Oceans

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Eu sei que tenho outra fanfic parada a séculos (Rede de Mentiras)! E eu sei que eu deveria estar atualizando ela antes de mais nada, peço desculpas a quem acompanha e garanto que não irei abandoná-la... Contudo, eu estou com vários bloqueios para o final dela, incluindo a minha graduação e no meio de tudo isso, e essa estória dominou minha mente e eu me vi escrevendo-a durante o intervalo das aulas!

É mais leve e bem mais curtinha e o melhor, já está concluída. Espero que aproveitem.

Os "*" significam passagem de tempo e/ou mudanças de cenas.

Acordei com uma carícia em meu rosto. Tentei abrir os olhos, contudo a luz acesa os fez arderem. Alguém estava sentado ao meu lado no sofá.

Quem quer que fosse afastou-se quando eu ‘acordei’, a pessoa levantou, apagou a luz e voltou para perto de mim, lentamente eu consegui distinguir a imagem de Temari acima de mim, já que eu estava deitado no sofá e ela agora, estava em pé. Forcei-me a sentar e as coisas começaram a rodar, deitei de novo.

— Você andou bebendo? — ela segurou meu rosto entre as mãos, o seu tom de voz fez parecer que eu era um viciado que teve uma recaída, havia uma ruga de preocupação entre suas sobrancelhas.

— Talvez... Bastante! — assumi envergonhado. Não sabia como e quando isso aconteceu, mas eu não conseguia mentir ou simplesmente omitir nada de Temari e nem ela de mim. Talvez fosse fruto de nossa amizade de longa data e por que ela sempre sabia quando eu o fazia.

Ela assentiu em silêncio, avaliando minha situação e provavelmente escolhendo as palavras que usaria. Temari sabia o que o dia anterior significava para mim. Eu descobri com o tempo que ela não era tão assustadora, quando se conhece ela bem, e que aquela autoconfiança era justificada, visto o quão inteligente e astuta ela era.

— Quando você chegou? – questionei confuso, Temari tinha viajado dois meses atrás e ainda ficaria fora da cidade mais algumas semanas, razão pela qual eu bebi sozinho na noite passada.

— Não faz muito tempo. – ela respondeu simplesmente, dando de ombros em seguida. Era a primeira vez que eu passava aquela data sozinho, e ela sabia disso. Três anos atrás, quando recebi a noticia da morte do meu pai, ela estava comigo, e nos anos seguintes ela sempre ficava por perto, me dando o espaço e o apoio que eu precisava. Sorri minimamente quando entendi sua intenção e agradeci mentalmente por ela estar lá por mim. – Precisamos dar um jeito nisso! – ela apontou para mim, o cenho franzido. Eu suspirei e me sentei no sofá e quase imediatamente meu corpo pendeu para frente, me apoiei na mesa de centro e senti como se minha cabeça fosse explodir. Eu odiava ressaca. – Você está um caco.

Senti um leve toque em meu queixo e levantei os olhos, Temari estendeu-me a mão e me ajudou a levantar o mais lentamente possível, um sorriso mínimo enfeitando seu rosto. Percebi que estava colocando a maior parte do meu peso nela, porém, a mesma não reclamou.

Qualquer um esperaria que ela fosse gritar o quanto eu era irresponsável e só depois, quem sabe, me ajudar, no entanto, eu sabia que isso não aconteceria. Hoje, excepcionalmente, ela não zombaria de mim ou criticaria meu estado, não por piedade, mas, simplesmente por que ela respeitava aquele momento. Ela ficaria ali apenas dividindo o silêncio, ou escutando minhas lágrimas o quanto eu precisasse. É claro que eu nunca diria como isso era fantástico, seria problemático demais.

Quando chegamos ao banheiro ela me sentou sobre o aparelho e curvou o corpo para frente, de modo que ficássemos da mesma altura.

— Acha que consegue tomar banho sozinho? — a voz séria contrastava com sua expressão de preocupação e eu senti vontade de rir.

Analisei a situação, a vertigem já estava passando e eu começava a recuperar as minhas forças. – Sim. – fui sincero e ela suspirou, meneando a cabeça em afirmação.

Ela me deixou no banho e seguiu para a cozinha. Levantei e pude ver minha imagem no espelho, estava mesmo um caco. Tirar minhas próprias roupas se mostrou mais difícil do que de costume, e levou bastante tempo, no entanto, eu descobri que o pior ainda estava por vir, ao entrar no box do banheiro e ligar o chuveiro, a água gelada fez meu corpo reclamar de imediato.

Fechei os olhos e lembrei-me do que havia decidido ontem, antes de ficar completamente bêbado. Ficar de olhos fechados não havia sido uma boa ideia, tudo começou a girar e a girar, minhas pernas vacilaram, eu tentei me apoiar na parede, contudo a cerâmica estava molhada e minha mão deslizou por ela, eu comecei a cair. Fechei os olhos esperando pelo impacto do meu corpo contra o chão, que não veio. Ao invés disso, senti dois braços rodearam meu corpo.

— Hei, eu peguei você. – abri os olhos ao ouvir a voz dela.

Temari havia entrado no banheiro no exato momento em que eu iria cair e conseguira me segurar. Notei que ela fazia um pouco de esforço para me manter erguido.

Ela me recostou a parede e desligou o chuveiro. Pisquei duas vezes, todo o meu corpo parecia ter despertado perante o toque dela. Senti meu rosto esquentar ao perceber nossa situação.

— Eu deveria tê-lo deixado cair, para que aprendesse. – Oh, aí estava à provocação afinal. – Agora estamos os dois completamente encharcados. – ela parecia ignorar que eu estava pelado e que estávamos muito próximos.

— Desculpe. – disse baixo. O cabelo dela ficava muito bonito molhado. E a roupa marcava ainda mais suas formas. Entretanto o que prendeu minha atenção foi o rosto corado, enquanto desviava os olhos de mim.

Eu só a tinha visto corada duas vezes nos últimos quatro anos, graças à presença de seu irmão do meio.

— Para com isso. – ela revirou os olhos e eu arqueei a sobrancelha em confusão. – Nós dois não precisamos disso. – Ah sim, ela se referia ao pedido de desculpas. – Venha, eu fiz café. – Era mesmo um dia incomum.

Respirei fundo afastando aqueles pensamentos estranhos, devia ser consequência da ressaca. Ela pegou uma toalha para mim e mais uma vez fez com que eu me apoiasse nela, me guiando até o quarto. Eu sentei em minha cama e a observei pegar algumas roupas, jogando algumas em cima da cama e outras sobre o ombro.

Eu não me surpreendi por ela saber onde tudo estava guardado, ela ficava mais tempo aqui do que no próprio apartamento.

— Acho que quero vomitar. – falei baixo e ela rapidamente empurrou o cesto de lixo para perto de mim. Ela esperou ao meu lado alguns instantes, e como nada aconteceu se afastou.

— Me chame se achar que vai cair de novo. Vou trocar de roupa também. – ela disse antes de sair do quarto. Levei alguns segundos para entender que ela havia saído para que eu pudesse me vestir. Eu não vomitei afinal, e fui para a sala, onde um café da manhã ou almoço improvisado me esperava.

Ficamos quase a tarde inteira em silêncio comigo novamente deitado no sofá desta vez com a cabeça no colo dela.

— Quer falar sobre isso? – ela iniciou uma conversa, depois que eu desisti de falar pela terceira vez. – Você não é de fazer essas coisas, ou faltar trabalho. – Naruto ligou a alguns minutos perguntando se estava tudo bem com você, ele queria saber por que você não foi trabalhar... – ela se interrompeu antes de concluir. Ela tinha voltado antes de Naruto ligar de qualquer forma.

— Você não aguentou de saudade e veio aqui ver se eu estava bem. – eu provoquei, tentando desviar do assunto e ela revirou os olhos. Sorri para ela em agradecimento. Apesar da provocação eu estava feliz por sua preocupação.

— Você não me respondeu. – seu tom de voz não era acusatório ou irritado.

— Está tudo bem. – menti e ela suspirou antes de largar seu café sobre a mesa.

— Você sabe que...

— Minha mãe vem para o noivado de Ino. – a interrompi, mudando de assunto. Ela ficou em silêncio esperando que eu continuasse, ela sabia que eu falaria quando estivesse pronto. – Eu andei pensando muito nisso... Talvez esteja na hora de seguir em frente... – eu esperei que ela entendesse todos os sentidos daquilo e ela assentiu.

A verdade é que mesmo com minha carreira crescendo, desde a morte do meu pai eu havia ficado parado no mesmo lugar, temendo que continuar seria como deixa-lo. – Eu decidi avançar um passo nesse relacionamento, eu gostaria de um namoro realmente sério. – fui direto ao ponto. O negocio era, eu não precisava de rodeios com Temari, se tinha alguém que me entendia, essa pessoa era ela.

— O quê? – É claro que eu podia estar equivocado nisso.

— Yare... É uma decisão problemática, contudo, acredito que está na hora. Além do mais deixaria minha mãe feliz... – Então, olhando para Temari ali ao meu lado, eu sabia que não tinha como dar errado. – E bem, você pode me ajudar! Você seria a única a quem eu pediria isso e você sabe.

— O que você disse? – ela perguntou nervosa. – Avançar um passo no relacionamento?

— Sim.

Foi à vez de ela suspirar, pelo menos parecia um pouco mais conformada com a ideia de me ajudar. – Co- Como? – perguntou num fio de voz. As bochechas ganhando um tom rosado.

Era a segunda vez hoje. Será que ela estava passando mal? Oh, não. Ela tinha ficado com raiva de mim.

— Não há ninguém melhor que você para isso, e você sabe. – falei calmamente na esperança de convencê-la.

— Isso? – ela questionou ainda mais vermelha. A expressão hesitante.

— Ajudar-me a fazer o pedido do jeito certo. – confusão passou pelos olhos dela, mas logo foi substituído por entendimento.

— Você quer que eu o ajude a pedir alguém? – ela estava perplexa.

— Oh, você não... – senti meu rosto esquentar quando entendi. Ela esteve fora nos últimos meses então não tinha como saber. – Eu estive saindo com uma garota no último mês. – expliquei.

— Bem, acho que você esqueceu-se de comentar. – ela disse emburrada. – A garota do departamento de logística? – e deu um sorriso entre debochado e surpreso. Eu tinha me esquecido de comentar?

— O quê? – porque ela pensou que fosse a Shiho? – Não é ela.

Temari levou uma das mãos ao queixo e pareceu refletir sobre o meu pedido. – Por qual razão você precisa de ajuda com isso?

— Você me conhece melhor que ninguém nessa cidade mulher, não faço ideia de como fazê-lo. – além do mais, talvez eu precisasse mesmo de ajuda nesse caminho, já que eu não era o maior dos galãs.

— Se vocês estão saindo, então qual a dificuldade? Você está com medo, Nara?

Nossos olhos se encontraram e eu senti como se pudesse me perder neles, era o tipo de coisa que eu não entendia e preferia não entender, contudo, me senti também um pouco decepcionado por não reconhecer os sentimentos conflituosos que estavam ali.

— Não é como se nós ficássemos nos agarrando por ai. – eu murmurei. – Nós saímos algumas vezes apenas.

Depois de longos momentos em silêncio ela finalmente se decidiu. – Está bem. – ela disse levantando do sofá e me puxando de volta a realidade. – Contudo, aviso logo que não será fácil.

Então, ela seguiu para a cozinha suspirando. Eu ainda não entendia completamente a mensagem que ela estava me passando inconscientemente, não obstante, aquele suspiro foi suficiente para que eu entendesse que ela estava chateada.

Ignorando o máximo a dor de cabeça eu levantei e fui atrás dela na cozinha.

— Tudo bem, me desculpe. – eu falei. Quando ela não me respondeu eu me permitir observá-la.

Temari ainda estava com as minhas roupas, já que a blusa e a calça dela estavam molhadas, resultado de ter me ajudado no banho, o cabelo estava preso em dois coques. Eu achava engraçado ela não se importar de sair daqui usando as minhas roupas. Sua expressão estava séria como de costume, mas seus olhos ainda conflituosos.

— Talvez não seja algo que eu deva pedir sua ajuda, realmente. – ela tinha ficado chateada, era óbvio e, isso não era algo muito comum, eu não sabia o que fazer para concertar as coisas.

— Não se preocupe, eu vou estar sempre aqui quando você precisar ser salvo. – ela disse de modo irônico e sorriu. Talvez eu não devesse me preocupar afinal. – Agora eu preciso ir, me avise se ficar mal novamente. – Eu segurei o braço dela impedindo-a de sair.

— Nos vemos logo, certo? – Ela havia voltado antes do período esperado e eu não sabia quanto tempo ficaria na cidade. Ela estava sempre viajando afinal.

— A menos que você falte trabalho novamente. – ela debochou. – Não vá deixar tudo para mim. – eu assenti e deixei que ela fosse embora.

*

Cheguei mais cedo no trabalho hoje, tinha certeza que havia uma pilha de documentos acumulados.

— Hei, Shikamaru. – Tsunade me chamou antes que eu entrasse em meu escritório. Ótimo. Segui até a sala dela e esperei que ela entrasse na frente. – Preciso que você examine esses relatórios com urgência, depois eles devem ser entregues à Temari. – ela disse me entregando vários documentos.

— Certo... Só isso? – questionei esperando ouvir um sermão pela falta de ontem. Ela somente assentiu.

Aproveitei que ela estava calma hoje e voltei rápido para meu escritório, Shiho me esperava do lado de fora com expressão preocupada.

— Shikamaru, que bom ver que você está melhor! – Shiho, me cumprimentou logo que me reconheceu. Aparentemente, Naruto havia dado alguma desculpa para minha falta de ontem para todos.

— Sim. – respondi um tanto sem graça. Ela ficou me olhando com um sorriso no rosto, as bochechas rosadas. Arqueei as sobrancelhas esperando que ela dissesse o que queria quando entendi sua intenção.

— É... – ela se inclinou em minha direção. – Obrigada pela preocupação.

— Não por isso. – Ela se debruçou mais atrapalhada que o costume, o sorriso persistindo no rosto. Que tipo de reação era aquela?

Assenti e entrei na sala. Depois de observar Shiho hoje, eu finalmente entendi o que Temari quis dizer ontem. Talvez fosse tão difícil como ela havia dito. Como eu não tinha notado? Comecei a trabalhar no arquivo que Tsunade havia me entregue. Em algum momento minha mente voltou a analisar minha decisão e a garota escolhida para tal.

Definitivamente ela não era a mulher mais bonita ou inteligente que eu conhecia, mas isso nunca havia sido uma prioridade ou exigência minha, eu sempre quis uma vida mediana. E ela não era uma pessoa de todo desagradável, tão problemática como as outras, na verdade e ela gostava de me provocar, mas, bem ela nunca superaria Temari nesse aspecto. Voltei a pensar em Shiho, agora que eu sabia tudo parecia muito óbvio, contudo nunca tinha chamado minha atenção antes, me senti um pouco idiota por isso, ela seria alguém mais fácil de lidar, pois quase nunca reclamava também ou revidava uma provocação.

Uma mensagem chegou a meu celular: “Espero que nosso almoço amanhã ainda esteja de pé.”

Respondi somente: “Claro”.

Com a decisão tomada, voltei minha atenção ao arquivo e fiquei a manhã toda naquilo e quando conclui voltei à sala de Tsunade.

— Bom trabalho. Shizune, esses relatórios devem entregues a Temari...

— Eu cuidarei disso pessoalmente. – falei sem pensar.

— Claro. – ela respondeu com um sorriso malicioso no rosto. Problemática sempre entendendo as coisas erradas.

Eu assenti e sai da sala antes que algo mais estranho acontecesse. Considerei se deveria ir até Temari imediatamente e no mesmo momento recebi um e-mail dela, no assunto somente: “Cronograma do próximo evento”. Bem oportuno.

Respondi: “tenho documentos para você”.

E logo depois: “acho que já sei como e quando vou fazer aquilo”.

E a resposta dela veio quase instantaneamente: “então diga”.

Eu quis rir com aquilo. Respondi dizendo que iria ao apartamento dela à noite. Imaginei como ela iria querer me matar por deixa-la curiosa.

“19h”. Ela escreveu.

“Levarei dangos”. E como resposta desta vez somente uma carinha sorrindo.

*

Cheguei ao apartamento de Temari um pouco mais cedo do que combinamos. Liguei para ela no caminho para garantir que iria encontra-la lá. O porteiro me deixou subir sem perguntar a ela antes. Ele já me conhecia, afinal.

Toquei a campainha e não demorou muito até que ela veio abrir. Estava enrolada em uma toalha, muito provavelmente acabara de sair do banho.

— Eu não demoro. – disse e seguiu para o quarto, deixando–me sozinho na sala.

Quando isso aconteceu pela primeira vez, eu pedi desculpas milhares de vezes enquanto ela ria. Eu ainda pensei em reclamar, porém ela diria que o culpado era eu, por ter chegado antes.

— Eu espero que seja realmente bom. – ouvi a voz dela vinda do quarto. – Desmarquei cinema com a Tenten.

— Você sabe que agora ela vai com o Neji. – falei um pouco mais alto para que ela pudesse me ouvir do quarto.

— Talvez por isso eu tenha desmarcado. – ela disse em tom debochado. – Sério o que foi?

Ela saiu do quarto apenas o suficiente para que eu a visse me chamar para lá. Sentei na cama dela e a observei fazer um coque no cabelo.

Ela tinha vestido um short preto e uma blusa masculina vermelha, que eu reconheci como uma das blusas de Gaara. Ela já devia ter uma coleção de blusas dos irmãos e minhas.

— Nós vamos almoçar juntos amanhã. – falei o mais calmamente possível.

— Okay. – ela disse assumindo uma postura séria, planejando nossos próximos movimentos, talvez. – Você ainda não me disse quem era. – nós dois franzimos o cenho.

— Tayuya. – sussurrei. Ela trabalhava no departamento de publicidade da empresa.

— Eh? Eu achei que você estaria procurando alguém melhor, menos esquisita... – ela deu de ombros com um risinho.

Ignorei a alfinetada dela. – Agora eu tenho que saber se ela se interessa mesmo antes de realmente pedir...

Temari me interrompeu com uma gargalhada. – Você não percebe mesmo não é? – ela tinha a voz irônica, uma das mãos massageando as têmporas.

— O quê?

— Quando alguém está interessado em você. – ela disse como se fosse óbvio, eu desviei os olhos. Não, eu dificilmente percebo. Divertimento assumiu sua voz quando ela questionou. – Como foi?

— Como foi o quê? – fiz-me de desentendido. Ela não achava que eu mesmo falar como tinham sido meus encontros com Tayuya. – Foi normal.

— Eu nem consigo imaginar. – ela disse controlando-se para não voltar a rir. – Ela devia estar mesmo louca para sair com você. – debochou.

— Acaso acha que eu não conseguiria convencê-la a sair comigo? – agora era uma questão de orgulho vencer aquelas provocações.

— Eu acho que você não conseguiria nem flertar com ela, sem planejar como fazê-lo.

Ela tinha pegado pesado. Eu sabia que ela não acreditava realmente no que dizia e que aquilo não passava de provocação, por que ela realmente sabia que eu conseguiria. Ainda assim, eu não podia deixá-la sem resposta.

— Eu poderia convencer você do contrário agora, você não lembra? – Eu disse decidido e ela estancou. Aquele assunto era terreno proibido. Ponto para mim.

— Tudo bem bonitão. – falou ironicamente. – Vamos tentar.

— O quê? – ela não podia estar falando sério. Ponto para ela.

— Eu quero ver como você é sedutor. – ela estava decidida, e eu não podia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Era uma situação desnecessária e muito, muito problemática.

Ela arqueou a sobrancelha e sorriu de canto, em claro desafio a mim. Revirei os olhos e suspirei, seria problemático, mas um homem não poderia perder para uma mulher.

— Tudo bem. – desviei os olhos dela. – Foi você quem pediu. – avisei-a e ela me respondeu com um riso vitorioso.

— Vamos lá Nara, mostre-me do que é capaz. – ela provocou novamente.

Desde que nos conhecemos Temari nunca havia me visto flertar com outras garotas, com exceção das provocações que nós mesmos trocávamos diversas vezes por brincadeira e por isso achava que eu não conseguiria faze-lo. Contraditoriamente aquele não era um terreno desconhecido para mim.

Eu voltei a olhá-la nos olhos e comecei a caminhar até ela, sem quebrar o contato visual. Um sorriso sacana no meu rosto. O sorriso debochado dela continuou em seu rosto mesmo seu corpo ficando mais rígido, enquanto isso eu me aproximava dela, como um lobo se aproxima de um cordeiro.

Parei a centímetros de distância dela, lentamente minha mão alcançou seu pescoço e ali eu iniciei uma caricia, nós ainda nos olhávamos; aquilo deveria ser uma brincadeira, uma provocação entre amigos, contudo, minha mão formigou e eu me vi ansiando por um contato maior. Segurei a cintura dela com minha mão livre e acariciei aquele local também. Pus minha mão por dentro da blusa que ela vestia e acariciei a pele de sua barriga. Temari tinha uma pele muito macia e muito quente também, pude constatar.

Ela inspirou profundamente o que fez com que o seu busto subisse consideravelmente, quebrei o contato visual com ela e desci os olhos para os seus seios, ocultos pela blusa do irmão, e não pude evitar o sorriso que surgiu na minha face. Quando voltei a olha-la nos olhos eles estavam levemente arregalados, achei que ela ia me bater, mas não bateu. Que sentimentos eram aqueles nos olhos dela? Que sentimentos eram aqueles em mim?

Ela estava tão perto de mim, nós nunca havíamos mantido esse tipo de contato, principalmente por tanto tempo. Eu já havia sentido o perfume dela várias vezes, no entanto ele nunca me pareceu tão inebriante, embriagante, minha mente estava ficando enevoada. E eu tive certeza que poderia me viciar naquela sensação.

Toquei a pele do pescoço dela com meus lábios e subi lentamente até sua orelha, sem nunca realmente beijá-la, somente apreciando como era quente; então trilhei um novo caminho do lóbulo de sua orelha até o canto dos lábios dela e naquele momento eles me pareceram como um imã e eu fui inevitavelmente atraído para eles; minhas mãos ainda acariciando-a. Ainda queimando contra sua pele.

Senti-a tremer quando subi um pouco mais minha mão, acariciando a lateral do tronco dela, enquanto a outra estava em seus cabelos. E ela estava corada. Eu estava prestes a beijá-la, quando a campainha tocou e nós nos afastamos. Droga.

Droga?

O que tinha acontecido ali? Porque a temperatura do quarto estava tão alta? Por que meu corpo estava reclamando a falta do contato com ela? Tudo havia sido uma brincadeira, não?

Estava tão perdido em devaneios que não vi o momento em que ela saiu, apenas notei estar sozinho no quarto dela. Sentei na cama e deixei meu corpo cair sobre os lençóis, eles tinham o cheiro dela. O quê?

Ouvi passos e me virei em direção à porta, para vê-la adentrar o quarto novamente.

— Era o síndico. – ela explicou, estralando os dedos das mãos, parecia um pouco constrangida. – Você... Não vai ter problemas, com certeza. – ela disse sem me olhar, mas eu vi o sorriso malicioso que se formou em seus lábios. – Onde é que você esconde esse seu lado, preguiçoso?

Ótimo, agora que ela nunca mais iria parar de debochar de mim, entretanto, com aquela simples provocação ela tinha dispersado todo o clima esquisito e tensão de outrora, eu não pude deixar de sorrir. Mulher problemática, sempre me arrancando sorrisos inoportunos.

Notas finais
E então? Me deixem saber o que acharam!

Beijos e até o próximo (que deve sair até a outra semana)!