Obstinado - Bakugou e Midoriya
8 Escolha
Naquela mesma noite...
— Se você não falar agora, eu vou quebrar sua cara, Kirishima. Vamos lá para fora.
— L-Lá para fora? Mas o Midoriya acabou de...
— Vamos-lá-pra fora. — Bakugo rosnou, ameaçadoramente, enxotando o amigo ruivo em direção à porta.
— Ah, vocês não vão sair também não! — Jiro reclamou, pondo-se no caminho. Ela tinha sido observadora o suficiente para perceber que os meninos estavam começando a dispersar um após o outro. Logo ficaria tarde demais e ainda restava um filme da sessão.
— Sai da frente, Orelha. — Bakugo resmungou, já passando por ela.
— Bakugo-san, nós precisamos votar rápido para decidir qual vai ser o último filme. — Yaoyorozu alegou, se aproximando dos meninos espalhados no sofá e sendo recebida com olhares incertos.
— Nós já estamos em falta de pessoal, então é melhor ficar mais um pouco para não ficar tarde. — Iida interrompeu-o, apontando de novo para o sofá e conseguindo convencer os dois a ficar mais um minuto.
O loiro soltou um xingo, mas esperou.
— Então anda logo com isso, merda!
— Está faltando o Deku-kun. — Uraraka comentou após passar os olhos pelo local e não achá-lo em ponto algum.
— E o Todoroki. — completou Mina, vindo novamente da cozinha.
— Não precisamos esperar por eles! Os filmes que vamos votar, os dois são de romance não são? — Mineta indagou, puxando a atenção para si.
Ele caminhou para o centro da sala, apontando o dedo para Bakugo.
— Midoriya, Todoroki e esse cara aqui sabem zero coisas sobre romance!!!
Todos pensaram um segundo, decidindo que o aluno mais baixo do curso estava coberto de verdade.
— Que cê tá falando bosta de mim aí, hein, seu merdinha?! — Bakugo estourou o instantaneamente, levantando a mão que começava a estalar em micro explosões.
— Calma, calma Bakugo! — Kirishima chamou-o, puxando-o de volta para sentar.
Mineta e Denki se juntaram para atormentá-lo ainda mais, apontando o dedo na cara enquanto as meninas esperavam impacientemente o assunto terminar.
— O Midoriya é um otaku esquisitão. O Todoroki pode até ser muito popular, mas é mais lento que uma lesma. Além disso, é SEM GRAÇA! E você é muito boca suja para qualquer garota gostar de você! Buh-buh! Recusado.
Bakugo franziu o cenho para eles e cruzou os braços, olhando-o de forma arrogante.
— Eu não tenho tempo para ficar gastando com namoradas. Você não está negligenciando seu treino, passando todo seu tempo com av’s?
O corpo de Mineta se arrepiou dos pés à cabeça, horrorizado com as palavras que tinha acabado de ouvir. Kaminari apenas balançou a cabeça, sabendo que ele era uma causa perdida.
— Bakugo... você não gosta de mulheres? — Mineta perguntou para ele, os olhos piedosos, porém, seu tom era brincalhão como sempre.
O loiro ouviu isso com certa surpresa no olhar. A ironia de perguntarem algo assim, logo para ele.
— Hah? O que isso tem a ver com aquilo?
— Você sabe né. Um cara que não aprecia um simples av só pode ser uma coisa. Tsc tsc. — Mineta triscou a língua e negando com a cabeça. — Será que toda sua masculinidade abandonou seu hemisfério sul? — Mineta arreganhou um sorriso de mau gosto e Bakugo se levantou no ímpeto, pegando o garoto-uva pela gola.
— C-Calma, era só brincadeira, Bakugo-kun!
Bakugo o largou então, já passado com aquele assunto e saiu resmungando, passando pelos idiotas. Ele sabia como tinha agido. Ele sabia que as palavras tinham atingido-no bem mais do que deveria.
— Podem fazer a votação sem mim.
— Ah! Espera, Bakugo! — Kirishima exclamou, indo atrás do colega, mas não sem antes olhar para o grupo. — Eu vou com ele, pessoal, eu concordo com o que vocês concordarem.
E assim os dois saíram pela porta do Heights Alliance encontrando quase que total silêncio no campus. Estava realmente bem tarde.
Kirishima observou como o colega colocava as mãos nos bolsos e partia escadas abaixo, os músculos intercostais tensos desenhados na camisa sem mangas preta. Bakugo fez um som que pareceu outro xingo, olhou para os dois, como se pensando sobre que lado ir.
— Bakugo.
Kirishima tomou o lado esquerdo do loiro, sentindo que devia ser direto sobre o assunto que tinha estado querendo conversar faz um tempo.
Os olhos vermelhos o fitaram com atenção, indagando o que ele queria.
— Onde você está indo? Vai procurar o Midoriya?
Bakugo grunhiu para ele e continuou a caminhar, obrigando-o a seguí-lo.
— Eu só estou dando um tempo. Tem pessoas demais lá dentro. — ele respondeu, movendo seu olhar de interesse fingido para o céu por um momento.
O silêncio pairou por uns segundos, ambos caminhando lentamente, em ar confortável.
Só então que o loiro pensou numa coisa: Kirishima queria lhe dizer algo importante a sós? Ele tirou as mãos dos bolsos e olhou para o ruivo em profundo choque.
— Ei, Kirishima.
Kirishima o olhou com uma interrogação desenhada em sua testa. O loiro parecia sério demais, seu rosto contorcido em uma expressão confusa e parecendo estar com a cabeça nas nuvens.
— Bakugo?
O loiro rangeu os dentes. Não era loucura. Podia ser uma possibilidade já que o ruivo vivia grudado em si a todo o momento. Mas se ele fosse realmente se confessar agora... era uma péssima hora, certo?!
— O-... O que você queria conversar? — Bakugo indagou, sério, e com o estômago revirando ao pensar na cena. Enquanto pensava em Deku, tinha mais isso para se preocupar? Ele só podia estar sofrendo uma onda de azar – por mais que ele não acreditasse nessas coisas.
— Ah, sim... — Kirishima balbuciou, a mão massageando a nuca, demonstrando a tensão.
Eles pararam perto de um poste de luz e Kirishima o fitou bem firmemente, enquanto Bakugo desejava mais do que nunca acabar com tudo aquilo antes que perdesse sua chance de achar Deku.
— Bakugo eu...
O loiro sentiu seu corpo formigar com todo o suspense, sem poder xingá-lo ou apressá-lo. Ele não era frio ao ponto de obrigar ou interromper alguma confissão – ignorando o fato de ele ter sido extremamente rude quando terminou com suas ex-namoradas.
Kirishima apertou os punhos, fechando os olhos e fazendo muita força para conseguir expressar o que sentia.
— Talvez isso seja muito repentino da minha parte, mas eu espero que você tente se colocar no meu lugar e ouça meus sentimentos. Nunca falamos sobre isso, mas eu não tenho como aguentar mais.
Bakugo apertou os dedos na calça, sentindo o corpo ficando cada vez mais rígido. Kirishima tinha começado a ficar com o rosto avermelhado. Era muito simples perceber quando ele estava tímido já que era um cara muito honesto.
— Eu vi que você tem se aproximado mais do pessoal da sala e tal. — o ruivo iniciou, olhando para o chão e para o amigo alternadamente. — Eu consigo ver como você tem se abrido mais e dado espaço para nossos colegas se aproximarem... o que eu fico feliz, lógico!
Bakugo o fitou, ainda mais desconfortável do que antes, achando que estava conseguindo disfarçar sua crescente irritação.
— Você não pode contar isso para ninguém, Bakugo. — Kirishima o olhou com muita seriedade, abaixando sua voz e se aproximando do loiro, que por consideração não se afastou.
O ruivo segurou seu ombro.
— Eu não consegui mais me conter depois de ver você e a Mina conversando hoje. Eu queria deixar claro que eu tenho pensado nisso com cuidado de uns tempos para cá. Eu sei que pode ser desconfortável dizer isso assim do nada, mas-
— Kirishima... Fala logo. — Bakugo o interrompeu, rangendo os dentes, sentindo sua veia pulsar forte na testa. Nem ele era tão fã de diálogos como esse.
— Eu gosto... — Kirishima começou, mas sua face ficou tão vermelha que ele hesitou um pouco. Sua voz, em seguida, se tornou quase um fio, sussurrando como se fosse o maior segredo da Terra. Um cara tão durão igual ele, quando se tratava dessas coisas, era mole como um pudim. — Eu gosto da Mina, Bakugo.
Os olhos vermelhos se encontraram, sem expressão. Ambos permaneceram em silêncio por uns segundos e só quando o zumbido de um pernilongo tirou Bakugo de seu alívio que ele pode soltar um bufo bem alto.
— E o que raios você quer que eu faça com essa informação?! — ele indagou, irritadíssimo, virando-se e continuando a caminhar. Suas mãos foram para os bolsos da calça do conjunto escuro novamente enquanto Kirishima ainda tremia de nervoso e o seguia como um cachorrinho.
— Escuta! Você é meio misterioso com essa questões de romance... Ninguém sabe o que passa pela sua cabeça. — Kirishima comentou, fazendo um bico. — Eu não sou tão inteligente assim, então não sei se por acaso estaríamos gostando da mesma pessoa.
Bakugo sentiu um arrepio ouvindo essas palavras, no entanto, ele não era tão ingênuo para desconsiderá-lo. Depois do que tinha acabado de acontecer com Mineta ele tinha uma noção bem mais clara do que as pessoas achavam dele. E ele não ligava nem um pouco, claro, pois Bakugo Katsuki sempre fora sua própria pessoa. Era só que ele tinha que tomar cuidado quando esse assunto envolvia o fato de ser um herói, principalmente por que o herói número um tinha a obrigação de dar satisfação e garantir a visibilidade de seu trabalho ao público.
Mesmo assim, All Might tinha conseguido esconder seu segredo por décadas não tinha? Além disso, ele nunca tinha tido um caso com ninguém até onde sabia. Sua vida tinha sido a de um herói dedicado unicamente ao heroismo. Talvez All Might tivesse escondido mais segredos do que ele imaginava? Era totalmente possível!
— Não fala merda, Kirishima. Eu não estou interessado na rosinha. — ele resmungou ao ruivo, empinando o nariz.
O Kirishima demorou uns instantes para assimilar a resposta, mas assim que o fez, soltou um som de felicidade ao ouvir o que tanto queria, um punho de vitória acompanhando-o.
— Não adianta comemorar se você nem se declarou ainda, idiota!
— Você tem razão. — Kirishima riu, sem graça, mas sem conseguir esconder sua felicidade. E então, ele deixou seus sentimentos de lado por um instante e colocou as mãos nos bolsos, mudando seu tom. — Ei, Bakugo, eu vi como você ficou afetado com o que o Mineta disse agora há pouco.
O ar em volta pareceu apenas um pouco mais denso naquele momento, mas Kirishima manteve-se firme, como sempre. Claro, pois, se tinha uma pessoa que conseguiria tirar alguma informação pessoal de um rapaz teimoso como Bakugo, só poderia ser ele.
— Hah?!— Bakugo virou de supetão, a veia pulsando fortemente na testa. — Aquela uva passa de Natal rejeitada nunca conseguiria me afetar!
Kirishima balançou a cabeça, ignorando a mão brilhante.
— Mas é verdade o que eu disse antes, Bakugo. Ninguém sabe muito bem o que se passa na sua cabeça em relação a esse assunto. Você não planeja ser mais específico quando perguntarem... tipo em entrevistas?
— Hnf! Eu não preciso responder esse tipo de pergunta inútil. Tudo relacionado a essas coisas superficiais podem simplesmente ser ignoradas.
Kirishima franziu a testa um pouco mais e pressionou-o.
— Parece que você só está fugindo de revelar o que realmente pensa.
Bakugo então parou realmente de andar e suspirou fundo, perecebendo que não ia convencer o cabeça de pedra tão fácil. Mas ele não precisava mentir para se livrar desse problema. Ele só precisava dizer o que realmente achava não é? Ele não era um covarde.
— Eu não preciso responder esse tipo de pergunta, porque a única coisa com que eu me importo é me tornar o número um, Kirishima. O que é tão difícil entender?
O ruivo então colocou as mãos na cintura e bateu o pé em seu argumento.
— Eu perguntei se você estava interessado na Mina, certo? A questão que fica para todos é se você tem qualquer tipo de atração? Você não mostra interesse por ninguém, mesmo tendo meninas tão bonitas na UA. — Kirishima balançou pensativamente a cabeça. — Sinceramente, quando esse assunto aparece você simplesmente sai de perto. Mesmo eu não gostando da forma que eles falam... Até eu fico curioso.
O loiro olhou para o céu, fixando-se nas nuvens que iam vagarosas. Uma noite até que bem iluminada, ar fresco. Sim, ele sabia que era estranho, que não era o que esperavam dele. Ele sabia que seu modo de agir e preferências dificultariam tudo o que estava tentando se tornar. Mas ele também sabia que não era justo nada disso... ter que esconder quem era.
Ele, Bakugo Katsuki, seria o herói que iria quebrar todas as barreiras. Ninguém nunca iria conseguir colocá-lo para baixo. Podiam falar merda dele. Ele nunca ligou para opinião alheia. Ele só precisava ser o mais forte e calar todos à força.
— Kirishima. Você acha que eu sou alguém que se deixa levar por aparências?
— Bem, n-não... Mas é algo que todos fazem quando estão procurando por um parceiro, certo?
— Eu não consigo olhar para alguém e simplesmente pensar em outra coisa a não ser sua força. — Bakugo fechou os olhos. Em sua mente não veio nada além dos momentos em que as pessoas em sua vida mostraram sua bravura. — Eu só me importo se você está aos meus pés. Com sua garra. Com a fraqueza de quem eu tenho que proteger e o poder que preciso para derrotar aqueles mais fortes do que eu. Nessa vida, eu tenho uma única ambição.
Kirishima tremeu ao receber um olhar decisivo de Bakugo. Ele tremeu dos pés à cabeça. Bakugo era muito legal! Muito mesmo.
— Respondi à sua pergunta? — Bakugo grunhiu, fitando-o seriamente. De certa forma ele tinha respondido à questão. Era só usar o cérebro.
Kirishima balançou a cabeça afirmativamente, sorrindo com leveza. E assim que ambos voltaram a fazer o caminho anterior, se depararam com nada menos que a dupla desaparecida.
Havia um espaço de pelo menos dez metros os separando, mas eles souberam instantaneamente que Deku e Todoroki tinham ouvido a conversa, pelo menos todo o final.
Os olhos verdes os fitavam arregalados, um rubor leve colorindo as pequenas sardas.
Kirishima soltou um som surpreso, olhando para o amigo explosivo e esperando encontrá-lo furioso. Qual foi sua surpresa ao ver os olhos vermelhos indo de um para o outro, sutilmente, analisando-os. Aquilo que viu não foi raiva. O franzido no nariz de Bakugo, o modo que os olhos apertaram-se. Qualquer um que não o conhecesse bem pensaria que era pura irritação, mas, sem dúvida, o sentimento velado era outro.
XXX
Sem dúvida, esse não era o cenário que estava esperando.
Logo após toda aquela conversa sentimental, Todoroki estava confiante que Midoriya tinha conseguido se reerguer e acreditar que ainda tinha chances de resolver a própria situação.
Por isso, ele se encontrou em dúvidas após ouvir o que Bakugo tinha acabado de dizer em pleno céu aberto, em tão e bom alto som.
Talvez ele fosse muito lerdo e não tivesse entendido direito, mas não pareceu ter ouvido algo muito positivo. Foi por isso que seus olhos foram para o garoto ao seu lado, esperando vê-lo completamente decepcionado.
Midoriya tinha os olhos abertos, bem abertos. Ele tinha um brilho absorto no olhar.
“Será que ele ao menos ouviu o Bakugo?” Todoroki se perguntou, vendo de longe como o loiro lhe encarava com um ar ameaçador. Kirishima sorria amarelo e acenava. Os dois estavam esperando que a dupla se aproximasse, mas Midoriya não estava dando o primeiro passo.
— Midoriya? — murmurou em seu tom baixo de sempre.
— Hm...? Ah, vamos lá Todoroki-kun.
Todoroki levemente o segurou pela camisa, impedindo-o de ir antes de conferir a situação uma última vez. Um sentimento tão misterioso pairando nos olhos verde-escuros do amigo o confundindo.
— Você está realmente bem?
Midoriya sorriu para ele, doce e gentil. Seu olhar de agradecimento inconfundível.
— Agora está tudo bem, Todoroki-kun.
E então eles se juntaram aos dois rapazes, falando casualmente sobre a votação que tinham feito para escolher o filme e que “tinham encarregado eles de acharem a dupla perdida”. Os olhares de canto sendo trocados, as mensagens silenciosas e um acordo não verbal de ignorar completamente o que tinha sido falado naquela noite.
Contudo, o Todoroki não estava ainda satisfeito.
XXX
O filme acabou sendo uma fonte de constrangimento para todos os presentes.
As almofadas não foram o suficiente para cobrir toda a vergonha que sentiram ao presenciarem cenas íntimas de beijos e encontros físicos de corpos a cada instante. Sons espantados e excitados por todos os lados no Heights Alliance, mas ninguém corajoso o suficiente para parar o filme ou pedir para finalizar a noite.
Não foi diferente para Midoriya, que estava profundamente entretido no plot da história como o bom analista que era. Porém, talvez tenha sido demais para ele. Algo nele estilhaçou enquanto a cena mais romântica acontecia, fazendo seus olhos timidamente procurarem pelo loiro na sala. Ele sabia perfeitamente onde Kacchan tinha sentado e como ele estava no canto de um sofá, apoiando o rosto na mão, assistindo sem expressão alguma.
Sem demorar nada, Kacchan o respondeu no meio do escuro. Seus olhos se encontrando. E a face sem expressão manteve-se, todavia, seu olhar preencheu-se de emoção, brilhante e fixo no seu. Não havia dúvida ali, Midoriya pensou. Ainda assim, ele precisava pensar num meio mais eficaz de conversar com Kacchan e isso só aconteceria numa hora futura. Ele não queria adiar muito, mas primeiro ele precisava fazer a preparação de seus sentimentos.
Então, a 1-A finalizou a sessão de filmes sem mais delongas. Já passava da meia-noite e, apesar de cansados, estavam todos com vontade de comentar e criticar, fazendo com que Iida e Yaoyorozu-san tivessem que lembrá-los de suas tarefas e das aulas no dia seguinte. Todos foram subindo as escadas em suas conversas, grupos e duplas, bocejando.
E assim foram todos se despedindo e dirigindo-se aos quartos.
Ninguém foi perspicaz o suficiente para perceber como Todoroki desviou-se do caminho normal para o banheiro e mudou seu alvo para alcançar o quarto de Bakugo logo depois que os garotos do andar fechassem as portas. Ele bateu suavemente duas vezes e não demorou dois segundos para Bakugo atendê-lo, completamente vestido com sua armadura de desconfiança.
— O quê é que você quer, Meio-a-meio?
Ambos se encararam, um pequeno momento em que os olhos vermelhos e os heterocromáticos desafiaram-se mutuamente, altivos.
Todoroki manteve as mãos relaxadas ao lado do corpo e Bakugo com suas mãos suadas dentro dos bolsos da calça moletom. O primeiro todo de cinza, o segundo todo de preto. O cenho do filho de Endeavor franzido, claramente demonstrando desconforto por estar ali, enquanto o loiro revia a cena da hora anterior em sua mente. Todoroki esteve tão colado em Deku que o fez sentir um amargor palatável.
Afinal, o que um cara como Todoroki poderia querer com o Deku?
Já fazia um bom tempo que ele não gostava da interação que os dois mantinham. Todos cheios de risadinhas, corridas de manhã, treinos conjuntos, sessões de estudos... Como dois putos melhores amigos. Bakugo odiava ver como Midoriya recebia mensagens e ficava todo animado respondendo, principalmente na época em que os dois estavam ainda se explorando durante as noites.
Honestamente, só um cego era incapaz de ver. O tão imovível Todoroki Shoto apresentava sua aura assassina quando o assunto era o “Midoriya”. Seu olhar e suas atitudes eram diferentes pra ele. E Bakugo não era nenhum tonto e nenhum cego. Ele tinha ouvido ambos claramente durante o festival esportivo. Ele presenciou em silêncio todas as trocas que Deku teve com o superestimado Shoto. Todas as trocas e conversas que ele próprio nunca chegara a ter com Deku; as que ficavam perdidas na neblina da negação em seu âmago.
Esses sentimentos não eram meros ciúmes. Não. Eram inveja pura.
— Eu vim dizer uma coisa para você, Bakugo. — o garoto começou, seu tom grave e silencioso de costume.
Bakugo sentia o olhar perfurante passando sobre si, sem fazer questão de esconder a hostilidade. Mas ele não era nem remotamente amedrontado por algo desse nível.
— Eu sei de tudo o que está acontecendo entre vocês. — Todoroki disse, sem papas na língua.
Bakugo levemente sentiu a pálpebra de seu olhos tremer. Não era surpresa que o maldito Deku ia dar com a língua nos dentes uma hora ou outra.
— Ahãm... E? O que você tem a ver com isso? — ele devolveu, fingindo tranquilidade.
Todoroki deu de ombros.
— O Midoriya te tem em alta consideração e isso é muito bom. Só que se você não percebeu, ele está andando numa corda bem fina... Uma bem bamba.
Bakugo apertou seus olhos, cruzando os braços. Ele não gostava de metaforizar.
— Por que você não fala exatamente o caralho que você quer falar para mim? Desembucha, ô plutonita!
Todoroki tirou a mão dos bolsos e se aproximou um pouco mais. Olhos intensos.
— Acho que você não está entendendo que eu, como amigo, me importo muito com ele. Talvez porque você sempre teve ele por perto, te seguindo, alimentando seu ego, nunca conseguiria entender como é ficar sem ele, Bakugo. Já conseguiu se imaginar perdendo uma pessoa importante na sua vida?
Bakugo entreabriu os lábios, recebendo a voz de Midoriya no flashback de sua mente. A forma que Midoriya lutou com ele, cheio de bravura, revelando o quão importante Bakugo era pra ele, como tinha influenciado em sua vida. Ele sentiu a fechadura que tinha destrancando, como se tivesse abrido os olhos por uma epifania.
— E talvez você esteja se esquecendo também... Nós somos amigos, Bakugo. Pelo menos eu o considero assim. Se você andar pelo caminho errado, alguém precisa estar ao seu lado para te colocar no caminho certo.
Todoroki deixou por isso e relaxou novamente, voltando ao seu estado normal. Ele aguardou por algo, uma reação, uma resposta. E Bakugo apenas pode entregar um olhar pensativo, claramente não gostando de levar um sermão de Todoroki.
— Nós não somos amigos. — ele anunciou, murmurado, soltando um estalo de língua irritado e desviando os olhos.
— Se você demorar muito para resolver a situação, ele vai desistir de você. Mas, para sua sorte, ainda restam umas faíscas.
Bakugo franziu a testa e apertou os punhos, encarando o colega à frente. Todoroki fazia o mesmo. De igual para igual.
“Tão convencido.” Pensou, irritado. Ele odiava isso até a última célula. Aquela compostura e confiança e descaso que ele nunca possuiu.
— Olha aqui, não preciso do seu conselho, metadinha. Eu já sei o que tenho que fazer sem precisar que você ou qualquer outro intrometido fiquem me enchendo.
Com isso Todoroki soltou um daqueles sorrisos leves e raros.
— Pois parece para mim que se você demorar demais, você vai perder o Midoriya para um novo interesse, para uma nova oportunidade. Você pode até se tornar o cara mais incrível e forte por aí, sim, mas nada vai mudar o fato de que você não é o melhor pra ele.
Bakugo arregalou os olhos e não conseguiu evitar seu corpo de quase encostar no rapaz à frente. Suas testas quase coladas, agressão disparando de seus olhares. O som de seus pés no chão foi alto, mas eles não conseguiram pensar em outras pessoas ou no horário de recolha. Bakugo quase bufava na face do outro, sentindo as emoções frustantes ofuscando seu raciocínio.
— E quem vai ser? Quem é a nova oportunidade que vai ser tão melhor que eu, hein? — disse entre dentes.
Todoroki fechou os olhos e se afastou, virando-se de costas. Já Bakugo estava atrás dele, no meio do corredor, sendo barulhento o suficiente para todos ouvirem nos quartos. Ele estava mandando todos à merda a essa altura.
O visitante então o fitou uma última vez e respondeu:
— Quem sabe. No final, é tudo sobre a escolha que ele vai fazer. Tudo o que sei é que não dá simplesmente para escolher o que sentir em relação aos outros, mesmo que a pessoa seja um caso perdido. Então eu acho que tem que estar atento para a oportunidade, e perceber a hora certa para mudar. E, mais importante, olhar para a pessoa do jeito que ela é. Encarar as adversidades com coragem, para ficarem conectados mesmo nos momentos mais difíceis. Só assim você vai conseguir ser real. Seja o melhor que você puder ser, sempre.
Bakugo mordeu o lábio, sabendo que tinha perdido fazia muito tempo. Até mesmo nisso, ele não conseguia rebater quando Todoroki estava tão certo. Quem diria que o garoto tinha alguma poesia dentro de si, considerando o quão estoico agia.
No fim, Deku tinha sua própria vida. Ele deu duas opções para o esverdeado e, no fim, recebeu um ultimato – se é que é possível chamar aquilo de ultimato. Ele esqueceu que ambos dividiam os direitos de decidir coisas. No final, quem estava sendo contraprodutivo? Ele era quem queria monopolizar o Deku e, pior, sabia. Pois então, hora de encarar as consequências de suas decisões.
— Se esforce, Bakugo. Você ainda não foi o seu melhor para ele.
Bakugo olhou para o chão, irritadíssimo, coçando a cabeça, não conseguindo se render nessa rivalidade com o Todoroki.
— E você está dando seu melhor? Ser um amiguinho do Deku, é só isso o que você quer? — Bakugo rosnou baixo, fitando o outro. — Não me parece isso.
O de olhos heterocromáticos fitou-o com uma certeza inabalável.
— O Midoriya é alguém muito especial para mim. Eu seria muito infantil se dissesse agora para você que tenho um interesse nele só para tentar segurar uma vaga que está preenchida.
Bakugo torceu o nariz para a resposta. “Agora, né, maldito?”
— O que eu sinto por ele não é a mesma coisa que ele sente por você. Nada na mesma intensidade. Ainda. — e o jovem Shoto sorriu mais uma vez, voltando a por as mãos nos bolsos. — Então aconselho a ficar atento. Mesmo porque as oportunidades são inúmeras. Nunca sabemos quando nossas convicções vão mudar drasticamente, certo, Bakugo?
Então, Todoroki deixou-o, sabendo que tinha plantado a semente da incerteza no colega, voltando em seu jeito cool, em seu balanço firme até o próprio quarto, onde se acomodara na cama alinhada e pegou o celular, só para confirmar.
Midoriya, está acordado? A mensagem foi mandada. Tão rápido quanto veio a resposta: Eu já vou dormir. Pensando em tudo que aconteceu.
“Você parece bem” o jovem pensou e sorriu com alívio (e uma porçãozinha de alegria triste), que fez seu peito apertar; uma sensação que conhecia bem, que o fazia se lembrar de alguém muito querida. Mas isso podia esperar um pouco mais.
XXX
Por fim chega o dia do retorno da dupla problemática às aulas. Midoriya ainda continua todo sem jeito, nada fora do normal, e ambos mantém uma distância saudável. Ao que tudo aparenta, pelo menos na visão da turma 1-A, naquele mesmo dia eles resolveriam todas suas diferenças. Todoroki agindo com naturalidade, Mina vermelha e muito calada para seu gosto, chamando a atenção da porcentagem feminina da classe, e o resto falando sobre as aulas e a nova fase que estava chegando.
Ninguém fazia ideia de como Midoriya estava se sentindo naquele dia. O nervosismo com as aulas, o estresse de ter perdido matéria, sendo o garoto nerd que era. E ele fez tudo com muito foco e manteve suas emoções em controle. Ainda que de vez em quando ele desse uma olhadela para o loiro e se aconselhava mentalmente para deixar seus planos para mais tarde.
No intervalo, Uraraka tirou um momento para conversar com ele, já que fazia um tempo que os dois não tinham um momento a sós. Ela se aproximou na sala de aula enquanto ele fazia cópia das anotações de Tokoyami, sem ser percebida inicialmente, então acenou na frente do garoto hiperfocado.
— Deku-kun, você tem um minuto?
— Uraraka-san! — ele exclamou num sopro, surpreso ao ver ela, e rapidamente já conferindo o público na sala. O pouco pessoal que estava ali no ambiente estava mais preocupado em conversar sobre outros assuntos do que olhar pra eles. Ele apertou os dedos na caneta enquanto a fitava com um sorriso gentil. — É claro que sim.
A garota dos olhos castanhos se inclinou para ele um pouco e comentou:
— Estou vendo que você não comeu ainda. Você não trouxe nada, Deku-kun?
Em resposta ele deu uma risada e coçou a bochecha. Mesmo que ele quisesse ter trazido algo, naquela manhã ia ser impossível por que ele tinha dormido mais do que o normal. Depois de tudo o que vinha acontecendo e no meio tempo tendo insônia, ele finalmente conseguiu voltar a ter sono e dormir mais relaxado.
— Haha, você não muda né, Deku-kun? Você pode vir comigo buscar comida na cantina?
Ele não tinha motivos para negar, porém, também sabia que ela estava facilitando para que ambos tivessem uma conversa mais privada.
Assim que os dois adquiriram um lanche mais simples, passaram juntos pelo corredor, conversando sobre os filmes que tinham visto. E Midoriya já estava quase se perdendo em seus longos comentários quando chegaram nas escadas e se sentaram.
Uraraka o fitou com seriedade entre um comentário e outro, gradualmente parando de falar do assunto até ficar silêncio. Eles não tinham muito tempo, então o rapaz esperou ela iniciar a conversa como bem entendesse.
— Deku-kun...
Midoriya manteve o sorriso e abaixou seu lanche após a segunda mordida.
— Esses dias atrás eu comentei sobre o Bakugo, certo? — ela indagou, apoiando o rosto em sua mão e o fitando. — E vendo a relação de vocês nesses últimos dias...
— Ah, Uraraka-san, está tudo bem entre a gente! Eu prometo! — ele gaguejou, a voz fraca como sempre na presença da menina.
Ela franziu a testa. Seus olhos redondos reprovando-o.
— Deku-kun, sempre quis dizer isso pra você, e não me leve a mal, mas você podia ser um pouco mais assertivo às vezes com ele, sabia?
A face de Midoriya virou-se em leve surpresa. Não tinha passado por sua cabeça que ele não era assertivo. Ou melhor, ele tinha o hábito de segurar-se quando se tratava de expor sua opinião em várias coisas, afinal, ele era um cidadão japonês de respeito. No entanto, ele tinha uma chama que não o deixava ficar quieto quando era importante.
Seus dedos apertaram-se no pão fofinho, sem saber exatamente o que dizer.
— Você disse que está tudo bem, mas está mesmo? — ela indagou com a voz nervosa e as maçãs do rosto rosas como cerejas. Ela hesitou alguns segundos com o silêncio de surpresa dele. — A-Ah... Eu sei que estou me metendo demais Deku-kun...
— C-Claro que não Uraraka-san! Pode não parecer, mas eu não menti sobre o Kacchan. É verdade que tivemos um impasse e acabamos brigando, mas eu não pretendo causar problemas para a turma com uma atmosfera ruim. Eu vou resolver tudo, pode ter certeza.
Midoriya mostrou o punho para ela, reafirmando-se. Ele sorriu com peso ao lembrar-se dos momentos desconfortáveis passados com Kacchan. Mas agora ele podia dizer que estava tudo bem. No final, ele mantinha-se firme na decisão de ter apenas Todoroki-kun sabendo de suas preferências. Ele mordeu o lanche mais uma vez.
As mãos de Uraraka fecharam-se em seus joelhos, seus olhos ficando cada vez mais redondos e fofos. A preocupação que vazava daquele castanho fazendo-o se sentir grato e, ao mesmo tempo, nervoso no estômago, quente no rosto.
— Me desculpe. Não consigo deixar de me preocupar quando você parece tão distraído... passando por problemas sozinho. — ela desviou os olhos, mexendo nos dedos inquieta.
Sua fofura era tanta que o pobre garoto adolescente não era capaz. E então o golpe:
— Mas eu confio em você Izuku-kun! — ela o fitou diretamente e então disse — Só... Converse mais comigo, tá?
Ele se arrepiou da cabeça aos pés com o tom envergonhado da gentil Uravity e seu rosto fofo.
— M-Me desculpa por te preocupar, Uraraka-san! — Midoriya imediatamente inclinou a cabeça, quase batendo na dela, desastrado.
E ambos não tiveram mais tempo para falar, sendo interrompidos pelo som do sinal e alunos passando pela frente das escadas. O menino e a menina sorriram um para o outro e levantaram, deixando as borboletas no estômago para trás e trocando de assunto enquanto retornavam junto aos outros.
XXX
Dizer que a abordagem de Todoroki não tinha sido efetiva seria pura mentira. Bakugo até conseguiu dormir, porém, depois daquela conversa com o Gelo Quente, um estalo de entendimento tinha soado em seu cérebro e foi como se tudo tivesse feito sentido.
O que ele realmente queria com Deku? Ele sabia bem. Mas ele nunca tinha se permitido dizer em voz alta. Antes, nunca tinha realmente compreendido a complexidade de seus desejos já que nunca havia pensado que em relações ele deveria considerar não só as próprias, mas as necessidades do outro.
Ele não podia mudar o fato de que ele estava lutando para se tornar o Herói Nº1 e que isso implicava se abster de privilégios de uma vida comum. Ele não podia fazer nada sobre certas coisas, como aceitar que ele teria que viver em um futuro onde sua vida e das pessoas que conhecia, principalmente sua família, estariam correndo risco. O mínimo que poderia fazer então, era dizer... Achar um balanço. Tentar encontrar um ponto de encontro em que aquele idiota Deku pudesse entender seu lado.
Foi assim que ele terminou lançando um papel na carteira do esverdeado antes de sair da sala, na primeira oportunidade que surgiu, mandando o garoto se aprontar para um sparring no Ground Beta 2.0 logo após o período das aulas.
— Kacchan... — Deku balbuciou, carregando um olhar confuso, mas já vestido em seu uniforme de treino, andando atrás do loiro. — ... T-Temos permissão para usar o campo?
— É claro! Quem você acha que eu sou, Deku? — ele rosnou de volta, com a pele eriçando ao ter o nerd tão perto de si novamente.
Aquela sensação de perda que vinha sentindo desde a rejeição de Midoriya, agora tinha se tornado puro nervosismo e o fazia suar mais do que o normal. Então, para sacudir esse sentimento herbívoro de si, Bakugo decidiu que o melhor era começar com uma luta corporal. Sim, essa era sua especialidade!
— Mas não vamos ter problemas por estarmos lutando de novo? Foi há tão pouco tempo... — Midoriya disse nervoso, sentindo a pressão também. Sua preocupação maior era estar ali com Kacchan, tendo já seus sentimentos decididos. Mas como abordar o assunto sem ser estranho? Ele não sabia se Kacchan ia aceitá-lo depois de tê-lo abandonado pela segunda vez.
O garoto explosivo então largou sua mala de treino num banco assim que se isolaram no local. Ele levantou seus olhos rubi para o outro, sério, tentando manter seu estômago firme.
— Eu pedi permissão para o diretor, então relaxa. É só um treino no final das contas.
— Ah, entendi. — Midoriya sorriu amarelo, abaixando o olhar momentaneamente. Ele também se aprontou, colocando as faixas nas mãos antes de se equipar com as luvas verdes.
Os dois se puseram a colocar o restante do equipamento em silêncio, com foco e precisão. O Midoriya agradecia que nisso pelo menos eles eram bom juntos. Se fosse para lutar, ambos não precisavam de palavras. Mas ainda assim, o nervosismo não sumia.
Kacchan bateu os punhos um no outro com força e desferiu um sorriso empolgado.
— Vamos corrigir seus chutes hoje. — disse, chamando o garoto para o campo principal metros à frente.
Midoriya respirou fundo e deixou suas emoções de lado um pouco.
— Vamos.
Depois de quinze minutos, ambos estavam completamente na zona. Em cada movimento, a cada troca, os garotos se concentravam mais. Bakugo aproveitava o ritmo para corrigí-lo e xingá-lo com sua voz extremamente alta, tendo gradualmente mais dificuldades em bloquear os chutes.
No intervalo, Midoriya fazia anotações e Bakugo tomava água de um squeeze tamanho grande, apontando sobre a forma como Midoriya não conseguia conectar seus golpes pelo desleixo de seu treino. Disciplina, confortabilidade com o próprio corpo, consistência. Faltavam muitas coisas para ele, que nunca havia treinado nenhuma arte marcial, mas Bakugo apontava tudo o que era necessário.
— Sua flexibilidade é uma merda ainda maior, Deku! — ele gritou em certo momento e puxou o pé do rival, quase matando-o de dor.
— K-Kacchan! Impossível! — ele chorou, caindo travado no chão, recebendo apenas olhares de reprovação e ordens para se levantar.
Os dois fizeram um treino de liberação de força baseado em tackles e passaram passo a passo cada movimento, cronometrando cada mínimo exercício. Você podia até achar que os dois eram nerds em exercício.
Assim foram pelo menos duas horas, com pausas, até que o loiro decidiu finalizar o dia.
E assim, enquanto ambos se sentavam no banco para tomar um ar, a realização voltou aos dois. O momento da discussão se aproximava. O nervosismo retornou, como um estalo, como se estivessem condicionados um com o outro.
Midoriya pensou em iniciar, abrir seus lábios e falar o que mais tinha vontade: que queria começar algo novo, falar seus sentimentos, como tinha se sentido quando foi negligenciado e o que desejava compartilhar dali para frente. Porém, aquele vozinha que dizia para ele parar de ser a pessoa que sempre iniciava tudo estava ali no seu ouvido. Infelizmente, ele não se arrependia de tudo o que fez até então. Ele realmente não queria uma repetição da história. Ele queria quebrar tudo e começar as coisas de forma diferente, da forma certa. Para isso, para algo novo começar, Kacchan tinha que lutar por ele. Do contrário, nada começaria.
E sim, ele não precisou esperar mais nenhum segundo. O loiro foi o primeiro a se manifestar, o squeeze firme em seus dedos. Seu corpo inclinado, os cotovelos sobre os joelhos:
— Izuku, tem algo importante que preciso te falar.
O esverdeado levantou seus olhos, um pequeno brilho de esperança, e, ainda, um tremor no estômago de medo.
— Hm. — ele respondeu, a voz presa na garganta.
Os dois ficaram ainda um pouco quietos, se hidratando e pensando em como continuar. Midoriya fitou-o e Bakugo o fitou de volta, soltando os lábios da garrafa.
— Assim que terminarmos aqui? — Bakugo indagou, bem mais manso do que seu tom normal.
Midoriya sentiu um calafrio em todo seu corpo, sendo abatido com o olhar calmo e o tom profundo do amigo de infância. Sentindo aquele clima que só acontecia quando estavam os dois. Algo que só existia no universo quando os dois estavam unidos.
XXX
A decisão de ir ao quarto de Bakugo foi feita quando, passando pela sala, viram o vizinho de quarto de Midoriya subindo as escadas e falando com Ojiro sobre o alarme de All Might que o fanboy tinha e de como era possível ouvir perfeitamente o apetrecho gritando todas as manhãs. Os dois se entreolharam discretamente, confirmando que eles deveriam seguir para o outro quarto e torcer para que ninguém do andar de Kacchan estivesse no dormitório.
Os dois já tinham feito tudo o que precisavam, tendo passado no vestiário do campo de treinamento e aproveitado as duchas por lá, por mais esquisito que fosse estarem juntos naquele ambiente. Estavam vestidos em suas roupas casuais, refrescados, um pouco mais relaxados para a conversa possivelmente estressante que teriam.
Se possível, Midoriya queria que terminasse rápido. Que eles conseguissem acertar o que fosse necessário e eles pudessem continuar seus caminhos. Considerando o quão objetivo Kacchan era com tudo, ele não deveria ter dificuldades quando o assunto era relacionamento.
E mesmo assim, com toda a dúvida e apreensão, ambos sentiam-se um pouco mais seguros no que fazer a partir de agora.
Midoriya entrou primeiro, sendo convidado para o quarto diligentemente organizado de Kacchan.
— Com licença.
As cortinas bege transmitiam a luz do lado de fora e as janelas de vidro estavam fechadas. Ele passou os olhos pela escrivaninha e pelo armário, onde o amigo de infância mantinha todo seu extenso material de estudo. Havia um suporte com fones de ouvido e alguns equipamentos de treino. Kacchan também tinha uma garrafa enorme de água e um objeto de metal mediano, cilíndrico e relativamente grande, que provavelmente era um equipamento de suporte para armazenar suor.
Ele soltou as alças da mochila em suas costas, pensando em apoiá-la em algum lugar e foi para perguntar ao loiro onde podia colocá-la, ouvindo ao mesmo tempo o trinco da fechadura e a mala de treino preta de Kacchan sendo colocada no chão ao lado da porta.
Assim que ele terminou de se virar, o loiro se aproximou na maior naturalidade, segurando a mochila de suas mãos e colocando em cima de sua poltrona.
Midoriya engoliu em seco, sentindo seus lábios ressecados, e percebendo novamente o ar intenso que formava ao estarem a sós. Os dois frente a frente, olhos nos olhos.
— Da última vez você disse que não queria fazer as coisas do meu jeito.
A voz do garoto penetrou seus ouvidos com confiança, mas ele o conhecia, conseguia ouvir o pequeno tremular de quando Kacchan estava com medo. Ele o deixou continuar.
— E que se eu quisesse algo passageiro era melhor achar outra pessoa.
Kacchan movia os olhos, tentava achar algo nos olhos do ex-parceiro. Ele precisava se livrar de parte de seu orgulho infantil e dominar sua coragem, viver a pessoa que ele queria se tornar.
— Hm... — Midoriya assentiu levemente, suas mãos fechadas ao lado do corpo. Seus olhos baixos, tomado pelas memórias amargas da última discussão.
O loiro soltou um longo suspiro. Sua mão estendeu-se, sem demora, e tomou a de Midoriya, assimilando a textura, a massa, a temperatura, sabendo que o esverdeado fazia o mesmo.
— Mas não tem outra pessoa. Não quero outra pessoa.
Midoriya arregalou os olhos, mas não houve tempo para falar.
— Eu vou falar a verdade. Eu realmente não sei o que fiz que te fez sentir como se você fosse um objeto ou o que disse que te fez achar que eu não me importava.
Midoriya apertou os olhos, sentindo uma pontada de irritação. Ele se lembrou de como se sentiu fazendo tudo mecanicamente e Bakugo não iniciava nenhum beijo. Era tão simples, tão clichê, que ele se sentia um idiota pensando em como fazia questão daquilo.
Bakugo viu claramente sua reação. Ele conhecia o Midoriya.
— Você sabe que eu não vou mudar tudo sozinho. Eu tenho meu jeito de fazer as coisas, você também tem o seu. A gente precisa falar todas essas coisas agora se quiser que isso dê certo.
Midoriya pensou alguns segundos, sentindo a mão quente na sua, o aperto, o calor. Sua chance estava tão perto, ele não queria perder tudo por causa de seu orgulho.
— Kacchan, se voltássemos a ficar juntos como antes, eu tenho medo de continuarmos agindo do mesmo jeito. — Midoriya disse, seu tom ridiculamente baixo. Seu rosto vermelho, os olhos buscando o do mais velho e se mantendo firmes.
Bakugo esperou, engolindo tudo o que fosse necessário. Ele definitivamente não queria deixá-lo para a próxima oportunidade. Um herói faz o agora acontecer.
O Midoriya estava claramente nervoso, mas continuou:
— Tenho medo de que você não se importe. Você aceitou que eu me afastei tão fácil e você não perguntou nem o porquê. Pareceu naquele momento que só eu me importava.
O loiro piscou, relembrando amargamente de como foi ser ignorado pelo parceiro.
— Não foi fácil assim. Você não sabe o que eu senti quando eu te assisti se afastando e não pude dizer nada.
— Kacchan, eu nunca soube o que você estava se sentindo. — bufou, jogando os ombros, sentindo o peso da verdade saindo de seu corpo. — Como eu vou saber se você nunca me diz o que está sentindo?
O loiro passou a mão na testa, recebendo as palavras de Deku como um tapa e na espera de que as paredes do quarto não escutassem o que ele ia revelar. Houve uma breve hesitação.
— Eu sei... Você quer saber como me senti naquela hora?
A face perturbada de Midoriya o esperava, assentindo com leveza e respondendo.
— Eu quero saber tudo sobre você, Kacchan.
O outro riu, mas de embaraço. Kacchan apertava inconscientemente os dedos de Midoriya, tentando achar um suporte.
— Como eu me senti... — Bakugo apertou os olhos. — Eu senti que eu perdi. Eu me senti inútil, incapaz de fazer qualquer coisa. Eu senti que você não queria mais... Apesar de eu querer tanto. Mesmo quando eu nunca... nunca, nunca ficaria com você antes de tudo isso, mas até isso me fez ficar tão confuso e com medo.
Bakugo sentiu suas veias tremerem. Seus olhos encararam o esverdeado loucamente, as emoções tomando-o, descontrolando-o. Ele sentia desespero, quebrando.
— Kacchan-
— Você é o único que deveria entender de verdade como eu me sinto. Eu vou ser o herói mais forte desse mundo, Deku. Você não entende qual é o tamanho do risco que estamos correndo nos envolvendo assim?!
A dor nos olhos verdes foi tanta que Bakugo sentiu seu estômago revirar.
— E-Eu nunca achei que você estava pensando tão longe assim, Kacchan... Nós estamos no 1º ano ainda... Ainda tem muito tempo.
— Izuku.
O esverdeado travou os ombros, vendo a seriedade com que o loiro levava tudo. Os olhos rubi de Kacchan atravessando os seus, suas mãos apertando-se umas nas outras, não querendo largar.
— A gente não tem tempo nenhum. Tudo pode acontecer num mundo de peculiaridades. Eu tenho que fazer o agora valer, senão... não vamos conseguir fazer dar certo. Eu já decidi que vou agarrar o que eu conseguir. Sobre nós dois, eu vou aceitar o que você puder me dar. Se você não me quiser, eu não tenho outra escolha a não ser te deixar ir. Tenho?
Midoriya por uns instantes ficou sem palavras, a realização batendo forte. Ele sempre foi bom em ler as pessoas, mas isso tinha escapado dele. Algo tão simples. Kacchan tinha escapado dele por algo tão simples de resolver.
— Entendeu agora?
— Você... Eu... — Midoriya pensava, sentindo sua mente trabalhando em fúria. Seu rosto explodia, seu estômago nervoso vendo um Kacchan tão emotivo. Agora ele conseguia entender. — ... Nós dois nunca vamos ter uma vida normal, não é?
Era óbvio que não era o que eles queriam. Mas as coisas tinham que ser assim.
— K-Kacchan!
O garoto então soltou suas mãos e agarrou a camisa do loiro, puxando-o. Sua cabeça no ombro largo, o cheiro do banho tomando suas narinas.
Bakugo sentia seu coração correndo uma maratona dentro de seu peito. Ele também estava viciado em Deku. Ele sabia que estava cavando a própria cova. Mas ele estava disposto a fazer o que fosse preciso para ter tudo o que pudesse.
— Só pra deixar claro... Eu me sinto tranquilo com você. Eu não faria com ninguém mais o que fiz com você, Deku. Mas podemos deixar isso claro? Eu não preciso de um rótulo para provar nada. Você quer mesmo um? E por em risco a coisa mais importante de nossas vidas?
Midoriya balançou a cabeça em negação avidamente. Naquele momento ele percebeu com clareza que a felicidade traz inúmeros percalços e desconfortos. Ele tinha que admitir que, no final, ele e Katsuki pensavam igual, ambos tinham um sonho que era maior do que tudo. E sua relação era natural, era simplesmente parte disso. No amor às vezes se dá e às vezes se cede. O perfeito equilibrio.
— Eu não preciso de um. O que eu preciso é que você pense nas coisas que eu quero também. Que esteja comigo. Que se importe e mostre, porque algumas vezes eu fico muito inseguro. — Midoriya iniciou, sua voz abafada e trêmula a cada palavra. — Se a gente só conversar mais... Acho que vai dar tudo certo.
Bakugo segurou seus ombros, puxando-o para encará-lo. O ar enchendo seus pulmões.
— Desde que você começou a me responder, você nunca mais ficou quieto. Sempre falou o que deu na telha. Caso não for falar, então escreva. E eu farei o meu melhor por você, pra nós dois. — respondeu, com os olhos brilhantes e as bochechas coradas.
Midoriya sorriu com graça, achando-o sutilmente fofo. O ar leve de repente.
— E você vai pensar no meu lado também quando eu quiser fazer alguma coisa?
Bakugo o fitou um segundo, o ventre balançando com as borboletas da timidez.
— Sim. Eu sempre vou pensar no seu lado também.
Midoriya quis rir por dentro, sabendo que ser gentil realmente não era a cara de Kacchan.
— Nesse caso... V-Você tem que sempre me beijar... E eu quero ver seu rosto. E também, às vezes eu quero fazer coisas diferentes...
Bakugo quis se matar por dentro, seu corpo acendendo. O nerd balançou ainda mais seu rosto completamente patético de vergonha, porém, animado com a gama de possibilidades.
Kacchan resmungou com a enorme lista. Mas ele tinha começado, então ele iria até o final.
— Izuku. — Bakugo parou-o, levantando sua mão esquerda e interrompendo-o, guiando o rosto para si. As sobrancelhas escuras juntavam-se num sinal de pura surpresa.
Os olhos vermelhos de Bakugo se tornaram tranquilos, os cílios de repente mais perceptíveis. Seus lábios ficaram mais relaxados e ele tentou não pensar muito no que ia acontecer. De tão perto foi possível ver as pupilas do Deku aumentando quando aproximou seu rosto, num movimento sutil, leve, e tocou seus narizes, como se ele fosse algo delicado.
— Ka-Kacchan... — Midoriya murmurou num sopro, sua mão direita levantando automaticamente e segurando a mão de Kacchan, que continuava pairando em seu queixo.
Ele não deve ter notado como seus olhos foram se fechando e sua boca entreabriu. O calor se espalhando deliciosamente no espaço entre suas faces.
Bakugo fechou sua mão na do outro e encostou sua testa na dele.
Toda as emoções agudas no ambiente de alguns minutos atrás se tornando algo novo. Muito parecido com aquela coisa que eles adoravam quando estavam juntos, só que mais. Como se consumada.
— Você é livre para ir quando quiser. Mas quando fizer sua escolha, vai precisar levar até o fim. Entendeu?
Midoriya molhou seu lábio, sentindo a voz de Kacchan atravessar direto por sua boca, nublando todo seu pensamento lógico. O hálito de pasta e o cheiro suave de glicerina fazendo-o fincar os dedos na mão macia do loiro. O toque da pele em sua testa e nariz suaves.
— O que você quer nesse momento? Me diz. — a voz de Kacchan passou por seus ouvidos como um feitiço, despertando seu outro lado.
“Eu faço o que você quiser.” Parecia estar dito no fundo daqueles olhos vermelhos.
O mais novo apertou as pálpebras, seus dentes beliscando a pele interna dos lábios, seu corpo respondendo à proximidade. Agora ele estava a um palmo de distância. E a sensação de poder que obteve naquele instante foi algo que nunca esqueceu, mais poderoso que qualquer força de uma individualidade.
— Kacchan. — ele sussurrou, tão perto. Sem saber se sua voz estava quebrando. — Me beija...
O loiro respondeu ao comando.
Como se tivesse virado a chave, ambos se encontraram no meio caminho, fechando a distância enorme que ambos tinham percorrido para chegar até o ponto atual.
Ele tentou não aprofundar de uma vez, apesar do desejo de devorar a face inteira do Deku, sentindo que precisava saborear aquele sentimento. Parecia muito tempo desde que sentiu tanto prazer. Seus lábios prenderam-se no inferior do mais baixo, lentamente molhando-os, testando a voz tão carente, provando a textura, sentindo a carne volumosa em seus dentes.
A mão livre de Midoriya encontrou-se em meio aos fios loiros, enquanto a outra entrelaçava firmemente com a dele, tão esguias quanto o movimento de seus lábios.
Bakugo fez o mesmo, permitindo sua língua enlaçar a do companheiro, numa nostalgia recompensadora. A sensação daquele beijo tomando todos os seus sentidos, fazendo-o esquecer do mundo ao redor. A maciez daqueles fios verdes em seus dedos o distraíam por pouco, fazendo-o desejar todo para si.
Os arrepios tomavam o esverdeado em ondas. Seu lábio sendo puxado com uma mistura de impaciência e apreciação. Seu peito encostado ao de Kacchan, tocando a maciez e a alta temperatura.
— Mm...
Sem deixar as mãos, os garotos se moveram, perdidos no espaço entre a porta e a cama, que Bakugo foi tentando guiar sem deixar Midoriya por um segundo.
— Uhm... – Midoriya murmurou debilmente, em êxtase com aquela boca na sua, esquecendo-se do resto.
O braço livre de Bakugo alcançou o corpo do Midoriya, numa puxada lenta, fechando ainda mais impossivelmente a distância, rolando-se um no outro devagar. Bakugo envolveu a cintura do esverdeado enquanto seus lábios pareciam se comunicar.
Ambos se separaram entre os pequenos murmúrios para medir os centímetros entre a cama e suas pernas. Bakugo o puxou rapidamente, fazendo-o vir para seu colo enquanto se sentava na beirada da cama.
Midoriya tocou ambas faces do loiro, abrindo seus grandes olhos verdes. Neles, Bakugo viu algo que o fez estremecer em suas extremidades. A predação.
A voz do esverdeado soou em seus ouvidos, trazendo-o para o limite de seu estado controlado.
— Kacchan...
Bakugo o deixou vir. A boca em seu pescoço, roubando para si sua pele, acariciando abaixo de sua orelha com seus dentes com força, para beijá-lo, e deslizar a língua com demora. O loiro fechava os olhos, recebendo as carícias, sentindo-as cada vez mais intensas, ele próprio perdendo seus dedos nas costas quentes. Os sons de Izuku eram genuínos, guturais... ele não lembrava de vê-lo agindo com proatividade dessa forma, não com a forma que os dedos fortes agarravam seu rosto e pescoço, fazendo-o dobrar-se para cima, esperando a língua do mais novo subir por todo seu queixo, ficar a um centímetro de sua boca, provocando-o, pondo-o em espera.
Deku repetiu seu nome e o beijou, puxando seus fios de forma deliciosa, gemendo em sua boca, perdendo-se tanto que fez seus olhos revirarem, levando Kacchan consigo numa viagem de uma conexão completa.
Bakugo o apertou contra si, sentindo finalmente a ereção em seu estômago, quase acreditando que os dois estavam fundidos um no outro.
— Deku... — Bakugo murmurou, a excitação começando a tomá-lo violentamente, seus quadris inquietos, seu nariz inspirando ar desesperadamente.
Ambos rolaram na cama, Midoriya sobre Bakugo, roçando todas as partes, encontrando um caminho na clavícula para sua boca faminta. A camisa branca de Midoriya subia com a movimentação, os dedos do loiro deslizavam sobre suas laterais, apertando-lhe os músculos firmes, até que decidiu afastá-lo momentaneamente.
Apenas com o olhar, Bakugo passou sua mensagem. Seus olhos sanguinários queriam aquela peça de roupa em cinzas, longe do peitoral de Midoriya. E como se obedecendo ao olhar, o esverdeado sentou-se sobre seu quadril, esquecendo de sua vergonha. Ele nunca conseguiria se livrar completamente do nervosismo, contudo, ele já havia transado com o loiro algumas vezes... A diferença era que hoje ele estava na liderança. Ele tinha que dar seu melhor.
Midoriya levantou os braços e puxou a peça inimiga, sem parar de levemente deslizar sobre o satisfatório monte abaixo de si. Passando por sua cabeça, seus fios se tornaram ainda mais bagunçados, seus olhos ficando mais escuros ao retornar para Kacchan.
Em resposta, um sorriso característico desenhou-se no rosto do loiro. Seu pênis latejando com a visão tão sensual que o outro proporcionava. Então ele o analisou, desde o primeiro e mais alto fio rebelde, descendo por aquela face redonda, seus olhos decididos, as sardas que lhe davam um ar tonto – e charmoso – e tudo o mais. Cada linha de seu pescoço, o peito que vinha ganhando mais massa, assim como os bíceps, as fendas do abdômen... fazendo-o perceber que haviam mudado muito naquele período separados.
— Você está olhando muito, Kacchan... — Midoriya comentou, seu rosto ficando mais vermelho que o normal. Disse e rapidamente estendeu-se sobre o loiro, juntando seu torço, não pedindo permissão para infiltrar suas mãos cheias de cicatrizes por baixo da camisa negra, buscando o contato direto. Sentiu suas mãos calosas e quentes, recebendo uma sensação imensamente deliciosa ao explorar aqueles músculos, cada parte do abdômen, cada peito, roçando o mamilo em seus dedos curiosos. — Você é tão macio, Kacchan...
O loiro fechou os olhos no ímpeto, esparramando-se no deleite que era ter as mãos em suas partes mais íntimas. Mãos firmes... Mãos decididas... Mãos insatisfeitas... seu rosto esquentava tanto, fazendo-o levemente se perder no momento, no movimento... O pênis contra o seu, tão forte abaixo dos tecidos, deslizando-se numa pressa adolescente.
O mais velho então o segurou pelos antebraços, trazendo-o de volta para seus lábios. Mas suas mãos desceram sem mais delongas, buscando o cós da bermuda, infiltrando seus dedos com o desejo tão impaciente quanto o do esverdeado.
— M-Mm...
As línguas entrelaçaram-se, provocativas, enquanto o loiro tomava os glúteos em sua posse, acariciando-os, parando os dedos e puxando a carne para si, com a agressividade que era sua, sentindo-os de forma completa. Midoriya estocou seu quadril como resposta, esfregando-os com uma porção de força que lhe causaram arrepios e os grudou na cama. Bakugo gemeu com força e ele também, finalmente deixando suas naturezas tomarem o lugar de direito... Midoriya respirava forte enquanto sua boca automaticamente ia se abrindo para a língua do mais velho, deixando que ela a penetrasse, molhada e tenra, e Izuku, na reação, tornou a chupá-la, longa e lascivamente, como se lembrava de chupar o único pênis que tinha entrado em seu corpo.
Bakugo apertou ainda mais seus olhos, ainda mais os dedos... ele sentia a dureza contra a sua e aquele estado febril levando-o ao limite de um delírio conjunto. Com rapidez, retirou-se de Deku, sua língua banhada na saliva do garoto, quente como lava. Os olhos verdes tão escuros, quase dormentes, fitando-o à espera de qualquer coisa que ele pudesse oferecer. Ele estava pronto. Deku estava bem nesse lugar, no auge de sua excitação, sua mente gritando por qualquer carícia ou palavra... esperando uma ação sua.
— Caralho... — ele resmungou, quase inaudível. O loiro não disse mais nada além disso, afastando o esverdeado apenas para arrancar sua calça e não lhe dar tempo. Bakugo não o deixou dizer mais nada, deslizando juntas, a bermuda e a peça íntima do mais novo para fora.
Midoriya soltou um som abafado quando suas costas encontraram o colchão. O loiro estava de joelhos entre suas pernas, olhando-o em sua totalidade e deslizando as mãos em seus joelhos, distraindo-se na pele.
Ele estava completamente nu. Kacchan completamente vestido. Ainda assim, a marca úmida no meio das pernas, o volume tão perfeitamente desenhado, pareciam dizer que ele estava tão cru e vulnerável quanto.
— Kacchan... — Midoriya suspirou, não tendo tempo quando o loiro desceu, os olhos escuros sobre seu pênis latejante.
A expectativa foi muita, mas a realidade foi muito além. Com aquela volúpia indomável, mas com a força medida, os lábios quentes encontraram o meio de seu peito, capturando a pele e lhe dando uma boa ideia do que esperava mais embaixo.
— Kacchan... — Midoriya não se conteve, colocando os dedos na nuca do loiro, alcançando os fios, experimentando a textura, descendo para a borda da regata negra. O loiro não ouvia. Fingia não ouvir. —... A roupa... Kacchan...
O loiro desceu mais, fazendo sons sobre sua pele. Seus olhos entreabriram quando alcançou o corpo de seu alvo. O esverdeado forçou-o apenas um pouco mais e começou a puxar o tecido, obrigando o loiro a parar o que fazia.
— Izuku... — Bakugo respondeu, parando momentaneamente. Dali mesmo, agarrou o tecido pelas costas e puxou, se livrando dele em alguns segundos excruciantes. Olhando-o assim, Midoriya sentiu um pulsar forte, bem visível, algo se formando em sua mente. Bakugo sorriu ao vê-lo responder tão bem com a visão de seu torso.
— Está bom assim? — ele perguntou, voltando onde tinha parado, pretendendo experimentar um pouco do pênis tão duro e exposto.
— Espera...
Bakugo parou no meio do caminho e o encarou fuzilante. Ele não queria esperar. O que aquele nerd poderia querer tanto ao invés de ser chupado? Estava enlouquecendo com tanta espera!
O esverdeado tinha aqueles olhos. E lhe deu arrepios até as pernas.
— Fica aí. — ele murmurou, comendo Bakugo com os olhos. Aqueles olhos analíticos comendo-o, devagar, desde o topo. — Kacchan, abre as pernas só um pouco.
A mão de Midoriya desceu lentamente sobre o próprio abdômen e ousou se tocar na glande, acariciando-a com muita leveza. E o loiro se manteve onde estava, sentado sobre as pernas, acima de Midoriya, pasmo, excitado, o corpo respondendo engraçado com todas aquelas novas sensações.
— Você tem que se tocar também.
E ele fez, copiando o ritmo suave do garoto deitado. Os dedos tocando-se sobre o tecido, sentindo a umidade, sentindo até mesmo o cheiro de seus fluídos.
— É... — Midoriya gemeu, apertando os olhos. —... Você é tão gostoso...
Bakugo mordeu o lábio, fechando os olhos só por um instante, sentindo-se prazerosamente recompensado por aquele elogio. Seu rosto queimava. Seu pênis ardia.
— Kacchan... mais forte...
O loiro sentia o estômago se afundando e seus testículos apertando-se levemente, gostando tanto da sensação que sua boca abriu-se para o ar. O gemido saindo gutural de sua garganta.
Midoriya parecia tão envolvido naquela foda visual que nem parecia ele mesmo. O sorriso empolgado, as arfadas graves. Tudo enquanto se massageava arduamente lento e obrigava o companheiro a seguí-lo. Em dado momento, Bakugo segurou a ereção sob o tecido com força e encarou-o, parecendo avisá-lo com o olhar.
— Tira essa bermuda e vem...
Foi alguns segundos para o loiro se livrar das peças, se igualando ao esverdeado em todos os níveis. Seu corpo se juntou com o dele de novo e os beijos que trocaram pareceram intermináveis. O loiro por cima, moveu-se, sentindo enorme satisfação quando o menor abraçou suas costas, e eles se esfregaram juntos, imitando uma penetração. Suas próprias mãos perderam-se na cabeça de Izuku, nas costas do ombro, tentando encontrar um apoio para dar o impulso necessário.
As pernas de Midoriya subiram para a cintura de Bakugo, seu corpo recebendo-o perfeitamente. Os membros se tocavam e permaneciam juntos por causa do peso que o loiro exercia. O fluído que lhes escapavam os mantinham levemente lubrificados, trazendo uma sensação de conforto.
Izuku abriu os olhos, vendo o maior se esforçando, movendo-se com cuidado, procurando em sua face qualquer sinal que pudesse guiá-lo a seguir.
— Como está? — murmurou a voz de Kacchan, que pareceu alien, saída de algum lugar que não dele.
— Muito bom... — Deku respondeu, percebendo que eles estavam iguais.
Bakugo mordeu o lábio com uma sensação em particular, sentindo sua glande massageada pelo corpo rijo de Midoriya. Sua cabeça desceu para o pescoço do garoto e respirou ali, sentindo o aroma cobrindo seu pensamento deliciosamente.
— Kacchan...
Bakugo fechou os olhos, querendo tanto ter um orgasmo daquela forma, mas o mais novo o interrompeu de novo.
— Izuku, você quer me matar assim?
Midoriya o beijou, fazendo-o se calar e não dizer algo tão agourento quando estavam fazendo sexo. Depois, seus dentes se demoraram sobre ele, buscando o queixo, depois subindo o maxilar, caminhando para a orelha e fazendo o loiro rolar e deixá-lo por cima outra vez.
— Eu quero você gozando na minha boca. — murmurou no ouvido do garoto, causando uma reação tão deliciosa que as mãos de Kacchan amassaram sua cintura com força, marcando-o de vermelho e de suor.
Bakugo se contorceu para longe daquela boca obscena e o encarou, tentando não perder sua dominância, as mãos agarrando-lhe em sua nuca.
— Então desce e me chupa gostoso, Deku.
E sem delongas, o esverdeado desceu. Sua boca macia primeiro abrigou um de seus testículos, tão provocantemente e amargurantemente bem, lento e suave, sugando a pele, depois girando-o na boca quase com maldade. Aquele pervertido. Bakugo sentiu raiva pelo prazer que vinha e sumia, como se estivesse brincando com ele. Dando o que queria, chupando com a língua e ar, subindo seu pênis tão bem, e parando por segundos torturantes, deixando-o sozinho, no limite, na espera.
Midoriya desistiu de provocá-lo quando viu a face de Bakugo se contorcer em diversas expressões, segurando os xingamentos de sofrimento. Então resolveu fazer o que devia certo e se dar aquele prazer também.
— M-Meu deus... — o loiro gemeu quando seu membro foi envolto pelo calor e pelo abrigo de uma cavidade apertada. Nada podia ser tão satisfatório quanto a primeira penetração depois de tantas promessas. E o garoto fez tão bem, como vinha fazendo tudo. Aquela cena carnal lhe trouxe apenas na beira do orgasmo. Izuku com a boca cheia, a respiração dificultosa em seus pêlos, a sensação da ponta da língua tentando alcançar mais de seu escroto.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Bakugo meteu de leve, sentindo a ponta encostando numa parede cartilaginosa. Houve um arrepio em seu saco com o ar expirado do esverdeado e os sons daquela garganta preenchida.
— Olha pra mim... — o loiro murmurou, com dificuldade em controlar seus quadris, mas Midoriya estava começando a engasgar.
Os olhos verdes abriram um pouco e os lábios se fecharam um pouco mais. Ele começou a afastar a cabeça e a deixá-lo banhado com uma quantidade de saliva pingante. Os lábios do menor se abriram ao tê-lo fora e ele inspirou uma lufada de ar inteira.
— Kacchan... — ele gemeu e voltou a lambê-lo, tomando-o com as duas mãos.
Midoriya chupou a glande apenas, acariciando o membro com seus dedos, olhando para o companheiro uma vez ou outra. Ele estava tão duro e tão quente, que parecia que explodir.
Bakugo estava no limite também. E empurrou devagar sobre sua bochecha, para que o menor o abrigasse de volta e aumentasse aquele passo, pois senão ele mesmo iria fazê-lo.
Mas não precisou de mais nenhum aviso.
O garoto o tomou, apertando a coxa em sua mão esquerda e buscando a mão de Bakugo, parada ao lado do corpo, deslizou-o de volta. E o movimento de subida e descida começou devagar, mas gradualmente se intensificou.
— Mm! — Bakugo não conteve o som, abrindo ainda mais as pernas e deixando o Midoriya cuidar dele.
A boca o prendia entre o barulho e o enrolar da língua molhados. O gemido do garoto o fazia tremer, cada vez mais próximo do clímax.
— Kacchan. — ele suspirou entre o canto da boca, sugando-o alto e envolvendo os lábios com vontade. Midoriya deixou-o ir fundo, se concentrando.
Bakugo soube o que era pra fazer. E suas pernas se moveram, metendo ritmadamente para dentro e para o fundo daquela fenda apertada, ele respirava cada vez mais alto, sendo tomado pela sensação que o puxava para cada vez mais perto;
— M-Mmm... I-Izuku... — ele fechou os olhos com força. Avisou. — Izuku!
Foi quando eles pararam. Todo movimento impedido, permitindo-se saborear a melhor parte. Bakugo viu por pouco o movimento da glote, o pomo de adão se movendo timidamente enquanto o esverdeado tomava seu sêmen.
O membro deslizou para fora, ainda com espasmos e descendente. Midoriya colocou a mão sobre o lábio e pensou em esperar ali mesmo, entre as pernas do loiro, mas Bakugo nunca mais iria deixar dúvidas entre eles.
O mais velho foi até o menor e o pegou pelas faces, mesmo ainda trêmulo pelo pós-orgasmo, e beijou o garoto. Beijou-o com a força do ódio, sentindo o próprio gosto na língua cansada do Deku. Não era assim que ele queria terminar a noite.
Por sua vez, o mais novo tinha a mente cega pelo tesão que sentia. Ainda não satisfeito em diversas partes, exceto por sua boca. Sua boca já tinha recebido muito amor.
— Eu ainda não acabei... — Bakugo disse como se fosse uma ameaça, obrigando o garoto a deitar. —... Eu ainda posso te fazer gozar mesmo sem um pau.
— Ka-
Midoriya revirou os olhos ao sentí-lo. Não a boca. Os dedos.
— Por que você me faz ficar assim, Izuku?
Insistente, os dedos o envolveram embaixo. A boca, esta foi para o peito, capturando os almejados mamilos, que se apresentaram muito sensíveis ao seus carinhos. Pelo outro lado, ele tateou no glúteo, massageando-o, puxando a pele, vendo se o esverdeado percebia a vontade que tinha de enfiar o dedo com violência naquele ponto enrugado e pervertido.
— Você se tocou aqui? Hein? — perguntou, prendendo um dos mamilos eretos e maleáveis em seus dentes, sentindo-o todo nervoso e sensível.
O ponto onde queria colocar seu pênis constantemente se fechou e abriu junto com o gemido. Naquele ritmo, o loiro estava conseguindo masturbá-lo e levá-lo ao clímax antes do normal.
— Vai gozar tão rápido assim?
Midoriya agarrou seu cabelo, fechando os dentes.
— M-Mm...!
— Goza pra mim, Deku.
— Ka-Kachaan...
O garoto apertava o abdômen, sentindo tudo muito intensamente. Era difícil deixar para outra pessoa a tarefa de levá-lo ao orgasmo. Tinha dificuldade em soltar-se com conforto. Parecia que Kacchan estava vendo um lado muito secreto seu.
— Relaxe um pouco. — o loiro pediu, subindo para seus lábios. — Pode confiar em mim.
Midoriya abraçou sua cabeça e tentou deixar acontecer. Sua boca na dele.
Bakugo acariciou-o com a língua e com os dedos, massageando-o como se soubesse exatamente como ele gostava. Um dos dedos do mais velho aventurou-se em seu ânus, molhado, e brincou com ele de forma superficial, em sua entrada.
— Acho que vou gozar. — ele gemeu baixo, escapando do beijo apenas por um instante.
— Isso... Olha para mim, Izuku.
O esverdeado assim fez. Os olhos vermelhos o deixando ainda mais constrangido do que o normal. A forma empenhada que o amigo de infância se dispunha para fazê-lo se sentir bem, era diferente de tudo o que tinham compartilhado até o momento.
— M-Mm... — Midoriya começou a senti-lo nas bordas de seu ser.
— Eu quero você. Eu quero você inteiro... Só eu e você.
A voz de Kacchan ia se perdendo, baixa, mas tão real. A confirmação de que eles estavam ligados um ao outro. Não havia volta.
— Kacchan, eu vou... A-ah!
Ele deixou tudo sair junto com uma longa expiração, parecendo que uma parte sua saía também, apenas pelo bem de Kacchan.
— Você está bem? —- ele indagou, levantando a mão completamente pintada de um branco espesso e cheiro intenso na intenção de não sujá-los mais do que o necessário.
O esverdeado apenas movimentou a cabeça, ainda espasmático, mole demais, com a cabeça cheia demais. Seu rosto sentia como se estivesse derretendo, vermelho e sem energias.
— Desfaleceu? — Bakugo perguntou com graça, tocando-lhe a face com a outra mão.
Midoriya afastou-a, sem nenhum controle de sua força.
— Claro que não, Kacchan. — ele respondeu, lento demais para seu gosto. Tudo o que havia era uma fatiga imensa que o tentava para um sono longo e para o descanso de seu corpo esgotado. — Você só fala em morte até nessas horas?
— Se tem energia para responder, devia tomar uma água e se preparar.
O garoto olhou-o cansado e suado, virando o corpo para baixo e abraçando um travesseiro.
— Preparar? Mm...
Bakugo se levantou em sua nudez e pegou a caixa de lenços em cima da mesa, fazendo a limpeza que precisava. Depois disso, remexeu em uma gaveta e em alguma parte do quarto, fazendo barulho.
— Aqui.
Midoriya sentiu a garrafa gelada em sua bochecha e agradeceu mentalmente. Ele tomou, sentindo um alívio recompensador e acabou tomando-a inteira.
Depois de uns segundos assim, o loiro tornou a conversar.
— Se sente melhor?
Midoriya assentiu, movendo-se para dar espaço ao maior na própria cama. Bakugo tomou espaço e fez o que sempre gostaria que tivesse feito. Abraçou-o, trouxe para perto, beijou ele. Mimou-o tanto que o pervertido nunca mais reclamou.
— Não dorme. — Kacchan avisou em seu ouvido, descendo os dedos em seu peito, propositalmente desenhando a lateral de seu corpo.
— Kacchan, você ainda está com energia? — indagou, grogue.
— Você brincou comigo até agora; me deixou no limite. Agora eu estou voltando com força total, Izuku.
Midoriya encostou em seu pescoço e o apertou num abraço forte, esmagando o loiro com sua força descomunal.
— A gente não vai fazer nada. Eu preciso descansar pelo menos uma hora.
— D-Deku, você tá me apertando demais...
O esverdeado sorriu, como um tonto, e o encarou. Mesmo sonolento, ainda tinha o ar predatório de sempre.
— Se você me deixar descansar, eu vou te dar muito prazer depois.
A sobrancelha fina arqueou-se, mostrando como estava curioso para descobrir.
— E como exatamente você vai fazer isso? Ainda tem truques na manga? Pervertido.
Os dedos do garoto então desceram por suas costas, sentindo-o sob sua pele. O corpo macio e robusto de Kacchan que lhe davam inveja. Seus dedos massagearam pela primeira vez os glúteos, tão mais bem definidos que os seus, e deixando o loiro completamente sem reação.
— Onde você tá tocando?
O garoto beijou seu pescoço, sentindo a excitação apenas levemente provocá-lo. Ele não era capaz de fazer mais nada agora, contudo, ele seria, muito brevemente.
Bakugo sabia bem disso e não ia forçar nada. Ele estava imensamente satisfeito e livre de todas as preocupações que o vinham atormentando. Ele podia ser uma melhor versão de si mesmo. Ele podia provar isso para o Izuku e pra todos que ousassem pensar o contrário.
— Você me quer inteiro, Kacchan? — o garoto sorriu, beijando-o na boca, sentindo-o retornar com volúpia, respondendo-o com um “É claro, idiota. Quer que eu repita de novo?”
Midoriya parou um segundo. Queria se expressar um pouco mais, só um pouco mais. Kacchan precisava ouvir dele. Ele o obrigaria se necessário, a partir de hoje.
Seus olhos se encontraram, tão focados um no outro que nada mais parecia importar, mesmo sabendo que sim, havia uma missão muito nobre que ambos tinham de cumprir fora daquelas quatro paredes.
— Eu te quero inteiro também. Vai ser só você e eu.
— Enquanto for possível. — o loiro adicionou após uma certa pausa, encontrando-se com Izuku, no mesmo ritmo, na mesma vibração.
— Eu vou fazer isso se tornar possível o tanto que precisar, Kacchan. — o garoto murmurou, soltando-se do beijo, sua convicção inabalável, como sempre quando tomava uma decisão.
Bakugo sorriu em empolgação, sentindo-se desafiado.
— Então eu não posso ficar para trás, não é Deku?
Aqueles segredos ficaram ali, junto com eles, no silêncio. Uma aliança só entre os dois.
FIM
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