Ocean Motion

13 Capítulo 12 - Insensível


Notas iniciais
Não consegui postar na semana passada, perdoem-me! Mas aqui está um capítulo novinho para suas curiosidades! Espero que continuem gostando e acompanhando!

Insensível

Por volta das duas horas da tarde, Alice anunciou que a mãe de Isabella aterrissara no aeroporto O’Hare e encontraria um hotel próximo ao hospital para dormitar enquanto Isabella tivesse detida.

—Não vai buscá-la no aeroporto, baixinha? – ergui uma sobrancelha.

Conversávamos na sala de espera enquanto Bella estava na bateria de exames que o doutor prescreveu. O homem instruíra a mim que não ficasse no quarto, porque algumas das questões eram pessoais e Isabella quem deveria contar-me quando se sentisse confortável. Não discuti. Se era pelo bem da moça, eu não argumentaria.

—Ela disse que sabe onde fica – Alice deu de ombros. – E falou que mandaria uma mensagem assim que estivesse no hospital. A tia é muito maluca!

Revirei os olhos.

Agora entendia de onde vinha tanta teimosia da Isabella.

A mulher saíra do conforto da sua casa para vir a um hospital praticamente do outro lado do país e não queria ajuda com transporte, alojamento e guia? Quem seria o louco que andaria em uma cidade desconhecida sem qualquer amparo de alguém que sabia poder confiar? Digo, Alice não é um modelo a ser seguido sobre várias situações, mas sua lealdade a Isabella era algo encantador.

—Está bem, então – murmurei. – Como anda o processo das meninas?

—Rose chamou os policiais, é claro, elas tentaram arrancar o couro da nossa prima – a pequena revirou os olhos. – Preciso lhe dizer que você escolheu muito mal para seus momentos de foda, Edward. O que você estava pensando para sair com Jessica Stanley? Saiba que ela está metendo um processo contra você, sua lista e nossa empresa.

—E por quê? – reclamei. – Não é como seu eu não tivesse estipulado regras sobre todo o funcionamento da lista.

Alice apenas fitou-me séria. Como se eu fosse uma criança que não entendia nada.

—Ela está atrás das mulheres que foram demitidas por faltas não-justificadas.

—Porra! – exclamei passando a mão no cabelo.

Faltas não-justificadas. Certo. Eu sabia que muitas das funcionárias demitidas por esse motivo eram as loucas que passavam uma semana achando que iriam me conquistar. Lembrei-me de Alison e tremi. A morena de olhos amendoados fora a única a me seguir até em casa, contudo, as outras tentaram me manter amarrado, bêbado, satisfeito... entre muitas maneiras possíveis de prisão. Uma delas chegou a quebrar meu celular e furar os pneus do carro! Todas elas choraram e imploraram. Mal sabiam que eram apenas a alternativa mais simples para não me apaixonar.

—Acho que você ainda precisará do seu advogado, irmãozinho – ponderou Alice. – Bella acabou de passar para o quarto e está lá sozinha. Vocês querem ir ou eu falo com a minha amiga?

—Pode ir, filha – Esme respondeu passando um braço sobre meus ombros. – Seu irmão precisa relaxar antes de aparecer para ela. Eu faço companhia para ele.

—Não precisa se prender a mim, mãe – lembrei-a num murmúrio.

Ela puxou-me para deitar a cabeça em seu ombro e confortar-me como podia. Alice já sumia pelo quarto da amiga. Esme passou a mão sobre meu cabelo. Exatamente como quando era criança.

—Podemos discutir sobre como faremos com essas garotas insatisfeitas, querido. Com a minha experiência como coordenadora de recursos humanos, podemos encontrar uma solução.

Franzi a testa.

—Você nunca foi coordenadora de recursos humanos, mãe.

—Mas fui mãe e sei quando meus pequenos precisam de ajuda – insistiu.

Deixei-a me confortar passando os braços em sua cintura e inalando seu cheiro de amor.

Nos instantes que passei ali, percebi que ambos precisávamos daquele conforto. Minha mãe adorava Isabella e aquele hospital apenas ruía nossas lembranças. Nós dois passamos por momentos difíceis nessas últimas semanas e a vida não estava nos entregando nenhuma trégua.

—Anne? – ouvimos uma voz pelo corredor.

Tia Renée entrou com um sorriso carinhoso que sempre me fez correr para seus braços quando criança. Minha mãe levantou-se da cadeira e encontrou seu abraço no meio da sala.

—Renée, quantas saudades! – exclamou Esme, já puxando a amiga para sentar-se ao meu lado na espera. – Como está? Por onde andou esses anos todos?

—Oh! Esse é o nosso adorável Thony?

E no instante seguinte, eu estava sendo puxado para cima, para um abraço apertado e aconchegante com a mãe da minha melhor amiga de infância.

—Tia Renée, o que faz aqui? Onde está a Marie? Eu senti tanta saudade de vocês! Tanta falta!

Sem perceber, minha voz embargou e não contive as lágrimas.

Tantas coisas aconteceram nesses anos! Senti tanta falta da minha pequena! Quando Elizabeth morreu, eu tive que abraçar Rosalie, acalmar meus parentes, ouvir condolências de gente que nunca vi na vida... Tudo o que eu queria era me esconder debaixo da cama de Marie e chorar como se o resto do mundo não importasse, exatamente como fizemos meses antes, quando seu gatinho morreu. Daquele dia em diante, descobri que para ser feliz, teria que estar com a minha menina. Naquele dia, jurei que só poderia me chamar de Thony quem eu achasse que merecesse. Naquele dia, aos nove anos, me tornei Edward Anthony, o insensível.

—Minha criança, não chore! – ela afagou meus cabelos. Ao fundo, pude escutar os soluços de minha mãe. – Eu estou bem! Estamos bem. Na verdade, faz um tempo que Marie está na cidade a sua procura. Ela decidiu vir resgatar o príncipe, já que ele demorou demais!

Eu ri um pouco lisonjeado. Ela viera por mim! Mas eu acabara quebrando a promessa ao esquecer o nome da cidade da garota. Eu deveria resgatá-la, não o inverso.

—Não foi por mal, tia – desculpei-me envergonhado. – Perdi o nome da cidade para onde vocês foram. Aconteceram tantas coisas na nossa vida desde aquele dia que acabei esquecendo.

—Foi o que imaginei. Vocês eram muito novinhos para guardar as coisas assim.

Esme não aguentou estar por fora da conversa e nos puxou de volta para o banco. Segurando as mãos da amiga, minha mãe perguntou o que ela estava fazendo ali.

—Espero que estejam todos bem – exteriorizei o que vi nos olhos de Esme.

—Sim, estamos muito bem – prometeu Renée. – Na verdade, Thony, Marie está aqui.

Um soco no estômago. Exatamente isso que senti quando as palavras saíram da boca dela. Marie está aqui. Aqui... no hospital. Marie está doente. Ela veio por mim e eu não pude encontrá-la antes de que algo a levasse ao centro médico. Falhei como amigo. Falhei como pessoa.

—Aconteceu alguma coisa? É algo sério? Há algo em que possamos ajudar? – disparei atordoado. – Conte-me! Preciso ver minha doce Marie!

—Aparentemente, não é nada muito grave – garanti-me a mais ruiva. – A amiga dela me ligou, há alguns dias, dizendo que Marie se acidentou na empresa que trabalha, mas estão pagando todas despesas e só vim para dar suporte emocional. Aliás, como está Lizzie? Ela está em um dos quartos? Por isso estão aqui?

O assunto delicado apareceu. Claro que tia Renée não sabia da tragédia sobre Elizabeth. Tragédia. Humpf. Não entendia como meus pais poderiam olhar na minha cara depois do que fiz. O que eu fiz com a minha própria irmã. Meu pequeno anjo!

—Renée, sobre a Lizzie...

Mexi-me na cadeira com impaciência assim que Esme começou a falar. Eu não ficaria ali se ela fosse a escolhida para explicar à minha tia como eu matei minha irmã mais nova. Minha garganta arranhava todas as vezes que lembrava do horror nos olhos de Esme depois que a filhinha não acordou. Não queria ver aquilo novamente. Precisava de um pouco de paz. Precisava da Marie.

—Primeiro, preciso do número do quarto dela – interrompi minha mãe. – Você pode falar disso enquanto eu vejo a minha menina, mamãe? Por favor?

—Filho, você não teve culpa disso...

—Posso falar disso depois? Eu realmente quero ver a minha Marie, mamãe!

Acho que fui um pouco grosseiro, porque tia Renée me olhava espantada. Ugh, queria estar arrependido, mas ouvir novamente a história da morte de Elizabeth, toda embelezada para que eu não ficasse me culpando, só me deixaria nervoso. Ficar nervoso era algo que eu precisava evitar se quisesse conversar com Isabella mais tarde. A morena necessitava de um noivo, de mentira, calmo.

—Na verdade, Thony, estou esperando a amiga da sua Marie me mandar o número do quarto. – desabafou a senhora. – A maluquinha se esqueceu desse detalhe.

—Galera, vou buscar a mãe da Bella na recepção e já volto... – anunciou Alice se aproximando aos saltos e chamando nossa atenção. – Tia Renée! – saltitou minha irmã, abraçando aquela que deveria ser estranha a ela. – Finalmente ao vivo e a cores! Vejo que já conheceu minha mãe e meu irmão Edward, o carrasco da sua filha na empresa! Essa é a mãe da Bella, pessoal!

Três sons de choque saíram da sala. Alice ficou com o olhar confuso, mas a minha ficha caiu com peso de chumbo. Era bom que eu estivesse sentado, caso contrário, teria desabado no chão. Sim, tudo o que mais queria agora era uma bomba dessas no meu colo. Obrigado, mundo!

—Que caras são essas? – questionou a baixinha.

—Alice, minha querida, não me diga que o nosso Thony aqui é o maldoso que não tem deixado minha menina me ver!

—Thony?! – repetiu confusa. – Edward?

É claro que Alice nunca ouvira uma alma viva me chamando de Thony. Cortei todos os apelidos no enterro da minha irmã e encontramos Allie na rua em seguida. Para ela, sempre fui apenas seu irmão Edward... ou Eddie, quando queria me irritar.

—Não acredito! – murmurou minha mãe antes de cair no choro desmedido.

O som que me aterrorizava estava lá de novo, naquela cadeira de hospital... naquele mesmo hospital. A culpa novamente sendo minha. Agora era adulto. Agora eu precisava agir.

—Allie, busca um copo de água para a mamãe. Eu levo tia Renée até Bella – orientei controlando a voz para não gritar. – Não vou conseguir soltar a história disso. Não agora.

Com essas palavras, ajudei a mãe da minha noiva falsa a andar até a porta do leito.

—Perdão, tia – murmurei no caminho. – Eu não sabia que era ela! Acho que nem ela sabe que sou eu. Por favor, não fale nada sobre isso. Por favor. Eu quero falar. Quero fazer com calma. Agora ela está adoecida e torpe pelos medicamentos, não acho que seja um bom momento.

Ainda sendo tão carinhosa quanto me lembrava, tia Renée pousou a mão em meu ombro e sorriu levemente. Meu interior se agitou. Quis berrar para ela que eu era um monstro. Quis dizer para se manter distante porque eu acabava ferindo todas as pessoas boas a minha volta. Mas não o fiz. Aquela mulher precisava que as palavras saíssem da boca da filha para acreditar.

—Compreendo, meu pequeno – ela arrulhou. – Seria um baque grande. Mas Alice não me contou o que ela tem. Podes me dizer o que fez minha pequena ficar acamada?

Suspirei.

—Se Bella não contar, eu conto – prometi. – Primeiro darei essa chance a ela.

E com isso, beijei-lhe a bochecha e fiz meu caminho até o carro. Não parei na sala de espera. Não teria forças para ver Esme ser medicada novamente por causa dos nervos. Alice estava cuidando dela. Alice era melhor do que eu para isso. Eu tinha que admitir: ela era muito melhor filha do que eu. A baixinha era dedicada, alegre e companheira... eu só conseguia deixar todos chorando.

Fui direto ao cemitério. Elizabeth seria a única que conseguiria me ouvir sem interromper meus soluços ou mesmo meus gritos. Sentei-me com as costas escoradas na lápide e despejei-me.

Um babaca. Exatamente o que sou. Um babaca.

Estive esperando uma menina, só pode! Os sinais estavam todos ali. Aquele olhar, as respostas atrevidas na voz doce, o carisma e a autoridade. Aqueles cabelos que eu tanto amava! Os abraços sinceros e os puxões de orelha!

Era ela!

Como pude ser tão cego?

E todos aquela chamados por mim? Todos aquela gritos de perdão por estar sendo violentada e estragando sua promessa de me esperar? Ela estava pura, esperando apenas que seu querido Thony a tomasse em casamento!

E eu sendo um babaca.

Fiz uma lista para ter certeza de que não me apaixonaria por ninguém até encontrá-la... Cumpri todas as exigências que fiz de mim. Não me apaguei a ninguém... Até que ela apareceu.

A primeira vez que a dispensei, foi depois de uma briga. Chamei Rosalie para que tentasse me acalmar. Quando minha prima perguntou se eu realmente a excluiria, imaginei que não devia fazer isso, já que seria injusto. Contudo, nunca consegui seguir a lista com ela. Eu a levava para lanchar porque gostava de sua companhia. E não porque era "o seu dia".

Quando meus pais descobriram que eu tinha uma lista, quase me demitiram. Mas não foi nem um pouco perto do quanto me incomodaram para não colocar Isabella ali. Foi um choque para mim que tal atrocidade tenha sido mencionada na mesa de jantar outro dia. Ainda mais porque ela realmente pareceu querer estar na lista.

Só de pensar que tudo o que fiz foi para suprimir minha falta de atenção, sinto como se fosse o cara mais imbecil de todos. Sinceramente, não merecia nem um terço da consideração que Bella tinha comigo. Não depois de ter feito ela sofrer daquela maneira!

Ri do destino.

Naquele dia... naquele fatídico dia... prometi encontrar seu noivo.

Bem, Cullen, uma promessa que cumpriu com maestria! Já estava na hora!

Gemi.

Bella vai me odiar. Sim. Quando eu falar para ela que encontrei o Thony, ela vai me odiar.

Eu matei a melhor amiga dela. Eu. O suposto homem que ficaria para proteger a menina, acabei matando-a. E, quando a morena perceber que fui o responsável pelo sequestro, por negligência, vai sair da minha vida de vez.

O que eu faria sem Isabella?

O que eu faria sem a minha doce e adorável Isabella Marie?

A menina que prometi em casamento há mais de 15 anos estava quebrada e ansiava por me encontrar. Para quê? Para fazer valer a promessa? Ela merecia alguém melhor. Alguém menos sujo.

A percepção do que eu sentia atirou-me numa nova onda de choro compulsivo.

Tentando não me apaixonar, acabei caindo de amores por uma vizinha descontrolada.

Eu a amava. Amava e não a merecia. Eu era mesmo um babaca.

Tirando de meus devaneios, meu celular vibrou no bolso da calça. Pensei em algumas desculpas para não atender, mas o toque de Alice ecoou logo após. Ela viu como fiquei. Deveria ser de suma importância ou nunca me ligaria depois da mensagem.

—Bella está te chamando – foram suas palavras quando a atendi.

A parte boa de ter Alice como irmã era que, mesmo intrometida, ela sabia exatamente a hora de abordar assuntos polêmicos. Nunca precisei pedir para que não comentasse sobre meus segredos. Ela sabia desde que tirei a carteira de motorista que, quando algo me atormentava, eu corria para o aconchego do cemitério. Os anos impostos com psicólogo não me ajudaram muito com relação à morte de minha irmã, mas uma conversa franca com Alice e um tempo meditando sobre o túmulo de Elizabeth faziam com que eu voltasse a funcionar.

—Estou indo – respondi prontamente e desliguei.

Minutos mais tarde, encontrava-me novamente na sala de espera do hospital, conversando com tia Renée sobre a gravidade da filha e perguntando se a senhora estava confortável com o hotel.

—Sabes que pode ficar na casa de meus pais – comentei.

—Oh, minha criança – ela riu. – Sua mãe já fez o convite. Assim como Alice e seu pai. Estarei mais perto da minha menina aqui, querido. Mas agradeço a hospitalidade dos Cullen.

Assenti com um sorriso torto.

—Sempre às ordens, senhora Swan – brinquei. Verbalizar o sobrenome fez um arrepio passar por meu corpo e voltei a ficar pesaroso. – Eu sinto muito pelo que aconteceu a ela, tia. Devia ter cuidado melhor da minha Marie. Sei que a senhora deve ter ouvido muitas das atrocidades que cometi com ela e nada que eu fizer agora vai reparar meus erros. Bella só era a funcionária mais cabeça-dura que a senhora poderia imaginar e isso realmente me tirava do sério... no entanto, aquele lugar sem ela não parece fazer sentido algum. Trabalhar nessas últimas semanas foi um inferno.

—Nessas últimas semanas? – ela arqueou uma sobrancelha.

Merda. Bella não falou! Merda, Cullen!

—Bella foi raptada, tia – confessei. – Eles desapareceram com ela há pouco mais de duas semanas. Fizeram uma ligação em vídeo para me atormentar e abusaram dela quarta-feira passada. Minha mãe quis contatar vocês imediatamente, mas, uma vez que não sabíamos nada sobre o assunto, não quisemos preocupá-los. Depois... depois os policiais nos aconselharam a não envolver mais ninguém, para poderem trabalhar no caso com mais atenção. Perdoe-me por ter omitido.

—Bella disse que foi raptada por engano e os bandidos se aproveitaram dela achando que era outra pessoa – relatou baixinho.

Abracei-a tentando passar um conforto recém-adquirido.

—Não sabemos bem as razões desses homens – expliquei em seu cabelo. – Mas as investigações ainda ocorrem e eu prometo que farei cada filho da puta que pensou em magoar a minha menina pagar. Ninguém sairá impune, tia.

—Obrigada, meu menino – fungou em meu ombro. – Agora vá ver a sua noiva de infância!

Eu ri.

Convenientemente, essa era a desculpa que eu dera ao hospital. Não só porque queria ficar perto dela, mas porque era a brincadeira que sempre rolara entre Bella e Alice. Agora, depois das descobertas dessa tarde, poderia dizer que estava muito noivo de Isabella. Não apenas porque Alice falara, ou porque era minha carta de acompanhante, mas porque eu a pedira em casamento.

E falara sério daquela vez.

Toda a lista foi planejada com base nessa promessa. Apenas sabia que esperaria o tempo que fosse para casar-me com Marie. E sabia que, se nunca encontrasse com ela, nunca poderia me casar.

Dei um beijo na testa de tia Renée antes de entrar no quarto de Isabella.

—Aleluia! – esbravejou Alice assim que abri a porta. – Se perdeu no meio dos corredores, foi?

—Alice, deixe o seu irmão em paz – ralhou Bella.

Sorri para a acamada e olhei fundo nos olhos de minha irmã.

—Verdade, Alice, deixe o seu irmão em paz! – brinquei. – Agora estou aqui, posso cuidar da minha noiva e deixar que você volte para o seu namorado bunda-seca.

Ela estreitou os olhos para mim, beijou a testa de Bella e veio me abraçar.

—Você está bem? – sussurrou em meu ouvido. – Ninguém falou nada para a Bella sobre vocês se conhecerem na infância. Tia Renée disse que você pediu para contar depois, com calma.

—Estou sim – garanti. – Os pedaços se agruparão de volta com o tempo. Pode ficar tranquila.

—Sabe que pode contar com a sua irmãzinha aqui, não sabe?

Assenti contra sua cabeça, beijei-lhe o couro cabeludo e desvencilhei-me de seus braços.

—Vá cuidar de Esme – orientei. – O dia foi estressante para ela. E, por favor, veja se a mãe da Bella está bem no hotel. Eu desmenti algumas coisas que a filha levada dela falou, então, talvez a senhora Swan precise de algum calmante para dormir.

Respirando fundo e soltando o ar com raiva, minha irmã saiu do quarto batendo a porta. Revirei os olhos para Bella e apressei-me a ocupar a cadeira próxima ao leito. Imediatamente, ela estendeu a mão para mim e eu segurei para brincar com seus dedos.

—Está tudo bem? – questionou com carinho.

Assenti brevemente.

—Como foi o encontro com a sua mãe? – mudei de assunto.

A morena suspirou e desviei os olhos de seus dedos para mergulhar no chocolate.

—Minha mãe é exagerada – revirou os olhos. – Estava chorando feito um bebê dois segundos depois de fechar a porta. Não sei se chegou a falar com você na recepção, mas disse que talvez eu tenha implicado demais sobre o seu comportamento na empresa. Em suas palavras, você é muito lindo para ser tão pau no cu – Bella riu. – Coitada, mais uma iludida por esses olhos verdes aí!

Soltei uma gargalhada baixa.

—Estratégia de marketing, querida Swan!

—Percebi – resmungou desviando os olhos. – Ela estava realmente esquisita, sabe? Mas eu dei a entender que nada de tão grave aconteceu. Não é totalmente uma mentira, afinal.

—É claro que é! – interrompi sua narrativa com ultraje. – Isabella, o que aconteceu com você é mais grave até do que a morte! Não que eu tivesse preferido que você morresse! DEUS, NÃO! Mas, entenda, suas relações amorosas nunca mais serão as mesmas. É até um milagre que você esteja me deixando tocá-la! Você deveria ter nojo dos homens. Eu tenho nojo do que fizeram com você. Tive ânsia por tirá-la daquela mesa e apertá-la em meus braços para evitar que aqueles monstros encostassem no seu corpo. Depois, tive medo de que seu noivado fosse desfeito. Aliás, desde quando você está noiva, Swan? – sorri torto. – Quem é o coitado que terá que aturá-la pelo resto da vida?

Ela suspirou.

—Longa história – retrucou. Eu sabia, mas precisava entender se ela realmente esperava por mim. – Nos conhecemos quando crianças... resumindo, ele me pediu em casamento, eu aceitei e logo precisei mudar de cidade. Não sei se o pedido ainda vale, Cullen. Vim para Chicago para encontrá-lo, porque queria saber se ele me esquecera ou não...

Voltei a fitar minhas mãos. Cada frase solta por ela era um aperto no meu peito.

—Impossível esquecer aquela que se pede em casamento – murmurei baixinho.

Bella desvencilhou os dedos dos meus para afagar minha cabeça.

—Sua dama ainda não te corresponde? – indagou afável.

Dei de ombros.

—Não sei se vale a pena investir na relação unilateral – comentei. – Ela sempre foi tão... ela e eu sou tão...

—Você? – brincou rindo. – Não se preocupe, Cullen. Se você for metade do que tem sido para mim como noivo de mentirinha, ela cairá de amores. É só ter paciência.

Olhei-a nos olhos. A esperança floresceu dentro de mim apenas para ser quebrada com a lembrança do motivo de termos essa conversa num quarto de hospital. Eu a colocara ali.

—Prometi ajudá-la a encontrá-lo – lembrei-a. – Depois que conseguirmos, quais são seus planos? Ainda quer se casar com ele? Afinal, o homem parece-me relapso de suas obrigações.

—Não o julgue! – brigou com os olhos estreitados. – Você não sabe o quão bom ele é!

Revirei os olhos para ela. Ah, sim, muito bom!

—Nem mesmo sabe onde ele está... como pode defendê-lo?

—Edward, por favor! – grunhiu ela. – O noivo é meu, cuide da sua própria mulher! Não se esqueça que você quis saber sobre o que farei com ele ou não! Ou está com ciúmes? – ronronou.

—Ciúmes? – repeti com escárnio. – De um cara que estará fodido na sua mão? Até parece!

—Acha que me engana, Cullen? – zombou estreitando os olhos. – Eu já conheço a sua lábia, meu bem. Você está com raiva de que outra pessoa conseguiu captar minha atenção e impossibilitou o seu caminho para a minha cama!

Revirei os olhos.

—E a Swan está delirando novamente! – cantarolei. – Devo chamar a enfermeira para avisar que o sedativo está numa dosagem acima do normal, Isabella? Pare de me enrolar!

—Certo! – bufou. – Eu vou romper o noivado.

—O quê? Por quê? – soltei num guincho.

Ela baixou os olhos para as mãos unidas em seu ventre e começou a brincar com os próprios dedos. Mastigou o lábio inferior várias vezes antes de soltar algumas lágrimas silenciosas.

—Eu não sei, Edward – sussurrou pesarosa. – Não sei se ele gostará de ter alguém quebrada como estou agora. Não consegui manter minha promessa de esperá-lo e não quero que ele se sinta obrigado a casar comigo por piedade. Quer dizer, que homem gostaria de ter ao lado uma mulher que não sabe dizer se algum dia fará sexo? Porque, Edward, eu não quero nem olhar para um homem nu e não sei se algum dia terei coragem de deixar alguém me tocar. Thony não merece ficar amarrado a alguém assim, Edward. Ele sempre fora tão bondoso, tão sensível!

As lágrimas dela foram replicadas em meus olhos. Segurei sua mão e apertei um pouquinho.

—Nunca pense que você não merece alguém, Isabella – repreendi suavemente. – Você, de todos os seres humanos, merece uma pessoa que vá te fazer feliz. Sexo não é uma base sólida para um relacionamento funcionar. Eu gosto? Claro! Mas isso não quer dizer que basearia um casamento no quanto minha esposa tem vontade de foder comigo. Qualquer homem que preste vai levar o desejo da mulher em consideração. Se o seu noivo não puder acompanhar suas demandas, eu ficarei feliz em casar-me com você de verdade, apenas para não morrermos sozinhos.

Ela riu fraco. Secou o rosto com o dorso da mão direita enquanto permanecia com a esquerda em meu aperto. Respirou fundo para olhar em meu rosto e espalhar minhas lágrimas com os dedos. Sorri para sua tentativa frustrada e aproximei-me para beijar-lhe a testa.

—Está me pedindo em casamento, senhor Cullen?

—Só se você pudesse aceitar, Swan, mas tenho amor à minha paz. Então, sinto muito frustrar suas esperanças em se tornar cunhada da minha irmã. Você já roubou minha família de mim, não é justo querer meu sobrenome também! – brinquei.

Bella gargalhou empurrando a cabeça ainda mais no travesseiro e chacoalhando os ombros.

—Mantenha em mente que a partir do momento que Alice nasceu, você já não era o filho preferido dos seus pais. Eu só cheguei para terminar de te colocar para fora de casa, Cullen.

—Engraçadinha – debochei. – Mas eu estava falando sério sobre o noivado entre você e o seu Thony. Quando encontrá-lo, espero que não seja um babaca insensível com você.

—Ele não é você, Edward – lembrou-me.

Sorri de lado. Realmente, aquele Anthony não condizia mais com o que me tornei. Ela me odiaria quando soubesse a verdade.

—Bom saber que você me considera insensível, Swan. Colocarei isso na sua folha de pagamento. Espere e verá!

Bella gemeu... e seu estômago roncou alto, deixando as bochechas vermelhas de vergonha enquanto eu ria da situação.

—Vou chamar a nossa janta, querida noiva – anunciei levantando-me da cadeira.

—Não! – guinchou e respirou fundo. – Chame pelo telefone, por favor, não me deixe sozinha!

Ergui as mãos em rendição, peguei o telefone e avisei à uma recepcionista que a paciente estava pronta para a janta. Talvez tenha dito algo como “a minha noiva amada” ou algo assim e piscado para a enferma que revirou os olhos.

Notas finais
E então, o que acharam? Comentem, por favor!