Ode ao Futuro

4 Posso Te Amar Também?


Notas iniciais
Houve um atraso no capítulo pois estou passando por certas dificuldades, e inclusive amanhã é meu aniversário, então relevem por mim. Também mudei o nome do capítulo, pois houve uma mudança na história.

Frederich andava lentamente, admirando o parque, apesar de reclamar do frio, aquele clima e paisagem eram, para ele, inspiradoras. E para quem não seria? As arvores enfileiradas pelo caminho, congeladas, tudo branco ao redor. Em seu fone de ouvido tocava uma música em violencelo da artista Zoë Keating, Exurgency era o nome da música. Parado no meio do caminho, olhou para cima e observou os flocos de neve descerem vagarosamente com o céu acinzentado como plano de fundo, e em seguida fechou os olhos: Várias imagens vieram-lhe em mente, diversas memórias. O escotismo quando mais novo junto de mim, a escola, aquele dia em que fizemos um passeio de bicicleta com todos. Aqueles sorrisos. E então uma lágrima escorreu em seu rosto, pelo lado direito.

Apenas uma gota.

Decidiu então sentar num banco e trocar de músicas. Apareciam consecutivamente várias músicas da banda Beirute, mas parou quando Shiver, de Lucy Rose começou a tocar.

"Nós terminamos
Tudo que estava certo,
Nós dois gostávamos de uma boa briga"

E então, consecutivas lembranças com Eduardo, que forçou-se a esquecer, explodiram em sua mente. Seus lábios tremeram e seus olhos paralisaram enquanto mantinha o olhar fixo para o céu.

"E eu amava o jeito que você me olhava,
E eu sinto falta do jeito que você me fazia sentir
Quando nós estávamos sozinhos.
Quando nós estávamos sozinhos..."

— Quando foi que todo esse ódio se tornou real? — murmurou para si mesmo.

Um floco de neve caiu debaixo do teu olho esquerdo, um floco fino, e derreteu escorrendo sua bochecha.

Berno — 2 de Janeiro de 2020 — 10:12 da manhã.

— Tu chora? — perguntou Eduardo sentando-se ao lado de Frederich.

— Não estou chorando, é neve derretida — explicou passando a mão e olhando para o Lulu e tirando o fone do ouvido. — Esse aí vai morar com a gente?

Lulu estava com uma cara de bobo enquanto abanava a cauda como se não estivesse nem aí com o clima que estava entre os dois.

— Vai sim, o nome dele é Lulu... Não quer conversar comigo sobre...?

— As lágrimas? Já disse. E mesmo que fossem mesmo lágrimas, dispenso conversa contigo — Eduardo apenas aceitou a resposta que recebeu e decidiu falar uma coisa que estava guardada há muito tempo.

— Eu senti tua falta.

— Estou voltando pra casa — avisou sem sequer olhar para o Eduardo, e levantou-se, mas antes que desse um passo, Eduardo o segurou fortemente pela mão. — O que está fazendo? Está perdendo o controle, Eduardo?

— Não vai antes de me explicar o motivo de ter vindo para cá.

— Briguei com o meu tio, já disse.

— Vocês sempre brigaram, mas tu nunca fugiu de forma tão desesperada assim.

— Eu cansei dele, só isso.

A conversa acontecia sem que Frederich virasse o rosto para o Dudu, não havia contato visual. Mas as mãos de Frederich estavam trêmulas, e não era por frio.

— Está escondendo algo.

— Você não sabe de nada, Eduardo — disse puxando a mão e soltando-a do Dudu. — Para de se intrometer na minha vida como se ainda fosse alguma coisa para mim.

— Por favor, conta comigo só mais essa vez... — suplicou.

— Por que você sempre foi tão gentil comigo? É o Lucas que tem de ser tratado assim, mas você é frio com ele.

— Isso não é contigo, o relacionamento é meu.

— O Lucas é meu melhor amigo, então é comigo sim. Mas o meu tio, o que ele é para você? E eu? — Eduardo manteve-se em silêncio, e então Fred explicou. — Ele descobriu tudo...

— Tudo?

— Sobre mim, sobre... Meus gostos.

— Descobriu que tu é gay... Então, tu não fugiu de casa, tu foi...

— Expulso, sim, eu fui — interrompeu. Após um breve silêncio dos dois, Fred começou a andar lentamente para longe. Lulu aparentou tristeza farejando o local onde ele estava parado anteriormente, e Eduardo observou suas costas em silêncio, pensativo.

[11 da manhã — IMB]

— O que é isso...? — perguntei olhando para a tela que mostrava uma nuvem vermelha vindo em direção da cidade. Um rapaz surgiu por trás de mim e perguntou:

— Como conseguiu um emprego aqui sem saber disso? — ele não demonstrava estar julgando ou implicando, parecia estar provocando ou zombando.

— Eu fiz faculdade há um tempo... Não aprendi com computadores e essas imagens...

— Qual o seu nome?

— Lucas.

— Então, Lucas, essa nuvem vermelha ou alaranjada significa calor, há uma onda de calor vindo em direção da cidade. Notou que a neve no chão anda mais úmida?

— Então foi por isso, que interessante! Como se chama?

— Meu nome é Klaus — sorriu igual um vagabundo, mas um vagabundo muito atraente, jeito de malandro e cara de bebê, e de combo muito inteligente, me era familiar, muito familiar... — Já foi em alguma boate gay daqui?

— Como sabe que sou gay? — perguntei com certo espanto.

— Ah, é muito na cara, é só BUCETA! — Klaus de repente interrompeu o que estava dizendo para gritar isso, eu tomei um baita susto e caí da cadeira, mas fui segurado pelo Klaus. Todos da sala encaravam a gente sem entender nada. Era um apartamento num prédio do governo com vários computadores como se fosse um cybercafé, nem parecia ser algo tão profissional.

— O que foi isso?! — perguntei.

— Pra se assustar com buceta, só viado mesmo! — explicou com a cara mais boba do mundo, não sabia se ria pela sua cara ou pela pegadinha que fez.

— Que bosta, Klaus!

Eu pude notar que algo nele, além do físico, me atraia bastante. Uma sensação boa, mas não podia deixar isso ficar mais forte.

— Mas, falando sério, dá pra ouvir o barulho de vocês dois trepando lá da minha casa.

— Como assim? — questionei não entendendo.

— Não lembra de mim? Eu vi que ficou me encarando hoje cedo pela janela.

— Nossa, você é aquele cara?

— Foi cada olhada que recebi hoje cedo que não pude deixar de falar com você aqui, achei muito "daora" a gente trabalhar junto.

— Me desculpa pelo barulho...

— Lucas, relaxa, eu até acho excitante, sabe? Não tenho ninguém, moro sozinho, sou solteiro e bom partido... Ops, era para ser uma lamentação... — disse com uma piscada de olho.

— Está dando...

— Não, claro que não, eu sei que você namora, só tô te zoando.

— Não, tudo bem... — eu estava completamente sem jeito, e Klaus reparou nisso.

— Quer jantar lá em casa hoje? Como colegas de trabalho, amigos, gays e vizinhos?

— Eu deveria chamar o meu namorado também? — perguntei.

— Hmm... Por enquanto só nós dois, tudo bem?

— Não vá tentar fazer nada, ok?

— Prometo!

[11 da manhã — Casa de Lucas e Eduardo]

Eduardo subiu as escadas rapidamente e trancou-se no quarto com o Lulu. Pegou o celular e tornou a conversar com o Dante.

Eduardo: Voltei.

Dante: oi gato, e entao?

Eduardo: Está muito difícil para mim, eu não sei mais como tentar conviver com ele

Dante: mas é o segundo dia dele aí né? tenha calma :(

Eduardo: Eu tentei conversar com ele hoje, mas ele só me afasta e me destrata mesmo sendo legal com ele...

Dante: realmente ele ta sendo bem fdp mas enfim... o que ele ta fazendo agora?

Eduardo: Não sei, estou trancado no quarto.

Eduardo estava chorando.

Meio-dia em ponto cheguei em casa para horário do almoço. O Dudu estava dormindo lá, brinquei com o husky que tomei como uma surpresa, fiquei bastante feliz. Queria acordá-lo para almoçar comigo, mas dormia tão angelicalmente que deixei para lá. Frederich estava trancado no quarto e não atendia ao meu chamado. Provavelmente os dois brigaram novamente. Preparei o almoço dos dois e deixei separado para eles quando acordarem e voltei para o trabalho, super animado.

Só não tinha certeza do que estava me animando.

Notas finais
Feliz aniversário pra mim!!!!!!!!!!!! Ah, comentem. Próximo capítulo, que vai voltar pra ordem original da história (eu disse nas notas iniciais que mudei a história aqui), será lançado algum dia dessa semana. (Entre 10 de abril a 17 de abril)