October

16 Swords, Dragon and Diet Coke


Notas iniciais
hey everybody
Façam uma boa leitura :B

#15

– Porque te deu na teia de ir dormir na casa da Stacy hoje? – minha mãe ainda perguntava desconfiada, vendo-me revirar os olhos mais uma vez, sentada na bancada logo à sua frente.

– Qual é mãe, quero sair um pouco de casa... E também ela alugou a seqüência de à hora do pesadelo. – falei simplesmente, fingindo naturalidade. Eu não podia coçar o nariz, porque se eu coçasse, estaria tudo perdido; Ela saberia que eu estava mentindo.

– Você anda estranha Oct...

– Eu não tenho mais sete anos, você sabe disso. – mas não consegui ignorar suas insinuações e interrompi ríspida, fazendo-a piscar tensa algumas vezes, absorvendo as minhas palavras que acabaram saindo mais firmes que eu previra.

– Mesmo assim...

– Não tem nada de mesmo assim, é sim ou não, não dificulta as coisas. – e como se eu tivesse nos botões automáticos deixei de manter a boa educação, e respondi nervosa. O que eu, definitivamente, não deveria ter feito. Foi o suficiente para que minha mãe perdesse a sua paciência e desatasse ao seu estresse.

– October eu, sinceramente, não estou gostando nada desse seu comportamento de uns dias pra cá. O que aconteceu, decidiu ser a adolescente rebelde agora?! Tem motivos isso?! – falou de uma vez, recuperando o ar no final. Tentei manter minha expressão de ‘tanto faz’ intacta, mas foi impossível; Logo estourei em risadas, pendendo a cabeça para trás. Não era nada pessoal com a minha mãe, mas vê-la brava daquele modo não são coisas que passassem por despercebida.

– Eu não estou mais reconhecendo você! Vive mal humorada, dentro do quarto; E ainda tem essa história de querer matar aula, não é mesmo?! Pra onde você vai, hein? Com quem?

Naquele momento não pude evitar, engoli no mesmo instante meus risos debochados, ao ver então meu pai, logo ao batente da porta, com os braços cruzados enquanto apenas observava a discussão da mulher com a filha. Minha mãe ainda encarava-me com as expressões carrancudas, nervosa. Cocei o meio das sobrancelhas, descendo da bancada em seguida. Agora fudeu, e eu iria sair de fininho. Odiava ter que conversar com o meu pai, suas palavras eram sempre complexas demais para meu raciocínio lesado.

– Não vai me responder? – mas a minha mãe ainda insistia, e o ar que me passou pela boca fora sonoro, entediado. – Me responda October! – gritou assustando até mesmo o marido, logo ao lado.

– Eu não tenho o que te dizer... Pense o que quiser de mim, Brenna. – respondi afiada, frisando o nome que nunca usei para se referir a ela simplesmente.

Mas as minhas tentativas desesperadas de fuga foram impedidas pelo meu pai, tapando a passagem com a massa densa de seu corpo.

– Vem comigo, a gente vai dar uma volta. – falou firme, fazendo sinal para que lhe acompanhasse.

– Eu vou é dar uma volta no meu quarto, muito obrigado.

– Você que pensa sua teimosa! – Brenna reapareceu, apontando o dedo para a minha face, naquele momento já trasbordando tédio. Sorri de lado, sarcástica. Eu sabia que iria tirar ela do sério com aquilo. E realmente foi o suficiente para que minha mãe estressada perdesse o controle de vez. Acertou-me em segundos depois um tapa certeiro no meio de minha bochecha, fazendo-me encará-la incrédula logo após, enquanto automaticamente elevei minhas próprias mãos ao local atingido. Com certeza minha boca entreaberta e os olhos estalados faziam-os perceber o quão surpresa com tal atitude eu estava, nunca houvera recebido tratamentos daquele modo. Eu esperava tudo, palavrões, castigo, e demais porcarias que uma boa mãe pensa em fazer, mas não levar, definitivamente, um tapa na cara. O hematoma vermelho em meu rosto, que aparecera em rápidos minutos, denunciava a ardência, e eu não fiz nada mais do que sair pela porta de casa, batendo-a em seguida, com raiva.

Não dei ouvido para as palavras desesperadas de meu pai, tentando fazer com que eu ficasse dentro de casa, naquela hora, que eu mal percebera, da noite. Só precisava esfriar a cabeça, e para isso eu só poderia ir a um lugar.


°°°


– Pensei que você não vinha. – Stacy disse ao me ver na porta de sua casa.

– Onde está sua mãe? – perguntei já adentrando.

– Ela foi à casa da minha avó... Noite sozinha! — disse animada, correndo serelepe para o seu quarto. – Eu já separei a sua roupa... Nada dessa bota hoje, Tober, por fa... Nossa, que isso na sua cara?

– É a mão da minha mãe. – contei simplesmente, enterrando as mãos no bolso canguru de meu moletom. – E eu não vou à festa. Preciso que me empreste 20 dólares.

– Pra que? O que aconteceu? – perguntou apreensiva, sentando-se a beira da sua cama para encarar-me melhor, talvez.

– Eu e minha mãe discutimos. Não quero voltar pra casa hoje...

– E aonde pensa que vai, a essa hora da noite ainda?

– Eu sei um lugar, só preciso do dinheiro, ok?

A garota loira deu de ombros; Stacy me conhecia além de tudo, e por assim julgar, com certeza sabia para onde eu iria me refugiar, para onde eu sempre fui quando a coisa estava ficando preta lá em casa. Eu gostava desse lance de ter um lugar onde me enfiar para que a poeira abaixasse, de um jeito, eu me sentia independente assim, me virando sozinha quando realmente precisava.

– Tudo bem... Só toma cuidado, ok? Está muito tarde.

– Não se preocupe Stacy. – falei então, enquanto pegava o dinheiro de sua mão. Despedi-me o mais rápido que pude, dando-me por satisfeita ao lembrar que a estação de metrô não ficava tão longe do prédio onde estava. Vou bater no Craig por morar do outro lado da cidade, assim que eu chegasse, finalmente, a sua casa.



°°°

– Entra. – Ele disse, acenando o interior de sua casa com a cabeça. Não havia feito suas perguntas habituais, e as principais, como a “– Você por aqui?” “- O que está fazendo pra rua nessas horas October?” Mas eu tive a resposta de minhas questões neuróticas assim que adentrei sua sala bagunçada, vendo meu pai sentado em um dos sofás, com aquele habitual cruzar de pernas dele.

Revirei os olhos. Droga, agora meu pai sabia o lugar de meu esconderijo secreto.

Joguei-me ao sofá a sua frente, não evitando metralhar Craig com os olhos. Ele não tinha culpa, eu sei, mas eu só precisava descontar em alguém.

– Sua mãe estava bastante nervosa Octo...

Não deixei que ele terminasse e me levantei, dirigindo-me ao banheiro. Escutei seu bufar da sala, ele estava ficando estressado. Eu sei, posso parecer uma idiota, chata e mimada só porque levei um tapa na cara, mas eu estava começando a ficar animada para aquela festa, e agora tinha que ouvir sermões por culpa de uma mulher que desconfiava de tudo que eu faço. Eu não havia dado motivos para ela pensar assim, pelo menos não que eu me lembre...

Levei uma leva de água gelada até meu rosto, me estremecendo com o gelo que havia atingido minha pele com vigor. Aquela noite tinha que estar fria para ajudar? Talvez, de fato, eu deveria ter sido mais esperta. Sei lá, quem sabe ter pulado a janela do meu quarto, assim ninguém me veria sair de casa. Embora o Jones Fehn latisse com a minha movimentação, como da ultima vez que fiz isso. Meu pai já estava a porta de casa, com os braços cruzados a altura do peito, apenas vendo a filha sair em passos delicados pelo gramado. “- E aí sedução, tomando um ar?” Jones, eu amo você, mas aquele dia eu te odiei mais que estou odiando a minha mãe agora.

Escutei o trinco da porta ser aberta, e da fresta aparecer um pedaço de pano branco, esvoaçando com os movimentos de sua mão.

– Paz nas fronteiras? – Meu pai perguntou, escutando minha risadinha nasalada como resposta. Por mais que eu tentasse, ignorá-lo eu nunca conseguiria; Isso era fato. – Ok. Mandei o Craig dar uma volta, estou te esperando na sala pra gente conversar.

Enxuguei meu rosto então, suspirando pesado. Seria a hora de ouvir poucas e boas, e esses poucos não são, definitivamente, quando se trata de Paul Gray, e os bons também não eram, porque eu iria fazer o que sempre fiz quando ele desatava a falar... Abaixar a cabeça.

Sentei-me enfim ao sofá, vendo-o me observar intensamente, como sempre fazia. Não mais detalhes as suas expressões, seria à vez de suas palavras. Agora eu teria que enfrentar o dragão cuspidor de fogo.

– Oi. – cumprimentou primeiramente, ele adorava me iludir com sua calma. – Curto e grosso ou filosófico?

– Curto e grosso.

– Você está ficando uma filha da puta, October. Cadê aquela florzinha do meu jardim? – perguntou, vendo-me no mesmo instante arquear as sobrancelhas. – Não, to brincando. Mas é sério, filha. Estamos preocupados com você, mudou bastante...

– Deve ser porque agora eu tenho quinze anos, não sete.

– E idade pra você significa fazer o que quer? – primeiro tapa indireto na cara.

– Não, só pra vocês saberem mesmo.

– Hm. – deu de ombros, apoiando seus braços as pernas. – A única coisa que eu quero que você saiba Tober é que, não é matando aula que você vai se tornar adulta... Não é roubando os meus cigarros, ok? É eu sei que você rouba. – pausa básica para me fuzilar com os olhos. — Você ainda é muito nova pra colocar sentido na sua vida... Apesar de eu ter o encontrado a força, quando tinha apenas treze anos. Enfim, não quero falar sobre meu passado e nem te comparar a ele, mas só quero que você enxergue mais além. – nocaute indireto na cara em menos de dez minutos. Olá eu sou a October perdedora Gray, e aquele é a minha inspiração, Paul Dedrick Gray.

Abaixei minha cabeça, cutucando o canto das unhas. O que eu poderia dizer? Que ele estava errado? Aquele cara era foda demais para eu SEQUER tentar ser superior a ele.

– Promete uma coisa pra mim, October? – pediu sereno, vendo-me assentir. – Não seja amarga. Você é perfeita, filha, do jeito que é, e apesar de ter essa personalidade forte, eu sei que ainda existe aquela October que respondia minhas mensagens a madrugada... Quando ia dormir fora de casa.

Engoli em seco, sentindo pelos na garganta. Umedeci meus lábios, passando a língua pelo vão dos dentes afastados da frente, essa droga de dentes que estavam ficando iguais ao dele. Até nisso eu teria que ser a lata dele?

– Ok.

– O quê?

– Ok pai, eu prometo.

– Agora sim. – sorriu então, levantando-se e puxando minhas pernas do sofá, enquanto, inevitavelmente, cai no chão.

– Pior que é verdade! Idade não quer dizer nada mesmo.

– E não é? Veja você, parece sua vó, ou até pior. – debochou, estendendo as mãos para que eu levantasse. – Agora vem, você deve desculpas a sua mãe e ela também a você.

– Nem pensar! Eu posso até pedir, mas amanhã. – rebati beirando ao desespero, vendo-o parar a meio fio da porta, colocando as mãos na cintura enquanto pensava por um instante.

– Tudo bem então, amanhã eu venho te buscar.

Assenti enfim, vendo-o sumir da porta em seguida. Joguei-me ao sofá, vendo segundos depois Craig adentrar a própria casa.

– E aí, apanhou muito? Porque se sim é melhor se recuperar, porque você vai agora...

– Han?

– O que está esperando? O notebook ta ai do seu lado!