Odeio o Dia dos Namorados

1 Odeio o Dia dos Namorados


Notas iniciais
Olá! Como estão? Venho trazer essa fic em resposta ao desafio do grupo Morcegão das Masmorras: Fanfictions.

Dia dos namorados, que data tão ridícula para se comemorar. Snape odiava aquela data, sempre havia odiado. Havia tantos corações, balões e decorações ridículas de cupidos pelas fachadas das lojas do Beco Diagonal que chegava a embrulhar seu estômago. Snape andava pela calçada, fazendo o maior esforço para passar bem longe dos “casais apaixonados” que passavam ao seu lado.

Em poucos segundos, ele chegou à conclusão que havia escolhido o pior dia do ano para vir comprar os ingredientes para sua botica.

Snape suspirou cansado e disse a si:

— Eu deveria ter dito ao Potter que não conseguiria entregar as poções amanhã, se eu tivesse feito isso, não estaria aqui, andando em meio a essas ridículas decorações.

Mas, já que ele estava aqui, compraria os ingredientes que faltavam e iria embora o mais rápido possível.

Snape entrou em uma das lojas em que habitualmente comprava seus ingredientes. Assim que empurrou a porta, um sino soou, indicando que um cliente estava entrando no local. Severus atravessou o batente da porta, logo avistando Gary, o proprietário do local, que naquele momento usava um ridículo terno feito de um tecido verde estampado com corações vermelhos.

— Bom dia, Snape. Em que posso ajudá-lo nesse dia tão lindo? — Perguntou Gary com um tom de voz animado. — Precisa de amortentia? — Gary deu uma piscadela para Severus.

Snape fez uma leve careta para demostrar seu descontentamento com toda aquela situação. Até pensou em dar uma resposta bem grosseira ao homem, mas desistiu, então resolveu apenas ignorar as palavras de Gary.

— Eu só preciso de alguns ingredientes. — Severus retirou uma lista do bolso de seu paletó e passou-a para as mãos de Gary.

— É claro. — Disse Gary analisando a lista. — Vou separar seu pedido. Aguarde alguns minutos.

Snape apenas meneou a cabeça afirmativamente enquanto Gary separava, pesava e embalava o que ele havia pedido.

— Aqui está, Snape. — Disse Gary, alguns minutos mais tarde, enquanto colocava um pacote de cor parda sobre a bancada. — Fica três galeões e quinze sicles.

Snape entregou o dinheiro a Gary, pegou seu pacote e saiu da loja. Ele só pensava em voltar para casa logo.

Snape caminhou pelas estreitas calçadas, andando o mais rápido possível, para chegar logo a saída do Beco Diagonal. Queria passar o menor tempo possível naquela atmosfera “romântica”.

Logo à frente, Snape avistou a loja dos gêmeos Weasley, a fachada estava repleta de corações e em exposição, estavam inúmeros frascos, em sua maioria preenchidos com líquidos cor de rosa brilhante. Quando Snape aproximou-se mais, conseguiu ler a seguinte frase “conquiste a pessoa amada com apenas um gole” piscando em letras neon na vitrine.

— Ridículo. — Snape sussurrou para si.

Assim que terminou sua frase, alguém saiu correndo da loja dos gêmeos Weasleys e veio em sua direção, logo chocando-se contra seu corpo. Quando Snape viu quem era, seu mau-humor aumentou exponencialmente.

— O que está acontecendo aqui? — Perguntou Snape com ar furioso. — Que brincadeira sem graça é essa?

Snape dirigia um olhar nada amigável para a mulher que havia se chocado contra ele e que agora estava abraçada à sua cintura.

— Snape, eu amo você. — Disse a bruxa apoiando sua face no peito do homem. — Amo muito!

Severus arregalou seus olhos, perdendo por alguns segundos, sua pose de morcegão das masmorras.

— O que a senhorita está dizendo? O que a senhorita andou bebendo? — Snape perguntou enquanto tentava afastar a bruxa, porém não obteve sucesso, quanto mais a empurrava, mais ela apertava seu abraço.

Antes que a bruxa pudesse responder, três cabeças ruivas saíram em alta velocidade da loja, acompanhados por um homem de cabelos rebeldes.

— Hermione! — Gritou Ginny assim que colocou os pés na calçada.

Quando viu a cena a sua frente, Hermione com os braços em volta da cintura de Snape e Snape com cara de poucos amigos, Ginny travou. Fazendo com que os outros três homens se chocassem contra ela.

— Snape??? — Os três homens perguntaram em uníssono.

— O que está acontecendo aqui? — Perguntou Snape com sua voz grossa, que naquele instante soava aterrorizante.

Apesar de nenhum dos quatro ser mais aluno de Snape, todos tremeram com o tom de voz dele.

— Podemos explicar, — começou Harry — na verdade, Fred e George podem explicar. — Completou Harry dando um passo para o lado.

George levantou, entre seus dedos, um frasco com tampa dourada. O frasco estava quase vazio, restavam apenas algumas gotas de um líquido cor de rosa brilhante, como aquele que estava na vitrine. No rótulo da pequena garrafa, estava escrito “Amore, Amore”.

— Nós demos isso para ela beber. É apenas mais um logro de nossa vasta linha de produtos. — Começou George.

— Foi só uma brincadeira. — Completou Fred.

A expressão de Snape permanecia feroz.

— Esse logro, que ela bebeu, — explicou George — faz com que a pessoa “assuma” seus sentimentos, é como um veritaserum, mas voltado para o lado sentimental. Só faz a pessoa assumir de quem ela gosta.

— Achamos que a Hermione estava apaixonada por Rony, mas não tinha coragem de dizer isso para ele. — Disse Fred. — Então tivemos a “brilhante” ideia de dar esse logro para ela beber. Mas em vez de ela correr até Rony, ela nem olhou para o meu irmão, saiu em disparada da loja e então nós a encontramos aqui, assim — Fred apontou para uma sorridente Hermione que estava abraçada a Snape.

— Foi uma ideia absurda, — disse Harry passando a mão pelos cabelos — não sei como pude deixar que me convencessem a ajudar vocês com esse plano.

— Não adianta reclamar agora, Harry, a besteira já está feita. — Disse Ginny.

Hermione, que estava alheia à toda aquela conversa, pois ela só tinha olhos para Snape, roçou sua bochecha no peito de Severus e depois disse:

— Seu peitoral é tão musculoso. Eu adoraria lambê-lo por inteiro.

O que predominou entre os presentes, foram expressões chocadas, inclusive de Snape, que não pode evitar de ruborizar-se com aquelas palavras tão atrevidas.

— Como vocês vão consertar essa situação? — Snape direcionou um olhar mortal ao gêmeos.

— Só vamos tirar Hermione daqui e talvez amarrar ela até o efeito passar. — Sugeriu Fred, completamente incerto de suas palavras.

— Pode funcionar. — Disse George.

Assim que os gêmeos aproximaram-se e tocaram o braço de Hermione, ela transformou toda a doçura em ira. Com um dos braços ela ainda abraçava Snape e com o outro braço havia sacado a varinha e ameaçava os gêmeos.

— Não ousem me separar de meu amado. Eu não terei a menor dúvida em estuporar vocês. — Hermione parecia muito séria em suas palavras.

Snape estava sem reação, não esperava aquela mudança repentina de comportamento de Granger.

Assim que os gêmeos se afastaram, Hermione voltou sua atenção a Severus:

— Eu não vou deixar ninguém me separar de você, meu amor. — Disse Hermione com um sorriso brilhante.

— Seus irresponsáveis, — esbravejou Snape — eu presumo que vocês não tenham um antídoto para esse logro, não é?

— Não. — Responderam os dois Weasleys ao mesmo tempo, cabisbaixos.

— O que as pessoas vão pensar ao ver, Hermione Granger, a chefe dos Aurores, em meio ao Beco Diagonal fazendo esse tipo de cena? Vocês sequer pensaram nas consequências dos atos de vocês. — Snape estava furioso. — O que eu vou fazer agora? Eu preciso trabalhar, fazer as poções que você, Potter, — Snape apontou seu dedo para Harry — encomendou para o Ministério. Mas não posso sequer me mover, por que posso até ser morto pela senhorita Granger, que está sob o efeito de uma poção, que vocês sequer tem o antídoto.

Ginny aproximou-se da amiga, que ainda permanecia abraçada fortemente a Snape, a ruiva iria tentar outra abordagem.

— Mione, deixa o Snape, você ouviu o que ele disse, ele precisar ir, tem outros compromissos.

Hermione negou com a cabeça e completou:

— Eu não vou soltá-lo. Ele agora é meu.

Snape suspirou cansado, já notando o burburinho que estava se formando ao redor deles, os bruxos passavam olhando e cochichando, alguns até apontando o dedo em direção à eles.

— Quanto tempo até o efeito desse maldito logro passar? — Perguntou Snape, agora procurando controlar seu tom de voz.

— Mais ou menos vinte e quatro horas. — Disse George.

— Isso só pode ser uma piada. — Snape olhou incrédulo para os Weasleys à sua frente. — Eu deveria matar vocês dois. — Disse dirigindo-se aos gêmeos. — O que esperam que eu faça até lá?

— Acho que primeiro deveríamos entrar, — disse Ginny — podemos conversar melhor no escritório de Fred e George. As pessoas já estão começando a se aglomerar por aqui.

— Ginny tem razão, — concordou Harry — nos acompanhe, Snape, por favor.

Sem ter outra opção Snape concordou.

— Senhorita, — Snape dirigiu-se à Hermione — pode me acompanhar? — Tentou usar um tom de voz mais brando, afinal ela não tinha culpa de nada do que estava acontecendo.

— Certamente, — respondeu a bruxa.

Hermione largou a cintura de Snape, mas rapidamente segurou a mão dele, para assegurar-se que ele não fugiria. Então os seis bruxos entraram na loja, logo dirigindo-se ao escritório dos gêmeos.

— Sente-se, Snape, — Fred indicou um pequeno sofá com sua mão.

Snape sentou-se, Hermione sentou-se ao seu lado, mantendo suas mãos unidas.

— Então? — questionou Snape.

O casal Potter se olhou, Ginny então disse:

— Tem um jeito do efeito do logro passar mais rápido. — Começou a ruiva. — Eu fui uma das cobaias de Fred e George, então sei disso.

— E que jeito é esse?

— É aí que pode estar o problema, — disse Harry com uma leve careta — o tempo de efeito do logro diminui se a pessoa que o bebeu beijar a pessoa para quem se declarou.

Snape olhou do casal Potter para os gêmeos Weasley sem acreditar naquelas palavras.

— Não, isso não pode ser verdade, é uma brincadeira de muito mal gosto arquitetada por vocês todos. — Disse Snape indignado.

— Infelizmente isso não é uma brincadeira, Snape, — disse Ginny — se eu soubesse que esse seria o desfecho da história, eu jamais teria pedido aos gêmeos que fizessem Hermione tomar o logro.

— Tem que haver um outro jeito. — Disse Snape pensando nas opções que tinha disponíveis no momento. — Vocês sabem exatamente o que usaram para criar esse logro, as quantidades exatas dos ingredientes? — Perguntou a Fred e George.

— Sim, nós sabemos. Temos tudo anotado. — Disse George.

— Talvez eu consiga fazer um antídoto. — Ponderou Snape. — Mas eu preciso da receita do logro e o triplo da quantidade dos ingredientes da receita. Também preciso de um espaço para trabalhar.

Logo os quatro organizaram-se e foram buscar os ingredientes, instrumentos e a receita para que Snape pudesse trabalhar.

Snape e Hermione ficaram sozinhos no escritório dos gêmeos.

— Você não quer me beijar, Snape? — Hermione escorou a cabeça no ombro de Severus e direcionou seu olhar para ele.

— Não acho que seria adequado, você está sob o efeito de um logro. — Disse o homem.

— E se eu não estivesse sob o efeito desse logro, você me beijaria? — Hermione tinha um brilho perspicaz no olhar.

Snape a encarou, não sabia se deveria responder à aquela pergunta. No final, ele cedeu e disse usando seu melhor ar indiferente:

— Talvez.

Hermione riu sonoramente.

Snape ficou curioso com a reação dela, não parecia de forma alguma que ela estivesse sob o efeito de algo.

Hermione puxou Snape pela lapela de seu terno e colou seus lábios aos dele, o movimento foi tão rápido que Severus sequer conseguiu “fugir”.

Severus segurou-a pelos ombros e afastou-a alguns centímetros, repetindo:

— Isso não é correto.

Hermione olhou nos olhos de Severus e disse em um sussurro:

— E se eu disser que não estou sob efeito de nenhum logro.

Snape a soltou.

— Como eu poderia crer nisso, senhorita Granger? O que a faria “declarar-se” para mim se não o efeito de um logro? — Snape questionou.

Hermione riu e perguntou:

— Snape, acha mesmo que um logro de Fred e George poderia me afetar por mais que dez minutos?

Snape olhou confuso para Hermione.

— Mas então o que foi tudo isso?

— Eu correr até você e abraçá-lo foi devido ao logro. E a frase sobre lamber seu peitoral também. — Disse Hermione agora um pouco corada. — Mas tudo que ocorreu depois disso, foi totalmente consciente.

Hermione ajeitou-se no sofá e continuou:

— Me perdoe por envolver você nisso, Snape, mas eu precisava dar uma lição em meus amigos. Eles precisam parar tentar me juntar ao Rony. — Explicou Hermione. — Mas não pense que apenas te usei, eu realmente estou interessada em você.

— Por que está interessada em mim? — Quis saber Snape, ignorando todo o resto que Hermione havia falado.

— Não sei quando começou, mas cada vez mais eu me pegava o observando quando você ia até o Ministério tratar assuntos com Harry. Depois de algum tempo, eu percebi que esperava ansiosa pelos dias que você vinha fazer as entregas de poções. Quando dei por mim, já estava apaixonada. — Hermione deu de ombros após a última frase. — Não foi algo que escolhi, apenas aconteceu.

— Não sei o que dizer. — Snape recostou-se no pequeno sofá e suspirou pesadamente.

Foi uma grande surpresa receber uma confissão como aquela, ainda mais de Hermione, quem havia se tornando uma mulher linda e excepcional. Porém, Snape não pode pensar muito sobre isso, pois Hermione o interrompeu antes que enchesse sua cabeça com pensamentos desnecessários. A bruxa subiu no colo de Severus e sentou-se.

— Não precisa dizer nada, Snape, só fazer.

Snape levantou as sobrancelhas e perguntou:

— Tem mesmo certeza de que não está sob o efeito do logro?

— Absoluta. — Respondeu Hermione já avançando sobre Snape.

Hermione primeiro o beijou calmamente, distribuindo diversos pequenos beijos sobre os lábios de Snape, o tentando. Severus se conteve um pouco no início, não tinha total certeza sobre estar fazendo a coisa certa.

Hermione afastou seu rosto alguns centímetros para ver a expressão de Severus, apesar de ele estar contendo seus gestos, não pode disfarçar seu olhar de desejo. Ela então sorriu lasciva, feliz por ter conseguido despertar o desejo do homem.

Severus viu aquele sorriso lascivo brotando nos lábios de Hermione, se ele ainda tinha algum receio de seguir com os beijos e toques, mandou-o para o espaço naquele instante.

— Ah, foda-se. — Disse Snape, segundos antes de emaranhar seus dedos nos cachos de Hermione e puxá-la para um beijo.

Hermione prontamente colou seus lábios aos dele, o beijo já começou intenso, seus lábios chocavam-se desejosamente, enquanto as línguas também se envolviam.

Os dois estavam tão imersos no beijo, que só notaram que alguém se aproximava do escritório, quando a pessoa já estava com a mão na maçaneta da porta.

Quando Ginny abriu a porta, deu de cara com a seguinte cena: Hermione sentada sobre o colo de Snape, com os lábios vermelhos. Já Snape estava com uma das mãos no cabelo de Hermione e com a outra mão na bunda da bruxa, ele também tinha os lábios vermelhos.

Ginny, apesar da surpresa, logo entendeu o que estava acontecendo. A ruiva deu um sorriso cúmplice para Hermione e fechou a porta. Logo depois, algumas palavras da ruiva foram ouvidas do lado de fora do escritório.

— Acho melhor esperarmos um pouco para entrar, os dois parecem estar tendo uma conversa bem séria sobre poções, vamos dar um tempo para eles terminarem.

Assim que ouviram passos se afastando, Hermione e Snape suspiraram aliviados. Logo depois, a bruxa caiu na risada.

— Nunca achei que seria descoberta e logo por Ginny. — Disse a castanha após se recompor das risadas. — Me senti uma adolescente fazendo coisa errada.

Snape também deu um leve sorriso de canto, logo depois perguntou:

— O que faremos agora? Digo, acredito que seus amigos ainda achem que está sob efeito do logro.

Hermione deu uma piscada para o homem e disse:

— Talvez você precise de materiais mais específicos para fazer o antídoto para o logro.

Snape seguiu a linha de raciocínio de Hermione e continuou:

— Certamente terei que ir até minha botica, somente lá poderei fazer o antídoto de forma adequada e a senhorita terá que ir comigo, já que se nega a afastar-se de mim — Snape deu um meio sorriso debochado.

— Exatamente, além disso, só podemos ir nós dois, pois você precisa de muita concentração para fazer o antídoto. — Completou Hermione.

Snape pressionou suas mãos contra a cintura de Hermione e disse com ar irônico:

— Estou vendo que a senhorita me dará muito trabalho hoje.

Logo depois, Severus desceu suas mãos até as coxas da bruxa. Hermione lambeu os lábios, deliciando-se com o toque de Snape sob sua pele, então ela aproximou seu rosto do rosto de Severus e sussurrou próximo ao ouvido dele:

— Tenho certeza de que você dará conta, Severus...

Notas finais
O que acharam? Deixem suas opiniões!!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!