Obsessão Fatal

Capítulo VI

Kitsu jogou o joystick de lado e deixou seu corpo se abater sobre tapete. Estava cansado de jogar videogame. Era décima vez seguida que perdia para àquela máquina estúpida. Nunca fora bom em jogos eletrônicos.

“Mas será que algum dia tive um aparelho desses?”, ele se perguntou e gargalhou em resposta. “Só se foi em alguma vida distante” respondeu sua própria pergunta, virando o corpo para o lado e encarando o dispositivo de controle do videogame que consistia em nada mais que uma vara vertical cheia de botões. Aquele formato... Um único cabo, ereto. Era bem sugestivo. Fazia-o lembrar de algo mais interessante para se fazer com ele. Com certeza se aquilo vibrasse saberia como usá-lo de uma forma mais útil. Acabou rindo da sua ideia pervertida.

Era sempre assim, tudo o levava a pensar em sexo. Nem se recuperara direito do ferimento interno na sua parte traseira e o desejo louco de ser tomado com força já o incandescia. Mas será que havia sensação melhor que a do orgasmo? Se houvesse ele queria ser apresentado a ela e quem sabe assim, pararia de pensar no prazer lacerante que era ter outro homem se arrematando com força no seu interior.

— Que horas você vai chegar, Sasuke? — reclamou, prendendo o lábio inferior nos dentes. — Não aguento mais esperar...

O loiro retirou a camisa, estava suado. Então, observou seus mamilos acesos. Tocou-os de leve nas pontas e soltou um gemido entre os dentes cerrados ao sentir o quanto estavam sensíveis.

— Merda! O que você está fazendo? Por que não volta logo?

O loiro se levantou e chutou o joystick do videogame para longe, fazendo-o rolar para debaixo da cômoda. Olhou seu rosto no espelho daquele mesmo móvel e percebeu que as manchas arroxeadas causadas pelas pancadas dadas por Neji haviam se amenizado, praticamente desaparecido. Mexeu nos cabelos, passando as mãos sobre eles, tentando alinhá-los. Mas a franja voltou a cair no seu rosto e constatou que estava na hora de cortá-la. Não gostava do cabelo caindo nos olhos, deixava-o com ar meigo. Saiu da frente do espelho e caminhou até a porta do quarto. Havia tomado banho como Sasuke o ordenada e também havia usado a tal pomada, introduzindo-a devagar em si mesmo com o dedo indicador, demorou bastante tempo no processo e quase teve um orgasmo. Só não teve porque seu dedo não era grande e nem largo suficiente para satisfazê-lo. Saiu para o amplo corredor com os pés descalços.

Seu tele-transporte não estava funcionando, então seria obrigado a ir andando até a cozinha.

Enquanto caminhava teve a mesma sensação de quando acordou no quarto de Sasuke pela primeira vez, ou de quando usou o banheiro poucas horas mais cedo, que aquela casa imensa, os cômodos e até as mobílias, eram de alguma forma estranha muito familiar. Como se já estivesse estado ali antes.

Entrou na cozinha, no piso inferior, e preparou dois sanduíches com frios e um copo de leite para acompanhar. Apanhou tudo e decidiu que comeria no quarto. Aquela cozinha tão ampla e tão vazia lhe causava calafrios. Subiu os degraus da escadaria central da casa com cuidado, para não derramar leite no chão e seguiu novamente no extenso corredor que levava aos quartos.

Foi então que Kitsu franziu o cenho ao observar que tinha alguém detido perto da porta, era um garoto e ele parecia entretido, olhando algo dentro do quarto. Achou aquilo muito estranho. Da onde teria vindo aquela criança? Será que Sasuke havia deixado a porta aberta? E mesmo se ele tivesse deixado, não havia vizinhança a quilômetros... O garoto estaria perdido? Estava usando a casa como esconderijo?

Aproximou-se do pequeno que, estava ainda distraído, sequer notara sua chegada. Ficou mais curioso em saber o que ele estava olhando tão hipnotizado. Então espichou seu olhar por cima do garoto e sua primeira reação fora de assombro. Havia alguém lá dentro, deitado na cama, e pelo tamanho parecia uma criança. Outra criança?

Sentiu calafrios.

Observou aquele outro garoto perto de si, as roupas bem alinhadas, cabelos loiros, lisinhos e brilhantes, como se estivesse usando gel, ele tinha olhos claros. Azuis como os seus.

— Ei, pirralho, o que ‘tá fazendo aqui?

Diferente do que imaginara o garoto não lhe deu ouvido e continuou estacado na porta, como uma estátua, olhando a criança dormindo dentro do quarto. De repente, e do nada, uma segunda pessoa surgiu ao lado daquele menino. Este, já era um rapaz, de cabelos lisos, negros e compridos, não conseguira visualizar sua feição. Igual a criança, ele também não notara sua presença, pois não lhe dirigira um mísero olhar sequer. Era como se ele, Kitsu, fosse a alma penada ali. Esse rapaz repousou a mão no ombro do garoto e o avisou.

— Não é aqui, é mais adiante.

— Quem é ele? — o pequeno quis saber.

— Meu otouto[1]. Ele normalmente dorme cedo. Você quer que eu o chame para brincar com a gente?

O garoto negou sacudindo a cabeça de um lado para outro, depois disso ergueu a cabeça para fitar o mais velho.

— Eu quero brincar só com você, Itachi-nii-chan[2].

Kitsu caminhou e ficou do outro lado daqueles dois, de frente da porta do quarto, e finalmente conseguiu enxergar os olhos daquele rapaz, eram olhos passivos, contudo, carregados de cobiça e malícia. Reconhecia aquele olhar. Já o vira muitas vezes em clientes que tinham como principal fetiche ser chamado por ele de “papai”. O mais velho pareceu ter gostado daquela resposta, pois ofereceu a mão para o pequeno e o chamou.

— Certo. Então, venha, Naruto-chan[3].

O menino assentiu e apanhou a mão que o mais velho lhe oferecia. Então os dois passaram por Kitsu como se fossem feitos de névoa, causando-lhe um arrepio agonizante. Fechou os olhos com força e soltou o copo de leite no chão, que se estilhaçou em pequenos fragmentos brilhantes. A sua cabeça começou a latejar. Doer. Inflamar. Era uma dor insuportável. Apertou os olhos com mais força. Sentiu náuseas. Apertou ambas as mãos na cabeça. Começou a cambalear. Sentiu falta de ar. Apoiou-se na parede. Andou por cima dos cacos e seu sangue borrou o leite de vermelho. Os cortes. O sangue. A dor nos pés o fez despertar. Abriu os olhos. Observou o corredor na direção que aqueles dois haviam ido. Não tinha ninguém. Então, olhou para o quarto, a cama estava vazia.

Uma ilusão? Sonhara acordado? Daquele jeito tão real?

Encostou as costas na parede e escorregou até se sentar no chão. Estava suando frio. Direcionou a mão no lado esquerdo do peito sentindo uma dor lacerante. Aquilo não fora uma ilusão. Eram fantasmas em sua cabeça. Fantasmas que queriam empurrar de volta para seu consciente o passado adormecido o qual nunca fizera questão de rever.

...

— Não, eu não aceito isso, Itachi! — gritou o loiro de cabelos lisos inconformado; se grudando nas costas do moreno e abraçando-o com força.

Mas Itachi apenas retirou os braços em torno de si e voltou a encher a mochila com objetos que lhe seriam úteis. Apanhou uma lanterna, isqueiro, arma, faca, munição, colete a prova de bala, bomba de fumaças, perucas, roupas e documentos falsos.

— Para onde você vai?! — gritou novamente.

— Você fala alto demais, estou cansado da sua voz. Pare de me encher com suas perguntas, é inútil ficar grasnando, eu não vou respondê-lo.

— Eu não aceito isso! — ele voltou a esbravejar. — A polícia inteira de Konoha deve estar atrás de você nesse exato momento, Itachi. Eu te tirei da cadeia e você disse que iria entrar na nossa...

— Eu disse que iria pensar no assunto, porra! — irrompeu furioso.

Itachi parou o que estava fazendo e se voltou para o loiro que havia engolido a fala e agora tremia os lábios depois do seu grito. Deidara estava sem camisa, descalços e vestia só a calça branca que fazia parte do seu uniforme de médico.

— Eu disse que só daria uma resposta quando estivesse fora — continuou. — Mesmo assim você insistiu que queria me tirar da cadeia. Ótimo. Você cumpriu bem sua promessa e agora eu estou te dando a sua resposta: não tenho a mínima intenção de fazer parte dessa palhaçada de organização criminosa. Eu tenho que encontrar uma pessoa. É só isso que me interessa. Você me tirou da cadeia, eu já agradeci metendo em você até dizer chega. Agora, se não quiser que eu estrague esse seu lindo rostinho, é melhor ficar bem longe de mim. Procure outro trouxa pra tirar da cadeia — concluiu, dando tapinhas na face esquerda de Deidara.

Depois disso, voltou-se para mochila e a fechou. Enrolou o cabelo comprido e o colocou para dentro do boné, pôs óculos espelhados de lentes vermelhas, calçou luvas de borracha preta e por último vestiu uma jaqueta de couro preta. Enquanto isso, o rapaz loiro mordia os lábios tremulantes. Ainda não estava conformado com aquela resposta. Ele havia arriscado seu traseiro por aquele maldito maníaco e ele simplesmente o descartara como se fosse reciclável? Ainda dizia na sua cara que estava indo atrás de outro?

“É isso... Ele ainda é obcecado por aquele irmãozinho apático.”

— Eu o ajudo a encontrá-lo, Itachi! — Tentou uma última e desesperada alternativa.

— Eu sei aonde encontrá-lo, não preciso da sua ajuda.

— Então eu te dou proteção!

— Foda-se!

O rapaz desesperou-se ao perceber que seus argumentos não fariam efeito com Itachi. Então abriu a gaveta do seu roupeiro e encontrou em meio suas roupas íntimas uma pistola automática. Apontou-a na direção de Itachi. As mãos trêmulas. Os olhos marejados.

— Vou repetir o que disse antes, Itachi Uchiha: eu não aceito isso. Eu não aceito que você me deixe. Se você cruzar essa porta, eu acabo com sua vida.

— Patético... — Itachi balbuciou, sem sequer voltar para ele ou para a arma que Deidara lhe apontava.

— Patético eu? — O médico gargalhou em meio ao pranto que escorria por seu rosto. — Olhe pra você Itachi. Acabou de sair da cadeia e está indo atrás do irmãozinho doente e débil mental que te colocou lá. O irmãozinho que você mesmo deixou traumatizado! Vai te ferrar, filha da puta! Quem você pensa que é pra falar de mim? Eu sou o cara que você deve gratidão por ter te tirado da cadeia. Eu sou o cara que arriscou o p- próprio p- p- pescoço... D- droga... — Deidara soluçou e esfregou a mão livre sobre os olhos, irritado, por não conseguir concluir sua fala sem chorar e gaguejar. Itachi deveria mesmo achá-lo patético. Respirou fundo e voltou a segurar a arma com as duas mãos.

Itachi, internamente, estava achando engraçada as ameaças quase infantis de Deidara. Mas não podia mais perder tempo, puxou a mochila para o ombro e deu as costas para o loiro.

— A gente se vê.

Mas ao colocar a mão na maçaneta daquele quarto velho no subúrbio da cidade, Itachi sentiu o vapor da bala passar de raspão pela sua face direita. Sentiu vontade de sorrir, e acabou dando um sorriso meio de lado. Não acreditava que Deidara teve coragem de atirar, mas atirou. A bala atingiu o patamar de madeira e abriu ali um furo pequeno e preciso, de onde pode ver a rua do outro lado.

Olhou o médico por cima do ombro. Deidara arfava. Os olhos incandescidos. Mãos oscilantes. Rosto banhado em lágrimas. Era uma visão fascinante. Sentiu-se excitado. Soltou da maçaneta. Deixou a mochila escorregar do ombro para o chão e se voltou até o loiro caminhando tranquilamente.

— Eu vou te matar — o loiro continuou ameaçando.

— Faça. É a sua última chance. — O moreno o desafiou. — Tão coerente um médico tirando vidas, não é? Foi para isso que me queria fora da cadeia? — Itachi estacou diante de Deidara, então umedeceu o dedo indicador na boca e correu este pelo cano quente da arma, propagando um chiado.

Depois disso lambeu os lábios e passou a língua no canto da boca do médico.

— O cano está quente — Itachi observou, aproximando sua boca da boca de Deidara, mas ele a rejeitou, virando o rosto para lado, voltando a encostar a pistola no peito do criminoso.

— Eu não quero só mais uma foda, Itachi — avisou-o. — Eu quero ficar do seu lado. Eu quero que faça de mim...

— Minha mulher?

— Seu comparsa.

— Certo. Mas e o seu mundo de bandidinho como vai ficar? De membro da Máfia da Akatsuki? — Itachi sussurrou e aproximou a boca do lóbulo da orelha dele, mordiscando-o. Não se incomodava com o cano da arma encostado em seu peito, aquilo tornava a coisa mais interessante. Estava se deliciando em ser o causador da angustia que o loiro sentia. — Como vai fazer para sair dessa merda de organização criminosa? Eles não vão te perseguir quando descobrir que você está do lado de outra pessoa? Que gastou as verbas que eles ganharam a tanto custo dos políticos corruptos com caprichos? Acha que vai deixar seu chefe contente?

— Não me importo...

Itachi lambeu o pescoço do loiro fazendo-o gemer, correu a mão por seu peito desnudo e passou a atiçar um dos mamilos dele com a ponta das suas unhas compridas. Depois disso passou a friccionar seu quadril contra o dele, mesmo sentindo o cano da arma roçando entre eles como se fosse um terceiro pênis.

Deidara estava deixando-se ser seduzido. Apesar de manter as mãos firmes no gatilho, começava a se entregar as carícias de Itachi. Mas sabia que ele estava apenas brincando com seus instintos.

— Você é um médico residente, Deidara. Filho de pessoas bem sucedidas. Mas sua vida pacata e perfeita não lhe dava nenhuma emoção, não é? Você achou que tínhamos muito em comum por virmos de famílias abastadas, não é? — Itachi continuou provocando, enquanto sua boca deslizava para o mamilo que antes atiçava com as unhas e passou a sugá-lo. Ouviu o coração do loiro disparar. O membro dele despontar na calça clara. Voltou a falar. — Então você resolveu se aventurar. Fazer coisas erradas só para sentir algum prazer, como um dia eu fiz. — Itachi pôs sua mão sobre o volume na calça e apertou de leve, passando a massageá-lo por cima do tecido. — Queria se sentir vivo, não é?

O loiro engoliu seco. A excitação lhe assaltando. O ar lhe faltando. Novamente o desejo de gozar o atingia com força. Itachi conhecia todos seus pontos fracos, ele mesmo expusera toda sua vida como um livro aberto através das cartas que trocaram.

Era residente no Hospital Penitenciário. Seu sensei era o médico do Presídio de Segurança Máxima. Quando soube da história de Itachi, quis conhecê-lo de qualquer maneira. Pediu para o professor que o levasse junto em sua visita trimestral aos presos. O homem não permitira de início. Dizia que alguns presos tinham verdadeira obsessão por rapazes jovens e bonitos. Mas, ao contrário do que seu mestre pensava, que o assustaria e o faria desistir, o efeito fora reverso: sua curiosidade aumentara. Encontrou uma fórmula: se vestiria de enfermeira se fosse necessário. O médico-professor o chamou de louco, disse que vestido de mulher seria muito pior. Contudo, Deidara não era burro, e interpretou que aquela proteção do seu mentor era ciúmes, sabia que o velho tinha tesão por ele, e bastou fazer sexo oral com ele uma única vez para o homem ceder completamente a ideia.

Passou então a acompanhar o professor nos exames trimestrais do Presídio vestido como enfermeira. Se o maníaco que ele tratava gostava só de jovens rapazes não teria problema com uma mulher. Mesmo assim, Itachi soube, mesmo sem Deidara dizer uma só palavra (o que denunciaria seu disfarce devido ao timbre de voz) Itachi soube, no momento que o viu, que era homem. Foi como se tivesse sentido seu cheiro. Enxergado através de suas roupas femininas. Os dois trocaram olhares fulminantes. Sentiu aquele desejo louco de fazer sexo com ele ali mesmo, na hora da consulta, até na frente do seu sensei. Mas a escolta era bem mais rigorosa quando o paciente era Itachi Uchiha. Então, passaram a trocar mais do que olhares, correspondências que deixavam entre suas roupas. Foi assim que se conheceram mais.

O tempo passou. Apenas vê-lo sem tocá-lo não era mais o suficiente. Precisava tê-lo livre. Queria senti-lo. Bolariam um plano. Através das cartas apresentou a ele a organização criminosa o qual fazia parte. Contou-lhe também sobre o interesse da Akatsuki nele e que queriam ajudá-lo a escapar. Mas, antes, ele precisava sair da penitenciaria de segurança máxima que era um lugar praticamente impenetrável. O Hospital da Polícia seria perfeito. Era residente lá. Conhecia o lugar de cabo a rabo. Sabia da sua estrutura falha. Conseguiria fazê-lo fugir de lá com certeza. Mas para isso, ele precisaria ter uma debilitação grave. Itachi foi simples em sua resposta: “Prepare a minha fuga, eu vou arrumar a debilitação grave.”. Logo veio a notícia. Tentativa de suicídio. Itachi Uchiha havia tentado se matar cortando os pulsos e fora levado as pressas para o Hospital Penitenciário. Parecia um sonho. Seu sonho. Que estava se realizando. Tudo estava caminhando conforme o planejado.

Então saíram de lá em uma fuga cinematográfica. Itachi, ousado como sempre o ideou, o possuiu ali mesmo, nas mediações do Hospital, com os cães dos tiras latindo em seu encalço. Riram divertidos quando alcançaram o rio e se jogaram neste. O rio que cortava as redondezas do hospital, que cortava a cidade. Deixaram ser levado pela correnteza. Apenas máscara de mergulhos transparentes para respirarem debaixo d’água, os corpos submergidos. Nadaram até entrarem na área de tratamento de esgoto. O cheiro não podia ser seguido pela água. Muito menos sentido em um lugar fétido como aquele. Entraram pela tubulação e pegaram um atalho. E, ele, Deidara, o levara para o seu esconderijo. Aquele quarto velho onde estavam agora, em um beco do lado oposto da cidade, além da zona de operários.

Estavam juntos finalmente. Havia sentido prazer da forma mais descomedida imaginada. Itachi era muito mais do que fantasiara em suas noites de solidão em seu quarto. Ele era muito mais do que havia desejado. Por isso não podia aceitar que ele simplesmente o deixasse. Logo agora que se sentia vivo, Itachi queria lhe devolver ao esmo da sua vida sem sentido. Não permitiria.

Voltou a segurar o gatilho com firmeza. A masturbação de Itachi em si continuava. Agora a mão dele estava por dentro da sua calça, fazendo-o quase atingir o clímax. O mataria se ele ousasse a deixá-lo, já havia decidido. O mataria e se mataria em seguida. Era simples. Fácil. Ainda livraria o mundo de dois maníacos.

— Sabe do que me lembrei? — Itachi perguntou, observando o loiro direcionar seus orbes azuis para ele e menear a cabeça em um não. — Várias vezes você me escreveu dizendo: “Minha vida não faz sentido. Eu vou cortar meus pulsos...”

O loiro estremeceu. Era verdade.

— Mas você nunca teve coragem de fazê-lo, não é? Eu o fiz, vê? — Itachi puxou o calço da luva esquerda com os dentes e mostrou a ele a cicatriz. — Quantas vezes eu te respondi que era fácil de fazer. Que se você realmente quisesse teria feito. Mas, não, você nunca o fez. Sabe o que isso significa? Você, não é forte, Deidara. Se não é capaz de se ferir não é capaz de ferir ninguém. — Itachi repousou a outra mão sobre o cano da arma e passou a fazer nele o mesmo movimento de masturbação que sua outra mão fazia no pênis dele. — Você me tirou de lá porque foi uma aventura cheia de adrenalina. Foi como andar de montanha russa, pular de pára-quedas. Não, porque você é desprovido de medo. Essa é a grande diferença entre nós. Veja, você está oscilando agora. Alguém que oscila desse jeito não mata ninguém a não ser se for no susto. Mas você pode provar que o que eu digo não é verdade, apenas aperte o gatilho e acabe comigo como prometeu. — O moreno o incitou novamente, enquanto friccionava a glande dele entre seus dedos, observando-o arfar febril. — Vamos, mostre pra mim que tem mesmo coragem, me faça acreditar em suas palavras.

— Não duvide... Ah... Itachi... — Deidara arfou, estava quase chegando ao ápice.

O moreno sorriu. Lambeu novamente o rosto do loiro e o sentiu estremecer, nesse momento conseguiu retirar a arma da mão dele facilmente. Então a segurou na sua e a deslizou pelo rosto alvo, manchado nas bochechas pelo vermelho da excitação, correu a arma pelo pescoço dele, passou para o peito e a aponto na direção do coração.

— Você é tão lindo.

— Itachi...

Itachi cobriu a boca do loiro com a sua e na sequência sentiu o sêmen quente dele banhar sua mão enquanto o beijava. O residente fechou os olhos para se deleitar com as contrações e o prazer que o êxtase do orgasmo espalhava por seu corpo quando o disparo rompeu-se da arma.

O sangue brotou da boca do jovem médico escorrendo para a boca de Itachi. Itachi, por sua vez, o sorveu e o engoliu. Abriu os olhos e encarou os azuis claros de Deidara arregalados. Afastou-se, deixando-o escorregar pela parede suja, marcando-a com uma enorme mancha vermelha. Seu rosto foi pendendo para o lado à medida que o corpo escorregava até atingir o chão, então Itachi se endireitou e ficou assistindo o médico convulsionar.

— Você que é médico poderia me responder agora: o que é mais prazeroso: a dor do orgasmo ou a dor da morte?

Itachi percebeu que o médico tentava lhe dizer algo, mas a única coisa que ele conseguiu foi vomitar mais sangue. Deidara estendeu o braço em sua direção, ainda queria alcançá-lo. O sangue que escorria do ferimento formou uma poça no chão, Itachi deu um passo para trás, não queria sujar seus sapatos com aquele sangue.

— Você não pode me alcançar. Sabe por que, Deidara? — Itachi abriu um sorriso de lado e o respondeu: — Porque você é fraco. Eu odeio os fracos. Do meu lado eu só quero os fortes.

A mão estendida perdeu a força e pendeu.

— Que bom que entendeu. Foi bom pra mim. Espero que tenha sido pra você. Adeus.

Itachi apanhou a mochila, jogou-a de volta ao ombro, e saiu para rua e para o vento frio daquele início de noite de sábado.

...

Sasuke não entendia o que estava acontecendo e nem o motivo do seu tutor o levar para casa daquela mulher.

Notou que Kakashi estava fora do seu estado habitual no momento em que ele foi apanhá-lo na casa de Sakura. Kakashi sempre fora um poço de imparcialidade e paciência, contudo, naquele momento, ele estava nervoso, andando de um lado para o outro, olhando para todos os lados e consultado o relógio como se estivesse com pressa; mal falou com Sakura e nem deixou que se despedissem direito.

Assim que chegaram ao apartamento ele já foi lhe dando ordens.

— Pegue o básico. Escova de dente, algumas mudas de roupas. Arrume tudo em uma pequena mala.

— Para onde, vamos? — Sasuke quis saber, seguindo o tutor já estava em seu quarto, retirando as roupas do seu guarda-roupa e despejando-as sobre a cama. — Por que está tão nervoso, Kakashi-san?

— Não tenho tempo para explicar, Sasuke. Terei muito trabalho nos próximos dias, é só o que posso lhe adiantar no momento. Não quero deixá-lo sozinho, então conversei com a Tsunade e ela concordou que você fique na casa dela o tempo que for preciso.

— Na doutora Senju? Por que não posso ficar com a Sakura? — perguntou, desesperando-se, ao pensar que estando na casa da doutora teria dificuldades de arrumar uma desculpa para sair e ver Kitsu.

Kakashi parou o que estava fazendo e encarou o afilhado.

— Não, Sasuke. A casa da Tsunade é o lugar ideal, lá você estará seguro. A casa da Senju é protegida por um forte esquema de segurança.

— E eu preciso estar seguro de quê?

Aquela pergunta pareceu ter ferido seu tutor de uma forma que Sasuke não conseguiria imaginar, pois mesmo Kakashi estando com a metade do rosto encoberto por uma máscara, ele notou angustia em seu olhar. O tutor aproximou-se dele e repousou as mãos sobre seus ombros.

— Por enquanto, eu só vou pedir que confie em mim como vem confiando até hoje, Sasuke. Eu prometo explicar tudo nos mínimos detalhes quando você estiver a salvo. Agora, por favor, arrume suas coisas sem mais perguntas.

Agora estava ali. Sentado em uma sala que desconhecia. Na casa daquela mulher por quem nunca simpatizara. E pior, longe do seu Kitsu. Havia ligado para ele até cair na caixa de mensagem. Será que ele havia cumprido a ameaça e tinha ido embora? Precisava falar com ele urgente. Explicar a sua impossibilidade de sair para visitá-lo.

Mas o que estava acontecendo, afinal? Por que Kakashi estava tão desesperado? Não podia ser só o caso do filho do político morto que estava causando aquele alvoroço. Provavelmente era algo de gravidade ainda maior, algo talvez, relacionado ao irmão.

Será que Itachi havia escapado da cadeia?

Ouviu barulho de salto alto no chão de azulejo, a dona da casa se aproximava. Ela havia ido acompanhar seu tutor até a saída. Guardou o celular no bolso da calça jeans. Tentaria ligar para o loiro mais tarde. Observou a mulher de cabelos cor de mel adentrar a sala com uma expressão nuviosa. Ela estava usando um vestido de noite comprido, na cor champanhe, que marcava bem suas curvas, da mesma forma que o decote ousado em “V” deixava amostra parte dos seios avantajados. Ela estava suavemente perfumada, usava uma maquiagem em tom rosas no rosto. Os cabelos preso em um coque no alto da cabeça. Joias brilhantes adornavam o busto, as orelhas, os dedos e o pulso. Apesar de ser uma senhora, a psicanalista era uma mulher evidentemente cuidada e muito bonita, tinha que dar o braço a torcer. Mas era óbvio, ela estava arrumada para sair. E, pelo requinte, era alguma festa de gala.

— Pedi para que colocassem suas coisas no quarto de hóspede. Você está se sentindo bem, Sasuke?

Balançou a cabeça em um sim. A mulher não era acostumada ouvi-lo falando muito. Era melhor manter esta impressão.

— Eu tenho que confessar que fui pega de surpresa. Eu tenho uma festa importante para ir, da qual não posso me ausentar porque serei uma das homenageadas. Espero que me entenda, Sasuke.

— Por mim, não há problemas. Sou acostumado a ficar sozinho — concordou. Na verdade, era exatamente o que ele precisava ouvir naquela noite. Sem a médica o vigiando, teria uma chance de escapar para ver Kitsu e explicar a ele o que estava acontecendo.

— Mesmo assim, seu tutor insistiu para que não o deixasse sozinho. — A mulher irrompeu seus pensamentos com aquela novidade. — Apesar de ter vários seguranças em torno da casa, acredito que eles não sejam ideais para companhia, afinal estão trabalhando. Então, tomei a liberdade de convidar um vizinho, que tem quase a sua idade, ele irá passar a noite aqui com você. Eu vou esperar que ele chegue para apresentá-los e então irei para o cerimonial — informou ela, sentando-se no sofá de frente a ele com as pernas cruzadas.

Se Sasuke pudesse, deixaria um vinco se formar em sua testa, estava incandescido de raiva. Aquela mulher havia conseguido lhe tirar a única oportunidade que teria de ver seu anjo. Mas não, não iria desistir. Precisava apenas pensar em um jeito de se livrar do intrometido.

Passaram-se apenas alguns minutos e mesmo não querendo Tsunade continuava demonstrando sinais de impaciência, ela batia os dedos de unhas bem feitas no braço do sofá. Seu ânimo para ir aquela bendita cerimônia havia se esvaído totalmente. Ainda mais ao saber que o maníaco que acabara com a vida dos seus entes queridos estava novamente a solta. Ficara em choque ao receber a notícia. Era como se seus piores pesadelos estivessem se tornando reais ao mesmo tempo.

O pior de tudo era ter que hospedar Sasuke em sua casa, certamente, ele era o objetivo de Itachi Uchiha. Ter Sasuke debaixo do próprio teto era o mesmo que ter a carne fresca que o predador anseia. Arrepiou-se ao pensar daquela forma. Não podia ficar pensando em algo tão horrível, se advertiu mentalmente. A polícia estava agindo, dando-lhe suporte. A casa estava cercada de seguranças e ela também tinha seus guarda-costas particulares. Além disso, estava vindo um investigador particular para ficar com Sasuke. Todas essas medidas preventivas deveriam ser suficientes para tranquilizá-la, no entanto não compreendia o porquê de não conseguir se sentir assim.

O interfone tocou fazendo-a sobressaltar e se pôr de pé rapidamente.

— Deve ser ele — supôs, tentando se acalmar do breve susto. Atendeu o aparelho preso na parede próxima a entrada e, como imaginava, o porteiro anunciou a chegada do vizinho. — Deixe-o entrar, Saruya. Obrigada.

Tsunade devolveu o aparelho no gancho e apanhou a carteira brilhante que havia deixado na estante. Abriu a porta da sala e aguardou o rapaz que se aproximava.

— Ele chegou, Sasuke.

Ao receber a notícia, Sasuke entendeu que deveria se levantar e o fez, acompanhando os passos da médica somente com o olhar. Era certo, ela estava agitada. Deu pra notar pelos dedos que batiam no sofá. A mão trêmula ao atender o interfone. A ansiedade ao pegar a carteira e se dispor diante da porta.

O caminho do portão até a entrada da sala não era muito longe. Pela porta aberta Sasuke viu o rapaz se aproximando com uma expressão de chateação. Os lábios contorcendo-se de um lado a outro, as mãos no bolso da bermuda brim verde-exército, a camisa da mesma cor, com uma caveira cor creme estampada ao centro, tênis All Star preto de cano longo, uma corrente no pescoço, os cabelos amarrados no alto da cabeça. Parecia um jovem comum. Então o viu parar diante da entrada aberta e cumprimentar a médica com um “boa noite”.

— Boa noite, Shikamaru. Estou um pouco apressada, então, serei breve nas recomendações. Peçam pizzas. Minha cozinheira não trabalha aos fins de semana porque normalmente eu como fora. Deixarei dinheiro com o Saruya na portaria. Meu celular está anotado no caderno em cima da mesinha de telefone, caso precisem falar comigo. Tem vários DVDs na prateleira da sala. Assistam ou usem o computador. Eu pedi para que a Makoto preparasse dois quartos de hóspedes, assim que ela terminar de arrumá-los, irá avisá-los. Eu vou tentar voltar o mais cedo que puder, quero que se sintam a vontade — disse ela por fim.

Então o vizinho apontou para Sasuke dentro da casa.

— Será que agora pode me apresentá-lo agora?

Sasuke sentiu vontade de rir na hora que viu o rosto da doutora se enrubescer devido a gafe cometida, mas conteve-se. Depois dela pedir mil desculpas, justificando o atropelo na sua pressa, ela os apresentou de maneira informal, dando apenas os primeiros nomes.

— Shikamaru esse é Sasuke. Sasuke esse é Shikamaru — Em seguida ela se despediu, fechando a porta e deixando-os a sós.

Sasuke viu o rapaz coçar a cabeça e pegar o celular de dentro do bolso lateral da bermuda.

— Quer pizza de quê?

Sasuke deu de os ombros.

— Tanto faz. Não estou com muita fome.

— Mas eu estou e varado de fome. Vou aproveitar que o rango é de graça e pedir duas de tamanho extragrande. Importa-se se eu pedir umas cervas também?

— Cervas?

— Cerveja. Você é maior de idade?

— Tenho dezoito.

— Sério? Achei que fosse maior de idade[4]. Apesar de que a gente sempre dá um jeito de burlar a lei para experimentar as coisas boas da vida, né, não? — comentou Shikamaru em tom de brincadeira, mas não deu tempo para que Sasuke fizesse alguma observação, pois em seguida ele passou a falar com o atendente da pizzaria que o havia atendido no celular.

Já estava tendo idéias de como despistar aquela pessoa.

...

O investigador Kakashi calçou as luvas de borrachas e abaixou a máscara do rosto, descobrindo o nariz. O cheiro forte de sangue chegou até ao seu cérebro. Fechou os olhos e respirou pela boca. Voltou a cobrir o nariz. Não era necessário utilizar-se do seu super-faro para analisar o que estava evidente: o morto era o jovem médico residente do Hospital Penitenciário, o mesmo se encaixava perfeitamente com a descrição dada pelo time do capitão Yamato. Ele auxiliara Itachi em sua fuga e fora morto com um tiro a queima-roupa. A arma utilizada, uma pistola 9mm, fora largada no local ao lado do corpo. Sua calça estava suja de sêmen. Ele havia chegado a um orgasmo antes ou no momento da morte. Um dos vizinhos ouviu o disparo e chamou a polícia. Era o preço alto cobrado por se envolver com um maníaco como Itachi Uchiha.

Kakashi suspirou fundo. Havia muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Estava começando a ficar preocupado. Ao mesmo tempo em que aqueles acontecimentos pareciam não ter nenhuma ligação, algo lhe dizia que poderiam ter. Mas que tipo de conexão teria o assassinato de Neji Hyuuga com a fuga de Itachi Uchiha? Sua intuição dificilmente falhava, mas não via nexo naquela suposição.

— Kakashi? — Danzou o chamou. — E então?

— É ele — confirmou Kakashi, levantando-se. — É o médico que ajudou Itachi Uchiha fugir do Hospital Penitenciário. Provavelmente foi morto pelo próprio. Mas, capitão, mate minha curiosidade, porque me chamou? Não é o Sombra que está cuidando do caso agora?

— O Sombra está cuidando de outra parte da investigação nesse exato momento. Além disso, ele não pode aparecer no local do crime porque é um agente secreto, ele precisa manter sua identidade preservada. Fora que, você ainda é o meu melhor perito, Kakashi. Quero que colete o máximo de informações que possa passar a ele.

Kakashi concordou com um meneio de cabeça e saiu de perto do cadáver. Precisava de ar fresco. Seu superior o seguiu.

— Acha que esses dois crimes, a fuga de Itachi e a morte de Neji, estejam interligados? — O homem inquiriu, se detendo do lado dele.

— As evidências nos apontam que não. Não passa de uma mera coincidência.

— Mas não é o que você acredita?

— Não, chefe. Mas eu não posso trabalhar em cima da minha intuição, posso?

Danzou assentiu com um meneio de cabeça.

— E o que me diz do rapaz mencionado pelo Hyuuga no depoimento?

— Diria que é o nosso principal suspeito. Precisamos encontrá-lo para tomar seu depoimento. Acredito que a melhor forma de fazermos é um retrato falado. Não existe nenhuma informação sobre ninguém chamado “Kitsune” no banco de identificação de Konoha e nem de Suna. Provavelmente não é o nome verdadeiro dele, me parece mais um apelido. O senhor Hyuuga disse em seu depoimento que ele vivia nas ruas e se prostituía por conta própria. Mas aqui entra o ponto interessante da história, não foi Neji quem o encontrou nas ruas, o rapaz “prestava serviços” para o jovem prefeito de Suna e foi através do prefeito que Neji chegou a esse tal Kitsune.

— Sabaku Gaara? — impressionou-se o delegado. — Não imaginava que alguém como ele se envolvia nesse tipo de aventura.

— Sabe, chefe, eu já vejo ao contrário. Para mim, quanto mais rico e poderoso, mais o ser humano sente-se tentado a experimentar novas sensações.

— Pode ter algum nexo nessa sua observação, Kakashi — o homem o respondeu pensativo. — Mas continue seu raciocínio — pediu.

— De acordo ainda com o depoimento do senhor Hyuuga, o tal Kitsune era o brinquedinho preferido de Gaara e em uma das visitas políticas dele com o sobrinho à Suna, o jovem prostituto fora apresentado a eles como uma possibilidade de diversão. O homem mais velho dispensou o entretimento alegando não ter interesse em pessoas do mesmo sexo. Na ocasião, ou, por estar na frente do tio, Neji também recusou a oferta. Mas, como o próprio senhor Hyuuga nos observou, mais tarde as visitas de Neji se tornariam frequentes à Suna, graças a aliança que fizeram a favor da candidatura do sobrinho nas próximas eleições. Provavelmente em uma dessas ocasiões Neji acabou cedendo ao desejo.

— Por isso que digo que o grande erro do homem está em se deixar levar pela tentação da carne. Neji gostou tanto do que experimentou que decidiu “roubar” o prostituto do parceiro político e trazê-lo para dentro da sua própria casa. O Hyuuga estava com toda a razão em ter corrido com esse vagabundo de dentro da sua mansão.

— Neji trouxe o garoto de programa no fim de semana retrasado, quando começaram as discussões com o tio a cerca da estadia dele na mansão Hyuuga. Na terça-feira da semana passada as discussões se tornaram tão fervorosas que o próprio Kitsune resolveu deixar a casa por vontade própria. A partir daí, Neji garantiu ao tio que o traria de volta e colocou até seus empregados a procura do rapaz. Aqui podemos inserir trechos do depoimento da prima-irmã de Neji, Hinata, que nos contou que Lee, o guarda-costas de Neji, chegou à mansão na quinta-feira a tarde avisando a Neji que descobrira o paradeiro de Kitsune. Os dois saíram às pressas. Algumas horas mais tarde retornaram. Neji estava totalmente transtornado, gritando alto que “o mataria”, não mencionou nomes. Hinata insistiu para que o primo lhe dissesse o que havia acontecido, mas ele apenas se trancou no quarto. Duas horas mais tarde saiu novamente na companhia de Lee.

— Na primeira saída ele teria encontrado Kitsune, mas algo aconteceu para deixar Neji transtornado ao ponto de gritar em alto e bom som que o mataria. Na segunda saída da mansão ele foi decidido a cumprir a ameaça que fizera poucas horas antes.

— Entretanto, Neji não deve ter concluído sua ameaça de forma eficaz, ele certamente deixou Kitsune viver. Isso levou o garoto de programa a matá-lo na noite seguinte. Mas, ainda assim, essa suposição para mim não se encaixa perfeitamente aos fatos. Acompanhe o meu raciocínio, chefe. Neji deve ter feito algo ao jovem na madrugada da quinta. Será que este mesmo rapaz, que fora agredido de forma bruta, estaria recuperado para se vingar dele na sexta a noite?

O homem ficou pensativo por um momento. Era por isso que admirava Kakashi. Não era só de captar evidências que ele era bom. Também tinha uma percepção fantástica.

— Está querendo dizer que alguém se vingou por ele? — o delegado contraiu o cenho. — Quem se importaria em fazer tal coisa por um tipo desses?

O investigador abriu os braços e bateu ao longo do corpo.

— Esse é o problema. Existem tantas lacunas nessa história que nos dá margens as mais variadas suposições.

— Precisamos encontrar esse garoto, Kakashi. É a única forma de termos as respostas. Divulgue o retrato falado. Alguém deve tê-lo visto em algum lugar.

— Sim, senhor. Só mais uma coisa, senhor.

— Sim?

— Gostaria de conversar com o prefeito de Suna.

Danzou franziu o cenho.

— Você suspeita do prefeito?

— Não há porque descartarmos essa possibilidade, chefe. Nem nos esquecermos que, inicialmente, Kitsune servia Gaara. Ele pode não ter gostado da atitude de Neji de tê-lo levado. Não que isso seja suficiente para encomendar a morte de um aliado político, mas pode haver muito mais envolvido. E quem garante que Gaara não estava apaixonado? Já desvendamos inúmeros casos motivados por sentimentos.

— Apaixonado não — ponderou Danzou. — Obcecado. Ninguém que tem bons sentimentos é capaz de atrocidades como essa.

— Concordo.

— E você pretende abordar o prefeito como, Kakashi? Não acho prudente fazê-lo se deslocar até aqui para tomarmos seu depoimento, isso levantaria especulações da imprensa das duas cidades.

— Eu viajo até ele. Irei abordá-lo da maneira mais discreta possível, chefe, praticamente um bate-papo informal.

— E quanto ao Sasuke?

— Ele ficará sobre os cuidados da Tsunade enquanto eu estiver fora.

— Ótimo. A casa dela é bem segura, e ainda poderemos reforçar a escolta. Antes de ir, fale com ele sobre a fuga do irmão, Kakashi.

— Tem certeza, chefe?

— Uma hora ou outra ele vai saber. Não vamos conseguir esconder isso da mídia por muito tempo. É melhor que ele saiba por você do que por outros meios. Sabemos que Sasuke tem uma saúde frágil, além do trauma, mas acredito que o medo de saber que o irmão maníaco está a solto o deixará em alerta. Será melhor assim.

— Sim, senhor.

...

Os dois jovens comiam a pizza enquanto assistiam a um filme romântico. Era o único gênero que o tal vizinho encontrara na prateleira de DVDs da médica. Shikamaru havia tomado quatro latinhas de cerveja e Sasuke estava na metade da primeira.

— Você é mesmo devagar... — reclamou ele, amassando a lata que tinha nas mãos, deixando-a ao seu lado e apanhando a quinta no isopor. — Esse filme é um saco, não acha? Filmes assim é bom de se ver com a namorada — o rapaz comentou, abrindo a lata que fez um chiado. — Falar nisso, estou com saudades da minha loira. — comentou e deixou a lata de cerveja do lado para retirar a carteira do bolso lateral da bermuda, e desta, retirou uma foto, e a estendeu para Sasuke, que estava sentado de forma comportada no sofá, enquanto ele estava esparramado no carpete. — Essa é a Temari, ficamos noivos no início da semana.

Sasuke apanhou a foto que o outro oferecia. O casal estava abraçado e sorrindo no que parecia ser uma praça de alimentação de um shopping. Devolveu a foto para ele.

— Bonita. — Na verdade, não achara. Mas precisava aparentar amigável com o cara que fazia de tudo para parecer simpático e puxar assunto. Mas era algo forçado. Forçado pela sua psicanalista, com certeza.

Sasuke continuou empurrando a pizza para o estômago, enquanto tentava bolar um plano para sair da casa sem ser notado. Já ouvira falar que o álcool provocava sonolência e viu aquele rapaz bocejar várias vezes depois que havia começado a beber. Mesmo assim, Shikamaru lutava contra o sono, ele não parecia do tipo que dormia cedo. Estava perdendo tempo ali. Ele o estava fazendo perder tempo.

Poderia fazê-lo dormir mais rápido dissolvendo um dos seus calmantes na bebida dele, exatamente como fizera com Sakura. Mas ainda tinha um grande problema: como passaria pelos guardas?

Era um prisioneiro naquela casa?

— Você tem namorada? — O outro quis saber, depois de devolver a foto para carteira.

— Tenho — respondeu categoricamente. Estava impaciente. E a cada minuto que passava preso ali ficava mais difícil conter sua passividade.

— Mesmo? Tem foto dela aí?

“Que cara chato.”

— Não, começamos essa semana. Não trocamos fotos ainda.

— Ah, entendi. Você é um cara boa pinta, deve ter arrumado uma dessas patricinhas bem gostosinhas, né, não? Fala aí. Como ela é?

— Ela é normal.

— Hm... — O moreno deu um grande gole na cerveja. — Já saquei que tu não está a fim de falar da sua gata. Então, me responde outra curiosidade, Sasuke. Por que você está aqui na casa da Tsunade? É algum sobrinho dela? Espero que não se ofenda com que eu vou dizer, mas além dela ser bem mais velha que você, ela é uma senhora cheia de neuras, né, não? Minha mãe disse que ela ficou meio doida depois que perdeu toda família. Você notou que não tem nenhum porta-retratos nos móveis e nem quadros nas paredes? Parece um lugar sem história.

Pela primeira vez naquela noite seu acompanhante de cárcere havia dito algo relevante. Nunca estivera na casa da médica e não tinha parado para reparar, mas exatamente como no consultório ela não tinha fotos deles ali. Será que era para não atingi-lo? Nunca se preocupara em ver a cara das vítimas do irmão, afinal, ele também fora uma. Contudo, sabia que a família da mulher fora a que tivera maior número de vítimas. Mas nunca se perguntara o motivo. Sentiu-se curioso.

— Ah, saco. Eu vou trocar esse filme — Shikamaru resmungou, levantando-se e indo até a prateleira de DVDs. Sem se preocupar com o fato de que Sasuke não havia lhe dado uma resposta.

Mas Sasuke imaginava que o fato dele não perceber que estava deixando suas perguntas sem respostas estava vinculado ao seu estágio de euforia provocada pelo álcool. Ele fazia uma pergunta atrás da outra.

— Ah, olha, tem um porta-retratos escondido aqui. — O rapaz tirou o objeto detrás das caixas de filmes e parou para observar as pessoas na foto. — Então ela tinha uma foto dos familiares escondida. Quer ver? — ele ofereceu.

— Hm — Sasuke concordou e levantou-se rapidamente. Estava sendo tomado, pela primeira vez em toda sua vida, por um sentimento imenso de curiosidade.

Seus olhos se fixaram no pequeno quadro na mão do rapaz.

— Será que não tem problema? — quis saber antes.

— Para nós, que não temos nada haver com essa a história, com certeza não — respondeu Shikamaru, dando de ombros, tomando outro gole da cerveja e entregando a moldura nas mãos de Sasuke. Em seguida, ele se virou de volta para estante, ainda crente que encontraria um DVD interessante para assistirem. — Será que a Tsunade-sensei não tem nada pornô aqui? Mulheres se fingem de santas, mas eu sei que elas gostam de umas safadezas.

Novamente Sasuke não dera ouvidos ao que Shikamaru dizia, ao tocar a madeira do objeto, que estava virado para baixo, sentiu um tremor abalá-lo. Foi apanhado por um calafrio que varreu seu corpo todo e atingiu até sua alma. Era como se algo o avisasse para não olhar o retrato.

Continua...

Vocabulário de expressões e Observações.

[1] Otouto: irmão mais novo, ou caçula.

[2] Nii-chan: honorífico usado por crianças pequenas com o irmão mais velho;

[3] Chan: honorífico usado por adultos com as crianças; entre meninas; entre crianças pequenas; normalmente denota intimidade e carinho. Seria algo parecido com a forma que diminuímos o nome de alguém para demonstrar carinho, como por exemplo: “Luanzinho, Flavinha, Marcinho”, etc.

[4] Maioridade - O jovem japonês alcança maioridade legal no seu vigésimo aniversário, e a partir daí estão aptos a votar, são permitidos que fumem, comprem bebidas alcoólicas e possuam todos os direitos e responsabilidades da vida adulta; (fonte: http://www.yamasa.org/acjs/network/portugues/newsletter/things_japanese_24.html )

Notas finais
Bem, minna-san, a trama começa a caminhar para sua reta final. Eu disse que tentaria desenvolver a história em treze capítulos, mas acho que em dez capítulos eu termino. ._. Espero contar com o apoio de vocês até o final. Sei que esse capítulo ficou meio monótono, já que não teve as tão esperadas cenas de lemon. Até percebo que quando não têm essas cenas há uma redução no número de comentários. Contudo, se eu não incluir as explicações na história, não consigo chegar com ela em lugar nenhum. Concordam? =/ Mas prometo que emoção é o que não vai faltar nos momentos finais. Agora vem por aí muitas revelações. E vocês? Já têm alguma suposição do que irá acontecer daqui em diante? Será que Sasuke conseguirá chegar até Kitsu? Ou será que Itachi conseguirá chegar até Sasuke primeiro? E afinal, o que foram os fantasmas que Kitsu viu? Comentem! O comentário de vocês é o incentivo que nós ficwriters precisamos para continuar com ânimo para levar a história até o final. Agradeço! Meu beijo coletivo! See you next! o/