns tiravam fotos. Os seguranças vieram em seguida e ajudaram a pobre garota no cio, tirando-a das minhas vistas. Edward me permitiu pôr os pés no chão e me virou de frente pra ele. Eu estava suada, provavelmente descabelada, mas ele me olhava em uma mistura perfeita de preocupação, divertimento e admiração, lindo como sempre.
Maldito seja.
Rosalie se acabava de rir abraçada ao Emmett enquanto éramos “escoltados” para o lado de fora da boate, eu estava muito emburrada por ter sido convidada a me retirar do local. Será que a garota também foi expulsa? Que vontade de voltar lá!
Alice e Jasper foram procurar táxis pra gente e eu continuei andando de cabeça baixa e braços cruzados no peito. Não era bem assim que eu queria passar a noite. Irritada, toda amassada e com ciúmes.
— Bella? Vem cá, vamos conversar — Ouvir a voz dele tirou daquele estado de torpor e a fúria voltou com força total. Mal me dei conta dos meus movimentos, mas quando pisquei, tinha empurrado Edward para dentro de um beco escuro do lado esquerdo da boate e depois o empurrei de novo contra a parede, olhando-o com ódio e ele gemeu de dor quando suas costas bateram em um tijolo fora do lugar — Isabella, que diabos?!
Agora eu entendo como ele se sentiu quando me viu com Mike.
Meu Deus, eu queria tanto mata-lo.
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