Obstáculo

1 Único


Notas iniciais
MEM está fazendo seu quinto aniversário, yaaaay! Depois de considerar muito o que fazer para comemorar , decidi que um oneshot seria bom. Ah... Mas por que acabou ficando desse jeito? Estava disposta a fazer algo bem fluffy, talvez uns momentos fofos nalu durante MEM, porém isso é o que saiu. Desculpe dhdsdjbsd Essa também é a primeira vez que escrevo para valer em um looongo tempo, então sejam bonzinhos comigo, please~ Meus murmúrios a parte, espero que gostem! É só para matar a saudade um pouco (kinda?) e dar uma introduzida em alguém que apareceria na continuação da história - *tosse, tosse* se eu fosse digitar *tosse, tosse*. Aliás, tem umas coisinhas aqui e ali que ficarão mais compreensíveis se já tiverem lido tanto Meu Estranho Mafioso quanto o extra do aniversário de três anos, Probabilidades. Só gostaria de pontuar isso. Enfim! SJHFUASFH Espero que aproveitem! Parabéns MEM!!

NATSU DRAGNEEL estava nervoso. Seu último encontro com Lucy não havia deixado um gosto bom em sua boca. Claro, ela havia avisado-o que não facilitaria seu plano de reconquista, porém não esperava que fosse receber uma rejeição tão forte. Mesmo Jurei havia ficado chocado com a força da recusa.

Ele suspirou, movendo os dedos dentro dos bolsos do casaco grosso e cinzento que usava em uma tentativa de aquecê-los mais. Novembro chegava ao fim e dezembro se aproximava em uma velocidade impressionante, mas não tanto quanto a rapidez de Magnolia em se enfeitar para o feriado próximo.

Bisbilhotou com o canto do olho o horário na enorme placa de LED retangular fixada na parede do shopping. Dez minutos faltavam até a hora que combinou de se encontrar com Lucy. Havia se animado demais com a possibilidade de sair com a loira que acabou chegando cedo demais. Já estava cansado de ficar em pé e os olhares que as pessoas que passavam ao seu lado ao entrarem e saírem do estabelecimento não o deixava confortável.

Soltou outro suspiro, vendo o vapor que era sua respiração flutuar e sumir em meio ao ar.

Como poderia não ficar excitado com a ideia de vê-la novamente? A Heartfilia não apenas tinha relevado como negou sua companhia da última vez que o vira, como o convidou para um encontro! Bem, não exatamente um encontro. Ela apenas gostaria de sua opinião sobre qual presente comprar para o pequeno nepote, porém para Natsu era uma chance de ver seu rosto, ouvir sua voz e quem sabe, se fosse sortudo o suficiente, ver aquele sorriso que sempre teve encanto a respeito.

Fora que — percebeu com uma nota amarga — mal havia tido encontros com a loira quando os dois costumavam ser um casal.

Por um momento, deixou sua mente vagar de volta para essas raras ocasiões que tivera. Tirando confraternizações a qual era obrigado a participar, como a festa de fundação da Fairy Tail, formatura e até mesmo seu próprio aniversário; só houveram dois momentos que realmente puderam aproveitar da companhia um do outro: quando tiveram o primeiro encontro no observatório e quando, para seu espanto, Lucy decidira visitá-lo à noite durante uma época muito ocupada daquele ano em questão.

Sentiu seu rosto aquecer ao lembrar desse. Não só foi uma bela surpresa, como apenas relembrar todos os detalhes — da forma como ela se vestiu até tudo o que fizeram depois que o choque inicial passou — fora um belo auxílio nas noites em que se sentiu solitário nos últimos anos.

Não que tivesse intenção em deixá-la saber disso.

Sentiu-se desconcertado um pouco, pois a lembrança da maneira como Lucy gemeu seu nome naquela noite voltou à sua mente com força. Céus, como sentiu falta da Heartfilia! Das brigas bobas que costumavam ter, da maneira que a segurava em seus braços, de como seu coração se acelerava toda vez que a via fora do normal, seja em um baile ou na manhã seguinte em que dividiam a cama, o cabelo dela em uma bagunça que, aos seus olhos, era uma das coisas mais encantadoras do mundo.

Percebeu seus olhos arderem um pouco, seu âmago uma mistura de todos aqueles sentimentos.

Ele sentia falta de Lucy, de uma uma forma que chegava até mesmo a ser doloroso. O que eram as remarcas ásperas dela perto do fato de não poder nem ao mesmo vê-la?

— Lucy, quero te ver… — murmurou, tentando exprimir aquele espiral de emoções para fora, ignorando os olhares atentos em sua direção.

— Natsu? — a voz da loira atingiu seus ouvidos e Natsu sentiu-se… uma bagunça. — Você chegou cedo! — exclamou surpresa, aproximando-se dele. Não esperava encontrá-lo aguardando-a bem ali, do lado da porta de entrada do shopping.

Percebeu que o Dragneel passava o braço na frente dos olhos com força e segurou uma risada. Era mesmo como se ele estivesse tentando se convencer que ela era real.

— Oh, bem… — balbuciou, e Lucy pôde notar como o tom estava embargado. — Acabei me animando e chegando um pouco cedo demais. — Natsu deu-se ao prazer de olhar nos olhos castanhos, tentando enviar para ela uma mensagem que nem ele mesmo tinha certeza o que era. — Aliás, quem é essa? — questionou apontando para a mulher que viera a acompanhando.

Lucy virou a cabeça um pouco, sorrindo feliz por ele ter perguntado.

— Oh, essa é Brandish Myu, uma amiga minha da Inglaterra! — apresentou, segurando nos ombros da amiga. — Ela é um grande apoio meu.

A mulher, de cabelo e olhos verdes, um pouco mais alta que a loira, ajeitou o casaco (que fora bagunçado pela maneira como Lucy agarrou seus ombros) e estendeu a mão em um cumprimento.

— Olá. Ouvi falar muito de você, Natsu Dragneel. — disse em um tom de certa forma monótono.

— É mesmo? — Natsu apertou sua mão, seu olhar alternando entre a loira e ela. — Apenas boas coisas, espero.

Brandish abriu a boca para responder, entretanto foi cortada por Lucy.

— Ela não pôde conter a preocupação comigo e decidiu fazer uma visita…

— Estadia — a mais alta corrigiu.

— Ela chegou ontem à noite, e quando mencionei que o encontraria hoje, ficou decidida a te conhecer. — franziu as sobrancelhas de maneira entristecida. — Espero que não se importe dela vir conosco.

— É claro que não me importo — respondeu, mesmo sabendo que era uma mentira. Mas como poderia negar quando Lucy parecia tão animada com a amiga por perto? Relembrar seus encontros com a loura havia construído uma animação em vão, porém apenas o fato de Brandish estar ali parecia deixar aquela que possuía seu coração mais adepta para ele. Talvez fosse a solução para seus problemas.

— Lucy, estou com sede. — a inglesa disse, fazendo um gesto para que todos entrassem e se aquecessem.

— Ah, verdade! — Heartfilia exclamou, fazendo um gesto fofo com a mão como se a palavra a lembrasse de algo. — Tenho uns cupons para café aqui — remexeu na bolsa preta que carregava e tirou alguns pedaços de papel de lá. — Por que não pego algo enquanto vocês acham um lugar para nos sentarmos?

— Pensei que íamos comprar um presente para o Jurei — Natsu mencionou, olhando para ela surpreso. — Além disso, por que precisamos descansar…?

— Ficou me esperando no frio por sabe-se lá quanto tempo! — a loira respondeu. — É melhor se aquecer um pouco e uma bebida quente totalmente seria uma ótima ajuda. Fora que realmente quero que Brandish prove o café daqui. Depois do Fairy Latte, é meu favorito.

Oh?, Natsu pensou, degustando a nova informação. Não sabia muito o que havia mudado nos gostos de Lucy desde que se separaram, então qualquer coisa nova era como ouro para ele.

— Certo. — concordou. — Vamos esperar ali. — apontou para uma mesa próxima a um display de roupas. Adoraria se oferecer para ele mesmo ir buscar as bebidas, porém não sabia exatamente de qual cafeteria dali Lucy estava falando.

— Ok. Bran, o que você quer?

— Pode ser um mocha. — a resposta foi curta e o tom monótono continuava lá, entretanto a outra mulher parecia inabalável com a falta de energia dela.

— Natsu?

— Uh… Um americano serve.

— Hum… — Lucy murmurou, e o rosado perguntou-se o que poderia estar passando pela cabeça dela. — Mocha e americano! Já volto!

O Dragneel e a Myu sentaram-se na mesa e… só. Três minutos se passaram e nem uma palavra sequer foi proferida. Era esquisito para Natsu passar tanto tempo quieto, ainda mais vindo de uma casa onde seu pai, Igneel, conversava consigo mesmo apenas para o ambiente não ficar silencioso. E tudo que ouvira sair da boca de sua atual companhia foi uma apresentação, uma correção para Lucy e que tipo de café iria querer.

— Uh… — tentou pensar em um assunto. — Então… Como é Lucy de volta na Inglaterra?

— Imprudente. — novamente uma resposta curta, porém dessa vez com um tom de nostalgia.

— Soa como a boa e velha Lucy Heartfilia. — sorriu lembrando como a mesma palavra atravessou sua cabeça milhões de vezes anos atrás, quando a encontrou. — Ela nunca parou para pensar se uma situação era perigosa ou não. Muita gente até pensava que ela era esquisita por causa disso.

— É. Mesmo que algo seja obviamente uma má ideia, as chances dela se jogar de cabeça são enormes. — Brandish olhou em sua direção, os olhos verdes de repente misteriosos enquanto o avaliava. — É por isso que vim. Quem sabe? Se não estiver por perto, ela poderia até mesmo voltar com você.

Natsu piscou, impressionado por dois motivos:

Primeiro: essa era a primeira vez que a ouvia falar tanto.

Segundo: a maneira como se dirigiu a ele quando disse “você” possuía níveis altos de desprezo que, sinceramente, não ouvia faz muito tempo.

— Quer dizer que as chances da Lucy ainda ter interesse em mim não são nulas? — foi onde se focou.

Brandish revirou os olhos.

— Pense o que quiser. — franziu uma sobrancelha. — Mas lembre-se que, seja lá qual investida tente, vou estar lá para lhe impedir. — os olhos cor de grama fresca ficaram um pouco desfocados. — Nunca mais quero ver a Lucy da mesma maneira quando comentava sobre o inferno que foi a relação de vocês.

— O qu… — o Dragneel não sabia o que dizer, embasbacado.

— Realmente acha que o namoro de vocês era apenas uma estrada florida? — o tom agora era de deboche. — Não consegue pensar em uma só coisinha que pode ter causado um trauma para ela? — permaneceu calado, pois poderia nomear vários momentos que poderiam ter afetado Lucy facilmente. — Desculpe-me por dizer isso tão abruptamente, Natsu Dragneel, mas… você não é bom. Seria ótimo se a ficha caísse logo. Ah! — exclamou, mudando o foco da atenção e deixando um sorriso surgir. — Lucy voltou!

— Desculpe a demora, tinha uma fila enorme! — a loira explicou, depositando a caixa de papelão na mesa.

— Não foi nada, porém esperar aqui me deixou quente o suficiente — a de cabelos verdes balbuciou, levantando-se. — Vamos andando?

— Huh? Ok, mas não deveríamos perguntar ao Natsu o que…

— Tenho certeza que ele já está aquecido também. — Lucy abriu a boca para dizer alguma coisa, entretanto foi interrompida. — Que tipo de criança Jurei é? Vi algumas roupas que podem ficar boas…

O rosto de Heartfilia iluminou-se.

— Ah, ele é um menino muito esperto! Tenho certeza que vocês dois iriam se dar muito bem, sendo prodígios e tudo mais!

As duas começaram a andar na frente, praticamente se esquecendo de Natsu, que se encontrava perdido em pensamentos. Ele apertou o copo de papel com força, quase espirrando o conteúdo para fora.

Ele sabia. Sabia o quanto de dor poderia ter causado uma relação com ele. Esses quatros anos foram cheios de considerações sobre todos esses aspectos, conversas e mais conversas com Lisanna sobre o que ela sentiu, com Flare…

Lucy estava mesmo mais adepta a ele com a colega ali, mas o custo era ter uma guarda costas superprotetora de olhos fixos em cada movimento que quisesse fazer.

Talvez o maior obstáculo até agora tivesse acabado de aparecer.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!