Ocultas Na Escuridão.

14 1ª parte: Decisões seguem Sensações.


Notas iniciais
Nome esquisito por demais? Também achei, mas acho que faz sentido! E aí mulecada? hahahaha. Eu decidi - de última hora - dividir o capítulo em duas partes. Por parte, fiz isto para ganhar tempo com o capítulo da Batalha, que estou escrevendo - ai que aflição! -, e porque também eu iria revelar muita coisa de uma vez, então hoje vou postar esta primeira parte e amanhã - tentarei ao menos - posto a segunda parte.
Aos leitores: Obrigada Tumn Cipriano - sobrenome lindo demais! - por recomendar as três estórias! É tão gratificante ler palavras acolhedoras e sinceras na reta final de um trabalho tão suado! Fico muito feliz que você tenha me acompanhado desde o início! E agradeço muito por suas broncas e por continuar comigo! Obrigada, de coração!
Depois de DIAS fazendo um vídeo para a batalha, consegui! Tem até ceninha da Aphrodite, que foi COMPLICADISSIMO de se fazer, aqui está o link: http://www.youtube.com/watch?v=h9Kco4x5IBY&feature=youtu.be
Eu fiz dois vídeos, minha intenção era melhorar no segundo, mas ficou totalmente fora de ritmo da música, então postei o primeiro.
Bora ler! Xêro ♥
PS.: Se há alguém aqui da cidade afetada pela tragédia, ou com familiares, colegas e até amigos, meus sinceros sentimentos e orações ♥

Cameron
Estava sentindo um estranho formigamento percorrendo minhas entranhas. Eu não sabia o que era aquilo. Não sabia o que representava, ou se deveria me preocupar. E então veio. Visões de minhas amadas em momentos distantes, enevoados em minhas memórias de centenas de anos.
Primeiro a ilusão amorosa com Ariane, a quem me entreguei de corpo e alma. A quem confiei meus maiores medos e segredos. Mas foi um erro, talvez eu soubesse desde o início, mas não quisesse abrir mão de algo que eu acreditava ser um amor forte e sábio.
Depois o nascimento de Nora, tão real como se eu estivesse na sala do parto, lhe aguardando, querendo tomar-lhe em meus braços. Querendo seu calor próximo, seu rosto entre minhas mãos. O sentimento de proteção abalou meu interior; lapidou-se em minha alma e então partiu, tão logo quanto veio.
A outra visão foi de Patch cair atrás de Nora e eu cair, sem me preocupar com qualquer coisa. Na época eu pensava que a amava, mas hoje enxergo que não era o tipo de amor que eu realmente pensava que verdadeiramente sentia por Nora. Hoje, eu sei que o que realmente quero é vê-la viva, seu sorriso e sua pura liberdade. Isso não é amor como a história de Patch com ela. Todo o resumo do amor está na história dos dois e eu me dei conta daquilo a tempo de não me machucar.
E então, novamente, parti para o amor errado e esse – infelizmente – eu descobri tarde demais. Lhe beijei e me entreguei. Lhe expliquei e lhe protegi. Eu pensava que era amor, pensava que a admiração que sentia por Stevie, era amor. Ah, Cameron, quanta dúvida. Quanto erro. E então veio, o momento em que Stevie saiu correndo pelo corredor quando soube que escondíamos Nora e quando lhe prometi que a traria de volta, quando todos meus sentimentos pipocaram por meu corpo. E depois se foi, com uma despedida plausível, mas com um sentimento palpável.
Então, desde o início, meu amor completo era por Aphrodite. A única garota que mexia comigo de tal forma. Que me fez lhe contar sobre minha história com uma Caída, eu nunca contei a mesma sobre ninguém, nunca. E Aphrodite chegou, abrindo portas para mim que nunca imaginei que encontraria. Em pouco tempo ela me transformou, me revirou do avesso e mostrou minha verdadeira face para todos. Eu queria Aphrodite. Queria que o Mundo inteiro soubesse que ela era minha e que eu era dela. Eu só pertencia a uma garota.
Quando a Deusa me disse que entraria na Morada para proteger uma garota, entrei crendo que a garota seria Nora e quando ela disse que eu sentiria os toques dessa menina – coisa que Caídos não sentiam – eu tive ainda mais certeza que era Nora.
Mas não.
Não era Nora. Soube no instante em que lhe toquei pela primeira vez e não senti nada. Nada no toque, na palma da mão, nenhum tipo de formigamento esquisito, ou um calor reconfortante. Eu senti raiva de mim por ser tão tolo em acreditar que a Deusa me proporcionaria aquilo e eu fiz de tudo para sentir Nora, toquei na mesma várias vezes, mas nada ocorria. Aquilo me machucava internamente, me provocava, me perfurava.
Até que Aphrodite chegou. Com seu jeito doce que só mostrava para mim e quando seus dedos ossudos tocaram meu ombro para indicar que ajudaríamos Nora... Eu senti. Senti seus dedos. Senti seu toque. Senti seu calor. Sua pele contra a minha e o tempo parou ao nosso redor. Eu soube. Soube que era ela, soube que estaria em risco e quis me afastar, quis lhe proteger me afastando, sabendo que quanto mais próximos estivéssemos, ela estaria em mais risco ainda.
A lembrança de seu calor contra o meu veio de súbito. Subindo por cada órgão, interceptando minha mente e abalando minha visão. Eu a vi, tão próxima, seu sorriso, sua sobrancelha erguida. Sua dor. A dor pelo ponto novo, a resposta me veio.
O nojo abateu minhas raízes mais profundas. Abateu meu passado, seu ponto de nefilim tomou conta da raiva e eu senti nojo dela. Mas minha mente e coração falaram mais alto. Gritaram para que eu ouvisse e cegaram minha visão.
“Não demorem.” Sua voz se repetiu em minha mente no dia em que entreguei a carta para Nora. Um tom de ciúme ao final da frase. Um pedido desesperado, mas sem querer evidenciar nada. Seu toque. Seu beijo. Seus dedos. Sua sinceridade... me atingiram, me levando para mais e mais fundo. Mais fundo no meu sentimento e mais fundo na nossa história. Estávamos no início, na base de tudo e eu não destruiria aquilo, manteria a mesma comigo. Para sempre se fosse possível.
— Vamos. Ariane está chegando. – Patch anunciou abrindo a porta e tirando-me com força de meus devaneios. De minha saudade.
Me levantei retornando a realidade e andando em silêncio ao seu lado até o Campus da Morada.
Ariane vinha na frente. Com tatuagens vermelhas espalhando-se por seu ombro junto com quatro Vermelhos, que continham as mesmas tatuagens. Agora aqueles eram poderosos. Nossos pontos altos de vantagem.
Ariane sorriu e piscou um olho em minha direção. – Tenho de admitir. – Ela falou alto para ser ouvida. – Você se saiu bem, Cam.
Agradeci com um meneio de cabeça.
— Chegamos. – Ela deu de ombros. – Acho que é bem óbvio.
Os outros quatro soltaram risadas nervosas.
— Vá até o quarto de Damien e ele leva vocês para os quartos que ficarão um tempo. – Informei.
— Como se soubéssemos quem é ele. – Ariane retrucou e todos assentiram em concordância.
— Eu sou Damien. – A voz do mesmo surgiu de trás dos meus ombros, mas não me virei.
Ariane fez um meneio com a cabeça e ergueu uma mão, abanando-a alegremente. – Olá, Dam.
— Vamos. Vou mostrar pra vocês, antes que alguém mais nos veja. – Ele disse virando as costas e sendo seguido por cinco Vermelhos recém-transformados.
— E o que temos para hoje na lista-do-que-fazer? – Indaguei me virando para Patch, fitando-o enquanto notava seus olhos distantes e perdidos em lembranças. Estalei meus dedos diante de seus olhos e ele virou passível em minha direção.
— Temos de levar Gabbe para a última transfusão e precisamos reunir todos para repassar tudo. – Ele deu de ombros, como se tudo fosse muito simples, muito fácil.
— Vocês quis dizer todos, todos mesmo? – Repeti suas palavras enrugando as sobrancelhas.
— Se juntarmos todos, vai demorar dias para explicar o que será feito, Cameron, você sabe disso. Vamos unir todos os próximos, os outros já têm as coordenadas necessárias. – Respondeu.
— Então, vamos acabar logo com isso.
Ele deu um aceno rígido com a cabeça.
— Tem certeza do que decidiu, não tem? De cada passo. Cada decisão. Isso não vai cair só sobre nós, cairá sobre as duas também. Será doloroso demais. – Por fim dei de ombros, em um suspiro agoniado.
— Eu sei. Pelo menos podemos compartilhar, imagine Aphrodite? – Ele indagou com o olhar perdido. – Precisamos fazer assim. Juramos solenemente protege-las, se assim não for, acabaremos todos por água a baixo. Temos uma carta improvável na manga, pois derrotando Hank, ainda teremos seu braço direito, mas tentaremos.
— Sim. Compreendo e aprovo, e também sabemos que Caídos tem as chances muito maiores.
— Não com o que eles andam envolvidos, Cam. – Ele me alertou.
— Eu sei, mas por trás de toda a briga de raças, há os Arcanjos, mais poderosos que todos nós juntos. Sem contar na influência da Deusa, que não é pouca coisa. – Respondi com resquício de esperança, nossos ombros apoiados contra o batente de entrada.
— Os Arcanjos também são perigosos, veja os doze que desceram em busca de mim, irrevogáveis.
— Viemos a mando! – Nos viramos em direção à voz e Daniel estava ao lado de Stevie enquanto seu maxilar rangia ao redor de seus dentes.
Mesmo com a manga da camiseta erguida até os cotovelos, era possível notar as tatuagens azul-marinho que se espalhavam em desenhos de halo por sua pele, enrolando os dedos até a ponta... Ele havia se transformado.
— O que você está fazendo aqui? – A voz de Patch se alterou, agitada.
— Recebi uma proposta da Deusa, sou Qualificador agora. – Ele respondeu em tom firme, mantendo sua postura de antigo Arcanjo dos céus; atual da Deusa.
Patch bufou incrédulo enquanto coçava o queixo.
— É verdade. Eu vi tudinho, estava lá quando aconteceu. A Deusa surgiu da fonte e propôs a ele, mas disse que ele teria de passar por uma condição...
— E que eu saberia o momento. – Daniel disse ainda confuso com todas as propostas, isso era notável na postura de seus ombros. – Mas ainda não sabemos o momento. Ainda não senti nada.
— E você sente algo? – Patch ironizou.
— Não sou caído. Ainda sou Arcanjo, Jev. – Ele respondeu e Patch se virou de súbito caminhando com passos largos e firmes em sua direção, seus punhos cerrados, eu conhecia aquela posição de ataque. Então me prontifiquei e segurei seus ombros. – Não vale a pena, Patch.
— Eu nunca vou reparar ao que fez comigo e com Nora. Viu onde ela está agora? Você a afastou! Fez com que eu me afastasse! – Patch não deu mais nenhum passo em direção a Daniel, mas suas palavras eram como lâminas para o mesmo.
— Meu erro foi querer arrastá-lo de volta para o Céu pensando mais em mim do que em você. Quero e preciso reparar meus erros com o Arcanjo da verdade, Jev. – Ele falou em tom solene.
— Não sou mais Arcanjo da Verdade nenhum, ou qualquer outra ladainha. – Patch cuspiu as palavras.
“Seja sensato, proponha algo.” Falei com Patch por pensamentos, tão facilmente como se estivéssemos falando em voz alta.
Patch acenou em positivo, de um modo que só eu notei, invadindo meus pensamentos por questão de segundos, pois o expulsei de lá.
— Só há uma maneira de redimir seu erro. – Patch cruzou os braços, sem deixar o olhar de Daniel.
— É só dizer. – Daniel vociferou, confiante.
— Entre na Batalha conosco, é um Arcanjo, tem mais chance do que todos nós juntos. E você sabe os motivos reais da Batalha. Entre conosco e seu erro será redimido.
Daniel ponderou durantes alguns intermináveis instantes. Stevie me olhou e sorriu de canto, lhe devolvi o agrado, ela tocou seu ombro no de Daniel e o mesmo engoliu em seco acenando firmemente com a cabeça. – Aceito e sei seus motivos reais. É isso o que a Deusa quer, ela está ao seu lado.
Congelei, sem realmente saber se aquilo era real, ou se era um sonho. Com a Deusa conosco de uma forma sem que solicitássemos, seria uma vantagem enorme. O bem em personificação, perfeita e imaculada como a noite. Teríamos uma chance, mais uma carta na manga.
As palavras de Daniel chocaram mais à Patch que a mim, notei quando seus ombros despencaram em um alívio imediato, em uma parte de alívio, não o completo, ele ainda estava aflito, todos estávamos.


Mais tarde naquela mesma noite fomos até os túneis com Gabbe na nossa cola.
A transfusão foi rápida, depois de todo o seu tempo de convivência mútua com a garota, era de se esperar.
Deixamos o corpo no antigo quarto e deixamos a porta de entrada aberta, para que quando acordasse, no dia seguinte, fosse por conta própria até a Morada. Lá ela receberia as coordenadas necessárias de onde ficaria e de como partiríamos para a Batalha, foi então que algo me abateu. A necessidade intensa de um corpo de Caído.
Ainda com as sobrancelhas enrugadas olhei de soslaio para Patch.
— Nenhum Caído possuiu quaisquer nefilins? – Indaguei em voz alta. Gabbe se aproximou no banco de trás.
— Como assim? – Ele indagou e pelo retrovisor notei que sua testa se enrugou.
— Sim. Após o boato da Batalha ser bem espalhado por todos, os mesmos decidiram agir por baixo dos panos. Nenhum nefilim do meio de Hank foi possuído até então. Outros, uns que não estão com Hank, já juraram fidelidade.
— Poderíamos usá-los. – Arrisquei-me em palpitar. – Poderíamos usar Scott. Um de nós poderia...
— Já pensei nisso. – Patch interrompeu. – Mas sabemos que Hank está mexendo com coisas inaceitáveis, além de nosso alcance. Seria muito arriscado com toda a sabedoria que o mesmo carrega. Com todos os equipamentos. Já estamos em risco acumulado aqui.
Ele tinha razão. Seria arriscado demais. Hank deveria estar fervendo com os preparativos, marcando reuniões, unindo mais Nefilins e unindo mais força com seus poderes inalcançáveis.
Nenhum Arcanjo ou Caído permitira que o mesmo utilizasse tais forças. A Batalha seria dura, mas nosso exército estaria unido, grande. Acabaria com suas expectativas. Com suas visões antigas de entre o bem e o mal.
Eles pensariam que encontrariam os Caídos unidos aos amigos de Nora e só... Mas, não. No fundo haveria algo mais; mais magia. Mais poder do que o que já reverberou e pisou em terra firme.

Notas finais
E aí? Aparição boa de Ariane? De Daniel? E as decisões de Patch e Cam? E TODO esse sentimentalismo ECA de Cam? Gostaram? Este foi em especial para Viih e Stella, que ama os personagens acima! Até amanhã, sem falta? ♥