Ocean Motion

11 Capítulo 10 - Pesadelos


Notas iniciais
Atenção: cenas fortes e palavras impróprias. GENTE, quem tiver problema de coração, espera o próximo capítulo! Obrigada pela compreensão.

Pesadelos

A semana começou calma, apesar do pânico que perseguia a mim e minha família. Alice estava cada vez mais próxima de Jasper e eu não podia condenar, porque meu primo sempre fora apaixonado pela baixinha. O respeito e o amparo que ela sempre precisou transbordava dele.

Rosalie e Emmett pareciam ter se acertado, no fim das contas. Depois de ver alguns dos momentos mais infelizes de Isabella – que a polícia gravava para obter provas a serem analisadas –, Rose pediu perdão ao namorado por ter reclamado das horas que passou protegendo alguém da família nos fins de semana. Essa foi a deixa para o brutamontes pedi-la em casamento.

A cena foi romântica e cheia de lágrimas nos olhos das nossas mulheres – Esme, Alice e a própria Rose. Inicialmente, porque todos estávamos revendo aquelas gravações horríveis da Bella, então chegou na parte que Rose agarrou-se ao namorado e implorou para que o homem não a deixasse. Por fim, Emmett arrancou uma flor do arranjo que estava por perto e estendeu à loira se ajoelhando e falando como ela tem sido maravilhosa na vida dele.

Não é necessário mencionar que Esme o fez repor um arranjo inteiro de flores depois que o momento acabou. Nem imagino como Jasper lidou com as lágrimas da baixinha quando ela se agarrou a ele e tremeu inteira enquanto a cena desenrolava. Eu só conhecera aquela tremedeira uma vez em sua vida... e foi quando seu maldito pai tentou roubá-la de nós quando ela era criança.

[...]

Eu ainda não entendia por que tudo aquilo tinha acontecido comigo.

De uma hora para outra, perdi todo mundo que eu conhecia e amava. Quer dizer, quase todo mundo. E eu só tinha ajudado ela a dormir. Mas ela não acordou nunca mais.

Mamãe me chamava para beber alguma coisa. Eu não respondi. Não queria olhar para os olhos dela e perceber aquele olhar de acusação que todos me davam desde que ela dormiu. Apenas peguei a garrafinha estendida e continuei olhando para fora da janela.

Era um dia escuro. Chovia forte e o carro não andava. Muito trânsito, disse meu pai. Dei de ombros encostando a cabeça no vidro. Estava frio também. Não que nunca estivesse, porque Chicago é a cidade do vento. Porém hoje parecia ainda mais frio.

Foi quando a vi. Fugindo das gotas da marquise de uma loja. Logo ali depois dos carros parados, uma menininha suja e magra segurava uma caixa enquanto tremia do frio e olhava para o trânsito. Fiquei olhando para a menina, interessei-me pelo seu olhar duvidoso entre o sinal verde e os carros parados. Ela decidiu se mexer quando o sinal ficou amarelo e nenhum carro se moveu.

Aquela garotinha batia nas janelas dos outros carros e oferecia a caixinha. Pensei em todas as razões que uma menina do tamanho de minha irmã poderia vender alguma coisa naquele dia. Até que um dos carros a assustou por causa de uma buzina e ela saiu correndo.

Sem notar o que estava fazendo, tirei meu cinto, agarrei a jaqueta aos meus pés e saí correndo do carro para encontrar aquela criança debaixo da marquise novamente.

—Oi – falei ao me agachar ao seu lado.

Ela olhou para mim com aqueles olhos violetas enormes e chorosos. Tremia de frio.

—Tenho esse casaco que você pode colocar para ficar quentinha – anunciei.

Sem falar nada, ela se aproximou de mim colocando a caixa que carregava ao lado. Estendi a jaqueta por suas costas e abracei-a com cuidado. Gelada. Sim, a menina estava gelada como ela.

—Eu sou Edward, como você se chama?

—Mary – respondeu espremida ao meu corpo.

—Muito prazer, Mary. Por que você está aqui na rua sozinha?

Antes que ela pudesse responder, ouvi a voz alarmada de minha mãe me chamado. Respirei fundo. Ela só conseguia me chamar alarmada ultimamente. Eu já era um rapaz crescido, caramba! Já tinha nove anos completos e uma namorada! Só precisava trabalhar, ganhar bastante dinheiro e comprar um avião para buscar minha Marie em Talheres! Eu nunca me esqueceria daquela cidade! Era um nome muito divertido de pronunciar. Talvez, se eu tivesse dinheiro o suficiente, compraria uma casa lá só para poder dizer aos meus colegas que morava em Talheres. Bom plano!

—Filho, você não pode sair assim do carro! – ralhou mamãe. – E se vem outro carro e te atropela? Como vou viver sem o meu Thony?

—Edward – corrigi num rosnado. – Eu não sou mais o Thony. O Thony morreu!— gritei com raiva. – Não me chame mais de Thony!

Acho que fui muito rude, porque Mary começou a chorar em meus braços.

—Viu, mamãe? – acusei olhando para ela com raiva. – Você fez a Mary chorar! – então olhei para a menina e afaguei seus cabelos. – Não chore, pequena. Eu vou proteger você.

—Quem é sua amiga, meu bem? – perguntou mamãe parecendo perceber a menina só agora.

Revirei os olhos. Certo, eu acabei de falar o nome dela e mamãe parece estar surda.

—Mary – repeti. – Ela está sozinha aqui. E com frio. Posso levá-la para casa?

—Filho, o trânsito está parado – explicou mamãe afagando meus cabelos. – Não acho que o motorista possa desviar o caminho para levar sua amiguinha até sua casa. Mesmo que eu permita.

—Não quero levar para a casa dela— retruquei. – Mamãe, é óbvio que temos que levar ela para casa. Ela precisa de mim!

—Edward, meu filho, ela não é um cachorrinho de rua que você pode pegar e levar. Ela tem pais, não tem, meu bem? – questionou mamãe afagando os cabelos de Mary.

Assentiu com a cabeça um pouquinho, mas agarrou ainda mais minhas roupas. Ela não gostava dos pais. Eu sentia isso. Era minha. Eu precisava cuidar dela. Precisava!

—Não, mamãe! – chorei quando ela tentou me afastar de Mary. – Não me leva para longe dela também! Dela não! Mamãe! Por favor! Por favor, mamãe! Eu quero ficar com ela, mamãe!

Com um suspiro pesado, mamãe parou de tentar. Ela apenas se virou para trás e falou com meu pai. Acho que ele tinha saído do carro depois que ela demorou para voltar. Palavras foram ditas e suspiros pesados foram trocados. Eu não prestei atenção. Mary precisava de mim e eu cumpri meu papel de protetor enquanto abraçava seu corpinho e afagava seu cabelo.

—Acho que ele sente falta de Liz – alguém disse.

—Foram muitas mudanças bruscas em um curto espaço de tempo – respondeu o outro.

—Será que devemos contatar Renée e pedir para trazer Marie por uns dias?

Ninguém vai falar com a minha Marie! – ordenei chamando atenção. – Ela precisa ficar uns dias fora. Ela precisa ficar com o papai dela por um tempo. Deixem ela em paz – pedi chorando.

—Só queremos que você fique bem, meu filho – lembrou-me papai.

—Eu só quero levar a Mary para casa, deixar que ela fique limpinha e quentinha – respondi olhando para ele. – Só quero que ela fique bem, papai. Por favor! Depois... depois a gente encontra os papais dela e dizemos que cuidamos dela para eles. Por favor, papai!

Acabaram por concordar comigo. É claro que concordariam comigo! Eles precisavam sair da chuva e do vento tanto quanto Mary e eu. Fiquei indignado que mamãe não tenha concordado antes, mas ela pediu desculpas enquanto eu conduzia Mary para dentro do carro quentinho.

Foram três dias para encontrar os pais de Mary e quando isso aconteceu, ela se agarrou a mim tremendo de medo e implorou para mamãe não deixar que o senhor Brandon a levasse. Não que eu fosse deixar aquele homem feio, fedido e mal humorado levar a minha bonequinha. Mamãe também não gostou do jeito que ele agarrou o braço da pequena. Papai teve que estender a mão para impedir aquele homem de empurrar minha mãe.

—A fedelha é minha – gritou o senhor Brandon. – E está me devendo mais de cem dólares, essa pequena prostituta!

—Não fale assim dela! – retrucou minha mãe.

Eu não sabia o que prostituta queria dizer, mas pela reação da mamãe, não era bom.

—Isso que vocês estão fazendo é sequestro!

—Você estava explorando uma menor de idade. O quão grave isso deve ser? – intrometeu-se Laurie, minha mais nova babá.

—Quem porra você é para falar sobre a criação da minha filha?

—Olha o vocabulário na frente das crianças, seu imundo! – ralhou mamãe, muito brava. – Filho, leve nossa pequena para cima. Vocês precisam arrumar os brinquedos antes de ir.

—Não, mamãe! – pedi já começando a chorar. – A gente não pode deixar ela ir com esse cara! Ele é mau! Ele vai fazer mal a ela! Consegue ver isso?

Mamãe sorriu para mim, afagou meus cabelos e os de Mary, deu um beijinho em cada uma de nossas cabeças, abaixou-se e olhou em meus olhos enquanto acariciava o rosto da menina.

—Eu não vou deixar ninguém levar ela para aquela vida horrível, meu bebê – prometeu. – Se esse senhor puder garantir que nossa pequena Mary Alice vai ser tratada melhor, escolarizada e fazer visitas, então ela poderá ir. Se isso tudo não for possível, ela ficará aqui até que tudo seja providenciado. Podemos combinar assim?

—Promete, tia? – perguntou Mary.

—Eu prometo, meu amor. Agora, vão lá arrumar os brinquedos.

Nós subimos as escadas, mas não fomos para muito além de onde pudéssemos ver a briga sem sermos notados. Mary não parava de tremer enquanto escutava aquele senhor que se dizia ser pai dela. Então me sentei no chão e fiz com que se sentasse comigo. Abracei-a com força e deixei que os adultos resolvessem aquilo.

Eu não estava deixando minha menininha de olhos violetas de volta nas ruas. Falei isso para papai e mamãe de noite, depois que ela dormiu. Falei para Lizzie também. Ela me garantiu que Alice seria uma melhor amiga para não me deixar sozinho. Papai e mamãe disseram que fariam de Mary uma irmãzinha se aquele senhor não se importasse. Eu pedi ao Papai do Céu que deixasse ela ser minha irmãzinha. Uma irmãzinha de verdade.

[...]

Depois daquele dia, Alice deixou de usar seu primeiro nome. De acordo com ela mesma, Mary era o nome da garotinha que fora espancada pelo pai e maltratada por gente gananciosa nas ruas de Chicago. Ela era uma mulher mais forte e renascida nos braços dos Cullen.

Precisamos pagar ao senhor Brandon até a baixinha fazer 18 anos. Então ela bateu o pé, bateu na cara dele e fez todo mundo jurar que não daria mais nenhum centavo para o homem. De vez em quando, ainda somos abordados na rua por ele, mas Carlisle o fez assinar um termo de confidencialidade e desapego de responsabilidade quando Alice era criança.

Quando a empresa realmente começou a crescer, Alice já era oficialmente uma Cullen e ninguém diria o contrário. Não deixamos nenhum rastro para que alguém pudesse questionar seu direito à herança. Ela era minha pequena, minha bonequinha. Eu não deixaria a menina na miséria.

A segunda-feira foi bastante cheia de choros e gritos de horror em minha sala. Reuni todos os líderes de setor e mostrei algumas das imagens de Isabella. Olhei nos olhos de cada um e pedi para que conversassem com seus colaboradores em busca de paz. Falei que ninguém em minha casa tem dormido direito e que eu não estava com cabeça para sair com ninguém – essa última parte, acabei direcionando firmemente para Tanya. Fiz questão de ouvir todas as perguntas e responder algumas em particular. Com as condolências dos homens e porte culpado das loucas que me abordaram na semana passada, deixei a Ocean assim que os gritos de Isabella ecoaram do meu laptop pessoal.

Nada de muito emocionante aconteceu. As investigações estavam cada vez mais lentas. Os policiais acreditavam que, a partir do momento que as ameaças não eram de morte, Bella estava segura. Bufei de incredulidade, ordenei que Randall se apressasse e desliguei o telefone na cara dele.

Estava cansado, dolorido, tremendo de raiva. Os sequestradores não deixavam a menina dormir em paz e eu consequentemente ficava com ela. Bella era minha funcionária, companheira de trabalho, confidente e quase uma irmã. Eu não poderia deixá-la sozinha. Aquela luz não apagaria!

E então, na quarta-feira, o que eu temia aconteceu: As roupas foram arrancadas do seu pequeno corpo com brutalidade e ela foi estirada e presa à mesa novamente. Ouvi a voz do homem, mas não consegui discernir as palavras. Estava absorto na oração de que nada aconteceria com ela. Mesmo que presenciasse a cena ao vivo. Os soluços dela de desespero me alcançaram e lágrimas se acumularam em meus olhos.

—Como é gostosa, essa princesa! – escutei o homem dizer e alguns sons de roupa sendo tirada. – Olha, princesa, vê o que seu corpo de puta fez com minha sanidade... Agora seu Edward vai ver a putinha dele sendo comida por um homem de verdade.

E vi o homem se aproximar dela sem as calças.

—Não vai desviar os olhos agora, hein, Edward? – ele não se virou enquanto falava. – Vamos ver se a putinha sabe gemer gostoso.

Minha bile subiu para a garganta junto com o corpo dele para cima da mesa. Bella se debateu e lhe foi desferido um tapa no rosto manchado pelas lágrimas. Assim que o homem se agachou para o corpo dela, não consegui aguentar o vômito. Corri para a privada e coloquei tudo o que estive comendo naquele dia para fora.

Os gritos que ecoavam do computador chamaram pelo meu nome.

—Não! – Bella clamava. – Não, por favor! Não faça isso! Edward! Socorro! Edward, por favor! Não! Não me toque! Saia! Socorro! Edward!

Corri para o quarto novamente, apenas para ver o crápula – com uma máscara que tampava a metade de cima do rosto – de quatro em cima dela. As lágrimas escorreram e me cegaram.

Não consegui ficar olhando, nem mesmo ouvindo aqueles gritos dela. Se o homem falou algo, também não escutei, porque puxei o travesseiro para cima da cabeça e chorei. Meu peito doía a cada grito abafado dela, minha cabeça parecia explodir, estava difícil de respirar e os ouvidos não escutavam nada além dos gritos de Isabella.

Até que o volume de sua voz foi abaixando e se transformou apenas em um soluçar estrangulado. Criei coragem para olhar a tela e percebi que o homem havia saído de visão. Os olhos encharcados dela fitavam-me quase sem piscar. Eu duvidava que ela tinha notado a câmera ali, parecia distante, sem perceber o que via.

—Putinha gostosa – ouvi o homem falar. – Seu Edward teve medo de te transformar em mulher de verdade? Ou não achou que você valia a pena? Virgem, acredita, irmã?

—Tem certeza, Demetri? – aquela voz parecia familiar, mas eu estava perturbado demais para me lembrar de quem era. – Edward está há muito tempo andando só com ela. Não nos procura. Jurava que já tinha tomado essa daí.

—Certeza absoluta, irmãzinha. O estrago nessa princesa vai ser tremendo. Edward vai voltar correndo para você e suas amigas – a voz foi se afastando com sons de passos.

Bella fechou os olhos com força. Murmurou algo inteligível e ficou assim até o corpo relaxar e ela adormecer.

Minha raiva passou todos os limites quando acordei. Sentia-me revigorado, pronto para a guerra. Se esse tal de Demetri ousava colocar as mãos imundas na Bella, então ele merecia qualquer castigo que fosse, até a morte, se eu pudesse lhe oferecer.

As primeiras coisas que fiz foram ligar à polícia e ao meu detetive. Usei de toda a persuasão que tinha para que aqueles incompetentes trabalhassem mais duro no caso. Fui até a delegacia. Ameacei de entregar os vídeos à imprensa para a polícia e demitir meu detetive. Mandei todos à merda quando me pediram calma e só não fui preso porque um policial de mais idade impediu os colegas, porque “qualquer um ficaria nesse estado se testemunhasse um crime desses com alguém da família”. Ele me aconselhou a ligar para meu advogado, mas não vi necessidade.

Quando saí do local, um mar de repórteres estava me esperando. Não respondi nada, apenas abaixei a cabeça, corri até o carro e ameacei arrancar em cima de quem estava no caminho. Foda-se o que vão publicar nessa merda! Muita gente depende da Ocean para viver e alguns escândalos diferentes fazem uma melhor propaganda. Que minha mãe não escute esse tipo de pensamento meu!

Liguei para Rosalie do carro. Pedi para que adiasse toda a minha agenda para a semana seguinte. Se os imbecis na polícia não estavam fazendo o papel deles, eu faria.

—Você tem certeza de que precisa de mais uma semana longe daqui? – a loira estava calma.

—Porra, tenho! – grunhi batendo com as mãos no volante. – Preciso encontrar esses desgraçados antes que repitam aquilo!

—Edward, tente se acalmar – pediu do outro lado do telefone.

—Onde estão seus escrúpulos da porra, Rosalie?! – gritei. – Você me pede calma depois que a Isabella foi estuprada? Me pede calma depois do que eu vi? Eu vi! Eu vi essa porra, Rosalie!

—Eu sei, caralho! – retrucou tão alto quanto eu. – Eu sei! Emmett está vendo as imagens agora mesmo. Ele quer acabar com esse tal de Demetri. Que porra! Acha que quero minha amiga nas mãos imundas daqueles nojentos? Ela é minha amiga, porra! Você sabe o quanto me custou ter amigos? Bella é minha primeira amiga de fora da família!

Respirei fundo e encostei o carro.

—Sinto muito – murmurei.

Era verdade. Desde que conheço por gente, Rose sempre foi mais rechonchuda. Não era uma criança considerada obesa, mas também não era nada parecida com os palitos de dente que frequentavam sua escola. Sempre que passávamos por alguma agência de modelo, quem estivesse panfletando, reclamava que a menina era muito bonita, só precisava perder peso.

Por anos a fio fui o protetor da minha prima e da minha irmã. Contudo, alguém sempre acabava passando por mim. E então eu desenvolvi músculos. Entrei para a equipe de jiu-jitsu, comecei a frequentar academias e a andar com um estilingue. Ninguém mais mexeu com as minhas meninas... até que essas cartas começaram.

Para falar a verdade, Ocean foi feita especialmente para nossas meninas. Carlisle começou a ideia assim que Marie apareceu em nossa porta. A menina era tão pequena e fofa! Não que eu me lembre, mas tenho fotos guardadas. Era extremamente difícil encontrar algo que minha Marie não tirasse de seu corpinho, então papai pediu para minha avó costurar uma de minhas camisetas que não serviam mais para fazer a roupa da menina. Acho que Esme ainda tem uma colagem feita que aparece eu, Marie e Lizzie com a mesma camiseta. No caso das meninas, costurado como body.

Depois do trabalho incrível da vovó, Carlisle decidiu que poderia se especializar em alguma área têxtil para melhorar as roupas infantis que circulavam a cidade. Não foram anos difíceis porque o homem sempre foi um ótimo investidor e já recebia lucros de algum lugar. Nunca questionei. Acabei me interessando na área administrativa quando percebi que precisaria de dinheiro. Aos oito anos, é claro, depois de prometer me casar com a minha Marie. Os problemas de Rose com roupas só acentuaram os investimentos de nossos pais na Ocean.

Não percebi que deixara Rosalie falando sozinha até que ela desligou o telefone.

Voltei para meu martírio pessoal, mais conhecido como quarto, e procurei qualquer coisa que pudesse relacionar o nome Demetri ao sequestro. Não sei o que procurava, mas digitava freneticamente em sites de busca e em sites criminais.

Se ninguém estava fazendo nada, eu faria! Isabella não merecia ser tratada assim e não era hora de ficar parado.

Enquanto digitava, lembranças do acontecimento mais recente faziam minha bile voltar a subir. Ignorei as ligações em meu telefone. Provavelmente era Esme querendo saber se me alimentei. Bem, eu não lembrava da resposta, então não fazia sentido atender. Até porque, se atendesse, ela faria de tudo para que eu comesse... e, no momento, nada passava pela garganta.

—Edward – chorou a voz de Bella do laptop.

Virei o corpo todo apenas para ver seu belo rosto manchado de lágrimas, suas roupas amassadas e seus olhos na câmera. A respiração entrecortada fazia com que parecesse mais frágil.

—Edward – repetiu ela. – Encontre-o! Por favor! Encontre-o e me salve! Esses monstros... esses monstros fizeram minha promessa se quebrar. Eu preciso... preciso falar com ele! Preciso do Thony... por favor, Edward!

Afaguei a tela onde o contorno de seu rosto se mostrava.

—Ele saberá – prometi. – E eu vou encontrar esses bastardos. Vou caçá-los e mandar todos para o inferno, Swan. Você ficará bem.

—Eu ficarei bem, Edward – choramingou para a câmera. – Mas você? Eu sinto muito pelo que estão fazendo com você. Sinto muito que tenha que ver essas coisas. Demetri... Demetri disse que você não sai de perto do computador e que você está um caos. Ah, Edward, eu sinto tanto!

Não conseguimos dormir direito mais uma vez. Embora tenham arranhado Isabella e passado a língua por seu rosto e pescoço, não a tocaram intimamente. O que agradeci em silêncio.

O dia que se seguiu foi cheio das mais absurdas revelações.

Primeiro porque Alice pediu urgência na assinatura de alguma documentação. Então, não cheguei a dar dois passos para a recepção da minha sala antes de ouvir os gritos e xingamentos de Rosalie e mais cinco funcionárias.

—Suas putas! – acusava Rose. – Ela nunca fez nada para vocês, cretinas do caralho! Invejosas!

Acionei os seguranças antes mesmo de entrar e ver minha prima tentando se afastar de Anna para ferir Tanya, Jessica e Lauren. Renata e Katrina seguravam as outras. Era uma grande festa de boca suja.

—Que porra está acontecendo aqui? – questionei aos berros.

O silêncio reinou por um instante. Até que Rosalie foi conduzida pela colega até sua mesa enquanto as outras meninas vieram chorar para cima de mim.

—Oh, Edward! Ela é tão...

—Edward, que bom que voltou...

—Eu soube que a polícia...

—Ah, Edward...

—Chega! – ordenei batendo o pé no chão. – Se afastem! Todas para a sala de reuniões. Rose?

Uma respiração profunda. Olhos fechados enquanto tentava se conter. Outra respiração.

—Fique aqui, Rosalie – instruí, percebendo que seria difícil para ela. – Depois que todas saírem, quero você na minha sala. Até lá, desça ao RH e peça para minha irmã os documentos que me obrigaram a vir.

Ela assentiu uma vez com a cabeça e eu gesticulei para as meninas entrarem. Inclusive Anna.

—Senhorita Denali, explique qual a razão dos ataques contra minha prima no ambiente de trabalho dela – pedi enquanto me sentava.

—Ela nos atacou verbalmente primeiro, Edward – choramingou a loira.

Respirei fundo, coloquei o laptop com a imagem de Isabella em cima da mesa e não desviei os olhos da figura pequena.

—Minha prima é minha secretária – instei calmamente. – Qualquer um que causar atrito no ambiente de trabalho dela estará automaticamente fazendo de meu escritório uma espécie de Coliseu. Como o dono da coisa toda, acho que tenho o direito de decidir quem vence a rixa. Estou tentado a mandar todas vocês para a rua. Todavia, deixarei que me expliquem o que ocorreu. Anna?

—A senhorita Hale descobriu que essas senhoras enviaram cartas ameaçando a senhorita Bella pouco tempo antes do sequestro, senhor.

—O QUÊ?! – vociferei batendo com os punhos na mesa e fuzilando os olhos delas. – Tanya, diga-me que não tem nada a ver com o sequestro e o estupro da Bella. Diga!

—E... es... tu... estupro? – gaguejou a loira assustada.

—FORA DAQUI! TODAS VOCÊS ESTÃO DEMITIDAS! DEMITIDAS! – ordenei. – Eu acreditei em vocês, suas imbecis! Mais uma coisa: eu vou foder a vida de vocês mais forte do que fiz esse tempo todo de lista! E se eu souber que mais alguém está por trás disso, eu juro. EU JURO, TANYA! Vocês vão ver a porra do inferno nessa Terra! SUMAM DAQUI!

De cabeça baixa, uma a uma, saíram vagarosamente da sala. Não prestei atenção. Minha cabeça latejava forte e minha garganta doía. Fechei os olhos e deixei que a respiração entrecortada, mas constante, de Isabella ditasse a minha.

Quando percebi que estava sozinho, voltei para a recepção, olhei nos olhos de Rosalie e assenti com a cabeça. Eu estava pronto para retomar o trabalho por um momento. Entrei em minha sala e olhei para a papelada em cima da mesa. Certo, talvez eu não estivesse realmente pronto para trabalhar. Deixei tudo de lado e apenas apreciei o silêncio até os saltos de Rose passarem pela porta.

—Anna não estava no esquema – murmurou a loira.

—Não demiti ela – soltei com indiferença. – Minhas próprias funcionárias. Inacreditável!

—Tenho certeza de que não foram as responsáveis pelo rapto, mas ainda assim...

—Como você descobriu? – perguntei olhando em seus olhos.

Rose deu de ombros e entregou-me a caneta mais próxima para assinar os documentos que colocara à minha frente. Andando até o filtro, serviu dois copos de água.

—Emmett estava revisando os vídeos da segurança e percebeu uma constante. Eu peitei a Jessica e tudo saiu como ar de uma bexiga estourada – reconheceu sorvendo a água.

—Preciso de aspirinas – reclamei enquanto bebia em meu copo.

Sem outras palavras, minha secretária habilidosa voltou para sua mesa e procurou por algo nas gavetas. Antes de encontrar, no entanto, o telefone tocou e ela passou a ligação.

—Edward Cullen – anunciei.

—Senhor Cullen – disse Randall. – Descobrimos quem é o tal Demetri do vídeo e o senhor não vai gostar do que estou prestes a lhe dizer. Encontre-me em sua casa, por favor. Creio que vai precisar de calmantes e estar longe dos repórteres.

Notas finais
Sobreviveram? Eu só chorei um total de 90% do capítulo inteiro escrevendo, então, contem-me o que acharam!