Ocean Motion

6 Capítulo 5 - Conversas


Notas iniciais
Demorei, me perdoem! Só percebi que estava tanto tempo sem atualizar quando vi que o último comentário estava há praticamente um mês respondido!

Conversas

O domingo chegou e, como prometido para Alice, fui fazer uma visitinha para meus tios postiços. Acontece que meu amado chefe teve a mesma ideia brilhante. Chegamos praticamente ao mesmo tempo na varanda, quando eu estava prestes a tocar a campainha, ele abre a porta e grita, já entrando apressado:

—Família?! Cheguei!

Já que não fazia sentido esperar do lado de fora, fui andando atrás, mais calmamente, envergonhada. Não seria nada elegante se os pais de Alice pensassem ainda mais que temos um caso. Sim, tia Esme pensa que Edward e eu nos amamos! Pode isso?! É maluquice da cabeça dela, coitadinha, mas não adiantava argumentar. Alice havia puxado todo o lado teimoso da mãe.

Quando apareci na porta da sala, Edward abraçava Alice com tanta força que parecia que ia quebrar a baixinha. Ele não percebeu minha presença, mas minha amiga se debateu toda até ele soltá-la para poder vir correndo e me dar um abraço tão forte quanto o do irmão.

—Nossa! Quanta saudade! — murmurei comigo mesma. Tínhamos visto-nos na sexta.

Ela gargalhou e puxou-me pela mão, enquanto ia até seu pai, saltitando com um sorriso de orelha a orelha. Abracei os dois Cullen mais velhos e olhei para baixo, percebendo que estava de frente para Edward novamente.

Alice me rebocou para seu quarto, para contar novidades sobre as coisas dela, como roupas e sapatos adquiridos, novos amores, novos livros...

—Oh, amiga, ele é tão prestativo! — ela suspirou.

—Ele é seu primo, Alice!

—Mas eu gosto dele, Bella! Ele é tudo o que eu pediria num homem! Ele é civilizado, carinhoso, paciente, cavalheiro... ele me escuta falar durante horas, sem me interromper nenhuma vez! Cara, quem faz isso por mim?! Nem você!

—Claro, você se repete várias e várias vezes! — retruquei.

—Ele abriu a porta do carro para mim, carregou minhas sacolas e as de Rosalie! Ele é um sonho, Bella! E ele sempre foi tão meigo! Desde adolescente!

—Continua sendo seu primo, Alice!

—Mas é o Jasper, caramba! Nenhum primo é igual ao Jasper! Ele é tão especial, tão lindo, tão... — ela olhava para o teto, sonhadora.

—Tão seu primo! – terminei da mesma forma afetada que a baixinha falava.

—Ai, Bella, algo contra? — franziu o cenho ao me fitar.

—Exceto a parte de vocês terem o mesmo sangue, os mesmos avós e os mesmos parentes, não.

Ela baixou os olhos para as mãos pousadas em suas pernas, sua expressão infeliz fez-me sentir a pior pessoa da face terrestre. Então lembrei-me que isso era apenas um conceito pré-estabelecido pela sociedade atual e que centenas de anos atrás isso era comum. Era uma loucura? Era. Eu aprovava? Não. Ela estava pedindo minha aprovação, de qualquer jeito? Claro que não! Então, por que eu tinha que me meter? Não tinha.

—Ok, Alice, eu apoio essa sua ideia doida de se apaixonar pelo próprio primo – suspirei. – Mas se alguém perguntar, eu acho uma loucura!

Ela olhou-me como querendo fazer uma pequena observação, chegou a abrir a boca e levantar o indicador, mas mudou de ideia. Seus olhos agora tinham aquele brilho feliz de toda pessoa apaixonada. Ela agarrou-me pelos ombros e me apertou contra si em um abraço de quebrar minha estrutura óssea. E deu-me beijos. Minha bochecha chegou a ficar um pouco babada de tantos beijos depositados ali.

—Mas, então – continuou depois de me largar. – Que história é essa de que meu irmão está gostando de alguém?

Soltei um suspiro. É, pelo visto, esse assunto parecia mais emocionante do que a bomba Jasper.

—Allie, você sabe que seu irmão pega qualquer coisa com buracos, não sabe?

Seu olhar de expectativa estava se transformando em irritado.

—Desembucha, Isabella!

—Ele chegou no setor esses dias perguntando sobre minha presença num jantar de negócios e eu falei para ele convidar alguém que realmente merecesse ficar ao seu lado nesses eventos. Alguém que não fizesse rodízio entre outros. Qual não foi minha surpresa quando seu irmão veio com o papo de ter encontrado a tal garota e ela ter dado um fora nele?

Alice riu.

—Já parou para pensar que essa garota pode ser você, amiga?

—O quê? – guinchei. – Até parece, Allie! Seu irmão só olha para o meu rostinho lindo quando está a fim de dar alguns esporros e soltar umas injúrias!

Enquanto eu falava, minha amiga apenas ria e rolava na cama, se divertindo. Joguei uma almofada nela para que deixasse de ser palhaça.

Ficamos conversando até que a fome bateu em Alice e a corrida até a cozinha se iniciou. Quão divertido foi assustar Emmett que estava roubando alguns biscoitos! Assim que chegamos na porta da cozinha, ouvimos os barulhos suspeitos. Minha amiga pediu silêncio e murmurou algo como “dar um susto no irmão para ver a cara dele”. Aconteceu que não era o irmão quem mexia na cozinha, mas o namorado da prima e o jovem rapaz quase deixou o pote cair na bancada de mármore.

Emmett é um homem alto, cabelos castanho-escuros e olhos que lembravam mel. Seus mais de cem quilos estão muito bem distribuídos no porte musculoso de quase 2 metros de altura. Sendo chefe de segurança da empresa contratada pela Ocean, teve muito tempo para cortejar a minha amiga loira. O homem, embora fosse bastante alto e musculoso, quando não estava em serviço, vivia com um sorriso no rosto e fazia piadinhas com as coisas mais banais possíveis. De acordo com Rosalie, pelo menos era competente no que precisava ser e respeitava suas manias e exigências como nenhum outro.

—Puta que pariu, filhote de capeta! – soltou o grandalhão segurando o pote de biscoitos contra o peito. – Acabei de perder uma das sete vidas!

Eu ri.

—Não sabia que armário também tinha vidas – a baixinha deu de ombros. – O que está fazendo na minha casa comendo da minha comida?

Com essas palavras, Alice já se esticava toda para puxar o vidro das mãos do rapaz. Pote este que era erguido mais e mais alto para que a moça não alcançasse. Decidi entrar na briga e me pendurar no braço estendido de Emmett enquanto ria e incentivava Alice a arrancar os biscoitos das mãos dele.

—Que bagunça é essa na minha cozinha? – a voz de tia Esme ecoou no ambiente.

Todos congelamos.

A matriarca da família estava com os braços na cintura, olhando firmemente para nossa pequena cena e sua face não parecia condescendente. O primeiro a se recompor foi o grandalhão que abaixou os braços e colocou os biscoitos em cima da bancada da pia. Com esses movimentos, tanto eu quanto Alice quase caímos no chão; eu de cara e Alie de bunda.

—Ti-tia Esme! – gaguejou o grandalhão, fingindo contentamento. – Que sa-saudades da se-sen-nhora! Vim procurá-la aqui na cozinha, mas não te achei!

—E decidiu que, já que não me encontrou, poderia comer meus doces? – a senhora estreitou os olhos. – Você não me engana, mocinho. E as duas... qual a desculpa?

—Ele estava roubando minha comida – resmungou Alice, cruzando os braços.

—Só quis ajudar – arrisquei levantando as mãos.

A mãe apenas retorceu os lábios e apontou para a sala. Aproveitando que saíamos do caminho, ela chegou ao pote de biscoitos e retirou um para si e colocou o restante debaixo do braço.

—Então, Bellinha – a voz de trovão de Emmett cortou o clima tenso. – Já marcou a data do casamento com o Eddie-badie?

—Eu serei a madrinha! – gritou Alice, entrando na brincadeira.

—Qual é, baixinha! Todos sabem que eu e a minha Rosie seremos o casal do casal! Eu como best man e ela como dama de honra.

—Já sim – respondi pegando todos de surpresa. – Estávamos pensando que, como vocês estão há mais tempo nessa linha, vamos esperar para que se casem primeiro. Edward não comentou com ninguém?

—Comentei o quê? – a assombração apareceu por trás de nós, andando até a mãe e pegando um biscoito.

—O casamento de vocês dois – comentou casualmente Esme.

Edward se engasgou e foi o suficiente para que todos caíssem na gargalhada. A desculpa perfeita para que ele saísse do cômodo foi seu pai o chamando no escritório. O coitado ainda estava vermelho da crise de tosse que lhe ocorreu por causa da brincadeira.

—Como vocês conseguem imaginar minha pessoa com essa adorável criatura saída do inferno? – questionei gesticulando para a porta que Edward saiu. – Sem ofensas, tia.

—Bella, você é a pessoa perfeita para o meu irmão! É importante para ele.

Revirei os olhos. Alice tinha essa mania de supor coisas estranhas. A pior parte, era que a baixinha não se contentava em ser a única e acabou convencendo toda a família dela que a ideia era ótima.

—Importante – debochei. – Meu amor, não que eu tenha reclamado, ou sentido falta, mas o seu irmão não estava tão contente ontem de ter sido obrigado a trabalhar, sabia?

Três pares de olhos se arregalaram como se estivessem me olhando pela primeira vez. As bocas se abriram, mas só Esme realmente soltou algumas palavras.

—Você o obrigou a trabalhar no sábado? Você obrigou o Edward a ir para a empresa em pleno sábado? Como foi que isso aconteceu?

Então me vi explicando todo o dia anterior; toda aquela bagunça do Edward sendo rejeitado por uma mulher, ele vindo chorar no meu apartamento, sendo o imbecil que sempre foi... até que chegou na parte sobre o instituto e me obriguei a encerrar:

—A única parte que deu para salvar de ontem foi a comida da Starbucks.

—Ele te levou para comer em uma Starbucks? – Emmett guinchou.

—Você é importante, Bella – a mãe de minha amiga pousou a mão em meu ombro. – Para Edward levar alguém para fazer alguma refeição, a pessoa é importante.

Não discuti. Não valia a pena o esforço. Apenas sorri para tia Esme e peguei alguns biscoitos do pote que ela esqueceu debaixo do braço. Depois desse meu movimento, foi declarada a hora do café e todos fomos para a mesa de jantar.

Horas depois, Edward se ofereceu para me dar uma carona. Tentei recusar, mas o bruto segurou meu pulso e saiu puxando. O murmurinho das damas Cullen não passou despercebido e acredito que fora o que realmente o fez me soltar com um “perdão” à meia voz.

—Aceite a carona como pedido de desculpas por ontem pela manhã – pediu ao fitar meus olhos com certa intensidade. – Precisamos conversar.

Bufei alto enquanto Carlisle e Emmett aderiam ao coro de suspiros sugestivos. Como não vi outra escolha a não ser segui-lo, fingi que aquela família não existia mais. Até porque, Edward lhes apontou o dedo médio e todos caíram na gargalhada.

—O que está te incomodando? – perguntei assim que o carro começou a sair da propriedade da família.

Edward soltou uma expiração profunda. Sua face era sombria e eu tinha certeza de que não gostaria do que estava prestes a ouvir.

—Isabella, preciso que me faça um favor.

Bem, isso não era tão ruim quanto pensei. Era um favor, então eu poderia recusar, se fosse algo absurdo. Poderia cobrar uma troca, se fosse incômodo... tantas coisas passaram por minha mente enquanto esperava o jovem continuar! Infelizmente, parecia que o assunto realmente estava lhe revoltando.

—Sobre o que seria? – instiguei, já perdendo a paciência.

—Bem... – começou e deu um riso fraco, balançando a cabeça. – Esqueça, você vai rir do quão retardado isso parece.

Revirei os olhos e esperei que Edward continuasse.

O silêncio se estendeu até o prédio que morávamos e isso me revoltou um pouco. Qual é, ele me puxou para fora da casa da minha amiga para “compartilhar informação” e não falou nada? Não é assim que a banda toca, garoto!

—Edward? – chamei quando estávamos no elevador.

Seu olhar parecia fugir de mim. O semblante culpado se fez presente quando esperei que ele me fitasse e erguesse uma sobrancelha.

—Cuspa isso logo – ordenei. – Você está me irritando.

—Lembre-se de que foi você quem pediu por isso – apontou. – Preciso que saia com alguns colegas de Emmett.

O riso saiu de mim sem que pudesse controlá-lo. Realmente, era muito absurdo e sem propósito. Quer dizer, o que eu tinha a ver com os colegas de Emmett. Pior, o que Edward tinha a ver com os colegas de Emmett?

—Porra, Swan! – reclamou passando os dedos pelos cabelos. – Foi você quem pediu para que eu falasse! Pare de rir, sua imbecil!

Eu tentei. Respirei fundo algumas vezes antes de segui-lo pelo corredor e parar em frente às nossas portas. O sorriso ainda brincava em minha face, mas me controlei o suficiente para esperar pela explicação de tal proposta.

—Certo, por quê?

—Só preciso que saia algumas vezes com alguns homens, é difícil para você?

—Isso não me responde, Cullen.

—São apenas encontros, Swan. Não é tão horrível – ele deu de ombros. – Saídas para parques e jantares em alguns restaurantes. Se rolar mão boba, você pode esbofetear suas faces... ou aproveitar, já que faz tempo que não vejo ninguém subir para lhe fazer companhia – com isso, o sorriso malicioso apareceu.

Revirei os olhos, já não sentia vontade de rir do absurdo. Esse absurdo era pior.

—Virou casamenteiro, Edward? Está cuidando muito da minha vida amorosa, não acha? Esse não era o papel da sua mãe e da Alice? Ou está tentando evitar nosso casamento já cuidadosamente planejado pelas duas?

Ele balançou a cabeça, revirando os olhos e rindo. Encostou-se à porta.

—Como se eu fosse querer me casar com alguém tão implicante como você! Não faça caso, Isabella! Estou tentando fazer com que você tire o atraso. Parece precisar transar urgentemente e estou arranjando encontros com pessoas bem-dotadas.

Minha sobrancelha ergueu e minha boca se abriu.

—Experiência própria, Cullen?

—Jesus, Isabella! Fala sério! Eu tenho a mulher que quiser na porra de um rodízio se precisar foder alguém... até parece que tenho vocação para dar o cu!

—Cada um com suas preferências! – ergui as mãos, recuando até minha porta. Então percebi que ele não falara a razão de ter me arrastado da mansão. – Não acredito que me tirou da casa da sua mãe para me dizer que gosta de homens, Edward! Eu poderia ter ficado lá, sinceramente! Não tenho nada a ver com a sua opção sexual!

—Está bem! – gritou com raiva. – Você venceu, porra! O que quero é que leve algum segurança com você quando sair com Alice. Para protegê-la, é claro.

Pouco caso. Essa foi minha expressão facial depois do ataque dele. Alice odeia seguranças a seguindo para qualquer lugar. Ela atacou alguns com os sapatos algum dia desses. Na verdade, era coisa de família, já que Esme e Rosalie fizeram a mesma coisa quando perceberam que estavam sendo seguidas.

—Por quê? – indaguei indiferente. – Não vou arriscar minha vida para manter sua irmã protegida contra a vontade dela. Sabe que Alice...

—Sei! – exasperou-se. – Eu já sei que ela atacou meus seguranças no shopping outro dia. Ela e minha mãe são teimosas demais. Se não fossem essas malditas cartas, nem envolveria você nessa roubada, mas é minha última opção e eu estou realmente preocupado com essa merda!

—Cartas? – realcei.

Edward bufou, passou a mão pelos cabelos, segurou a maçaneta de sua porta e me deu as costas, destrancando a passagem para seu apartamento.

—Esqueça, eu darei um jeito nessa merda toda.

Não pensei muito antes de segurar sua maçaneta e impedi-lo de entrar.

—Que cartas?

—Não importa, Swan, tenha um bom descanso e me desculpe por ter arrastado você da casa da minha mãe – fez pouco caso, empurrando-me um pouco com o tronco para poder abrir a porta. – Boa noite.

—Edward. Que. Cartas? – repeti, parando na porta, impedindo-o de fechá-la.

Um suspiro saiu dele enquanto dava-me espaço para entrar mais. Fez um gesto com a mão para que o seguisse até seu quarto, mas só entrei mesmo depois que ele pegou um maço de envelopes dentro de sua mesinha de cabeceira. Edward esperou que eu me sentasse em sua cama para entregar-me um dos envelopes.

—Um dos primeiros – explicou enquanto me via pegar a carta.

—Isso parece ter sido escrito por uma criança de sete anos, Cullen – banalizei enquanto lia o conteúdo impresso na folha. – Você não pode estar preocupado com uma pessoa que não sabe escrever nem “você vai pagar” sem usar vírgula!

—Certo -bufou e abriu outro envelope. – Escuta esse. Olá, Cullen, aqui estamos de novo e você parece estar levando tudo numa grande brincadeira. Deveria levar as coisas mais a sério, afinal, não vai conseguir protegê-la para sempre. Eu soube do que aconteceu com seus macacos. Aparentemente, suas meninas possuem boa pontaria e bastante fúria. Estou ansioso para provar desse fogo. Podia ter deixado tudo isso de lado, mas você não parece concordar com meus termos. O que é uma pena para você, já que sou eu quem dita as regras aqui. Não é divertido? Brincar com os outros? Aqui estou me perguntando se ela é assim quente na cama. Logo saberemos, não é? Porque você acha que está no controle da situação e acaba sendo conivente com minhas vontades. Vejo você em breve e então não poderá culpar ninguém por sua imprudência. Por favor, mande um beijo meu para ela. Na boceta. Estou louco para provar.

—Eca – falei enquanto estremecia. – Nojento.

Um sorrisinho brincou em seus lábios antes dele balançar a cabeça e franzir o cenho. Depois de guardar as cartas novamente dentro da gaveta ao lado da cama, virou-se para me fitar erguendo uma sobrancelha.

—Ainda acha que não preciso me preocupar com a segurança de Alice?

—Não sei, Cullen – dei de ombros, brincando com meus dedos apoiados em meus joelhos. – Em nenhum momento, essa pessoa falou que estava atrás de Alice. Esme e Rosalie também deram um mau tempo para os seguranças.

O suspiro saiu pesado dele e suas mãos esfregaram os fios acobreados.

—E você acha que eu não sei? – exasperou-se. – Já conversei com meu pai e Emmett. Claro que você achou que o namorado da minha prima faria uma visita sozinho à casa da minha mãe. Sem Rosalie? Num domingo... sem Rosalie? Ele deve ter falado alguma mentira para que ela o deixasse sair da cama. Contudo, você achou que Emmett estava apenas visitando – revirou seus olhos mais uma vez. – Ingenuidade é seu nome do meio ou o seu sobrenome, Swan?

—Foda-se, Edward – dei-lhe um soco no braço. – Você pediu minha ajuda.

—E você negou.

Bufei novamente. Essa conversa não estava levando a nenhum ponto, então, ignorei as implicâncias de meu chefe para vasculhar seu quarto com os olhos. Era tão sem graça quanto a sala. Sem fotos, sem muitos adereços que denotassem personalidade. As paredes cinza-claro tinham contraste com o piso de madeira escura. Uma cama no centro com uma cabeceira acolchoada de um veludo cinza-escuro e roupa de cama branca.

—Apreciando o meu cantinho do amor, Isabella? – a voz soou rouca.

—Você vive em um hotel, não? – retruquei me levantando da cama. – Além do mais, você não traz suas putas para cá, portanto, não é um cantinho do amor. Se fosse, provavelmente, a cama seria redonda e os lençóis azuis, vermelhos ou lilases. Esse quarto precisa de um toque pessoal, você sabe.

Enquanto eu falava, arrumava minha aparência no armário espelhado ao lado da porta. O móvel ia até o teto e as portas de correr tinham espelhos inteiros. Perguntei-me como colocaram aquilo onde estava e senti uma pontada de pêsames pelos montadores.

—É só um quarto – ele deu de ombros. – Não é como se eu morasse aqui dentro. Não preciso de paredes coloridas, porta-retratos ou um monte de penduricalhos.

—Falou o homem que tem uma parede cheia de rosas no escritório de casa – ergui uma sobrancelha e cruzei os braços. – Paredes coloridas, porta-retratos na mesa e penduricalhos nas paredes. Você acha que Ocean é a sua casa, Cullen? Quão deprimente é isso?

—Cala essa boca, Isabella! – reclamou levantando-se da cama também. – Para de se olhar no meu espelho, você não vai ficar mais bonita só porque ele é grande. Isso não é mágico. Seu cabelo parece um ninho. Supere. Vamos terminar a conversa sobre Alice vir me incomodar pela minha suposta namorada lá na sala.

E marchou até o sofá da sala, agarrando meu braço e puxando como se eu não pudesse ir sozinha. Sacudi meu braço e reclamei o caminho todo recebendo apenas um murmúrio de “pare de ser chorona, eu nem estou apertando”.

—Acontece que eu não sou uma criança que precisa ser arrastada para fora de uma loja, Cullen – retruquei assim que chegamos ao cômodo indicado. – E que horas do dia ela lhe importunou sobre você receber um fora épico? Eu fiquei escutando sobre como Jasper é lindo e maravilhoso por todo o dia!

O homem bufou irritado e se sentou.

—Sua amiga é uma fofoqueira, isso sim – resmungou. – Alice espalhou para todos da casa que eu convidei uma mulher para sair e fui rejeitado... duas vezes, já que você já tinha me rejeitado naquele mesmo dia. O que você tem contra mim, Isabella? Sinceramente, falar com Alice, a maior interessada sobre minha vida amorosa, sobre algumas rejeições... eu já fui rejeitado antes, sabia?

—Ah, que pena! – choraminguei. – Eu queria ter visto e gravado para não deixá-lo esquecer nunca mais! Aliás, o que Alice falou de tão ruim?

Com um revirar a mais de olhos, Edward deu de ombros novamente, antes de ir até a cozinha pegar um copo de água para si.

—Disse que eu mereço cada rejeição vinda dela, porque já deixei muita gente sem emprego e iludida pelo caminho. Não é nada mais justo do que eu me apaixonar por alguém que não dá a mínima para mim. Palavras dela. Detalhe: nunca falei que estava apaixonado. Portanto, ou ela está exagerando ou você mentiu.

Mordi o lábio. Lembrava-me vagamente de ter dito algo sobre namoro ontem.

—Swan! – reclamou quando viu minha face. – Ah, não! O que você falou para aquela nanica? Você falou algo sobre ela ser maravilhosa e ter me jogado um balde de água fria, não foi? Você devia ter ficado quieta! Nem conhece a mulher! Nem sabe o que aconteceu! Na verdade, não sei nem porque falei alguma coisa para você!

—Você precisava de um ombro para chorar – sorri tentando amenizar o clima.

—Argh, esqueça – grunhiu. – Tentei falar com ela sobre você saber do instituto, mas fui bombardeado com perguntas sobre minha rejeição. Traduzindo, você não está autorizada a falar nada sobre Moçambique para qualquer alma viva, estamos entendidos?

Soltei o ar com aspereza. Oh, novidade do século! Assenti com a cabeça enquanto fazia meu caminho até a porta da frente.

—Sim, senhor, Lorde Cullen das profundezas do Submundo – zombei. – Vou para minha casa agora, está bem, milorde dono das palavras que saem da minha boca?

—Isso é sério, Isabella – insistiu. – Ninguém pode ficar sabendo desse instituto. Minha família não pode desconfiar que eu fui tão descuidado. Eu conto a eles e eles virão até você sobre isso, não o contrário. Ah, mais uma coisa. O que você dizia sobre minha irmã e meu primo?

Meus ombros caíram. Pelo visto, eu teria que ser a portadora das boas notícias de que o coração de Alice parecia estar entrando em mais uma roubada.

—Talvez você devesse se preparar para mascarar algum escândalo envolvendo os Cullen. Um escândalo que realmente vai fazer suas fugas amorosas serem banais.

Notas finais
Eu sei que esse capítulo tem bastante revirada de olhos, bufos e palavrões... desculpem por isso, vou tentar amenizar um pouco! Gente, se alguém tem estômago sensível, me avisem! Essas ameaças estão ficando sérias! Comentem como acham que o Edward vai reagir ao Alisper! Lembrando que Jasper é irmão gêmeo da Rose e primo da baixinha!