Ocean Eyes.
1 Tão azuis que eu poderia me afogar.

Oliver tinha orgulho de ter se tornado capitão em seu quarto ano, após Charlie Weasley sair de Hogwarts. Mesmo com a procura sem fim por um bom apanhador, o garoto aproveitava os dias para praticar novas táticas, correr com Angelina Johnson no gramado verde do campo ou conversar com os gêmeos sobre como eles poderiam acertar os balaços. Quando voltou para o castelo com a intenção de ter mais um ano tranquilo, soube no trem que isso não aconteceria realmente — Harry Potter estava de volta, o menino que sobreviveu. E seus olhos estariam atentos, sabendo quem era o pai de Potter e qual eram suas habilidades com o Quadribol no passado.
Foi assim que os olhos castanhos de Wood se voltaram para os alunos primeiranistas que entravam no Salão Principal. Quase todos amedrontados ou surpresos, mas ele podia notar um brilho ansioso em lindos olhos azuis, tão azuis e profundos quanto o oceano — ele podia observar. Descobriu o nome dela pouco depois, quando os alunos novos eram chamados.
Hannah Abbott.
E mesmo com todo o pensamento de que seria legal ter alguém com vontade de estar ali e que — por Merlin — corava a cada segundo que passava.
Como nem tudo é como queremos, mas sim como precisamos, a loira com olhos oceânicos e bochechas coradas foi em direção a Lufa-Lufa, sendo recebida com Cedric Diggory e Lynx Black como se já fosse parte da família.
Aquela foi a primeira vez que Oliver a observou por tempo demais, tanto tempo que George e Fred Weasley após azucrinarem o irmão mais novo passaram a murmurar nas costas do capitão como ele estava disperso. Percy Weasley, seu colega de dormitório, concordou com os gêmeos pela primeira vez após muito tempo.
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Durante os horários livres de Oliver entre treinos, ideias de treinos, pré-treinos e até mesmo os estudos, o capitão a observava. E sabia que ela nunca percebia.
Ele achava engraçado como as bochechas dela coravam quando Lynx a levava para a próxima sala e a deixava lá, quando Cedric a buscava. Era como se ela fosse a mais nova mascote deles. Proteger e cuidar. E o capitão sabia que ambos os lufanos já tinham notado sua atenção voltada para a mais nova — então Wood evitava ao máximo estar no mesmo lugar que eles.
— Quem diria que seus olhos teriam outra direção que uma vassoura, Woodinho? — a única descendente dos Black disse com um pequeno sorriso de canto.
O garoto respondeu com um revirar de olhos antes de colocar o livro para cima, escondendo seu rosto e o pequeno repuxar no canto de seus lábios, fazendo-o sorrir.
Os olhos oceânicos tinham parado em sua direção naquele dia. E talvez por um minuto Hannah tivesse olhado para Oliver como ela encarava admirada as plantas nas estufas e ouvia Pomona Sprout falar sobre herbologia — e por um uma fração de segundos ele quis estar certo sobre aquilo como estava certo de que a tacada certa os fariam levar a taça da Copa de Quadribol entre as casas.
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No segundo ano de Hannah, o sextanista a viu fazer amizade com Katie Bell — uma de suas colegas de casa e membro de sua equipe de quadribol. Com isso, vez ou outra, ele podia ver a lufana sentada em uma das arquibancadas. Sempre com um livro na mão ou bolinhos, os vendo jogar. Vez ou outra, via Lynx junto.
Seus olhos castanhos pregavam uma peça em Oliver em alguns momentos, indo até a arquibancada a procura dos olhos azuis da loira, e sempre que os encontrava ela olhava em direção a ele com um sorriso envergonhado e as bochechas vermelhas — combinando com as orelhas que pareciam pegar fogo.
Oliver treinava apenas com os gêmeos e Katie no próprio gramado durante os finais de semana, e quase nunca alguém ia para lá. Então Wood pegou o taco de Fred e se posicionou, tentando mostrar como era o passe que tinha criado. Mas sua atenção se foi do balaço em direção as duas lufanas que entravam em campo, conversando e rindo — uniformizadas para um pequeno treino clandestino antes dos jogos também.
— CUIDADO! — não se passaram tantos minutos depois que ele bateu com em um ângulo errado no balaço para que ele gritasse aquilo e franzisse todo o rosto em uma careta quando a bola pesada bateu contra a cabeça da garota que ele tanto gostava de observar.
— Se antes Hannah não tivesse te notado, Oliver, agora temos certeza de que ela nunca vai esquecer de você. — George disse divertido um tempo depois quando estavam os quatro alunos da Grifinória perto de Black e Abbott.
Era possível pedir mais de sessenta desculpas em um único dia e ainda sim se sentir culpado? Porque para ele sim. Mesmo com a risada da loira, que ele descobriu ser um som extremamente melódico — tal qual a voz dela, Oliver sentia a vergonha enroscar em cada um dos passos que dava enquanto a levava para a enfermaria depois de muito insistir.
— Está tudo bem. — ela sussurrou quase uma hora depois.
Madame Papoula Pomfrey os deixou sair só após ter certeza que a garota estava bem, dando pequenos e leves tapas no ombro de Wood — quem ela nunca conseguia ficar realmente brava, mesmo que ele se importasse mais com o quadribol do que com os ossos de seus jogadores.
— É sério, Oliver, eu já me sinto pronta para outra.
Os olhos castanhos a fitaram com seriedade e o loiro levou o dedo indicador até a altura dos olhos azuis que brilhavam em uma pequena diversão.
— Nunca mais farei isso, Hannah. — a voz grossa sussurrou e Oliver moveu o braço, batendo a almofada superior do dedo contra a ponta do nariz arrebitado de Hannah.
Um nariz arrebitado, que por estar corado mostrava as claras sardas que a lufana tinha.
Ela soltou uma risada e concordou com a cabeça.
— Mesmo durante Lufa-Lufa contra Grifinória?
— Palavra de bruxo.
A loira riu encantada e curvou o corpo para deixar um beijo rápido na bochecha do capitão e se afastou com três passos para trás, ficando próxima aos barris que protegiam a entrada do Comunal lufano.
— Eu vou cobrar. — e com isso, ela tocou contra a madeira dos barris e sumiu para dentro da própria comunal.
O bruxo sentiu formigar a bochecha que recebeu o toque rápido e leve dos lábios da mais nova. Soltou um suspiro profundo e bagunçou os cabelos perfeitamente alinhados, ele era um idiota atrapalhado.
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Era o começo do último ano dele em Hogwarts. O terceiro de Hannah.
Agora eles já tinham um certo contato. Conversavam entre um tempo livre e outro e agora Wood e Abbott corriam juntos — dia sim, dia não — em volta do campo. Dividindo gostos musicais e histórias de família. Tentando de certa forma ignorar que Sirius Black estava solto, que Lynx estava um caos completo e que o castelo já não era mais tão amistoso quanto antes.
Durante uma das noites que foi necessário que todos os alunos dormissem no Salão Principal, os três lufanos deitaram perto de Fred, George, Oliver, Katie e Angelina, juntamente com Cho Chang. Os olhos azuis não foram fechados durante aquela madrugada, o brilho levemente assustado deixou o capitão da Grifinória preocupado, fazendo-o esticar o braço para tocar os dedos dela. Com toda a preocupação que os cercava e as conversas dos professores nenhum dos dois conseguiu realmente dormir, mas ficaram deitados com os olhos azuis grudados nos olhos castanhos. Hannah agradecia à ele silenciosamente enquanto tinha seus dedos enroscados aos do loiro.
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Oliver já não a vida mais todos os dias. Tampouco tivera tempo para pensar nos colegas. Ao menos até a notícia do Torneio Tribruxo. A morte de Cedric.
O antigo capitão de um time escolar, agora jogador do Puddlemere, arrumou o blazer escuro por cima da camisa preta e aparatou onde os antigos amigos estariam para o enterro de Diggory.
Era difícil.
As expressões de pesar, os olhares caídos.
Até mesmo ela não tinha mais o brilho nos olhos oceânicos. Abbott tinha o olhar caído, segurava a mão de Lynx e lágrimas. Parecia ter voltado de seus pensamentos apenas quando Wood se colocou ao seu lado, deixando um beijo nos cabelos loiros presos em um rabo de cavalo alto.
— Eu sinto muito, Han-Han.
A loira tentou sorrir, triste e então se apoiou nele. Encostando a cabeça no peitoral de Oliver que a abraçou. Katie se aproximou após Black dizer que precisava ir no banheiro e pegou a mão de Hannah.
— Obrigada por estarem aqui.
O loiro viu a melhor amiga dos dois acenar com a cabeça e engoliu seco ao respirar fundo.
— Não estaríamos em outro lugar do mundo.
— Eu sei, Ollie. — ela respondeu ao levantar a cabeça para o olhar.
E lá estava, quase no fundo de toda a tristeza que ela transbordava — uma pequena lembrança do brilho dos olhos tão azuis que ele poderia se afogar. E por um minuto Oliver não sabia se poderia voltar a superfície após nadar no oceano que era Hannah.
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Ele manteve contato com Hannah depois de tudo. As cartas da garota estavam sempre bem guardadas consigo e quase sempre durante os passeios a Hogsmeade Oliver estava lá, tomava um chocolate quente enquanto ouvia ela comentar sobre algo corriqueiro e via os olhos dela brilharem quando era sua vez de falar.
Fizeram isso até o sétimo ano da lufana, quando nem mesmo as cartas puderam ser mandadas por causa dos Comensais da Morte no castelo. Aquilo mantinha o antigo aluno de Hogwarts preocupado, sabia por Lynx e Fred que Harry, Hermione e Ron tinham saído em uma caça de sabe-se-lá-o-que.
Oliver Wood se preparava junto com a Ordem para entrar em ação, esperando por Harry. Ele se agarrara aquela esperança pequena. As coisas voltariam a ser como antes, calmas e... Boas. Tinha que pensar assim ou os tempos obscuros iriam o deixar louco. Junto com amigos, em maio, o antigo capitão da Grifinória estava de volta ao castelo. Seus olhos varrendo cada aluno durante o ataque, procurando por Katie ou Hannah, encontrando apenas a primeira enquanto ajudava Minerva McGonagall e outros adultos a montar o escudo em volta do castelo que carregava tantas boas memórias consigo.
Passaram-se horas, os olhos castanhos estavam vermelhos e o loiro se encontrava sentado ao lado de Katie, que estava ao lado de Lino. Ela segurava as mãos dos dois, tentando ter certeza que ambos estavam ali. Vivos e inteiros ao seu lado.
O corpo de Fred no chão, com muitos outros. E Lynx sem qualquer chão.
O titular do Puddlemere se perguntou se ele se sentiria assim sem nunca ter tido a chance de dizer o que existia dentro de si para sua lufana favorita. Varreu o lugar de novo, procurando por ela.
Ele se levantou ao vê-la entrar no espaço que todos estavam, seguida por Cho e outras meninas na Corvinal. Os olhos de Hannah encontraram Wood, e um pequeno soluço atravessou os lábios secos da loira quando ela correu em direção a ele, apertando seus corpos um contra o outro.
— Oi, Han-Han.
Os olhos azuis prestaram atenção nos olhos castanhos e a loira sorriu triste, deixando as mãos tomarem as laterais do rosto de Oliver.
— Merlin. Eu pensei que não te acharia hoje. — a bruxa sussurrou. — Você está inteiro?
Ele concordou com a cabeça e a puxou para outro abraço apertado. O aroma de baunilha misturado com graça recém molhada atravessaram suas narinas, como sua Amortentia anos antes. Oliver beijou os cabelos loiros e a sentiu soluçar contra seu peitoral outra vez.
— Estou inteira também, viu? — a voz de Katie soou enquanto a bruxa de cabelos escuros olhava para os dois.
Hannah encarou a melhor amiga por alguns segundos, ainda agarrada ao bruxo.
— Eu fico feliz, KitKat. — a loira sussurrou e se sentou ao lado dela.
Oliver ficou sentado na arquibancada debaixo, com as costas entre as pernas da lufana que tinha uma mão dada a Bell e a outra enroscada nos cabelos loiros do mais velho.
— Onde você estava? — a grifinória perguntou a amiga que fungou e apontou Cho, junto com algumas primeiranistas.
— Ajudando Cho a tirar as meninas de perto das Masmorras. Depois de... Encontrarmos o corpo de... De Fred. — Abbott fungou outra vez e Wood virou a cabeça para trás, apoiando a bochecha na coxa dela. — Decidimos que deveríamos procurar por outros alunos e... Bem. — deu de ombros.
Os quatro ficaram ali, unidos. Receberam Lynx e George um tempo depois, esperando qualquer informação sobre o que aconteceria depois. Qualquer esperança destruída, como pedaços de lego.
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Alguns anos depois da Batalha em Hogwarts, mesmo com inúmeras pernas, Hannah e Oliver tinham decidido por pequenos passos. Pequenos recomeços. E o jogador de quadribol tinha inúmeras lembranças os olhos oceânicos dela.
O choque de surpresa depois que ele tomou coragem para a beijar pela primeira vez.
O brilho divertido enquanto Oliver tentava inutilmente ajudar Lynx a lidar com os gêmeos recém nascidos.
A admiração quando em sua primeira noite como babás ele tinha feito Pyxis e Perseus dormirem com maestria enquanto Hannah terminava de organizar a pequena bagunça que os Black-Weasley tinham feito no apartamento Abbott-Wood.
Mas nada se comparava ao brilho que ela carregava nos olhos quando ele lhe fez uma pergunta importante. A qual ela aceitou com todo o coração.
Hannah caminhou descalça pelo quintal dos pais de Oliver, um pequeno buque de girassóis nas mãos e o encarava como se o noivo fosse a única pessoa do mundo — e para ela, Oliver Wood realmente era. O vestido branco de tecido leve esvoaçava um pouco por causa do vento outonal.
— Eu encontrei em você algo para lutar por. Alguém que me aceita e me entende, alguém disposta a me dar um colo quando eu preciso e com as piadas mais sem graça do mundo, mas que eu prometo Han-Han, rir para sempre. — o loiro disse, arrancando risada dos convidados. — Você me faz o homem mais feliz do mundo, seja ele bruxo ou não. E sei que farei de tudo para retribuir isso. Você é o próprio sol, Hannah Abbott, brilhando sempre e me mostrando qual é caminho é certo seguir. E seus olhos são azuis como o oceano, mas eu não tenho medo algum de me afogar, porque sei que você sempre estará lá para me salvar.
As bochechas dela atingiram um tom vermelho que ele realmente adorava, fazendo-o rir alto.
— Eu te divirto, Wood?
— Claro que sim, Wood.
E sem deixar que Hannah dissesse qualquer coisa, Oliver se curvou para a beijar — agora como seu marido. Se afundou nos lábios da loira com as mãos firmes em sua cintura e ouviu todos os presentes comemorarem.
Afinal, o amor era sempre um bom motivo de comemoração.
**
Pouco tempo depois de oficializarem-se como Abbott-Wood, Hannah surpreendeu Oliver com um brilho diferente no olhar.
Divertido. Novo. Com um pouco de medo.
— Oliver. — ela o chamou durante o café da manhã. Ele a encarou com a caneca de café na boca e moveu as sobrancelhas como se dissesse, de forma calada, para que a mulher falasse o que pensava. — Não tem jeito certo de falar isso. Bem... lembre-se que eu amo você e não quero que você morra engasgado.
A mulher sorriu pegando a caneca e colocando-a na mesa, se sentou nas pernas do marido e acariciou a lateral do rosto dele, deparando-se com as bochechas ásperas devido a barba por fazer.
— Se você está terminando comigo, lembre-se que minha mãe disse que não aceita devoluções. — o loiro disse sério, prendendo a ponta do nariz arrebitado da bruxa entre seu polegar e o dedo indicador.
A loira riu e bateu em seu ombro, tentando soar séria.
— Oliver Wood!
— Oliver Abbott-Wood. — ele corrigiu, com um sorriso que mostrava todos os dentes.
— Oliver Abbott-Wood, estou tentando lhe dizer que... — Hannah suspirou e pegou a mão dele, enroscou seus dedos e colocou a palma da mão dele em sua barriga, por cima do tecido macio do vestido amarelo que ela usava.
Os olhos castanhos se arregalaram para os olhos azuis, era claro para eles que um diálogo inteiro foi formado naquele momento. O antigo capitão da Grifinória tinha se afogado naqueles olhos oceânicos e compreendia tudo o que eles diziam.
— Você está grávida. — sussurrou, aproximando seus rostos.
A loira concordou com a cabeça e o ouviu soltar uma risada divertida antes de se levantar com ela no colo, rodando o corpo pequeno. Parou em meio a copa e a encarou, sério.
— Eu amo você, Han-Han. Sempre.
— Eu amo você, Ollie. Para onde quer que eu vá.
Pela primeira vez naquela manhã Oliver se fundou nos olhos azuis da mulher com quem escolhera ter uma família, uma vida e um futuro. Porque ela o deixava sóbrio mesmo com toda a loucura que as outras coisas o traziam.
E seus olhos de oceano eram a única coisa que acalmavam a tempestade que a vida apresentava para Oliver Wood desde que ele os vira pela primeira vez há anos atrás.
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