Notas iniciais
Muitos muitos muitos spoilers do livro "Tudo e todas as coisas", se não leram e não querem saber o final, saiam daqui imediatamente. Me interessei pela história após ver o trailer do filme que será lançado em breve, depois de terminar o livro, onde adorei o final que ficou em aberto, pensei nessa continuação... espero que se alguém por aqui aparecer (o que acho difícil) e ler que goste da minha adaptação

O.ce.a.no

Ele estava parado admirando a capa do livro, que mesmo, não gostando e não compreendendo muito bem a história, fazia total sentido para ele. Olly estava parado admirando um principezinho de cabelos loiros em cima de um planetinha pequeno, que representava Maddy para ele. Madeline, sua Maddy o entendia como ninguém no mundo e com essa certeza, pegou o exemplar em mãos e abriu. Logo na primeira página, descobriu ser o exemplar dela:

Virando seu calcanhar e com um sorriso de triunfo nos lábios, admirou a garota que lhe arrancava suspiros nos últimos meses, parada no final do corredor de livros que ele se encontrava.

— Achei seu livro.

Limitou-se a dizer admirando o sorriso que Maddy lhe deu em seguida, ainda tinha todas as sardas que amava em seu rosto, ainda tinha os cabelos negros feito nuvem. Ela estava bem a sua frente, em meio as estantes de livros, no meio de muitas pessoas, no meio de muitas bactérias e vírus para sua saúde, estaria lá por ele?

— Achei que não ia correr mais riscos por mim — Olly disse. Sentia seu coração bater em sua garganta, podia sentir o coração dela batendo desesperado mesmo a alguns passos de distância.

— Não vou correr mais riscos por você — ela lhe respondeu balançando a cabeça negativamente.

Será que ele devia voltar para ela? Será que devia correr o risco de ter seu coração preenchido e partido novamente?

— Deixa eu tentar imaginar — Olly voltou a dizer dando um passo a frente, segurando o livro de Antoine de Saint-Exupéry em mãos — Pensou que me ignorando iria fazer eu te esquecer e voltar a seguir minha vida normalmente?

— Era meu melhor plano — desta vez ela deu um pequeno passo em direção a ele.

— Um plano certo, mas agora o está arruinando, por que? — perguntou dando outro passo em direção a ela.

— Descobri que planos só atrasam minha vida, que nada vale a pena se não puder sentir, se não puder viver, se não puder morrer e me encontrar com a Rosa novamente e puder reviver tudo de novo. — terminou vendo o rosto de incompreensão que Olly lhe entregou, voltando a sorrir, deu outro passo em direção a ele.

— Valeria morrer por mim? — Olly ainda intrigado, deu outro passo em direção a ela.

— Valeria, se assim precisasse — ela deu outro passo em direção a ele. Estavam a um passo de distância agora.

— O que quer dizer? – questionou agora quebrando a distância entre os dois e encostando sua testa na dela.

Repartia a mesma respiração que ela, repartia o mesmo ar, o mesmo propósito a mesma saudade o mesmo querer. Fechou os olhos e entrelaçou seus dedos nos dedos dela deixando o livro cair no chão, podia ouvir o coração de Maddy batendo acelerado, podia sentir o plano dela se esvair no ar como fumaça.

— Olly — ela o chamou fazendo-o abrir seus olhos e encarar as íris castanhas dos dela, tão convidativas — Eu não estou doente.

Essa frase foi o suficiente para ele selar seus lábios nos lábios dela. Relembrou a sensação de se perder naquele mar proibido e perigoso. Tinha um gosto salgado, por causa das lágrimas que Maddy derramava, tinha gosto de desbravamento, depois de todas ondas nervosas e perigosas que haviam enfrentado, tinha gosto de esperança e calmaria sabendo que poderia desbravar esses lábios novamente toda vez que quisesse.

— Quer dizer que ao achar seu livro, posso ter de recompensa, você, para sempre, sem doenças e sem empecilhos? — Olly perguntou separando seus lábios dos lábios dela, sem desfazer o abraço em que estavam.

— Você é minha Rosa Olly — Maddy falou num sussurro ainda de olhos fechados.

— Não devia ser o contrário?

— Sou o príncipe que morreu, porque sabia que a vida não teria sentido sem você nela, sou o príncipe que morreu para voltar para casa e nos braços de sua Rosa, então você é minha Rosa — ela abriu os olhos e lhe sorriu.

— E você meu oceano, que temia entrar, temia desbravar, que mesmo depois de tantas ressacas enfrentadas, hoje posso dizer que o gosto salgado da água é tudo que precisava para me sentir feliz novamente — ele lhe respondeu voltando a selar seus lábios.

Definição de Oceano atualizada no dicionário de Madeline:

o.ce.a.no s.m. pl. -s 1. A parte infinita de si mesmo que nunca conheceu, mas sempre suspeitou de que estava ali. E que uma vez que desbravou suas águas, espera desbravar para sempre. [2015, Whittier]

Notas finais
Será que tem alguém ai que leu este livro?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!