Lucy não entendeu muito o que havia acontecido, em pouco tempo o café da manhã havia virado um local para discussões, aquele rapaz moreno que havia chegado tinha transformado a casa em um caso. Quando foi perceber já se encontrava no jardim vendo Mira trabalhar em uma horta que não conseguia identificar o vegetal ou fruta, estava confusa ainda com tudo aquilo fora tão rápido.

—Mira – falou a loira um pouco confusa.

—Eu sei, foi tudo um pouco rápido não é mesmo?-Mira falou abrindo um sorriso triste- Lucy, aquele rapaz que estava ao seu lado se chama Gray. Ele trabalha com meu senhor.

—Que tipo de trabalho?! – perguntou Lucy curiosa.

—Desculpe, mas não tenho autorização para lhe contar – Mira falou vendo a expressão triste da loira — Mas saiba que meu senhor não quer vê-la machucada, por isso não quer te envolver em seus trabalhos, muito menos ter aquele homem próximo de você. Nunca em hipótese alguma fique sozinha com ele Lucy, mesmo ele sendo amigo de meu senhor ele não passa de um cafajeste que quer levar para cama qualquer mulher, mesmo sendo noivo.

—É tão estranho Mira, por qual motivo ele me protege tanto e se importa comigo?! Tudo isso pelo nosso contrato? Já conheci homens que mesmo tendo um acordo me tratavam mal e não me respeitavam – a loira falou tremendo um pouco após se lembrar de lembranças ruins.

—Sabe Lucy, é muito difícil para meu senhor ter uma companhia que não seja de negócios, são poucos que o aceitam do jeito que ele é — falou Mira se sentando do lado da loira que estava em um banco — Muitas vezes ele precisa assumir uma forma mais humana para conseguir se aproximar de alguém, entretanto ninguém aceitou essa forma dele como você esta aceitando. Sei que hoje em dia há inúmeras coisas para não se ter mais medo de “demônios”, inúmeras séries, filmes e até mesmo livros, mas mesmo assim as pessoas o julgam por sua aparência.

—Eu sei como ele se sente... – a loira falou fazendo um sorriso triste ao se lembrar como era tratada na cidade.

—Natsu não acreditou quando você o encontrou e não teve uma atitude negativa, você ainda fez um acordo com ele de convivência por livre e espontânea vontade. Eu sei que você deve ter achado que ele te mataria, mas você deve ter visto como estava errada – a albina falou ficando seria — Não irei defender meu mestre em certos assuntos, sei que ele já estuprou e matou inocentes, não há como defende-lo, entretanto, eu sei o motivo que o levou a isso, ele é como uma fera selvagem que a qualquer momento pode entrar no cio. Ele já tentou inúmeras vezes conter essa fera, mas sempre que tenta, a situação piora para sua vitima. Ele sempre volta pra casa arrasado e transtornado por ter feito o que fez.

—Mesmo sendo um demônio Natsu parece se importar muito com a opinião dos outros sobre sua aparência e personalidade – Lucy falou encarando seus pés.

—Não devemos julga-lo por ser um demônio – Mira falou abrindo um sorriso — Ele pode ser muito bem ser o mocinho.

—Já vi tantos filmes e livros sobre criaturas que achava até pouco tempo atrás que não existiam, mas agora eu não duvido de mais nada – falou a loira dando uma risada — A proposito, é a primeira vez que venho a esse jardim...

De fato Lucy não havia reparado muito naquele lugar ao ter sido praticamente jogada por Mira, mas agora notara, era tudo muito colorido e bonito, digno de um conto de fadas. Havia pequenos animais que ficavam próximos a algumas ervas e frutinhas, inúmeras arvores serviam como sombra para flores grandes e belas nas quais Lucy nunca havia visto na vida.

A loira chegou a reparar que as criaturas ali eram um pouco diferentes do normal, claro que existia criaturas conhecidas, mas havia uma em especial que Lucy queria ver de mais perto, mal notou quando estava quase próxima a tocar aquela criatura tão estranha e diferente.

—Não a toque — falou Mira pegando sua mão — Ela é uma fada frutífera, não gosta de ser tocada por mãos humanas, se fazer isso ela tentara te matar.

—Uma fada?! – falou Lucy com os olhos brilhando para a albina.

—Não fique com essa cara animadinha, ela é muito perigosa Lucy! –Mira alertou se afastando com a loira- Entretanto, elas cuidam de certas frutas muito importantes nesse jardim, então não toque também nas frutas que elas estão cuidando! – alertou novamente a albina.

—Então como você faz para pegar as frutas?! –Lucy perguntou vendo a pequena criatura com asas brilhantes e com um tipo de morango no lugar do cabelo, o que fazia Lucy acha-la fofa, um corpo pequeno e magro da cor bege e três dedinhos nas mãos e nos pés. Ela achava simplesmente adorável aquela criatura.

—O Natsu as recolhe, então aja o que houver não toque em nada diferente do mundo humano — falou Mira seria vendo o olhar triste da loira — Quem sabe um dia meu senhor não a traga para o jardim para você toca-las?! Duvido que elas te atacassem tendo ele por perto.

—O que vocês estão fazendo aqui?! -Falou Natsu irritado fazendo ambas o olharem.

—Eu a trouxe aqui, achei que não queria Lucy na sala enquanto estivesse conversando com... — Mira fora interrompida.

—Não era pra ter trazido ela para o jardim! – Natsu gritou bufando de raiva.

—Mas eu achei que eu poderia vir ao jardim — falou Lucy confusa com aquelas palavras.

—Mas agora não mais, vá para seu quarto e não saia de lá — falou autoritário deixando até mesmo a albina surpresa.

—O que?! E desde quando eu sou uma prisioneira?! Achei que poderia circular pela casa e pelo jardim como havíamos conversando — falou Lucy apertando os punhos irritada.

—Agora não mais. Mira leve ela para a droga do quarto antes que eu faça isso – falou o mesmo rosnando para a albina que começou a puxar Lucy para dentro.

Mira estava um pouco nervosa pela aquela situação, mas preferiu obedecer ela entrou com Lucy na casa novamente, assim dando de cara com Gray que encarou descaradamente a loira dos pés a cabeça antes de lançar um sorriso malicioso. A albina escutou um rosnado fazendo com que o moreno recuasse dando espaço para que as duas pudessem passar.

—Desculpe Lucy – Mira falou abrindo a porta do quarto da loira.

—Mas o que aconteceu lá embaixo?! Todo aquele papo dele se importar comigo, e agora estou me sentindo a Bela! — falou irritada.

—Bela?! – Mira perguntou ficando sem entender — Lucy deve ter alguma explicação! Ele não ficaria tão nervoso com você sem motivo.

—Mas não é o que parece! – Lucy falou bufando entrando em seu quarto.

—Mira desça aqui agora! — Gritou Natsu lá debaixo — E não quero que Lucy saia do quarto!

—Me desculpe — falou a albina vendo o olhar da loira triste antes de fechar a porta e tranca-la.

Lucy estava completamente nervosa e brava, porem rapidamente seus sentimentos começaram a mudar e uma súbita vontade de chorar tomou o seu corpo a fazendo cair no chão e segurar seus próprios joelhos. Aquela mesma sensação de alguns anos atrás estava sentindo novamente, não queria sentir toda aquela dor.

Estava com medo de dali adiante sua vida ficasse daquele jeito, presa naquele quarto e compelida a apenas sair quando fosse requisitada para entregar o seu corpo. Era tão parecido com sua antiga vida, presa a um mundo aonde precisava apenas sair de seu quarto para dormir com outro homem desprezível.

Sentiu ainda raiva de si mesma por ter confiado no rosado, achou que ele era diferente, quando fez o contrato já havia aceitado o pior em sua vida, mas o pouco tempo que esteve junto a ele percebeu que estava enganada e que poderia aceitar aquele estilo de vida e ser feliz. Mas mais uma vez estava ela aos prantos por se iludir com um homem, não, ela se iludiu com um demônio que esta apenas brincando com seus sentimentos.

Lucy se levantou ainda chorando e começou a socar os travesseiros enquanto gritava de raiva, odiava aquela sensação de ser usada novamente. Aquilo não poderia estar acontecendo novamente, ela seria novamente usada por outra pessoa para dar prazer por dinheiro? Natsu não podia fazer aquilo com ela, eles tinham um acordo, certo?! Ninguém poderia tocar nela, estava segura e protegida.

Ela voltou ao chão agora se deitando enquanto encolhia o corpo e abraçava forte sua cabeça enquanto as lagrimas não paravam de cair, dizendo repetidamente que ninguém iria machuca-la e toca-la novamente enquanto balançava seu corpo sem perceber o tempo passar.