Odiado Diário.
12 O gosto amargo da Itália.
Notas iniciais
Pov. Damon.
Aos poucos ela foi parando de chorar, até que ficou quieta ainda encostada em mim. Não a afastei, mesmo achando essa situação a mais estranha de todas, pois toda a vez que nos tocávamos era pra mim me defender de seus tapas, socos, chutes, arranhões.... E assim vai.
–-se você contar isso pra qualquer pessoa, qualquer coisa eu vou arrancar isso que você tem entre as pernas sem anestesia.— Sua voz saiu abafada. Eu ri.
–-minha boca é um túmulo.
–-não fala isso.—disse com a voz chorosa.
–-Hum.. alguém morreu.— Eu apertei meus braços ao seu redor, estremeci quando ela arranhou de leve minhas costas. Isso era realmente bom...
– Eu... vou pro meu quarto... – Suspirou e sua mão escorregou até minha cintura, eu não queria soltá-la agora. Mas que merda....?
– Não vai mesmo me contar?
–-pra você fazer igual o que fez sobre minha aventura sexual?
–-não vou contar. Prometo.
– Eu não confio em você. – Ela se afastou de mim devagar, continuei ainda a tocando. Não queria soltá-la. Eu estou carente demais. Ela, de forma sem pensar, beijou minha bochecha e subiu as escadas um tanto corada.
–-hey, chegou faz tempo?—perguntou Emmett ao entrar na sala.
–-er.. não.—Falava ou não que a irmã dele tinha acabado de chorar um monte comigo?
–-aconteceu alguma coisa?
–-não.—respondi. Olhei para as escadas e voltei meu olhar a ele.—vamos jogar?
– Claro...
Pov. Bella.
Me tranquei no quarto, peguei o diário e comecei a folhear.
Alguns papeis que falava sobre Phill caíram. Tinha varias fotos dele ali também. Em jornais, por ele ser jogador de basquete, fotos caseiras, fotos de identidade... Coisas sobre ele. peguei uma caneta e decidi escrever.
Odiado diário.
Ele está morto. Eu o procurei tanto... Esperando o encontrar e ter… Aqueles encontros de filmes que faz você chorar de alegria... Mas ele está morto, tudo foi só um sonho.
Eu só sei que ele morreu em um incêndio, como não soube antes? meu advogado veio me falar. Porque eu não soube disso antes? dói tanto. Queria ter conhecido ele. Ele veio atrás de mim, e eu nunca o conheci.
Por que isso me machuca tanto?
Damon me viu chorar. E ele me abraçou e eu beijei a bochecha dele. EU BEIJEI O ROSTO DE DAMON. Eu precisava de um abraço na hora, me senti segura, me senti protegida por causa do abraço. Abracei meu maior inimigo. Isso não muda o que sinto por ele. ainda o odeio, demais.
Só estava feliz por ele não zombar, ao invés disso, me abraçou apertado, me fez ficar bem.
As coisas estão tão confusa... Eu quero mais um abraço, dormir no colo de alguém. Mas não vou sair desse quarto e pedir colo. Arrependo-me por ter chorado na frente de Damon. principalmente dele.agora... Só esperar e vamos ver o que elevai fazer, pra usar meu momento de fraqueza contra mim.
Fechei o diário, escondendo debaixo do colchão e me deitei, abraçando o travesseiro e novamente voltei a chorar.
Pov. Damon.
–-hey, o que está acontecendo com sua irmã?— Perguntei, decidido a contar agor.a
–-porque?—Emmett perguntou.
–-Ele estava chorando quando cheguei...
– Chorando?
– É. Ela não quis me contar...
– EU... já volto. – Subiu as escadas. Suspirei e decidi ir pra casa.
Eu não ia usar esse choro da Bella contra ela na escola. Isso era.. garota demais. Se eu fosse me vingar dela, não seria assim. Seria de uma forma radical, como riscar o carro dela.
Eu só estava curioso pra saber o porquê do choro dela. Mas isso descubro depois. Eu acho.
Pov. Bella.
–-eu sinto muito.—Emmett disse. Eu assenti.
–-eu quero dormir, depois pense nisso.
–-Só.. não fica tão triste.
–-Emmett, se eu te pedisse pra, Só você e eu, ir na Itália, você iria?—perguntei baixo.
–-claro que sim.—ele disse passando a mão em meu cabelo.
–-compra as passagens pra amanhã?
–-vou ligar no aeroporto, ta?— Assenti. Ele beijou minha testa e saiu do quarto. voltei a me deitar. Tentando descansar um pouco. Mais tarde farias as malas. Queria ir visitar o tumulo do meu pai.
(...)
–-tem certeza que não quer que eu vá?---Meu pai perguntou.
–-não, Emmett fica comigo.
–-cuidado.—ele disse me abraçando. Assenti e fui pro carro, esperando Emmett se despedir de Rose. Dois minutos depois ele entrou, ligou o carro e dirigiu pro aeroporto.
–-descobriu o motivo do incêndio? – Emmett perguntou. Eu soltei um suspiro;
–-foi na casa ao lado. a casa pegou fogo e ele foi tentar salvar a filha da vizinha. Ele a salvou mas acabou ficando preso e morreu.
–-e quantos anos tinha a filha da vizinha?
–-quatro anos. Ela conseguiu correr pra fora, mas ele ficou preso.
–-ele foi um herói.— Olhou para mim enquanto dizia sorrindo.
–-morreu pra salvar alguém.
–-talvez pensando em você. Acho que ele gostaria que alguém salvasse a filha dele.—falou.—ele tem familia?—perguntou.
–-sim. Esposa, um filho da esposa. Eu não sei muito sobre eles. Parece que um filho recém-nascido também.—falei.
–-você vai falar com a familia?-
– Eu não sei... Não sei sobre o que dizer... Eu o amo e nunca o vi.
–-você o conheceu sim. Da última vez que ele veio ver você, você tinha 3 anos.—falou naturalmente.
– É? – perguntei animada e curiosa.
– É. Charlie não estava em casa, a mãe o deixou entrar e ele passou a tarde toda com você. Ele comprou coisas pra você, e não te soltou um segundo. Tirou varias fotos... até que o pai apareceu e... bom, o mandou embora. Ele veio depois que a mãe morreu mas o pai chamou a polícia atrás dele. E ele não apareceu mais.—falou.—você o conheceu, só não se lembra.
–-queria poder me lembrar.
(...)
Odiado Diário Otário.
Descobri que eu conheci meu pai. Aos três anos. Ele me pegou no colo, brincou comigo, tirou foto. Isso me deixa feliz, só queria poder me lembrar do dia.
Eu estou no avião, indo pra Itália. Emmett está dormindo do meu lado, e eu aqui, ao lado da janela sem nada pra fazer a não ser escrever. Eu vou ver o túmulo do meu pai, e conhecer a familia dele. A mulher, o filho adotivo mais velho e o recém-nascido. Será que eles sabem de mim? provavelmente. Só, tenho medo de incomodar eles.
Meu pai era um herói. Morreu tentando salvar a filha da vizinha. Por quê? Ele morreu! Mas... ele salvou alguém. Ele é um herói, e sempre me lembrarei disso. Meu herói, herói daquela garotinha, herói de todos.
Só, gostaria de ter conhecido ele, me lembrar do nosso encontro. Só queria me lembrar dele e ter uma última lembrança boa.
Eu estou com sono, acho melhor parar de escrever. Depois eu escrevo mais, ok diário?
Beijos.
PS: espero que o avião não caia. Kkk’.
Fechei o diário e bocejei, o guardei na bolsa e me encostei no banco. Olhando pra fora da janela. Tudo escuro. Acomodei-me mais. Eu não tinha medo de avião, na verdade, adorava avião. Altura, e tudo mais. Tem gente que diz não gostar de altura. Não é que elas tem medo de altura. Tem medo de cair. Rose me explicou que ela não tem medo de escuro, só tem medo do que há nele.
Sei como é essas coisas. Mas eu me sinto mais acomodada no escuro, mais acomodada na altura. No perigo. Gosto do perigo.
O sono foi me dominando, e eu dormi. Sonhando com Phill tentando salvar uma garotinha. Mas a imagem que aparecia da garotinha era eu.
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