Ocultas Na Escuridão.
12 Vantagens.
Notas iniciais
Enfim, ontem eu não postei porque estava sem internet e só consegui resolver o problema hoje, PROVAVELMENTE posto o outro amanhã também. Mas, gente, foi bom não ter internet ontem, pois mergulhei minha alma em "Finale" e gente, titia Becca danadinha! Me deixou louca do começo ao fim, eu ADOREI. O final não podia ser melhor e sabe quando lemos o final de livros e autora/autor SEMPRE deixa uma ponta solta? Tipo Êxtase, enfim, isso não ocorreu com Finale, Becca explicou tudo e colocou todos os pingos no 'i', ótimo! E chorei muito, pois sofremos MESMO com Nora.
Enfiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim, hoje o capítulo ficou maior! Todospula~ Curti muito o capítulo, estou me sentindo mais em foco, espero que vocês também gostem!
Música: Hero - Skillet.
Aphrodite
Ter ideias não era meu ponto forte, então, sempre quando eu tinha algumas, eu tinha de aproveitar o momento. Levantei de súbito, sem realmente conseguir relaxar em um sono profundo e toquei o braço de Nora, que não se moveu.
— Vai! Acorde! – Disse perto de seu rosto.
Seus olhos abriram-se lentamente e ela acordou.
– Vamos! – Pedi tentando puxar seu punho.
— Para onde? Está louca? – Ela sussurrou em resposta.
— A gente não pode ficar imunda assim, menina. Vamos logo. – Me levantei e bati na porta que nos trancava ali. – Ei! Eu quero me limpar. Nós temos nossas necessidades. – Disse em voz alta.
Houve uma risada sarcástica no lado contrário à porta.
— Andem logo. Vão lá falar com meu pai e diga que eu quero um banho agora. – Ordenei.
A sombra, mesmo que hesitantemente, começou uma caminhada para longe da porta.
— Isso! – Comemorei baixinho.
— O que você está fazendo? – Nora perguntou atrás de mim.
— Espere e verá. – Sussurrei para que só ambas escutássemos.
Ela acenou em positivo. Seus olhos e sua expressão estavam aflitos, sem realmente entender, mas podia sentir um sentimento de confiança emanando dela.
Após muitos – intermináveis – minutos, a porta se abriu e quatro capangas entraram no quarto. Fiquei estática sem realmente saber o que fazer. Em minha mente eu tinha tudo planejado do modo mais simplificado possível, mas ali, diante de quatro caras gigantes, eu não tinha nada em mente ou na ponta da língua para dizer.
Os quatro entraram e dois pegaram os braços de Nora e outros dois os meus.
Passamos por muitas portas. Era incrível o tamanho daquele galpão, com luzes fluorescentes brancas iluminando os corredores e os cômodos, quase se comparava a um hospital. Outro capanga – surgido sabe-se lá de onde – abriu uma pequena porta e eles nos largaram lá dentro.
Isso! Pensei internamente. Uma pia, um box pequeno, uma privada – eca – e uma janela a qual alcançaríamos facilmente, se quiséssemos.
Peguei Nora pelo pulso e a arrastei mais para dentro, enquanto a porta era fechava atrás de nós.
Nora notou meu sorriso largo, animado.
— O que está acontecendo? A gente vai fugir? – Pude ver um lampejo de esperança, quando seus olhos fitaram a pequena janela do cômodo, o qual eu teria de tirar o mais rápido possível de seus olhos.
— Não. – Meu sorriso diminuiu. – Vamos canalizar seus elementos.
— Não tem elemento nenhum aqui. – Ela deu de ombros e cruzou os braços, teimosa.
— Claro que tem. – Me virei para a janela e apontei. – Ali você tem três. Sol como fogo. O ar. E dá pra sentir cheiro de mato também.
Nora pareceu ponderar durante alguns instantes e vi alguns fios de seu cabelo se erguerem de seu ombro, estava funcionando.
— Apenas sinta, não force nada. – Pedi.
— Água? – Ela indagou.
— Isso é óbvio demais, toupeira. A pia, mas também tem a privada se preferir. – Ironizei com um sorriso quadrado.
— Que nojo, Afro. – Debochou com meu apelido.
— Ande logo. Antes que eles percebam a demora.
Nora ficou imóvel durante alguns instantes, fechou os olhos e ergueu os braços, então deixei que tomasse o restante das providências sozinha.
Diante da pia, lavei meu rosto e meus olhos, fiz gargarejo e molhei o pescoço. Com um pouco de água lavei as pernas, e penteei os cabelos com os dedos. Me sentia bem melhor comigo mesma. Com minha aparência, ainda mais por me encontrar onde eu estava. Em um local nojento, com certeza, sem água canalizada, mas era melhor não pensar nisso durante muito tempo.
Ao voltar meus olhos para Nora, ela estava completamente renovada. Poderia trocar de roupa e ir para uma balada que ninguém notaria o sofrimento por qual passou nos últimos dias.
Seus cabelos estavam muito longe de seus ombros e seus olhos estavam no primeiro estágio de negros. Eu sabia o que viria a seguir, então tinha de impedir, para que nenhum dos capangas notasse tal transformação em tempo recorde.
— Nora! – Murmurei puxando a manga de sua blusa.
Com um susto ela virou o rosto para mim. Seus olhos voltaram para o tom normal e seus cabelos se assentaram.
— Tudo bem, entendi. – Ela concordou.
— Vamos. – Sussurrei.
Bati na porta algumas vezes e os quatro capangas não largaram nossos braços até que nos jogassem na sala em que estávamos no início.
— Como teve a ideia disso? – Nora indagou animada.
— Sei lá. Funcionou? – Indaguei olhando-a dos pés a cabeça.
— É claro que funcionou. Temos que fazer isso todos os dias. – Ela disse voltando ao seu estado aflito.
— Duvido que eles vão deixar, mas acho que um dia sim um dia não podemos sim.
— É, Hank pode desconfiar. – Ela concordou.
Uma pontada atingiu o centro de minhas costas.
— Ai! – Reverberei levando a mão até o ponto de dor, que puxava e pinicava a carne do local.
— O que houve? – Nora se aproximou com os braços estendidos.
— Uma dor... Ai! – Interrompi com outra pontada surgindo e mais outra, seguida de outra, e outra.
Não parava. Eu me sentia lapidada, perfurada. Algo estava me perfurando de dentro para fora, em uma dor que abrangia meu corpo por inteiro. Eu só senti aquela dor, idêntica, uma única vez... Quando ganhei meu ponto. Quando fui Escolhida como Qualificadora. Era outro ponto... Só podia ser isto.
Meu corpo caiu, sem que eu notasse ou impedisse, contra aquele chão repugnante. Com todas as forças que ainda restavam afastei meu rosto do chão com pó, mofo e musgo.
Só então escutei a voz de Nora, distante, como se eu estivesse a metros de distância e ela me chamasse desesperadamente. Ela não fez um estado de histeria. Tomou uma atitude certa, para não chamar a atenção de ninguém.
Outro ponto estava se formado. Eu podia sentir, ele se contraindo, se formando em um círculo perfeito, bem desenhado. Também pude sentir cócegas na barriga, como se houvesse um pincel passando pela pele da mesma.
A escuridão tomou conta dos meus olhos. Eu não via mais Nora. Era como se eu estivesse diante de um céu negro, noturno, sem estrelas. Eu mergulhei em uma escuridão que nunca pensei que fosse experimentar. Ela era... Divina.
Sentia meu corpo relaxado no colchonete nojento. Mas estava me importando com o que estava acontecendo com o meu corpo naquele instante. Parei estática. Abri os olhos lentamente, ou ao menos com a intenção de fazê-lo, pois eles se abriram rápido demais, com uma leveza absurdamente incompreensível.
Fitei o teto, perto demais. Me sentia em uma caixa com tudo muito próximo ao meu corpo. Olhando para diversos pontos e gravando cada milímetro de seu centímetro. Podia ouvir as batidas do meu coração retumbando em meus tímpanos. Podia sentir cada linha do colchonete abaixo de mim. A etiqueta da minha blusa pinicava a pele de minha nuca. Sentia meu pulmão indo e vindo pela respiração. Os pelos dos meus braços elevaram-se, mas não entendi o por que.
— Aphrodite? Você...
— Não grita. – Reclamei com Nora, porque ela estava falando tão alto?
— Não estou gritando. – Ela sussurrou.
— Agora não está mais. – Relaxei e me levantei rapidamente. Sentando-me ereta no colchonete. Uma tontura me atingiu e as paredes ao meu redor se misturaram.
— Você ganhou um ponto. Olhe. – Ela colocou as mãos na bainha da minha blusa e a ergueu mostrando vários desenhos ornamentais no tom rosa bebê. – Mais tatuagens. – Nora tinha um sorriso bobo demais no rosto, o que indicava que algo de bom havia ocorrido conosco.
— Que ponto é este? – Indaguei rapidamente erguendo uma sobrancelha.
— Pela sua aparência é o Nefilim. – Ela informou torcendo os lábios.
— Agora? Como assim? – Indaguei exasperada.
— É. Você desmaiou e surgiu o ponto junto com as tatuagens. – Deu de ombros.
Nefilim? Agora? Por quê? Isso me ajudaria? Patch ou Cameron deveriam estar aqui para me ajudar com as dúvidas. Eu tinha pensado na possibilidade de adquirir um ponto, por saber que era filha de Hank, mas nunca imaginei que ele surgiria em um momento tão estritamente amedrontador.
— É porque sou filha daquele nojo, não é? – Perguntei enrugando a testa.
— Provavelmente o poder dele se ativou no seu sangue pela convivência. – Ela deu de ombros. – Isso é bom.
— É. É bom para nós mesmo. – Só eu sabia o quanto era bom. Principalmente para mim e para Nora.
Agora sim, tínhamos uma chance meticulosamente maior. Aquilo me deixava feliz e esperançosa. Me deixava pra cima e afim de correr atrás do que realmente importava no final de tudo. Não seria fácil e o extremo provavelmente não seria feliz. Mas estaríamos livres, ou pelo menos esperávamos que sim.
“Experimente.” Nora sussurrou dentre meus pensamentos. Ergui o rosto em um susto. “Tente, pelo menos.” Pediu dessa vez. “Concentre-se.” Aconselhou-me. Fechei os olhos e tentei invadir os pensamentos de Nora. Fui bloqueada, como se uma parede negra tivesse sido estendida diante de meus olhos. Ao abrir os olhos, Nora sorria de canto de boca para mim. “Só fale. Não invada, nunca vou deixar.” Aconselhou de novo.
“Um dia eu posso conseguir.” Respondi. E um sorriso se estendeu no meu rosto, formando um reflexo na face de Nora.
— Isso vai ser bom. – Nora disse em voz alta.
— Mas não podemos testar a sorte. Ficar conversando de tal forma pode alertar eles. – Disse colocando pra fora todos os meus pensamentos, à medida que um dos meus dedos apontava para a porta de entrada e também de saída.
— Concordo.
— Pelo menos eles não têm acesso aos nossos pensamentos. – Dei de ombros.
— O que é uma bela vantagem na situação em que nos encontramos. – Respondeu.
Vantagem. Aí está uma palavra que não pode ser dita como ação. Nós não estamos em vantagem. Estamos em desvantagem; em uma desvantagem um tanto injusta, mas Patch não se importava. Ele queria vencer, a todo custo, na realidade, todos nós queríamos vencer, mas gostaríamos – e muito – que fosse bem mais simples vencer.
Gostaríamos que a vitória fosse unida, com todos presentes, mas sabíamos que assim não iria ser. Uma batalha implica um fim. Um recomeço e mortes, muitas mortes.
Uma lista que não parava de passar em minha mente. Uma lista de mortos, de vivos e de pessoas chorando. Não importava quem morresse, sempre haveria alguém que iria sofrer por aquela pessoa e seus amigos iriam acompanha-la em seu luto.
Temos de estar aptos a novos caminhos e novos destinos. Confiamos em nossa Deusa. Nossa personificação perfeita. Mas, quando um destino é traçado por Ele, ninguém pode descruzar ou desfazer. O caminho pode ser diferente, mas o final sempre será o mesmo.
Patch
Ter a responsabilidade dos fatos atirados em minhas costas era uma coisa com a qual eu estava acostumado. Mas esse problema, esta solução, era abrangente, complexa. Era demais para eu segurar sozinho. Eu tive de traçar um plano por todos. Tive de correr atrás de todas as pessoas, lhes ajudar com seus ideais e com o que fariam em campo.
Aphrodite foi com quem eu tive mais trabalho. Mas ela entendia e aceitava. Aceitou o fato de que há males que vem para o bem. De que há destinos traçados há muito tempo por alguém que sabe o melhor para nós. Que sabe o que está por vir.
Este sabe o que fazer por nós e com nós. Sabe o momento certo das coisas e eu sei, que por trás de todas as minhas decisões, Ele está lá e sei também que Ele apoiou meu momento atual com uma força indescritível.
Dabria andava de um lado para o outro. Enquanto Rixon descansava os antebraços nas coxas, dando de ombros.
— Você quer que eu entre em uma Batalha? – Ela indagou ríspida, jogando os braços para cima.
— Você está com algum problema de audição, Dabria? Ele repetiu isso umas trezentas vezes. Tenha dó. E se você não lutar, significa que não merece ser Caída e os Caídos cuidarão de você. – Rixon respondeu por mim.
Estávamos distantes, havia uma linha nos conectando, mas ela estava ficando cada vez mais fraca, mais invisível.
— Tudo bem. Mas sei que seus motivos em especial são por aquela garota imprestável. – Ela disse.
Imprestável? Nora não era imprestável.
— Coma pimenta antes de falar de Nora. – Respondi lhe desferindo um olhar carrancudo.
Ela engoliu em seco e o som reverberou sobre meus sentidos aguçados.
— Mas é a verdade! É verdade que você armou tudo isso pra salvar ela!
— Claro que não é. – Sim, é a verdade.
— Cale a merda da boca, Dabria. Pare de dar trabalho, pare de agir como uma criança. Você caiu, não tem mais a proteção dos Arcanjos, ainda tem seus poderes e é isso o que ele está pedindo. Lembre-se que poupamos sua vida há um tempo. – Rixon esfregou as verdades travadas em minha garganta na cara de Dabria.
A mesma engoliu em seco novamente. E vi um passado perpassar por seus olhos. Não me deixaria levar por suas expressões angustiadas. Ela iria ajudar, pois também estávamos entrando nesta luta para conseguir nossos direitos.
Dabria ponderou e trocou o peso do corpo de uma perna para a outra. Cruzou os braços e fechou os olhos, expirando fundo. – Tudo bem. Eu luto.
Mais uma. Mais uma para a Batalha dos tempos. A Batalha que nos ajudaria. Que ajudaria a todos a nossa volta. Aquele era o início. Provavelmente o início do fim. Seja para o bem ou para o mal.
Notas finais
Agora vou correr pro vídeo que vou fazer pra Batalha, ok? Quero TODOS assistindo e falando mal da edição! Até qualquer dia desses, adoro vocês ♥
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