Oczy

25 Para sempre


Notas iniciais
E é o fim. Eu não consigo nem imaginar o quanto eu quero agradecer aos poucos leitores que ficaram comigo por essa fic. Eu amo todos vocês e fico bem feliz que vocês chegaram até aqui. FELIZ NATAL!

Quando eu fui de volta ao quartel na manhã seguinte, a certeza de que as minhas condecorações não seriam mais presas a meu uniforme era grande. Eu sabia que as coisas não seriam perfeitas depois do que o oficial que me levou até em casa viu, sabia que eu provavelmente iria perder algo que eu tinha lutado para conseguir e tinha esse sentimento em meu peito de que ninguém lá dentro iria me olhar do mesmo jeito.

E eu estava mais do que certo.

Mas eu também não me importava mais com aquilo.

A guerra para mim foi como uma forma de honrar o nome da minha família, lutar pelos ideais que eles lutaram quando jovens, mesmos ideais que eles me ensinaram ao longo dos anos, e por isso mesmo eu sinto que minha missão foi cumprida. Eu não entrei para o exército por causa do país ou dos governantes ou de qualquer outra pessoa, o único motivo para tudo era a minha família.

Agora que ela tinha terminado, nada mais me importava sobre a vida de ser um soldado.

Podem pensar que eu sou um ingrato, que eu deveria pensar no meu país em primeiro lugar, que eu deveria respeitar as estrelas em nossa bandeira e usar o vermelho, azul e branco como um manto de segurança em volta do meu corpo. Eu deveria pensar na oportunidade em salvar o mundo e mostrar a todos como a América tem o poder.

Mas eu nunca me importei com isso.

E agora me importo menos ainda, se isso é possível.

Saindo pela porta do Fort Ord pela última vez, vestindo apenas o meu uniforme mais simples, sem nenhuma estrela ou título especial atribuído a mim, eu me sentia o homem mais feliz do mundo. E o mais leve, mais realizado. Mais em equilíbrio consigo mesmo.

Quando eles disseram para mim que eu não podia usar os brasões ou honrar o meu cargo já que eu me deitava na cama com outro homem, eu não fiz nada. Quando eles falaram que eu não era digno de defender os Estados Unidos só porque eu era um homossexual, eu não disse nada de volta.

Não seria eu a pessoa a lutar contra todo um sistema que condena o amor, que condena os direitos iguais entre qualquer pessoa. Minha luta já tinha sido vencida, meus anos como um guerreiro tinham chegado ao fim e não seria agora que eu ia colocar um escudo em meu peito para ir para outra guerra.

Eu apenas fiquei em silêncio, aceitei um último agradecimento curto pelos meus serviços antes de ser dispensado, e então eu saí de lá para nunca mais voltar.

E não me arrependo um segundo sequer da minha decisão.

Não posso dizer que eu tenha planejado chegar em casa e beijar o Stiles, tomar ele em meus braços e mostrar o que nós somos para qualquer pessoa que estivesse ali. Confesso também que não pensei muito em proteger o mundo do nosso amor — meu único objetivo era proteger a mim e ao Stiles, proteger o nosso pequeno paraíso. Porém, acho que meu inconsciente queria que aquilo acontecesse. Pelo menos seria uma razão forte para cortar qualquer laço com o exército e nunca mais ser obrigado a sair de casa.

Não vou mentir dizendo que eu não tenha me sentido um pouco injustiçado por perder todos os meus títulos e ser despedido sem sequer um agradecimento decente pelos meus serviços, ainda que eles pelo menos tenham me dito um obrigado, mesmo que mais parecessem uns covardes com medo de chegar perto de mim.

Eu me sinto injustiçado por ter lutado em duas guerras e no final das contas eu tive que ir pra casa com as mãos abanando. Mas eu reconheço que o melhor prêmio que eu poderia ter ganhado eu recebi, a oportunidade de sobreviver ao final das batalhas, a chance de voltar para minha casa e ter alguém me esperando. Sei que milhões de outras pessoas não tiveram essa chance, sei que muitos homens e mulheres se separaram durante a guerra para nunca mais se ver, por isso mesmo eu me sinto um homem de bastante sorte.

Claro, no final das contas, as medalhas e títulos podem ficar para a história, eu poderia ter meu nome escrito em um livro e ser lembrado como um homem importante — mas de que adianta ser lembrado por todos, mas não poder viver a vida que se quer?

Eu prefiro ser o homem a ser esquecido do que perder a chance de viver com Stiles. Ele é o único homem que eu quero que lembre de mim, ele é o único homem que realmente importa na minha vida, por isso se o resto do universo não quer saber de mim, mas o Stiles tiver um lugar no coração dele para este homem que vos fala, tudo bem.

A vida é difícil demais, cansativa demais, longa demais para ficar chorando pelo passado ou por coisas que não aconteceram. Eu tive uma história difícil, cheia de perdas e lutas de um lado ao outro, mas eu sobrevivi.

Eu cheguei ao final da linha vivo e com a chance de ser feliz.

Você realmente acha que eu jogaria tudo isso fora? Eu não sou louco. A guerra mais longa que eu lutei foi a que resultou em Stiles e eu vivendo um junto com o outro, morando na mesma casa, dividindo o mesmo quarto e a mesma cama. Eu venci essa guerra que durou muitos anos, muitos mais do que guerra que eu acabei de vencer.

Agora eu volto para minha casa, para meu homem e para minha felicidade. Não tem prêmio ou medalha que possa me dar a mesma alegria que um sorriso de Stiles pra mim. Nada pode ser maior do que o que meu coração sente quando aquele homem pega na minha mão, quando ele beija minha pele ou quando ele diz que me ama.

Nada pode ser maior.

Por isso eu digo adeus a minha vida de soldado, minha vida de Tenente. Digo adeus ao Exército dos Estados Unidos da América, digo adeus a essa vida que eu tive até hoje. Agora eu abro as portas para o amor, o deixo entrar, o deixo ficar.

Nada mais importa.

Nada mais.

–--

Assim que a porta se abriu e Derek entrou em casa, Lobo foi correndo para os pés dele. O cachorro ainda nem conhecia o homem direito, mas o fato de ter cheirado as suas camisas por anos, as mesmas que Stiles levava consigo, ajudou ele a virar amigo de Derek rapidamente.

“Oi, Lobo.” Derek falou com uma voz animada, fazendo carícias pelas costas do animal.

“Derek?” Stiles pediu, chamando a atenção do homem. Ele estava na porta da cozinha, esperando pelas palavras de Derek.

“Oi, meu amor.” Ele disse, caminhando os últimos metros até chegar a Stiles. Derek abraçou o outro homem. “Tudo bem?” Ele pediu, antes de beijar a testa de Stiles.

“Sim. E você? Como que foi lá? O que aconteceu?” Stiles perguntou.

Derek ficou ponderando por um tempo, ainda segurando Stiles em seus braços. Ele suspirou antes de falar.

“Eles tiraram minhas condecorações. Me expulsaram do exército. Não querem mais me ver perto do Fort Ord, não querem mais saber de nada comigo.” A voz de Derek parecia tão calma enquanto ele falava aquele monte de coisas e Stiles não sabia o que sentir. Ele estava um pouco estarrecido.

“E como você está?” Stiles suspirou.

“Eu estou perfeito, Stiles. Eu estou do seu lado, vou ficar do seu lado. Eu te amo e é isso que importa. O resto é resto.” Derek disse, beijando ele na testa mais uma vez. “E agora eu não preciso nem mais me preocupar com o exército, já que eles não me querem mais por lá. Então somos só eu e você contra o mundo.”

Stiles ainda ficou em silêncio, tentando processar tudo aquilo.

“Eu, você e o Lobo.” À menção do seu nome o cachorro veio correndo e se jogou nas pernas dos dois, tentando subir no colo deles. Derek riu e beijou o Stiles mais uma vez. “Não tem porque se preocupar, meu amor. Tudo vai ficar bem.”

Stiles respirou fundo e assentiu.

“Você tem certeza? Eles não vão…”

“Fazer alguma coisa contra a gente?” Derek completou para ele e Stiles apenas assentiu confirmando. “Não, Stiles. Eles não se importam com a gente. Só não querem nos ver perto deles. É preconceito, é idiotice, mas eu tenho certeza que não vai ser a mesma coisa que aconteceu em Chicago. Os tempos mudaram um pouco.”

Stiles relaxou um pouco nos braços de seu homem.

“Eu espero que os tempos tenham mudado mesmo.” Ele disse. “Eu não quero mais ter medo de sair de casa.”

“Não precisa ter medo, Stiles. Eu estou aqui e tudo vai ficar bem, okay?” Derek falou.

Stiles o abraçou outra vez.

–--

Ao passar dos dias, vendo a primavera dar lugar ao verão, a casa de Stiles e Derek foi lentamente voltando ao normal. A grama lá de fora foi cortada, e como prometido, Derek abraçou e beijou Stiles enquanto estava todo suado. Os dois riram ao se lembrar das cartas.

Lobo corria atrás de Derek e dava círculos enquanto ele ia empurrando a máquina antiga.

Eles criaram canteiros novos e plantaram um monte de flores, escolhendo as que tinham o melhor cheiro e as melhores cores — com Derek descrevendo cada uma delas para Stiles. Algumas árvores de frutas também foram plantadas no pátio. Nespereiras, ameixeiras e macieiras. Stiles também conseguiu umas mudas de morango para plantar na horta que eles também fizeram.

Depois de organizar a parte de fora os dois começaram a abrir a casa de volta, tirando os panos que cobriam os móveis do segundo andar, destravando todas as janelas e deixando o sol entrar em cada cômodo. A limpeza demorou alguns dias, mas Stiles e Derek foram fazendo tudo devagar, conversando sobre o que havia acontecido nos últimos anos, tomando um tempo para reconhecer um pouco de cada, ver o que havia mudado e o que ainda continuava igual.

O amor era diferente. Maior.

E tudo era quase perfeito.

Derek tinha conseguido de volta o mesmo emprego que ele tinha antes, em uma oficina mecânica. Stiles continuava passando seus dias em casa, mas dessa vez ele sempre teria Derek de volta no final do dia, os dois podendo viver em sua família feliz.

Maio deu lugar a Junho, que deu lugar a Julho, chegando perto do dia da Independência Americana. Se Derek ainda fosse parte do Exército ele iria para o desfile que os soldados de Fort Ord fariam nas ruas de Carmel-by-the-Sea. Como ele não era mais, os dois combinaram em fazer a própria celebração da Independência na casa deles, com um jantar no pátio dos fundos, de frente para o mar, e depois uma noite sob as estrelas, já que a previsão era de tempo aberto.

Na noite do quatro de julho, Stiles colocou toalhas no chão e posicionou travesseiros em vários lugares para eles ficarem confortáveis. As comidas que ele fez eram coisas simples, alguns doces e salgados que eles poderiam comer apenas com as mãos junto com frutas e um vinho. Ele foi o primeiro a tomar um banho, dando um banho no Lobo também. Depois foi a vez de Derek, que teve que tomar banho sozinho já que Stiles queria o fazer esperar.

Não que Derek fosse reclamar de algo, já que os dois tomavam banho juntos sempre.

Quando a noite chegou e o céu ficou escuro, iluminado apenas pelas estrelas, já que a lua estava minguando, os três se situaram em cima das toalhas, comendo e esperando a primeira luz dos fogos de artifício no céu. A cada mordida de alguma coisa, Stiles e Derek tinham que dividir com o Lobo, que queria comer a todo o tempo.

Os dois riram, se divertiram, se apaixonaram de novo um pelo outro.

No final da ceia, Stiles e Derek se deitaram no chão, enquanto o Lobo ia andando e cheirando em volta.

“Isso é tudo o que eu queria.” Derek falou, acariciando os cabelos de Stiles, que estava com sua cabeça no abdômen de Derek. Ele virou sua cabeça para sentir a mão de Derek em mais partes de seu cabelo.

“É o que eu queria também. E eu nem sabia disso há uns anos atrás.” Stiles disse.

Derek riu calmamente.

“O que foi?” Stiles perguntou.

“Nada demais. Só ri por lembrar de tudo que se passou até agora. Desde o começo da nossa vida juntos, todo nosso tempo em Chicago, o Olhos Negros e as noites no piano. Bebendo rum altas horas da noite, rindo com seu pai. Me despedindo das coisas boas que nós vivemos lá e viajando metade do país pra um outro lugar, começar a viver do zero outra vez e descobrir que o mundo pode ser melhor. Descobrir que eu posso ter você…” Derek respirou fundo, sentindo a emoção enrolar a garganta dele. “A gente viveu um monte de coisas…”

Stiles se levantou para chegar mais perto do rosto de Derek.

“Eu sei.” Ele disse, beijando os lábios de Derek uma vez antes de deitar sua cabeça no ombro dele. Lobo arrumou aquela hora para chegar perto deles e se enrolar aos pés de Derek.

“Stiles, eu nem sei se estaria aqui se não fosse por você.” Derek falou.

“Eu também não. Eu estava pronto para desistir um milhão de vezes, Derek.” Ele disse, apertando a mão do homem. “Se não fosse por você em Chicago, me fazendo viver depois da morte do meu pai, eu não estaria aqui. Então eu fiz o mesmo por você, pedi e torci pra você voltar pra mim. Fiz de tudo ao meu alcance pra ter um pedaço de você comigo e uma parte de mim com você. Eu sei que foi difícil, mas agora a gente tem uma vida à nossa frente só pra nós. E eu amo você, Derek. Tudo que a gente viveu vale de alguma coisa e nos trouxe até aqui.”

Derek apenas assentiu, enxugando os olhos.

“Houve tantas noites em que eu pensei em morrer, deixar tudo pra trás. Stiles, a guerra é a coisa mais difícil que eu passei na minha vida. E dessa vez foi pior, pois eu tinha tanto pra perder… Da primeira vez eu era um jovem feliz e animado, queria só matar os inimigos e… Dessa vez eu só tinha você, eu sabia exatamente o quanto ia custar essa perda. Jurei por noites que eu iria morrer antes de voltar pra cá. Eu achei que não ia ter mais a chance de ter você comigo, achei que ia abandonar você.” Stiles beijou o pescoço de Derek, sentindo as lágrimas escorrendo pela pele do homem.

“Você tem a mim, Derek. Pra sempre, não se esqueça.” Stiles falou.

“Eu sei…” Derek disse antes de soluçar. “Eu jurei que ia te perder, meu amor…”

“Você não vai…” Stiles falou, apertando seus braços em volta dele.

Naquele momento os fogos começaram, iluminando o céu com suas luzes. Lobo correu para dentro de casa para se esconder e Stiles e Derek riram do choramingo do cachorro — ele provavelmente tinha corrido para a cama deles, e seria difícil de voltar para fora até a manhã. Os dois se abraçaram para Derek poder ver as luzes e Stiles poder ouvir os fogos. Derek ia descrevendo as cores no céu, ia falando as formas que se desenhavam e Stiles podia imaginar elas com sua mente.

Quando tudo terminou, os dois se entrelaçaram em um abraço forte. Os lábios se tocaram facilmente e o corpo respondeu à altura. As emoções foram escorrendo por entre os poros enquanto cada pedaço de pele ia se conectando — ao mesmo tempo em que as roupas iam sendo jogadas ao longe.

Se o amor era uma forma de música, dessa vez os dois tocavam seus instrumentos da forma mais linda já ouvida. Os sons ecoavam pelo ar, se juntavam ao som do vento e das ondas em uma sinfonia infinita. As cores e luzes se misturavam, os cheiros e toques se juntavam, tudo era um.

Assim como eles dois eram um.

Naquele momento e para sempre.

E sempre.

–--

muitos anos depois

–--

“Vovô Stiles, acho que é aqui.” A pequena voz disse para Stiles.

Scott havia perguntado se ele poderia ir visitar Derek, que se encontrava enterrado em um pequeno pedaço de terra pertinho da praia, junto com todos os outros Hale. O pequeno cemitério era o mesmo lugar onde os Stilinski iriam ser enterrados dali pra frente, para que a família pudesse se reunir pela eternidade.

Scott puxou a mão de Stiles de novo, ansioso e animado. O pequeno garoto tinha apenas seis anos, por isso era de se esperar que ele não conseguisse ficar quieto.

“Me diga o que você consegue ler na lápide, aí a gente vai saber quem está aí.” Stiles falou, serenamente. Pequeno sorriso em seu rosto.

“Derek Stilinski-Hale.” Scott disse. “Viu, eu sabia que era aqui.” O pequeno garoto falou, voz animada por ter acertado.

O contraste entre a voz de Scott e os passos lentos de Stiles era o mesmo que diferenciava a com a aura feliz do garoto e a atmosfera do cemitério. Não que um fosse alegre e o outro triste, mas Scott era cheio de vida, com muitos caminhos a trilhar pela frente. O cemitério, por outro lado, era um lugar cheio de história, calmo. Ali não havia tristeza, não mais, apenas respeito e boas lembranças.

“Ganhei muitas...” Scott começou a ler a frase que havia embaixo no nome de Derek na lápide, mas não tinha muito sucesso em continuar. Ele apenas sabia o nome dos familiares com mais facilidade, mas ter que ler palavras que ele não sabia ainda era complicado.

Stiles sorriu antes de falar.

“Você quer uma ajuda, Scott?” Pediu ele.

“Mas você não é cego, vovô?” A pergunta do garoto era inocente e simples. Stiles sorriu de novo.

“Mas é claro que eu sou, por isso mesmo que você ainda precisa dar a mão pra esse velhote quando você quer sair comigo.” Stiles falou, fazendo cócegas na palma do menino. A risada de Scott ecoou pelo cemitério e se espalhou até o mar.

“Chega, vovô.” Scott implorou, rindo e tentando soltar a sua mão.

“Tá bom.” Stiles disse antes de pegar na mão de Scott e o fazer encostar seus dedos na pedra fria da lápide. “Você consegue sentir como as letras são bem fáceis de perceber, né?” Ele pediu ao correr os dedos do menino pelas letras.

“Sim, vovô.”

“Pois bem, embaixo de cada uma delas tem outros sinais, você sente?” Stiles pediu, pegando os dedos de Scott e esfregando nos pequenos pontos em braile. “Assim eu posso ler o que está escrito.”

O garoto ficou maravilhado.

“E o que diz?” Ele pediu.

Stiles sorriu antes de falar.

“Ganhei muitas medalhas por matar dezenas de homens. Perdi elas por amar apenas um.” Stiles falou.

Scott ficou em silêncio. Era claro que o garoto ainda não entenderia todo o preconceito do mundo com dois homens se amando, nem entenderia o que significaria aquele estava escrito ali, por isso mesmo a próxima pergunta dele fez Stiles sorrir.

“O vovô matou muitos homens?” O garoto perguntou.

“Sim, durante a guerra o seu vovô foi um soldado bastante forte e valente. Mas ele só matou os homens maus.” O avô contou aquilo como se fosse uma história.

“E ele perdeu as medalhas porque ele amava você, vovô?” Stiles ficou um pouco surpreso com a pergunta, sentindo um leve aperto no peito.

“Infelizmente, sim. Mas isso não importa, meu amor. Ele era um homem forte e valente e é assim que você tem que se lembrar dele.” Stiles disse.

“Uhum.” Scott concordou. “A gente pode ir pra casa? Eu tô com fome…” O garoto falou e Stiles riu dele.

“Pode ir, Scott, eu vou ficar aqui mais um pouquinho.” Ele disse. Stiles sentiu o beijo de Scott em sua bochecha antes do garoto sair correndo e gritando em direção a casa, chamando sua mãe e pedindo comida.

Stiles não pode não rir.

“Tá ouvindo isso, Derek? Impossível pra eu sentir a sua falta com nossos netos e filhos alegrando minha vida.” Stiles falou para a lápide. “Mas eu sinto sua falta, não vou mentir. Eu penso em você todos os dias, sinto seus braços em volta de mim. Até parece como foi durante a guerra, só que dessa vez quem vai voltar para você sou eu. Não que eu vá morrer logo, eu prometi que ia deixar você passar um pouco de tempo com a sua família, tomar conta do Lobo pra mim, já que eu tenho certeza que meu pai deve estar mais do que cansado de atender ao nosso cachorro. E eu disse que você tem que aproveitar bem todo mundo aí em cima, porque quando eu chegar você vai ser só meu...”

Stiles riu, sacudindo a cabeça.

“Aposto que meu pai deve estar te fazendo um milhão de perguntas. Ou rindo de você por ter demorado tanto tempo para me beijar.”

Ele respirou fundo, sentindo uma pequena lágrima escorrer pelo rosto.

“Pode aguardar mais um pouco, tá? Eu vou ir pra lá, mas ainda tem bastante amor pra eu compartilhar por aqui. Toda nossa família é perfeita.”

Stiles sentiu o vento correr pela sua pele e sorriu ao pensar em Derek passando seus braços por ele.

“Vovô?” John, um dos outros netos de Stiles, o chamou. “A mamãe disse que o almoço já está pronto.”

Stiles sorriu ao se virar para John.

“Então vamos.” Ele falou, esperando por uma mão guia, antes de ir se encontrar com o resto de sua família.

FIM

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!